segunda-feira, 13 de julho de 2015

Manoel Ferreira Santos

 Foto: Thiago Fragata, 2009.



Patrimônio da Humanidade. 
Por Manoel Ferreira Santos (01/8/2010).

São Cristóvão, vitoriosa e bela
vibra e canta, extravasando alegria
conquista honroso e glorioso titulo
Patrimônio da Humanidade

Vitória que alegra e conforta
enaltecida de louvores e aplausos
salve! São Cristóvão
Patrimônio da Humanidade

Dobremos joelhos
e, num gesto de gratidão e louvor
rezamos por irmãos abnegados
de cujos méritos projeta São Cristóvão
favorecida do título alcançado

Praça São Francisco, de São Cristóvão/SE
Enaltecida com sublimidade
de honroso título brota esperança
de São Cristóvão humana
isenta de preconceito e discrepâncias sociais

O sorriso de quem crê e ama
transforme-se em gesto de amor e bondade
para maior gloria de Cristo
E alegria da comunidade

São Cristóvão, ex-capital do Estado
sede eventual do Governo Geral do Brasil
e enriquecida com o título Patrimônio da Humanidade.

Texto e imagem reproduzidos do blog: thiagofragata.blogspot.com.br

Postagem originária da página do Facebook/MTéSERGIPE, de 9 de julho de 2015.

Poeta Manoel Ferreira ao lado do político Leonel Brizola



Para aqueles que não conheceram o poeta Manoel Ferreira.
Por Morgan Prado ex-PDT.

Para aqueles que não conheceram o poeta Manoel Ferreira ele também foi uma grande liderança em Sergipe pelo PDT ao lado de Leonel Brizola, chegou a ser candidato a governador, homem culto e muito religioso, São Cristóvão perde uma das mais valiosas pessoas cultas deste município, também era escritor, homem de inteligência sem igual, vai deixar uma grande lacuna na cidade histórica, merece ter sua vida escrita por seus filhos para que a juventude conheçam suas bandeiras de lutas tanto na política como na vida cultural. Descanse em paz ao lado de Deus.

Texto e imagem reproduzidos do site: tvscnoticia.com.br

Postagem originária da página do Facebook;GrupoMTéSERGIPE, de 9 de julho de 2015.

Bandeira e hino sergipanos revelam curiosidades sobre SE

Foto: ASN.

Infonet > Cultura > Noticias > 08/07/2015.

Bandeira e hino sergipanos revelam curiosidades sobre SE
Saiba mais sobre os símbolos que dão identidade ao Estado

Você sabia que a bandeira de Sergipe antes de decretada símbolo estadual representava uma empresa de exportação açucareira? Sabia também que o hino sergipano foi questionado e é considerado plágio por alguns estudiosos? Esses dois grandes símbolos estaduais têm mais história que muita gente imagina. Em suas essências, ambos contam um pouco da trajetória de Sergipe no período que data a emancipação política e a comemoração do centenário do 8 de julho.

Para explicar um pouco a origem desses dois grandes símbolos, é preciso fazer uma rápida viagem no tempo. Tudo começa em 1820, ano em que Dom João VI emancipou politicamente Sergipe da Bahia, garantindo para o menor estado do país a tão desejada independência. Apesar de tudo, segundo conta a educadora Maria Olga de Andrade, apenas em 1836 os sergipanos resolveram comemorar a autonomia, e decidiram então que o estado deveria ter um hino.

De acordo com a pesquisadora, a função de providenciar o hino ficou por conta do Frei José de Santa Cecília, um religioso conhecido por ser um dos maiores oradores do Brasil e um grande compositor. Devido à correria da organização da festa em comemoração a emancipação, o frade teve que providenciar a letra em pouco tempo.

“Na época, Rossini, um grande compositor italiano, estava muito famoso no mundo inteiro. E o Frei, que conhecia o trabalho dele, teve a ideia de colocar um trecho de uma música de Rossini no hino sergipano. A partir daí existem duas considerações a fazer. Não sei se poderia considerar isso como plágio, pois para que uma música seja considerada plagiada, tem que ter na mesma linha oito compassos seguidos, no mínimo. E não me parece que esse seja o caso do hino. A outra consideração é que na época de Rossini não existia lei de plágio. Então muitas vezes algum autor queria fazer uma homenagem a outro compositor e utilizava parte da obra dos outros em sua produção. Beethoven fez isso, Mozart e César Franco também. Ou seja, não foi um caso isolado. É possível então que o Frei tenha feito isso em homenagem a Rossini”, explicou Olga a respeito da melodia.

Sobre a letra, a educadora relata que, como não havia uma pessoa que fizesse as estrofes do hino, acabaram utilizando o conteúdo de um poema de Manoel Joaquim, publicado naquela época no jornal Noticiador Sergipense. Já os versos, segundo Maria Olga, refletem a contrariedade da Bahia com relação à independência de Sergipe. Um exemplo está na parte em que o poeta diz “Se vier danosa intriga/ nossos lares habitar/ desfeitos os nossos gestos/ tudo em flor há de murchar”, o que demonstra pessimismo. “Não se acreditava na independência, pois de 1820 até 1836, Sergipe não conseguiu se desvencilhar”, destacou Olga.

A educadora ainda interpreta que o hino, letrado por Manoel Joaquim de Oliveira Campos, termina conclamando os sergipanos a fortalecer a liberdade conquistada e cultivar a paz. “Podemos ver isso na parte em que se diz ‘Mandemos, porém, ao longe/ essa espécie de rancor/que ainda hoje alguém conserva/ aos da Província maior’”. Para ela, o símbolo musical de Sergipe termina sem entusiasmo e demonstra conformação com a situação de conflito pela qual o estado passava.

A representatividade da bandeira

Ao contrário do hino sergipano, a bandeira não tem origem conflituosa. Esse símbolo do Estado data do século 19, apesar de ser oficializada apenas no ano de 1920. De acordo com o historiador Samuel Albuquerque, a bandeira foi criada para representar a empresa sergipana do comerciante Bastos Coelho, que tinha frota de embarcações de exportação açucareira e circulava pelo litoral sergipano. O intuito da bandeira era identificar os navios da empresa. Porém, os estados vizinhos começaram a associar o símbolo a Sergipe.

