terça-feira, 15 de abril de 2014

Aracaju: entre a evolução urbanística e a diversidade arquitetônica

 Foto reproduzida por MTéSERGIPE, do blog: coisasdoestadodesergipe.blogspot

Foto reproduzida por MTéSERGIPE, do blog: colegiomedici.blogspot

Publicado originalmente no site ufs.br, em 18/03/2009.

Aracaju: entre a evolução urbanística e a diversidade arquitetônica
Por Saulo Henrique Souza Silva

Em 1859 o viajante alemão Ave L’Allement registrou a seguinte impressão de Aracaju: “por toda parte se trabalha, por toda parte se constrói, se cria (...)”. Impressão natural visto que a cidade havia sido fundada há apenas quatro anos para ser a capital da província de Sergipe. Entretanto, um século e meio após a observação do explorador, Aracaju continua uma cidade mutante. Tais mudanças na paisagem aracajuana podem ser apreendidas por sua diversidade arquitetônica e urbanística.

Aracaju, como é do conhecimento geral, foi originalmente planejada por Sebastião José Basílio Pirro seguindo um plano em xadrez, cujas ruas, casas e edificações públicas suplantaram pântanos, braços de rio e areais. Cidade voltada para as margens do Rio Sergipe, pois nascera para ser portuária, o “tabuleiro de Pirro” é marcado pelo traço rígido das ruas e pela sua adaptação à curvatura do rio. Por essa razão, muito se tem dito que “Aracaju é obra voluntária dos homens. Nasceu artificialmente e foi imposta pela arte humana à natureza circundante” (FONTES, 2004, p. 112). Foi nesse ambiente onde se desenvolveu a vida urbana de Aracaju e onde a destreza humana ergueu, ainda no séc. XIX, seus primeiros conjuntos arquitetônicos, rente à antiga Rua da Aurora, conhecida popularmente como Rua da Frente.

São exemplos dessas construções antigas, o prédio da antiga Alfândega, situado na Praça General Valadão, o antigo Paço Provincial, hoje delegacia do ministério da fazenda, na Praça Fausto Cardoso, a igreja de S. Salvador de estilo eclético, localizada na esquina dos calçadões das Ruas Laranjeiras e São Cristóvão, a Ponte do Imperador, na verdade um atracadouro, construída em 1860. Outros monumentos históricos como o Palácio Olímpio Campos, de estilo neoclássico, e a Catedral Metropolitana, edifício eclético que permuta entre o neoclássico e o neogótico, estavam prontos ainda no século XIX. Esse caráter heterogêneo das edificações de Aracaju ganhou relevo na primeira metade do século XX com a construção dos mercados Antônio Franco e Tales Ferraz, e dos prédios de linhas déco, traçados pelo alemão Altenesch, como o “Palácio Serigy, na Praça General Valadão, o Instituto Histórico e Geográfico de Sergipe, à Rua de Itabaianinha” (Aracaju e seus Monumentos, 2005, p. 18). Entre outras construções que embelezaram e diversificaram a arquitetura de Aracaju, a partir de então contando com água encanada, em 1908, iluminada pela luz elétrica, 1913, e em 1926 com bondes elétricos.

Porém, foi após os anos 50, com a diversificação da economia da cidade, influenciada pela vinda da Petrobras na década de 60, que a arquitetura de Aracaju passou a ter contornos notadamente modernistas. São construídas diversas residências, especialmente na área da Rua Villa Cristina, que seguem os padrões da arquitetura moderna. É nessa época também que Aracaju ganha seu primeiro arranha-céu. O Edifício Atalaia, de frente para o Rio Sergipe, inseriu de maneira ímpar os seus 10 pavimentos no cenário arquitetônico e urbanístico da cidade, comprovando “ser possível uma construção de tal porte em terrenos alagadiços e arenosos” (NERY, 2003, p. 25). A partir de então, Aracaju entrou de vez nos panoramas das altas edificações, as quais, concentradas peculiarmente na região da Praia 13 de Julho, exploram diversos estilos arquitetônicos. Aliado a isso, houve a construção de novos bairros, shoppings, pontes e viadutos, que mudaram rapidamente o cenário aracajuano; esses fatos correspondem à notável evolução urbanística da cidade, cuja população passou de 179. 276 habitantes, em 1970, para 536.785, segundo censo do IBGE de 2008.

Com efeito, a Aracaju do séc. XXI continua uma cidade visivelmente mutante. Entretanto, tais mudanças lançam importantes desafios à sua população e aos seus governantes. Entre eles, o dever de manter sua tradição de cidade planejada, a consciência de preservar seus monumentos mais antigos, a partir da revitalização do Centro Histórico. E, sobretudo, a responsabilidade de equacionar, através de uma discussão mais séria sobre o Plano Diretor da cidade, o crescimento urbano com o cuidado do meio ambiente. Talvez, esse último seja o maior desafio da capital sergipana.

Referências bibliográficas:
FONTES, José Silvério Leite. “A evolução de Aracaju”. In: Formação do povo sergipano. Aracaju: Governo do Estado de Sergipe, 2004.
NERY, Juliana C. “Registros: as residências modernistas em Aracaju nas décadas de 50 e 60”. In: V Seminário DOCOMOMO Brasil. São Carlos: CD-Rom do V Seminário DOCOMOMO Brasil, 2003.
SERGIPE, Governo do Estado. Aracaju e seus monumentos: sesquicentenário da capital Aracaju 1855 – 2005. Aracaju: Triunfo, 2005.

Currículo:
Licenciado em Filosofia pela Universidade Federal de Sergipe (2005), é Mestre em Filosofia pela Universidade Federal da Bahia (2008). Pesquisador do Núcleo de Estudos em Filosofia da História e Modernidade (NEPHEM) da UFS, seus interesses giram em torno da filosofia política e modernidade, concentrando as pesquisas no pensamento político inglês do século XVII.

Texto reproduzido do site: ufs.br/conteudo/aracaju

Postagem originária da página do Facebook/Minha Terra é SERGIPE, 15 de abril de 2014.

Memorial do comércio.

Augusto Barreto (foto), dirigindo o carro do Café Império, foi um dos grandes comerciantes de Aracaju, promovendo artistas, circos, e misses, movimentando a vida social da capital sergipana.

Infonet - Blog Luíz A. Barreto - 04/04/2008.

Memorial do comércio.
Por Luíz Antônio Barreto.

A Associação Sergipana de Supermercados, que em janeiro completou 30 anos de fundada, e que está instalada na rua Campos, 496, na casa onde viveu e morreu Carlos Firpo, médico, ex-Prefeito de Aracaju, assassinado há 50 anos

A Associação Sergipana de Supermercados, que em janeiro completou 30 anos de fundada, e que está instalada na rua Campos, 496, na casa onde viveu e morreu Carlos Firpo, médico, ex-Prefeito de Aracaju, assassinado há 50 anos, caso que desde lá continua envolvido em mistério, criou um MEMORIAL para preservar a história do comércio varejista, fazendo um registro da evolução das atividades de negócios, desde as antigas feiras, passando pelas bodegas, quitandas, mercearias, armazéns, até o auto-serviço dos supermercados, no que Sergipe deu grandiosa contribuição, formando com Mamede Paes Mendonça, e seu cunhado Antonio Andrade, a rede Pague Menos, na Bahia, com Pedro Paes Mendonça e seu filho João Carlos Paes Mendonça, a rede BOMPREÇO, em Pernambuco, e com Gentil Barbosa e seu irmão Noel Barbosa, a rede G. Barbosa, três das maiores do Brasil, em seus respectivos momentos.

