segunda-feira, 25 de novembro de 2013

Dragão - 70 anos de vitórias. (2006)


Dragão - 70 anos de vitórias. (2006).

"No ano de 36, no esporte do Brasil, surgiu mais uma estrela, brilhando no céu anil ..." estrofe da música que compusemos por ocasião dos 50 anos do clube proletário em 1986. No dia 01 de Maio do ano passado completamos 70 anos de glórias.Esta foto, com o bolo de aniversário, homenageia alguns dos proletários em diversas épocas : Em torno dos grandes dirigentes, presidente Valquírio Lima e Dra. Lígia Maynard, destacamos Matias Paulino, o saudoso Tadeu Cruz, Tonho do Caldinho, presidente Milton Dantas, Aurélio, Luizinho da Trovão, Sávinho Garcez, professor Joubert Uchoa e Juca (Bala) Dantas.

Foto e texto reproduzidos do site: fotolog.com.br/adconfianca

Postagem originária da página do Facebook/MTéSERGIPE, de 25 de novembro de 2013.

sábado, 23 de novembro de 2013

Conluios com a Web


Conluios com a Web

Meu processo de escrita tem sido sempre o mesmo. Visto uma bermuda velha de agradáveis passados, calço uma havaiana furada no calcanhar e aviso aos circundantes domésticos com falso mau humor: vou beber no facebook. Todos riem nesta hora. Depois abro um vinho e coloco dois prevenidos latões de cerveja no congelador, para segurar, até mais tarde, o papo virtual com os amigos seguidores.

Abro o feed e leio tudo o que me toca o entusiasmo, às vezes comentando ou apenas curtindo e outras compartilhando, quando o que leio é o que eu gostaria de ter postado e tem a minha inteira concordância. Levo em conta também os seguidores que interagem comigo e que me fazem estar aqui, nesta conversa de viciosa inteligência que tanto me apraz.

Meia garrafa depois eu escrevo. Levo um tempo buscando no Google a melhor ilustração para a minha viajem e curto muito achar naquela Babilônia a ilustração ideal para o sentimento que quero remeter aos meus benéficos leitores.

Ai então me resta aguardar as manifestações de apreço e concordância, os reparos certeiros, as raras obtemporações e os profusos elogios ao que eu posto, o necessário acumpliciamento diverso que me anima a continuar escrevendo e postando no Facebook. Saibam que levo muito a sério o julgamento de todos vocês, já que nada os obriga a me curtir. Esta moderna interação entre escritor e leitor é a mais profícua novidade na cadeia produtiva que move a literatura nesses tempos ainda mal entendidos da comunicação via Web.

Já no pé da garrafa eu costumo recorrer ao joguinho da Paciência, outro vício que o computador nos traz, e jogo o jogo até que algum de vocês faça soar a sineta da sua presença em meu universo virtual.
Gosto muito de compreender esse novo tempo.

Amaral Cavalcante.

Postagem originária da página do Facebook/MTéSERGIPE, de 23 de novembro de 2013.

quinta-feira, 21 de novembro de 2013

Joana Doceira


Joana Doceira

Joana Doceira vendia iscas de mamão cristalizado, jenipapo seco, umas balas de mel pegajosas e doce batido em tacho de cobre. O de batata vinha com grânulos esquisitos e o de goiaba açucarava em cima, mas no de araçá o azedinho enganoso da fruta nos comportava. Ô doce bom!

Mas só a meninada lhe fazia freguesia.

É que tinha também um quebra queixo briguento, impossível de morder por cariados e banguelas, inesquecível. Do tabuleiro lodento ela tirava com certo esforço, uma lasquinha do doce e competia a nós, meninos de Simão Dias, brigar a ferro e foice para degustá-lo, com a precária dentição que, descuidada, doía-nos em cáries e incomodações.

O quebra-queixo na boca resistia um tanto, mas ia liberando pouco a pouco os seus mistérios de açúcar: lembranças de cocadas velhas, tons longínquos de maria-mole e sobressaltos de baunilha. Joana Doceira deixava restar no quebra-queixo o gosto primordial da maravilha: o sabor de goiabas amassadas, um gosto de chão arrematado nas frutas do quintal, no açúcar que olhe permitia reinar entre os meninos e as fritas impossíveis de mais doçuras por ela cristalizadas e finalmente prontas ao deguste das nossas papilas infantis.

Ficava no oitão da minha casa, a venda dela, que nem platibanda tinha. Lá dentro, após o batente de ardósia polida por gerações de pezinhos, um escuro balcão paupérrimo de festa. Prateleiras destroncadas expunham pucumãns e intrincados alfenins de bosta de mosca sustinham a nosa avidez. Falanges de baratas bêbadas crocritavam babadinhos de celofane, apresentando-se à nós como se fossem elas a operárias de tudo, funcionárias de Joana a recepcionar a rica freguesia com seus tostões em punho.

Sá Joana Doceira estava muito velha! Tínhamos que gritar três vezes e esmurrar o balcão com vigorosos chamamentos para que, lentamente, balançando os peitões e arrumando a carapinha, Sá Joana aparecesse. Adernava a bundona enorme, parcamente disfarçada num camisolão de madrasto. Vinha desentalando os panos do fiofó, enquanto abria um sorriso de negra velha com o olho derramado em nossos dez tostões.

Um dia fui além do balcão. Tinha vontade de ver, nos armários, a imundície de onde emergia o corrompido sabor dos meus doces queridos. Desci dois degraus. No catre à esquerda, lençóis sujos. Na parede, uma Senhora Sant’Ana ensinava Maria a rezar. Um cotôco de vela na prateleirinha pedia por Joana - que adjutórios quereria ela? Depois, a cozinha: trecos, pandarecos, um fogão de lenha crepitando aceso cozinhava doces.

