segunda-feira, 13 de janeiro de 2014

Cantor José Augusto Costa (1936 - 1981)




Cantor José Augusto Costa (1936 - 1981)

José Augusto Costa, popularmente conhecido como José Augusto Sergipano ou também José Augusto Velho, foi um cantor brasileiro.

Nasceu na Avenida Santa Terezinha, no bairro da Baixinha, em Aquidabã, Sergipe, onde fez os primeiros estudos, e depois foi morar em Aracaju, concluindo o 2º grau. Em 1953, estudou e trabalhou na primeira linha de ônibus coletivo da capital sergipana.

Dentre 6 irmãos, era o filho mais novo de Maria Adolfina Costa e de Januário Bispo dos Santos. O jovem José Augusto cantava nas festinhas das escolas e festas de aniversários, pois sua vocação para cantor aflorou na juventude.

Gravou mais de 200 músicas, em 22 LP's, iniciando a sua carreira de cantor na gravadora Chantecler, realizando seu grande sonho, gravando também em outras gravadoras. O seu nome "estourou" nos principais programas radiofônicos de São Paulo, fazendo sucesso retumbante, admirado pelos nordestinos e pelos brasileiros de um modo em geral.

Viajou por todo o país fazendo shows, apresentando-se, em palcos dos cinemas, pois na época os cinemas eram os principais locais para a apresentação dos artistas. As emissoras de rádio de Aracaju tocavam os seus discos, diariamente, fato que se repetia em todo o Brasil.

Morte

José Augusto, com uma agenda cheia de compromissos, ao saber da hospitalização da sua mãe, Dona Adolfina, veio às pressas para Aracaju, mas por exigência de seu empresário, viajou para realizar um show em Senhor do Bonfim, na Bahia, agendado anteriormente. Mas um acidente ocorrido perto de Feira de Santana, BA, matou-o na hora. O corpo foi sepultado, no jazigo da família, no Cemitério de Santa Isabel.

Discografia

1961 - Florisbela Saint-Tropez / Saudade Bateu Na Porta
1962 - Se Meu Apartamento Falasse
1962 - Ninguém Faz Falta / Minha Saudade
1962 - Minha Mãezinha / Cantando Pra Não Chorar
1963 - Guarânia Da Noite Triste / Tortura
1963 - Tudo De Mim / E O Tempo Passou
1963 - Engano Do Carteiro / Até Amanhã
1964 - Beijo Gelado / Amor Proibido
1964 - Angústia Da Solidão / Traição
1965 - Um Novo Ídolo
1965 - Exitos De Brasil
1966 - José Augusto
1967 - Preciso De Alguém
1968 - Momento Feliz
1969 - Os Grandes Sucessos De José Augusto
1969 - Prece De Um Rapaz Apaixonado
1971 - A Vida Passando Por Mim
1973 - Canção De Paz
1976 - Minha Visão
1978 - Aliança Devolvida
1980 - Já O Novo Ídolo

Fonte: Wikipédia.
Indicação: Miguel Sampaio.

Foto e texto reproduzidos do blog: famososquepartiram.com

Postagem originária da página do Facebook/MTéSERGIPE, de 12 de janeiro de 2014.

quinta-feira, 9 de janeiro de 2014

Ode ao Tribuno Antônio Torres Júnior.


Ode ao Tribuno Antônio Torres Júnior. 

A retórica é uma das mais belas artes. Floresceu nas terras da antiga Hélade, berço dos destemidos helenos. Nasceu com o homem que, valendo-se dessa faculdade a ele inerente e espontânea, utilizou-a a fim de cumprir um propósito. Atravessou tempos, mares, períodos históricos, continentes, e com o homem, chegou à contemporaneidade.

Um homem do século XX, nordestino do Estado de Sergipe, nascia no pequeno município de Canhoba que, na linguagem dos índios significa “folhas escondidas”, no dia 02 de outubro de 1926. Trouxe na sua alma, essa herança grega, que conhecemos como oratória. Menino ainda, mostrou pendor poético nos bancos escolares. Jovem, do peito derramavam-se as palavras numa caudal que impressionava. Adulto, nos tribunais, nas lidas advocatícias, exibia uma fluência convincente, impressionante. Enquanto parlamentar, igualmente expandia os seus sentimentos na oralidade, gestados no seu coração inflamado e entusiasta. O público apressava-se para ouví-lo no plenário legislativo estadual ou através da transmissão radiofônica. Era dono de um coração franco, sincero, leal. Agora, esse homem público, “livre filho das várzeas” de Canhoba, jaz na câmara silente do seu jazigo, após finar-se no dia 21 de dezembro de 1967. No entanto, acreditamos, ainda discursa na memória coletiva da geração que o conheceu.

Sua primogênita, professora Angela Margarida Torres de Araujo.

Postagem originária da página do Facebook/MTéSERGIPE, de 21 de dezembro de 2013.

José Percílio Costa e seu Parque dos Falcões

José Percílio Costa 

Parque dos Falcões 

Parque dos Falcões fica no município de Itabaiana, no estado de Sergipe é o único centro de criação, multiplicação e preservação de aves de rapina da América do Sul. É também o único local do país com autorização do Ibama para a criação de aves de rapina.

Situado em uma área de aproximadamente 3.500 km², o parque, que é mantido atualmente por uma ONG. foi criado em 2000 por José Percílio Costa, um homem que dedica sua vida aos cuidados e preservação das aves e do local.

Localizado no Povoado Gandu II, em Itabaiana, aos pés da Serra de Itabaiana, ao lado do Parque Nacional de Reserva Natural a aproximadamente 45 Km da capital, o Parque dos Falcões foi construído através do trabalho e esforço de dois sonhadores, José Percílio e Alexandre Correia, e de alguns admiradores e colaboradores.

Já conhecido por muitos turistas, estudantes, biólogos, e pesquisadores brasileiros e estrangeiros, o Instituto é um dos únicos locais do país com autorização do IBAMA para a criação dessas aves em cativeiro. (Ano de 1990). Com o objetivo de salvar e proteger as espécies de aves de rapina que habitam o céu brasileiro, o Parque dos Falcões tornou-se uma referência no manejo, reprodução e reabilitação desses animais, acumulando um grande conhecimento sobre o seu comportamento. Todos os meses, o Instituto recebe através do IBAMA, da Polícia Ambiental e do Corpo de Bombeiros, aves maltratadas, machucadas ou mutiladas pela ação humana, que parece satisfazer-se com o sofrimento desses e de muitos outros animais.

Como chegar?

Para chegar ao centro conservacionista siga de Aracaju em direção à Itabaiana. Depois de passar pelo município de Areia Branca (km-34), percorra aproximadamente 9 km. No lado direito, há uma placa indicativa sobre o Instituto. Entre por essa estrada (única parte do trajeto não asfaltado) e percorra mais 2,5 km. Há tarifa para acesso ao Parque dos Falcões, também há passeio orientado pelas trilhas da Serra de Itabaiana.

Dicas:

O Parque dos Falcões está aberto ao público todos os dias da semana e suas visitas devem ser previamente agendadas, preferencialmente das 8h às 11h e das 13h às 16h, através dos telefones: (79) 9962-5457 / (79) 9131-3496.

Foto e texto reproduzidos do site: sergipeturismo.com

Postagem originária da página do Facebook/MTéSERGIPE, de 9 de janeiro de 2014.