O MEMORIAL historia as feiras, fixando os dias da semana em que tais ajuntamentos comerciais eram autorizados, no interior sergipano, apontando a presença de comerciantes que construíram biografias notáveis, a partir desse contato informal. Um grande exemplo foi o de Oviêdo Teixeira, que vendeu retalhos de tecidos na feira do Saco do Ribeiro, atual Ribeirópolis, antes de estabelecer-se em Itabaiana, depois em Aracaju onde fez sucesso como empresário múltiplo, em vários setores do comércio, sendo, ainda, um dos grandes criadores de gado do Estado, com participação nas maiores exposições de animais de raça.

As bodegas ou quitandas, que são pequenos estabelecimentos comerciais, comuns em todas as comunidades do Estado, também mereceram um registro no MEMORIAL, como etapa importante na evolução dos negócios. Dos menores aos maiores povoados, as bodegas ou quitandas prestam um serviço básico, fornecendo gêneros necessários à sobrevivência. É certo que o progresso tem levado ao interior variedade de produtos, que passam a ser do consumo comum das populações, mas isto não retira das velhas, pequenas e curiosas bodegas o papel de abastecedor, daquilo que fosse absolutamente necessário. Sem contar que as bodegas ou quitandas foram pontos de encontro, reunindo diariamente freqüentadores, cada um com seu perfil de conversador.

As mercearias e armazéns de secos e molhados, que antecederam as lojas de auto-serviço, cumpriram um importante etapa do comércio sergipano, abastecendo Aracaju e as demais cidades. Eram casas sortidas, oferecendo muitas opções de produtos, dos mais simples e básicos, aos mais sofisticados, importados para o mais fino paladar e para ornar o interior das residências locais. Muitas das mercearias e armazéns seguiram em frente e deram o passo evolucional seguinte, mudando para supermercado, onde o cliente tinha a total liberdade de escolher os produtos que precisava e até os que não necessitava e se dirigir diretamente aos caixas, sem contatos intermediários.

Mamede Paes Mendonça, Pedro Paes Mendonça, Gentil Barbosa, para citar apenas os três maiores de Sergipe em redes de supermercados, tiveram mercearias e armazéns, no interior e na capital, e levam a experiência de seus negócios para empreendimentos maiores, fora e dentro do Estado, que repercutiram no País. A Junta Comercial de Sergipe guarda, desde 1939 e até os dois primeiros meses de 2008, 1582 registros de casas comerciais de comércio varejista, incluindo os mercadinhos e supermercados, que aderiram ao auto-serviço e se espalharam, nos bairros da capital, e pelas cidades do interior. Dentre esses registros há o de Pedro Antonio dos Santos, conhecido como Pedro Reservista, nascido em Itabaiana, que teve um pequeno armazém no interior do Mercado Antonio Franco e que saiu de lá para montar, em plena Avenida Barão de Maroim, na zona sul da cidade, o Supermercado Preço Bom, que ainda hoje, sob a direção dos seus filhos, principalmente de Reginaldo Antonio Santos, ajudado pelo irmão Regivaldo Antonio dos Santos, sobrevive, resistindo as megas lojas que são instaladas em vários pontos de Aracaju.

O MEMORIAL destaca, ainda, em sua exposição de grandes formatos, com textos e fotos, um conjunto de anúncios de casas comerciais das primeiras décadas do século XX, algumas delas ainda atuantes, como a de Júlio Prado Vasconcelos, tocada por José Tomás Vasconcelos, bem como a continuidade de outros negócios varejistas, como os que Joram Vasconcelos, recentemente falecido, José Alcides Vasconcelos e Manuel do Prado Vasconcelos Filho, o Pradinho, que honram a memória do pai, Manuel do Prado Vasconcelos, conhecido como “Seu Reizinho”. Tomando Itabaiana como referência, pois grande parte dos comerciantes de Aracaju veio da terra serrana, o MEMORIAL recupera a história de Edezio Vieira da Silva, nos anos de 1960 e da família Peixoto, desde Miguel de Carvalho Peixoto, que desde os anos de 1970 comerciam no varejo, seguidos pelos Irmãos Peixoto – Daniel, Messias e Veríssimo – que formaram a empresa Irmãos Peixoto e que seguem, atualmente, caminhos individuais, cada qual com seu negócio.
O comércio sergipano, das feiras aos supermercados, está retratado e anotado no MEMORIAL DO COMÉRCIO VAREJISTA, na sede da ASES e disporá de uma base de dados, para ampliar o que está contido nos grandes painéis expostos em duas salas, ao lado de um espaço cenográfico que recupera formas velhas de negócios.

Foto e texto reproduzidos do site: infonet.com.br/luisantoniobarreto

Postagem originária da página do Facebook/Minha Terra é SERGIPE, de 15 de abril de 2014.

A história do homem-peixe

 Zé Peixe, o prático.

Xilogravura de Zé Peixe.
Foto: Divulgação.
Reproduzida do site: casa.abril.com.br

Xilogravura de Zé Peixe, de Elias Santos,
Foto: Divulgação.
Reproduzida do site: casa.abril.com.br

Molde do perfil de Zé Peixe.
Foto: Divulgação.
Reproduzida do site: casa.abril.com.br

A escultura de concreto em tamanho natural,
batizada de "O Prático", faz parte do acervo
permanente do museu.
Foto: Divulgação.
Reproduzida do site: casa.abril.com.br

Publicado originalmente por Casa Abril, em 27 de Dezembro de 2013.

A história do homem-peixe

Mostra no Museu da Gente Sergipana conta a história do Zé Peixe, o José Martins Ribeiro Nunes.

Texto Letícia de Almeida Alves | Fotos Divulgação.

A mostra Zé Peixe – Além das Águas, realizada pelo Instituto Banese no Museu da Gente Sergipana, relembra os feitos desse nadador excepcional e inclui uma exposição com poemas de Araripe Coutinho, xilogravuras e croquis de Elias Santos.

Figura lendária em Aracaju, José Martins Ribeiro Nunes (1927-2012) dispensava o uso de barco para exercer sua atividade de prático – aquele que orienta as manobras dos navios no porto. Ia a nado pelo rio Sergipe e, assim, virou Zé Peixe, cuja vida é contada numa bela exposição.

O impulso e a tomada de fôlego, necessários para rasgar as águas, ficaram eternizados na escultura de concreto assinada pelo artista Elias Santos, posicionada no jardim frontal do Museu da Gente Sergipana, instituição dedicada à cultura e ao modo de vida desse povo. “É uma imagem interessante, já que o prédio fica voltado para as margens do rio Sergipe”, explica Ezio Déda, diretor do museu e superintendente do Instituto Banese.

