sábado, 13 de setembro de 2014

Homenagem a Fedro Portugal


Publicado originalmente no Facebook/Araripe Coutinho, em 11/09/2014.

Fedro Portugal.
Por Araripe Coutinho.

Fedro viveu a história de Sergipe como ninguém.
Fedro Portugal faz parte de uma linhagem de médicos que dignificam o Estado de Sergipe. É um homem que merece ser biografado. Dono de uma memória privilegiada, Fedro viveu a história de Sergipe como ninguém, tendo marcado época em tudo que participou com brilho intenso e presença rara. Na Universidade Federal de Sergipe e no Hospital Universitário, ultrapassou os limites do afeto e do respeito, sendo endeusado pelos alunos e colegas sempre com aquele jeito europeu de ser. Além de sua atuação acadêmica percorrendo os corredores das didáticas, Fedro solidificou-se mesmo como médico, atendendo em consultório pessoas da sociedade, anônimos e celebridades sociais, que logo viam nele um amigo, um mestre a cuidar das feridas do corpo e da alma também. Agradável ao extremo, refinado, Fedro sempre foi adepto de uma boa mesa, de um aconchegante hotel e de um vinho de rara safra. Elegante em seus ternos cortados pelo alfaiate Valdir, era íntimo de pessoas nobres e importantes, como o monsenhor Claudionor Fontes, que o fez fiel depositário de seus bens. Casado com a também médica Selma Portugal, uma joia rara de pessoa, vivem um amor eterno, de cumplicidade. Tem três filhos: Joana Angélica, Maria da Glória e Fedrinho, que ingressou no ramo da Gastronomia com o seu restaurante Baco.

Ninguém nunca viu Fedro gritando com ninguém, sempre cordato, altruísta e humano ao extremo. Faz a liturgia de médicos como Augusto Cesar Leite, José Augusto Barreto, Dietrich Wilhelm Todt, Maria Luiza Dórea, Antonio Garcia Filho, pai do poeta Eduardo Conde Garcia, José Calumby Filho, Hyder Gurgel, Amilton Maciel, Cleovansóstenes Pereira de Aguiar, José Abud, Petronio Gomes, José Fernandes de Magalhães, José Machado de Souza, José Rezende, José Teles de Mendonça, João Machado de Aguiar Melo, Marcos Almeida, Almir Santana, Lucio Prado, William Soares, Ilma Fontes, Marcelo Ribeiro, Gélio Albuquerque, Raimundo Sotero, Zairson Franco, José Maria Rodrigues e tantos outros nomes. Fedro é uma pessoa extraordinária, com gosto para Arquitetura (sua casa tem portão de Osiris Rocha, projeto de Paulo Rehm), louco por ópera e cinema, admirador dos artistas sergipanos, incentivador dos mesmos - comprando livros, quadros, peças de antiquário. Fedro toca piano e é um memorialista de sua terra, tendo vivido os tempos áureos do Cine Guarany, Vitória, Rio Branco e Cine Pálace, a sorveteria Yara, a Cascatinha, o Cacique Chá com painéis de Jenner Augusto, a Cinelândia de seu Araujo com seu sorvete de coco, e Russo e seu sanduíche inesquecível de queijo do reino e pão de cachorro-quente, a Luzitânia com seu bolinho de bacalhau incrível até hoje, e as festas de Natal na Praça da Catedral, com a pipoca lírio do vale. Como Fedro sempre foi um intelectual, frequentou a fase áurea da Livraria Regina, onde podia-se encontrar livros de várias nacionalidades: italianos, franceses, espanhóis, além dos nacionais, em diversas áreas do conhecimento.

Vários intelectuais tiveram livros impressos pela Regina, como Mário Cabral, Santo Souza, Alberto Carvalho, José Calazans, Pires Wynne, entre outros com quem mantinha amizade. A tarde de autógrafos desses lançamentos não só era um entretenimento da Rua João Pessoa, mas, sobretudo, um encontro de intelectuais. Fedro também sempre foi um apaixonado pelo Jornalismo e comprava todo final de semana os jornais do Sul: "O Globo", "Folha de S. Paulo" e "Estadão", dando sempre uma passada na Charutaria Chic, de Moacir. Católico, Fedro é um admirador de Dom Luciano Cabral Duarte, ouvindo a hora católica da Rádio Cultura, sempre aos domingos, ao meio-dia.

Nasceu em Aracaju, Sergipe, no dia 1° de julho de 1944, sendo seus pais o famoso Francisco Nascimento Portugal e Maria da Glória Menezes Portugal. Fez o curso de Humanidades em sua cidade natal, onde frequentou o Colégio Tobias Barreto, conceituado estabelecimento de ensino da capital sergipana. Em 1962, ingressou na Faculdade de Ciências Médicas da Universidade Federal de Sergipe. No curso de seu tirocínio acadêmico, lecionou Biologia no Colégio Estadual de Sergipe, no Colégio Tobias Barreto e no Colégio Arquidiocesano. Quando estudante de Medicina, foi um dos fundadores do curso BETA, destinado à preparação de alunos para o concurso vestibular. No último ano de seu tirocínio médico, estagiou no Hospital das Clínicas Prof. Edgard Santos, da UFBa, e no Instituto de Dermatologia, sob orientação do Prof. Newton Guimarães, em Salvador, Bahia. Concluído o estágio curricular, diplomou-se na primeira turma de Medicina da Universidade Federal de Sergipe, UFS.

Em 1972, prestou concurso para professor auxiliar de ensino da Faculdade de Ciências Médicas, iniciando, assim, sua carreira docente em sua universidade de origem. De 1976 a 1978, fez residência médica na Universidade Federal do Rio de Janeiro, UFRJ. Naquela ocasião, seu currículo profissional contava com 54 participações em congressos e 49 cursos de pós-graduação na área de Dermatologia, 34 participações como palestrante em eventos da especialidade, além de aprovação em concurso público para professor substituto de Dermatologia.

É membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia, do Colégio Íbero-Americano de Dermatologia, da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia, da Associação Brasileira de Hansenologia, da Sociedade Médica de Sergipe e da Academia Sergipana de Medicina. É fundador da Secção Regional da Bahia e de Sergipe da Sociedade Brasileira de Dermatologia. É detentor de diversos títulos e honrarias, tais como a de Honra ao Mérito da Sociedade de Cirurgia Plástica e de Queimados, da Sociedade Norte/Nordeste de Dermatologia e da Sociedade Brasileira de Dermatologia.

Como ser humano, Fedro Portugal nos enobrece pelos gestos comedidos, coração grande, percepção humana invejável. Continua atendendo humildemente em seu consultório, dando aula aos residentes do Hospital Universitário, ministrando palestras pelo mundo afora e, recentemente, quando se encontrou internado, os seus alunos deram plantão no hospital, além de ter visitado o poeta no HU com as suas lindas alunas o acompanhando. Fedro é como dizem os mais velhos: não existe. É um mito, uma lenda. Um Bagavadguitá. Uma canção de Deus. O texto, escrito em sânscrito, relata o diálogo de Krishna (uma das encarnações de Vixnu) com Arjuna (seu discípulo guerreiro) em pleno campo de batalha. Arjuna representa o papel de uma alma confusa sobre seu dever e recebe iluminação diretamente do Senhor Krishna, que o instrui na ciência da autorrealização. Seria assim a alma de Fedro Portugal. Um diamante raro, de cuidadosa lapidação própria, esculpido no mais nobre amálgama do tempo e da vida. É um luxo ser amigo de Fedro Portugal. Uma honra tal como o diamante Koh-i-noor, o Diamante dos Imperadores.

Gostaria de ter a capacidade de falar deste homem. Mas escassa é a palavra e inútil o significado diante do amor que sentimos por ele. Tantas vezes atendendo meu pai em seu consultório, sem lhe cobrar nada. Quanto a mim (ah!, meu Deus!), quantos anos! Sempre me honrando com palavras imerecidas de apoio, numa discrição e polidez únicas. Tal como um filme de Luchino Visconti com o sensível e refinado "Morte em Veneza" (1971), protagonizado por Dirk Bogarde e baseado na obra de Thomas Mann. O filme conta a história de Gustav Aschenbach, um compositor que vai passar férias em Veneza, e acaba por viver uma grande e inesperada paixão, que iniciaria a sua completa destruição. O filme faz uma abordagem do conceito filosófico de beleza, assim como a passagem do tempo e a importância da juventude nas nossas vidas. Assim, em meio a tantas paixões em sua vida: pelas artes, pela ciência e pelo ser humano, Fedro Portugal pode repetir com Drummond: “As coisas tangíveis tornam-se insensíveis à palma da mão.
Mas as coisas findas, muito mais que lindas, essas, ficarão”.