A Estanciana Ofenísia Freire


Trecho de reportagem publicada no Portal Infonet, em 18/12/2013.

A Estanciana Ofenísia

Nascida em Estância no ano 1913, filha de Dionísio Soares e Ernestina Esteves da Silveira Soares, ainda na juventude despertou a desenvoltura com as palavras. Seu irmão, o médico Pedro Soares, foi editor há muitos anos do jornal A Razão, folha polêmica e corajosa onde eram não apenas divulgados os fatos e expressando opiniões políticas e ideológicas.

Ofenísia ainda tinha outros irmãos, João, Dalva, Osvaldo e Nivaldo. Apesar de ter iniciado seus estudos em Estância, aos 11 anos foi estudar em Aracaju, no Colégio Santana, onde foi aluna da professora Quitina Diniz, uma das grandes referências para Ofenísia Soares Freire.

Mesmo como interna no Colégio Santana, Ofenísia cursou a Escola Normal Rui Barbosa, formada retornou a Estância indo lecionar em uma pequena escola no povoado Caminho do Porto, no Grupo Escolar Gumercindo Bessa e no Colégio Sagrado Coração de Jesus.

Lecionou as disciplinas de Língua e Literatura Portuguesa, Teoria Literária e Língua e Literatura Brasileira, tendo sindo professora no Colégio Atheneu Sergipense, no Colégio Tobias Barreto, no Colégio Jackson Figueiredo, no 1º pré-vestibular do estado.

No Colégio Atheneu Sergipense a professora Ofenísia começou a lecionar por intermédio do então professor e seu cunhado, profº Franco Freire. Foi convidada a dar aulas no Colégio Tobias Barreto, à época dirigido pelo professor Alcebíades Melo Vilas Boas.

Ofenísia Freire foi casada com o funcionário público e diretor do Tesouro do Estado de Sergipe, Filemon Franco Freire, que foi militante do PCB. A professora que também foi militante do 'partidão' tendo em 1947 disputado as eleições como deputada estadual para que o médico Armando Domingues saísse eleito. No período do regime militar a pedagoga militante não se furtou de ir às ruas discursar e até viajar para outros estados, engajada e dona de uma oratória louvável, seus discursos ecoavam na Praça Fausto Cardoso. Ofenísia arrebanhou mentes e corações para a transformação social no seu estado.

Em 1964 quando integrava o Conselho Estadual de Educação, teve seu mandato extinto, além de ter sido afastada do magistério do Atheneu, retornando alguns meses depois.

Nesta época, seu marido, Filemon Freire esteve preso no 28º BC, e Ofenísia ia com frequência levar seu almoço, e continuou a dar aulas no Colégio Tobias Barreto e na Escola Atheneu Sergipense. Com o PCB tendo o seu registro anulado e seus militantes indo para a clandestinidade, Ofenísia Freire voltou-se integralmente para a cátedra.

Eleita presidente na Academia Sergipana de Letras em 1980 na vaga do poeta Abelardo Romero, tomando posse no dia 25 de novembro, ocupou a cadeira de nº 16, ano em que publicou seu livro, “A Presença Feminina nos Lusíadas”, reeditado em 2000.

Ofenísia Freire tem a sua contribuição literária registrada nas páginas dos jornais Estancianos “A Razão” e “A Voz do Povo”, com o pseudônimo de LP. Escreveu em Aracaju no jornal “Gazeta de Sergipe” assinando a coluna a Arte da Gramática, no Jornal da Cidade e no El Sergipense, além de ter publicado inúmeras crônicas.

Fonte: Assessoria Parlamentar Deputada Ana Lúcia.

Foto e texto reproduzidos do site: infonet.com.br/educacao

Postagem originária da página do Facebook/MTéSERGIPE, de 9 de janeiro de 2014.

Relação dos 75 Municípios do Estado de Sergipe


Esta é uma lista de municípios de Sergipe por população
segundo censo de 2010 do IBGE.

Posição: Município: População:

1 Aracaju 570 937
2 Nossa Senhora do Socorro 160 829
3 Lagarto 94 852
4 Itabaiana 86 981
5 São Cristóvão 78 876
6 Estância 64 464
7 Tobias Barreto 47 727
8 Itabaianinha 38 637
9 Simão Dias 38 556
10 Nossa Senhora da Glória 32 514
11 Poço Redondo 30 877
12 Capela 30 769
13 Itaporanga d'Ajuda 30 428
14 Propriá 28 457
15 Porto da Folha 27 124
16 Laranjeiras 26 903
17 Boquim 25 528
18 Barra dos Coqueiros 25 012
19 Canindé de São Francisco 24 693
20 Nossa Senhora das Dores 24 579
21 Umbaúba 22 660
22 Poço Verde 21 968
23 Aquidabã 20 066
24 Carira 19 990
25 Riachão do Dantas 19 394
26 Salgado 19 362
27 Neópolis 18 511
28 Ribeirópolis 17 163
29 Areia Branca 16 882
30 Japaratuba 16 874
31 Campo do Brito 16 766
32 Cristinápolis 16 519
33 Maruim 16 338
34 Indiaroba 15 861
35 Santa Luzia do Itanhy 13 914
36 Frei Paulo 13 854
37 Monte Alegre de Sergipe 13 621
38 Carmópolis 13 500
39 Pacatuba 13 137
40 Japoatã 12 947
41 Tomar do Geru 12 873
42 Malhador 12 056
43 Gararu 11 458
44 Santo Amaro das Brotas 11 389
45 Moita Bonita 11 034
46 São Domingos 10 257
47 Arauá 9 699
48 Riachuelo 9 351
49 Rosário do Catete 9 222
50 Pedrinhas 8 821
51 Nossa Senhora Aparecida 8 510
52 Pirambu 8 369
53 Ilha das Flores 8 348
54 Siriri 8 006
55 Brejo Grande 7 745
56 Muribeca 7 342
57 Santana do São Francisco 7 038
58 Macambira 6 411
59 Nossa Senhora de Lourdes 6 242
60 Pinhão 5 973
61 Graccho Cardoso 5 648
62 Cedro de São João 5 633
63 Feira Nova 5 325
64 Itabi 4 972
65 Divina Pastora 4 326
66 Canhoba 3 947
67 Cumbe 3 813
68 Santa Rosa de Lima 3 752
69 São Miguel do Aleixo 3 702
70 Malhada dos Bois 3 461
71 São Francisco 3 395
72 Pedra Mole 2 968
73 Telha 2 957
74 General Maynard 2 914
75 Amparo de São Francisco 2 275

Fonte: Wikipédia, a enciclopédia livre.

Postagem originária da página do Facebook/MTéSERGIPE, de 9 de janeiro de 2014.

A biografia de um grande sertanejo.


Publicação do site nenoticias, em 11/11/2013.

A biografia de um grande sertanejo.
Por Rangel Alves da Costa*

Distante das recentes polêmicas envolvendo os escritos biográficos, onde parte das figuras públicas pretende que suas vidas sejam relatadas apenas pelo lado positivo e despolemizado, no último dia 1º de novembro foi lançada, na cidade de Poço Redondo, a biografia de um grande sertanejo: Alcino Alves Costa. A autoria é de Rangel Alves da Costa, seu filho, e articulista que assina acima.

