domingo, 7 de junho de 2015

Araripe Coutinho e João Barreto Neto

"Estava eu desfilando no Rasgadinho com a máquina em punho, quando vejo estes dois amigos observando tudo e todos. Fiz o registro e hoje publico aqui neste espaço. Salve, salve o Saudoso Araripe Coutinho e João Barreto Neto". (Douglas Magalhães).

Foto e Legenda reproduzidas do Facebook/Douglas Magalhães.

Postagem originária da página do Facebook/GrupoMTéSERGIPE, de 6 de junho de 2015.

quarta-feira, 3 de junho de 2015

Morre João Barreto Neto


"Faleceu (...) no Hospital São José, o jornalista João Barreto Neto. Colunista Social, João Barreto Neto atuou durante muitos anos na imprensa sergipana, assinando diariamente a coluna "Gente Gentissima". Como carnavalesco realizava anualmente o baile da ressaca do carnaval denominado "Pagode GG". Atualmente estava afastado das lides jornalísticas". (Elito Vasconcelos).

Texto reproduzido do Facebook/Elito Vasconcelos.
Foto reproduzida do site: sitedobareta.com.br

Postagem originária da página do Facebook/GrupoMTéSERGIPE, de 2 de junho de 2015.

João Barreto Neto

João Barreto Neto, aqui recebendo doação de mais de 200 sucos para a Ação Solidária Santo Antônio, que antes tinha como timoneiro o Barrinhos e hoje perde o Joãozinho.

A sede da Ação Solidária Santo Antônio, está localizada na Rua Jornalista João de Barros, s/n, Jardim Universitário, Bairro Rosa Elze, município de São Cristóvão/SE.

Foto: Gleyson Prado.

Postagem originária da página do Facebook/GrupoMTéSERGIPE, de 2 de junho de 2015.

João Barreto Neto, em 2005


João Barreto Neto, em 2005, quando da entrega
do Estandarte Gente Gentíssima a Marcelo Déda.
Foto: Márcio Dantas.
Reproduzida do site: aracaju.se.gov.br

Postagem originária da página do Facebook/GrupoMTéSERGIPE, de 2 de junho de 2015.

Homenagem a João Barreto Neto


Homenagem a João Barreto Neto, que com o falecimento de Barrinhos, passou a ser o timoneiro da Ação Solidária Santo Antônio.

Postagem originária da página do Facebook/GrupoMTéSERGIPE, de 20 de março de 2012.

Lídio Santos (Lídio da Cocada)


"É com extremo pesar, que escrevo essas palavras sobre o falecimento de Lídio Santos ( Lídio da Cocada ) aos 99 anos. Nasceu em São Braz-AL, em 29 de dezembro de 1915. Aos 7 anos veio com sua família para Sergipe, fugindo da miséria e da fome. Por conta de todo sofrimento vivido na infância, ainda jovem, decidiu ingressar nas lutas operárias. Foi orador e membro do partido comunista brasileiro, PCB. Perseguido em 1964, deixou Sergipe e foi escondido com a família para o Rio de Janeiro. Depois da anistia, retornou a Sergipe e ao PCB, e retomou sua trajetória política. Um dia pediram a Luis Carlos Prestes, que citasse alguns nomes importantes para história das lutas operárias e para o PCB, e ele citou alguns nomes, entre eles Lidio da Cocada. Deixo aqui a minha homenagem a esse guerreiro, grande homem, exemplo de honestidade, que sacrificou a sua vida em prol de uma sociedade mais justa e igualitária. Vai com Deus...". (Antônio Samarone).

Texto e imagem reproduzidos do Facebook/Antonio Samarone.

Postagem originária da página do Facebook/GrupoMTéSERGIPE, de 2 de junho de 2015.

Dr Fedro Portugal


"Muito feliz e orgulhoso pelo reconhecimento da UFS ao trabalho que meu pai , Dr Fedro Portugal, desenvolveu ao longo de décadas , à Medicina Sergipana. Este é um registro do momento do recebimento do título de Professor Emérito". (Fedro Portugal).

Foto e Legenda reproduzidas do Facebook/Fedro Portugal.