“Usualmente a bandeira passou a se tornar uma identificação do nosso estado. Isso ganhou tamanha proporção, que o símbolo foi oficializado pelo governador Pereira Lobo, através da lei estadual nº 795 de 19 de outubro de 1920, ano em que houve grandes comemorações do centenário de emancipação de Sergipe”, esclareceu Samuel.

Marcada por listras horizontais em verde e amarelo e um quadrado azul com cinco estrelas brancas no canto superior esquerdo, a bandeira sergipana tem vários significados. A parte em verde e amarelo, segundo o historiador, representa a integração nacional. Já as estrelas estão relacionadas às cinco barras sergipanas das fozes dos rios São Francisco, Japaratuba, Sergipe, Vaza Barris, Piauí e Real. Era através dessas bacias hidrográficas que o açúcar era escoado, principalmente entre final do século 18 até a década de 20, época em que era a principal atividade financeira do estado. “Essas cinco fozes representam a pujança e riqueza econômica de Sergipe”, complementou Samuel.


Apesar da identificação da bandeira e aceitação dela por parte dos sergipanos, a legitimidade do símbolo foi questionada em algumas ocasiões, de acordo com Albuquerque. “Por exemplo, em 1951 houve uma mudança da bandeira do estado. Na ocasião, ao invés das cinco estrelas que ficam no retângulo superior, passou-se a ter 42, representando a quantidade de municípios que havia em Sergipe na época. Porém, no ano seguinte, uma nova determinação reestabelece a bandeira original através pela lei estadual 458 de 3 de dezembro de 1952, durante o governo de Arnaldo Garcez”, explicou.

E a história da bandeira não para por aí. Em Sergipe havia uma tradição de comemorar a emancipação no dia 24 de outubro, apesar da independência ter sido decretada em outra data. E foi no exatamente no dia 24 do décimo mês que a bandeira foi hasteada pela primeira vez. O ato ocorreu no Palácio Olímpio Campos, que continua ostentando a sua frente a bandeira em verde, amarelo, azul e branco do estado sergipano.

Fonte: ASN.

Texto e imagem reproduzidos do site: infonet.com.br/cultura

Postagem originária da página do Facebook/GrupoMTéSERGIPE, de 9 de julho de 2015.

Independência de Sergipe completa 195 anos (2015)

Professora Terezinha Alves de Oliva: 
Emancipação de Sergipe ainda é um desafio para os estudiosos.

Publicado originalmente no Jornal do Dia Online, em 08.07.2015

Independência completa 195 anos.

ASN

Há 195 anos, o Rei do Brasil e Portugal Dom João VI assinava, do Rio de Janeiro, a Carta Régia elevando Sergipe à categoria de Capitania Independente. A independência do território de Sergipe da Bahia foi marcada por intensas lutas políticas. Em artigo publicado em julho de 2013 na Revista Cumbuca, a historiadora e professora da Universidade Federal de Sergipe, Terezinha Alves de Oliva, relata que o tema da Emancipação de Sergipe ainda é um desafio para os estudiosos. Ela conta que, em seus estudos, Felisbelo Freire descreve que alçar Sergipe a uma capitania independente foi a maneira que o Rei D. João VI encontrou para compensar a participação dos sergipanos na vitória da Corte Portuguesa sobre a Revolução Pernambucana de 1817.

Essa, entretanto, não é a única versão. A professora Maria Thetis Nunes dedicou-se ao estudo deste tema e, atualmente, a professora Edna Maria Matos Antônio, lançou o livro "A independência do solo que habitamos - poder, autonomia e cultura política na construção do Império Brasileiro - Sergipe (1750- 1831). Ela estuda a independência de Sergipe no contexto da política do Reino de Portugal e da presença da Corte Portuguesa no Brasil. É o trabalho mais completo que se tem hoje sobre o assunto enfocando a política de D. João VI quando da sua permanência no Brasil e, depois, o entrelaçamento da Independência de Sergipe com o processo da Independência do Brasil.

O território sergipano foi conquistado em 1590 por Cristóvão de Barros e, desde então, Sergipe ficou sob a tutela da Bahia. Cristóvão de Barros, como conta Terezinha Oliva em seu artigo, venceu os índios e distribuiu as terras em sesmarias.
"Durante mais de dois séculos, Sergipe foi Capitania Subalterna, dedicada a abastecer a capital baiana através da sua produção agropecuária, recebendo dela as autoridades, as famílias dominantes, os encargos, os produtos do seu comércio", conta a historiadora em seu artigo.

Ainda de acordo com Terezinha Oliva, somente no século XVIII a economia de Sergipe conquistou uma nova estatura com o crescimento da atividade açucareira, tornando-se visível a movimentação das exportações sergipanas pelos portos baianos.
Nas primeiras décadas do século XIX a capitania contava com mais de duas centenas de engenhos a estabelecer relações com o comércio da Bahia, com os capitalistas que financiavam a produção e controlavam o comércio de açúcar que abasteciam o comércio de escravos e de todos os bens demandados pela sociedade açucareira.

Retorno do Rei - Com o retorno do Rei a Portugal, as medidas tomadas por Dom João para emancipar Sergipe foram contestadas. Apesar da nomeação do Brigadeiro Carlos César Burlamaqui como governador de Sergipe ter ocorrido em 25 de julho de 1820, ele somente tomou posse em 20 de fevereiro de 1821. Ocorrida em São Cristóvão, a posse se deu em clima conturbado pela chegada de cartas da Bahia que determinavam que ela não se realizasse.
Apesar dos protestos baianos, a posse ocorreu em fidelidade ao Rei Dom João VI. No entanto, no dia 18 de março do mesmo ano, o governador foi deposto do cargo por uma força armada a mando da Bahia, reforçada pelo apoio da Legião de Santa Luzia, comandada pelo senhor de engenho Guilherme José Nabuco de Araújo. Carlos Burlamaqui foi conduzido preso para Salvador.

Com este episódio, frustrou-se temporariamente a emancipação política de Sergipe. Se por um lado os senhores de engenho não queriam a independência, por outro, líderes do agreste e do sertão, criadores de gado como Joaquim Martins Fontes e José Leite Sampaio, tomaram posição em defesa da Emancipação Política de Sergipe e, a partir de 1822, pela Independência do Brasil. "Os dois processos se confundem e confluem", conta Terezinha Oliva.
A adesão à Independência do Brasil significou a aceitação da Emancipação de Sergipe, uma vez que o Imperador Pedro I confirmou a Carta Régia de D. João VI. "Sergipe fica politicamente separado da Bahia e torna-se uma província do Império", diz a historiadora.