Daí uma meia porta de tramelas acessava o quintal

Esta crônica chega até aqui para maravilhar o leitor. O quintal de Joana era um segredo palato, guardado nas deslembradas cavernas da infância de qualquer um. Povoado de goiabeiras e romãs, tomado pela natureza afável dos quintais recônditos, era um lugar de sonhos. Um pé de maracujá guerreava com as telhas, sob as bênçãos de um sapotizeiro tão velho quanto a cristandade. No chão, acompanhando o rego de águas detritas, uma colorida procissão de cravos. Ao fundo, rente à cerca, uma roseira tenaz ria de tudo, com seu cheiro de amor adocicado e o intrincado rococós de pétalas que sabia à cocada puxa, um cheiro que lhe entranha a memória e que nunca desvanece, grudado na lembrança daquele quintal.

Um pé de abacate havia, de graviola também. Goiabeiras perebentas de flexíveis galhos, uma floresta de araçá. Dois mamoeiros heráldicos como minaretes em busca do céu e uma jenipapeira decente sombreavam verbênias de vários matizes e adálias de tronco esguio cochichando às margaridas enxeridas que atapetavam o chão.

Tinha também um tamborete aleijado pondo-se útil com três pernas. Bom sentar atônito e confiante puxar conversa, se desse, com o diabinho das plantas.

Nunca voltei de lá. Fiquei no mundo doce de açúcares imemoriais onde Joana vivia a inventar paladares.

Bruxa velha, imunda e boa, Joana Doceira dos meus sujos sabores.

Amaral Cavalcante.

Postagem originária da página do Facebook/MTéSERGIPE, de 19 de novembro de 2013.

Bandeira no Varal


(Falta a foto tirada pelo próprio Déda, de uma mulher estendendo um pano vermelho sobre a cerca).

Bandeira no varal
De Marcelo Déda

Hasteia no varal
do teu suplício
a rubra bandeira
de todos os dias
como quem faz
um atávico sacrifício,
como quem cumpre
uma velha liturgia.

Lava as manchas
das lágrimas,
da ânsia, da agonia;
oculta o rastro dos orgasmos,
apaga a última alegria:
quara o úmido tesão
na luz intensa do dia.

Abra o estandarte encarnado
sobre as estacas
deste feudo esquálido.
Deixa o sol pagão
inundar de calor o pano,
secar as saudades,
desidratar a memória
- fundar no lençol um extenso sertão,
deserto expropriado
de àgua e de história.

Agora volta,
pois é hora.
A vida urge,
o tempo cobra:
saca da farpa aguda e fria
a bandeira febril da agonia
hasteada a meio pau
no que lhe coube dessa sesmaria.

Volta, pois
outra vez é noite -
enfrenta o espelho,
maldiga o destino,
sapeca na face
um véu de rouge,
pinta de vermelho
o lábio fino.
Sobre a cama
arreia de novo
o pálio antigo:
e minta
que o seu amor

é seu amigo.

Postagem originária da página do Facebook/MTéSERGIPE, de 19 de novembro de 2013.

Noite de Gala na Homenagem aos Pediatras


Foi uma noite radiante para a Medicina de Sergipe a homenagem prestada a pediatras que, ao longo de suas carreiras, contribuíram para o desenvolvimento da especialidade em nosso Estado. O evento, promovido pela Academia Sergipana de Medicina com o apoio da Sociedade Sergipana de Pediatria, ocorreu em 20 de novembro último. A sessão especial recebeu o nome de “Noite dos Pediatras”.

Receberam o Troféu Dr. José Machado de Souza os pediatras Amândio Almeida, Hyder Bezerra Gurgel, Iracema Barbosa Carneiro Leão, Jóira Resende Cruz, Maridélia Gentil Guedes da Silva, Simone de Moura Matos, Margarida Maria Diniz Franco, Bráulio Joaquim de Abreu Filho e Byron Emanoel de Oliveira Ramos.

Eles foram saudados pelo acadêmico Anselmo Mariano Fontes e em nome dos agraciados, fez uso da palavra Maridélia Gentil Guedes da Silva, que emocionou a todos os presentes com um discurso de exaltação à especialidade, tecendo consideração sobre o momento atual da Medicina brasileira. Foi aplaudida de pé e recebeu o cumprimento de todos os acadêmicos presentes. Sem dúvidas, uma noite para ficar na história.

Lúcio Prado Dias.

Postagem originária da página do Facebook/MTéSERGIPE, de 21 de novembro de 2013.

Homenagem a Luiz Antônio Barreto


A sensação que me dá, neste momento de dor, é que perdemos ao mesmo tempo o nosso guardião e o nosso cultivador.

Quem irá guardar e quem irá cultivar em registros históricos as peculiaridades da nossa pequena grande terra? Quem terá o cuidado– na maioria das vezes sem ajuda, inclusive do poder publico – de procurar, de guardar, de processar e de analisar o quem nos vem da terra, do verbo, do mar, da poesia, da paisagem, das esquinas, dos escombros do poder, da feira, da igreja, da sarjeta, das ruas, das goelas, dos prantos e da nossa eterna e amada cantoria - a nossa historia de tantas estórias.

Cante lá que eu canto cá – me acalmaria Patativa do Assaré – mas a dor do abandono é mais forte que o permanente canto que o Luiz Antônio nos ensinou. Do São Francisco ao Rio Real existe neste momento a imensa angustia da ausência. À dor da partida acrescenta-se o vazio do silencio. Perdemos o nosso guardião, o nosso cultivador. O farol contenta-se em repouso de mar – e lá nave vá.

Jocelino Francisco de Menezes.

Postagem originária da página do Facebook/MTéSERGIPE, de 18 de abril de 2012.

A História de Dona Maria Tenice

 Na foto, da esquerda para a direita, Prof. Albertino, Dona Edvan,
 Claudieny e Dona Tenice. (Foto: Prof. Claudney).

Aquidabã, 22 de junho de 2013.

Prof: Elia Barbosa lança o Livro "TENICE E SUA HISTÓRIA".

