segunda-feira, 10 de novembro de 2014

Luiz Antônio Barreto

Foto reproduzida do site F5.

Homenagem a Luíz Antônio Barreto (1944 - 2012).

Luiz Antônio Barreto
Por Lúcia Gaspar.
Bibliotecária da Fundação Joaquim Nabuco.

A história de Luiz Antonio Barreto é múltipla e vária...Olhar para o seu legado é ficar diante de um amplo panorama no qual produção intelectual e ação cultural nunca se dissociam, posto que uma é movida pela outra, ao mesmo tempo que também a impulsiona, demonstrando o quanto ele foi capaz de correlacionar a reflexão com a realidade que viveu, pesquisando práticas da vida dos indivíduos e das instituições públicas e privadas, adequando sempre teoria e prática.[...]
Jorge Carvalho do Nascimento.

[...] Os sergipanos muito devem a Luiz Antonio pelas pesquisas que ele empreendeu no campo do folclore, da música popular, de todos aqueles costumes que foram praticados em tempos imemoriais, em tempos antigos, que já estavam morrendo no esquecimento do povo sergipano, mas que foram relembrados pela pena e também pela paciência, pela cultura incomparável deste sergipano que orgulhou a todos nós. [...]
Senador Antonio Carlos Valadares.

Luiz Antonio Barreto nasceu no município de Lagarto, localizado a 77 km de Aracaju, Sergipe, no dia 10 de fevereiro de 1944, filho de João Muniz Barreto e Josefa Alves Barreto.

Fez o curso primário na Escola Rural nº 149, em Pedrinhas, SE, e o ensino médio no Colégio Tobias Barreto, em Aracaju.

Vítima de perseguição política, sua família morou em diversos municípios de Sergipe, da Bahia e ainda na cidade do Rio de Janeiro.

Jornalista e historiador, estudou Direito nas Faculdades de Direito de Sergipe, em Aracaju, e na Nacional, do Rio de Janeiro, assim como cursou a Escola Nacional de Música, também no Rio de Janeiro.

Como jornalista exerceu atividades de repórter, colunista, redator, diagramador e secretário de redação dos jornais sergipanos Correio de Aracaju, Folha Popular, Gazeta de Sergipe, Sergipe Jornal e A Cruzada, no período de 1959 a 1971. Foi diretor da Revista Perspectiva (1966-1967) e colaborador de vários periódicos de Aracaju, Salvador, Recife, Rio de Janeiro, Teresina, Porto Alegre, Maceió, e da revista Il Moderno, de Milão, na Itália.

Atuou nas áreas de educação, cultura, história, comunicação, literatura e folclore, exercendo cargos em instituições públicas e privadas, entre os quais o de Assessor Cultural do Instituto Nacional do Livro (INL) e Diretor da Organização Simões, Editora, ambos no Rio de Janeiro; Diretor da Galeria de Artes Álvaro Santos, em Aracaju; Chefe da Assessoria Cultural da Secretaria da Educação e Cultura do Estado de Sergipe; Secretário da Educação e Cultura de Aracaju; Superintendente de Documentação da Fundação Joaquim Nabuco, Recife (1987-1989); Diretor Cultural da Fundação Augusto Franco, Aracaju; Assessor da Presidência da Confederação Nacional da Indústria; Diretor do Instituto de Filosofia Luso-Brasileira (Portugal); Diretor do Instituto Tobias Barreto.

Ocupante da Cadeira nº 28 e presidente da Academia Sergipana de Letras, nos biênios, 1981-1983 e 1983-1985, era ainda membro e orador do Instituto Histórico e Geográfico de Sergipe; conselheiro dos Conselhos Estadual e Municipal de Cultura do Estado; membro da União Brasileira de Escritores (UBE)-Secção de Pernambuco e membro fundador do Instituto Luso-Brasileiro de Filosofia, em Lisboa.

Foi o responsável pela criação de diversas atividades educativo-culturais em Sergipe, como os Encontros Culturais de Laranjeiras; a Discoteca Pública, do Museu Afro-Brasileiro de Sergipe, também em Laranjeiras; o Seminário do Gado e do Couro, em Lagarto; o sistema de Vagão-Escola, da Biblioteca Infantil no Vagão, localizada no Parque Teófilo Dantas; a Oficina de Artes, da Escola de 2º Grau José Antonio da Costa Melo e a escola Ecológica, localizada no Parque da Cidade Governador José Rollemberg Leite.

Especialista em Tobias Barreto, é autor de diversos trabalhos sobre o ilustre sergipano, entre os quais, Tobias Barreto: a Abolição da escravatura e a organização da Sociedade (1988); Nova missão Tobiática no Recife e Tobias Barreto e seus seguidores, duas séries de artigos publicados na Gazeta de Sergipe (1987-1989); Tobias Barreto e a organização da sociedade, artigo publicado na Revista do Instituto Histórico e Geográfico de Sergipe, em 1989; A fé e a razão, Tobias Barreto e a crítica, e Tobias Barreto e a luta pelo Direito; ensaios introdutórios às Obras Completas de Tobias Barreto (INL; Record, Rio de Janeiro, 1989-1990);Tobias Barreto e a Filosofia no Brasil (Aracaju, 1990); O pensamento e a ação política de Tobias Barreto (Actas do I Colóquio Tobias Barreto, Lisboa, 1992).

Publicou ainda, A Bíblia na literatura de cordel (Revista Brasileira de Cultura, Rio de Janeiro, 1971); Vaquejada e São Gonçalo em Sergipe, ambos na Revista Sergipana de Cultura, em 1978; Opção informal na pré-escola: experiência da Secretaria da Educação e Cultura do Município de Aracaju, 1981; A arte sergipana, in Brasil, arte do Nordeste (Spala: Rio de Janeiro, 1986); Um novo entendimento do folclore (Recife, 1988); Simão Dias: história e tradição (Aracaju, 1990); Sergipe, 400 anos de história, in Turismo e Lazer, Aracaju, 1990; O Poder Judiciário de Sergipe, 100 anos de história (Aracaju, 1992) e o livro Memórias de Sergipe: Personalidades sergipanas, uma seleção de textos sobre personalidades que marcaram a história de Sergipe (2007), entre outros.

Luiz Antonio Barreto morreu em Aracaju, no dia 17 de abril de 2012.

Recife, 22 de maio de 2012.

Texto reproduzido do site: basilio.fundaj.gov.br/pesquisaescolar

Postagem originária da página do Facebook/MTéSERGIPE, de 9 de novembro de 2014.

quinta-feira, 6 de novembro de 2014

O Chefe Invisível


Foto da família, vendo-se Silvio Leite pai de Leite Neto, que está sentado, 
de chapéu de palhinha e Francisco Leite, pai de Júlio Leite,
 que está de chapéu de palhinha, em pé.
 O garoto é Armando Rollemberg.

Infonet - Blog Luíz A. Barreto - 02/10/2004.