Zé Peixe – que recebeu diversos prêmios por seus feitos, entre eles a Medalha Mérito Tamandaré, da Marinha – foi retratado na estátua e também em desenhos e xilogravuras exatamente como era visto diariamente: com os pés descalços e vestindo um calção de banho. “Ele era um homem humilde, mas com capacidades extraordinárias”, afirma Marcelo Rangel, diretor de projetos do Instituto Banese.

Foto e texto reproduzidos do site: casa.abril.com.br

Postagem originária da página do Facebook/Minha Terra é SERGIPE, de 15 de abril de 2014.

"Escute Aqui, Tobias"



"Escute aqui, Tobias"
Por Petrônio Gomes.

“Você não está percebendo nada? Quando a gente gosta de uma coisa, Tobias, ela não é guardada hoje aqui e amanhã, em lugar diferente. Tem lugar certo, destacado, para que as visitas compartilhem de nossa alegria em possuí-la. Somente quando deixamos de prezar um objeto, é que não encontramos lugar na casa para ele, largando-o em qualquer canto obscuro, atrás de uma cama, em cima do guarda-roupa. Você tinha pousada certa, Tobias, lembra-se?”

A Praça Pinheiro Machado (hoje Tobias Barreto) ficava engalonada e alegre para receber seu carrossel; aquelas árvores recebiam luzes da noite para o dia. Você ainda era jovem e seu riso mais simpático. Nunca lhe colocaram onde não houvesse uma Igreja por perto, pois o melhor da festa era esperar pela Missa do Galo. E a garotada, lá na Igreja, muito contra a vontade, ficava escutando o seu apito estridente, doida para voltar. Nunca deixou de haver filas em torno de seus cavalinhos, tão disputados pelos pais cansados e impacientes. Se para outra parte se levavam os meninos, era por não ter sido possível encontrar vazio um dos seus pequenos corcéis. Ninguém achava graça na roda gigante como no seu carrossel, Tobias, mas os tempos foram passando. Você hoje está encanecido e usa óculos.

Os velhos foram se desgostando dos ruídos de que tanto gostam as crianças. E resolveram tirar Tobias. Onde colocá-lo? Todos fazem a mesma pergunta e uma meia dúzia de adultos fornece a resposta, que deveria pertencer aos meninos. Procura-se uma praça distante, onde a algazarra dos que estão contentes com esta vida não perturbe a muitos desiludidos. Essa Praça não existe. Os meninos começam a reclamar, cada vez que avistam os cavalinhos deitados, as barcas desarmadas e os aviões pelo chão.

Na Praça Pinheiro Machado? Não serve. Existe ali um Colégio de Freiras e não se sabe se a praça pertence ao colégio ou a cidade. No Parque? Também não. A festa é dos meninos, mas a gente grande é que estraga tudo o que está bem cuidado. Na Praça da Bandeira? Existe um Hospital nas vizinhanças.

Terminaram arranjando um lugar que não é praça nem tem Igreja, mas tem um nome pomposo: Esplanada do Bomfim. Fui vê-lo, Tobias, lá em cima do guarda-roupa, esquecido e de cabelos brancos. Os velhos já estão cansados e fartos do burburinho e jogaram Tobias atrás de um circo. Não deixaram um espaço para a garotada estirar as pernas, pois existe a construção da Estação Rodoviária.

Mas eu fui. E aqui estou para prestar-lhe minha solidariedade, velho Tobias. Agradeço-lhe pela expressão de felicidade que vi no semblante das crianças. Elas são alegres durante todo o ano, mas na época do Natal é que podemos ouvir em coro toda a pureza dos risos infantis. Percorri todos os brinquedos, comprei pipocas, carreguei nos braços minha caçula adormecida.

No próximo ano, Tobias, qual será o lugar da sua cidade de sonhos? Talvez concordem em deixar mais uma vez seu carrossel na Esplanada. Ficarei torcendo para não lhe mandarem para a Estrada da Cerâmica, para trás da Caixa d'água, para o inferno...

(Crônica originalmente publicada na 'Gazeta de Sergipe', em 27 de dezembro de 1959)

Notas do autor:
"Tobias" - nome dado ao boneco principal do carrossel.
"Praça Pinheiro Machado" - hoje chamada 'Tobias Barreto'
Colégio de Freiras - Colégio Patrocínio São José

"Esplanada do Bomfim" - como era conhecida a região onde hoje se localiza a rodoviária velha. No lugar onde hoje fica o supermercado Bompreço, havia um morro de areia, conhecido como 'Morro do Bomfim'.


Postagem originária da página do Facebook/MTéSERGIPE.

segunda-feira, 14 de abril de 2014

Teresa Neumann


Postagem originária da página do Facebook/Minha Terra é SERGIPE, de 3 de janeiro de 2013.

"A Metralhadora do Walmir" Por Santos Mendonça


Postagem originária da página do Facebook/Minha Terra é SERGIPE, de 8 de janeiro de 2013.

Antônio Militão de Bragança


Antônio Militão de Bragança.

Nasceu em Laranjeiras, Sergipe, no dia 31 de julho de 1860, sendo seus pais Francisco Alberto de Bragança e Possidônia Maria de Santa Cruz.

Realizou os primeiros estudos em Aracaju e depois em Salvador, Bahia.

Em 1878, ingressou na Faculdade de Medicina da Bahia, por ela recebendo o grau de doutor em medicina no dia 16 de dezembro de 1883, após defender tese sobre paralisias consecutivas às moléstias agudas.
Formado, seguiu para o Rio de Janeiro, onde frequentou hospitais e se especializou em oftalmologia.
Regresando a Sergipe, estabeleceu consultório de clínica geral e oftalmologia em Laranjeiras, tendo antes clinicado em Pão de Açucar, Alagoas.

Exerceu a medicina com o mais elevado sentimento humanitário, pelo que seu consultório era procurado por numerosos clientes de vários pontos de Sergipe e de outras unidades da federação.
Ensinou latim no “Liceu Laranjeirense”, foi delegado de higiene e médico da Santa Casa de Misericórdia.
Amante da música, revelou-se grande compositor. São de sua autoria as seguintes composições: “Saudades de Filomena” (mazurca), “Valsa Georgina”, (valsa), “Confio em ti” (valsa), “Minhas Saudades” (valsa), “O brilho das morenas” (mazurca), “Idealizando” (mazurca) e “Inlusões” (valsa).

Colaborou com vários jornais de Aracaju e fez parte do Instituto Histórico e Geográfico de Sergipe e da Sociedade de Medicina de Sergipe.

Em 1912, publicou interesante trabalho sobre a epidemia de varíola que dizimou centenas de vidas em Laranjeiras, do qual Liberato destaca o seguinte trecho: “Por entre cansaços e tristezas, quase, talvez, no término de meu tirocínio clínico, forçaram-me as circunstâncias a enfrentar de perto o quadro tétrico em que, com cores negras, se desenharam os horrores por que passou Laranjeiras, assolada por espaço de oito longos meses pela não há muito extinta epidemia de varíola, de amargas, pungentes e dolorosíssimas recordações”.