Na noite de sexta-feira dia 21 de junho, foi lançado no Memorial Cantor José Augusto o Livro Tenice e sua História livro este que é fruto das pesquisas feitas na cidade de Aquidabã Sergipe pela Professora Elia Barbosa de Andrade que é professora na Unit-Universidade Tiradentes.

Contando a história de uma mulher guerreira, alegre que cuidou da casa e da família, uma mulher lutadora e trabalhadora, que sempre viveu no campo, e na lida do gado aprendeu aboiar, que é um canto nordestino utilizado pelos vaqueiros na lida com o gado. Contando a história de vida desta cantora de aboio de nossa cidade e que hoje já faz parte do patrimônio cultural imaterial de Aquidabã a professora Elia da mais uma vez uma grande contribuição na preservação de nossa cultura ela que já lançou vários outros livros como o Livro Aquidabã em Versos .

A no evento de lançamento estavam presentes, o Professor Albertinho que é uma pessoa que luta firmemente pela manutenção da cultura de nossa cidade, o Professor Jackson que também é escritor e também já lançou o um livro, teve também a presença da vereadora Tânia de Valter, da Professora Dona Edvan do Colégio Renovado, do secretario municipal de Saúde Moises que também esteve presente, Sr. Daniel pai de Danielzinho, Prof. Claudiney que também é historiador e que luta também pela preservação da nossa história e cultura. Também estavam presentes os familiares e amigos de Dona Tenice e claro a estrela da noite a própria Dona Tenice a homenageada juntamente com seu esposo Afonso /Bidú /.

O livro conta a história contada em versos e como bem explicou Elia ele tem traços característicos do cordel mas não se classifica como tal, tornando o trabalho rico em detalhes tornando - se prazeroso para a leitura, trabalho construído e feito atreves de informações cedidas pelo próprio casal.

No final do evento foi feita uma grande festa já que a Dona Tenice estava aniversariando, completando mais uma primavera, 80 anos de muita luta, história e claro de alegrias, e não poderia vir presente melhor do que um livro contando a sua história.

Fotos e texto reproduzidos do blog: jonasculturaemeioambiente.blogspot

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Aquidabã no Faustão com Maria Tenice.

Vídeo enviado ao YouTube por Moisés dos Santos

Postagem originária da página do Facebook/MTéSERGIPE, em 21 de novembro de 2013.

terça-feira, 19 de novembro de 2013

Alguns nomes da história da Coluna Social em Aracaju:

Carlos Henrique de Carvalho (Bonequinha), o mais importante na história do colunismo social em Sergipe.

Wellington Elias

Laurindo Campos

Eduardo Cabral

Joana Santana

Maria Luiza Cruz

Tereza Newman

Kerginaldo Tavares dos Reis

Ilma Fontes

Ivan Valença ( que assinava Leilinha Leite )

Luiz Daniel Baronto

Pedrito Barreto

Clara Angélica Porto

Daisy Monte

Paulo Nou ( que assinava Caymmi )

Tereza Andrade

Karmen Mesquita

Osmário Santos

João de Barros

Lânia Duarte

Carmen Pacheco

Thaís Bezerra

Ledinaldo Almeida (que assinava Zuzu Lyra)

João Barreto Neto

Luduvice José

Sacuntala Guimarães

Cristina Souza

Sônia Mara

Márcio Lyncoln

Roberto Lessa

Yara Belchior


Maria Franco.

Postagem originária da página do Facebook/MTéSERGIPE, de 12 de maio de 2012.

Lápide na Igreja do Município de Gararu

Lápide mais velha da Igreja-Matriz de Bom Jesus dos Aflitos de Gararu.
Foto: acervo Pedro Souza.

Postagem originária da página do Facebook/MTéSERGIPE, de 21 de dezembro de 2012.

O atelier de Florival Santos


(Para os arquivos de Eduardo Cabral, que terá muito a acrescentar a esta breve crônica)

O atelier de Florival Santos

Florival Santos era seletivo quanto às visitas ao seu atelier instalado no sótão da sua casa na Rua Duque de Caxias, com jardim lateral e fachada em art’decor. Para galgar a velha escada de madeira que o levaria à oficina do pintor, o visitante haveria primeiro que tomar algumas xícaras de café com bolachinhas de goma ou mesmo um vigoroso suco de mangaba, preparados por D Concita e servidos com discreta elegância por Marlene, sua filha. Somente depois de muita conversa o interessado, mesmo que trouxesse o benefício de uma encomenda, poderia ser convidado para apreciar, no sótão, o árduo e meticuloso trabalho do mestre, ora descobrindo nos retratos magistralmente executados o tom ocre que concedia aos retrados uma dignidade heráldica, ora inventando novas texturas que favorecessem a luz e o agoniado movimento de velas ao vento em suas marinhas, trabalhadas com a espátula. Era um perfeccionista. Raramente presenciei Florival anunciar que alguma daquelas preciosidades estivesse pronta. Quando as vi expostas na Sociedade Semear, por ocasião das comemorações pelos seus 100 anos, matutei com meus botões: “Ah! Se Florival estivesse vivo, seria muito difícil tirá-las do atelier”.

Não sei por que cargas d’água eu e Eduardo Cabral tínhamos acesso livre ao sacrossanto altar das suas pinturas. Meninotes ainda, íamos frequentemente visitar o Mestre e sempre fomos bem recebidos. Ouvíamos muito mais do que falávamos e concordávamos sempre, sempre cuidadosos em não provocar o gênio colérico de Florival, temido até entre os seus colegas pintores. J. Ignácio, por exemplo, não gozava da sua simpatia, embora recebesse dele velados elogios. “É um ótimo pintor, mas não tem juízo” dizia ele do desbocado Ignacio, de que se conta que certa vez, ao passar por Florival na Rua João Pessoa gritara, escondido entre pilastras: “Moldureiro!”... uma desconsideração com o cuidadoso pintor que entregava os seus retratos em primorosas molduras.