"O Chefe Invisível".
Por Luíz Antônio Barreto.

A figura do senador Júlio César Leite serviu a que o seu neto, advogado e jornalista Ricardo Leite revistasse os álbuns de família e as páginas da história, construindo uma biografia política, sublinhada pela admiração, a começar pelo título do livro: Júlio Leite, o chefe invisível (Aracaju: Instituto Tancredo Neves/Banese, 2004). É um livro sincero, algumas vezes apaixonado, que ocupa lugar destacado na história política e republicana de Sergipe, revelando o seu autor como um pesquisador consciente do objeto de suas pesquisas.

Poucos são os personagens sergipanos que têm biógrafos. Homens como os generais Manuel Priscialino de Oliveira Valadão, José de Siqueira Menezes, José Joaquim Pereira Lobo, José Calasans, Augusto Maynard Gomes, como os médicos Felisbelo Freire, Rodrigues Dória, os bacharéis como Martinho Garcez, Ciro de Azevedo, que tiveram papéis destacados na política e na administração pública do Estado, são personagens que estão a espera de quem possa biografá-los, no contexto dos cenários de suas épocas.

Os políticos, em sua grande maioria, passam nas páginas dos livros com citações, mesmo porque são poucos os autores que trabalham com a análise dos fatos, com a compreensão do fenômeno político. Os livros de Ibarê Dantas são praticamente únicos e cobrem décadas importantes, nas quais surgiram movimentos, como é exemplo a década de 1920 com as revoltas tenentistas. O último livro de Ibarê Dantas historia a República, detalhando o itinerário prático decorrente dos ideais republicanos, passando em revista as administrações, abarcando longo período, chegando a resenhar a dupla gestão do governador Albano Franco, o que dá precisa atualidade ao livro recentemente lançado.

Ricardo Leite cumpre, então, um papel de historiador ao focar suas pesquisas e análises no senador Júlio Leite (1896-1990), bacharel pela Faculdade Livre de Direito do Rio de Janeiro, com curso na Escola Superior de Guerra, Delegado, Chefe de Polícia, Inspetor Escolar, Secretário – Geral do Estado de Sergipe, banqueiro do Banco Mercantil Sergipense,( casa fundada em 1924, tendo como companheiros o Coronel Gonçalo Rollemberg do Prado, seu sogro, e Moacir Rabelo Leite) , industrial da Fábrica Santa Cruz, (de propriedade da Companhia Industrial de Estância, fundada pelo comendador João de Souza Sobrinho, e mais tarde adquirida pelo coronel Gonçalo Rollemberg do Prado) e, ainda, da Fábrica Senhor do Bonfim, (de propriedade da Empresa Industrial Estanciana, que organizou com Constâncio Vieira, que também possuía as fazendas Limeira e Peripery, onde criavam gado Zebu, e as fábricas de descaroçar algodão Modelo e Sulina, respectivamente em Riachão e em Boquim), integrante do Partido Republicano, organizado em 1945, quando da redemocratização do País, e que em Sergipe foi herdeiro da velha União Republicana, liderada pelo médico Augusto Leite, irmão do biografado.

Discreto, qualidade presente na família, a ponto de ser tido como “invisível” em suas articulações, Júlio Leite dedicou-se às atividades empresariais, parecendo deixar a participação política eleitoral em segundo plano. Candidato a senador em 1950 ganhou o mandato em disputa, com 42.832 votos, derrotando Augusto Maynard Gomes que obteve 38.258 votos. Cumpridos 8 anos, voltou a disputar a cadeira de senador, em 1958, perdendo-a para Heribaldo Vieira, da UDN, por pouco mais de 3 mil votos. Na eleição seguinte, em 1962, conquista novo mandato para o Senado, tendo a outra vaga ocupada pelo seu sobrinho Leite Neto.

Nos 16 anos que passou no Senado Federal Júlio Leite soube ser um bom representante do Estado, muito embora sua imagem estivesse sempre associada as articulações políticas, onde parecia estar mais à vontade para exercer seu papel de líder, que dividiu com Armando Rollemberg e com outras lideranças setoriais do Partido Republicano. Ricardo Leite selecionou discursos do segundo mandato, deixando de listar os temas tratados entre 1951 e 1959, fase de efervescência política, que cobre o fim da Era Vargas e o Governo de Planos e Metas do presidente Juscelino.

Muito justamente, o autor destaca a presença de Júlio Leite na Estância, dirigindo a Fábrica de Tecidos e concorrendo com sua visão social para a harmonia entre o capital e o trabalho, certamente influenciado pelas ações vanguardistas do Dr. Thales Ferraz, ao dirigir a Fábrica Sergipe Industrial, a primeira de Sergipe, de propriedade da família Cruz, instalada em Aracaju. Ainda hoje é possível verificar os equipamentos sociais, desportivos e culturais das Fábricas Santa Cruz e Senhor do Bonfim.

Igrejas, residências para os funcionários graduados e vilas operárias, gabinete dentário, Salão de Diversões, Teatro e Centro Recreativo fazem lembrar o Parque Sergipe Industrial, montado em 1913, pela visão de Thales Ferraz, o mais completo complexo de lazer que já teve a capital sergipana, ponto de atração de famílias inteiras e de jovens aracajuanos, ávidos por diversão. Thales Ferraz, que não foi político, é um personagem a espera de um biógrafo, não somente pelo Parque, mas pelas revolucionárias atitudes sociais.

Júlio Leite, o chefe invisível de Ricardo Leite é um tributo, pessoal e familiar, a um político que influiu na história de Sergipe, muito especialmente nas décadas que exerceu mandatos como representante do Estado no Senado Federal. Sua família, toda ela de sensibilidade política, revelou os filhos Augusto, executivo de fino trato e competência, Fernando, que foi deputado estadual pelo PR, de 1963 a 1967 e suplente de deputado federal, na eleição de 1966, e que na condição de presidente da Assembléia Legislativa assumiu o Governo do Estado, na ausência do governador Celso de Carvalho, que governava desde a deposição e prisão do governador Seixas Dória. A terceira geração vai bem na política, como é o caso de Otávio Leite, virtual vice prefeito da cidade do Rio de Janeiro, depois de ser vereador e deputado estadual na Cidade Maravilhosa, honrando a biografia do avô.

Bem ilustrado, reproduzindo alguns documentos, o livro de Ricardo Leite pode figurar na estante sergipana de história como uma contribuição significativa de resgate de um personagem e uma época.

Texto e fotos reproduzidos do site: infonet.com.br/luisantoniobarreto
Fonte "Pesquise - Pesquisa de Sergipe / InfoNet". institutotobiasbarreto@infonet.com.br.

Postagem originária da página do Facebook/MTéSERGIPE, de 5 de novembro de 2014.

terça-feira, 4 de novembro de 2014

A Sala do Passado


Publicado originalmente no Facebook/Petrônio Gomes, em 31/10/2014.

A Sala do Passado.
Por Petrônio Gomes.

