Postagem originária do Facebook/MTéSERGIPE, em 7 de março de 2012.
sexta-feira, 25 de julho de 2014
Carnaval Iate, Baile Infantil, 1975
Postagem originária da página do Facebook/MTéSERGIPE, de 26 de agosto de 2011.
Diretoras do Colégio Brasília (Segunda foto com link)
Dona Alaide, Lygia e Dona Helena, em evento na Associação Atlética de Sergipe.
Postagem originária da página do Facebook/MTéSERGIPE, de 17 de agosto de 2011.
Homenagem a Armando Maynard
"Homenagem a Armando Maynard criador do grupo que as 05:37 do
dia 27.08.2011
O grupo "Minha Terra é SERGIPE" atingiu a marca de
11.994 postagens.
(Criado em 14 de agosto de 2011 às 9:28h.). (Tasso Garcez Sobral).
Postagem originária da página do Facebook/MTéSERGIPE, de 27 de agosto de 2011.
quinta-feira, 24 de julho de 2014
Araripe Coutinho e Antônio Samarone
"Uma boa notícia, o Poeta está curado...".
(Antônio Samarone).
Imagem reproduzida do Facebook/Linha do Tempo/Antônio
Samarone.
Postagem originária da página do Facebook/MTéSERGIPE, de 18 de julho de 2014.
Chorinho do Inácio (1995)
"Reminiscências em Fotos - Chorinho do Inácio - Walter Inácio Medeiros (meu pai),
Guerrinha e Cãndido - 1995". (Ludwig Oliveira).
Postagem originária da página do Facebook/MTéSERGIPE, de 4 de abril de 2012.
Fernando Sobral - uma perda muito sentida
Fernando Sobral - uma perda muito sentida
Por Lúcio Prado Dias.
Quando a gente ainda vai se recuperando emocionalmente das
perdas de Helvinho e Pedro Nunes, amigo e colega falecidos nas últimas semanas,
eis que a morte arrebata mais um, na sua mocidade: Fernandinho ( Orelhinha)
Sobral, atual Comodoro do Iate Clube de Aracaju. Soube agora do seu
falecimento, ocorrido na noite chuvosa desta terça-feira, 15 de julho.
Se louvar os mortos é um modo de orar por eles, na visão de
Machado de Assis, louvemos pois as suas virtudes, sua dedicação e disposição
para o trabalho à frente do Clube da 13 de Julho, a sua amizade e alegria
contagiante. Alegria que fica pra sempre no registro dessa foto!
Descanse em paz, Orelhinha!
Foto e texto reproduzidos do Facebook/Lúcio Prado Dias.
Postagem originária da página do Facebook/MTéSERGIPE, de 20 de julho de 2014.
Antigo Restaurante Tropeiro, na Orla de Atalaia, em Aracaju
Antigo restaurante tropeiro na orla de Aracaju. Hoje já não
existe mais foi demolido.
Postagem originária da página do Facebook/MTéSERGIPE, de 20 de agosto de 2012.
História arquitetônica de Aracaju, virando poeira
Mais uma casa antiga, esta que era situada à Rua Itabaiana,
próximo da Praça Tobias Barreto, que poderia ser um 'Patrimônio Histórico',
vira poeira, tudo em nome da especulação imobiliária. Hora de lembrarmos do Cine Rio Branco, da casa do Dr. Augusto
Leite...
Postagem originária da página do Facebook/MTéSERGIPE, de 8 de abril de 2012.
Memória de Post do MTéSERGIPE, de 07/12/2011.
Amaral Cavalcante.
(CANTINHO DA FAMÍLIA).
A descendência.
Sou filho de José Cavalcante Lima -chamado Seu Liminha - e
Corina Hora Amaral. Neto dos varões Hermínio e Corcino e de suas senhoras,
Terezinha e Maroca. De vó Maroca lembro o queixo fino, empinado, e do pé de
sapoti no seu quintal, onde a algazarra dos nicos me conduzia às matas de
Tarzã. Já Terezinha, curvada sob o peso de um mau-humor dolorido, era rasquenta
e braba, mas boa de Magazine - que os netos dela tinham que luxar. Corcino,
caboclo do cabelo bom e bem penteado, era um belo homem. Conta-se dele que sua
mãe era índia, pega a dente de cachorro nas matas das Caraíbas. Daí sua
arrogante elegância bigoduda, olhão de corta-mortalha, sempre de terno e
colete, as mãos morenas sobre o castão prateado da bengala. Vovô Hermínio,
capaz de nem caber aqui, imenso, com o seu cajado de jacarandá e suas calças
largas, qual bombachas. Morava com Maroca mais não, “aquela velha feia”! Tinha
era trinta namoradas novas na feira de Simão Dias, o velho fanfarrão!