Quando em 1966 o prefeito Godofredo Diniz, ao inaugurar a Galeria “Álvaro Santos”, por sugestão de Alencar Filho convidou Florival Santos para dirigi-la, ele só aceitou com a condição de eu fosse nomeado seu secretário geral, sob a alegação de que a nova galeria deveria servir muito mais aos artistas mais novos do que aos já consagrados.

Devo a ele o meu primeiro cargo público.

Amaral Cavalcante.

Postagem originária da página do Facebook/MTéSERGIPE, de 24 de novembro de 2012.

quarta-feira, 13 de novembro de 2013

A Telefonia Fixa em Sergipe



Memorial de Sergipe/UNIT, 19 de abril de 2013.

A Telefonia Fixa em Sergipe.
Por Francisco Víctor Santos de Araujo*

No início do século XX Aracaju já era a capital política, depois da construção de estradas de rodagem e o seu asfaltamento é que a mesma passou a ser o centro econômico do Estado.

Havia em Laranjeiras ricos negociantes de açúcar e algodão, destacando-se entre eles a figura do senhor Magalhães que representava firmas importadoras do Rio de Janeiro, e em suas viagens conheceu o telefone e o seu uso, adquirindo mais tarde uma pequena Estação Telefônica que se instalou na cidade de Laranjeiras, ligando casas comerciais com os trapiches de açúcar e de algodão, beneficiando também as residências.

Durante o Governo do General Siqueira de Menezes é dada a concessão ao senhor Zacarias de Souza Silveira para instalar uma rede telefônica ligando Laranjeiras com Aracaju e cidades vizinhas, se estendendo para o meio rural. Souza Silveira criou a Companhia telefônica e instalou primeiro dentro da Usina Bismarck, de propriedade de Otto Junklauss, imigrante alemão, depois para os engenhos Pinheiro, Gentirana, Palmeira, Ribeira, Usina Central e muitos outros, nos municípios de Laranjeiras e Riachuelo, estendendo-se depois para Aracaju.

A concessão é dada a Deoclides Paes Azevedo, que em 1919 cria a Empresa Telefônica Sergipana, instalando um Posto Telefônico Público em Laranjeiras e estendendo as linhas para as cidades de Propriá e Estância. No mesmo ano é inaugurada com a assistência do Presidente da Província, Pereira Lobo e com a benção do Bispo Dom José Thomaz a Empresa Elétrica em Laranjeiras, do empresário Dr. Alberto Munck.

Instalar um telefone no início do século XX até a década de 1930, não era difícil. A moeda brasileira era forte. O açúcar e o algodão eram vendidos caros. Os proprietários rurais colocavam os postes nos lugares cabendo a Empresa Telefônica, estender os fios e ligar os telefones.

Podemos observar que apesar de Aracaju, ser a capital de Sergipe com a elevação do povoado Santo Antonio de Aracaju a cidade e capital em 17 de março de 1855, a capital sergipana é o principal centro político do Estado, mas percebemos que ela ainda não era o principal centro econômico, uma vez que a maior parte da riqueza do Estado estava na região do Vale do Cotinguiba, onde havia a concentração de grandes propriedades produtoras de açúcar e algodão. Prova disso, que influenciado por estas riquezas, o telefone chegou a Sergipe na cidade Laranjeiras nas primeiras décadas do século XX, antes mesmo da luz elétrica.

Até o início da década de 1970, a telefonia em Sergipe era explorada pela empresa particular Rede Telefônica Sergipana, que logo passou a ser estatizada e a se chamar Telecomunicações de Sergipe S/A (Telergipe), tendo como presidente José Agnaldo Santos, sendo a primeira subsidiaria do Sistema Telebrás Telecomunicações Brasileiras S/A, criada em 29 de dezembro de 1972. A Telergipe em Aracaju tinha 1.575 telefones, sendo 150 particulares e 75 públicos, que tinham sido vendidos também a particulares, além dos 250 telefones de Propriá, servida por uma linha telefônica que funcionava precariamente através de um canal em SSB (rádio), por posto telefônico instalado na Rua da Frente, em Aracaju. A cidade Lagarto possuía 50 telefones, que só funcionavam dentro da cidade. Estância era servida por uma mesa PABX que não funcionava bem, tinha em torno de 50 telefones.

Com o objetivo de melhorar seus serviços, a Telergipe realizou em 1973 na Escola Técnica Federal de Sergipe, um curso para formação de uma turma de técnicos em telecomunicações, com duração de 14 meses, sendo nove em Aracaju e cinco em estágio na Embratel. Técnicos esses que viriam suprir a mão de obra da Petrobrás, Embratel e Telergipe que preencheria mais de 20 vagas aproveitando os aprovados.

A telefonia brasileira entre 1972 e 1998, foi exclusivamente estatal sob o domínio da Telebrás. Em 1997 foi aprovado a Lei Geral de Telecomunicações (LGT), permitindo o Governo Federal criar a Agência Nacional de Telecomunicações (ANATEL). Com essa ação foi possível perceber que as estatais apresentavam sérios problemas, tanto financeiros, como também na oferta de serviços e o não acompanhamento das transformações nas telecomunicações decorrentes da falta de investimentos no setor, deu origem as privatizações dos serviços, que aconteceram de forma polêmica. Por não restringir a participação estrangeira nem determinou um limite de ações por comprador individual, o que era um monopólio estatal tinha se transformado em privado.

Ainda em 1998 o Ministério das Comunicações dividiu a Telebrás em doze companhias, sendo a maior delas a Tele Norte Leste S.A., em 1999 denominada de Telemar. A atuação desta nova companhia se deu no litoral sudeste, norte e nordeste do Brasil, assumindo o controle em 16 Estados de sua área inicial: a TELERJ, a TELEMIG, a TELEST, a TELASA, a TELPE, a TELPA, a TELERN, a TELECEARÁ, a TELEPISA, a TELAMAZON, a TELAIMA, a TELMA, a TELEAMAPÁ, a TELEPARÁ, a TELEBAHIA e a TELERGIPE. Em 2001 essas 16 empresas foram integradas, dando origem a uma única empresa. Em 2002 é criada a Oi uma empresa do grupo no ramo da telefonia móvel e em 2007 a Oi se torna uma única marca aglomerando todos os serviços.