Foto e texto reproduzidos do Facebook/Araripe Coutinho.

Postagem originária da página do Facebook/MTéSERGIPE, de 12 de setembro de 2014.

quinta-feira, 11 de setembro de 2014

Pascoal Nabuco: Vistos, Etc.


Infonet - Blog Luíz A. Barreto - 24/12/2009.

Pascoal Nabuco: Vistos, Etc.
Por Luiz Antônio Barreto.

Poucos homens públicos sergipanos, nos últimos 50 anos de história, construíram um acervo crítico como o fez Manoel Pascoal Nabuco d’Ávila, desde que assumiu a Prefeitura Municipal de Estância, até aposentar-se como desembargador do Tribunal de Justiça do Estado. Homem de jornal, advogado, Promotor de Justiça, chefe do Ministério Público estadual, Secretário de Estado, por mais de uma vez, magistrado e presidente do Poder Judiciário, Pascoal Nabuco valeu-se das chances de exercer o Poder, para contribuir com o debate público, fortalecendo todas as vias de avanços para a sociedade sergipana. O fato de não pertencer a um partido, nem pretender disputar mandatos, singularizou o tipo de atuação política de Pascoal Nabuco como articulador, mediador de conflitos, intérprete de vozes importantes no cenário político sergipano. Os justos aplausos que recebeu foram sempre maiores que as reações, veladas, de que foi vítima. Pascoal Nabuco não alterou o seu papel nas diversas posições que ocupou, mostrando-se permanentemente capaz de ser um mestre do diálogo, numa terra onde nem sempre é o diálogo que prevalece.

Experiência singular como Prefeito de Estância, eleito pela legenda do Partido Trabalhista Brasileiro, deposto e preso em 1964, marcado pela intolerância nos quartéis por onde andou e cumpriu pena. O contato direto com os munícipes e a consciência ideológica que movia seu engajamento nas causas nacionais mais justas, ao lado das suas realizações administrativas, superaram o transe da deposição e do isolamento. A formação jurídica, sempre aperfeiçoada, supriu as aspirações da sobrevivência, abrindo caminho para a construção de uma biografia densa, lúcida, respeitável, sem necessariamente tentar recuperar o mandato perdido.

O nome de Pascoal Nabuco está associado a diversas iniciativas que modernizaram a administração pública, notadamente pelos serviços prestados ao Ministério Público, conforme se pode observar, comparativamente, com a leitura da Constituição estadual de 1989, ao Governo do Estado, e ao Tribunal de Justiça, num exercício inalienável de cidadania, atestado de uma vida vocacionada e exercida coerentemente. A presença de Pascoal Nabuco no Poder Judiciário de Sergipe é um capítulo que complementa a sua ação no Governo. Não será preciso citar todos os melhoramentos, mas destacar apenas duas de suas obras relevantes: a restauração do velho prédio do Tribunal de Relação, um dos mais antigos monumentos de Aracaju, construído em 1894, dando-lhe o nome de Palácio Silvio Romero e instalando em suas dependências o Memorial do Poder Judiciário de Sergipe, ao lado da construção do prédio do Arquivo Judiciário de Sergipe, projetado para servir por anos e décadas como repositório documental da Justiça sergipana.

Vistos etc. é mais que um título alegórico de um escritor, é um testemunho sob a múltipla ótica de quem conheceu o judiciário sergipano como réu, como advogado, promotor de justiça, juiz e presidente do Poder Judiciário e é, também, um capítulo da história do judiciário sergipano, cobrindo trinta anos de experiência pessoal. O novo livro de Pascoal Nabuco desdobra a sua visão, exposta em Tributo à cidadania (Aracaju: Gráfica Editora J. Andrade, 2006), ampliando o registro dos fatos que marcaram, de 1978 a 2008, a história do Poder Judiciário em Sergipe.

Ao lado das conquistas e avanços administrativos, das construções e instalações, do aparelhamento do judiciário e da visível ampliação e melhoria na prestação jurisdicional, fixando ações de cada período das Mesas dirigentes, Pascoal Nabuco anota fatos pitorescos, que ocorreram ad latere da história, o que torna o livro um documentário preciso e agradável, como um sincero testemunho, da maior utilidade como referência a servir à compreensão correta dos fatos do cotidiano do judiciário sergipano. O escritor não esgotou o acervo que tem reunido nos anos de trabalho, o que, certamente, garante outras obras interpretativas e reveladoras.

Lançado perante grande público, o novo livro de Pascoal Nabuco Vistos etc circula nas mãos dos leitores, realçando a contribuição de homens e mulheres que presidiram o Poder Judiciário estadual e deram o exemplo administrativo responsável, ampliando as condições e melhorando o atendimento público da Justiça.

Texto reproduzido do site: infonet.com.br/luisantoniobarreto

Foto 1 - Portal Infonet
Foto 2 - site: tjse.jus.br

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Dom Távora - O bispo dos operários.


Infonet - Blog Luíz A. Barreto - 27/11/2008.

Dom Távora - O bispo dos operários.
Por Luiz Antônio Barreto.

O padre Isaias Nascimento, sergipano de Riachão do Dantas, conhecido em todo o sertão do baixo rio São Francisco pela sua atuação solidária com trabalhadores e populações marginalizadas, sendo um descendente direto da ação da Diocese de Propriá, na quadra de tempo dirigida por Dom José Brandão de Castro e agora retomada por Dom Mário Rino Sivieri, é autor do livro Dom Távora o bispo dos operários (São Paulo: Paulinas, 2008), uma correta e justa biografia, que recompõe, para a história política, religiosa e cultural de Sergipe a presença, entre 1957 e 1970, de Dom José Vicente Távora, como bispo e arcebispo de Aracaju.

Foi Dom Távora, com sua experiência de Bispo Auxiliar do Rio de Janeiro, quem deu vida à Província Eclesiástica de Sergipe, criada em 1960, que na prática transformou a Diocese de Aracaju em Arquidiocese, e criou duas Dioceses no interior, uma em Estância, confiada a Dom José Bezerra Coutinho (nascido no ceará em 7 de fevereiro de 1910 e falecido em 7 de novembro de 2008, em Fortaleza) e outra em Propriá, que trouxe a Sergipe o redentorista mineiro Dom José Brandão de Castro, também já falecido.

Os três bispos, três José, deram à Igreja em Sergipe uma contribuição que ainda não foi devidamente estudada, em toda a sua extensão e grandeza.

Situados em suas Dioceses e responsabilidades, cada bispo com suas virtudes e qualidades no contato com a realidade do povo, cumpriu com fidelidade o papel que a hierarquia do Catolicismo recomendava. Em Aracaju, Dom Távora tinha a imensa responsabilidade de substituir a um bispo que realizou muitas obras importantes, Dom Fernando Gomes dos Santos, que era substituto do venerando Dom José Tomás, que implantou a Diocese, criou o Seminário Sagrado Coração de Jesús e que teve longa e profícua presença entre os sergipanos. Preparado, experiente, Dom Távora exerceu, com visão de estadista da Igreja, um papel renovador, que o padre Isaias Nascimento destaca, com muita justiça, no seu livro biográfico. Mais do que avanços, Dom Távora deu exemplo de atitudes, gestos que marcaram as relações, muitas vezes tensas, entre o Arcebispo e o Poder sob a tutela militar deste 1964. Digno na sua autoridade, responsável em seu governo, progressista na sua visão do mundo, Dom Távora honrou o clero, resistindo até a morte ao patrulhamento e constrangimentos impostos pelos tempos duros do regime militar.