Texto e imagem reproduzidos do site: jornaldodiase.com.br

Postagem originária da página do Facebook/GrupoMTéSERGIPE, de 9 de julho de 2015.

quarta-feira, 8 de julho de 2015

Antiga foto da Avenida Augusto Maynard, em Aracaju

Antiga foto da Avenida Augusto Maynard, em Aracaju/SE.
Foto: Arquivo municipal da Prefeitura Municipal de Aracaju.
Imagem do blog "Aracaju Saudade", do Professor Eudo Robson.
Reproduzida do blog: aracajusaudade.blogspot.com.br

Postagem originária da página do Facebook/GrupoMTéSERGIPE, de 28 de junho de 2015.

Igreja do Espirito Santo, na Avenida Simeão Sobral, em Aracaju

Igreja do Espirito Santo, na Avenida Simeão Sobral, esquina com
Avenida Engenheiro Gentil Tavares, em Aracaju - Sergipe.
Photo by Carllos.costa.
Reproduzida do site: br.worldmapz.com/photo

Postagem originária da página do Facebook/GrupoMTéSERGIPE, de 28 de junho de 2015.

Obra da artista plástica e historiadora Rosa Moreira Faria

Obra da artista plástica e historiadora Rosa Moreira Faria,
retratando os Governadores do Estado de Sergipe.
Acervo hoje pertencente ao Memorial de Sergipe,
da Universidade Tiradentes (UNIT), em Aracaju/SE.
Imagem reproduzida do site: ww3.unit.br/memorialdesergipe/rosa-faria

Postagem originária da página do Facebook/GrupoMTéSERGIPE, de 1 de julho de 2015.

Início da construção da Universidada Tiradentes, em Aracaju

Início da construção da Universidada Tiradentes (UNIT),
no Bairro Farolândia, em Aracaju - Sergipe.
Destaque para a Igrejinha, até hoje preservada.
Imagem do blog "Aracaju Saudade", do Professor Eudo Robson.
Reproduzida do blog: aracajusaudade.blogspot.com.br


Capela da Universidade Tiradentes (UNIT).
Bairro Farolândia, em Aracaju - Sergipe.
Fotos: arquivo TiagoSS.
Reproduzidas do site: skyscrapercity.com

Postagem originária da página do Facebook/GrupoMTéSERGIPE, de 1 de julho de 2015.

Homenagem a Paulo Almeida Machado


 Bancário, advogado, emérito professor e líder religioso, Paulo Almeida Machado é um exemplo de cidadão, que tem vários serviços prestados à sociedade sergipana.

Natural de Lagarto, Paulo Machado possui formação em Direito, Filosofia e Letras. Aposentou-se como advogado do Banco do Brasil e por 40 anos foi professor universitário. Foi seminarista durante nove anos e, mesmo após deixar o seminário, nunca se afastou da igreja, participando ativamente dos movimentos organizados pela diocese.

Na vida pública, ocupou o cargo de secretário-chefe da Casa Civil durante dois governos do Estado (João de Andrade Garcez e Paulo Barreto de Menezes)...

Com informação do Portal Infonet.

Foto reproduzida do site: infonet.com.br/cidade

Postagem originária da página do Facebook/GrupoMTéSERGIPE, 1 de julho de 2015.

Feirinha de Natal

Feirinha de Natal no Parque Teófilo Dantas, em Aracaju/SE.
Imagem do blog "Aracaju Saudade", do Professor Eudo Robson.
Reproduzida do blog: aracajusaudade.blogspot.com.br

Postagem originária da página do Facebook/GrupoMTéSERGIPE, de 1 de julho de 2015.

Os sapatos do Padre Pedro


Publicado originalmente no Facebook/Carlos Alberto Déda.

Os sapatos do Padre Pedro.
Por Carlos Alberto Déda.

Recentemente, ao comentar minhas lembranças do Ginásio Jackson de Figueiredo, meu amigo e colega Ubiratan Mendes fez referência à memória da Professora Zamor de Melo e aproveitou a oportunidade para lembrar outro sergipano inesquecível: o Padre Pedro.

A Professora Zamor de Melo tinha origem em Aquidabã e era tia dos amigos benebeanos Antônio Carlos Melo Maynard, que foi meu colega nas Agências do Banco do Nordeste, em Simão Dias e em Aracaju, e Alberto Maynard, que foi o Chefe do Departamento de Auditoria na Direção Geral daquele banco, em Fortaleza.

O padre Pedro (Pedro Alves de Oliveira) era de Riachão Dantas. Aqui em Aracaju ele notabilizou-se por sua fé e por seu trabalho de dedicação ao próximo. Seguia cuidadosamente os ensinamentos de Cristo, dedicando-se aos menos favorecidos. Ele foi considerado o sergipano mais importante dos últimos 100 anos, em enquete patrocinada pela TV Sergipe, no ano 2000. Seus familiares são personalidades do meio cultural sergipano: os artistas plásticos J. Inácio, seu irmão, e CAÃ, seu sobrinho; e o professor da Universidade Federal de Sergipe: Rafael Oliveira, também seu irmão.

O padre e a professora tinham em comum o respeito e a admiração do povo sergipano.

Conheci o Padre Pedro quando eu era aluno do Ginásio Jackson de Figueiredo, um colégio de ensino católico. Os alunos internos frequentavam a missa dominical na Catedral, ministrada pelo Bispo Dom Távora, conhecido como o bispo dos operários. O Padre Pedro ajudava nas festas da principal igreja do bispado. Todo ano, na véspera do domingo de páscoa, os estudantes faziam a confissão para comungarem na missa pascal. A Catedral ficava repleta de juventude e o confessionário do Padre Pedro era logo identificado pela longa fila de jovens. A moçada preferia se confessar com o padre que não esmiuçava nem procurava detalhes das faltas reveladas, ouvia de relance os pecados e recomendava que o pecador rezasse três padre-nossos e três ave-marias na contrição de não mais pecar, pedindo a absolvição dos erros cometidos. Padre Pedro era o exemplo de um verdadeiro sacerdote.