Em Sergipe, com a chegada da Telemar em 1999, houve mudanças em toda a estrutura da já antiga Telergipe. O telefone teve seu poder de aquisição facilitado para muitos, já que quando estatal o valor pago por uma linha telefônica poderia chegar a R$ 3.000,00, os serviços foram ampliados, a quantidade de telefones públicos (orelhões) e residenciais aumentaram consideravelmente, chegando a todos os municípios sergipanos.

Atualmente o Estado de Sergipe é servido por várias companhias telefônicas como a Oi, a Tim, a Claro, a Vivo e a Gvt, uma forma que o Governo Federal encontrou para que exista uma leal concorrência e consequentemente, uma melhor oferta e melhoria nos serviços prestados a população.

As privatizações inovaram o setor das telecomunicações, facilitando a todos o acesso a telefonia, e o crescimento da economia no país. O que não seria possível sem elas. Não podemos esquecer que com elas vieram um grande número de demissões de funcionários públicos que tinham seus empregos estáveis e salários valorizados, como também, devido ao grande numero de usuários que só tende a aumentar, as companhias não conseguem atender a demanda e lideram as reclamações juntos aos órgãos de defesa do consumidor.

*Francisco Víctor Santos de Araujo é graduado em História Licenciatura Plena pela Universidade Tiradentes.

Referências: 
MENDONÇA, Jouberto Uchôa de; SILVA, Maria Lucia Marques Cruz e. Sergipe Panorâmico: Geográfico, Político, Histórico, Econômico, Cultural, Turístico e Social. 2 ed. Aracaju: Unit, 2009. 640 p.:II. pp. 279.

FRANCO, Emmanuel. Os primeiros telefones em Sergipe.

MENDONÇA, Paula./O Brasil após a privatização das telecomunicações./Guiando Telecom. Artigos. 06 de janeiro de 2010. Disponível em:
<http:/www.guiandotelecom.com.br/artigos/o-brasil-apos-a-privatizacao
dastelecomunicacoes/>. Acesso em: 04 de março de 2013.

SANTOS, Osmário./Ademar de Aragão: O Mestre das Telecomunicações em Sergipe./ Osmário Santos: Prefeitura de Aracaju. 23 de abril de 2005. Disponível em:
<http://www.usarioweb.infonet.com.br/~osmario/igc_conteudo.asp?codigo=10872&catalogo=5&inicio=24>. Acesso em: 05 de março de 2013.
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Texto reproduzido do site: ww3.unit.br/memorialdesergipe

Fotos ilustrativas: reproduzidas do Google.

Postagem originária da página do Facebook/MTéSERGIPE, de 13 de novembro de 2013.

Museu de Arqueologia de Xingó (MAX).


Relatórios de História de Sergipe I. (10/04/2011).
Por Marcos Bastos.

Museu de Arqueologia de Xingó (MAX).

A aula foi uma visita virtual ao MAX (Museu de Arqueologia de Xingó), apresentado pela Coordenadora de Exposição Railda Nascimento, que nos levou a conhecer a estrutura física do museu e suas alas. Já por essa primeira apresentação podemos ver que o Museu é extremamente didático, moderno e de fácil acessibilidade ao público portador de deficiência física.

O Museu existe há sete anos, mas sua história se iniciou com a construção da Barragem de Xingó em 1988, onde se iniciou o salvamento arqueológico e depois comprovou-se como sendo verdadeiros de até 9000 anos antes do presente. A sua construção estimulou o turismo na região do baixo São Francisco. O Museu tem por objetivo mostrar que já existiam índios nessa região muito antes da chegada dos portugueses.

Diversos setores apresentam didaticamente como esses índios da pré-história viviam na região de Xingó.

O primeiro setor apresentado é o setor das escavações, ele mostra que as escavações são feitas em camadas e que em cada camada há uma distinção dos artefatos encontrados, pois quanto mais profundas as escavações mais antigos são os artefatos, além de mostrar as ferramentas usadas por arqueólogos nas escavações.
Já o segundo setor tem por objetivo mostrar as rotas de chegada à América, para isso faz utilização de um mapa eletrônico que detalha as migrações que aconteceram tanto pelo litoral quanto pelo interior da região. O mapa também aponta onde estão localizados os sítios arqueológicos mais antigos da América dando destaque ao sítio Justino que é o principal da região de Xingó. O sítio Justino é considerado um sítio de terraço, já que se localiza na beira do rio, já nos platôs e nas montanhas são encontrados os sítios de registros gráficos onde até hoje são descobertas novas pinturas e gravuras rupestres.

Depois fomos apresentados ao setor de pinturas e gravuras rupestres. Uma característica deste setor, presente no Museu, é a interação da pré-história com o meio externo, mostrando a atual região de Xingó. O mineral usado para pintura é o Óxido de ferro, chamado também de Ocre, que é de cor avermelhada. O Museu mostra a ilustração de um índio pintando uma rocha e também mostra os materiais que ele utilizava. É importante observar que os desenhos tentam representar o seu cotidiano, mas nem todas as gravuras conseguem ser compreendidas. Também foram apresentados exemplares de fragmentos de um sítio de registro gráfico. Eles tiveram que ser retirados, pois esse sítio foi o único inundado. O método usado para gravar nas pedras, era o copicotiamento, ou seja, eles utilizavam uma pedra menor para gravar numa pedra maior. As gravuras podem ser consideradas uma forma de linguagem da pré-história.

Agora vemos ferramentas líticas que são objetos de pedra confeccionados por índios pré-históricos, o granito era uma das pedras mais utilizadas para construção desses artefatos.