Atualmente a sala destinada ao encontro dos funcionários aposentados do Banco do Brasil ocupa um local excelente, no primeiro pavimento do edifício, junto aos elevadores e aos guichets de expediente.

Não se escuta nem se vê, do lado externo, o que se fala e o que acontece no lado interno, graças à porta de vidro escuro que faz o papel de fronteira. É uma porta de vai-vem com um aviso de que nem todos os mortais devem entrar. Mas tenho o prazer de convidar o leitor a vir comigo.

Aquela fotografia ampliada na parede oposta à entrada é um retrato de Aracaju quando tinha quarenta anos a menos. Podemos contar os edifícios pelos dedos de uma das mãos.

Nesta outra parede, várias fotografias de colegas, em grupos, colhidas na calçada do antigo prédio do Banco, na rua da frente. Deveria ter sido pelas dezesseis horas, quando nos era permitido um intervalo chorado. Lembro-me de que muitos aproveitavam esse tempo de folga temporária para o namoro dos próprios automóveis. Éramos jovens, afinal de contas.

Esta mesa retangular que ocupa o centro da Sala, cercada de poltronas confortáveis, é destinada às reuniões diárias dos colegas. É aqui onde lembramos os casos engraçados e também as passagens tristes de nossa passagem pelo Banco.

Mas esta outra mesa, redonda e coberta com feltro verde, constitui o fraco de grande parte dos aposentados. Quando a porta de vidro se abre, ouve-se um barulho difícil de ser identificado. Somos levados a pensar que uma briga está acontecendo lá dentro, mas não se trata disto. As pancadas e os gritos fazem parte do jogo de gamão diário. E gamão não tem graça quando não batemos as pedras no taboleiro. Até campeonatos periódicos existem, com juízes, caderninhos e inventários de jogos passados.

Que mais poderei mostrar da Sala do Passado? Talvez o que ela tem de mais querido, de mais prazenteiro, e que, infelizmente, não se pode exibir. São a própria razão de existir este recanto, estojo de lembranças que cada um de nós tem guardadas.

Por alguns instantes, volto no tempo e torno a ver esses mesmos colegas trabalhando, de camisas sociais e gravatas. Era um tempo diferente, sem aparelhos de ar condicionado, mas mesmo assim, a gravata era tão obrigatória como a folha de ponto. Apenas os ventiladores giravam, durante todo o expediente, enquanto a fumaça dos navios que atracavam na “Ponte do Lima” invadia o recinto do Banco...

E as condições de trabalho? Pesadas máquinas de datilografia, inclusive algumas da marca “Continental”, de fabricação alemã, de carro grande para a confecção de mapas que a gente compunha durante horas, espelhando estudos estatísticos que a Direção exigia. Essas máquinas eram fixadas nos tampões das carteiras e depois recolhidas, quando terminávamos o trabalho mecânico, voltando as carteiras a exibir a superfície normal.

Quando se aproximava a época do balanço, a maioria dos funcionários se ocupava em contar os números relativos aos juros que seriam creditados na data aprazada. Para tanto, usávamos outras máquinas de calcular, estranhas engenhocas que exigiam outro tipo de trabalho. Cada uma delas tinha uma pequena maçaneta que deveríamos girar, tantas vezes para a direita quantos fossem os números dos multiplicadores se quiséssemos multiplicar, tantas vezes em sentido contrário se quiséssemos diminuir. Não havia munheca para trabalhar durante as horas intermináveis que duravam esse trabalho.

A rotina do expediente, como é natural, amoldava-se aos meios físicos de trabalho. Assim, havia todo um ritual para se atender ao público, com extratos de contas escritos manualmente, cadernetas de depósitos e outros artigos inimagináveis atualmente. Grande gavetas de aço guardavam as fichas de depósitos, e uma ficha desaparecida constituía a mesma dor de cabeça que os computadores de hoje também oferecem quando ocorrem os inevitáveis equívocos.

Quanto à disciplina, é bastante lembrar que só havia dois motivos para justificar o fato de ser encontrado um funcionário fora do Banco em horário de expediente: ou estaria cumprindo dever externo ou estaria em férias. Quem faltasse ao trabalho na quarta-feira de cinzas, por outro lado, perderia a remuneração referente ao carnaval inteiro.

O numerário para outras agências e destas para a Capital era transportado em automóveis comuns, sobre estradas poeirentas, muito mais extensas do que as de hoje, quando as rodovias cortaram trechos desnecessários. No sul do país, essas viagens também eram feitas por trem, com os malotes de dinheiro sob os bancos, durante dois ou mais dias.

Havia um código disciplinar que informava sobre a conduta dos funcionários. As respostas insatisfatórias às perguntas que esse código formulava eram motivo para o atraso na promoção. Houve muita injustiça por causa da prepotência de alguns chefes, não devidas ao sistema disciplinar, mas à eterna fraqueza humana.

Todavia, a época era outra no tocante aos valores e aos costumes, não apenas no Banco do Brasil, mas em todos os setores. A mesma retidão que o Banco usava para com os funcionários, desde o concurso – que era considerado um paradigma no Brasil inteiro – até o modo como cumpria os seus deveres para com o funcionalismo, era também exercida por esses mesmos funcionários na sua vida particular.

E nessa época em que ainda não havia a Universidade na maioria das capitais, os nossos colegas se tornavam professores nas cidadezinhas onde serviam. Quanto ao “status”, é bastante dizer que não precisavam se preocupar com o que hoje é motivo de inquietação: o dinheiro que recebiam era o suficiente para uma vida digna em qualquer parte do país.

Se a porta de vidro da Sala do Passado se abrir agora, deixando passar para o seu interior um flagrante do mundo atual, nós é que ficaremos deslumbrados com o salto de gigante que a vida executou. Como é possível a gente saber o saldo da conta em qualquer cidade do país em poucos minutos? E estamos perfeitamente convencidos de que jamais poderíamos aprender a lidar com os meios sofisticados de agora.

Quanto ao mais, tudo continua exatamente como antes. Existem ainda as pessoas alegres, como no nosso tempo, que nos faziam rir durante o trabalho, como existem as injustiças, as perseguições. Isto porque a inveja ainda não foi banida do mundo, a mediocridade não foi erradicada.

Quando você, meu querido amigo, estiver na fila de um dos caixas no primeiro andar e ouvir um barulho como de briga quando a porta de vidro estiver aberta, perdoe nossa algazarra de velhotes em torno de uma mesa de dominó. Pois existem momentos em que nossa alegria também estanca, há ocasiões em que deixamos de rir ao mesmo tempo. É quando uma notícia qualquer nos chega de que outro colega irá compor o retrato do grupo daqueles que já partiram...

Texto e imagens reproduzidos do Facebook/Fan Page/Petrônio Gomes.

Postagem originária da página do Facebook/MTéSERGIPE, de 01 de novembro de 2014.

A Passagem Secreta



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Publicado originalmente no Facebook/Linha do Tempo/Lilian Rocha,em 12 de outubro de 2013.