Dom Coutinho teve um bispado mais tranqüilo, abarcando uma região onde os conflitos de terra eram raros e a distribuição da riqueza era menos concentrada. Dom Brandão, contudo, enfrentou um gueto de miséria, com poucos muito ricos e uma multidão de famintos, que precisam ser assistidos, antes que a adversidade e a injustiça os fizessem debandar do rebanho de Deus. A ação política de Dom Brandão libertou do obscurantismo as populações sanfranciscanas de Sergipe, que passaram a conquistar direitos com os quais sempre sonharam. Acostumado a pregação, nas Santas Missões de Minas Gerais e da Bahia, Dom Brandão fez do jornal da Diocese – A Defesa – porta-voz das comunidades, na luta contra a política dos mesmos chefes e seus prepostos. Tornou membro da Academia Sergipana de Letras e foi, até resignar-se e voltar a Minas Gerais, um sergipanizado com uma folha de serviços notáveis e inesquecíveis.

Padre Isaias Nascimento trata de Dom José Vicente Távora, da sua chegada a Sergipe, como Bispo de Aracaju, sua promoção a Arcebispo, capitulando as ações pastorais que marcaram o arcebispado, em capítulos elucidativos, assim definidos: Dom José Vicente Távora, Bispo de Aracaju, cobrindo 13 anos de intensa atividade, A criação da Província Eclesiástica de Aracaju; A participação de Dom Távora no Concílio Vaticano II; Reações da Igreja contra a fome e a miséria em Sergipe, arrolando uma prática de grande apelo e repercussão social; Dom Távora e a noite escura de 1964; e Abril de 1970, data da morte do eminente prelado, vitimado pelas pressões que rebentaram seu coração doce de homem bom e justo.

O livro tem, ainda, informações sobre as Paróquias criadas, os padres ordenados por Dom Távora e, ainda, sua Primeira Mensagem Pastoral.

Padre Isaias Nascimento dá uma lição de como se pode e se deve escrever uma biografia, com seu contexto, dando à historiografia de Sergipe uma contribuição singular, tanto pela justeza e oportunidade de fazer o resgate de uma vida, como se colocar os fatos na ordem seqüencial de suas importâncias, situando um contexto que interessa a todos conhecê-lo. O livro não encerra tudo o que diz respeito a Dom Távora, mas permite um contato significativo das novas gerações com a obra pastoral do Bispo e Arcebispo de Aracaju, que morreu há 38 anos, mas que ficou na memória de todos os do seu tempo, pela lucidez, pela coragem, pelo destemor, pela responsabilidade e pelos serviços que prestou a Sergipe, através do Movimento de Educação de Base - MEB, da Rádio Cultura, do jornal A Cruzada, de obras criadas e mantidas pela Diocese/Arquidiocese, e principalmente pelas lições cívicas que honraram a história eclesiástica sergipana.

Fiel aos fatos, criterioso no uso das fontes, elegante no texto, padre Isaias Nascimento expõe, nas 254 páginas do seu livro, um retrato muito bem feito do seu biografado, adornando-o de tudo aquilo que colheu, nas pesquisas, sobre aqueles tempos difíceis de luta e resistência, no qual aflora com grandeza o vulto de Dom José Vicente Távora, sublinhado com o título de O Bispo dos Operários.
As Dioceses de Estância e Propriá e a Arquidiocese de Aracaju devem espalhar pelas mãos dos católicos de Sergipe, de todas as idades, o livro do padre Isaias Nascimento com a bela biografia de Dom José Vicente Távora.

Foto e texto reproduzidos do site: infonet.com.br/luisantoniobarreto

Postagem originária da página do facebook/MTéSERGIPE, de 10 de setembro de 2014.

Sergipe como pátria de filósofos


Infonet - Blog Luíz A. Barreto - 06/09/2006.

Sergipe como pátria de filósofos.
Por Luiz Antônio Barreto.

O século XIX deu a Sergipe a fama de Pátria dos Filósofos, graças ao grande número de sergipanos dedicados à reflexão, em vários campos do conhecimento. A filosofia não se limita aos cânones dos sistemas, nem a uma nomeclatura hermética, própria dos iniciados. Os críticos, nas suas exegeses, são filósofos, esclarecem os fatos, examinam conceitos, formulam teorias, levam adiante o pensamento.

Na segunda metade dos oitocentos, quando Tobias Barreto desembarca no Recife para cursar direito, o pensamento dominante é o Ecletismo, oriundo da França, difundido em Pernambuco por Antonio Pedro de Figueiredo, com sua Revista O Progresso. Ainda nos anos de 1860 surgem os pequenos jornais – Conciência Livre, O Vulcão dentre outros -, alvoroçando a meninada concentrada na Faculdade de Direito do Recife, proveniente de todo o norte (então uma região única com o nordeste), divulgando o Positivismo de Augusto Comte, e com ele os novos ensaios da ciência, reescrevendo a história humana. Vários sergipanos estavam lá, naquela ruptura inaugural que iria, mais tarde, no dizer de Graça Aranha, “emancipar intelectualmente o Brasil.” Além de Tobias Barreto foram chegando Ovídio Malaia, Silvio Romero, Martinho Garcez, Justiniano de Melo e Silva, José Jorge de Siqueira Filho, Fausto Cardoso, Gumercindo Bessa, Manoel dos Passos de Oliveira Teles, Joaquim do Prado Sampaio, e muitos outros que abraçaram a evolução mental que se desenvolvia ali. Outros preferiram seguir o pensamento dominante, sem qualquer renovação, como foi o caso de Coelho e Campos, Pelino Nobre, Guilherme de Souza Campos. Os dois grupos terminaram, de volta a Sergipe, envolvidos nos embates ideológicos liderados por Fausto Cardoso e Olímpio Campos, que neste ano completam 100 anos, marcando com a tarja da dor e da morte as duas figuras sergipanas.

Enquanto Pernambuco formava os bacharéis, a Bahia formava os médicos. A Faculdade de Medicina da Bahia não estava aberta aos novos tempos da filosofia, como se percebe no caso da reprovação de Domingos Guedes Cabral, em 1875, com sua tese sobre as funções do cérebro. O jovem médico baiano mudou para Sergipe, alojou-se em Laranjeiras, onde clinicou e exerceu uma cidadania autônoma, como livre pensador, abrindo as portas para que a cidade recebesse a missão evangelizadora dos Estados Unidos, que fundou a primeira igreja presbiteriana, em 1884, e os jovens republicanos, entrincheirados nos jornais O Horizonte, O Laranjeirense, O Republicano, pontificando Felisbelo Freire, também médico, também clínico em Laranjeiras. A geração dos médicos inclui nomes como Rodrigues Dória, Olinto Dantas, Ascendino Reis, Dias de Barros, Abreu Fialho, dentre outros.

Há um terceiro grupo, de formação militar, alguns engenheiros, outros matemáticos, que deram ao Brasil contribuição notável. Oliveira Valadão, Ivo do Prado, Siqueira Menezes, Pereira Lobo, Moreira Guimarães, são alguns dos que alcançaram as mais altas patentes do Exército brasileiro e emprestaram seu patriotismo ao serviço de causas honrosas, formando ao lado dos bacharéis e dos médicos uma elite intelectual da mais alta competência.

José Maria Moreira Magalhães, nascido em Laranjeiras em 1864, general e filósofo, foi engenheiro militar, bacharel em matemática, ciências físicas e naturais, tendo estudado até o 5º ano do curso médico, no Rio de Janeiro. Depois de destacar-se como intelectual e pensador, ingressando em várias entidades nacionais, o general Moreira Magalhães cumpriu uma biografia brilhante, até morrer, em 1940, festejado pelo justo reconhecimento de seu valor.

O historiador Pedrinho dos Santos, pesquisador e intérprete da história de Sergipe, dedicou-se a biografar o velho general de Laranjeiras, publicando Moreira Guimarães, um sergipano filósofo do Brasil (Aracaju: edição do autor, 1996), livro de bela feitura, que restaura a figura do grande soldado patrício e realça a contribuição de Pedrinho dos Santos à historiografia sergipana.

Foto e texto reproduzidos do site: infonet.com.br/luisantoniobarreto

Postagem originária da página do Facebook/MTéSERGIPE, de 10 de setembro de 2014.