Postagem originária da página do Facebook/GrupoMTéSERGIPE, de 28 de maio de 2015.

terça-feira, 26 de maio de 2015

Avós Materno de Angelo Muarício Torres


Meus avós materno: BENILDE VIEIRA DE ARAUJO, o BVA, como era carinhosamente chamado pelos seus amigos, familiares e empregados (nos dias atuais, colaboradores).Nasceu na cidade de Itabi – Se, em 23/11/1902, filho de família humilde de lavradores. Seu pai era português e a sua mãe, uma cabrocha sergipana, conhecida como Mãe Senhorinha. Estudou somente as primeiras letras, numa escola de sua cidade. Emigrou para o Rio de Janeiro aos 18 anos em busca de uma vida melhor. Dez anos se passaram. Retornou para Aracaju em 1930, casou-se em primeiras núpcias com Elisa Sobral, com quem teve uma filha - Arinda Araujo. Viúvo, casou-se com Emérita Mendonça,(22/09/1906) de raízes Itabaianenses, filha do Coronel Honório Francisco de Mendonça e Ana Rosa de Lima Mendonça ( dona Benzinha). Teve com Emérita uma filha: Gicélia Mendonça de Araujo, mais tarde Gicélia de Araujo Torres, pelo casamento com Antônio Torres Júnior. Estabelecido na rua de Santa Rosa nº 149, onde instalou a Refinaria JASPE, ao lado de grandes nomes do comércio sergipano, como: Leovegildo Correa, Cantídio Lino Dias, Antônio Pádua Melo. os irmãos Antônio e José Ferreira Lima e os igualmente irmãos Antônio e Américo proprietários do Moinho Garça. Proprietário de salinas e viveiros. Dedicava-se não só à atividade de industrializar o sal que produzia, mas de comprar de outros produtores para, após o processo de moagem e refinação, distribuir no comércio local e exportar. Aglutinador, bonachão, popular, sem preconceitos, amigo. A escola da vida foi a sua grande mestra. Proseador amava a literatura de cordel, que muito incentivou. Chamava seus empregados por apelidos pitorescos: Salomão, Senador, Lord, dentre outros. Às sextas-feiras, reunia todos para fazer o pagamento semanal aos seus operários e para lavar o armazém. Todos juntos, chamava cada um, fazia o pagamento e perguntava para os casados – “Seu filho está estudando?” E aos solteiros – “como estão seus pais?” Presenciei todos esses momentos. Meu velho e amigo, o qual nos deu suporte, nas situações mais graves da nossa vida. Tinha o sonho de ver sua filha Gicélia diplomada. Realmente ela se tornou Bacharel em Direito. Militou no Direito, tornando-se mais tarde Juíza, tornando realidade o sonho do seu pai. BVA batia no peito e exclamava: “A MAIOR FORMATURA DO MUNDO É A DE BACHAREL EM DIREITO". Foto tirada em 22/09/1943.

Postagem originária da página do Facebook/GrupoMTéSERGIPE, de 22 de maio de 2015.

segunda-feira, 25 de maio de 2015

Mapa Turístico do Estado de Sergipe

Imagem extraida do Google.
Clique na foto para aumentar.

O Zunido das Cigarras


Publicado originalmente no Facebook/Amaral Cavalcante, em 9/05/2015.

O Zunido das Cigarras.
Por Amaral Cavalcante.

Em Simão Dias morávamos na esquina da Praça Barão de Santa Rosa à sombra de palmeiras centenárias, onde, ao cair da tarde, a cantoria agoniada das cigarras nos cobria de melancolia. Deve vir da cantilena indescritível das cigarras - um zunido cortante que parecia rasgar-se em desespero – esta minha aflição pelo imponderável e certa saudade do silêncio imemorial onde todas as palavras sucumbem, satisfeitas.

Sentadinho no batente de ardósia lá de casa eu curtia a algazarra nas palmeiras, a inocência exposta ao clamor primitivo das cigarras, torcendo por um fortuito amor que sobrevivesse àquelas friorentas tardes de acasalamento.

Era uma casa com fachada em azulejos portugueses, 12 janelões envidraçados e um portal de pedra emoldurando a velha porta de almofadas trabalhadas. Amplos salões e muitos corredores. No salão principal, o das visitas, mantinha-se um conjunto de cadeiras de braço e sofá de palhinha, rodeando uma mesinha onde se expunham os únicos objetos propriamente decorativos da sala: um cristal, tão bruto quanto o gosto estético do meu pai, uma florista de alabastro levantando a saia e um caramujo gigante, tão raro naquelas bandas, onde eu costumava ouvir - como numa cornucópia - o barulho de hipotéticas ondas regurgitando distâncias nas areias de uma longínqua praia.