A Passagem Secreta.
Por Lilian Rocha.

Quando entrei no Arqui pela primeira vez, tinha apenas 10 anos. Como tantos, fui atraída por alguns boatos que circulavam pela cidade: "O Arqui vai ter piscina"!
Ora, o que hoje parece uma tolice, não o era em 1969, tempo em que a gente contava nos dedos as piscinas de Aracaju. E um colégio com piscina era um verdadeiro sonho para uma criança de 10 anos!
E assim, fui matriculada na '1ª série de ginásio', que depois virou '5ª série' e hoje, '6º ano'. Como me senti bonita e importante na minha farda nova! Era uma saia cinza, toda plissada, uma blusa branca, de poliéster, meias brancas, sapatos pretos Vulcabrás e, no bolsinho da blusa, um escudo de metal com o símbolo do colégio.

Meu Arqui era grande para meus olhos de criança! Onde hoje é o auditório, havia três salas de aula, todas de ginásio. Estudei nas três: 5ª, 6ª e 7ª série. No primeiro andar, ficavam outras salas de ginásio e o científico. Perdi as contas das vezes em que me sentei à sombra daquelas velhas mangueiras para olhar os rapazes do científico, que passavam os intervalos das aulas debruçados nos murinhos, olhando com desprezo para nós, "crianças" do 1° grau. Como eu desejava ser do científico! Só assim eu usaria saia justa e blusa rosa, em vez de branca e, quem sabe, seria mais respeitada por eles...

Cada intervalo das aulas era uma loucura pra ver quem chegava primeiro no speed-ball, um esporte que, nessa época, só existia no Arqui. Toda essa gostosura consistia num mastro fincado no chão e uma bola pendurada por uma corda que, por sua vez, era presa no mastro. O objetivo de cada dupla de jogadores era enrolar a bola num sentido e impedir que a dupla adversária enrolasse primeiro no sentido contrário. Quando o sinal tocava para entrar, lá estávamos nós, com o rosto vermelho e completamente suados, num misto de cansaço e prazer...

Mas o gostoso mesmo do Arqui eram os horários vagos. A gente aproveitava e ia explorar o colégio. Subíamos sorrateiramente as escadas do 2º andar, o lugar mais proibido do Arqui, pois era ali onde dormiam os seminaristas, e também onde ficava o apartamento do padre, que ainda hoje permanece no mesmo lugar, só que agora desabitado. Só o soalho era escuro, velho e fazia um barulhão quando andávamos por ali.
No 2º andar ficava também a biblioteca com a doce Irmã Augusta. Desde aquele tempo, era ela quem fazia as capas dos nossos trabalhos escolares. De vez em quando, nos batíamos com um seminarista pelos corredores e saíamos correndo, entre risos e sustos, uma delícia...

Onde hoje funciona o RH, ficava a cantina e comandando tudo, nossa velha Morena. Aliás, Morena estava em todos os lugares ao mesmo tempo: na cantina, pelos corredores, no portão, sempre atenta, sempre vigilante, sempre fiel ao Arqui, fiel ao padre, fiel ao seu dever. E cada vez mais me orgulho dela, pois há quase 50 anos, Morena mantém essa mesma fidelidade.
E, finalmente, a quadra de esportes. Era um campo todo gramado, cercado por um muro baixinho. Ali, fazíamos educação física e alguns esportes como vôlei e hand-ball. Tento forçar a memória para lembrar como é que a gente às vezes escapava do colégio pelo campo, mas não consigo. Lembro-me, apenas, que por algum lugar a gente ia parar na igrejinha N.S. Menina, que fica exatamente no fundo do colégio. Imaginem vocês que pecado! Pra gazear, a gente passava pela Igreja, nos ajoelhávamos, pedíamos desculpas à N.S. e lá estávamos nós na rua de Itabaiana, rumo à Cinelândia, em busca do picolé mais gostoso da cidade, livres de qualquer culpa ou remorso...
Mas logo o padre descobriu essa "facilidade" e tratou de fechar essa passagem.

Quanta saudade sinto de você, meu Arqui!
Você me viu crescer, foi cúmplice do meu primeiro namoro, meu primeiro beijo. Nas suas escadas vermelhas me sentei várias vezes, para chorar as mágoas de amor, me sentindo a pessoa mais infeliz do mundo. É de se esperar, pois com 14 anos, a gente exagera tudo...
Em 1973 cheguei ao científico, mas não usei saia justa. O Arqui tinha mudado a farda. Em vez de saia e blusa de botões, passamos a usar calça jeans, blusa de malha e tênis, uma verdadeira inovação. Fui estudar no 1º andar e confesso que também olhei com desprezo as "crianças da quinta série". Agora já me sentia uma veterana.
Em novembro de 75, desci pela última vez suas escadas e cruzei a porta de saída, rumo ao vestibular. Confesso que nem olhei para trás nem nunca mais voltei para vê-lo. Estava com a cabeça cheia de sonhos, ocupada demais com o futuro. Não havia tempo a perder com saudades. Aliás, é assim que a gente se sente aos 17 anos. Sem tempo para as saudades. Saudade é coisa de velho, que não combina em nada com nosso espírito de adolescente...

E o tempo passou. Tornei-me professora, casei, tive filhos. E uma por uma, as experiências foram se sucedendo. Fui professora de pré-escola, de ensino fundamental, de curso pedagógico, do ensino médio... Ensinei em escolas, ensinei em casa, ensinei pelo rádio e pela televisão...
Um dia, recebo um convite singular do Pe. Carvalho para ensinar Português e, “nas horas vagas, ser uma espécie de mãe para os alunos". Nem pensei duas vezes e disse a ele que sim. Na verdade, não estava dizendo ‘sim’ só a ele, mas ‘sim’ às minhas lembranças, à possibilidade de voltar ao meu colégio tão querido, palco da minha adolescência, onde vivi algumas das experiências mais doces de minha vida.

E foi assim que em 1995 entrei outra vez no meu colégio, quase vinte anos depois. Procurei minha cantina, meu campo gramado, a escada por onde eu subia escondido pra tocar o sino, mas nada disso encontrei. Foi aí que eu vi como o tempo tinha passado e como nós tínhamos crescido!
Meu Arqui havia se transformado numa verdadeira cidade, de 4.200 alunos, toda informatizada e moderna, com capela, auditório, teatro, coral, jornal, posto médico, carpintaria, livraria e tudo o mais que há em qualquer cidade. Meu antigo campo gramado havia virado um imenso e belo ginásio de esportes e lá no canto estava ela, a minha tão sonhada piscina...

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18 anos se passaram depois disso. Vi outras piscinas serem construídas, outras cantinas, outras escadas...
Vi pessoas saindo, pessoas entrando...
Vi o tempo passar, impiedoso como sempre, carregando junto com ele histórias e lembranças de um tempo que também foi meu...
Olho em volta e não sei por onde começar a faxina. Há vestígios de saudade por todos os lados: nas paredes, nas gavetas, prateleiras, armários... Pedaços de uma história bonita que eu não tenho coragem de rasgar...
Assim como ainda não tive coragem de fechar essa pequena passagem secreta que me conduz às melhores lembranças de você...