José Augusto Garcez recepciona comitiva de Câmara Cascudo

José Augusto Garcez recepciona comitiva de Câmara Cascudo em São Cristóvão.
 Da esquerda p/ direita: não identificado, Augusto César Leite, Leonardo Lima,
 Freire Ribeiro, Frei André Müller, Câmara Cascudo e José Augusto Garcez.
Foto: Walmir/Acervo: MHS/Secult.
Reproduzida do blog: museuhsergipe.blogspot.com.br

Postagem originária da página do Facebook/MTéSERGIPE, de 10 de setembro de 2014.

Ancelmo Góis: saudades de Frei Paulo *

Conheça um pouco mais da história do filho de Frei Paulo/SE.,
o jornalista e colunista de O Globo, Ancelmo Góis.
Recorte de Jornal reproduzido do blog: rodrigocoimbra.wordpress.com

* Clique na foto para aumentar.

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terça-feira, 9 de setembro de 2014

Eugênio: um alfaiate que marcou época em Sergipe

Imagem simplesmente ilustrativa. Reproduzida do blog escolademodalacorte.wordpress.com

Publicado originalmente no site de Osmário, em 04/10/2012.

Eugênio: um alfaiate que marcou época em Sergipe
Por Osmário Santos.

O pai emplacou seu nome na história da cidade de Capela na condição de alfaiate de fama em toda a região diante do seu impecável corte na confecção de ternos. Ele era um nome respeitado. “Como alfaiate eu não sou nem o rastro de meu pai”. Dele o filho tem a profissão de alfaiate e aplica em sua vida todos seus exemplos de homem correto, cumpridor de seus deveres. “Eu sempre trilhei os passos de meu pai”.

Revela que antes de ser alfaiate seu pai era proprietário do Grau Cinema, na cidade de Capela. “Ele chegou a assistir a um filme junto com Lampião, seu bando e outras pessoas da cidade. Na época, o cinema era mudo e no cinema do meu pai uma orquestra fazia a trilha sonora do filme. Meu pai participava dessa orquestra e tocava bombardino. Na primeira vez em que Lampião entrou em Capela ele foi tratado muito bem. Na segunda foi recebido a bala. Lampião chegou a comentar que em Capela o pessoal atirava até na torre da igreja. Tudo isso meu pai me contou. Eu nasci em 34 e essa história de Lampião, se não me engano, aconteceu em 1933”.

Da sua querida mãe Letícia, mãe de 13 filhos, tem o amor e dedicação à família. Com sete anos de idade Eugênio começa os estudos no Grupo Coelho Campos, na cidade de Capela. Não esquece da primeira professora: Esmeralda Menezes. “Ela era competente e queridíssima. Era chamada de professora Zu e foi a minha base nos estudos. Eu fiz um primário perfeito e não tive dificuldade nenhuma de ingressar na antiga Escola Industrial em Aracaju, hoje conhecida por todos como Escola Técnica”.

De sua infância, muitas brincadeiras e estudos até os nove anos de idade. Conta que gostava de jogar uma bolinha e tinha tempo para o trabalho pela vontade que teve de ajudar seu pai, que tinha um sítio um pouco afastado da cidade. “Ao me acordar de manhã cedo ia juntar a vaca para tirar o leite. No final de semana ia juntar olho de cana nos canaviais para dar comida aos animais, a exemplo do canavial da usina Proveito. Não ganhava dinheiro mas ajudava o meu pai”.

Para dar continuidade aos estudos, garantindo um futuro melhor para Eugênio e Robson, seus pai traz para Aracaju os dois filhos e os coloca na casa da avó. “Ficamos com a nossa avó pelo tempo de quatro meses, diante sua mudança para a cidade do Rio de Janeiro.

Numa vila na rua Riachão com Laranjeiras e Propriá, alugamos um pequeno quarto. Ele com 12 anos e eu com 13 anos.Tínhamos duas camas de vento; uma de um lado e a outra do outro. “Cama de vento é aquela que você fecha e proporciona espaço no quarto” (risos).

Relata que começou a trabalhar na profissão de alfaiate com o seu pai em sua terra, Capela. Contava com 12 anos de idade e já começava a cortar os tecidos para a confecção das roupas. E não ficava só nisso: já começava a costurar. “Riscava, cortava e já fazia calça, mas vim me aperfeiçoar em Aracaju, quando passei a estudar o curso técnico de alfaiate na Escola Industrial”.

Texto reproduzido do site: osmario.com.br

Postagem originária da página do Facebook/MTéSERGIPE, de 8 de setembro de 2014.

Luís Rabelo Leite


Publicado originalmente no site Osmário Santos, em 15/01/2002.

Luís Rabelo Leite
Por Osmário Santos.

Luís Rabelo nasceu a 27 de abril de 1926 em Propriá, Sergipe. Seus pais: Moacir Rabelo Leite e Adalgisa Rabelo Leite.

Aprendeu a retidão do pai, um médico que viveu em Propriá para servir aos outros. ‘Moacir Leite, meu pai, marcou a nossa vida pela sua presença de fogo, pela sua voz de profeta, pelos seus olhos claros de esperança, pela sua inteligência magnífica, pela sua amizade leal e franca”. De sua mãe, herdou toda bondade de uma vida levada em simplicidade, sempre acolhendo todos.
De Propriá, terra natal tão amada e de momentos inesquecíveis, não esquece sua gente em sua maneira simples de viver e conviver.

Gente pobre, lutadora, sonhadora. Propriá do Rio São Francisco, tão especial para mim. Esse rio marca a vida da gente e todo mundo fala dele. Castro Alves dizia: ‘Oh! rio soberbo! Tuas águas turvas, por isso, descem lentas, peregrinas’. Freira Ribeiro escreveu: ‘Com o São Francisco, aprendemos a ser peregrinos e caminheiros. Peregrino da fé pelo acreditar e caminheiro com bem querer pelo viver na busca de amigos, que são irmãos escolhidos pelo coração’.

Calças curtas, saía pelas ruas de Propriá a brincar. Recordações dos primeiros brinquedos, das primeiras mestras, primeiros passeios.

As pessoas com quem a gente vai marcando amizade e continua tempo afora. Amizade é difícil no tempo de hoje, porque o mundo é tão rápido, tão ligeiro, que a gente não se encontra com amigo. O amigo não é aquele que dá o lenço para enxugar as lágrimas, é aquele que evita que você chore. É portanto, desses amigos, que, como um caleidoscópio, a imaginação da gente vai vendo que já se foram, que aquelas amizades já morreram, aquelas amizades já passaram no tempo, porque já prestaram conta a Deus, tantas pessoas. Em Propriá, no começo, não havia esta ponte que acabou com a terra do Propriá. Quantas pessoas lá marcaram presença... Dr. Carlos Melo foi prefeito, Dr. Fernando Porto foi prefeito de Propriá, terra de uma igreja que aprendi a querer bem e a amar. A igreja de Dom Antônio Cabral, do padre Lada pelas lições de catecismo. Terra onde fiz minha primeira comunhão na Igreja do Rosário, quando aprendi a minha fé, lavada sempre pelas águas do São Francisco.

Menino que conheceu os livros através dos ensinamentos da professora Elze Barreto, professora Rosinha Pinheiro e da professora Didi, estudando no Colégio Sagrado Coração de Jesus até o terceiro ano primário. Em 1937, o pai passou a ser gerente do Banco Mercantil Sergipense em Aracaju. Deixou a Medicina e trouxe toda família para a capital de Sergipe.

Um outro tempo escolar vivido com os Salesianos de Dom Bosco, onde os professores, em sua maioria, eram padres. “No meu tempo, só tinha dois professores de fora: professor Alcebíades Vilas Boas e professor Teles de Oliveira”.

No Colégio Salesiano, jogava futebol, indo até a frente da área fazer gols e muitos gols nas horas de recreação.

Tinha padre Paulo, que era o dono do Riachão aqui, época em que juntou bons jogadores. A sua estrela, como é hoje o Pelé, era Cacetão, grande jogador, de alta classe. Era chamado de Cacetão pelo tiro que ele tinha. Eu não era muito bom de bola, mas dava para ir levando, jogando na ponta direita. Era ruim, não dei muito para o futebol. Era torcedor do Flamengo do Rio de Janeiro, desde a época do Salesiano e, em Aracaju, sempre pelo azul, pelo Palestra.

Não sendo um menino tímido, sua voz ia longe nos corredores do colégio. “O povo acha gozado esta minha fala alta, que é própria de quem tem um microfone bom, interno, que não precisa de nenhum aparelho eletrônico”.

