segunda-feira, 26 de agosto de 2013

Luiz Garcia, um governante inovador

 Luiz Garcia.

 Estação Rodoviária.

Hotel Pálace. 

Luiz Garcia, um governante inovador.
Por Luiz Antônio Barreto.

Luiz Garcia, filho de Antonio Garcia Sobrinho e de Antonia Garcias, nasceu em Rosário do Catete em 14 de outubro de 1910. Seu pai, alternando atividades comerciais com a de funcionário público, encaminhou os filhos para os estudos, enquanto dava o exemplo político do engajamento, como quando apoiou o movimento tenentista de Augusto Maynard Gomes. Família grande – Luiz, Robério, Antonio, Carlos, José – para citar apenas os homens que saíram de Rosário do Catete e se tornaram advogados, médico, engenheiro -, apenas Robério Garcia não teve formação superior, sacrificando-se, por opção pessoal, para ajudar a que os irmãos obtivessem o grau nas profissões que escolheram.

Luiz Garcia bacharelou-se em Direito e exerceu, plenamente, a advocacia com escritório em Aracaju e no Rio de Janeiro, conciliando com as atividades jornalísticas, intelectuais e políticas. Redigiu vários jornais, demorando-se no Correio de Aracaju, do qual foi Diretor. Foram os seus artigos, alguns deles de crítica literária, discursos, conferências que motivaram os acadêmicos para elegê-lo membro da Academia Sergipana de Letras, ocupando, desde 1942, a Cadeira nº 37 do Sodalício.

Quando da organização dos partidos políticos locais, em 1933/34, ingressou no PSD, ao lado de Leandro Maciel, com quem conviviria sempre, na UDN e na ARENA, disputando muitos mandatos. Foi eleito Deputado Estadual em 1934, participando da elaboração da Constituição de 1935. Em 1945, quando da formação dos partidos nacionais, ingressou na União Democrática Nacional, candidatando-se à Câmara Federal, ficando na 1ª Suplência. Na eleição de janeiro de 1947 foi candidato ao Governo do Estado, enfrentando as candidaturas de José Rollemberg Leite e de Orlando Dantas.

A campanha de governador se transformou numa batalha sem precedentes. A hierarquia da Igreja católica resolveu assumir bandeiras doutrinárias, para evitar que os eleitores votassem em candidatos que fossem a favor do divórcio e do aborto, dentre outras posições, fundou a Liga Eleitoral Católica, entregando a sua direção, em Sergipe, ao advogado e empresário Hélio Ribeiro, de tradicional família de empresários. A LEC fez uma intensa campanha de mobilização do eleitorado católico, e conclamou os políticos e candidatos a que firmassem, de público, compromissos com as teses defendidas pela Igreja. A UDN e seus candidatos, inclusive Luiz Garcia, firmaram com a LEC um protocolo de defesa dos ideais católicos, mas, no curso da campanha, os udenistas romperam o acordo e foram buscar os votos dos comunistas, que participaram, com sigla própria, das eleições. A Liga Eleitoral Católica reagiu, apoiou a candidatura de José Rollemberg Leite, deu sinal verde para Orlando Dantas, e ameaçou de excomunhão os católicos que votassem nos candidatos udenistas.

Conta-se que em Laranjeiras, reduto udenista, o padre Filadelfo Jônatas de Oliveira recebeu a Nota Oficial da Diocese, assinada pelo Bispo Dom José Tomás Gomes da Silva, para que fosse lida na missa dominical da paróquia, repudiando os candidatos da UDN. Como o padre tinha simpatias pelos udenistas, transpôs o texto para o latim e fez a leitura para os fiéis, que não entenderam nada. A radicalização dos católicos levou a um resultado eleitoral consagrador, tornando clara a vitória da LEC elegendo o engenheiro e professor José Rollemberg Leite, do Partido Social Democrático – PSD, governador do Estado, na primeira das eleições diretas, desde 1930.