Nesse outro setor apresenta artefatos cerâmicos, muito diversificados quanto à forma e tamanho. Percebemos a capacidade de esses índios criarem instrumentos para o seu cotidiano, como por exemplo as vasilhas de barro diversas, cachimbos artesanais, onde mostra que esses índios já cultivavam vegetais usados para o fumo. Um detalhe curioso do Museu é de que os vasos datam 5000 anos, podendo ser as cerâmicas mais antigas do Nordeste. Provavelmente a cerâmica que os índios utilizavam estava associada à atividade agrícola inicial, possibilitando uma melhor qualidade de viva, já que eles cozinhavam os alimentos e consequentemente diminuíam o desgaste dos dentes e uma série de outros fatores em benefício deles. Uma curiosidade é de que eles decoravam esses recipientes.

O próximo setor, que nos mostra o princípio de habitação humana e variação de alimentos. É ilustrado de maneira clara e objetiva por uma maquete, mostrando a vida desses índios, que viviam as margens do Rio São Francisco. A base da alimentação dos índios era peixe, mas quando o rio sofria de grandes cheias ou secas eles eram obrigados a irem aos platôs e as montanhas para caçar, e deixavam espalhadas suas pinturas e gravuras. Caçavam animais de porte médio, do tamanho aproximado de capivaras ou veados, mas se alimentavam de pequenos animais também.

No setor da morte conhecemos que os índios pré-históricos possuíam rituais de enterro, que faziam parte de sua cultura. Era uma prática comum entre eles serem enterrados com seus objetos pessoais. Esses objetos podiam ser no caso das mulheres, colares, prendedores de cabelos e no caso dos homens, objetos de caça e cerâmica. Também há indícios de que eles possuíam organização social e preocupação com a vida após a morte. Isto mostra que o homem de 5000 A.P. não era inteiramente bruto.

Há ainda o setor de exposição especial, com a intenção de criar uma relação entre o presente e o passado. A exposição que está atualmente em cartaz trata da hidroferrovia de Piranhas e sua importância para o baixo e médio São Francisco. Piranhas hoje é tombada pelo IPHAN, sendo muito importante para o auto-reconhecimento sócio-cultural dessa região. Os visitantes têm a oportunidade de ver uma maquete mostrando como era Piranhas do inicio do século XX. A cidade foi visitada por D. Pedro II e ao visitar a região, como não conseguiu chegar de barco devido às corredeiras de Paulo Afonso ele então baixa um decreto criado a ferrovia Paulo Afonso, que ligava as cidades de Piranhas ao médio sertão pernambucano. A ferrovia foi desativada nos anos 60 do século XX, ainda assim ficou sua importância sócio-cultural para a região de Xingó.

Podemos concluir a importância do Museu no conhecimento sobre a vida pré-histórica de Sergipe, mostrando a ligação do passado com o presente. Um grande facilitador nesse processo é a forma didática como são apresentados os diversos temas, que acaba facilitando em muito a absorção do conhecimento.

Texto e foto reproduzidos do blog: marcosbastoshist.blogspot

Postagem originária da página do Facebook/MTéSERGIPE, de 13 de novembro de 2013.

Fernando Sávio Brandão de Oliveira

Fernando Sávio na redação do jornal "Folha da Praia", em Aracaju.
Foto: arquivo Amaral Cavalcante.

Fernando Sávio Brandão de Oliveira

Gostava de ser chamado com todos os efes e erres, um nome de quatro costados como exigia sua imponente figura de brancuras europeias e olhar ultramarino. Quando o conheci, na década de 1970, caía-lhe sobre os ombros uma viçosa cabeleira de fios negros e sedosos, largados ao desalinho para acentuar a rebeldia que imperava nele todo. Grandão, malandro de conversa fácil e boa praça, o jornalista Fernando Sávio trazia no peito uma marca inquietante: a enorme cicatriz que lhe deixara uma cirurgia coronária, riscando-lhe o tórax de cima a baixo, e que ele gozava prazer em mostrar abrindo sempre a camisa até o terceiro botão, o que o tornava mais notável entre nós.

Ficamos amigos. Quando lançamos em 1981 o alternativo Folha da Praia, Fernando era o nosso principal articulista, a novidade literária que orientou nossa empreitada por uma nova linguagem jornalística em nosso meio. O seu texto era terno, preciso, literariamente culto e perfeitamente acumpliciado com as grandes questões políticas daqueles tempos, inaugurando, naqueles idos, uma conversa exitosa com os leitores, tão sequiosos disto.

Mas a sua mais inesquecível qualidade é a elegante malandragem, a entrega absoluta aos prazeres da vida, essas coisas que nos fazem eternamente amados e saudosos porque nos mantém na lembrança das ruas, elas que, verdadeiramente, detém o poder de nos acenar com certa imortalidade. Fernando, talvez porque nunca se importasse com as consequências revolucionárias do que fazia, firma-se agora com um grande revolucionário no seu tempo.

Fernando Sávio Brandão de Oliveira era, sobretudo, um boêmio consciente da sua genialidade, um homem emocionado com a sua própria capacidade de alumbramento, um escritor completo de bem humoradas convicções, um letrado de bem com a sua escrita e um amigo bom pra caralho.

Voltarei ao assunto.

Amaral Cavalcante - novembro/2013.

Postagem originária da página do Facebook/MTéSERGIPE, de 12 de novembro de 2013.

sexta-feira, 8 de novembro de 2013

Um novo Arquivo Público no Distrito Administrativo


Um novo Arquivo Público no Distrito Administrativo

No Distrito Administrativo de Aracaju o poder público tem construído palácios nababescos com luxuosos pisos de mármore da melhor lavra, se bem que destituídos de qualquer criatividade arquitetônica e até soturnos por fora, mas perdulários por dentro. Ali se erguem monumentos às corporações, cada uma mais vaidosa do seu templo e do poder que exerceu para conseguir recursos, advindos, principalmente, do tesouro federal. Tudo bem, o poder público está certo em reunir num mesmo sítio urbano os seus equipamentos institucionais, pelo bem de uma disposição concentrada dos serviços públicos que beneficie a acessibilidade.