Alcino, ou “O Caipira de Poço Redondo” ou ainda “O Vaqueiro da História”, como se identificava em alguns textos, falecido em 1º de novembro de 2012, aos 72 anos, certamente não acolheria a polêmica das restrições biográficas. Pelo contrário, sorriria o seu sorriso largo como agradecimento pelo reconhecimento de suas realizações enquanto cidadão sertanejo, autodidata, mas que trilhou pelos caminhos da pesquisa para oferecer ao povo as raízes de sua história, suas lutas, suas crenças e sua fé.

Como no poema drummondiano, Alcino um dia teve ouro, riquezas, influência política, mas todo esse passado de poder e posses se transformaria apenas em um retrato na parede. Mas que não lhe doía. E não lhe amargurava porque abandonou os meandros do poder e da política para enveredar de vez pelas trilhas da história sertaneja e, mesmo sem ter tal pretensão, se tornar seu guardião maior. Daí em diante sua grande riqueza passou a ser seus escritos.

A saga do povo sertanejo era o seu exercício de toda hora. E assim fez até suas forças permitirem. Com seu jeito sempre cativante de ser, sempre calçado nas suas inconfundíveis havaianas, cortando as ruas de seu Poço Redondo ou recebendo amigos de outras plagas enquanto ouvia Tonico e Tinoco, acabou se transformando em referência obrigatória acerca de tudo que dissesse respeito a sertão. E alguém já lembrou que poucas pessoas receberam tantas homenagens em vida como as que Alcino havia recebido. E foram realmente muitas.

Verdade é que o político escondia no seu verso uma outra feição muito mais prazerosa de lidar, que era a de pesquisador, poeta, colecionador de vinis da autêntica música caipira, apaixonado pela história cangaceira. O seu tio materno, Zabelê, cangaceiro do bando de Lampião, lhe servia de orgulho e inspiração. Foi a partir do interesse pelo destino do tio que foi cavando as raízes cangaceiras até se tornar num dos mais respeitados historiadores sobre o tema.

Não conformado com as mesmices nem com as inverdades escritas e asseveradas em torno da saga bandoleira, Alcino se propôs a dar outra feição à história. E conseguiu logo no primeiro livro publicado: “Lampião Além da Versão - Mentiras e Mistérios de Angico”. E mais tarde surgiram “O Sertão de Lampião” e “Lampião em Sergipe”. Mas guardava escritos para muitos outros livros discutindo, contando e recontando, o percurso daqueles valentes e tantas vezes incompreendidos homens das caatingas e dos carrascais agrestinos.

Trouxe ao presente o conhecimento de personagens importantes da história nordestina; procurou desvendar os mistérios de Angico e da epopéia lampiônica, e com isso se tornou um dos escritores mais lidos e requisitados do fenômeno cangaço; colocou a música caipira e a viola cabocla no seu devido lugar de importância e reconhecimento. Revisitando seus arquivos, percebi o quanto de sertão existente em livros, recortes, correspondências, manuscritos, fotografias. Sertão, talvez este seja também outro nome de Alcino.

Tantas realizações não poderiam ficar apenas na memória do seu povo, nas recordações dos amigos. Como filho, desde muito que já escrevia sobre sua obra. Esforcei-me ainda mais depois que as enfermidades lhe acometeram e já tinha ciência do que não demoraria a acontecer. Eis que quando o inevitável foi anunciado, a sua trajetória de vida já estava quase toda escrita. Depois de concluída, escolhi o título mais apropriado: Todo o Sertão num só Coração - Vida e Obra de Alcino Alves Costa.

Com 288 páginas, a obra está dividida segundo as muitas artes ou os muitos afazeres do biografado. Vai desde o nascimento, em 1940, às homenagens póstumas. Daí que aborda o homem sertanejo, o político, o poeta e compositor, o pesquisador e escritor, bem como sua apaixonada e contínua busca pela história nordestina, onde se sobressaem as vinditas de sangue, o mundo cangaceiro e coronelista, as estradas ladeadas por jagunços e fanáticos, toda a saga de um povo. Tais foram os aspectos mais pesquisados e abordados por Alcino na sua literatura.

A biografia é, pois, a história desse grande sertanejo. Do Alcino prefeito por três vezes de seu município; do homem simples que buscou nas raízes sertanejas a motivação para a pesquisa e a escrita; do radialista do programa “Sertão, Viola e Amor”; do escritor da saga cangaceira e de tantos outros livros; do compositor gravado por artistas famosos. Mas principalmente do Alcino que incutiu nas jovens mentes poço-redondenses a importância da valorização de sua história e a preservação de sua cultura.

O livro poderá ser adquirido com o próprio autor na Av. Carlos Bulamarqui, 328, Centro, em Aracaju. Contato através do email: rac3478@hotmail.com

*Rangel Alves da Costa. Advogado e escritor.

Foto e texto reproduzidos do site: nenoticias.com.br

Postagem originária da página do Facebook/MTéSERGIPE, de 8 de janeiro de 2014.

Sargento Getúlio: patrimônio cultural de Poço Redondo


Publicação do site NE Notícias, em 07/03/2013.

Sargento Getúlio: patrimônio cultural de Poço Redondo
Por Rangel Alves da Costa*

Pelos idos de 1977 o cineasta Hermano Penna, juntamente com grande equipe, chegou à cidade de Poço Redondo para as filmagens de Sargento Getúlio, película cinematográfica baseada na obra homônima de João Ubaldo Ribeiro. O roteiro era do próprio autor, juntamente com o cineasta e Flávio Porto.

Na trama, o Sargento Getúlio, protagonizado por Lima Duarte, é um arrogante e violento policial sergipano, com feições tão próprias dos jagunços e capangas, que transporta em um velho automóvel e por estradas esburacadas um preso de Paulo Afonso a Aracaju. Está a mando de um líder político inimigo do prisioneiro. O líder sergipano ordenou, então Sargento Getúlio terá de capturar o desafeto na cidade baiana e trazê-lo, a todo custo, até as terras sergipanas.

Durante toda a viagem o sargento vocifera contra o poder vigente e faz ameaças ao homem. Contudo, repentinas mudanças no quadro político nacional dão uma reviravolta ao caso. Ao receber ordem para soltar o preso, Getúlio, afirmando ser pessoa de honra e compromisso, e que aquela será sua última missão, decide levar adiante seu intento, ainda que contra tudo e contra todos, e afirmando que até mataria o seu custodiado se preciso fosse. Acaba sendo vítima da própria arrogância.

Lançado em 1983, o dramático filme promove uma reflexão sobre o poder político e as relações entre o opressor e o oprimido. É a rudeza do homem aliado ao seu pacto de honradez, ainda que a violência seja vista como algo obediente ao mando e, o que é mais paradoxal, ao compromisso assumido. Enfim, o retrato de um Nordeste ainda marcado pelos ranços coronelistas.

Depois de alguns anos esperando apoio para finalização, assim que foi lançado logo recebeu as melhores acolhidas da crítica especializada, e em seguida vieram as muitas premiações. Recebeu os prêmios de filme (Júri Oficial), filme (Grande Prêmio da Crítica), filme (Grande Prêmio da Imprensa), ator (Lima Duarte), ator coadjuvante (Orlando Vieira) e som no Festival de Gramado; em 1983, no Festival de Havana, Lima Duarte venceu na categoria de melhor ator; no troféu APCA, de 1984, venceu nas categorias de melhor filme e ator (Lima Duarte).