O mar, tão incompreensível para mim, ainda era uma quimera desconhecida e distante.

Seguindo o corredor central chegava-se à sala de jantar, onde somente havia três vetustas mesas para muitos comensais e uma envidraçada cristaleira onde se guardavam as sobras ancestrais das louças e cristais familiares. Dali chegava-se à cozinha dominada por um velho fogão à lenha. de ferro trabalhado, rodeado de prateleiras onde serenavam os alguidás, os tachos de cobre, os panelões de barro, os cacos de frigir lombos e os utensílios de temperar.

Ainda hoje, quando sonho com a casa onde nasci, é na cozinha onde a minha saudade vai parar. É lá onde reencontro a família cuidando de prover com os cheiros do cominho e da hortelã miúda, a memória do meu paladar.

A casa transformou-se em pousada, ou, como se chamava naquele tempo, numa pensão. Minha mãe Corina era industriosa e quis transformar aquela casa, com seus 12 espaçosos quartos, em hospedaria. Graças a isto conheci grandes artistas circenses como Luiz Gonzaga, Marinêz, Jackson do Padeiro, Wilson Simonal, Milionário e Zé Rico, o cantor José Augusto e palhaços sergipanos como Gravatinha e Batalhinha, que foram nossos hóspedes em temporada circense na cidade. Lembro-me do velho Gonzaga com três anelões facheando nos dedos enquanto partia o suculento bife de fígado que tanto gostava. E da cabeleira lourissima de Marinez sendo penteada para o show, uma cascata dourada onde a forrozeira, vez por outra, enfiava as unhas enormes esmaltadas em vermelho carmim para soltar os cachos.

Dos hóspedes memoráveis na pensão de Corina lembro-me de um mestre do Tarô que se instalava regularmente lá em casa e recebia a fina flor da sociedade simãodiense em consultas cabalísticas. Era uma frágil figura de hábitos esquisitos e olhar perturbador que recebia no quarto as suas consulentes. Não chegava pra quem queria. Instalei-me muitas vezes no quarto vizinho para aprender com ele, quando conseguia decifrar os seus murmúrios, o jeito certo de falar ao coração das pessoas.
Acho que vem daí, da compartilhada habitação na minha casa ancestral, minha capacidade de conviver com pessoas diversas, a respeitar o espaço dos outros, a servir com dignidade aos que me solicitam e, principalmente, a me tornar transitável.

Tornei-me uma provecta cigarra, tardes e tardes zunindo amor à sombra de palmeiras fugidias.

Texto e imagem reproduzidos do Facebook/Amaral Cavalcante.

Postagem originária da página do Facebook/GrupoMTéSERGIPE, de 23 de maio de 2015.

O jornalista Zeca Déda



(Crônica antiga, com intervenções de Marcelo Déda e Jozailto Lima).

O jornalista Zeca Déda.
Por Amaral Cavalcante.

. Ele publicou no seu jornal “A Semana” o meu primeiro poema, “Elegia a Cristina”, dedicado a uma menina fatalmente morta pelo irmão que brincava com uma espingarda. Doloroso poema juvenil meio que plagiado dos grandes sonetistas que nutriam minha incipiente criatividade, numa antologia de cabeceira. Era a coletânia “Os mais Belos poemas de Amor” organizada por J.G. de Araújo Jorge que me fora presenteada, aos 16 anos, por mamãe Corina. Foi o meu primeiro sucesso literário.

O jornal “A semana” saía aos sábados. Cândida Candhão, arauto das fofocas municipais, chegou lá em casa de manhã com o jornal já recortado, transtornada e tilintando os berloques de ouro 14 nos peitões descomunais: - minha fia, que coisa linda! E toca a declamar pra Corina o trágico soneto que o filho dela, eu, tinha publicado no jornal, sobre a morte da menina, filha do prefeito Nelson Pinto.

Candhão viciou-me no aplauso e me consagrou poeta na freguesia de Simão Dias.

