quinta-feira, 10 de maio de 2012

Professor Vilder Santos



Publicado em 15 de outubro de 2005.

A vida do professor Vilder Santos
Formado em letras vernáculas e em direito e presença constante no rádio como colaborador.
Por Osmário Santos

Vilder Santos nasceu a 6 de abril de 1944, em Aracaju-SE. Seus pais: Milton e Anita Santos. De 1955 a 1983, seu pai foi vereador da Câmara Municipal de Aracaju, tendo sido eleito sete vezes consecutivas. Dele, o filho herdou a determinação. Sua mãe levou uma vida dedicada ao lar, ao esposo e aos filhos. Dela, o filho aplica em vida, o respeito a todas as pessoas.

O seu tempo de infância foi repleto de brincadeiras, especialmente na rua Divina Pastora, onde, até hoje, seu pai tem residência. Jogava com bola de meia, de papel até com coquinho. “Sempre fui um jogador de chute forte, porque aprendi a chutar coquinho, pois papai não gostava que a gente jogasse futebol e não nos dava bola de borracha, de jeito nenhum” (risos).

Foi alfabetizado pelas memoráveis lições do pai e da mãe. “Foram os meus primeiros educadores”. Na pequena escola da professora Zenaide Correia de Oliveira, montada em uma sala da residência de seus pais e situada à rua Divina Pastora com Siriri, suficiente para atender 20 alunos, dá continuidade aos estudos no ano de 1951. Com mais dois anos, passa a ser aluno da professora Helena, em sala de aula montada também em residência e que funcionava à rua Divina Pastora, no trecho entre Siriri e avenida Pedro Calazans. Chega, pela primeira vez, a um colégio oficial, o Grupo Escolar General Valadão, para concluir o primário.

Em dezembro de 1954, faz exame de admissão e passa a vestir a farda do Colégio Jackson de Figueiredo, dos professores Benedito e Judite Alves de Oliveira, dois mestres que fazem parte da história da educação de Sergipe pelo estilo de fazer educação. “Passei todo o ano de 55 no Jackson. O ano do centenário de Aracaju, com o carrossel e as diversões todas no Parque Teófilo Dantas, foi um dos anos mais alegres da minha vida. Em 56, fui para Pernambuco”.

A sua saída de Sergipe para estudar aconteceu de forma interessante: como o irmão Valmir gostava demais de futebol, contrariado, o pai resolveu mandá-lo para um colégio de um regime mais rígido, que nem permitia o jogo de futebol, mesmo em horas vagas. Sofrimento maior, seria a ausência da mãe, já que ele era muito apegado a ela. “Era o Educandário Nordestino Adventista (ENA), em Belém de Maria, na zona da Mata Úmida, perto do município de Catende, onde estudou Manoel Silva, estudou Nicodemos Falcão, onde estudaram diversos sergipanos”.

Vendo o irmão a chorar por diversas noites e a dizer que iria fugir e vendo sua mãe com tristeza, a preparar o enxoval, passa uma noite pensando em derrubar a idéia do pai. “De manhã cedo, eu propus ocupar a sua vaga. Papai com receio, pois Valmir já tinha dito que iria fugir e que desapareceria no mundo, aceitou. O enxoval estava pronto e não tinha problema, pois as letras V. S, que minha mãe bordou nos pijamas, toalhas, cuecas, lenços e outras roupas não perderia. Em vez de Valmir Santos, Vilder Santos” (risos).

No ENA, Vilder passou três anos em regime de internato e de lá sai ao término do curso ginasial. “Tinha de se acordar às 5h30 e as aulas começavam às 6h45. À tarde, todos trabalhavam (12 horas semanais) e o trabalho, era remunerado. “Eu trabalhava como mensageiro da oficina mecânica. O gerente era o professor de trabalhos manuais. Foi uma experiência muito boa. O colégio me abriu os olhos para a vida”.

Retorna a Aracaju no ano de 1959 e começa a estudar o curso científico no Colégio Atheneu. Por não se identificar com as disciplinas Matemática, Física e Química, perde o ano e toma a decisão de fazer o curso clássico no mesmo colégio. Dois anos depois, deixa o Atheneu e se matricula no Colégio Tobias Barreto, onde conclui o colegial. “Descobri que lá o número de matérias era menor e o curso era pela manhã. Como gostava muito de ir ao cinema pela tarde, resolvi me mudar para o Tobias.