E mais: “Pesadíssimo tributo pagou esta velha terra a tão terrível morbus, roubando-lhe esperanças legítimas, aniquilando-lhe o comércio de há muito freqüentado, cerceando-lhe, finalmente, todas as manifestações de sua vida social e material” (1).

Participou da luta contra a pandemia de gripe espanhola que arrasou Laranjeiras, no ano de 1918.
Consta que o dr. Bragança prestou atendimento médico a Virgulino Ferreira da Silva, vulgo “Lampião”, extraindo-lhe um graveto que penetrou em um dos olhos.

Faleceu em Aracaju, no dia 27 de março de 1949.

É um dos patronos da Academia Sergipana de Medicina.

Segundo Lúcio Prado, o dr. Antônio Militão de Bragança é um dos 20 maiores médicos de Sergipe. Os outros são: Antônio Garcia Filho, Ascendino Ângelo dos Reis, Augusto César Leite, Balthazar Vieira de Melo, Benjamim Alves de Carvalho, Carlos Morais de Menezes, Edilberto de Souza Campos, enjolras Vampré, Felisberto Firmo de Araújo Freire, Helvécio de Andrade, João Baptista Perez Garcia Moreno, José Antônio de Abreu Fialho, José Machado de Souza, José Rodrigues da Costa Dória, Juliano Calazans Simões, Lauro de Brito Porto, Lourival Bonfim, Roosevelt Cardoso de Menezes e Walter Cardoso (3).

FONTES BIBLIOGRÁFICAS:
Bittencourt, Liberatto – Homens do Brasil—Sergipe. Rio de Janeiro, 1913.
Guaraná, Armínio –Dicionário bio-bibliográfico de Sergipe. Rio de Janeiro, 1927.
Prado Dias, Lúcio Antônio – Os vinte maiores médicos sergipanos do século XX .Disponível em http://www.infonet.com.br/lucioprado/listar.asp?acao=listar&canal=colunistas&seccao=lucio. Acesso em 14 de maio de 2008.
Prado Dias, Lúcio Antônio – Antônio Militão de Bragança. Aracaju, 2006.
Santana, Antônio Samarone de, & Cols. –Dicionário biográfico de médicos de Sergipe. Aracaju, 2009.

Foto e texto reproduzidos do blog: kokalaranjeiras.blogspot.com.br

De: Joselito de Jesus Franco.

Postagem originária da página do Facebook/MTéSERGIPE, de 14 de dezembro de 2012.

quinta-feira, 10 de abril de 2014

A Visita de Dom Pedro II à Aracaju



A Visita de Dom Pedro II à Aracaju *

Em 1859, foi construída a Ponte do Imperador, antes chamada de Ancoradouro ou Ponte do Desembarque, especialmente para receber a visita do Imperador D. Pedro II e sua comitiva, em 1860, fato marcante que ficou na história de Aracaju. O Imperador que trajava o uniforme de Almirante foi o primeiro a desembarcar, em seguida foi a Imperatriz e depois a comitiva imperial.

O Imperador cumpriu uma extensa programação na cidade, entre os dias 11 à 21 de janeiro, esteve na Barra dos Coqueiros, Laranjeiras, Maruim, Propriá. Assim como, visitou o cemitério, o Hospital Santa Izabel, escolas e outros estabelecimentos de Aracaju.

*Texto e fotos reproduzidos do blog sergipeesuashistorias.blogspot.com.br

De postagem feita por Silvia Maia.

Postagem originária da página do Facebook/Minha Terra é SERGIPE, de 25 de janeiro/2013.

Exercício de Memória

Amigos, saiu agora no "Correio de Sergipe", 'Caderno Vida', nota sobre nosso grupo. Somos sucesso!

Imagem reproduzida de postagem feita por Sylvia Tereza na página do Facebook/Minha Terra é SERGIPE, em 27 de agosto de 2011.

Postagem originária da página do Facebook/MTéSERGIPE, de 27/08/2011.

quarta-feira, 9 de abril de 2014

O Circo Amoras e Amores.

Foto reproduzida de postagem feita por Antônio Rollemberg,
na página do Facebook/MTéSERGIPE.

O Circo Amoras e Amores.
Por Amaral Cavalcante.

Jorge Lins de Carvalho, visionário de uma geração vizinha a minha, definiu-se melhor do que muitos de nós que ainda andamos por ai, tentando nos entregar a qualquer destino que nos reconheça. Jorge Lins sempre soube o que queria: seu destino era o teatro.

Ele era menino quando se maravilhou pelo palco. Vinha de família metida com essas coisas de arte e cultura - irmão do mestre Lineu que deu à fotografia sergipana status de modernidade e do professor Fernando Lins, um grande intelectual que até hoje nos brinda com a sua inteligência.

Era um guapo moreno de cabelos cacheados, porte de Adamastor, dono de opinião e voz tonitruante, incapaz de passar despercebida em qualquer ato público, ou nas intimidades etílicas. Junto com Eduardo Oliva e César Macieira - sem esquecer Caio Matos e Vinicius Dantas – eram os cabeças de ponte resguardando a interação entre a minha geração e a deles. Trabalhamos juntos.

Jorge foi sempre teimoso. Tanto que ainda menino só queria saber dos proscênios. O teatro era, definitivamente, a dele, enquanto para muitos de nós, amalucados pela sofreguidão da juvenilidade, era o que desse e viesse. A vida pela arte e a arte toda em conjunção com ela, era o esotérico farnel que nos nutria nos caminhos parangolés dos idos 80. Complicados, doidos de invenção e irresponsabilidades, éramos a experimentação de tudo. Alguns, como eu, seguiram jogando com a cintura, outros capitularam.

De modo que Jorge Lins é, hoje, o que ele sempre quis ser: um ícone da sua geração, o único que permaneceu ativo na produção do teatro sem condução político/ideológica, um fazedor de arte pela arte, um produtor ativo em nossa cena.

Jorge Lins, contido unicamente nas trincheiras do teatro, faz bonito.

Nos idos de 1980 ele instalou na Atalaia, lá pros lados da recém instituída Praia dos Artistas criada pela Folha da Praia em busca da amplidão Atlântica, o Circo Amoras e Amores: uma lona de circo sobre chão de brita, palco amplo com iluminação e sonoplastia possível, dezenas de mesinhas de ferro com os devidos logotipos de cervejarias e uma programação de shows pra lá de querida: músicos sergipanos, sketches teatrais, artistas alternativos e muita birita, para aguentar o negócio.

Lá, todo mundo ia. A proximidade do mar e a sensação de estarmos surfando a vida a seco, a arrebentação dos nossos mergulhos no marulho de um mundo intemporâneo, faziam-nos deslizar sobre a crista da onda.

Bela loucura juvenil, inesquecível. Aracaju nunca foi mais bonita do que quanto pôde surfar as ondas do Atlântico bebendo no Circo Amoras e Amores.

Hoje, Jorge Lins dirige e produz um grupo de teatro, mora no Mosqueiro com a mulher que ama, conta com filhos de vários casamentos, mas ainda vive o mesmo sonho: a viabilização econômica do teatro sergipano.