Mas pensa que foi fácil publicar no “A Semana”? Não com o casmurro Zeca Déda. Tinha oficina e escritório na Rua do Comércio, onde se abriam três portas. Minto! Uma delas, a do seu birô de chefe político estava sempre fechada. Quem quisesse entrar que arrodeasse. Lá dentro, um mundo incompreensível, mas fascinante: caixas tipográficas, a monstruosa prensa em seus claps claps , uma temerária guilhotina encostada na parede frontal e papéis, papéis derramados pelo chão. Eu costumava chegar de mansinho, moleque invisível, e ali ficava sem ser percebido, vendo aquele homem de faina diferente - o terno cáqui manchado de tinta - a comandar as doidas engrenagens. Não me via, nem nunca conversava comigo.

Um dia cheguei com o poema manuscrito e ele me disse:

- Vou publicar

Conquistar a aprovação daquele monstro sagrado, foi , para o menino encabulado que eu era, o maior incentivo que eu já encontrai na vida, afinal, o jornalista Zeca Déda era a maior expressão de cultura e dignidade intelectual da minha cidade.

O Grêmio Estudantil “Padre Mário Reis” do Ginásio Carvalho Neto, promoveu um Júri Simulado sobre Calabar e o Dr. Zeca Déda, indicou o filho, Arthur Oscar, recém formado bacharel, como seu opositor na tribuna. Era o velho rábula debicando da Academia.

Zeca Déda acusava o réu com brilhante e convincente oratória, justificada na história oficial, aqueles argumentos de traição à Coroa portuguesa dos compêndios escolares, enquanto Arthur Oscar defendia a opção política do Réu pela colonização holandesa.

Durou dois dias este embate entre aqueles titãns da oratória, mas Arthur tornou-se logo o ídolo da meninada descrente da história colegial e Calabar foi absolvido!

Eventos como este fizeram de Simão Dias um celeiro de inteligência.

(Amaral Cavalcante- 2008).
_________
ADENDO:

Relendo “Retrato Diverso”, livro do poeta Jozailto Lima publicado em 2004, achei o poema “Litania Para um Avô Alheio”tratando do velho Zeca Déda, e bem melhor do que eu.

O danado do Jozailto recorreu à poesia – esta linguagem divina que eu persigo tanto – para revelar o avô cheirando a mato, o taciturno sertanejo que caçava tatus, conduzido por artes da política aos vórtices do poder, em Aracaju, onde fez história como Deputado Estadual.
É ler pra crer.

Litania para um avô alheio
Jozailto Lima
P/Marcelo Déda

Aracaju era longe, o fim do mundo.
Distância para Rural e Homens Grandes
Ousados, destemidos, capazes de enfrentar
Os dias, a fúria da lama e das tempestades.
Aracaju era longe, uma trilha para tropas e tropeiros.
Aracaju era uma marca na ansiedade da infância.

Aracaju era coisa pro avô enorme, sisudo,
Vindo da mata adentro de Paripiranga,
Que desafiava o pensamento, as montarias,
Que domava palavras, amava os livros, limava linotipos
E enfileirava informações do mundo vasto e distante.
Aracaju era coisa pro avô.
Que lavrava madeira e esculpia o universo em xilogravuras
Que envergava chapéu de feltro, capa preta
Era farto em afetos, na palavra, no nó do compromisso
Mas que escasseava em sorrisos e cumprimentos estranhos
-“Oh dona Martinha. Eu lhe dei boa tarde? Então desconsidere”-

Aracaju era uma coisa pro avô-coragem
Aracaju era coisa pro avô que se perdia
No mato ermo, na flora esconsa, na caça demorada
Que abatia os veados e destranhava os tatus
Num tempo em que abater veados e tatus
Não tinha correlação nenhuma com o politicamente incorreto.

Aracaju, uma pradaria do avô que distribuía tinta e papel
E premiava com afagos às cabeças netos que produzissem
O desenho e a caricatura mais exata na desaproximação.
Toda esta distância, toda a ansiedade de Aracaju encurtava
Na seda azul do papel e no cheiro da maçã que ainda
Hoje inunda toda Simão Dias e esta infância que insiste
Em não passar, como aquele avô vindo das matas
Paripiranguenses com o sobrenome dos Carvalhos.

