sábado, 20 de abril de 2013

Robson dos Anjos, o pioneiro do turismo em Sergipe.



Publicado por Destaque Comunicação, em 27 de maio de 2007.

Robson dos Anjos, o pioneiro do turismo em Sergipe.

As lembranças das grandes viagens organizadas ao exterior são guardadas com muito saudosismo por Robson Alves dos Anjos. Funcionário da extinta empresa Aérea Panair durante vários anos, ele foi o pioneiro no turismo internacional em Sergipe.

Esta semana completou 50 anos em que ele levou o primeiro grupo de sergipanos para a terra do Tio Sam.

“A idéia dessa viagem para os Estados Unidos começou a se formar um ano antes, em 1956. Eu era funcionário da Panair do Brasil, mas precisava de apoio para organizar tal excursão. E que me deu foi Albino Silva, na época dono da Rádio Liberdade. E lá também encontrei o apoio de Silva Lima, que comandava o Informativo Cinzano e era um entusiasta a tudo que se referia aos Estados Unidos”, conta Robson. “Lá eu criei a Hora do Turismo, que começou a ir ao ar em abril de 1956, todos os dias às 17h30 da tarde”.

Os conhecimentos sobre a área de turismo eram poucos, mas Robson, apoiado por Albino Silva e Silva Lima, Robson do anjos tocava o programa diariamente, de segunda à sexta-feira. “No final de tarde, eu saia da Panair do Brasil e ia lá para a emissora, para falar sobre turismo. Eu não sabia muito, mas a gente começou, eu e o Silva Lima, um apaixonado pela cultura americana. Já no informativo Cinzano, ele chamava para a hora do turismo às 17h30 da tarde”.

A partir do programa na Rádio Liberdade, Robson dos anjos se empolgou para montar um grupo para ir aos Estados Unidos. Ele começou a fazer isso, a convidar e tentar convencer o pessoal para viajar para os Estados Unidos, em 1956, uma ano antes da excursão e bem antes de existir a Robson Turismo. “quem abriu a agência comigo foi Albano Franco, em 1976, quase 20 anos após a primeira viagem de sergipanos aos EUA”.

O grupo que foi aos Estados Unidos era formado pelo juiz de direito Humberto Diniz Sobral e os comerciantes José Prado Vasconcelos, Josias Passos, Manuel Santana e Manuel de Oliveira Martins. “O grupo era tão grande que no vai e vem das visitas, todos cabiam num cadilac”, brinca Robson Alves, relembrando que todos ficaram admirados em ver que o veículo era dotado de telefone. “Há 50 anos atrás eles já tinham essa tecnologia lá”.

O trecho nacional da viagem foi feito num avião Douglas DC-3, com capacidade para 21 passageiros, da Panair do Brasil, pousando nos Aeroportos de Maceió, Recife, Natal, Fortaleza, São Luís e Belém. O grupo chegou a Belém, depois de um dia inteiro de viagem, à meia-noite e embarcou duas horas depois com destino aos Estados Unidos, em vôo da Pan American Airlines, num avião Douglas DC-6b, com capacidade para 68 passageiros, com escalas em Porto of Spain e San José de Porto Rico.

“Chegamos aos Estados Unidos no sábado de Aleluia, no finalzinho da tarde. E foi uma sensação para os sergipanos, ver o avião descer em Nova Iorque. À noite, começamos as nossas visitas pela Boate Copacabana, de Carmem Miranda”. Na memória de Robson ficou guardada todo o luxo do local e o jantar farto que degustaram. “A gente via velhinhos dançando no meio do salão. Comemos e bebemos bem e a conta, naquela época, de todo o grupo, ficou em US$ 87”.

Foram 21 dias percorrendo as cidades de Nova Iorque, Albany, Buffalo, Niagara Falls, Detroit, Chicago, Miami e Washington D.C.. Os sergipanos visitaram, além de museus, monumentos e pontos históricos, a indústria e comércio americanos, a exemplo da fábrica da General Motors, em Detroit, e do Matadouro Central de Chicago. “Lá eles abatem de tudo, carneiro, porco, boi...e depois já sai tudo embalado, por parte. Eles, em 1957, já tinham uma capacidade de armazenamento de cinco anos”.

Mas uma visita em especial ficou na memória de todos. Foi a que fizeram ao Tesouro Nacional, onde assistiram à fabricação de dólares. “Foi realmente algo impressionante. Todos nós saímos de lá com uma moeda de um dólar. Pelo que eu sei, ela hoje vale cerca de US$ 500. eu nunca escutei falar que um sergipano, um brasileiro ou presidente daqui, estivesse entrado naquela casa e o nosso grupo entrou, porque levou o nome de comerciantes e industriais sergipanos para os Estado Unidos pela primeira vez”.