(Lilian Rocha – 12.10.13).

Texto e fotos reproduzidos do Facebook/Linha do Tempo/Lilian Rocha.


Postagem originária da página do Facebook/MTéSERGIPE, de  2 de novembro de 2014.

Lembranças


Publicado originalmente no Facebook/Petrônio Gomes, em 28/10/2014.

Lembranças.
Por Petrônio Gomes.

Não foi apenas uma vez que interrompi minha caminhada matinal para assistir ao ritual de "Zé Peixe", o seu “bom-dia” solitário à cidade.

São cinco horas da manhã, hora em que o rio mais parece um espelho, refletindo os primeiros raios do sol. "Zé Peixe" atravessa a rua em demanda do ancoradouro da Capitania dos Portos, vestindo um calção que andava em plena moda, lá pelos anos quarenta.
Sua pele, bastante curtida pelo sol, é uma prova viva de que toda a sua vida teve o rio por cenário, fato que já foi divulgado em livro, embora as façanhas de José Martins Ribeiro Nunes já sejam por demais conhecidas pelos sergipanos.

Chegando à plataforma da Capitania, Zé Peixe inclina o corpo e salta. Nunca vi tanta naturalidade, tanta familiaridade com este rio que banha a nossa cidade. Poucos segundos depois, sua cabeça emerge à superfície e ele começa a nadar em direção do ponto onde me encontro. Zé Peixe nada como nenhum professor de natação ensina aos seus alunos, isto é, de modo inteiramente contrário às regras, levantando a cabeça para ambos os lados e sem bater os pés! Em suma, qualquer aluno de natação, tendo por instrutor um diplomado que ensina nos grandes clubes, será reprovado sumariamente, se nadar do modo como José Martins Ribeiro Nunes costuma nadar, aliás, do único modo como "Zé Peixe" sabe nadar.

- Tudo bem, Zé? - perguntei-lhe, certa vez, enquanto ele subia as escadas.
- Tudo certo - respondeu ele, com o mesmo ar simplório de sempre.
- Zé, quantos metros de profundidade existem na cabeceira da ponte?
- Quase dois, quando a maré está pelo meio.
- Só isto, Zé? E você pula de cabeça?
- Mas eu sei pular...

E dizendo isso, afastou-se de mim com um sorriso, acenando-me um até logo bem humorado. Prossigo minha caminhada obrigatória, absorto em minhas lembranças.

Tínhamos a mesma idade, Zé Peixe e eu, e por isso, fomos testemunhas das mesmas cenas que enfeitaram nossa meninice: os saveiros que pontilhavam as águas do rio, o velho trampolim da rua de Maruim, que ficava cheio de garotos nas tardes de domingo; o aeroporto flutuante da Panair do Brasil e a chegada dos hidro-aviões da Companhia, fabricando uma longa esteira de espuma na superfície do rio; o barquinho a motor que conduzia os passageiros para o embarque, deixando invejosos todos os que o contemplavam da balaustrada; a Agência da Panair, que ficava a cargo da firma “A Fonseca”, talvez a mais tradicional da cidade.

Nessa época, já era habitual para Zé Peixe atravessar o rio, façanha que envolvia desafios dos outros meninos, pois era uma espécie de herói, aos olhos dos outros, aquele que conseguia chegar à Barra dos Coqueiros, apenas com a força dos braços.

Aracaju era apenas uma cidade-província, onde se experimentava a potência dos automóveis na subida da ladeira de Santo Antônio. Sim, qualquer carro que lograsse vencer aquele declive sem engasgar, poderia ser comprado pelo candidato. Depois, essa mesma ladeira do Santo Antônio haveria de arrancar risos de todos os que voltavam de Salvador...

Da Capitania dos Portos, volto em sentido contrário pela mesma rua da frente. E novas recordações vêm chegando. Vejo outra vez as antigas casas comerciais ressurgirem das cinzas: a casa “Dantas & Kraus”, o consultório do dr. Augusto Leite, no prédio onde funcionou depois a Gazeta de Sergipe; o armazém de ferragens de Ribeiro & Cia., o Banco do Brasil, o Trapiche Lima, o Banco Mercantil Sergipense, a Companhia Telefônica...

Apenas nos antigos postais e em nossa memória existem ainda essas sombras do passado. Quando as evocamos, mil outros acontecimentos também ressurgem, como pedaços de um calendário perdido, restos ilustrados de uma folhinha que não conseguimos esquecer.

Hoje, até Zé Peixe também, já faz parte de minhas lembranças...

Texto e foto reproduzidos do Facebook/Fan Page/Petrônio Gomes.

Postagem originária da página do Facebook/MTéSERGIPE, de 29 de outubro de 2014.

terça-feira, 28 de outubro de 2014

João Ribeiro, um sábio completa 150 anos (2010)


Infonet - Blog Luíz A. Barreto - 10/12/2010.

João Ribeiro, um sábio completa 150 anos
Por Luíz Antônio barreto.

Nascido do útero de Laranjeiras, no dia 24 de junho de 1860, JOÃO RIBEIRO de Andrade Fernandes, conhecido em todo o Brasil como João Ribeiro, mestre da língua, da história e do folclore, foi um dos mais ilustres filhos de Sergipe, formando ao lado dos grandes como Tobias Barreto, Silvio Romero, Fausto Cardoso, Gumercindo Bessa, Felisbelo Freire, Laudelino Freire, Jackson de Figueiredo, Justiniano de Melo e Silva, Manoel Bonfim, e outros que elevaram a terra sergipana a ser reconhecida como “pátria de filósofos.” Sergipe foi, na segunda metade do século XIX, também, “pátria de poetas”, “pátria de juristas”, numa consagração que se fez o maior dos bens que a terra pode ter.

João Ribeiro não fez o caminho recifense dos demais, na sua formação de professor e de bacharel em Direito. Sua convivência maior foi com o Rio de Janeiro, bacharelando-se em 1894, na Faculdade Livre de Direito,onde Silvio Romero foi professor. Alternando atividades na cátedra e nos jornais, João Ribeiro produziu uma vasta obra, que se tornou referência essencial aos estudos da história, da filologia e do folclore, sempre mantendo a categoria de mestre, que o tempo foi tornando sábio. Em 1895 foi para a Alemanha, estudando as novas teorias em discussão sobre o folclore. Iniciou uma série de publicações, em jornais, vulgarizando a ciência, que então mudava a compreensão do mundo e da vida. E com suas Cartas, mandadas da Alemanha, fez estudos de literatura comparada, lamentavelmente sem convertê-los em livro.