Certa vez, comentando sobre o comportamento de um vigário do interior sergipano, disse-me meu tio Paulo Déda que conhecera muitos padres, a maioria dedicados à religião, mas que um deles se distinguia por sua dedicação em seguir os ideais humanitários pregados por Jesus, especialmente no que dizia respeito à solidariedade aos indefesos e o amor aos pobres e humildes. Dizia ele, com absoluta razão, que esse padre chamava-se Pedro, seu conterrâneo de Riachão do Dantas. E, então, contou-me um fato curioso que repasso aqui.

Em um dia de inverno, estava meu tio em sua loja, Esquina da Economia, a conversar com o Sr. Camilo, que também era proprietário de uma casa comercial ali próximo. Observaram que em frente à loja o Padre Pedro prestava ajuda a um faminto mendigo. Com seu alhar perspicaz de sapateiro, o tio Paulo percebeu que o padre usava sapatos rotos, velhos mesmo. Convidou-o a entrar na loja e o convenceu a aceitar um par de sapatos novos como presente. O padre não teve como evitar a oferta, porque os sapatos velhos e furados causavam dores em seus pequenos pés devido a umidade, ocasionada pelas pisadas em calçadas molhadas, e as pedrinhas que entravam pelos buracos no solado. Agradecido, o padre aceitou o presente.

Na semana seguinte, meu tio constatou que o padre voltara a usar sapatos rotos. Não se conteve e perguntou o que tinha acontecido. E o bondoso padre disse que, em sua caminhada pelas ruas de Aracaju, deparou-se com um pobre trabalhador que usava sapatos velhos, ruins mesmo, e não se conteve: passou-lhe seus sapatos novos em troca dos velhos. Meu tio, sentindo a solidariedade aflorar na expressão do humilde conterrâneo, pegou novo par de calçados e relutou para que o padre os recebesse. Somente depois de muita conversa é que o bom Pedro concordou com o novo presente.

Mas foi a última vez porque, poucos dias depois, em passos ligeiros, o Padre Pedro passava em frente à loja, usando as inseparáveis batina preta e bolsa ao lado, calçando sapatos velhos e rotos.

E concluía meu tio:

- Esse era realmente um padre “santo”.

Aracaju, 29/06/2015
Beto Déda.

Texto e imagem reproduzidos do Facebook/Carlos Alberto Déda.

Postagem originária da página do Facebook/GrupoMTéSERGIPE, de 30 de junho de 2015.

terça-feira, 7 de julho de 2015

Tesouros de Frei Paulo





Publicado originalmente no Facebook/Carlos Magno Andrade.

Tesouros de Frei Paulo.
Por Carlos Magno Andrade.

A cidade além de seus campos verdejantes, que se descortinam para o norte e o sul, possui outras belezas. Um patrimônio arquitetônico neo clássico, que remota ao século 18, são casarios suntuosos , mas também outros mais modestos. Prédios com vergas em estilo mourisco e outros dotados de platimbandas muitos que trazem gravados o ano em que foram construídos. A praça da matriz onde , imponente se destaca a catedral do sertão, erguida por esforços dos nossos antepassados, capitaneados pelo cônego português Antônio Leal Madeira que por 20 anos foi o vigário de Frei Paulo. Até mesmo o sino dessa belíssima igreja, de alto valor histórico, é uma peça original, rara e de relevante valor cultural, temos um pátio onde são realizadas quermesses e festas religiosas. Frei Paulo lembra o Brasil Colonial. Alí na praça da matriz, se concentram as mais belas casas, algumas em estilo neo-gótico. Outras lamentavelmente foram demolidas ou descaracterizadas, causando danos ao nosso patrimônio histórico. Mas para a grata surpresa, temos preservado os mais belos exemplares de casas que enche nossa cidade de beleza impar e nos remete a um passado de honra e gloria.

A casa do Sr. Maroto, onde viveu a nossa inesquecível D. Raquel, muito dedicada aos grandes projetos sociais criados e realizados com muito esforço pelo cônego João Lima Feitosa. Esta mesma casa, totalmente preservada, na qual reside D. Berenice, é o mais belo de todos os tesouros que a cidade guarda. Mas existem outras relíquias, as quais as autoridades devem ter a preocupação de preservar doravante. Um exemplo disso são as casas de Totonho Barbosa e também outra que pertenceu a Sinhozinho Barbosa, verdadeiras obras de artes erguidas em pleno sertão que traduzem a prosperidade de tempos em que Frei Paulo se projetou como potência econômica do estado. Seja na pecuária atividade que envolveu homens como Batista Felix, Daniel Paixão, Almiro, Lacerda, Napoelão Emídio, José Vivaldo, Rúbens Andrade, Chiquinho do Sal, João Teles da Costa e Tonho de Santinho, entre tantos outros.

Também a pujante vocação para a produção agrícola revelou riquezas e períodos de muita prosperidade envolvendo homens como Arinaldo de Oliveira, Bado, Paulo Costa, desaguando na industrialização onde destacamos o jovem Carlos Alberto Andrade Bastos. Estamos falando da cultura do algodão que já foi o carro chefe de nossa economia.

A cidade possui uma estrutura moderna, com ruas bem amplas e pavimentadas a paralelepípedo, o que aliado a sua arquitetura e o clima privilegiado do planalto na qual está encravada; entre o agreste e o sertão. Algumas outras casas , mais humildes, mas devidamente preservadas não deixam de ter elevado valor histórico, como a do Sr. Zequinha na Avenida José da Cunha. Outra casa muito bonita era a do Sr Sabino, na rua do cinema. Na mesma avenida que leva o seu nome, onde por muitos anos os grupos jovens ligados à paróquia se reuniam, está a suntuosa mansão onde morou José da Cunha, uma obra de arte em estilo colonial, digna de registro e do tombamento como patrimônio da humanidade.

Aliado a todo esse tesouro , herança de nossos antepassados a cidade possui um povo pacato, trabalhador e forte vocação religiosa onde os princípios morais e éticos são levados em conta. Um povo hospitaleiro que sabe receber com carinho quem nos visita. A Festa de São Paulo que acontece em 30 de junho é a mais bonita de todas as manifestações culturais local. Gente de todos os lugares, vem receber as bênção desse santo padroeiro e cantar o seu lindo hino numa procissão que percorre as principais ruas da cidade. A profecia de seu fundador Frei Paulo de Casanova se fez realidade. Preservar o que é nossos nada mais é que uma obrigação não só das autoridades. A sua conservação, valorização e divulgação tem um potencial de projeção local, regional, nacional e, em casos específicos, mundial, com capacidade de atratividade de diferentes públicos pelos diversos aspectos associados à sua fruição, atendendo à diversificação dos valores associados; de ordem histórica, urbanística, arquitetônica, etnográfica, social, industrial, técnica, científica e artística.