Robson dos Anjos relembra que, a maior importância dessa viagem foi a propagação do nome de Sergipe, na mente de todos os contatos mantidos nos Estados Unidos. “Era freqüente a gente falar no nome de Sergipe e os americanos misturarem com Argentina, Buenos Aires e São Paulo. A gente tinha que fazer sempre toda uma explicação geográfica sobre o nosso Estado e país de origem”, recorda.

Rumo à Europa

No ano seguinte à vigem aos EUA, um novo grupo foi formado, desta vez com nove pessoas, que saíram de Aracaju com destino a Europa. “Passamos 45 dias percorrendo todos aqueles países, cada um com suas belezas. Foi uma apoteose, uma coisa louca. Não tem que faça hoje mais uma excursão desta. Foram 45 dias, muito dos quais num microônibus de luxo.

“Saímos de Aracaju no dia 1º de maio de 1958. Essa visita começou por Portugal, onde fomos até Fátima e estivemos também em cassinos”, relata Robson dos Anjos. De lá, o grupo seguiu para Madri, e também visitou várias cidades do interior espanhol. O próximo ponto de parada foi o sul da França, onde os sergipanos conheceram a Riviera Francesa. “A cidade que eu mais gostei de visitar foi São Francisco de Assis. É um espetáculo. É uma área tão bonita. A cidade fica no alto e você vê o céu se unir com a terra; é uma visão linda”.

Itália, França, Suíça...Dentre tantos outros países europeus. Cada um com suas belezas, atrativos e particularidades únicos. “O grupo se encantou muito com a beleza de Nápoli, na Itália”, comenta Robson. “Foi tudo realmente fantástico. Hoje é difícil formar um grupo assim para viajar. Muitas pessoas preferem fazer seus próprios roteiros, com mais um ou dois amigos”.

Em Paris, uma noitada também passa pelos famosos cabarés da cidade, a exemplo do famoso Moulin Rouge. “Estive lá com a minha mulher e também fomos conhecer o Palácio de Versailles, onde o guia turístico fez questão de mostrar o quarto onde Maria Antonieta Recebia os amantes. Lá eles entravam e saíam sem serem percebidos, por uma passagem secreta”.

Foram tantas as viagens ao exterior, que Robson dos Anjos já perdeu a conta. “Não sou rico hoje porque eu viajei muito”. Apesar dos quase 86 anos de idade, este sergipano natural de Santa Rosa de Lima, ainda programa viagens que pretende realizar. “Ainda quero voltar em Fátima, em Portugal, e fazer outro cruzeiro marítimo. É uma viagem fantástica”.

Da Panair a Robson Turismo

Robson Alves do Anjos iniciou o trabalho na Panair do Brasil em 9 de março de 1944, no Aeroporto Santos Dumont (RJ), como despachante da Panair do Brasil. Em abril de 1946, viajou para Aracaju, a serviço da empresa, onde passou 30 dias. Em junho de 46, foi transferido para trabalhar em Aracaju como gerente de Aeroporto da Panair.

Com o crescimento da aviação no mundo após a 2ª Guerra Mundial, ele foi convocado, juntamente com vários colegas, para trabalhar no Galeão. “Nesse tempo, a Panair desenvolvia a todo vapor suas linhas para a Europa com os aviões Constellations. Com mais experiência, fui nomeado gerente de aeroporto para trabalhar em Aracaju, onde trabalhei até 1958. Nossa operação aérea era no Aeroporto do Aribê - hoje, Aeroclube”

A trajetória como funcionário da Panair prosseguiu até 1965, quando a Ditadura faliu a Panair. “De lá fui para a Varig, onde passei cinco anos até completar meu tempo de aposentadoria e depois eu voltei para Sergipe”.

Depois disso, ele trabalhou para duas agências, a Luck, que em 1970 levou um grupo de 30 passageiros para a Europa, e também para uma agência de Salvador. “Depois disso fiquei como free-lancer em Aracaju, ainda cheguei a trabalhar três anos na Varig aqui, mas depois deixei, porque era melhor trabalhar como free-lancer do que como funcionário da empresa aérea”.

A partir daí, em 1976 surgiu a Robson Turismo. “O povo de Aracaju não acreditava, naquela época, que pudesse comprar a passagem na agência de viagem, pelo mesmo preço que no balcão das empresas de viação área e tinha a mesma garantia de reserva”.

Ele relembra ainda que, naqueles tempos, as agências não chegavam a vender 25% no total de passagens aéreas. “Hoje é ao contrário. As agências são quem vender e as empresas, olhe lá, se vender 25%”.

Reportagem de Alexandra Brito
Fotos: Maria Odília.

Texto e fotos reproduzido do site: destaquenoticias.com.br

Postagem originária da página do Facebook/MTéSERGIPE, em 20 de abril de 2013.

Um comentário:

  1. Os nomes das bandas Alapada e Naurêa estão trocados nas respectivas fotos.

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