Foram marcantes as participações dos atores sergipanos Orlando Vieira (no papel do motorista Amaro), Antonio Leite, Amaral Cavalcanti e Otávio Sales, dentre outros. Contudo, ao escolher as terras sertanejas de Poço Redondo para locação, Hermano Penna não fez uma escolha aleatória ou pela imaginação de que aquelas paisagens retratariam fidedignamente o sertão que pretendia mostrar no seu filme. Já conhecia aqueles cenários naturais, já havia filmado por lá.

Em 1976, portanto um ano antes do início das filmagens de Sargento Getúlio, foi em Poço Redondo que o cineasta filmou, para a Rede Globo, o documentário “A Mulher no Cangaço”, que seria mostrado no Globo Repórter. Contudo, o documentário não se voltou apenas para depoimentos de ex cangaceiros e cangaceiras, bem como de coiteiros e volantes, pois procurou reconstituir momentos essenciais da vida de mulheres como Dadá, Adília e Sila nas batalhas sertanejas.

Mais recentemente, em 2010, Hermano retornaria a Poço Redondo para filmar “Aos Ventos que Virão” (ainda inédito), a história do poço-redondense José Francisco do Nascimento, o Zé de Julião, o mesmo Cajazeira do bando de Lampião. No filme, contudo, é Zé Olímpio que vive a saga do sertanejo que se torna cangaceiro e, após a morte do grande líder, se volta para a política partidária, sendo candidato a prefeito e eternamente perseguido pelas forças políticas de então.

Como observado, são grandes as proximidades e os laços que unem Hermano Penna e Poço Redondo. No município sertanejo construiu grandes amizades, principalmente com o escritor e pesquisador Alcino Alves Costa (falecido em novembro de 2012), de quem ouviu pela primeira vez a história de Zé de Julião.

E tais laços foram agora, 30 anos depois, definitivamente confirmados pelo cineasta ao se mostrar honrado e sensibilizado por ter sido o filme Sargento Getúlio reconhecido como patrimônio cultural de Poço Redondo, através de projeto da Câmara Municipal aprovado neste sentido.

Segundo a atriz e promotora cultural Val Santos, uma incansável batalhadora pela preservação e valorização da cultura sertaneja, “O filme vem sendo exibido há um ano nos Assentamentos da Reforma Agrária, sítios e povoados do sertão sergipano”. Já foi exibido na Praça de Eventos de Poço Redondo, e em Canindé do São Francisco a exibição está marcada para o dia 08 de março, na Praça Central Ananias Fernandes.

No dia 03 de fevereiro deste ano, data em que seria homenageado (juntamente com os atores sergipanos), o cineasta enviou, através de Val Santos, a seguinte mensagem aos poço-redondenses:

“Minha gente de Poço Redondo, tomo para mim, dedicar essa noite a uma pessoa que não está aqui, mas sempre estará nos nossos corações. Dedico essa noite ao meu amigo, o saudoso homem de cultura Alcino Alves Costa.

Essa é uma noite em que gostaria muito de estar com vocês. Mas exigências profissionais me impediram de estar nesse ato que representa muito mais que a comemoração dos 30 anos do Sargento Getúlio. Hoje, comemoramos a entrega definitiva do Sargento Getúlio ao povo sergipano, e muito particularmente ao povo de Poço Redondo. Foi a gente de Poço Redondo que acompanhou o nascimento dessa obra e que possibilitou com seu carinho e generosidade a realização desse filme. Não posso esquecer que essa generosidade se traduziu até mesmo em sacrifícios pessoais: quantos saíram apressados de suas casas para abrigar a mim, minha equipe, os atores? Chegamos sem aviso, e logo todos estavam hospedados. Também é preciso dizer que junto a essa generosidade está o fato do profundo sentimento de admiração que a gente de Poço Redondo tem pela criação artística e pela cultura. E é esse sentimento de amor á arte e aos artistas que faz Poço Redondo ser um exemplo único para o Brasil - ao tornar um filme brasileiro patrimônio cultural de sua gente. Hoje, Poço Redondo pode se orgulhar de ser a primeira cidade do Brasil a tomar para si, como seu patrimônio, uma obra cinematográfica. Fato que deve ser divulgado, cantado em prosa e verso, para que todo Brasil saiba que nesse pedaço de sertão sua gente ama a arte, a cultura e o cinema brasileiro.

De minha parte, meu coração vibra de alegria e agradecimento. Agradeço a Val, essa guerreira da cultura. A todos meus amigos que ajudaram esse sonho ser realizado. A Câmara Municipal, que teve a grandeza de declarar o filme Patrimônio Cultural. Agradeço a Orlando Vieira, Antônio Leite, Inácio, João e outros tantos que emprestaram seu talento para tornar o Sargento Getúlio um dos filmes mais festejados do cinema brasileiro. E mais que tudo, agradeço a toda gente de Poço Redondo que tornaram possível esse filme.

Muito obrigado. Meus concidadãos, logo estaremos juntos para outras comemorações. Um beijo a todos. Hermano Penna”.

Parabéns, então, a Poço Redondo, pois, como afirmou o próprio cineasta, “exemplo único para o Brasil - ao tornar um filme brasileiro patrimônio cultural de sua gente”.

*Rangel Alves da Costa, advogado e escritor.
blograngel-sertao.blogspot.com

Texto reproduzido do site: nenoticias.com.br
Foto reproduzida do blog: salapfgastal.blogspot

Postagem originária da página do Facebook/MTéSERGIPE, de 8 de janeiro de 2014.

Ofenísia Soares Freire (1913 - 2007)


Centenário de uma grande mulher

Ofenísia Soares Freire (06.12.1913/24.07.2007)
Por Maria Lígia M. Pina.

O amor marcou a sua bela vida,
Fecunda em saber, bondade e elegância.
Elegância no vestir, no andar e no falar,
Nunca elevando a doce voz, nunca irritada,
Inda que contrariada fosse.
Suas aulas encantavam os alunos
Incentivando-os a cultivar a língua mãe
Atendendo aos ditames da Gramática.

Sua vida, exemplo de virtudes para nós
Os que tivemos a honra da sua convivência,
Alternando ensino, família, política, literatura,
Revendo mitos, lendas, fatos, personalidades,
Escrevendo crônicas e a sua obra prima
Sobre as descobertas que transformaram o mundo.

Feitos dos navegantes portugueses
Rasgando “mares nunca dantes navegados”,
Enfrentando o “Gigante Adamastor”,
Integrando mitos, lendas e história.
Reunindo deusas, deuses, ninfas e rainhas
Em “Presença Feminina em Os Lusíadas” de Camões.

Em homenagem à professora, por ocasião do centenário do
seu nascimento em 6 de dezembro de 2013.

Foto e texto reproduzidos do blog: academialiterariadevida.blogspot

Postagem originária da página do Facebook/MTéSERGIPE, de 9 de janeiro de 2013.

Professor Vilder Santos, se todos fossem iguais a você...


Publicação do site nenoticias, em 25/10/2013.

Professor Vilder Santos, se todos fossem iguais a você...
Por Rangel Alves da Costa*

Igual peregrino em busca da montanha para alongar sua visão de mundo, tal qual o sábio que espera um discípulo para as boas palavras, como o viajante que na humildade e simplicidade dialoga com pássaros e outros seres, eis a caminhada de Vilder Santos. Ou alguém que anda por aí envolto de luz e sabedoria.