Texto e imagens reproduzidos pelo Facebook/Carlos Magno Andrade.

 Postagem originária da página do Facebook/GrupoMTéSERGIPE, de 27 de junho de 2015.

Ando enjoando de festa...

Imagem postada para simples ilustração por MTéSERGIPE.

Publicado em 25 de junho de 2012, mas tá valendo!

Ando enjoando de festa. No carnaval do Pré-Caju, por exemplo, balanço minha latinha tão tristemente, tão fora da euforia geral que se mal não parece, desencoraja a mim e a quem me acompanha. Não gosto de mega eventos, não gosto desta história de que “se o povo gosta” toca baboseira num palco enorme e basta bater a matraca que a praça se enche de mel com merda. Ter a praça cheia não justifica a agressão às tradições. Enfim, o populismo cultural não me interessa.

Venho dos cafundós da festa, acostumado a ver o São João sentado nas calçadas, as cadeiras da família em torno da fogueira soltando estrelinhas. Na rua cada qual no seu fogo. cuidando dos seus bêbados, xingando a ousadia dos buscapés, falando mal da filha do vizinho enquanto traça uma lapada de manauê. Sou desse São João sem TV e creio, sinceramente, que o poder público faria bem melhor distribuindo o fogo com muito mais gente, incendiando a vocação festiva da cidade pelas ruas e bairros. como era antigamente.

Amaral Cavalcante.

Texto reproduzido do Facebook/Amaral Cavalcante.

Postagem originária da do Facebook/GrupoMTéSERGIPE, de 25 de junho de 2015.

sábado, 4 de julho de 2015

Benilde Vieira de Araújo e Emérita Mendonça de Araújo



Meus avós maternos: BENILDE VIEIRA DE ARAUJO e EMÉRITA MENDONÇA DE ARAUJO. Meu avô Benilde o BVA, como era carinhosamente chamado pelos seus amigos, familiares e empregados (nos dias atuais, colaboradores). Nasceu na cidade de Itabi – Se, em 23/11/1902, filho de família humilde de lavradores. Seu pai era português e a sua mãe, uma cabrocha sergipana, conhecida como Mãe Senhorinha. Estudou somente as primeiras letras, numa escola de sua cidade. Emigrou para o Rio de Janeiro aos 18 anos em busca de uma vida melhor. Dez anos se passaram. Retornou para Aracaju em 1928, casou-se em primeiras núpcias com Elisa Sobral, com quem teve uma filha - Arinda Araújo. Viúvo casou-se com Emérita Mendonça, (22/09/1929) de raízes Itabaianenses, que passou usar seu sobrenome EMÉRITA MENDONÇA DE ARAUJO, mulher destemida, de carácter forte, sua conselheira, admiradora. Não tomava nenhuma decisão sem falhar com D.Emérita.Viveram juntos 42 anos. Ela filha do Coronel Honório Francisco de Mendonça e Ana Rosa de Lima Mendonça ( dona Benzinha). Teve com Emérita uma filha: Gicélia Mendonça de Araújo, mais tarde Gicélia de Araújo Torres, pelo casamento com Antônio Torres Júnior. Estabelecido na rua de Santa Rosa nº 149, onde instalou a Refinaria JASPE, ao lado de grandes nomes do comércio sergipano, como: Leovegildo Correa, Cantídio Lino Dias, Antônio Pádua Melo. os irmãos Antônio e José Ferreira Lima e os igualmente irmãos Antônio e Américo proprietários do Moinho Garça. Proprietário de salinas e viveiros. Dedicava-se não só à atividade de industrializar o sal que produzia, mas de comprar de outros produtores para, após o processo de moagem e refinação, distribuir no comércio local e exportar. Aglutinador, bonachão, popular, sem preconceitos, amigo. A escola da vida foi a sua grande mestra. Proseador amava a literatura de cordel, que muito incentivou. Chamava seus empregados por apelidos pitorescos: Salomão, Senador, Lord, dentre outros. Às sextas-feiras, reunia todos para fazer o pagamento semanal aos seus operários e para lavar o armazém. Todos juntos, chamava cada um, fazia o pagamento e perguntava para os casados – “Seu filho está estudando?” E aos solteiros – “como estão seus pais?” Presenciei todos esses momentos. Meu velho e amigo, o qual nos deu suporte, nas situações mais graves da nossa vida. Tinha o sonho de ver sua filha Gicélia diplomada. Realmente ela se tornou Bacharel em Direito. Militou no Direito, tornando-se mais tarde Juíza, tornando realidade o sonho do seu pai. BVA batia no peito e exclamava: “A MAIOR FORMATURA DO MUNDO É A DE BACHAREL EM DIREITO".

Postagem originária da página do Facebook/GrupoMTéSERGIPE, de 18 de junho de 2015.

Augusto Leite com seus netos

"Hospital Cirurgia e Tio AVÔ Augusto Leite com seus netos, inclusive eu. Onde estou? Lembro da sua casa e desta foto. Um médico a serviço do povo mais carente do nosso estado". (Fernando Leite).

Foto e Legenda reproduzidas do Facebook/Fernando Leite.

Postagem originária da página do Facebook/GrupoMTéSERGIPE, de 21 de junho de 2015.

quinta-feira, 2 de julho de 2015

Saudades da Casa Amarela







Caríssimos, disponibilizem um tempinho e leiam o texto a seguir, até o seu final.

Saudades da Casa Amarela.
Por ângelo Maurício Torres.