Sobre o Folclore, João Ribeiro deu um Curso na Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro, em 1913, dando suporte científico às pesquisas pioneiras de Silvio Romero e de outros coletores das coisas do povo. Valendo-se das teorias alemãs, do folclore étnico, fazendo a exegese dos autores solaristas, o curso dedo foi publicado nos Anais da BN e, em 1919, com alguns poucos acréscimos foi editado pela casa impressora de Jacinto Ribeiro dos Santos. Mesmo vivendo 15 anos após a edição de O Folclore, João Ribeiro não conseguiu complementar seu texto, com anotações importantes, que ficaram de fora da edição de 1919. Somente em 1963, graças as iniciativas de Edson Carneiro, Joaquim Ribeiro (intelectual, filho e curador da obra de João Ribeiro, foi pensada a reedição, que esbarrou no patrulhamento feito pelos militares que tomaram o Poder. Anos depois, quando a Campanha de Defesa do Folclore Brasileiro era dirigida pelo diplomata e folclorista Renato Almeida, contando com a colaboração de Vicente Sales, o livro saiu, em co-edição com a Organização Simões Editora.

O Brasil das universidades e centros de pesquisas e estudos passou a contar com um livro bem ordenado e fundamentado, atualizado, e que servia de roteiro interpretativo da cultura popular brasileira, fundamental como estudo da psicologia coletiva. O Folclore de João Ribeiro é, hoje, um livro raro, inacessível ao grande público interessado, de todo o País. É importante registrar que Sergipe é berço de Silvio Romero, que iniciou as coletas folclóricas do Brasil, em parte interpretadas pelo sergipano João Ribeiro e,posteriormente, por Clodomir Silva, José Calasans, Mário Cabral, e mais recentemente, por Jackson da Silva Lima. No campo do estudo da língua portuguesa no Brasil, os lvros de João Ribeiro serviram de teoria aos cursos médios e universitários, e o mesmo se pode dizer dos estudos de história.

João Ribeiro escreveu, com seu patrício e amigo Silvio Romero, o Compêndio da História da Literatura Brasileira, editado em 1906, reeditado em 2001, pela Editora IMAGO, do Rio de Janeiro. A edição coincidiu com as homenagens prestadas a Romero, quando o Brasil celebrava os seus 150 anos de nascimento. O Sesquicentenário de João Ribeiro não teve, lamentavelmente, a repercussão merecida. Suas obras raream nos sebos, embora o saber que nelas circula é um doas capítulos mais relevantes da cultura brasileira. Dois eventos, talvez apenas estes – uma conferência no Palácio Museu Olimpio Campos e um Seminário na UNIT, bem coordenado pelo professor Antonio Bitencourt – “salvaram a Pátria”, rompendo com o silêncio constrangedor da indiferença.

Sábio, autor de grande obra, João Ribeiro tem um enorme crédito em Sergipe e precisa ser quitado, principalmente junto a massa estudantil, onde sua magnífica obra é referência sem precedentes na cultura brasileira.

Texto e imagem reproduzidos do site: infonet.com.br/luisantoniobarreto

Postagem originária da página do Facebook/MTéSERGIPE, de 27 de outubro de 2014.

Volta Seca, o Cangaceiro (sergipano) de Lampeão


Infonet - Blog Luíz A. Barreto - 27/02/2009.

Volta Seca, o Cangaceiro (sergipano) de Lampeão.
Por Luíz Antônio Barreto.

São desencontradas as informações sobre Volta Seca, cangaceiro sergipano e um dos mais conhecidos e destacados cabras do bando de Lampeão. Em 29 de abril de 1929, quando assistiu missa em Poço Redondo, com seus “rapazes,” o próprio Virgulino Ferreira da Silva entrega ao padre Artur Passos, então vigário de Porto da Folha, uma folha de papel pautado, escrita a lápis, com os nomes, os apelidos e as idades dos integrantes do seu grupo de dez cangaceiros.

No precioso papel, que é documento daquela que pode ser considerada a primeira entrada de Lampeão em Sergipe, o último a ser citado, com o nome de Antonio Alves de Souza, e a idade de 18 anos, com a observação “menino,”, e tem o apelido de Volta Seca.

Preso no início de 1932 e levado para a Casa de Detenção da Bahia, Volta Seca foi procurado por alguns sergipanos interessados em recolher informações sobre o cangaço no Nordeste e sua presença em Sergipe. Joel Macieira Aguiar, representando o Jornal de Notícias, acompanhado de Hernani Prata e de João Prado, estudantes de Direito na Bahia, encontrou Volta Seca tocando realejo, entrevistando-o, em começo de abril de 1932, fixando estes dados pessoais: sergipano, nascido no Saco Torto, povoado de Itabaiana, filho de Manoel Santos, que trabalhou no Engenho Contadouro, de propriedade de Antonio Franco, freqüentou o Engenho Central, onde trabalhava Antonio de Engraça, conheceu Aracaju, e conheceu bem sua terra, Itabaiana, e Malhador. Volta Seca declarou, ainda, que entrou para o cangaço com 12 anos, a convite do próprio Lampeão, em Gisolo, no sertão da Bahia.

12 anos depois, em março de 1944, Joel Silveira, já um jornalista importante no Rio de Janeiro, viaja a Salvador, e na Penitenciária da Bahia entrevista Volta Seca e outros cangaceiros presos, como Ângelo Roque, Deus Te Guie, Caracol, Saracura, Cacheado. Joel Silveira anota o nascimento de Volta Seca em Itabaiana e diz que ele entrou no cangaço com 14 anos. Um documentário sonoro, feito na década de 1950, gravado em 1957, narrado por Paulo Roberto, locutor da Rádio Nacional, afirma que Volta Seca tinha o nome de batismo de Antonio dos Santos, e que entrara para o cangaço com apenas 11 anos. A Todamérica grava o documentário comercialmente, apresentando Volta Seca como compositor e intérprete de diversas músicas que estão ligadas ao ciclo dos cangaceiros, como: Se eu soubesse; Sabino e Lampeão; Mulher Rendeira; Acorda Maria Bonita e outras.

Há, portanto, divergência de nome, idade e data de entrada de Volta Seca no grupo de Lampeão.
Considerado valente, tendo brigado com o próprio chefe, Volta Seca não mereceu elogios do padre Artur Passos, no encontro de Peço Redondo em 1929. O padre, que demonstrou simpatia com Moderno (Virgínio Fortunato, cunhado de Lampeão) e com o próprio Virgulino, não gostou de Volta Seca, e sobre eles diz: “Não têm, inclusive Lampeão, cara repelente, como imaginamos nos bandidos em geral, devendo frisar, porém, o olhar especial de um deles, o fedelho de 16 a 18 anos, que os acompanha.”