Terminei no colégio do professor Alcebíades de Melo Vilas Boas. Hoje, trabalho no Colégio Alcebíades Melo Vilas Boas”. Como gostava de futebol de salão e era determinado, conquistou vaga no Clássico, time de futebol de salão do Atheneu. Mas, gostava mesmo era de cinema. Não perdia um filme bom. “Aprendi muito no Rio Branco. Era a minha paixão e todo o dinheiro que pegava de papai era aplicado no cinema”.
Do Carrossel do Tobias, que marcou época em Aracaju, pertencente aos pais e que chegou a ser tombado pelo Patrimônio Histórico do Estado, Vilder Santos tem muito a contar: “Trabalhava no carrossel e comia um dinheirinho bom, que guardava e dava para o ano todo. Comandava a banca e cobrava. Era uma espécie de gerente. O carrossel funcionava no Parque Teófilo Dantas por ocasião das festas natalinas de Aracaju, durante os meses de dezembro e janeiro. O carrossel marcou profundamente a minha vida. Graças a ele, arranjei muitos amigos”.

Passa o ano de 1963 sem estudar e vai à Bahia dirigir o Carrossel do Tobias, que saiu de Aracaju e foi montado nas cidades de Salvador e Alagoinhas. “Deu um prejuízo muito grande, porque choveu demais no primeiro semestre. Melhorou um pouco e ficamos até outubro na cidade de Salvador. A pedido do prefeito de Alagoinhas ficamos até novembro e voltamos a Aracaju no mesmo ano e nunca mais o carrossel saiu de Sergipe”. O último natal do Carrossel do Tobias no Parque Teófilo Dantas, e tendo seus pais como donos, aconteceu em 83, já que, em 84, foi vendido ao Estado. “Foi instalado no Parque da Cidade, funcionou com dificuldades, com problemas e, daí pra lá, se acabou. Foi da nossa família por 25 anos. Até hoje, ele está deteriorado no Parque da Cidade. Existe muita coisa, mas um técnico que esteve lá achou melhor fazer uma nova maquinaria .Na verdade, está quase tudo quebrado, tudo depredado. Só o Tobias pode ser recomposto. Os cavalos, um marceneiro olhou e disse: eu prefiro fazer outros iguais”.

Volta a estudar em 64 e parte para o município de Belém de Maria, em Pernambuco, para a mesma instituição escolar, o ENA, que o acolheu no curso ginasial. “Fui fazer Teologia Pedagógica para ser professor na área evangélica. Foram três anos e meio de estudos e fui terminar o curso em São Paulo (SP), no segundo semestre de 1967, no IAE “.

“Em Pernambuco, nos anos 65 e 66, comecei a ensinar as disciplinas Geografia do Nordeste e Português, no Ginásio Municipal de Belém de Maria”
Volta a Sergipe e começa a trabalhar para os adventistas do 7o dia. Mas, não passa muito tempo em Aracaju por ter sido deslocado para a cidade de Ilhéus, onde passa o tempo de três meses, quando segue para Itabuna e lá fica por 11 meses.

“Lecionava e fazia outras atividades na área evangélica”
Em 70, está de volta à casa dos pais e começa a ensinar Educação Moral e Cívica no Atheneu. “Fui chamado pela professora Carmelita Pinto Fontes, um dos maiores nomes da cultura sergipana. Nunca houve concurso para EMC; os professores eram convidados”.

De 71 a 75, ensina Educação Moral e Cívica no Atheneu, e OSPB. Dirige o Grupo Escolar Senador Leite Neto, da rede estadual de ensino, no ano de 1976 e volta à sala de aula como professor de Português, marcando presença nos colégios 15 de Outubro e Instituto de Educação Rio Barbosa, onde também ensinou Linguística.
Em 72, faz vestibular e ingressa no curso de Letras da Universidade Federal de Sergipe. Em janeiro de 73, faz vestibular para Direito, na UFS. “Fui aprovado em 13o lugar. Quando estava no 4o período de Direito, o Sindicato dos Professores começou a pressionar quem não era habilitado profissionalmente para o magistério. E a minha habilitação era somente para OSPB e Educação Moral e Cívica. O sindicato começou a me ameaçar e resolvi voltar para Letras sem vestibular e terminei o curso em 1977. Tentei voltar para o curso de Direito e a Universidade me informou que tinha perdido a vaga. Fiz novo vestibular em 79. Fui aprovado e terminei em dezembro de 1980. Fui da última turma da velha faculdade. Sou bacharel em Direito, mas não sou advogado. Nunca fiz exame para a Ordem dos Advogados. Guardei o diploma e no dia que tiver coragem irei me submeter ao Exame”(risos).