A ”Corporação da Cultura”, digamos assim para melhor entendimento, batalha pela construção de um novo Arquivo Público Estadual faz tempo, mas o minguado orçamento do MINC não nos permite nem falar em tal investimento. E o governo de Sergipe, a ver a atenção que vem dando, desde várias gestões, ao velho e abandonado Arquivo Público caindo pelas tabelas na Praça Fausto Cardoso, não nos anima a pretender que o minguado orçamento da Secult possa nos socorrer.

E então? Existirão organismos internacionais que abraçem a nossa causa? Como fazer com que o poder público entenda que construir um novo Arquivo Público dotado de modernas tecnologias é importante para enaltecer o nosso status civilizatório? Como fazê-lo entender a perenidade histórica dessa obra?
Resposta: unindo vozes, reivindicando, fazendo-nos ouvir por quem de direito. Os historiadores, pesquisadores, estudantes de “Humanas”, departamentos afins nas Universidades e cidadãos interessados na preservação da nossa memória, estarão cumprindo o seu papel de reivindicar?

Entra governo, sai governo, e o nosso prédio do Arquivi Público não sai! Ele seria uma convergência institucional no Distrito Administrativo de Aracaju , uma demonstração de cuidado com a memória sergipana e de civilidade para avaliação das gerações futuras.

Amaral Cavalcante.

Postagem originária da página do Facebook/MTéSERGIPE, de 6 de novembro de 2013.

Homenagem de Clara Angélica Porto a J. Inácio

Foto: José Carlos Cruz.
Reproduzida do álbum do Facebook de José Carlos Cruz

Matéria que escrevi sobre o querido J. Inácio, publicada pela Revista Lícia:

As pessoas do Santo Antônio, na colina onde
a cidade de Aracaju nasceu, contavam muitas
histórias sobre as atividades artísticas
do bairro. Tinha de tudo, corais, teatro, gente fazendo
arte de todo jeito. A igreja era o centro e em
volta dela, as pessoas chupavam rolete de cana
e comiam o cachorro quente sem igual da nega
Lourdes. Uma história que eu adorava ouvir era
sobre o drama da paixão de Cristo, onde tinha um
ator que se destacava de todos pelo talento e graça.
Ele sempre fazia o papel de Judas, todos os anos e
contavam que a estrela era sempre o Judas, e não
o Cristo. No final, depois das lágrimas com o sofrimento
de Jesus crucificado, todo mundo corria
para ver Judas de perto, falar com ele, prorrogar
mais um pouco aquela presença diferente. Era o
jovem Inácio, irmão de Padre Pedro, um sacerdote
humilde, piedoso e muito louco, que vivia ajudando
os pobres. Inácio, o Judas apaixonante, veio a se
tornar J. Inácio, grande pintor de Aracaju, famoso
pelas lindas bananeiras, Cristos, casas de farinha e
brancas garças.

Quando conheci Inácio ele já era um velho pequeno
e narigudo, com uma farta cabeleira branca,
olhos miúdos e velozes. Era um mito na cidade e
sabia disto, aproximava ou afastava pessoas como
queria. Viveu 96 anos, simplesmente sendo do
jeito que era. Se alguém perguntava sobre sua
pintura, dizia que era um pintor neo-acadêmico e
se alguém perguntasse quantos quadros já havia
pintado, ele respondia que bastante para fazer um
tapete de Aracaju até Salvador. Sergipano que se
preze conhece o trabalho de Inácio e se preza um
pouquinho mais, um quadro na parede, de preferência,
uma bananeira.

São muitas as histórias de J. Inácio, e todas
verdadeiras, com prova provada. Em 2005, a Academia
Brasileira de Letras ofereceu a Inácio um
prêmio de “Gênio da Pintura”. Lá se foi Inacinho
ao Rio de Janeiro, com a filha Rutinha tomando
conta. Ao chegar no auditório, Inácio, com 92
anos, começou logo reclamando que todo mundo
‘era muito velho’. ‘Pai, se comporte, pelo amor de
Deus’, pedia a filha, toda cheia de dedos, no meio de
tanta gente desconhecida. Inácio pediu para ir ao
banheiro e ela o acompanhou, aproveitando para ir
rapidinho ao banheiro também. Ao sair, cadê Inácio?
Chamou, procurou, perguntou ao segurança,
e o homem, sorrindo, apontou para o palco e disse
‘Você está procurando por aquele velhinho’? Inácio
tinha fugido e subido no palco, onde estava declamando
poemas e tirando gargalhadas gerais da
platéia sizuda, fazendo todo mundo ficar criança.
Experiência de declamador, ele tinha. Na juventude,
foi declamador oficial do Teatro Municipal
do Rio de Janeiro e, aos 25 anos, foi convocado para
declamar para o então presidente Getúlio Vargas.
Entregaram poema nobre de grande poeta brasileiro
e, ao entrar no palco solene, Inácio começou a
declamar um poema que havia escrito para Getúlio
Vargas, onde chamava o presidente de coruja negra.
Imaginem o escândalo, o zum zum zum que ficou
no teatro. A polícia de Vargas foi logo no encalço,
para prender o baixinho insolente que havia insultado
o grande Getúlio. Inácio fugiu rápido como
uma lebre, embrenhando-se nos matos para polícia
nenhuma achar. Caminhou léguas sem olhar para
trás, direto do Rio de Janeiro até Sergipe, pegando
carona em lombo de burro, carroça, caminhão velho,
o que achasse pelo caminho. A fuga durou 6 meses,
mas chegou em Aracaju são e salvo.