No contato com Joel Silveira, Volta Seca, sob o testemunho de antigos companheiros, reafirmou sua coragem, disposição, e narrou episódio de uma briga com o chefe, em 1931, por causa de um socorro dado a Bananeira, ferido em combate. Lampeão achava que o atraso poderia ocasionar problemas sérios, de confrontos com a polícia, enquanto Volta Seca agia solidariamente, sem querer deixar para trás o companheiro atingido por tiros. O ambiente ficou tenso, e por pouco os dois cangaceiros não se enfrentaram. A fama de valentia, contudo, ampliou-se dentro e fora do grupo, apesar de Volta Seca ganhar, também, uma imagem lúdica, de compositor e de cantor, responsável por salvar parte do repertório dos grupos de cangaceiros. O disco da Todamérica é um bom exemplo, e foi reproduzido, em parte, décadas depois, por um álbum, long-play, dos Estúdios Eldorado, de São Paulo, com o título de A Música do Cangaço. Nele, além das canções atribuídas e cantadas por Volta Seca, já citadas, figuram artistas como Luiz Gonzaga, Sérgio Ricardo, Teca Calasans e Antonio Carlos Nóbrega.

Além de tocar realejo, compor e cantar, Volta Seca foi submetido, na prisão, ao trabalho forçado de fazer flores e outras artesanias, predominantemente feitas por mulheres. Ele não se abateu, casado, pai de um filho, ele esperava cumprir sua pena de 20 anos, para deixar a prisão e recomeçar a vida. E o fez pela música, ainda hoje uma referência, tomada por empréstimo por Luiz Gonzaga e por outros artistas nordestinos, que concorreram para fixar uma estética do cangaço, da qual Frederico Pernambucano de Mello é especialista.

Texto e imagem reproduzidos do site: infonet.com.br/luisantoniobarreto

Postagem originária da página do Facebook/MTéSERGIPE, de 27 de outubro de 2014.

sexta-feira, 24 de outubro de 2014

Sabor Sergipe

Foto reproduzida do Facebook/Fan Page/Terra Sergipe.

Postagem originária da página do Facebook/MTéSERGIPE, de 23 de outubro de 2014.

Artesanato Sergipano


Postagem originária da página do Facebook/MTéSERGIPE, de 21 de outubro de 2014.

Morre Presidente do Sindicato dos Bancários de Sergipe


Publicado originalmente no site f5news, em 23/10/2014.

“Souza me ensinou a lutar e nunca desistir”, diz esposa do sindicalista
Familiares e amigos falam do legado deixado pelo líder dos bancários

Notícias Sergipe
Por Will Rodrigues

O corpo do presidente do Sindicato dos Bancários de Sergipe (SEEB), José Souza, está sendo velado no Cemitério Colina da Saudade, na zona Sul de Aracaju, desde o final da noite dessa quarta-feira (22). O corpo chegou em Aracaju no começo da noite de ontem, ficou durante três horas na sede do SEEB e depois seguiu para o cemitério onde será sepultado às 16 horas desta quinta-feira (23).

Na manhã de hoje, vários amigos, familiares e companheiros de militância do sindicalista estiveram no velório. A todo momento pessoas chegavam para prestar solidariedade à família. As homenagens também se refletiam no grande números de coroas de flores que rodeavam o caixão.

Emocionada, a diretora de comunicação do SEEB/SE, Ivânia Freire, ressalta os 34 anos de militância ao lado de Souza. “Nós eramos como água e água. Discutíamos sobre tudo, mas ele era alguém que se esforçava ao máximo para tirar as pedras da frente para deixar o caminho melhor para o próximo. É uma perda não só para os bancários, mas para todo movimento democrático brasileiro”, declara.

O vice-presidente da Central Única dos Trabalhadores, Roberto Silva, lembra da contribuição do militante a causa trabalhista. “Ele não lutava só pelos direitos dos bancários, mas defendeu com garra os direitos da classe trabalhadora”, diz.

O presidente da Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf/CUT), Carlos Cordeiro (ao lado), está em Aracaju e enfatiza que a atuação de Souza teve importância em âmbito nacional. “Com seu jeito conciliador, o Souza participou de forma efetiva e decisiva de momentos importantes de negociação, a exemplo das discussões que foram feitas na última greve nacional dos bancários, por isso é uma perda muito grande para o movimento em todo país”, afirmou.
A deputada estadual Conceição Soares (PT) disse que o cenário político sergipano também perde com a morte de Souza. Ela destaca o seu modo respeitoso de agir. “Ele defendia os seus ideais sempre de forma dura e intensa, mas nunca desrespeitou e nem feriu a moral da classe patronal, porque era uma pessoa integra”.

Em conversa com F5News, a esposa do líder sindical, a jornalista Niura Belfort (ao lado), afirma que apesar do momento de dor, a perda de Souza mostra que ele era muito mais respeitado e querido do que ela mesma pensava. “É muito gratificante perceber que ninguém tem nenhuma crítica a fazer ao trabalho que Souza desempenhou ao longo de toda sua vida. Os nossos filhos, com certeza, estão muito mais orgulhosos ainda do pai que tiveram e eu também. Souza nos ensinou ensinou a ser persistentes, determinados e não desistir de lutar nunca”, afirmou.

Vítima de infarto fulminante, José Souza morreu prematuramente nesta terça-feira (21), na cidade de Fortaleza, no Ceará, onde ele participaria das negociações dos dias parados durante a greve e da assinatura do aditivo da Convenção Coletiva do Banco do Nordeste (BNB).

Ele era membro titular do Comando Nacional dos Bancários. Com 56 anos, Souza nasceu em Carira/SE. Casado com a jornalista Niúra Belfort deixou dois filhos: Vladimir Souza Belfort e Letícia Souza Belfort.

Souza entrou no Banco do Brasil em 1979. Ele atuou no movimento sindical desde a década de 80. Dirigente do Partido Comunista do Brasil (PCdoB) e da CTB - Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB/SE) em Sergipe. E das atividades sindicais e de representação de funcionários, foi delegado sindical e membro da Executiva Nacional dos Funcionários do BB e membro da Federação Bancários da Bahia e Sergipe.

*Com informações do SEEB.

Texto reproduzido do site: f5news.com.br
Foto reproduzida do site: portalctb.org.br

Postagem originária da página do Facebook/MTéSERGIPE, de 23 de outubro de 2014.

quarta-feira, 22 de outubro de 2014

Meu Ídolo


Publicado originalmente no Facebook/Lilian Rocha, em 20/10/2014.

Meu Ídolo,
Por Lilian Rocha.