Tarefa difícil qualificá-lo nos seus afazeres, diferentemente de delineá-lo no seu jeito de ser. Professor, radialista, poeta do triverso, pesquisador incansável, é uma verdadeira biblioteca ambulante. Das páginas de sua memória surgirão respostas para todo tipo de questionamento, pois homem culto sem ter a intelectualidade pedante dos especialistas. Folheia mentalmente desde impensáveis manuscritos aos conhecimentos mais atualizados.

Por isso mesmo também reconhecido como verdadeiro baú de antigas curiosidades, de fatos pitorescos de outros cotidianos, de histórias e mais histórias desde que era Aracaju era terra de cajueiros e papagaios. Traz sempre consigo fatos, datas, números, contextos; enfim, o passado na acessibilidade da informação mais confiável. Mas lhe dói recordar o parque Carrossel do Tobias, pertencente a seus pais e tão importante nas tardes natalinas do Aracaju de outros tempos.

Vez por outra o jornalista Luiz Eduardo Costa faz constar de sua página dominical no Jornal do Dia alguma importante relembrança trazida pelo Professor Vilder. Um dado histórico sobre o futebol, o exsurgir das cinzas de um acontecimento já desprezado pelas transitoriedades da vida, precisamente aquilo que não pode ser relegado pelos anais da história sergipana. Acessível a todos, terá sempre como honra ser abordado nas ruas para uma indagação.

De muitos já ouvi que quem não conhecer o Professor Vilder o acaba tomando por um simples caminhante que passa apressado para comprar o pão e o leite; de outros ouvi que dificilmente o passante imaginaria quanta potencialidade intelectual e tamanha grandeza humana acompanha aquele homem de baixa estatura, magro, cabelo baixo, de tez amorenada e sorriso sempre aguardando um chamado. Realmente, Vilder Santos contrasta a primeira visão, pois pequenino e imenso, silencioso e gritante, pacato demais e tão importante.

Importante sim, e de uma importância fundamental para a vida cultural, educacional, histórica e humana de Sergipe. Nascido em família com longas raízes políticas, filho de político atuante, pois seu pai, o saudoso Milton Santos, teve assento garantido na câmara municipal em sete legislaturas e foi figura das mais prestigiadas na política aracajuana, ainda assim Vilder reservou para si outro destino. Frequentou com avidez os bancos escolares, foi estudar em outras cidades, procurou se aprofundar em lições da religiosidade no Curso de Teologia Pedagógica e talvez até tivesse pensado no sacerdócio.

Porém, como dito, seu destino era outro. Abraçou os livros como abraça a vida, fez da busca do conhecimento toda sede e fome que possam existir num homem, percorreu seu caminho como alguém que precisava urgentemente chegar. Mas chegar aonde? Ao berço sólido do conhecimento, à indestrutível seara da formação acadêmica e humana. Daí ter se formado em Letras e Direito pela UFS, além de haver percorrido muitos outros caminhos do saber. E certamente não quis permanecer nas lides jurídicas porque sua concepção humanista e educacional lhe mostrava outro caminho.

Enveredou de vez pelos caminhos da educação, ensinando e aprendendo para ensinar, e se tornou conhecido como Professor Vilder. Seu percurso no magistério é dos mais profícuos. Ensinou no Ginásio Municipal Belém de Maria (em Pernambuco), no Atheneu, no Colégio 15 de Outubro, no Instituto de Educação Rio Barbosa, no Colégio Alcebíades Melo Vilas Boas e em outros centros educacionais. Pela sua cátedra passaram disciplinas como Português, Linguistica, OSPB e Moral e Cívica. Colocado à disposição da UFS durante 15 anos, lecionou Estudos de Problemas Brasileiros e depois Psicologia Geral e Português Instrumental.

É também radialista profissional e verdadeiramente apaixonado pelo rádio. Sua paixão é tanta por tudo que aconteça no rádio que atualmente ruboriza emocionado, como num idílio juvenil, ao falar numa locutora de uma emissora paulista que, segundo diz, possui a voz de despertar corações. Já manteve programa radiofônico regular, mas hoje parece gostar mais de participar como ouvinte ou dando pequenas entrevistas. Por isso que não é difícil encontrá-lo ouvindo um radinho de pilha.

Encontro-o sempre pelas ruas com seu caminhado de cabeça baixa, pensativo, reflexivo, ou no mercadinho pelos lados da seção de frutas e verduras. Parece ser adepto apenas da horta e do pomar. Solteiro, não fuma nem bebe, mas convive e se embriaga com a imensidão de livros que se avolumam e se espalham na sua moradia. Dorme com os livros, sonha com os livros. Sua vida são páginas de todos os livros num só livro pequenino e singelo. E quanta sabedoria em cada página.

Assim é o Professor Vilder. Alguém que anda por aí carregando uma pastinha com poucos escritos. Mas a pujança de sua bagagem está na mente, na inteligência, no conhecimento. Quem dera professor, quem dera amigo Vilder, que todos fossem iguais a você.

*Rangel Alves da Costa, advogado e escritor.

Texto reproduzido do site: nenoticias.com.br
Foto reproduzida do site: stertsergipe.com.br

Postagem originária da página do Facebook/MTéSERGIPE, de 8 de janeiro de 2014.

Núbia Marques

Foto: Macel Nauer.
Reproduzida do blog academialiterariadevida.blogspot

Publicação do Blog Patrícia Dantas, em 2 de setembro de 2013.

Opinião.

A Primeira-Dama.
Por Patrícia Dantas Romero.

Toda mulher merece casar-se, mas não com o príncipe, nem com o sapo, e sim com a consciência; a sabedoria suprema, e dela fazer-se companheira, até o último instante. Assim fez Núbia Marques, uma sergipana, nunca adormecida, que soube se deixar seduzir pela força da consciência e tornou-se a verdadeira primeira-dama do Estado de Sergipe, o ícone feminino da literatura destas terras, a representante do saber moreno, aquela que sabia versejar sobre a dor do seu povo, sobre a condição de si própria, enquanto mulher, no contexto da sua época.

Enquanto as moçoilas choravam as suas pitangas, solitárias, noites a fora, esperando se casarem com os figurões da sociedade, para se tornarem as primeiras-damas convencionais, Núbia, corajosa, já rodava, com muita classe e inteligência, à baiana do saber, buscando ser a primeira-dama por si mesma, falando alto para defender as suas ideias.

Moça, mulher, esposa, fêmea parideira, mãe, avó e profissional talentosa, Núbia não pulou nenhuma etapa, foi inteira, do inicio ao fim, com o seu bom gene da rebeldia. Dizem que era malcriada, prefiro dizer que era consciente de si, do seu próprio valor.

Assim, a nossa Simone de Beauvoir dos trópicos, venceu batalhas. Numa delas, uniu-se a Abelardo Romero, meu pai, e levantaram a bandeira pelo ingresso de mulheres na Academia Sergipana de Letras. Talvez por isso tenha sido ele o escolhido para fazer a Saudação à poetisa, quando da sua entrada triunfal ao mundo dos imortais.

Segundo disse-me Luís Antônio Barreto, na nossa última conversa no Instituto Tobias Barreto, em 2009, a dita boas-vindas do poeta à primeira-dama da literatura sergipana, em 1978, foi tão ou mais efusiva do que o próprio discurso de posse dele, em 1976. Naquele dia, entre perfumes, coletes e gravatas, ele não parava de repetir: “Núbia é um grande talento”.