No Salesiano, como mérito escolar, algumas medalhas de ouro. Um curso ginasial bem feito, e uma boa base para ingressar no curso científico do Atheneu Sergipense, já que sonhava ser engenheiro. Matriculado, estudou com os grandes mestres de uma época gloriosa do colégio.

O Atheneu era uma academia. A gente pode fazer uma comparação, com o devido respeito. Hoje, se você quiser ter faculdade, tem de ter o mestrado. A faculdade, antigamente, era o antigo curso ginasial e científico. Quer dizer, fizeram um mal tão terrível à educação brasileira que a gente fica triste. No meu tempo de aluno do Atheneu, havia professores da mais alta linhagem, como: Dom Avelar, Dom Mário e Ofenísia Freire, todos ensinando português, o professor Artur Fortes, o professor Abdias e o professor Bragança. Gente que poderia ser professor da faculdade, gente que sabia, como Dr. Manoel Cabral . Eu ainda fui aluno dele na Escola de Comércio.
Estudou o curso científico à tarde e, à noite, o curso de contabilidade na Escola de Comércio Conselheiro Orlando. Gostava de fazer contabilidade, tendo algumas escritas para firmas do comércio de Aracaju.

Trabalhava com Genésio Borges, um velho contador que morava em Propriá, vindo depois montar seu escritório em Aracaju. Ia fazer a escrita, numa maneira de aprender Contabilidade e de receber uma graninha. Mas é bom frisar que eu ia lá mais aprender do que receber.

Aos domingos, futebol e cinema. “Não gostava muito de paquerar, gostava mais de ler. A paqueração minha era nos livros. Tive poucas namoradas”. Sempre religioso, integrou-se à Ação Católica no grupo JEC (Juventude Estudantil Católica).

Concluindo o curso científico, partiu para Salvador a fim de tentar vestibular para ingressar na Faculdade Politécnica. Fez vestibular duas vezes, mas somente na terceira tentativa conseguiu aprovação. Em 1949, achou que não dava para prosseguir, por algumas matemáticas. Decisão tomada, abandonou o curso e resolveu fazer vestibular para Faculdade de Direito da Bahia. Foi aprovado de primeira e com boas notas.

Procurou se integrar nos movimentos religiosos estudantis, conseguindo, em pouco tempo, conquistar o cargo de presidente da Juventude Universitária Católica de Salvador. Como sempre foi bem comportado, nas pensões em que passou, deixava a marca da boa amizade. Morou na Pensão Direita da Piedade e terminou o curso na pensão do padre Torran. “Era um padre jesuíta que reunia as pessoas ligadas ao catolicismo e tinha uma pensão interessante lá na Vitória”.

Sempre firme em sua fé, ligou-se, em Salvador, aos Franciscanos, através do Frei Edgar, que tinha sido superior em Aracaju quando Luís o conheceu. O frei era o diretor da Livraria Mensageiro da Fé e dava para Rabelo livros para ele fazer revisões. “O primeiro livro em que trabalhei como revisor foi “A Grande Esperança” de autoria de Dom Alfredo Pepe, hoje, bispo de Ilhéus”. Dos franciscanos, passou a ter uma ligação com o Mosteiro de São Bento.

Ali fiz o meu mundo. Via uma vida de caridade muito grande entre eles, vida de integração e compreensão. Me dava uma alívio ao coração quando estava lá. Estava nos passos para ser monge beneditino, proposta de mudança de vida levada com seriedade.

Em 1952, o amigo e parente Armando Rollemberg conseguiu, junto ao governador Arnaldo Garcez, o cargo de promotor público substituto da Comarca de Japaratuba. Continuou os estudos em Salvador, pois já estava no final do curso e trabalhava em Japaratuba, já usando o trem para o ping-pong das constantes viagens. Passava mais tempo aqui do que em Salvador e, nisso, contou com a ajuda da colega Maria de Lourdes Santos, que lhe mandava notícias e dizia os dias das provas. Em 09 de dezembro de 1954, recebeu o diploma e veio, definitivamente, para Sergipe. Havendo um concurso para o Ministério Público disponibilizando quatro vagas para quatro cidades, inclusive Japaratuba, se inscreveu e passou em primeiro lugar. Pelas suas ligações com o Partido Republicano do seu amigo Armando Rollemberg, sofreu perseguição política com anulação do concurso. Era o primeiro concurso do Ministério Público, e Luís ganhou, mas não levou, sendo forçado a recorrer, ganhando causa, retornando a Japaratuba por força judiciária.

No período em que ficou afastado do Ministério Público, conseguiu, através do Arcebispo Dom José Vicente Távora, o cargo de diretor do Posto de Migração e Colonização do INIC (hoje, o INCRA).
O trabalho era de cunho social e muito fantástico. O posto era na estrada de ferro. O trem vinha com os imigrantes desde o Ceará para irem ao Sul. A gente conseguia um café, uma dormida e, no dia seguinte, eles iam embora. Aprendi a ver o problema do social.

No Partido Republicano, foi eleito secretário do Diretório Regional. Candidatou-se a deputado estadual, mas não foi bom de urna. No tempo em que aguardava julgamento do recurso ao Supremo da Promotoria de Japaratuba, período de quatro anos, exerceu as funções de diretor de Educação e Cultura do Município de Aracaju, secretário particular do prefeito Roosewelt e professor da Faculdade de Serviço Social. Passou seis meses sem receber dinheiro, mas, ensinava por realização profissional.
No governo Seixas Dórea, recebeu o convite para assumir a Secretaria de Educação e Cultura do Estado. Esta indicação não foi por indicação do Partido Republicano. “Primeiro, Seixas Dórea era de Propriá. Segundo, o candidato do PR era José Carlos de Souza, e Seixas me chamou e disse: ‘Eu quero é você’. Depois o PR disse que foi ele, mas..”.

Na Secretaria, diz que fez duas coisas fantásticas. A primeira dividiu o Atheneu.

O Atheneu era só ali. Eu fiz um núcleo do Atheneu no Bairro Siqueira Campos, e o outro, no Bairro Industrial. Outra idéia também fantástica, no meu entender, foi dividir o curso na área urbana e na área rural, porque, na área rural o problema se concentrava no período do inverno, das chuvas. As férias passaram para o período das chuvas, e isso não houve em lugar nenhum do mundo. Fui elogiado até na ONU como o primeiro caso do mundo em que houve essa divisão. No ano seguinte, veio a revolução. Fui preso, tendo passado somente um ano na Educação. Há uma entrevista de José Rosa, já falecido, dizendo que a Educação em Sergipe foi antes de Luís Rabelo e depois de Luís Rabelo. Porque eu fiz, em um ano, o que os outros não fizeram em 200, segundo Francisco. Constituí e ampliei escolas em todo o Estado, uma série de outras coisas e trouxe Paulo Freire, quando instalamos o Movimento de Educação de Base, que levava a educação para a pessoa dentro de sua realidade.

Rabelo foi preso em 1964, em plena rua João Pessoa, passando no 28º BC 11 dias.

Passei São João e São Pedro e fui solto no dia 11 de julho. Na prisão, escrevi para os meus filhos uma carta-protesto, contra o modo como fui preso. Eis alguns trechos: ‘Sou católico, apostólico, romano por convicção e me honra sê-lo. Nunca preguei o ódio ou a luta de classes. Sempre preguei a doutrina social da igreja. Lutei pela Justiça, pela verdade e pela dignidade humana. Lutei pelas reformas estruturais cristãs’. Concluí: ‘Não basta reconhecer tudo o que está atrasado na comunidade, é urgente fazer alguma coisa; não basta medir espaço da opressão, da mentira da iniquidade, da injustiça, é preciso agir para que seja dado aos oprimidos injustiçados a verdade, a liberdade, a justiça’. Terminei com o salmista: ‘Amei a Justiça, odiei a Iniquidade’.

Conta o que aprendeu na prisão. “O convívio humano. A gente vê as pessoas, o que elas são de verdade. Lá, pessoas que se diziam amigas da gente, deduravam-nos, dizendo que fez isso e aquilo. Aprendi que valeu a pena”.