Quando é que o seu sonho vai se tornar possível?


Postagem originária da página do Facebook/MTéSERGIPE, de 27 de fevereiro de 2012.

terça-feira, 8 de abril de 2014

Uma Rosa

Foto reproduzida do Facebook/Rosa Maria Sampaio.

Uma Rosa.

Rosinha Sampaio era da turma de Guerrinha, dos Villa Nova...turmas que respeitávamos - e temíamos - no caldeirão social da Associação Atlética de Sergipe, na década de setenta. Era um lugar de empertigada distinção social, mas complacente para penetras catando ascensão. Quem não estivesse na Atlética, estaria por fora, relegado aos frege-moscas dos cabarés ou comendo pipoca Lírio do Vale na Ponte do Imperador. 

Conviviam lá os emergentes dos cafundós (como eu) e a elite endinheirada de Aracaju. Quem não tivesse acesso ao Clube, por extrema pobreza ou desgraçada inépcia, podia recorrer ao beneplácito de Bota Fogo, negão afável e quase dono de tudo, antigo funcionário que tinha poder e determinação para enfrentar qualquer diretoria e subverter a portaria. Bota Fogo, anote ai, era um remoto agente de inclusão social, antes que aqui alguém se interessasse por tais heroísmos. A palavra “cidadania”, qualé? Nem existia.

Tínhamos, na periferia, o olho atento à programação da Atlética e o cuidado de reproduzir , para freqüentá-la, os ditames da moda, às vezes exagerados, que nos confundissem ali com os bem nascidos.

Naquele tempo havia lá, muito caracterizadas para nós, as meninas de queixo duro que nem sequer nos concedia um alô! Eram, para nós, “as bestinhas”.

Mas Rosa Sampaio, não! Era tão natural para ela ser “simples” que ela talvez nem se lembre disso! Com a elegância que lhe veio do berço, Rosa, bem vestida e “finesse”, concedia atenção aos periféricos e até, suprema condescendência, aceitava, de vez em quando, um golinho de Crush queimadinha com vodka que a galera da arquibancada, num misto de respeito e admiração, lhe oferecia.

Quando fiz o meu primeiro filme em Super 8, “O Rapto “– um pretenso policial cheio de suspenses juvenis, com Ilma Fontes no papel de mocinha - foi na casa de Guerrinha, na prestigiosa Villa Cristina, que filmei as mais complicadas tomadas. Certamente porque ela, a Rosa que influenciava essa turma, apreciando os “artistas da terra”, intercedeu por nós. Ainda hoje acredito piamente nisso.

Atualmente temos nos encontrado em elegantes rodas de vinho e papos. Rosa Sampaio continua rica de vida, ainda ocupando o seu posto na elite da inteligência, sempre magnânima e simples.

Amaral Cavalcante.

Postagem originária da página do Facebook/MTéSERGIPE, de 10 de janeiro de 2012.

segunda-feira, 7 de abril de 2014

A vida do radialista e professor Jairo Alves de Almeida


Publicado originalmente no Jornal da Cidade.Net, em 7/04/2014.

Memórias de Sergipe.

A vida do radialista e professor Jairo Alves de Almeida
Por Osmário Santos.

Jairo Alves de Almeida, professor licenciado pela Universidade Federal de Sergipe, jornalista Profissional – DRT –SE nº224, nasceu no dia 26 de março de 1947, no povoado Ribeira, na cidade de Campo do Brito/Sergipe. Seus pais: Lindonor Batista de Almeida e Joana Alves de Almeida.

O pai foi fiscal de tributos da fazenda estadual. “Era músico, tocava contrabaixo na Filarmônica Nossa Senhora da Boa Hora na qual exercia a função de mestre regente. Foi dele que herdei o amor pela música e retreta. Mantenho há 34 anos na rádio Cultura, aos domingos, às 8h30, o programa “Hoje é dia de Retreta”, onde apresento as filarmônicas civis e militares locais e de âmbito nacional.

Dois irmãos também foram influenciados pelo meu pai; um tocava instrumentos de percussão e outro clarineta.

Da mãe herdou a calma e a paciência para enfrentar e resolver problemas. “Era uma pessoa simples, amiga e de participação ativa na igreja. Tenho muito dela na minha formação moral”.

Conta que teve uma infância boa. “Sou o mais novo de cinco irmãos. Parte da minha infância vivi em Campo do Brito, na praça Nossa Senhora da Boa Hora(praça da igreja), e no povoado Ribeira, na casa de minha avó materna, a qual chamava de mãe Zefa” ( Josefa ).

Aos oito anos a família vem para Aracaju, pois o pai foi transferido. “Fui morar na rua São Cristóvão, entre Simão Dias e Siriri, em uma casa alugada. Dois anos depois, a família foi morar no bairro Santo Antônio, na rua São João, também em casa alugada. Três anos depois, meu pai compra uma casa na rua Riachão, bairro Getúlio Vargas, entre Divina Pastora e antiga Bomfim, hoje Avenida Mamede Paes Mendonça”.

Infantil cursado no Colégio Dom José Thomaz, pertinho de casa, na rua Laranjeiras.” Não esqueço da professora Lourdinha e dos queridos diretores prof. Valquirio Correia Lima e dona Bezinha”.

O curso primário fiz nos grupos General Valadão e Augusto Ferraz.

O ginásio na Escola Industrial e os últimos dois anos no Colégio Tobias Barreto, do Prof. Alcebíades Melo Villas Boas.

Durante passagem pela Escola Industrial,( 1962 )surge a iniciação no rádio. “A Escola era regime integral. Os alunos chegavam seis da manhã, só eram liberado após cinco e meia da tarde. Pela manhã café reforçado e depois aulas até ao meio-dia; à tarde, nos primeiros seis meses, o aluno ficava 30 dias em cada oficina profissionalizante. Naquela em que ele apresentava tendência para realizar as tarefas exigidas, o aluno permanecia os três anos e meio do curso. Além disso, a Escola oferecia almoço, médico, dentista, fardamento e um pró-labore para cada aluno(uma ajuda de custo para ele e para a família”).

“Foi justamente na oficia eletroeletrônica, com o Prof. Aldomanúncio Rodrigues, nós, os alunos, junto com os professores da oficina, montamos transmissor e mesa de som. Surge a radio Escola Industrial de Aracaju AM – 1440 KHZ. Era sintonizada em Aracaju e na Grande Aracaju. Fiz teste para locutor e fui aprovado”.

“É nessa época que participo da orquestra de Maria Olívia. Canto e toco Bangô”.

Em 1963 surge a primeira oportunidade em rádio. “Fui contratado pela rádio Jornal, à época ZYM21, localizada na Avenida Rio Branco (rua da frente ), em frente ao antigo posto Gama”.

O curso científico, concluído no final da década de 60,foi no Colégio Jackson de Figueiredo, dos queridos professores Judite e Benedito. “Naquele ano passei a ser professor do Colégio. No Jackson, reforcei a minha formação moral, além de receber conhecimentos escolares.

Ingressai no curso de Licenciatura em História Geral da UFS, após vestibular, concluindo –o em 1973. “Na universidade fui representante dos alunos da área de humanidade, nos Conselhos Superiores da instituição, justamente em um momento bastante conturbado da nossa história política”.