Tinha por ele um carinho enorme e toda vez
que volto a Aracaju, pelo menos uma vez por ano,
sinto saudade dele, dos momentos singelos, engraçados
e lindos que tive com ele. Comer cuscuz lá
em casa e ouvir, ouvir e ouvir, aprendendo e sempre
encantada por aquela criaturinha que chegava
com as calças amarradas por um cordão. Eu dizia:
“Inácio, vou lhe dar um cinto”. E ele: “Pra que cinto?
Eu gosto mesmo é do cordão. E gosto que incomoda
as pessoas”.

Um sábado ele chegou de tarde, mais cedo do
que de costume para o cuscuz, e me contou que
tinha uma bananeira no Mosqueiro, povoado de
pescador vizinho de Aracaju, que era linda, tão
linda, que ele precisava pintar, mas tinha que ser
aquela; nenhuma outra servia. Sabendo o que me
cabia, chamei os meninos e fomos levar Inácio
para desenhar a bananeira. Fiquei brincando com
as crianças na beira do rio, enquanto Inácio desapareceu
pelo matagal, atrás da única bananeira
no mundo que existia naquele momento para ele.
Como quando a gente se apaixona.
Já de tardinha, o rio naquela calma de espelho,
verde profundo que guarda um resto de calor,
lá vem Inácio, feliz da vida, trazendo a bananeira
em papel branco debaixo do braço. Notei que estava
apreensivo quando disse: “Vamos rápido para
o carro, vamos, meninos, vamos, oh meu Deus não
vai dar tempo”. Dizia isso quase correndo e a gente
correndo atrás. Fui ficando preocupada e, chegando
no carro, perguntei se havia acontecido alguma
coisa. Ele olhou fixamente o horizonte e disse: “Me
ajude, que não vai dar tempo”. Aninhou-se como
uma criança nos meus braços, escondendo o rosto
nos meus ombros e pediu que cantássemos para
ele. Sem fazer perguntas, eu e meus filhos começamos
a cantar “Nessa rua mora um anjo”. O cenário
era lindo, o sol se pondo rapidamente, do jeito que
sempre faz abaixo da linha do Equador. Ficamos
ali, assim. De repente, ele levantou a cabeça, olhou
o horizonte e disse: “Graças a Deus, acabou”. E aí
contou que não aguentava o por do sol, que sentia
uma tristeza tão grande, tão avassaladora, que tinha
que se esconder até acabar.

Em 2004, em Aracaju, com patrocínio da Petrobrás,
houve uma exposição em homenagem a J.
Inácio, com quadros de vários artistas que fizeram
uma releitura inspirada em sua obra. Todas as autoridades
já estavam presentes, quando chegou o
homenageado. Ele entrou vestindo um paletó preto
manchado de tinta e uma bermuda xadrez com
a braguilha semi-aberta. No pescoço, uma echarpe
colorida, que era, na verdade, uma manta de rede –
Inácio estava elegantíssimo, lindo, e os fotógrafos
não o deixaram em paz.

Que Saudade de Inácio!

Postagem originária da página do Facebook/MTéSERGIPE, de 7 de novembro de 2013.

"(...) Araripe Coutinho me mandou este questionário..."


(O querido poeta Araripe Coutinho me mandou este questionário tipo Ping Pong, logo logo que eu entrei na Academia. Não respondi porque naquela circunstância não me atrevi. Respondo agora, tá legal?).

- A poesia é...

Tão desgraçadamente mentirosa quanto a felicidade.
Gozar por segundos dentro de um corpo amado é um laivo poético, suster num ápice de eternidade a concisão das palavras e fazê-las durar até que o tempo as consuma, é o destino dos poetas. Perenidade e poesia não se batem.

- Escrevo para parecer humano

Que humano não serei, se não provar que sou. Quando acordo bicho minha poesia é melhor: posso cheirar a presa acuada, posso me permitir estraçalhar tudo à minha volta e morder com institivo prazer a preza que me cabe.

- Não desisto nunca

De amar, no sentido mesmo de estar curtindo alguém que me tome inteiro e redefina os meus prazeres. E disto não tenho queixas

- Academia de Letras

Estou nela porque me convidaro digno dela. Não cocedi a ela o direito de me adequar , mas o reconhecimento me faz feliz

- Escritores que eu ajoelho

Au a coisa pega, por impossível de relatar. Comecei lendo gibi e até hoje leio sem preconceitos. Considero-me um ávido consumidor de textos que agreguem forma e maravilhamento à minha própria oficina. Marcel Proust e Mallarmé muito me influenciaram, mas Adelaide Carraro, Eça de Queiroz, Lovecraft, Ionesco, Ginsberg, Hunald Alencar, José Sampaio, Manoel Bandeira, também me influenciaram. Hoje, leio os blogs da meninada.

- Aos 60 eu já não quero

Provar nada. Basta-me o carinho dos amigos.

- Penso o mundo e olho

Com muita atenção aos humores sociais e políticos que nos prega a modernidade. Olho pra frente, sempre. Sou produto da inquietação nos anos 60, que nos levou a conquistar novos parâmetros de relacionamentos sociais e políticos: tento me comportar sempre em defesa das bandeiras que assumimos na grande revolução “Paz e Amor”que ainda considero essenciais ao estabelecimento da paz social e da equidade. Ainda não me covenci de que os slogans da minha geração estejam superados. Gosto muito

- Inquietação

A conquista da paz interior tem muito a ver com o nosso próprio cabedal de realizações. Neste sentido, dou-me sempre em curso, grato por continuar inquieto, meiamente irrealizado, capaz ainda de assestrar músculos e graça à conquista de novas cidadelas

- Aracaju é

A cidade que me entendeu.

- Arrependo-me

De ter deixado de fumar maconha aos 40 anos. A vida ficou meio cinza.

- Não faria

Nada, faria tudo de novo, mas não teria deitado tanto com gente que não me amava.

- Livro que você gostaria de ter escrito

KKK. O Ulisses de James Joyce. Ainda gosto muito da esculhambação.

Postagem originária da página do Facebook/MTéSERGIPE, de 7 de novembro de 2013.