Hoje Aracaju é tão perto, tão âmago do mundo,
Como aquele avô alheio que tantos trazem dentro de si.

Rerpáros de Marcelo Déda:

Rua Joviniano de Carvalho, também conhecida como Rua do Comércio, aquela que começava nos oitões do Cine Brasil e do Banco do Nordeste e terminava na Rua da Feira, na esquina guardada, de um lado pela gentil agiotagem de Elisa Montalvão e, do outro, pelos panos da loja de tecidos do seu Inocêncio, pai de Lauro, advogado que gostava de política e admirava meninos... A mesma do cartório do tio Sininho, onde Dadinha reinava entre certidões e processos. A rua do escritório de Dorinha, da funerária de seu Tota e da farmácia de Dr. Aguiar.
A famosa artéria onde, ao lado do escritório de Papai Zeca (era assim que os netos o chamavam), estava instalada uma das mais misteriosas casas da minha vida, a tenda de Tio João Déda, repleta de selas, arreios, rebenques e gibões; cheia de salas misteriosas onde o couro fedia e a cola de sapateiro impregnava o ambiente. Martelos, pregos, facas amoladíssimas e outros misteriosos apetrechos faziam companhia à figura hierática de do tio João - sempre vestido em mescla azul ou uniforme caqui, dono de malhada, montador cuja perícia na condução dos chamados "cavalos-de-passada", enchiam meus olhos de admiração.

Mesma rua onde fazia negócios com relógios e jóias o único estrangeiro de Simão Dias, o italiano Cezário, onde minha tia Didi comprou, em longuíssimas prestações, o meu primeiro relógio. Também nela a loja "Três Américas", magazin sortido de um tudo, pertencente ao seu Cícero Guerra, de balcões envidraçados e uma gravura, quase um pôster, pendurado em estratégica posição, reproduzindo todas as bandeiras do continente americano, cravadas no globo terrestre sob a consigna - As três Américas, unidas, vencerão!

Perto do escritório do velho Zeca, o "bunker" do PSD, partido que abrigava os seus correligionários sob as espirais de fumo holandês produzidas pelo cachimbo de Dr. Celso. No centro, pendurado às vigas do telhado, pendia um jacaré empalhado, réptil que traduzia no seu nome o batismo singular e endêmico dos partidários do Barão do Mercador (a maldade dos crocodilos liderados pelos Valadares, preferia chamá-lo de "Pavão" do Mercador).
Ainda, neste milagroso logradouro o armarinho de Edileuza, cujo nome me esqueço, onde comprava brinquedos e o bar do seu Abel, famoso alfaiate e também prefeito, que deputado ao meu lado nos anos 80, cuja tenda - era assim que se chamavam os estúdios e oficinas no meu tempo simãodiense - funcionava nos fundos.

E - como posso me esquecer? - nessa mesma rua, o açougue, construído nos anos 30, na operosa administração de Zeca Déda como Interventor da Cidade de Simão Dias. Pertinho dali, no mesmo lado da rua, o bar Vezúvio, pertencente a Nadinho, de comida farta e cheirosa trazida pela sua esposa, anjo de beleza rara que impunha respeito aos fregueses e ao lado dos filhos deixava claro que o ambiente era familiar. No mesmo local, antes, funcionara um frigorífico que me entusiasmava pela inovação mercadológica: peixes em amplos freezers - pertencia a Netônio de Quincas.

Pronto! É vocé puxar o fio que o novelo da minha infância se atira embriagado nos braços da minha memória de quase velho...

Marcelo Déda.

Texto reproduzido do Facebook/Amaral Cavalcante.
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Foto publicada por MTéSERGIPE, para simples ilustração de post.
Capa d'A Semana de 8 de setembro de 1946.
Imagem reproduzida do site: pt.wikipedia.org

Postagem originária da página do Facebook/GrupoMTéSERGIPE, de 23 de maio de 2015.

domingo, 24 de maio de 2015

Rádio Antigo


Publicado originalmente na Fan Page/Facebook/Petrônio Gomes.

Rádio Antigo.
Por Petrônio Gomes.