Saindo da prisão, voltou para a vida de promotor em Japaratuba. Na oportunidade em que surgiu a vaga constitucionalmente destinada ao Ministério Público, seu nome foi incluído numa lista de três pelo Tribunal de Justiça para nomeação pelo governo do Estado. Perseguição de todos os lados, pelo fato de ter sido preso pelo Golpe de 64.

Lourival teve papel saliente junto com Figueiredo a meu favor. Havia um abaixo-assinado. Coube ao governador José Rollemberg Leite a responsabilidade da minha nomeação para ser desembargador do Tribunal de Justiça. Depois da nomeação, o governador passou a receber pressão para voltar atrás. ‘Está nomeado, está nomeado’.

Presidente do Tribunal de Justiça em 1983/1984, foi responsável pela introdução da informática no Tribunal. “Trouxe para aqui a primeira ligação do terminal do Senado”.

Nas festinhas de Natal de Aracaju do passado, conheceu sua esposa, Teresa Maria Sobral Leite. “Nós conversamos e saiu o casamento”. Foi celebrado por Dom Fernando Gomes em 2 de julho de 1956. Do casamento, quatro filhos e nenhum neto. “Graças a Deus, porque não quero dormir com a avó”.

Texto reproduzido do site: osmario.com.br
Foto reproduzida do site: tjse.jus.br

Postagem originária da página do Facebook/MTéSERGIPE, de 8 de setembro de 2014.

sexta-feira, 5 de setembro de 2014

Homenagem a Empresa S. do Bomfim, neste momento difícil.




Infonet - Blog Luíz A. Barreto - 26/02/2010.

50 Anos da Empresa Senhor do Bomfim.
Por Luiz Antônio Barreto.

Um relance do olhar em busca do passado fará erguer um totem de homenagens a figuras de empresários, com suas projeções, mas sem a garantia de que os seus empreendimentos sobreviveram em Sergipe.

Poucas empresas sergipanas dobraram 50 anos de existência, evoluindo, crescendo, procurando adaptar-se às exigências do tempo. Um relance do olhar em busca do passado fará erguer um totem de homenagens a figuras de empresários, com suas projeções, mas sem a garantia de que os seus empreendimentos sobreviveram em Sergipe. Os fundadores e administradores de A. Fonseca, Sabino Ribeiro, Bastos Coelho, José Alcides Leite, e centenas de empresários e empresas, desde os usineiros, beneficiadores de algodão, modernizadores do comércio, que fizeram a riqueza do Estado e a prosperidade do povo sergipano, são boas e exemplares evocações.

Os exemplos mais novos, dos irmãos Paes Mendonça e de João Carlos Paes Mendonça, Augusto do Prado Franco e seus filhos, de Oviêdo Teixeira e seus filhos, de Gentil Barbosa e de Noel Barbosa, de José Silva, João Alves, o pai e o Filho, e mais recentemente José Augusto Vieira, demonstram uma espécie de seletividade de capitais e investimentos, em parte decorrentes do potencial que a classe média sergipana tem acumulado como consumidora, com quantias generosas, mensais, para gastar. Inclui-se, nesse contexto, a presença da PETROBRÁS e de outros grandes agentes do processo do desenvolvimento, que oferecem garantia ao desempenho da classe média pujante e bem disposta.

No setor dos transportes a Empresa Senhor do Bomfim é o melhor exemplo e José Lauro Menezes Silva o melhor testemunho de trabalho. Tudo começou há 50 anos, quando Oviêdo Teixeira, pai de Gilza e sogro de José Lauro, teve a idéia de comprar três velhas marinetes (nome que era dado aos ônibus com bagageiro na parte superior externa) de propriedade de Marinho Tavares. Oviêdo Teixeira queria que a filha casada permanecesse em Aracaju, deixando de morar no município de Riachão do Dantas, na Fazenda Maxixe, de propriedade de Zeca Barbosa, pai de José Lauro. O negócio foi feito e de criador de gado José Lauro Menezes Silva, nascido em Lagarto, passou a organizar uma empresa – Firma Individual – para tocar a nova atividade: nascia a moderna Empresa Senhor do Bomfim, no dia 24 de fevereiro de 1960.

José Lauro Menezes Silva assumiu a empresa com a garra de quem tinha uma meta determinada, um objetivo seguro, uma disposição férrea para levar adiante um dos mais requeridos e, naquele tempo, complicados serviços. Sergipe e principalmente Aracaju guardavam memória dos vários tipos de transporte que serviram à população: barcos com viagens pelo rio Sergipe, atendendo aos portos de Laranjeiras, Maroim, Riachuelo, Santo Amaro das Brotas, secundados por Saveiros, que transportavam açúcar e outras mercadorias, e conduzia passageiros; bondes, à tração animal; trens, unindo Bahia e Sergipe e cortando Sergipe, do sul ao norte, com seus trilhos cortando as cidades, ao longo da rota. Dois trens Suburbanos ligavam Salgado e Capela a Aracaju, o que incluía passageiros de várias estações. Depois surgiram as marinetes, os bondes elétricos, os caminhões “pau de arara” que transportavam feirantes e outros viajantes, os carros de praça (táxis), os aviões, que desciam no leito do rio Sergipe e, mais tarde, pousavam no Campo de Aviação do Aero Clube de Sergipe. Por último surgiu o veículo utilitário Kombi, transportando passageiros entre o centro e os bairros da capital.

Foi diante de um quadro degradado dos transportes públicos, que José Lauro Menezes Silva preparou a Empresa Senhor do Bomfim para modernizar os serviços de transportes de passageiros, entre Aracaju e algumas cidades do interior, Aracaju e Salvador e outros destinos fora do Estado, até que em 1969 o então Prefeito José Aloísio de Campos abriu procedimento legal para exploração das linhas de transporte entre o centro de Aracaju e os bairros. Com a experiência do transporte intermunicipal e interestadual, a Bomfim ganhou a concorrência e deu início a uma nova era, comprando ônibus novos, confortáveis e seguros, superando o atraso que, por quase um século, marcou o serviço de transporte de passageiros em Sergipe.

Em 50 anos a Empresa Senhor do Bomfim multiplicou seus serviços, suas linhas, seus ônibus, tornando-se uma grande empresa, viajando em sete Estados, atendendo a diversos municípios do interior sergipano, com presença em Salvador, através da Barramar, e com serviços de turismo. Seus moderníssimos carros, que fazem a linha Aracaju-Salvador, em várias horários por dia, são carinhosamente conhecidos como “aviões da Bomfim”, o que sugere conforto, rapidez, segurança, e tudo o mais que é próprio das companhias aéreas.

José Lauro Menezes Silva, que conta com a colaboração do filho Lauro Antonio Teixeira Menezes, na expansão e na direção empresarial, continua na luta diária e aos 74 anos, feitos na semana passada (17 de fevereiro), esbanja juventude, administra como se estivesse começando um novo negócio, e tem a consciência de que deu sua parcela de contribuição ao desenvolvimento de Sergipe e ao bem estar dos sergipanos. Por isto mesmo iguala-se aos maiores empresários do Estado, com uma biografia toda ela de trabalho e de exemplaridade para as novas gerações de empreendedores sergipanos.

Texto reproduzido do site: infonet.com.br/luisantoniobarreto
Fotos: Divulgação.

Postagem originária da página do Facebook/MTéSERGIPE, de 3 de setembro de 2014.

Lilian Rocha: De pedagoga a autora de livros e peças teatrais.

A escritora Lilian Rocha na Bienal de SP. (Ago/2014).
Foto reproduzida do Facebook/Letícia Gomes.

Publicado originalmente no site de Osmário Santos, em 15/02/2008.

Lilian Rocha: De pedagoga a autora de livros e peças teatrais.
Por Osmário Santos.

Lilian Gomes Rocha, nascida a 3 de junho de 1958, é natural de Aracaju, é a 4ª filha de Maria Noemi e do escritor Petrônio Gomes, de quem herdou o gosto por escrever."Meu pai sempre foi um leitor inveterado. Ele lia nas poucas horas vagas que tinha e inventava horas vagas que não tinha para ler. Sua biblioteca pessoal é gigantesca e ele tem uma cultura fenomenal. Essa paixão pelos livros ele nos foi passando desde a infância. Aos domingos, por exemplo, antes de irmos jantar na casa do meu avô, meu pai passava na Chic, para comprar o jornal, e todos os seis filhos tinham direito de escolher a revistinha que quisessem, era uma festa! E não era raro ele chegar do trabalho com o primeiro volume de uma longa coleção para a gente, que para o nosso deleite, era alimentada semanalmente... Sem dúvida, a influência do meu pai em minha vida é bastante significativa!".