Dela tenho vaga lembrança, pois as visitas ao Sítio da Catita, em Lagarto, eram esparsas. O rosto levemente avermelhado, contendo sulcos de versos, falava por si só, como as mãos, que gesticulavam sem parar. A varanda do nosso sítio ficava pequena, quase não comportava aquela conversa envolvente entre a poetisa Marques e o poeta Romero. Lá de dentro eu ouvia gargalhadas. E como sorriam! Falavam de quê, de quem? Eu, criança curiosa, tentava alcançá-los, mas não conseguia. Só sei que comungavam da mesma hóstia, a poesia.

Aprendi a admirá-la por tabela, pelos elogios que o meu pai lhe dirigia, “Amélia, Núbia fez nova poesia”, “Núbia é muito boa”, “Gosto dos versos de Núbia” e por aí vai. Mas foi num desses dias, bisbilhotando a Net, que ela me arrebatou por completo, quando li, no blog academialiterariadevida.blogspot, uma de suas últimas poesias, que transcrevo a seguir. Ali, Núbia demonstra a consciência pura ao dizer, em outras palavras, o quão importante é manter “as mãos limpas e o coração puro”. Não julgar as atitudes do outro para não carregar fardos que não lhe pertencem, ou melhor dito, numa frase “marquesiana”, não carregar “o vendaval nos cabelos”. Que visão esplêndida! Leiam o poema abaixo e durmam com o beijo quente da consciência. Boa noite!

CONCLUSÃO

Não seja eu

a que mutila
ou abandona
não seja eu
a que devora e aniquila
não seja eu
que transforma a praça
em tocaia e luto
não seja eu
a tornar o momento breve
em grave
não seja eu
a que carrega o vendaval
nos cabelos
nem a que
dorme todas as noites
no sangue derramado
do povo
não sendo eu
posso morrer na madrugada
tendo nos lábios uma rosa
e nos olhos
a última estrela da noite.

Texto reproduzido do blog: patriciadromero.blogspot

Postagem originária da página do Facebook/MTéSERGIPE, de 9 de janeiro de 2014.

quarta-feira, 8 de janeiro de 2014

Os Afoxés em Sergipe

Foto: Alberto Dutra

Artigo publicado na Revista Rever, em 13 de dezembro de 2013.

Os Afoxés em Sergipe: Articulações Políticas e visibilidade Religiosa.

As festas de celebração aos Orixás tem uma trajetória recente em Aracaju, se diferenciando da formação em Salvador. Em artigo para a REVER, Lili Santana trás o histórico desses grupos e suas relações com partidos políticos

Por Lili Santana*

No dia 08 de dezembro, dia de Nossa Senhora da Conceição/Oxum ocorre o cortejo de afoxés na Orla de Atalaia em Aracaju. Esse cortejo completa sua nona edição este ano. No entanto, também existem afoxés que não fazem seus cortejos nesta data, mas em dias específicos homenageando os seus orixás.

Mas o que é afoxé? Afoxé é uma manifestação cultural que busca dar visibilidade aos elementos do candomblé para a sociedade através de rituais e símbolos que remetem à religião (roupas, adereços, músicas, danças e instrumentos musicais) e tem como elementos principais que o caracterizam: o ritmo ijexá e o cortejo. Eles também têm como pauta discursos de resistência cultural e luta étnica pela valorização do negro enquanto ser social.

Os afoxés no Brasil surgem primeiramente na Bahia, mais especificamente no ano de 1895, em Salvador, período de fortes proibições a elementos que remetessem ao candomblé e à cultura negra. Naquele momento, havia no país a campanha higienista e uma busca pelo embranquecimento da população. Neste cenário surgem os primeiros afoxés evidenciando o candomblé nas ruas da cidade, demarcando um espaço territorial e se fazendo presente enquanto meio de resistência cultural dos negros na sociedade baiana. Esse período passa a ser denominado de “africanização” da Bahia por remeter-se ao passado de origem africana e começar a utilizar elementos que situem essa origem. Esse ideal de “africanização” espalhou-se por vários estados brasileiros.

Foi também através da saída dos afoxés às ruas que se criou o carnaval em Salvador, ainda não o carnaval como conhecemos atualmente, mas uma espécie de proto-carnaval que culminaria com o carnaval atual.

No século XXI (precisamente em 2005) aparecem os primeiros afoxés em Sergipe, em contextos completamente diferentes dos encontrados na Bahia. Diferente de Salvador, os que se iniciam em Sergipe estão fortemente ligados à política partidária, contudo os discursos utilizados são similares aos mesmos do século XIX, valorizando a busca pela origem africana e valorização étnica.

A religião a qual os afoxés estão vinculados em Sergipe é o candomblé, o qual se utiliza do calendário católico para produzir suas festas. Nesse sentido, é utilizada a correlação entre os santos para que a festa se desenvolva no mesmo dia. Sendo assim, é vinculado ao ciclo de Oxum (um dia de homenagens ao orixá Oxum e concomitantemente a santa católica Nossa Senhora da Conceição) que vai surgir o primeiro afoxé sergipano e, posteriormente, alguns outros afoxés.

O afoxé Omo Oxum, foi o primeiro afoxé a surgir em Aracaju. Ele apareceu em 2005 como um afoxé exclusivamente feminino. O nome Omo Oxum dado a esse afoxé está relacionado à descendência do terreiro Abaçá São Jorge que é matriarcal e descendente de Oxum, tendo em vista que Oxum era o santo de cabeça de Mãe Nanã a matriarca do terreiro Abaçá São Jorge, a qual se tornou uma mãe de santo famosa e muito reconhecida em vários lugares do país.

Desde o período de Mãe Nanã, já havia fortes ligações com a política sergipana, alguns mencionando que ela tinha excelente relação com o governador do Estado Leandro Maciel, encontrando nele um bom aliado. Assim, Marizete dá continuidade aos trabalhos anteriores e também se consolida como sacerdotisa de grande reconhecimento no estado e em vários lugares do país, cercando-se também de aliados influentes, o que possibilitou o contato dela com os políticos locais para viabilizar o surgimento do afoxé.

Pautado na articulação política surgiu o primeiro afoxé de Sergipe, criando oportunidades para que outros afoxés também pudessem ser criados. Sendo assim, em 2007 surge mais um afoxé em Sergipe, o Afoxé Akueran. Este afoxé aparece após a “separação” de alguns membros do Ilê Axé Dematá Ni Sahara com o Omo Oxum, efetivando-se como um afoxé próprio que faz parte da Associação Afro Cultural Akueran a qual foi criada dentro do Ilê Axé Dematá Ni Sahara. O afoxé faz parte dessa associação que desenvolve algumas atividades com a comunidade do bairro em que o Ilê está situado, principalmente voltadas à saúde dos moradores.

No primeiro cortejo deste afoxé, ele era composto exclusivamente por homens. Entretanto, a partir de 2008, torna-se uma manifestação sem divisão de gênero. Em relação ao nome, foi dito que ele possui o nome Akueran devido a ligação com Logun- Edé e com Oxóssi. O Akueran seria uma entidade que é uma qualidade de Oxóssi, então o termo foi pensado como forma de homenageá-lo e significa o filho do grande rei que é farto. Este afoxé sai atrás do Omo Oxum e encerra o ciclo existente nesse dia.