Longe de mim querer depreciar o rádio da atualidade. Cada época tem seus próprios matizes que se refletirão nos vários setores da atividade humana. Já se disse que “o homem é filho do seu tempo.” Entretanto, é uma prerrogativa dos mais velhos o hábito de comparar, pois que o testemunho de outra época lhes pertence. Não é justa a acusação de “saudosismo” contra esses depoimentos, pois o lógico seria que se tivesse saudade também das coisas ruins, o que naturalmente não acontece. E como foi pródigo o passado de coisas desagradáveis!

Para começar, digamos que no passado qualquer pessoa ligava o rádio para se divertir e não para elevar sua pressão arterial. Aliás, o simples fato de se ligar um receptor radiofônico era um verdadeiro ritual. Tenho diante dos meus olhos o grande aparelho que havia em nossa casa e que ocupava quase a metade de um dos móveis da sala. O pai ligava o rádio e toda a família ficava ao redor, como quem espera o início de uma peça de teatro. Havia um tempo determinado para que as válvulas esquentassem, e todo mundo já sabia disso. Somente depois começava a chiadeira, sinal de que se poderia lutar para “pegar a estação”...

A preferida lá em casa era a “Mayrink Veiga”, onde um locutor gaúcho começava a fazer fama em todo o Brasil. Era uma delícia ouvi-lo soletrar a palavra “Scatamacchia”, a marca de um calçado masculino, sapatos de sola fina que viraram a coqueluche da rapaziada por vários anos. Ele também anunciava uma casa de louças que havia na Av. Marechal Floriano, chamada pelos cariocas de “Rua Larga”. O nome da loja era o “Dragão”, com “quatro portas em frente à Light.” Esta era a empresa inglesa concessionária da distribuição elétrica e dos transportes do Rio de Janeiro. Sua casa matriz ficava em um belo edifício na mesma Avenida e, pouco adiante, o célebre “Palácio Itamaraty”, que o dr. Niemeyer copiou para a sua cidade artificial em Brasília. Antes que me esqueça, o nome desse locutor era César Ladeira. Ele casou com uma corista argentina chamada Renata Fronzi.

A outra emissora famosa foi a Rádio Nacional do Rio de Janeiro, com estúdios no último andar do Edifício de “A Noite”, na Praça Mauá, o primeiro endereço que visitei quando fui ao Rio pela primeira vez, ainda com os queridos programas de auditório que povoaram minha juventude aqui em Aracaju. Alcancei a emissora em sua fase de decadência, mas tive tempo de ver os grandes microfones, diante dos quais se perfilaram os grandes cantores de nossa música popular. Conheci pessoalmente alguns deles, como já escrevi em outras ocasiões.

Não havia os recursos formidáveis que hoje nos assistem. A orquestra e os cantores deviam dar o seu recado de uma vez por todas. Era simplesmente proibido errar, no tom, na letra ou no compasso...

Havia também as entrevistas, as notícias, a publicidade, esta sempre redigida com outro apuro, talvez com um pouco mais de respeito pelo público. Os cantores cumpriam seu papel com a maior naturalidade, sem tantas caretas e querendo brigar com o microfone. Hamilton Valin era um pianista cego que acompanhava um professor de ginástica, chamado Oswaldo Diniz Magalhães, cujas aulas eram ilustradas e explicadas ao som das mais belas melodias brasileiras. Ainda tenho um mapa do rádio-ginasta, acreditam?

Terminando, gostaria de deixar algumas perguntas flutuando: por que atualmente tanto grito no rádio? Por que tanta pressa, como se cada ouvinte fosse motorista de caminhão de incêndio? Na televisão é ainda pior. Os jargões do consumismo já se tornaram insuportáveis. Quem não vai dormir com esses recados na cabeça: “Você não pode perder” , “Ligue agora” “Veja o que nós temos para você”...

Enfim, era assim o rádio em Aracaju e no Brasil, mas o tempo era igualmente outro. Não havia ainda televisão e a última sessão de cinema terminava às vinte e duas horas. Por essa hora, ninguém mais se atrevia a ficar na praça Fausto Cardoso, onde só restava o sentinela do palácio...

Texto e imagem reproduzidos do Facebook/Petrônio Gomes.