Residência do clã dos “TORRES”, Praça Deputado Antônio Torres Júniornº 84, em Canhoba –Se. Canhoba, que significa “folhas escondidas”. Era uma casa comum de tijolo batido. Sua primeira reforma aconteceu em 1935, como se lê no seu frontispício.Para “Curral de Barro”, nome original da povoação, chegou Manoel José da Rocha Torres e sua esposa, Maria Perpétua, trazendo os seus dez filhos. Um dos seus netos, Marcelino da Rocha Torres, tornou-se o pai de Antônio Torres Neto, o futuro patriarca dessa família já citada. Antonio Torres Neto casou-se com uma jovem propriaense chamada Leonida Souza que, pelo matrimônio, denominou-se Leonida de Souza Torres, carinhosamente conhecida como Beata. Juntos escolheram a CASA AMARELA para seu lar. Ali nasceram os seus doze filhos. Criaram-se nove: Delorizano, Aldemira, Mirabel, Antônio, Maria Auxiliadora, Ida, Jacob, Jobe Arquibaldo, todos já falecidos, à exceção de Ida,hoje octogenária. Em 1976, aconteceu a segunda e última reforma do casarão. Foi trocado todo piso, feita uma cozinha mais moderna, sem contudo, alterar as estruturas interna e externa. Permanece o mesmo mobiliário. SAUDADES. SAUDADES da nossa infância quando para lá íamos em férias, no carro do nosso pai um DKV – Vemag vermelho de placa 072. Quando da nossa chegada à cidade, o amigo da família José de Jessé anunciava no auto-falante da prefeitura: ”o deputado Torres Júnior e sua família chegaram ao Canhoba”. Então colocava música e era uma verdadeira festa. Um tio de meu pai de nome Florisvaldo da Rocha Torres, cognomidade Caretinha, gritava: “Zé, põe para tocar “Fim de Festa” de Luis Gonzaga, que Toinho gosta”. Na calçada da casa já estavam sentados, a nos esperar,nosso primo Anacleto,companheiro de brincadeiras e aventuras. SAUDADES.Era um entra e sai de amigos, primos, compadres,a exemplo de José Rozendo e Maria Amélia, Lau e Laudiceia, Nozinho e Conceição, Cândido e Terezinha, Leôncio e Eleonora, Ailton e Eutêmia, Miguel de Carlota, Amândio e Raimunda, e tantos outros. Casa cheia, mesa farta.SAUDADES.Saudades das nossas cavalgadas para as fazendas Rancho de Canoa, Gravatá, Chanchão,Valadão, Lagoa da Mata, Lagoa Salgada. SAUDADES da voz forte de nosso avô chamando o compadre Manoel Macola, Zé do Boi, Messias de Ozório, João Pequeno, Antônio Carreiro. “João Pequeno, traga amanhã cedo quatro cavalos para meus netos Angela, Angelo, Anacleto e o amigo deles Zé Preto”– ordenava nosso avô. SAUDADES de Antônio Carreiro, que preparava o carro de bois para nossos passeios em grupo.Carro de bois puxado por três parelhas de animais de primeiríssima, sob o comando do velho e habilidoso Antônio Carreiro no ofício de conduzir os seus animais. No carnaval de 1966, desfilamos nas ruas nesse mesmo carro de bois, todo ornado para a ocasião. SAUDADES das festas do Santo Cruzeiro, das procissões, das barraquinhas de comidas típicas, das cabacinhas (feitas de cera de vela e cheias de água que, quando arremessadas em alguém explodiam molhando o atingido). SAUDADES das festas juninas e seus folguedos, das fogueiras, do milho cosido quentinho. SAUDADES das festas natalinas, com seus ritos e tradições. Ano Novo. SAUDADES dos banhos nas lagoas formadas pelas enchentes periódicas do rio São Francisco, de chupar Jaboticaba na serra, de caçar rolinhas, dos passeios a cavalo na garupa de tio Job em seu cavalo “Pão de Açúcar”, - vale informar que foi Cícero Gomes de Melo , o Cícero Buraqueiro, que me ensinou a cavalgar. SAUDADES de passear no JEEP Azul do tio Job, das comidas que tia Ana Maria (esposa de Job) fazia, e de assistir tio Arquibaldo tocar zabumba em frente à Igreja Matriz. Das conversas e histórias contadas pelo nosso avô na calçada da igreja a respeito de suas sua façanhas no Amazonas; e compadre Manoel Macola confirmando tudo. O velho contava a historia e depois falava: “é verdade, compadre?” O compadre só tinha a responder: “verdade, compadre”. Oh! Que saudades da mãe preta, à noitinha, sentada ao pé do Santo Cruzeiro, aguardando a meninada para ouvir as suas estórias de trancoso, fantasmagóricas e sobrenaturais. Mostrava-nos lá nas colinas o “fogo corredor”, que dizia ser as almas de dois compadres lutando.SAUDADES das broncas de nossa avó Beata quando entrávamos na cozinha enquanto ela fazia doce de leite de bolotas. “- Saiam daqui meninos, se não o doce desanda”.Chamava suas serviçais Beta, Vanda e Leuzina,e dizia: “ - não deixem esses meninos entrarem na cozinha. Quando o doce estiver pronto, sirvo a eles com queijo”. Uma saudade, no entanto, de nunca tê-la visto tocar o seu violino, que ficou esquecido por conta dos seus muitos afazeres domésticos. SAUDADES da mesa farta no café da manhã, no almoço e na janta. Quem chegasse comia a qualquer hora.Chegava uma visita e falava: “ - Seu Antônio, quero falar com o senhor”. O velho respondia: “ - primeiro, senta aí e come. Amigo meu não sai daqui com o bucho vazio. Depois tratamos de negócio”. SAUDADES de presenciar todas as manhãs,ao chegar o leite das fazendas, a nossa avó sentada no seu banquinho, no depósito ao lado do casarão, vendendo, dentro da sua cota, doando leite. Dinheiro em uma caixinha e leite fresquinho nos vasos ou panelas das pessoas que lá chegavam. Presenciei uma cena muito forte e humana por parte de nossa avó. Entrou uma criança, e falou bem perto dela:“- meu pai falou que hoje não tem dinheiro.A senhora me dá um copo de leite?” De imediato ela exclamou: “ - João Pequeno, me traga uma vasilha de quatro litros”. Imediatamente foi atendida. Ali ela colocou o leite, e solicitou ao João Pequeno que levasse o leite e a criança em casa. “ - Diga ao pai dela que quando não tiver dinheiro pode vir buscar o leite de seus filhos.” SAUDADES do galinheiro de vó Beata. Num grande terreiro, cágados, galinhas, guinés, perus.Os porcos, ficavam num espaço especial – todo cimentado, mostrando o seu zelo pela limpeza. O jardim florido, com girassóis, roseiras, jasmins, tipo um jardim de inverno, que contemplávamos da sala de jantar. Num outro espaço mais adiante, goiabeira, limoeiro, pimenteira, mangueira.E nas janelas, as moringas de argila cheias d’água a fim de receberem o sereno da noite e pela manhã, dela bebermos geladinha. Tudo isso, à luz dos fifós e lamparinas.Depois, SAUDADES do apagar das luzes a motor. Janeiro de 1968, fifós e lamparinas deram lugar à luz elétrica. Concretizava-se o sonho do nosso pai, Antônio Torres Júnior, de eletrificar a sua querida Canhoba. Muita gente, a população canhobense, o governador de Sergipe, Lourival Baptista e a sua comitiva, o prefeito da cidade, nosso tio Arquibaldo de Souza Torres, nossos familiares e tantos outros. Somente uma ausência física – a daquele homem público, que tanto beneficiou o seu povo e a sua cidade, e numa pugna incansável conseguiu trazer, pelos fios, a força da água de Paulo Afonso transformada em energia elétrica. Nossos avós, Antônio e Beata, tinham lágrimas nos olhos enquanto o povo ovacionava. SAUDADES do relógio de parede, quase um metro de altura, comprado na Joalheria Safira, em Aracaju, que ficava na entrada da casa.Do gramofone, na sala de visitas, esperando as ocasiões festivas para “acordar”. Da geladeira Westinghouse a querosene, do fogão à lenha e sua famosas panelas de barro,e seu fogo crepitando dia e noite, sem apagar. Dos pães fresquinhos de seu Manoel Gago.SAUDADES. Uma vez perguntei a nossa avó Beata porque ela tinha sempre uma lágrima nos olhos e o sorriso longe. Ela respondeu: “ - meu neto, o Canhoba e nossa família não são mais o que eram”. Referia-se ela ao sombrio e fatídico dia 21 de dezembro de 1967, uma quinta feira.“ - Estou sempre pensando em meu filho TOINHO, seu pai. Por que fizeram isso com ele?” E a lágrima vinha novamente, e ela me abraçava. Carinhosamente. SAUDADES das nossas despedidas quando findavam as férias.Quando meu pai estacionava o carro na porta da Casa Amarela para nosso embarque de volta a Aracaju, era uma choradeira danada dos amigos, primos, tios. O nosso avô falava ao meu pai: “ – Toinho, deixe os meninos!” Meu pai respondia: “ - o maior presente que tenho para deixar para eles é a caneta.” O velho enfiava a mão direita em seu bolso, que ia até o joelho, e tirava um tanto de dinheiro. Contava dez notas de 5 cruzeiros(aquelas que tinham a cabeça do índio), e dava para mim e para Angela. Pedíamos a benção e tristes entrávamos no carro. Lá de dentro eu chamava meus dois amigos Anacleto e Zé Preto e a cada um dava uma nota de 5 cruzeiros às escondidas de nossos pais e avós. O nosso pai perguntava para a nossa mãe: “ - podemos ir, .GiIcélia, vamos?” Assim, retornávamos para a capital. E mesmo no período das aulas, mesclávamos estudos e atividades escolares com as saudades das aventuras na roça, já na expectativa das férias seguintes.SAUDADES. Da nossa família, parentes, amigos que já se foram, e que construíram este município. SAUDADES daqueles que cruzaram o seu território e fixaram-se em outros Estados e ainda vivem. SAUDADES do grande homem nascido em Canhoba, a 2 de Outubro de 1926, cujo passamento ocorreu precocemente na manhã de 21 de Dezembro de 1967, uma quinta-feira, aos quarenta e dois anos. Deputado Estadual, Secretário de Estado da Justiça no governo Luiz Garcia, Presidente da Assembleia Legislativa, Líder de Governo na gestão Lourival Baptista. Ícone da política sergipana, grande tribuno, orador nato. Advogado, Professor de História e Geografia pela Universidade Federal de Alagoas, assessor jurídico da Secretaria de Estado da Educação. Pai de família, carinhoso, generoso, humano. A CASA AMARELA viu-o nascer, crescer, foi palco de suas travessuras ingênuas e infantis. E também, anos mais tarde, centro para suas conversações políticas com seus aliados udenistas. A CASA AMARELA alegrou-se com as alegrias, chorou o pranto de todo um clã. Mas, resistindo às intempéries na vida e na história dos TORRES, silenciosa, solitária, testemunha a saga dessa família. Cada parede, cada porta e janela, compartimentos, contam uma história.A fogueira hoje, 29 de junho de 2015, segunda-feira, colocada na sua frente, igualmente solitária,terá extintas as suas chamas. Esta casa, ao contrário, será sempre um marco que manterá viva, cada vez mais viva, não só nos nossos corações mas na vida dos canhobenses, a chama acesa da história dos TORRES e de todos os que amam esta terra. Evocando o poeta Raimundo Correia, concluo dizendo: “ Aqui outrora retumbaram sinos; muito coche real nestas calçadas...................”. >>>>>>ISTO É BRASIL, É SERGIPE É CANHOBA.