Luiz Garcia, homem de fé, manteve-se no Catolicismo e nos mandatos de Deputado Federal, quatro ao todo, (1951-1955, 1955-1959, 1967-1971, e 1971-1975 e 1º Suplente de 1979-1983), deu mostras da sua fidelidade religiosa, combatendo os projetos que davam direitos às companheiras e os que estabeleciam o divórcio no Brasil, notadamente as tentativas feitas por Nelson Carneiro. Estão nos Anais da Câmara Federal os discursos memoráveis, em defesa do magistério moral da Igreja. O episódio da eleição de 1947 e as indisposições com a LEC pareceram, sempre, completamente superados.

Em 1958 Luiz Garcia foi eleito Governador do Estado, vencendo a José Rollemberg Leite e sucedendo a Leandro Maciel na chefia do Governo. Instala-se uma administração de grandes inovações e empreendimentos, que modernizaria Sergipe, a começar pela criação do Conselho de Desenvolvimento Econômico de Sergipe (Condese), uma espécie de escola de Governo, priorizando o planejamento e formando quadros para a administração pública, ao tempo em que fixava as grandes linhas da administração. Seguiram-se o Banco de Fomento (atual Banese), a Energipe, o Ipes, a Secretaria de Educação, Cultura e Saúde, confiada ao irmão, o médico e intelectual Antonio Garcia Filho, e obras essenciais como a Estação Rodoviária, construída na Esplanada do Bonfim, o Hotel Palace de Aracaju, no lugar onde havia o Quartel do 28 BC, na praça General Valadão, o Centro de Reabilitação Ninota Garcia, na velha Usina do bairro Industrial, o Salão de Passageiros do Aeroporto de Santa Maria, o Museu Histórico de Sergipe, em São Cristóvão, instalado no prédio do antigo Paço Provincial, e criou a Faculdade de Medicina.

Além da construção de grupos escolares, jardins de infância, postos médicos, estradas, serviços de água e de luz, o Governo Luiz Garcia deu destaque as atividades culturais, criando núcleos, como o de Artes Plásticas, colocando painéis artísticos de Jenner Augusto em obras públicas, como o Hotel Palace e a Estação de Passageiros do Aeroporto de Aracaju, e publicando livros, como forma de valorização da literatura sergipana.

A família de Luiz Garcia, toda ela, construiu biografias notáveis. Robério, como dirigente desportivo, presidente da Federação Sergipana de Futebol, profissionalizou o futebol e foi, ainda, membro destacado do Partido Comunista Brasileiro. Carlos Garcia, jornalista, escritor, advogado, elegeu-se vereador em Aracaju, pela legenda do PCB, e seu cunhado, o médico baiano Armando Domingues foi eleito deputado estadual, na Assembléia Estadual Constituinte de 1947. Carlos Garcia mudou-se para o Rio de Janeiro onde trabalhou no sistema previdenciário e manteve escritório de advocacia. Antonio Garcia Filho, médico, professor, escritor e compositor, foi também vereador em Aracaju, pelo Partido Socialista Brasileiro, presidente da Academia Sergipana de Letras. José Garcia Neto, engenheiro, fez carreira política no Mato Grosso, sendo vice governador daquele Estado. No Governo do seu irmão, dirigiu o Departamento de Estradas de Rodagens em Sergipe.

Casado com Maria Emília Pinto Garcia, Luiz Garcia teve 4 filhos: Fernando, Gilton, Antonio Amândio e Vânia. Antonio Amândio tentou a política e foi candidato a deputado estadual, na eleição de 1974, mas não foi eleito. Gilton Garcia elegeu-se deputado estadual em 1968, deputado federal em 1982 e foi governador do Amapá, nomeado pelo presidente Fernando Collor de Melo. Fernando é Conselheiro do Tribunal de Contas do Estado do Amapá. Luiz Garcia, que foi um dos professores fundadores da Faculdade de Direito de Sergipe, morreu em Aracaju, em 11 de agosto de 2001.


Fotos e texto reproduzidos do site: infonet.com.br/luisantoniobarreto

Postagem originária da página do Grupo MTéSERGIPE, em 23 de agosto de 2013.

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