sexta-feira, 6 de setembro de 2013

Dicionário de Sergipanês


Dicionário de Sergipanês *
Palavras e expressões usadas em Sergipe e pouco conhecidas em outras regiões

O jornalista Rubens Dória é filho de sergipanos, mas nasceu e cresceu em Santos, litoral de São Paulo. Em 1990, viajou para Aracaju pela primeira vez e passou por situações engraçadas por não conhecer algumas expressões usadas em Sergipe.

Para entender o significado e não perguntar mais de uma vez, anotou os verbetes, organizou em ordem alfabética e criou o Dicionário de Sergipanês.

O Dicionário era apenas para o uso pessoal e pesquisa no curso de jornalismo. Em 2000, descobriu que havia dicionários de regionalismos em outros estados do Brasil. Ao perceber que a sua obra era inédita, registrou o Dicionário na Biblioteca Nacional e publicou os verbetes na internet. Surgiram outros sites com verbetes do Sergipanês, mas o original foi feito pelo jornalista. O site recebeu mais de 20 mil visitas, inclusive de sergipanos que estão em outros estados ou países, além de turistas, estudantes e professores de Letras.

O Sergipanês foi tema de palestras em Santos (SP) e Aracaju (SE) e matérias na Rede Globo, Globonews, TVE Brasil, TV Senac, SBT, Rádio CBN e outros veículos de comunicação de Sergipe e São Paulo.

A pesquisa

Apesar de não ser uma pesquisa científica, o Dicionário é feito com muito cuidado. Como a linguagem é dinâmica e muda constantemente, a pesquisa nunca acaba. Para ser incluída, a palavra deve ser usada em Sergipe e desconhecida em outras regiões do Brasil. Ele coleta os verbetes de duas maneiras: anota as palavras inéditas que ouve ou lê e também recebe sugestões dos internautas. Noventa por cento das palavras enviadas não são aproveitadas por dois motivos: o leitor não presta atenção e envia palavras que já estão no dicionário ou a palavra também é usada em outras regiões do Brasil.

A reação dos leitores do Sergipanês é a mesma em qualquer lugar: riso, não deboche. Muitos leitores elogiam o trabalho e enviam sugestões. Às vezes, algum não entende e pensa que Dória está debochando dos sergipanos. Rubens esclarece que a pesquisa é séria e respeitosa porque tem muitos parentes e amigos sergipanos e jamais faria algo que os ofendesse.

Dória diz que o seu trabalho não é uma cópia de outros dicionários de regionalismos do nordeste porque começou a pesquisa em 1990 e só descobriu a existência dos outros em 2000. Estes dicionários têm verbetes idênticos porque os estados são vizinhos e a linguagem não respeita fronteiras físicas ou políticas. Os Dicionários Aurélio e Houaiss têm palavras usadas em Portugal e até verbetes em língua estrangeira e nem por isto deixam de ser Dicionários da Língua Portuguesa do Brasil.

Rubens não teve preconceitos e registrou inclusive as palavras chulas. Algumas pessoas ficam preocupadas quando Rubens registra alguns verbetes como eles são falados (bairrio, fi, fio, petrolheiro, rezistro). Rubens comenta que esta reação é fruto do preconceito que havia contra o regionalismo. Durante muito tempo, a linguagem regional foi considerada um erro, um desvio da linguagem padrão. Esta atitude mudou: muitos especialistas em língua portuguesa dizem que não se deve confundir regionalismo com erro de português e que se deve respeitar a linguagem regional. "Em vez de ter vergonha da nossa cultura, devemos fazer como alguns estados que vendem o seu peixe e até exportam livros e músicas para outras regiões do Brasil." afirma.
Texto reproduzido do link: sites.google.com/site/dicionariodesergipanes/

Postagem originária da página do Facebook/MTéSERGIPE, em 4 de setembro de 2013.

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