“Estudava e trabalhava na rádio Jornal. A partir do primeiro ano de faculdade comecei a lecionar, como já afirmei, no Colégio Jackson de Figueiredo. Uma grande instituição de ensino. Só na parte de internato tinha mais de 700 alunos de todos os cantos do Brasil”.

“Com a minha formatura, fiz concurso para o Estado. Lecionei no Atheneu, Tobias Barreto e Paulo Sarasate, em São Cristóvão. Depois fui vice-diretor do Atheneu. O diretor era Prof. José dos Anjos, hoje desembargador”.

Foi diretor da rádio Aperipê; assessor de Comunicação da Secretaria da Educação do Estado(Marcos Prado Dias era o secretário); assessor de Comunicação da SMTT AJU nos governos de Déda|Edvaldo; assessor de imprensa do Funrural, hoje INSS; repórter da TV Sergipe, da “Voz do Brasil”, da rádio Atalaia.

Fundador dos Sindicatos dos radialistas, jornalistas e dos professores (Sintese).

Atualmente coordena o jornalismo da rádio Cultura, onde apresenta um programa diário pela manhã, às 6h30,(Linha Direta) e aos domingos “Hoje é dia de Retreta”, às 8h30.

É casado com a assistente social Nadja Santos Alves de Almeida há 38 anos. E pai de cinco filhos: Jairo Alves de Almeida Junior – radialista; Milton Bruno Santos Alves de Almeida – jornalista; Larissa Santos Alves de Almeida Cortes – psicóloga. Tem quatro netos: Felipe Santos Almeida – 11 anos; Ian de la Cierva Alves de Almeida – 4 anos; Gabrielle Santos Alves de Almeida Cortes – 6 anos; Anita Silva Santos Alves de Almeida – 4 anos.

“Muitas pessoas importantes na minha vida: meus pais, minha mulher, filhos, netos. O amigo de saudosa memória, Aloisio Santos; doutor Francisco Novais; Antônio Alves; Antônio Guimarães, Nairson Meneses, Cádmo Nascimento; Carlos Magalhães”.

“Um profissional que foi um espelho para minha formação de jornalista e radialista que atuava no rádio paulista(rádio Bandeirantes de São Paulo). Vicente Leporaci - Não o conheci pessoalmente, mas acompanhava diariamente o seu programa jornalístico “O Trabuco”. A maior audiência das manhãs do rádio paulista. Vozeirão e equilíbrio nas suas críticas. Muito responsável nas suas colocações”.

Formação crista sólida, formação moral conquistada na labuta diária, mas alicerçada pelo exemplo exercitado dentro da convivência familiar. “O meu proceder é o mesmo dentro e fora do exercício profissional . Como educador, jornalista e radialista, procuro educar ou justificar minhas atitudes e proceder pelo meu próprio exemplo. Somos como um espelho: “refletimos o que projetamos”.

Foto e texto reproduzidos do site: jornaldacidade.net/osmario-leitura

Postagem originária da página do Facebook/Minha Terra é Sergipe, de 7 de abril de 2014.

segunda-feira, 24 de março de 2014

José Fernandes


Publicado originalmente no site Osmário, em 18,03.2014.

Memórias:

José Fernandes
Por Osmário Santos

José Fernandes Alves dos Santos nasceu em 19 de outubro de 1952 na cidade de Lagarto /SE. Seus pais : José Alves dos Santos e Maria do Carmo de Almeida.

O pai morreu quando o filho tinha três anos de idade. Diante do segundo casamento de sua mãe com Altamiro Carvalho, com ele uma boa convivência. Um segundo pai que esteve em todos os momentos e que passou para José Fernandes o valor da preservação da amizade. “ Uma pessoa muito conhecida na cidade de Aracaju. Foi Rei Momo por um bom período. Uma pessoa humilde e de muita amizade, que me ajudou muito”.

De sua mãe o exemplo de uma mulher de fibra que lhe passou muita segurança.

Com quatro anos de idade o contato com os livros. Um tempo para recreação na escola e de algumas lições para aprender o ABC, através de uma professora particular, cujo nome não se lembra mais.

O curso primário foi realizado coma professora Elze, com aulas particulares que aconteciam na residência da professora na Avenida Pedro Calazans.

Colégio Leite Neto

Chegado o momento de fazer o então Exame de Admissão, escolheu o Colégio Leite Neto, sendo bem sucedido nas provas. Concluído o curso ginasial, troca o Leite Neto pelo Colégio Atheneu, onde estuda o curso científico. No Atheneu, em pelo período da Ditadura , tornou-se um estudantes altamente politizado. Conversa sobre política e participava das atividades culturais. Conta que aproveitou bem o tempo e hoje tem a dizer que foram momentos importantes da sua vida. Não terminou o científico , por conta da pintura.

Do período da infância, vivida na Rua Lagarto, recordações dos amigos João Garcez, Sávio, Bobô Cruz, Cacau e Orfélia Cruz. “ Foram pessoas que marcara muito”.

Jogava futebol nos momento de folga do colégio, com os amigos da Rua Lagarto, mas sempre conseguia tempo para a pintura.

Do tempo da juventude , recordações do tradicional natal no Parque Teófilo Dantas; “ Era uma bonita festa. Quando criança era fascinado pelo Carrocel do Tobias. O natal no Parque era ponto de encontro da rapaziada e os jogos movimentava muito”.

Primeiro emprego

Da História das artes plásticas em Sergipe José Fernandes
Na Agência Nacional, hoje, Empresa Brasileira de Notícias, com Rubens Ribeiro Cardoso, o primeiro emprego. Iniciado como auxiliar administrativo, passando em seguida para a função de operador de telex . “ Tem um fato interessante: Anselmo Rodrigues, artista plástico,foi trabalhar lá depois que falei com Rubens. O Anselmo montou dento da Agência Nacional o atelier de pintura. Primeiramente o Rubens achou ótimo. Pois assim ficaríamos por mais tempo no emprego. Nisso , o Rubens recebe uma comitiva e o Anselmo estava no atelier que era escondido por uma divisória e lá esta ele pintando e cantando. Alguém da comitiva pergunto o que era aquilo e o Rubens que sentia o maior orgulho em ter um atelier de pintura no local de trabalho que dirigia, respondeu que era o servente eufórico estava cantando. Quando a comitiva que veio de Brasília foi embora, o Rubens nos procurou e pediu para acabar com a atelier.

Florival Santos

Ainda do tempo em que trabalhou na Agência Nacional, fez questão de contar um outro episódio. “ O emprego era perto do atelier de Florival Santos. Um dia , deixei a Agência Nacional e fui para o atelier de Florival. Quando estava lá chega Rubens Ribeiro . Meu filho, meu filho, você tem um futuro pela frente . Você quer deixar esse emprego por não saber o que representa você. Um emprego federal e vai ficar nessa pintura. Isso não pode acontecer.Respondi que só queria saber dos pincéis e de mais nada. No outro dia cair fora”.