Postagem originária da página do Facebook/MTéSERGIPE, de 21 de maio de 2015.

quinta-feira, 21 de maio de 2015

Armando Maynard, 65 Anos


"Respeitando o seu jeito retraído de ser Armando Maynard, ousei homenageá-lo aqui, no grupo que administra, afinal fazer 65 anos com lucidez e disposição é uma vitória, e com certeza o dia a dia nos leva ao fortalecimento do que pensamos e queremos, com liberdade nunca vivida. Parabéns pelo seu dia, felicidades!" (Lygia Prudente).

Postagem originária da página do Facebook/GrupoMTéSERGIPE, de 19 de maio de 2015.

Encontro com Núbia


Publicado originalmente no Facebook/Petrônio Gomes, em 17/04/2015.

Encontro com Núbia.
Por Petrônio Gomes.

Eu voltava para casa e Núbia vinha da sua. O encontro aconteceu na calçada do Colégio Tobias Barreto, já pertinho da Academia Sergipana de Letras, isto é, o local onde ficava a “rouparia” dos alunos internos, quando lá estudei. Havia ali uma porção de carteiras com cadeados, onde os alunos do interior guardavam seus pertences, inclusive uma ou outra lata de doce remetida pela mamãe carinhosa.

Encontramo-nos, pois, na murada do colégio para um bate-papo ligeiro, o que é muito mais gostoso do que um simples bom-dia rápido, por obrigação. Eu tinha algo a dizer a Núbia e ela me abraçou de longe com os olhos, logo que me reconheceu. Foi uma prelibação de confidências, uma série de fuxicos a dois sobre tudo o que nos empolgava e também sobre tudo o que nos maltratava.

Existem coisas que não podemos dizer aos quatro ventos, sob pena de nos expormos à turbulência dos desentendimentos, alguns muito difíceis de curar. E como são tantos os que não nos entendem, resta-nos o consolo de saber que também nós não entendemos os outros.

Mas fazer do desentendimento um cavalo de batalha, isso é perigoso. E existem pessoas assim, que pescam as conclusões em pleno ar e jogam no ventilador os punhados de farinha. Daqui que a gente conserte os estragos, a pressão arterial decola e o resto da paciência se evapora...

Enquanto Núbia falava e eu escutava, passaram por nós vendedores de quase tudo, desde pipocas para os alunos do Colégio até as frutas da estação, cujo visual colorido já serve de propaganda silenciosa. De repente, tocou a sirena do Colégio e tivemos que aguardar. Francamente, era preferível o pequeno sino que Mário, o porteiro, tangia, para marcar o horário de cada expediente. Num instante, a gente pensa em mil coisas ...

Quando a sirena parou, Núbia começou a responder às minhas perguntas mudas, pois conhece, muito mais do que eu, os segredos e as manhas da terrinha. Já estávamos naquela idade precisa em que as coisas e as pessoas ocupam o seu devido lugar. Os títulos, os adjetivos de festa, a “pompa e a circunstância” servem apenas para ressaltar a verdadeira face de uma origem mais inocente, mais simplória. Como são sábios, ditos em surdina, certos apelidos!

A certa altura de nossa conversa, lembrei a resposta altiva de Sócrates quando lhe mostraram os objetos luxuosos no mercado de Atenas : “Quanta coisa que eu não preciso”.
Núbia Marques conhecia o meu apelido de infância, que nada quer dizer, todavia. São apenas duas sílabas que alguém juntou com carinho ao ver-me no berço, sorridente. Pertencemos a uma época em que os legítimos valores eram tidos e respeitados como tais, sem favor algum, sob os aplausos dos que tinham boa vontade.

Enfim, foi um encontro delicioso, ainda que breve. Em certo momento, fiquei roído de inveja de Núbia por ela ter alcançado um pedaço do meu sonho de jovem, um sonho que não contarei. Inveja misturada com alegria, sem pecado.

Quando Núbia se afastou, fiquei por algum tempo recostado na mureta do Colégio, pensando na vida. Tudo o que ela dissera era verdade, para nossa alegria e para nossa tristeza também.
Tudo ela aproveita para escrever seus poemas, assim como eu coleciono quadros da vida para as minhas tolices. Só não gostamos quando nos interrompem bruscamente, de modo agressivo, como a sirena do Colégio...