Bamboleado uma hérnia nos “quiba”, lá vem ele todo manemolente, arrastando um
cacho de pitombas e meia banda de jaca, todo sábado. Era dia de festa no
quintal.
Meus pais namoraram contra todos e vai que se amigaram por
amor ou teimosia. Ele deve ter feito mal à donzela e a família Ponphilo do
Amaral exigiu reparação. Ponphilo era comerciante de secos e molhados e dele,
mãe Corina sempre dizia: meu tio Pnpilho tinha tinas de bacalhau na despensa e
só comia queijo do reino.
Foi se engraçar de Liminha...
Vó Terezinha nunca se conformou, mas abafou o escândalo e
foi deixando para ver como ficava aquela história de casal enamorado. Foram
tendo filhos, primeiro José depois eu. Quando dei por mim já havia mais três:
Tereza, Édila e Jorge.
O que resta hoje dessa prole, é bonito de se ver.
Zé Nery, o primogênito, foi embora pra Bahia e lá virou
senhor de próspera família, avô de amáveis caduquices, um correto cidadão já
com três netos. Tereza envelhece tranqüila, viúva de dois grandes amores, dona
de si e do mundo, avó de muitos quereres. Édila, a mais nova das mulheres, inteligente
e dedicada ao trabalho, casou juntando sonhos com o amado Lisboa e hoje tem
dinheiro e amor, filhos e netos. Jorge, conhecido como Sabiá, viveu cantando de
galho em galho sem se preocupar consigo nem com o quintal do visinho. Vai ver
que veio aqui só para constatar como a vida familiar das pessoas é inadequada
aos pássaros. Eu, arrimo que acabei sendo, estive algum tempo encarregado de
cortar suas asas, único pecado que carrego irresolvido (digamos assim), na
alma. Sabiá morreu morando em minha casa, onde batia do chinelo o pó das ruas
quando bem entendia, traído pela cannabis. E eu, (chamado Tonho), sou o que
vosmecês já sabem: um poeta de província, cronista dessas saudades.
Amaral Cavalcante.
Postagem originária da página do Facebook/MTéSERGIPE, de 7 de dezembro de 2011.
quarta-feira, 23 de julho de 2014
Memória de Post do MTéSERGIPE, de 05/12/2011.
Amaral Cavalcante.
O Rango no Mercado Thales Ferraz.
-Vamos pro Mercado comer sarapatel com inhame!
-Sem dinheiro, fazer o que?
- Eu tenhouma nega no Cabaré Shangay, ela me adianta
trezentas pilas. Era Harolno, o bem dotado, mais uma vez resolvendo a parada.
O cabaré Sangay ficava no Beco dos Cocos - caminho do
Mercado Thales Ferraz - no andar superior de um casarão mal cuidado. Para
alcançá-lo, o cidadão tinha que vencer uma escadaria íngreme, depois de
enfrentar o julgamento de Seu Tenório, o leão de chácara menos convincente que
eu já vi. O maior impedimento que ele oferecia ao acesso da meninada era o
obstáculo da sua imensurável barriga. Bastava um jeito de corpo e... adeus
Tenório!
O cabaré, decorado com motivos orientais, leques mexicanos e
luzinhas de natal piscando pelos cantos, tinha um bar num canto e o palco ao
fundo, em vermelho abrasador. Faróis iluminavam a flacidez das rumbeiras, os
engolidores de fogo, o palhaço de smoker e bengala destilando sacanagens. Na
segunda parte do “Goldem Show”, criado e apresentado por Mãezinha, uma gorda
sorumbática cantava Maisa em falsos prantos. É que a “fossa” dava sede, vendia
bem. Depois, para não encabular a platéia, um engraçado atacava de Miltinho:
calça tergal, mangas compridas e sapato Fox - a cornice em pessoa - mas o bigodinho
safado e a gravata borboleta de bolinhas azuis revelavam o malandro. Era assim
no Shangay.
Harolno subiu e voltou arregado, meia hora depois:
- Vamos pro Mercado!
A primeira coisa que me ocorre é o brilho dos alumínios.
Panelas coruscantes, areadas ao ponto da magnitude, cozinhando inhames, carne
frita, sarapatel, cabidela, sem falar no mingau de puba regenerador. O cheiro
do café embevecia longe. Duvido que alguém bote, hoje, um inhame mais macio no
meu prato, ou, senão, que parta uma talhada de cuscuz com ovos estrelados na
manteiga como no boteco de Mariinha Caolha, o melhor de todos.
As mulheres que pintavam lá, vindas da batalha, cada uma com
a sua história mais chorosa, eram amigáveis, maternais até, desde que algum de
nós lhes apresentasse possibilidades de uma esticada ao cafofo para um pinço
madrugal. Comer um toodynho cheiroso seria um bom fim de noitada para qualquer
delas! E porque não?