Em 2008 surge mais um afoxé denominado de Di Preto, o qual tem apresentações em dias variados, mas vem também se apresentando há alguns anos na Lavagem de Nossa Senhora da Conceição, o que o coloca também dentro desse ciclo festivo. Ele leva esse nome, segundo seu representante, devido a uma figura de linguagem em que se diz que algo é “di preto”. Aproveitando-se dessa palavra passou-se a utilizar o termo Di Preto para o afoxé, que se tornou Grupo Afro Popular Afoxé Di Preto. Em relação a pertencer a algum terreiro, os representantes do afoxé Di Preto são todos vinculados à casas de santo, mas não possuem um terreiro específico de criação do afoxé.

Os demais afoxés existentes em Sergipe não estão atrelados ao ciclo de Oxum, tendo apresentações em dias diferenciados e reverenciando outros orixás. Percebemos que todos os afoxés estão buscando respeito e visibilidade religiosa, entretanto, a maioria dos afoxés deste estado estão diretamente vinculados à política partidária, sendo os afoxés dependentes dos gestores políticos ao surgir e para conseguir se desenvolver. Desde o financiamento para que ocorram os cortejos, até o registro burocrático dos afoxés são instituídos por via política. Nem todos os afoxés sergipanos possuem ligações próximas com a política partidária, mas a maioria deles possui essa dependência.

A inclusão dessas manifestações em meio à sociedade, a qual posteriormente os incorporou ao calendário cultural de Aracaju, bem como no calendário cultural do estado passaram a existir a partir da gestão municipal de Marcelo Déda (PT) como prefeito da capital sergipana. Foi através de articulações políticas que se possibilitou o surgimento do primeiro afoxé em Sergipe, e posteriormente o aparecimento de outros.

Através dos contatos estabelecidos entre os representantes dos afoxés e gestores políticos foi que os afoxés surgiram e conseguiram se desenvolver. As aberturas políticas advinda com o governo Lula em âmbito nacional e em eixo local com a chegada do PT à prefeitura de Aracaju e posteriormente ao governo do estado, possibilitou essa relação de co-produção entre os afoxés e os gestores políticos. A partir dessa relação os afoxés conseguiram apoio para realizar os cortejos, assim como o registro jurídico que os afirmam enquanto afoxé. Assim, a relação estabelecida entre os afoxés e a política partidária sergipana foi essencial para que houvesse o aparecimento e desenvolvimento desta manifestação cultural na sociedade.

Entretanto, as relações estabelecidas entre os afoxés sergipanos e a política partidária são desiguais, fazendo com que alguns afoxés consigam se desenvolver majoritariamente enquanto outros tenham poucas possibilidades de desenvolvimento.

Dessa forma, em Sergipe, o afoxé aparece como meio de viabilizar uma cultura denominada de “afro”, mas concomitantemente é também um meio de viabilização de gestores políticos que se utilizam dessa co-produção para se fazer presentes na manifestação e obter também visibilidade e respaldo. É então através de articulações políticas e buscando visibilidade e respeito religioso que os afoxés surgem e se desenvolvem nesse Estado.

*Lili Santana é mestranda em Antropologia pela Universidade Federal de Sergipe.

Imagem e texto reproduzidos do site: revistarever.com

Postagem originária da página do Facebook/MTéSERGIPE, de 7 de janeiro de 2014.

terça-feira, 7 de janeiro de 2014

Festa das Cabacinhas no município de Japaratuba.


Festa das Cabacinhas.

Quem visita o município de Japaratuba, distante 54 quilômetros da capital sergipana, no início de janeiro, é recebido pelos moradores com rajadas de uma conhecida bolinha recheada com água: A cabacinha. O artefato produzido a base de parafina se tornou o principal elemento da festa profana de Santos Reis e São Benedito, realizada anualmente por estimular uma gostosa e refrescante brincadeira entre os foliões.

Mas, apesar do festejo acontecer durante a estação mais quente do ano, o verão, e a cabacinha ter um teor altamente refrescante, sua introdução no evento se deu com outra finalidade. A antiga ‘bolinha de cheiro’ foi inserida para aguçar o instinto da paquera entre os participantes. Segundo historiadores, as pessoas colocavam água perfumada dentro da bola de parafina e arremessavam nas outras com a intenção de agradar, chamar a atenção. A cabacinha era usada para atrair. Em Aracaju, por exemplo, a bolinha chegou a ficar conhecida como “limão de cheiro”.

Com o passar do tempo, a utilização da Cabacinha no festejo perdeu sua essência. No entanto, apesar da mudança, o artefato continua sendo um dos principais atrativos da festa, tornando-se, inclusive, fonte de renda para milhares de famílias que passaram a fabricá-las. De acordo com informações das próprias ‘cabacinheiras’, são produzidas para os três dias de festa, por cada artesã, cerca de quatro mil cabacinhas.

Além das famosas bolinhas de parafina, as grandes atrações, contratadas para o evento, também colaboram para que a festa de Santos Reis seja atualmente, considerada como um dos maiores festejos interioranos do Estado de Sergipe. Para cada noite de festa, o município de Japaratuba costuma receber aproximadamente dez mil pessoas que vão à cidade para curtir shows de bandas de renome nacional.

Assim como na programação noturna, durante o dia, milhares de pessoas também são atraídas à Japaratuba, para ‘guerrear’ com as cabacinhas e desfrutar dos arrastões com trio elétrico, que percorrem as principais vias do município.

Fonte: Prefeitura Municipal de Japaratuba/SE.
Foto: reproduzida do blog Toni Xocolate.

Postagem originária da página do Facebook/MTéSERGIPE, de 5 de janeiro de 2014.

sábado, 4 de janeiro de 2014

Senador Júlio César Leite faz 24 anos de falecido. (06/02/2014)


Senador Júlio César Leite faz 24 anos de falecido.

Os frutos do seu trabalho continuam vivos.

Era uma manhã de domingo; eu fui à Igreja Santa Cruz assistir a celebração da Santa Missa celebrada pelo Bispo Diocesano Dom Hildebrando. Era uma missa em Ação de Graças pelo aniversário do saudoso Júlio César Leite. Isso há cerca de 10 anos.

Fui convidado pelo seu filho primogênito doutor Jorge Leite. E nesse dia, o mesmo estava presente acompanhado de familiares. Após a celebração, pessoas idosas residentes no Bairro Santa Cruz foram presenteadas com brindes, mantendo viva uma tradição iniciada pelo saudoso senador.

Ao final da missa, doutor Jorge Leite, num gesto de atenção aos amigos, os esperava na porta de saída da capela para lhes dar um aperto de mão em agradecimento. Estava radiante com a presença dos amigos; entre estes, muitos funcionários das suas empresas. No próximo dia 06 de fevereiro faz 24 anos de falecido. Se vivo estivesse, estaria com 118 anos de idade. Um homem que imprimiu respeito e carinho para com os seus operários.

Homem de visão penetrante para o futuro, de inteligência culta, de honradez no cotidiano, simpático na convivência, elegante, gentil e leal com os amigos, lembra o amigo de muitos anos José Félix. Tudo isto fazia do senador Júlio Leite uma personalidade fantástica; um homem que se tornou um dos vultos ilustres do solo sergipano. Ele foi o responsável por uma era de incremento do progresso de Estância quando elegeu esta cidade para ser sede dos seus empreendimentos gerando milhares de empregos diretos na Fábrica Santa Cruz, muitos até os dias presentes.