Postagem originária da página do Facebook/GrupoMTéSERGIPE, de 30 de junho de 2015.

sexta-feira, 19 de junho de 2015

O Anel


Publicado originalmente no Facebook/Paulo Roberto Dantas Brandão.

O Anel.
Por Paulo Roberto Dantas Brandão.

Quando estava para me formar na velha Faculdade de Economia, um cidadão procurou minha turma. Tinha vindo diretamente de Salvador, representando uma empresa especializada em vender anéis de formatura. O cara trazia uma pasta com as mais diversas amostras dos anéis. Pedras de todos os tipos e de todas as cores. Ele mostrava como ficariam lindos os anéis enormes, com a pedra azul. Ficou decepcionado quando nenhum dos formandos se interessou. Não vendeu um. Perdeu a viagem o coitado.

O vendedor não se fez de rogado. Com uma cara de mau, rogou quase uma praga, disse que havia presenciado uma entrevista em uma multinacional de veículos, onde quem não portava o anel de formatura era eliminado sumariamente. O argumento “insatisfação profissional”. Não me contive e disparei: “Ora, meu amigo, você acha que uma multinacional dessas vai se preocupar se o cara está ou não usando anel? Ela quer saber o que o seu empregado tem de conhecimentos, do que pode produzir e trazer de lucro. Se o cara é bom no que faz, ou não.”
Aí lembrei-me desta pérola para arrematar, para não dizer pedra preciosa: “A incompetência profissional é diretamente proporcional ao tamanho da pedra do anel”.