Fez concurso público para ensinar a disciplina Português no ano de 78, sendo aprovado em um dos primeiros lugares. “As disciplinas Educação Moral e Cívica e OSPB foram supressas e elas eram a minha grande paixão. Perdi muito com isso. Como tinha feito Letras Vernáculas, só para aprender Português e não para ensinar, devido à supressão das disciplinas que garantiam o ordenado, fui obrigado a ensinar Português”.

Como a Universidade Federal de Sergipe precisou de professor para ensinar a disciplina Estudos de Problemas Brasileiros, foi cedido pelo Estado. “Por cinco anos, lecionei para muitos educandos da UFS. Com a sua supressão, fiquei um semestre ensinando Psicologia Geral para a turma de Educação Física e depois Português Instrumental durante muitos anos. O Estado e a Prefeitura, alternadamente, me colocaram à disposição da UFS. Foram 16 anos de trabalho na Universidade, sendo 15 em sala de aula”.

Atualmente, trabalha no Centro de Criatividade, pelo Estado, e no Colégio Alcebíades Melo Vilas Boas, pelo município.

Em novembro de 1960, passa a integrar a equipe esportiva da Rádio Cultura, com Raymundo Luiz da Silva. “Era captador das notícias nacionais e internacionais para o Programa do Esporte pelo Esporte para o Esporte, que começava às 12 horas, de segunda a sábado. Aos domingos, escrevia um comentário para o Programa Quem Manda é o Torcedor. O programa revelou muitos cronistas esportivos.
Até hoje, continua presente no rádio sergipano, mas em função diferente. “Quando retornei, em 70, para o meu Aracaju, voltei como colaborador de rádio (rato de rádio). O rádio sempre me foi apaixonante. Meu pai tinha a Empresa de Publicidade Tamandaré, que era a segunda rádio sergipana, já que, na época, só existia a Difusora (Aperipê). A Tamandaré funcionava na rua Divina Pastora e era potentíssima. Fazia uso de alto-falantes. Tinha uma programação completa que ia das 6h da manhã às 22h. Era uma espécie de rádio comunitária. Lá, eu fazia o uso do microfone e também trabalhava no controle de som. A Rádio Tamandaré revelou grandes nomes do rádio sergipano, entre os quais, Álvaro Macedo e Jailton Oliveira. Da Tamandaré, muitos saudosistas ainda se lembram romanticamente.

Diz que atua como colaborador de rádio, ligando de casa constantemente para as emissoras em programas abertos ao público, para manifestar sua opinião. “É o desejo de servir à sociedade e de agradecer, porque eu concluí dois cursos universitários pagos pela sociedade. Assim, devolvo à comunidade, parte do que ela fez por mim. Uso o rádio para sugerir, opinar e tirar dúvidas”.

Legalmente solteiro, sonha aprender a tocar um instrumento musical. “Comprei o pandeiro e, se aparecer alguma pandeirista para me ensinar, eu topo”(risos).
Os 40 dias que considera como os mais belos da sua vida, foram vividos na Europa. “Em 69, visitei 10 países e aprendi bastante”.

Gosta de fazer “triversos”, vocábulo sergipano, que foram publicados até 95 no Jornal O Que, semanário do Luiz Eduardo Costa, que marcou época em Sergipe. É apaixonado por telenoticiários e programas rurais.

É radialista profissional e por um tempo apresentou o programa Voz do Magistério, na Rádio Cultura. “De maio de 81 a junho de 83, sábado à noite, às 19h, um programa de muita audiência”.

Texto reproduzido do site: usuarioweb.infonet.com.br/~osmario/
Foto reproduzida do Google
  
 Postagem original na página do Facebook em 24 de abril de 2012.

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