Sua mãe, funcionária pública aposentada, compõe o outro lado da moeda em quem Lílian também se inspira. "Enquanto meu pai representa a leitura, o estudo, minha mãe representa a ação. Um completa o outro. Minha mãe é o meu mais perfeito exemplo de coragem, mas não uma coragem que sai gritando pelos seus direitos, mas uma coragem silenciosa e serena, que a tudo suporta, de pé, com dignidade, fé e valentia. Costumo dizer que minha mãe é ‘inventada’, não é de verdade. Ela é um anjo!".

Lílian fez o primário no Educandário Brasília e garante que tudo o que aprendeu de português veio de lá. Para fugir do exame de admissão, preferiu ir para o Arqui, ao contrário de seus irmãos mais velhos, que seguiram para o Colégio de Aplicação. Do Arqui, tem lembranças inesquecíveis, como o primeiro namorado, as primeiras amigas e o clima de amizade que reina até hoje entre alunos e professores.

Como sempre gostou de brincar de professora, escolheu Pedagogia como sua profissão. Formou-se na UFS, em julho de 1980, aos 21 anos, mas já com quatro de sala de aula. "Quando entrei na faculdade, em 1976, havia essa exigência: todos os alunos de Pedagogia tinham que ter pelo menos seis meses de experiência em sala de aula. Foi por isso que aos 17 anos e com cara de 13 saí batendo nas portas de algumas escolas atrás de emprego. Para minha sorte, a escola que me acolheu foi justamente o Brasília. Mas em vez de aulas "normais", ofereceram-me duas turmas de francês! Engoli em seco e perguntei de novo, tentando ganhar tempo, mas não havia escolha. Ou eu aceitava ou ficava sem os meus seis meses de experiência, exigidos pela UFS. Foi assim que, da noite pro dia, me tornei professora de francês, com um francês muito pior do que qualquer aluno iniciante... Meus alunos nunca souberam, mas ‘aprendemos’ francês juntos!"

Depois de formada, fez o concurso para o Estado e foi lecionar na Escola Normal, onde conheceu a professora Marlene Calumby, que também se tornaria importante em sua vida. "Marlene me dava carona até em casa e como ensinávamos a mesma disciplina dividíamos muitas idéias para trabalhar em sala de aula. Nossa amizade foi se fortalecendo a tal ponto que para todos os lugares onde Marlene ia ela me convidava para trabalhar com ela. Foi assim no Colégio Atheneu, quando ela assumiu a direção e me convidou para ensinar português; foi assim no Conselho de Educação, quando ela assumiu a presidência e me convidou para ser a secretária da Câmara de 1º grau; foi assim na Fundação Aperipê, quando ela assumiu a superintendência e me convidou para chefiar o departamento de produção educativa da rádio e foi através dela que o monsenhor Carvalho me convidou para ensinar no Arquidiocesano. Por isso, tenho por ela uma profunda gratidão, pois foi ela quem me descobriu e me deu a primeira oportunidade de mostrar o meu trabalho".

Os quatro anos que passou na Aperipê (1991-1995) Lílian guarda com carinho, pois acredita que foi quando mais desenvolveu sua criatividade. Dentre suas criações radiofônicas estão: "Sem medo de errar", que mais tarde também ganhou uma versão para a TV, dava dicas de português, um horóscopo educativo, uma radionovela e o programa semanal "Vivendo e Aprendendo", que fazia uma retrospectiva dos fatos marcantes ocorridos no Brasil durante o século XX e que mais tarde também ganhou uma versão para a TV, ensinando o significado dos nomes das ruas e resgatando a história de Aracaju.

Quando saiu da Aperipê, foi convidada pelo monsenhor Carvalho para ensinar português e literatura no Arqui e "nas horas vagas ser uma espécie de mãe para os alunos.

Essas ricas experiências em sala de aula lhe renderam um livro de crônicas, intitulado "O Bilhete", lançado em novembro de 2006. ‘"O Bilhete’" é, pra mim, uma declaração de amor a todos os alunos que, ao longo desses 30 anos como professora, passaram por mim".

Como fruto do seu trabalho com a língua portuguesa e apostando numa proposta de ensino-aprendizagem mais concreta e divertida, criou, em 2000, o Festival da Língua Portuguesa, que consiste em ensinar português através de peças teatrais, escritas por elas.

"Essas peças são minha verdadeira paixão. Primeiro porque não são histórias comuns, os personagens são termos da gramática; segundo, porque a peça é encenada pelos meus próprios alunos e isso é uma verdadeira façanha, pois não é fácil reunir no palco quase vinte adolescentes, com horários e interesses diversos e o que é pior, sem nenhum interesse financeiro, apenas por amizade! Todo esse meu encantamento pelo teatro eu devo a Ricardo Monteiro, meu grande amigo, que consegue tornar possíveis todos os meus sonhos. Por ele, Denys e Gênesis, tenho um carinho especial".

Em 2002, foi vencedora de um concurso de aulas de multimídia, em nível nacional, com uma aula sobre fonética e em 2004 venceu o Prêmio Banese de Literatura, com a obra infanto-juvenil "Deu a louca no meu guarda-roupa". "Esse livro foi lançado na Bienal do Livro/RJ (2005) e adotado em nove escolas de Aracaju e em três de Maceió.

Em 2005, Lilian recebe outro convite inusitado de Marlene Calumby e vira roteirista e apresentadora de televisão. "Esse convite foi um dos maiores desafios da minha vida! Eu tinha que criar um programa educativo, que falasse de temas diversos, a partir da mistura esquisita de um ator, uma jornalista e uma professora! Foi assim que nasceu o ‘Palavrear’ e que Júlia, Pascoal e César Macieira entraram na minha vida".

Desafio ou não, o certo é que o "Palavrear", apresentado aos domingos, pela TV Aperipê, graças ao seu formato leve e descontraído caiu no gosto do povo e o que era para durar apenas três meses passou um ano e meio no ar. "Em junho, quando recebi a notícia da morte de César, fiquei me sentindo um pouco ‘viúva’. Nós tínhamos uma relação muito boa, parecia que éramos amigos de longa data, de tão leve que o texto fluía! Ele era um profissional de mão cheia, seguia à risca os meus roteiros e fazia de tudo pra cumprir todos os personagens que eu escolhia pra ele. Seu talento e profissionalismo sei que vão ficar pra sempre na minha memória".
Em 2007, percebendo a boa aceitação que o seu livro tinha entre as crianças, Lilian resolve adaptar a história para o teatro, criando mais um projeto inovador, a fim de estimular ainda mais nas crianças o gosto pela leitura.

É assim que, em maio e agosto de 2007, o espetáculo "Deu a louca no meu guarda-roupa", dirigido por Gênesis Rocha, é apresentado no Teatro Atheneu, sendo visto por cerca de três mil crianças e adultos. "Essa peça representou um marco na minha carreira. Pela primeira vez tive a honra de trabalhar com atores profissionais e ainda ganhei dois presentes bastante significativos: uma trilha sonora, composta por Gilton Lobo e Ricardo Monteiro e gravada por Simone Rigo e Álvaro Muller, e uma coreografia lindíssima, assinada por minha ex-aluna,, Renatinha Mello. Ver meus personagens no palco, cantando e dançando para uma platéia imensa de crianças silenciosas e atentas, foi algo que nunca vou esquecer".

Entusiasmada com esses resultados, em novembro de 2007 Lilian lança seu segundo livro infantil, "O Chá das Oito", que em menos de um mês já integra a lista dos paradidáticos escolhidos nas principais escolas de Aracaju. "Meus livros não teriam graça nenhuma se não tivessem o toque mágico de Valter Schueler, meu ilustrador. É impressionante como ele consegue traduzir em desenhos o que está dentro da minha cabeça. É um parceiro valiosíssimo pra mim".