“ O segundo emprego foi ao lado de Eliane Fonseca, como integrante da equipe de restauração do Museu de Arte Sacra. “ Fui contratado pela Emsetur no ano de 1978”.

Vida Artística

Quando passou a falar da vida artística começou dizendo que só o espiritismo podia explicar, pois aos 15 anos de idade já estava ganhando prêmio com a sua pintura.

A primeira tentativa de pintar foi rasgando lençóis da mãe para esticar e prepará -los para receber tinta. Como se fosse tela. “ Já tinha fome de tinta”.

Revela que até hoje só tem habilidade com o pincel, já que nunca usou qualquer tipo de lápis em seus trabalhos. “ Só consigo fazer alguma coisa com pincel e com cor”.

Também pintou em papelão com tinta a base de água. “ Conseguia papelão de caixas que iam ao lixo, até mesmo, caixa de sapato e pincéis usados em construções. Outro lado interessante de sua carreira é que não começou pintando figuras de revistas em quadrinhos; “ Sempre tive a preocupação de trabalhar com o social. Pessoas marginalizadas, crianças de rua e mendigos. Também pintei violeiros”.

Conhecendo através do pai adotivo , Washington, Wellington, Daniel e Osvaldo, pintores jovens que despontavam na pintura aumentou seu entusiasmo pela pintura e passou a se preocupar pelo seu lado técnico. “ Agora entrava na fase da tela, da pintura a óleo. Comprava na época todo o material na então Livraria Regina”.

Conta que na época das primeiras produções, vender quadro em Aracaju era a coisa mais difícil, pois só conseguia colocar no mercado quem tinha mais de seis anos de atividade.

O artista plástico José Fernandes, chegou a conquistar Menção Honrosa do Rotary Clube no ano de 1976. No mesmo ano ganhou a Medalha de Prata no Salão Atalaia de Pintura. Em 78 ganhou dois prêmios: O Salão Nacional de Artes Plásticas do Festival de Artes de São Cristóvão e Prêmio Norcon.

Passou de vários salões de arte em 1980 e conquista o Prêmio em Aquisição Nacional do Salão de Artes de Brasília. Também foi selecionador par representar Sergipe no Circuito Nordeste de Artes Plásticas.

Voto de Louvor

Pelo valor do seu trabalho artístico, já recebeu Voto de Louvor da Assembléia Legislativa Câmara de Vereadores de Aracaju e Voto de Louvor pelo Conselho Estadual de Cultura.

Uma vida de dedicação a pintura e com boas referências curriculares. No ano de 1979 promove sua primeira exposição individual na Galeria de Arte Álvaro Santos. Volta no ano de 1983 na mesma galeria, para uma segunda exposição. Na Ludus Artes Galeria, expõe individualmente em 1984. No ano seguinte participa da exposição individual da Galeria Portinari. Retorna em 1988 para a Álvaro Santos em 1991 expõe m J. Inácio em 1993 expõe na Caixa Econômica.

Assina inúmeros painéis espalhados pela cidade de Aracaju. Entre eles o do Celi Praia Hotel, Salão nobre da Prefeitura de Aracaju, Centro Médico Odontológico, Edifício Scorpius , Mares da Grécia, Clínica São Marcelo e outros.

Publicado em 03/12 /1995.

Foto e texto reproduzidos do site: osmario.com.br

Postagem originária da página do Facebook/MTéSERGIPE, de 23 de março de 3014.

sábado, 22 de março de 2014

Os Oitenta anos do Padre Humbert Leeb.


Os Oitenta anos do Padre Humbert Leeb.
Por Lúcio Prado Dias *

A Sociedade sergipana comemorou nesta quinta-feira, 20 de março. os 80 anos do padre Humbert Leeb, missionário austríaco que em Sergipe fundou o Centro Esperança de Deus, na região do Porto do Mato, litoral sul de Sergipe. Uma obra transformadora que tirou a região da miséria extrema, em obra social gigantesca. Fui convidado para saudá-lo, em nome da Academia Sergipana de Medicina. Abaixo transcrevo o meu discurso:

Excelências,
Padre Leeb, excelência maior da noite.
“A verdade está no mundo à nossa volta” ( Aristóteles)
Mais do que mera formalidade, assim considero cada data de aniversário. Mais ainda quando se comemora 80 anos de vida.
Pelos princípios aristotélicos, dizemos que, se hoje existimos, é por que existimos em ato. Mas antes disso existem as potencialidades. Passamos então da potência ao ato. Mas quantas pessoas existem apenas em potência e nunca chegarão a existir em ato? Dizendo de outra maneira, quantas pessoas poderiam existir, mas não existem, e nunca existirão!
Assim, todo "feliz aniversário" que se ouve deve ser, no fundo, um reconhecimento de que a existência do aniversariante neste mundo é querida e, principalmente, reconhecida. E toda omissão desse tipo de felicitação é afirmação tácita de que sua existência é indiferente. De que se ele nunca tivesse passado da potência ao ato, o mundo seria pouco diferente do que é.
Transpondo para a nossa pequena comunidade do sul de Sergipe, o que seria dela se a potência não se transformasse em ato, em ação? A ação transformadora pela ação do missionário austríaco, a quem hoje nos curvamos em reverência.
A Sociedade Médica de Sergipe e a Academia Sergipana de Medicina, irmanadas, comparecem a esta solenidade para reverenciar a ação do grande homem que dedicou a sua vida para a recuperação e valorização social de outras vidas. Disse-me ele certa vez que, ao olhar para cada ser humano que ajudava, via nele a imagem do Cristo.
Se comungamos hoje a mesma tristeza de constatar o descaso com a sua obra, fruto de uma vida inteira, só Deus sabe como, para construir, rejubilamo-nos por encontrá-lo altivo e destemido, no instante mágico dos seus 80 anos e constatar o fruto do seu grandioso trabalho transformador para aquela população, sempre esquecida pelo poder público.
Passei a acompanhar a obra do Pe. Leeb a partir de 1988, onze anos após sua chegada de barco a Porto do Mato, na região denominada Porto da Nangola, trazido do Rio de Janeiro por uma filha da terra sergipana, Joana Batista Costa. Quando eles chegaram à região, a miséria era extrema. Não existia acesso terrestre, os nativos viviam do pescado, as doenças grassavam, a mortalidade infantil beirava a níveis absurdos: de cada quatro crianças que nascia três morriam antes de completar um ano de vida.
Com a força inabalável da fé e a vontade de cuidar do sofrido povo do local, ele edificou uma obra portentosa. Com a “cruz da reconciliação”, um símbolo esculpido em madeira afirmando a presença do cristianismo, deu início a uma nova era na raquítica paisagem do sul sergipano. Fundou o Centro Esperança de Deus, um complexo que passou a acolher o povo da região, abrigando-o em múltiplas tarefas profissionalizantes, culturais e cristãs, com respeito absoluto às tradições locais. Oficinas, escolas, posto de saúde, pousada, foram edificadas e prosperaram ao longo dos anos, transformando o local numa pequena cidade, com quadra de esportes, restaurante, campo de futebol, entre outras.
Após 30 anos de dedicação plena e exclusiva à obra que edificou, mudando radicalmente as condições de vida da população, na semeadura do bem comum, no resgate da dignidade e da autoestima, Padre Leeb despediu-se de seu povo para o merecido descanso, feliz pelo cumprimento de sua missão. No entanto, quem tinha a obrigação de preservar esse patrimônio do povo de Sergipe, infelizmente não o fez e a comunidade passou a amargar o fel do abandono, do descaso e do descompromisso. Mas o obra está aí, clamando por ajuda para a retomada de sua missão.
Dedico-lhe um trecho de “Poema de Aniversário” do poeta e compositor Vinicius de Moraes.
“Passam-se dias, horas, meses, anos
Amadureçam as ilusões da vida
Prossiga ela sempre dividida
Entre compensações e desenganos.
Faça-se a carne mais envilecida
Diminuam os bens, cresçam os danos
Vença o ideal de andar caminhos planos
Melhor que levar tudo de vencida”.