Deixou sua contribuição para Estância e para Sergipe com empreendimentos tais como: Fábrica Santa Cruz, escolas, biblioteca, creche, cinema, estádio, clube dançante, assistência médica e odontológica. Construiu o prédio Gonçalo Prado em 1937 e o reformou no ano de 1944, por onde passaram grandes nomes do cenário artístico do país - Grande Otelo, Procópio Ferreira, Vicente Celestino - espaço de exibição de filmes, encenações teatrais e shows de calouros e cantores locais. Esses pontos proporcionavam merecido lazer aos funcionários após afanoso dia de trabalho.

Em 1951, um ilustre visitante, o Cônsul Inglês na Bahia, Maurice Stout, em visita à Fábrica Santa Cruz fica impressionado com a grandeza dos serviços sociais oferecidos aos operários e os compara melhores que os oferecidos na Inglaterra.

Foi responsável pela construção de casas nas ruas Erasmo Loyola, Praça José de Souza, Antônio Joaquim, Raimundo Nascimento; construiu as escolas D. Antônio Cabral, Dr. Oscar Prata, Comendador João Sobrinho e D. Quirino; construiu creche, refeitório, o mercado e ferinha da Santa Cruz, Escola de Corte e Costura e a fonte da Donana, existente até hoje, próximo ao Fórum Eleitoral.

Em 1950, assim que iniciou sua vida política, Júlio César Leite passou a direção das suas empresas para o seu filho primogênito, doutor Jorge Leite. E juntamente com nomes célebres a exemplo de José Rolemberg Leite, Edézio Vieira de Melo, Arnaldo Garcez, Leite Neto e muitos outros adentrou ao cenário político sergipano e elegeu-se nesse mesmo ano a Senador da República. Exerceu o mandato de 1951 a 1954.

Integrou a Comissão de Finanças onde foi relator do Ministério da Fazenda; foi Presidente da Comissão de Economia do Senado Federal. Cursou a Escola Superior de Guerra e representou o Brasil na Conferência Internacional de Bonkok. Foi nomeado para o Conselho Nacional de Economia, onde ocupou a Vice-Presidência no período de 1959 a 1960, depois Presidente de 1960 a 1961 e conselheiro no ano seguinte.

Foi reeleito Senador por Sergipe para o segundo mandato, de 1962 a 1968. Foi líder do seu partido e vice-líder do Bloco Parlamentar Independente. Foi membro da Comissão do Polígono das Secas do Senado Federal.

Em 1970 aos 74 anos, afastou-se da vida política com carta dirigida ao Presidente da ARENA, senador José Rolemberg Leite, onde dizia ser o seu desejo, com esse gesto, ‘Dar oportunidades aos jovens do partido’. Selou a vida pública de forma honrada, íntegra e respeitada.

Deixou a política definitivamente para dedicar-se as atividades particulares firmando residência no Rio de Janeiro. Mesmo longe de Estância jamais se esqueceu da cidade, dos amigos e funcionários da Fábrica Santa Cruz, de modo que, buscava manter-se informado por meio dos familiares sobre os acontecimentos da cidade de Estância.

O comprometimento com a Educação vem de longe: cedeu gratuitamente o prédio que hoje é sede da Sulgipe (centro) ao SENAI para que fosse implantado em Estância até conseguir estabelecer sede própria; comprometimento mantido pelo seu filho doutor Jorge Leite e renovado pelo seu neto, Ivan leite, engenheiro elétrico, deputado estadual, prefeito de Estância e secretário de Estado da Indústria e Comércio, até os dias de hoje continua acessa a preocupação com a geração de oportunidades para o operariado e juventude.

Tudo isso é preciso ser dito para que todos aqueles que se sentarem nas cadeiras do Gonçalo Prado, nas arquibancadas do Estádio da Vila Operária, que praticarem esportes na Quadra do Santa Cruz, que se divertirem no Centro de Recreação Operária (Cassino), que residirem nas casas da Avenida Santa Cruz e até aos que ocupam as vagas de empregos das empresas da família Leite, saibam que estas coisas não nasceram por milagre e sim pelo trabalho fecundo e dedicação de um grande homem, de visão futurista, que dedicou sua vida em função do progresso de Estância e de Sergipe.

O senador Júlio César Leite nasceu em 06 de novembro de 1896 na cidade de Riachuelo, Sergipe; filho do casal Francisco Rubens Leite e Maria Virginia Acioli Leite. Casou-se com Maria Carmem da Cruz Prado Leite, com quem teve dez filhos. Formado Ciências Jurídicas e Sociais pela Faculdade Livre de Direito, Rio de Janeiro, no ano de 1917.

Foi Delegado de Polícia em Aracaju 1918/1920; foi Chefe de Polícia do Estado em 1929; Inspetor Escolar do Estado 1920/1921; Diretor do Serviço de Água e Esgotos de Aracaju 1926/1930; banqueiro do Banco Mercantil Sergipense, (casa fundada em 1924, tendo como companheiros o Coronel Gonçalo Rollemberg do Prado, seu sogro, e Moacir Rabelo Leite); industrial da Fábrica Santa Cruz, fundada pelo comendador João de Souza Sobrinho, e mais tarde adquirida pelo coronel Gonçalo Rollemberg do Prado. Doutor Júlio Leite faleceu aos 94 anos, em 06 de fevereiro de 1990, no Rio de Janeiro.

Fábrica Têxtil Santa Cruz

A Fabrica Santa Cruz foi a segunda no Estado, fundada em 1891 pelo comendador baiano João Joaquim de Souza Sobrinho. Seus primeiros feitos produtivos aconteceram em 1896 tendo 150 teares e 250 operários. Anos depois, em estado de falência, foi adquirida pelo coronel Gonçalo Rollemberg do Prado, sogro de Júlio Leite, no ano de 1937. Negócio fechado, doutor Júlio assume a direção da indústria têxtil agora trilhando novos horizontes.

Ao assumir o comando, a Fábrica Santa Cruz dá uma guinada e o novo diretor manda construir casas, creche, cine-teatro, refeitório, centro de recreação, quadra esportiva, biblioteca, oferece serviços médicos e odontológicos aos operários, melhora as condições de trabalho, regulariza os salários, constrói sua residência defronte da igreja Santa Cruz, a qual também recebeu reformas. A Fábrica Santa Cruz sai do estado de falência e passa a prosperar. De acordo com o livro ‘Um Homem Chamado Trabalho’, de Ricardo Leite, em 1940 Estância possuía 18 mil habitantes, dos quais 1.700 eram operários da Santa Cruz, quase 10% da população.

Inspirado na vocação do seu pai doutor Jorge Leite pelo trabalho, na inteligência política do seu avô Júlio César Leite, hoje Ivan Leite é a soma de essa gama de paixão pelo trabalho e pela política. Legado que lhe serve de inspiração para continuar trabalhando em prol do bem do povo estanciano, abrindo mão de bens da Família para viabilizar progresso para sua gente. Um homem que reúne as qualidades de representar Sergipe em qualquer uma das esferas políticas desse país, seja como Deputado Federal, como Senador da República, seja como Vice-Governador ou até mesmo como governador do Estado. Os frutos plantados pelo saudoso senador continuam vivos a servir os estancianos sob a coordenação de doutor Jorge (filho) e doutor Ivan Leite (neto).

Esta é minha simples homenagem na passagem do seu aniversário de morte, próximo dia 06 de fevereiro.

Genílson Máximo.

Foto e texto reproduzidos do Facebook/Linha do Tempo/Genilson Máximo.

Postagem originária da página do Facebook/MTéSERGIPE, de 4 de janeiro de 2014.