Alguns meses depois deste encontro, Núbia Marques faleceu, repentinamente. Como sempre nos acontece com notícias assim, meu primeiro pensamento foi de recusa. Somente depois, começamos a colocar tudo nos lugares que a Saudade reservou sem nos avisar. Com Núbia Marques, foi-se embora também o meu apelido de infância...

Texto e imagem reproduzidos do Facebook/Petrônio Gomes.

Postagem originária da página do Facebook/GrupoMTéSERGIPE, de 18 de maio de 2015.

Urubu Cidadão


Urubu cidadão.
Por Paulo Roberto Dantas Brandão.

No final da década de 60, Cosme Fonseca, que todos conheciam pelo apelido de Fateira, candidatou-se a vereador em Aracaju. Na falta de outro candidato pelo menos razoável, Cosme foi o Cacareco da vez. Elegeu-se como um dos mais votados. Na Câmara, revoltado com a prática de seus colegas que aprovavam a concessão de títulos de cidadão aracajuano a qualquer pessoa, resolveu reagir: Propôs oficialmente que fosse dado o título de cidadão aracajuano ao urubu. Em sua justificativa dizia que o urubu ajudava a manter limpa a cidade, ao comer as carniças que eram deixadas espalhadas em via pública. E concluía dizendo que o fato provava que o urubu teria feito muito mais por nossa cidade do que a maioria das outras personalidades a quem seus pares teriam concedido o título de cidadania. O título ao urubu não foi aprovado, mas Cosme foi notícia até no New York Times. Qual o outro sergipano que já conseguiu isso?

Texto e imagem reprodução: Facebook/Paulo Roberto Dantas Brandão.

Postagem originária da página do Facebook/GrupoMTéSERGIPE, de 18 de maio de 2015.

sexta-feira, 15 de maio de 2015

quinta-feira, 14 de maio de 2015

Curiosidades e engraçados acontecimentos da vida sergipana


Do livro de Murilo Mellins.
Por Luiz Eduardo Costa.

Curiosidades e engraçados acontecimentos da vida sergipana.

Do livro do memorialista Murilo Mellins, sobre curiosidades e engraçados acontecimentos da vida sergipana, extraímos o texto dos anos cinquenta que ele encontrou em um jornal, intitulado, Telegrama Curioso: ¨Os escribas que trabalham no gabinete do governador do Estado têm como uma das maiores preocupações, a descoberta de datas natalícias, a fim de telegrafarem em nome do senhor governador, dando parabéns.

Esta semana que findou, houve um fato bastante interessante. Passava pela Rua de Santo Amaro um desses escribas quando ouviu duas senhoras conversando. Uma delas disse: amanhã é aniversário de Lili. O escriba sem perda de tempo olhou inteligentemente para trás e anotou o número da casa.

No dia seguinte, Dona Nanoca, estava envolvida em seus inúmeros afazeres domésticos, quando chega à sua porta um estafeta que lhe anuncia: telegrama. Dona Nanoca, lenta e calmamente apanha os óculos, encrava-os ao rosto e vai ao encontro do funcionário letra ¨E ¨dos Correios e Telégrafos que lhe entrega um telegrama e um lápis. A ilustre matrona olha o telegrama e verifica que realmente era dirigido a Lili, e que o endereço era o da sua residência. Estranhou, mas não criou obstáculo. Recebeu a mensagem telegráfica, abriu, leu e gargalhou. Era um telegrama do austero governador do Estado parabenizando a linda gatinha de Dona Nanoca pela passagem do seu primeiro ano de existência.

E, o interessante é que no próximo ano, novamente Lili será parabenizada pela passagem do seu aniversário, vez que, seu nome, data natalícia e endereço ficaram cadastrados no gabinete do austero governador do Estado ¨.

Texto reproduzido do blog: acrisiosiqueira.com.br

Postagem originária da página do Facebook/GrupoMTéSERGIPE, de 12 de maio de 2015.

'Academia Sergipana de Letras' ganha novo imortal

Academia Sergipana de Letras' ganha novo imortal - Murillo Melins. 
Foto reproduzida do blog: fontesdahistoriadesergipe.blogspot

Postagem originária da página do Facebook/GrupoMTéSERGIPE, de 12 de maio de 2015.

Parabéns ao memorialista e imortal Murillo Melins.


Postagem originária da página do Facebook/GrupoMTéSERGIPE, de 12 de maio de 2015.