Publicado originalmente no Facebook/Luduvice José, em
14/02/2016.
Félix Mendes completaria hoje 72 anos de idade.
Madrugada de 13 de abril de 2013. O toque monocórdico do
telefone fixo percorreu a sala da minha casa, chegando-me até o quarto onde
ainda dormia. Despertou-me causando apreensão pelo inusitado da hora, por ser
um sábado, quando geralmente as pessoas esticam no leito um pouco mais.
Atendi e do outro lado a voz chorosa de Mirabel Mendes
Rodrigues foi direta: - Félix fez a passagem. Traduzindo, Félix Mendes, meu
amigo/irmão desencarnara, ou como comumente dizem, falecera.
Não soube o que dizer. Pois ficava entre o desenlace de uma
pessoa querida, amiga, sincera, séria, objetiva, corretíssima, ou com a
situação aflitiva de sua devotada irmã me informando sobre o óbito.
Decodifiquei o fato e me encontrei com o inevitável e já
previsível: o Félix ter deixado de viver do lado de cá, com pouco mais de um
ano num leito, após ser necessário o internamento hospitalar em razão de
cuidados especializados em função de ser portador de Esclerose Lateral
Amiotrófica, detectada no Rio de Janeiro, onde dividia residência em Copacabana
com a querida irmã. A sua vinda a Aracaju foi pedido dele à irmã, acrescentando
que desejaria ser sepultado na capital sergipana.
Hoje, 14 de fevereiro de 2016, Félix Mendes, caso estivesse
nesta dimensão, completaria 72 anos de idade. Trata-se de um artista plástico
consagrado, nascido em Estância, Sergipe, que muito fez pelas artes plásticas
sergipanas na razão direta que valorizava o próprio trabalho, tendo realizado
exposições no eixo Rio-São Paulo e em alguns países da América do Sul, sempre
com boa cobertura da mídia. Notabilizou-se como o primeiro sergipano a divulgar
nacionalmente os Festejos Juninos de Estância, tendo promovido no bairro de
Copacabana uma amostragem do Barco de Fogo e da Guerra de Espadas, merecendo
divulgação plena em todas as redes de jornais, rádio e televisão, tornando-se
desta forma o pioneiro em colocar Sergipe em destacada posição, com reflexos
para o turismo sergipano. Na oportunidade, Félix Mendes exercia o cargo de
Secretário Municipal de Cultura de Estância, sua terra natal, durante a
primeira administração do Prefeito Carlos Magno, tendo destacada atuação em
torna Estância destaque nos Festejos juninos de Sergipe, atuando fortemente na
preservação dos grupos folclóricos estancianos.
Como artista plástico se caracterizou como Naif (também
conhecido como primitivo). Todavia um Naif consciente, pois revelava
conhecimento de composição, perspectiva, luz, incluindo domínio tonal, fugindo
da característica fauve (uso de cores diretamente do tubo, sem misturas de matizes),
tendo deixado um legado de murais em agências do Banco do Nordeste do Brasil em
algumas capitais brasileiras, incluindo Aracaju, além de ter telas suas
espalhadas por diversos países, onde mereceram considerações críticas
elogiosas.
Esta é minha homenagem singela a um grande amigo esperando
que Sergipe faça justiça a quem muto dedicou sua vida honrando este Estado como
ativista estudantil, como artista plástico, como incentivador do folclore e
como cidadão probo e respeitado por posições em defesa da liberdade em todos os
níveis.
Muitos artistas sergipanos ligados à música junina, o
reverenciam enfaticamente pelo apoio, pois foi o idealizador e Promotor do
Forrozão da Rua de Siriri, evento público e aberto, que contou com diversas
edições, sempre no mês de julho, que representava tornar a música junina
autêntica, mais apreciada e executada pelas emissoras de rádio, como se fosse
uma espécie de ressaca junina que reunia todos os anos milhares de pessoas
durante alguns dias, na rua de Siriri, onde Félix Mantinha casa em Aracaju.
Parabéns meu amigo!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
Texto e imagens reproduzidos do Facebook/Luduvice José.
Postagem originária do Facebook/GrupoMTéSERGIPE, de 14 de fevereiro de 2016.
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