Nunca vi afirmação tão correta. Normalmente – deve haver exceções – mas quando o cara ostenta um anel enorme com uma pedra descomunal, já se sabe, está ali uma cavalgadura.

Não sei se foi pretensão, mas quando colei grau, meus pais me perguntaram se queria o anel. Preferi minha parte em dinheiro. Formei-me com um discreto anel de meu irmão, e nem precisava né? .

Quando, alguns anos depois formei-me em direito, distribui com os colegas que como eu não tinham anéis, alguns insuspeitos tipo bijuteria bem vagabunda, conhecido como anéis de bala, com a pedra (de plástico) vermelhas. Em tempo, o caro anel de meu irmão foi usado apenas duas vezes: na formatura dele e na minha.

Um dia contei esse caso aos meninos que estavam prestes a colar grau em direito na UNIT e alertei: Cuidado: o ditado sobre a pedra ainda vale.

Texto e imagem reproduzidos do: Facebook/Paulo Roberto Dantas Brandão.

Postagem originária da página do Facebook/GrupoMTéSERGIPE, de 16 de junho de 2015.

quarta-feira, 17 de junho de 2015

Morre Eugênio Alfaiate


"Vítima de câncer de próstata, faleceu ontem o conceituado alfaiate Eugênio Santos Filho. Ele foi responsável pela elegância de renomadas personalidades sergipanas. O primeiro desfile de roupas masculinas, em Aracaju, levou a sua marca - Festa do Termômetro, às bordas da piscina da Associação Atlética de Sergipe, promovida pelos formandos de Medicina. Seu velório está acontecendo no Osaf, rua Itaporanga, e o sepultamento será hoje, dia 16, na Colina da Saudade, às 16 horas". (Pedrito Barreto).

A nota acima foi reproduzida do Facebook de Pedrito Barreto.

Postagem originária da página do Facebook/GrupoMTéSERGIPE, de 16 de junho de 2015.

terça-feira, 16 de junho de 2015

João Costa, o Mestre


(Crônica de Luciano Correia publicada na Folha da Praia por ocasião do falecimento do Professor João Costa, em 30/01/2011)*

João Costa, o Mestre.
Por Luciano Correia.

Foi-se embora desta, no domingo passado, o professor João Costa, do departamento de Letras da UFS. João era velho de guerra, desde os cursinhos e colégios de Aracaju até sua brilhante passagem pelo curso de Letras. Aliás, mirando bem, brilhante onde passou. João era um casca grossa, dos bons, daqueles que perdem o amigo, se preciso fosse, mas nunca deixava de dizer sua fala. Na juventude, fez teatro numa Aracaju culturalmente adolescente, tentando dialogar com o teatro moderno que vicejava nas matrizes do Rio e SP. Um homem culto, afetuoso e delicado. E bruto e indelicado, se precisasse.

Tive a sorte de conviver com João nos três anos que trabalhei na assessoria da Reitoria da UFS, numa sala com Gilvan Manoel, Rian Santos e os professores Gilvan Trustra e Murilo Navarro. João, teatral, era o próprio showman, todos os dias nos brindando com surpresas: ora um humor fino e cáustico, ora o mau humor puro, servido nas doses que o freguês quisesse comprar. Não havia uma só manhã que ele não chegasse à nossa assessoria/redação com uma grande história, um comentário inteligente,malandro, cheio de segundas, terceiras e múltiplas intenções. João Costa era, afinal, um grande leitor e conhecedor da melhor literatura mundial.Como ator, não poderia deixar de incorporar isso à sua vida, como se fosse mesmo um personagem.

Quando o encontrava pelas ruas da cidade ou em alguma livraria dos shoppings, me aproximava silencioso e pespegava um insulto: “Veiiiiinhooooo”. Ele logo abria um sorriso infinito e retomávamos, pela milésima vez, a história do folgado caixa da padaria perto da casa dele, que costumava recebê-lo com essa sem cerimônia. Só que ele contava isso em detalhes, com seu ar teatral, encenando e já amaldiçoando um caixa de padaria que, sem eira nem beira, se referia àquela celebridade acadêmica com o mais desprezível dos tratamentos: veinho. Ele, vaidoso que sempre foi, até poucos dias antes de morrer, quando o encontrei pela última vez, detestava o tratamento íntimo que, ademais, não era do feitio de um homem que, apesar de toda a cultura e sabedoria, era um assumido conservador e possivelmente dado às hierarquias.

João, assim, foi uma lição diária de mestre para todos aqueles da reitoria da UFS que conviveram com ele. No começo, quando ele se juntou à nossa equipe, eu, tomado de preconceitos contra a figura que eu já sabia conservadora, fiquei de pé atrás, disposto mesmo a não trocar com o Mestre mais que as palavras “bom dia” e “até logo”. Pois!! No segundo dia eu já era íntimo de suas adoráveis molecagens, trocando, com ele e Gilvan Manoel, velhas piadas de charada, comentários críticos de livros, filmes, da política, da vida, enfim.

Ontem, quando soube da sua morte, não tive nenhuma reação. Sabia que o câncer que o consumia há alguns meses fatalmente o levaria logo. Hoje, pensando nas histórias do João e da grandiosidade de sua alma, chorei de saudade. A partir de agora, João Costa será para mim esse belo rosário de histórias.

* Texto reproduzido do Facebook/Amaral Cavalcante

Foto reproduzida do blog jornaldesaodomingos
(Postada para ilustração por MTéSERGIPE).

Postagem originária da página do Facebook/GrupoMTéSERGIPE, de 14 de junho de 2015.

Casarão Histórico de Dr. Augusto Leite

Antigo casarão na Avenida Barão de Maruim, esquina com a Rua
Itabaiana, em Aracaju/SE. O mesmo pertenceu a Dr.Augusto César Leite
 e foi CRIMINOSAMENTE demolido, para dar lugar a um Banco.
Foto reproduzida do Facebook/Carlos Mendonça.

Postagem originária da página do Facebook/GrupoMTéSERGIPE, de 13 de junho de 2015.