Este ano, prepara-se para realizar mais dois grandes sonhos: a montagem de outro espetáculo infantil, "O Chá das Oito", e o lançamento do seu 4º livro, "Rasgando o Verbo", projetos contemplados, respectivamente, pelo Programa Aracaju + Cultura, coordenado pela Funcaju, e Programa BNB de Cultura, o que lhe possibilitará a continuidade do seu projeto "Livro no Palco".

Lilian é casada com Austeclino Rocha e tem cinco filhos: Felipe (23), Júlia (21), Letícia (20), Gustavo (17) e Victor (14). "Todo mundo se espanta quando digo que tenho cinco filhos, pergunta logo se são todos meus e eu confesso que sinto o maior orgulho de dizer que sim. Eu e Austeclino namoramos e casamos em apenas três meses e estamos juntos há 24 anos. Muito mais que um marido, ele é pra mim um companheiro que topa tudo e respeita muito essa minha natureza inquieta e criativa. Ninguém mais teria a mesma paciência comigo..."

Texto reproduzido do site: usuarioweb.infonet.com.br/~osmario

Postagem originária da página do Facebook/MTéSERGIPE, de 4 de setembro de 2014.

O ônibus da meia noite, O Corujão da Bomfim

 Foto: Salomão Souza Lima.

Foto: Márcio Lima.


O ônibus da meia noite, O Corujão da Bomfim 
Por Armando Maynard.


Uma boa lembrança da Bomfim foi quando nos anos 70 a mesma implantou a Linha Aracaju – Salvador, no horário da meia noite, cujo nome era: “Corujão”.

Lembro que ia com a turma passar o fim de semana em Salvador, saindo de Aracaju a meia noite da sexta-feira para sábado e voltando à meia noite do domingo, chegando aqui na Rodoviária Luiz Garcia por volta das 6 da manhã da segunda-feira, indo todos direto para o trabalho.

Época em Salvador da cerveja VAT – 70, da novidade do Chopp em todos os Bares, algo que Aracaju não tinha, da calça Lee americana, do espanto pela beleza das “mulheres da noite”, nos inferninhos e Boates, como também das bonitas baianas a passearem pelo Comércio.

Uma vez, alguém da turma deu ‘psiu’ para uma muito bonita que caminhava a nossa frente, ela se voltou e disse curta e grossa: “Pronto, já olhei!”, o galanteador ficou surpreso, enquanto o resto da turma caía na risada. Bons tempos...

Postagem originária da página do Facebook/MTéSERGIPE, de 3 de setembro de 2014.

Memória de Post do MTéSERGIPE, de 30/08/2012

Simone Maynard (+ de 25 comentários).

Desde sexta feira, 24 de agosto, estamos sem internet lá em casa. Publico abaixo o desabafo de meu pai:


"A Operadora “OI VELOX” está querendo me matar de raiva.

Eu, ARMANDO MAYNARD, 62 anos, cliente da “TELERGIPE/TELEMAR/OI” há mais de trinta anos e da “OI VELOX”, há mais de cinco anos, estou passando pelo pior momento de relacionamento comercial com esta empresa. Vamos aos fatos: dias atrás a operadora “OI” me ligou oferecendo - sem nenhum custo adicional -, o aumento da velocidade do OI VELOX. Aceitei, mas não sabia que era um “Presente de Grego”, pois desde as 16h30 de sexta feira, dia 24 de Agosto, que minha INTERNET não funciona. Começa aqui o teste de paciência e tolerância de um antigo cliente. Fiz 12 ligações, eu disse doze ligações para a Central de Relacionamento, que hoje chamo de “Central de Mau Atendimento” e todos os técnicos atendentes deram a mesma resposta à minha reclamação: “Senhor, dentro de 24 horas sua reclamação será atendida, um técnico estará ligando para sua residência para agendar uma visita”. Até hoje - 30 Agosto -, eu espero! Já comuniquei o fato a ANATEL e continuo aguardando... Isso é ou não é para ficar irritado, indignado e enraivado com uma empresa que gasta milhões com propaganda, dizendo que faz isso e aquilo e na hora de fazer um simples e corriqueiro dever de casa é essa VERGONHA? E pensar que a COPA DO MUNDO vem aí com essa internet movida a lenha e paciência da maioria dos consumidores brasileiros, conformados e conformistas. ACORDA BRASIL!" (Armando Maynard).

Postagem originária da página do Facebook/MTéSERGIPE, de 30 de agosto de 2012.

Memória de Post do MTéSERGIPE, de 28/01/2013

Ludwig Oliveira.

PEQUENO TEXTO DE Hawkins Celia PARA O AMIGO ARMANDO MAYNARD:

"Armando Maynard ainda não disse nada a você meu amigo. Sei de muita gente que voce salvou da depressão ao possibilitar o reencontro com velhos amigos nos lugares mais lonqinquos do planeta. E isto é um trabalho que precisa imediatamente ser reconhecido como de UTILIDADE PÚBLICA, TURISMO E QUALIDADE DE VIDA. Se voces estivessem na Austrália, já estariam recebendo enormes recursos financeiros do PODER PUBLICO e com PATROCINADORES procurando-os a toda hora. REGISTRE A PATENTE E GARANTA SEUS DIREITOS AMIGO!".

Postagem originária da página do Facebook/MTéSERGIPE, de 28 de janeiro de https://www.facebook.com/groups/259696634059007/permalink/572440892784578/

Memória de Post do MTéSERGIPE, de 18/08/2011

Dalva Aragão Almeida (+ de 15 comentários).

"Gente, depois que passei a participar desse grupo não consigo fazer mais nada! toda hora venho dar uma espiadinha! kkkk". (DAA).

Postagem originária da página do Facebook/MTéSERGIPE, de 18 de agosto de 2011.

terça-feira, 2 de setembro de 2014

Precioso arquivo é achado no lixo


 Precioso arquivo é achado no lixo, em uma das ruas de nossa cidade.

Obrigado Adailton, estou publicando. Parabéns por ser o guardião. Esperemos que os que ficarem - no caso de irmos primeiro - não joguem fora também os nossos livros e arquivos, rsrs...
.....................................................................................
Reportagem do Bom Dia Sergipe/Link TV Sergipe
Livros da década de 50 são encontrados em Aracaju.

Inauguração da sede da Delegacia Regional de Sergipe,
o IAPC, no ano de 1958.
Foto aos cuidados de Adailton Andrade.
Reproduzida do Facebook/Linha do Tempo/Adailton Andrade.

O historiador e pesquisador Adailton Andrade,
anilisando e cuidando de grande achado.
Foto reproduzida do Facebook/Adaílton Andrade.

Postagem originária da página do Facebook/MTéSERGIPE, de 01 de setembro de 2014.

segunda-feira, 1 de setembro de 2014

Memória de Post do MTéSERGIPE, de 20/08/2011

Lulu Leite (+ de 20 comentários).

"Quem lembra o filme que marcou a inauguração do Cine Palace?" (Lulu Leite).

Postagem originária da página do Facebook/MTéSERGIPE, de 20 de agosto de 2011.

Memória de Post do MTéSERGIPE, de 18/08/2011

Ana Virgínia (+de 20 comentários).

"E o cinema dia de domingo à tarde? Depois a retreta na Praça Fausto Cardoso...ficava cheia e 10 horas esvaziava porque alguém soltava "um homem nu"...kkk. Tinha coisa melhor para se fazer dia de domingo? Alguém aí deixava de ir?"(Ana Virgínia).

Postagem originária da página do GrupoMTéSERGIPE, de 18 de agosto de 2011.

Homenagem a D. Alaíde, 86 anos, Educandário Brasília

Homenagem a D. Alaíde, 86 anos, uma das diretoras do
Educandário Brasília, na Avenida Ivo do Prado (Rua da Frente).
Foto: Edson Macedo.

Postagem originária da página do Facebook/MTéSERGIPE, de 31 de agosto de 2014.

Beno (Águias), Mendes (Comanches) e Pascoal (The Top"s)

Recordações não faltaram neste encontro hoje à tarde. Três bateristas que fizeram (modéstia à parte) parte da história musical desta terrinha: Beno (Águias), Mendes (Comanches) e Pascoal (The Top"s). (Pascoal Maynard).

Postagem originada da página do Facebook/MTéSERGIPE, de 28 de outubro de 2012.