Falar dele é o mesmo que falar de um ídolo, de alguém que você admira muito e sabe que jamais vai conseguir ser igual a ele.
Ele foi meu primeiro professor de Inglês. Com ele, aprendi os dias da semana, os meses do ano, as cores, os números, os pronomes...
Foi meu primeiro professor de Literatura, que recheou minha infância com livros e revistinhas e me ensinou a gostar de ler e escrever...
Foi meu primeiro professor de Música, que acostumou meus ouvidos desde cedo com música de qualidade...
Foi meu primeiro professor de Religião, que respondeu a todos os meus questionamentos, me tirou todas as dúvidas e aumentou a minha fé...
Foi meu primeiro professor de Geografia e História, dono de uma memória invejável, que me ensinou sobre o Brasil e o mundo...
Foi meu primeiro professor de saudade, que me fez amar histórias que eu nunca vivi e lugares que eu nunca conheci...
Foi quem me ensinou o significado da ética, do respeito e da responsabilidade...
Difícil falar de uma pessoa tão culta e possuidor de uma inteligência tão brilhante.
Difícil falar de um homem que é, ao mesmo tempo, professor, jornalista, radialista, cronista, pianista...
Mas é muito bom saber que essa pessoa tão completa cabe todinha numa única palavra, talvez uma das primeiras que aprendi a pronunciar. Tudo isso é meu PAI.
E é nele que me inspiro.
Parabéns, pai. Obrigada por tudo o que aprendi e por tudo o que você ainda tem pra me ensinar.
Te amo!

Texto e foto reproduzidos do Facebook/Linha do Tempo/Lilian Rocha.

Postagem originária da página do Facebook/MTéSERGIPE, de 21 de outubro de 2014.

domingo, 19 de outubro de 2014

Árvore de Natal da Energisa, em Aracaju

A Saudosa árvore de Natal da Energisa, em Aracaju/SE
Foto reproduzida do site: segredosdeviagem.com.br

Postagem originária da página do Facebook/MTéSERGIPE, de 18 de outubro de 2014.

Calçadas


Publicado originalmente no Facebook/Petrônio Gomes, em 16/10/2014.

Calçadas.
Por Petrônio Gomes.

"Calçadas são pisos revestidos em torno de casas, edifícios, ou, simplesmente, sobre ruas e avenidas de uma cidade.”
De posse desta valiosa informação do dicionário, podemos agora comparar as diversas superfícies do solo em que pisamos na cidade de Aracaju. Chegaremos à conclusão de que as verdadeiras calçadas de nossa capital são raríssimas, pelo menos as que podem responder à definição oficial. Vejamos:
Em primeiro lugar, o revestimento pode ser escolhido, segundo a ideia de qualquer proprietário ou inquilino do imóvel. Existem os pisos brilhantes, espelhados, geralmente colocados à frente de lojas, cujos artigos ameaçam perder o brilho, se não forem logo adquiridos. Esses revestimentos são um perigo para os representantes da terceira idade, uma vez que os seus esqueletos já não possuem a mesma resistência de outros carnavais. As quedas espetaculares dos velhos sempre terminam de modo dramático. E quando um deles se levanta, sorridente, depois de um tombo, é quase certo que o riso também não seja normal...

As "calçadas desdentadas" são aquelas que ficam à entrada dos imóveis alugados a preços já defasados. Nem o dono as conserta por não ter dinheiro, nem o inquilino se dá ao trabalho de fazê-lo, por não ser o dono. Constituem também outro perigo para todos os transeuntes.

Há também as "calçadas interrompidas", isto é, quebradas ao meio para o declive da entrada do automóvel. Cada interrupção é motivo para uma “topada”, mas como a maioria dos passantes usa tênis, ninguém escuta o barulho. Além do mais, a queda é silenciosa, discreta.

Não é aconselhável usar a rua para se colocar material de construção a ser utilizado. Por isso, os proprietários costumam despejar o cimento e a areia grossa sobre as calçadas. O processamento da massa de alvenaria é também feito no mesmo local. O sol cálido do verão em Aracaju transforma em montículos de pedra o resto do cimento que não foi usado. Temos, então, a "calçada ondulante", pronta para outro tipo especial de quedas, as que exigem um espaço maior para maltratar o descuidado...

As raízes das árvores, por sua vez, levantam as pedras dos alicerces do passeio e se esparramam à luz do sol, contribuindo para ilustrar a paisagem. São as "calçadas vivas".

Houve uma Administração Municipal que se preocupou com os deficientes físicos em Aracaju. Contratou uma empresa para instalar rampas na cidade, em todas as calçadas. Por elas, as cadeiras de rodas poderiam trafegar com mais segurança. A medida foi elogiável, sem dúvida alguma. Entretanto, a firma contratada para o serviço encheu a cidade de rampas, inclusive em locais perigosos, onde ninguém se atreve a passar em pleno gozo de saúde de ambas as pernas, quanto mais sobre uma cadeira de rodas! Ainda hoje podemos vê-las, às vezes duas em uma só calçada, dando a impressão de que Aracaju é a cidade que possui maior número de deficientes físicos na América do Sul. Foram as "calçadas hospitalares".

Mas não devemos desanimar. Em uma bela e radiosa manhã, surgirá uma ideia luminosa na mente de um vereador predestinado pela História. Ele descobrirá a possibilidade de fazer com que as calçadas sejam construídas em obediência a um plano racional, isto é, que possam cumprir o seu papel de calçadas. Bastaria a esse parlamentar que visse no dicionário a definição singela de uma calçada normal.

Afinal, não se pedem tantos absurdos ao povo em nome de tanta coisa sem sentido? Não se votam outros nomes para as mesmas ruas, pelo simples fato de não se lembrarem do que deveriam fazer?
Sem dúvida que esse vereador extra-terrestre teria que implorar aos seus pares uma votação, sob regime de urgência urgentíssima, pois todos os seus colegas haveriam de invejar-lhe a fortuna de haver descoberto a pólvora...

Texto e imagem reproduzidos do Facebook/Fan Page/Petrônio Gomes.

Postagem originária da página do Facebook/MTéSERGIPE, de 17 de outubro de 2014.

Pascoal Maynard


Paostagens originárias da página do Facebook/MTéSERGIPE, de 17 de outubro de 2014.


sábado, 18 de outubro de 2014

Memória de Post do MTéSERGIPE, de 20/08/2011

Edmundo Soares Bezerra Filho (+ de 25 comentários).

Vamos homenagear os amigos que partiram, ainda não citados, e que eram muito presentes na época. Jorge Galego, Flávio Louro, Mané Valoir, China, Humbertinho Levita, os irmãos Bucha e Fernandinho, Mano da Moto, Rosa (cobrinha)...

Postagem originária da página do Facebook/MTéSERGIPE, de 20 de agosto de 2011.

Iate clube, ensaio do coral do Colégio Brasília


Postagem originária da página do Facebook/MTéSERGIPE, de 19 de agosto de 2011.

sexta-feira, 17 de outubro de 2014

Paulo Brandão, Faculdade de Economia, em Aracaju


Procurei uma foto dos tempos da Faculdade de Economia. Só achei essa, de uma palestra do Prof. Alberto Carvalho, em 1976 ou 77. Notei que só tinha três mulheres: as irmãs Hortênsia e Acácia e mais Aneide. Meu irmão Ricardo está lá no fundo, ao lado de Tosca. O reitor da UFS, Josué, está na frente. Eu estou por aí, mas não me identifico nem sob tortura. (PRDB).

Postagem originária do Facebook/MTéSERGIPE, de 27 de agosto de 2011.