A vida segue, Padre Leeb, e nós estaremos sempre a aplaudir o seu trabalho, lembrando e cobrando das autoridades a responsabilidade pela preservação do seu legado, que tantos benefícios trouxe para o sofrido povo de Porto do Mato.

Prost! Que tenha uma vida longa pela frente!

*Texto reproduzido do Facebook/Linha do Tempo/Lucio Prado Dias.

Foto: Marcelle Cristinne/Secult.

Postagem originária da página do Facebook/MTéSERGIPE, de 22 de março de 2014.

Falta de Educação de um "Filhinho de Papai", na Década de 60


Essa imagem me faz lembrar de um fato acontecido na década de 60, em uma tradicional tarde de domingo na Rua João Pessoa, em Aracaju/SE., na calçada ao lado do Cine Palace, onde grande fila tinha se formado para a compra de ingressos da sessão das 14 horas.

Junto ao meio fio da rua, havia uma grande quantidade de água, esta acumulada por uma chuva forte que acabara de cair.

Eis que um 'filhinho de papai' da época, passa com o carro propositadamente pelo canto da calçada, molhando a todos que estavam na fila.

Alguém lembra deste fato?
.......................................................
Foto (ilustrativa) reproduzida do
Facebook/Linha do Tempo/Anne Vitória Montalvão.

Postagem originária da página do Facebook/MTéSERGIPE, de 22 de março de 2014.

Conheça a história de transformação do povoado Porto do Mato...


Publicado por: Infonet - Cidade - Especial - 06/09/2008.

Construção de uma cidade motivada pela força do amor
Conheça a história de transformação do povoado Porto do Mato, protagonizada pelo missionário Pe. Humberto Leeb

Porto do Mato, município de Estância. Uma comunidade distante pouco mais de 70 km da capital sergipana e o cenário ideal para colocar em prática a premissa “Só o amor transforma o mundo”. O personagem principal, padre missionário austríaco Humberto Leeb, que juntamente com Joana Batista Cosa, modificou a miséria de um lugar em um grande centro de referência social e religiosa na região, através do Centro Social Pastoral Esperança de Deus. Após 32 anos de trabalho, Leeb conclui seus trabalhos por ter completado os 75 anos de idade e deixa uma cidade completamente transformada para o desenvolvimento social e jovens multiplicadores do conhecimento e serviço ao próximo.

Como tudo começou ...

O trabalho iniciado pelo padre Leeb gerou reconhecimentos locais como o prêmio Líderes e Vencedores recebido no último dia 14, além de prêmios internacionais por sua atuação na guerra da Biafra e um legado de trabalho missionário como exemplo para qualquer cidadão com a missão de transformar o mundo. Mas para todo esse mérito acontecer, da saída da Alemanha à chegada em Porto do Mato com a atual construção do Centro Social, foi um percurso de ‘luta’.

“Chegando nessa comunidade em Sergipe, indicada por Joana, nativa do local, encontramos um deserto. 70% das crianças com menos de dois anos de idade morrendo por desnutrição, ou melhor, no esqueleto. Pessoas desesperadas sem ter o que comer e uma realidade comumente vista na guerra, só que não era guerra. Isso me inquietou”, lembra dizendo que o amor pode mudar o mundo.

Desde o seu começo, a obra pastoral beneficiou entre 5 e 10 mil crianças. “O Centro Social Pastoral Esperança de Deus foi a forma de chegar à população para construir um referencial de transformação das pessoas, social e religiosamente. Nesse espaço, foi possível um acesso de aprendizado profissional. Então, os jovens aprendiam habilidades de eletricista, marceneiro, professor, pintor, padeiros, entre outros”, diz. Pe. Leeb reforça que foi dada uma base para a comunidade trabalhar e modificar-se socialmente.

A vontade de ajudar ao próximo partiu de missão própria. “Fomos [o padre e Joana] à Europa e fizemos campanhas, arrecadamos dinheiro para a construção da obra. Não tem cunho político. Atualmente, o Núcleo agrupa um restaurante popular, posto de saúde, Oficina do Pão e a Pousada do Padre. Além de um complexo educativo com estádio, creche, ginásio, com mais de 552 alunos e professores da região que estudaram em Universidade”, conta. vangloria-se do último trabalho realizado que teve especial motivação a Geovana Olveira Lima.

Por que o Brasil? Sergipe? E Porto do Mato?

Leeb, que fez voto de pobreza, destaca que um dos pontos que mais chamou sua atenção foi a forma que os brasileiros encaram a vida. “Já passei em missão por diversos lugares onde vi sofrimento, mas o Brasil é impressionante, eles conseguem ver alegria mesmo estando em meio ao sofrimento. Isso realmente me chama a atenção porque em outros lugares não se vê isso. A beleza das cores, do calor humano, do futebol, dos índios, fez o austríaco vir para o Brasil e ter um carinho especial para me estabelecer”, conta.

Ele explica que poderia ter feito trabalhos em outros locais e fala de diversas campanhas internacionais que fez em países como Paquistão, Vietnã, Índia, Etiópia, mas a fé, juntamente com a vontade de ajudar ao próximo, e a beleza da região o fez optar por Porto do Mato.

Vitórias e missão cumprida

Reconhecimento é resultado do trabalho realizado. “Em 2004, alunos, filhos e filhas dos pescadores do Porto do Mato, foram à Europa mostrar um musical contando a história do local e do Brasil", conta. Em Viena e Monique, os jovens receberam muitos aplausos. Para Pe. Leeb isso mostra que os pobres também têm talentos que só precisam ser descobertos.

"Então essa foi a maior vitória. Hoje, minha missão está cumprida, entregarei a obra no final do ano, quando vou me desligar dos trabalhos por ter meus 75 anos de idade, conforme determina o posicionamento igreja", explica.

O padre completa que "tracei esperança onde tinha desespero e agora chega a hora de entregar tudo nas mãos dos brasileiros e escolhi a Igreja para a continuidade dos trabalhos do Evangelho Luz e Vida", (...)

[Publicado pelo Portal Infonet, em 6 de setembro de 2008].

Foto e texto reproduzidos do site: infonet.com.br/cidade

Postagem originária da página do Facebook/MTéSERGIPE, de 22 de março de 2014.