De incômodo ali, eram as perebas expostas. Nós vínhamos do
ócio, da farra farta, gente metida a rica cheirando a Patchouli e o Mercado era
o portal da nossa realidade provincial, um caldeirão cozinhado o limbo social
da cidade. Que diabos fazíamos lá com nossas pantalonas barreadas da lama,
nossas colares espalhafatosos, nossas fivelas de meio palmo? Na madrugada,
suando sovaqueiras infernais, figuras boshianas ameaçavam enfiar muletas no cu
dos bem servidos.
O Mercado nos recebia com um pé lá e outro cá, prestes à
justiça de um pontapé. Ai de quem negasse um dedinho de cachaça a um tenebroso
qualquer, ou se impacientasse com a conversa comprida do marchante que se
abancara na mesa sem convite. Ai de quem.
Mas já que eu estou aqui vivo e saudoso, contando lera, sou
a prova de que o Mercado era manso e o rango divinal! Juro por Deus.
Amaral Cavalcante.
Postagem originária da página do Facebook/MTéSERGIPE, de 5 de dezembro de 2011.
Lulu Leite, conduzida pelo pai, Festa das Debutantes/Iate Clube.
"Conduzida por meu pai, na Festa das Debutantes, no Iate
Clube". (Lulu Leite).
Postagem originária da página do Facebook/MTéSERGIPE, de 27 de novembro de 2011.
Memória de Post do MTéSERGIPE, de 16/06/2014.
Amaral Cavalcante.
O bar dos muito machos.
Alguém ai sabe se o Bar do Caldinho ainda funciona na
esquina de Estância com Arauá?
Criado nos idos setenta por um itabaianense para atender ao
contingente de universitários conterrâneos que crescia em Aracaju, acabou
virando o point da mais convicta macheza disponível nesta capital.
Servia carneiro com inhaca de bode, tripa de porco assada
ainda com o cheirinho da natureza,espetinho de pescoço, sarapatel ao
extravagante cominho e até culhões de boi ao óleo e alho - um agravante
perigosíssimo à excessiva testosterona solta no ar.
A cerveja abria-se no dente.
Garçom, pegava-se pelos fundilhos.
E cuspia-se muito.
Tirando o exagero literário era ali o bar dos muito machos.
Dia de futebol lotava de torcedores a xingar a mãe do juiz, a interpretar os 90
minutos da peleja aos berros e imprecações.
Desde as mesas mais disputadas, situadas na calçada, até a
última que ninguém queria, no fedor do WC, era uma zoada infernal de paixões
exasperadas. Gritava-se pelo time, pelo zagueiro, pela euforia da vitória, pelo
simples prazer de provocar arruaça.
Agora, mulher no recinto, nem uma pra remédio.
Não preciso reproduzir aqui o furdunço de uma confraria de
machos desacompanhados discutindo futebol com o incentivo da cerveja e da
rabada com pimenta. Vocês podem imaginar.
Mas se eu quisesse lhes falar de um lugar onde a emoção era
dominante e primitiva seria de lá do Bar do Caldinho, onde me acostumei a ir
nos sábados á tarde.
É que andávamos nós, os intelectuais, sobraçando a
quintessência da cultura universal sob os doutos sovacos, experimentando mesas
de bar que nos acatassem.
Na Primeira vez em que fui levado pesquisar as primitivas
emoções da natureza humana no Bar do Caldinho, saí de lá bêbado de matar de
lenço. Inebriado por sovaqueiras terríveis, declarei convicto o meu eterno amor
pelo time mais macho que todos, o serrano Itabaiana, glorioso time de macheza
inconteste, conforme me convenceram os machões itabaianeses.
Voltei muito lá, mas ai já é outro filme.
Amaral Cavalcante março/2009.
Postagem originária da página do Facebook/MTéSERGIPE, de 16 de junho de 2014.
Museu do Homem Sergipano, rua Estância, em Aracaju
Foto: reproduzida do blog apresentandoomundo.blogspot/judhá.
Postagem originária da página do Facebook/MTéSERGIPE, de 15 de novembro de 2012.
Marchinha "Sergipano Bom" de Pinga e Walter
"Presente do meu querido amigo Laonte Gama. Antológico!" (Pascoal Maynard).
Postagem originária da página do Facebook/MTéSERGIPE, de 21 de julho de 2014.
O peixe e o peixinho* - Pascoal e Pascoalzinho.
O peixe e o peixinho* - Pascoal e Pascoalzinho.
*("Filho de peixe, peixinho é"). O saudoso
Jornalista Pascoal Maynard, da também saudosa "Gazeta de Sergipe",
com seu filho no braço, o Pascoalzinho da TV Aperipê/Programa Expressão.
Foto reproduzida do Facebook/Linha do Tempo/Pascoal Maynard.
Postagem originária da página do Facebook/MTéSERGIPE, de 21 de julho de 2014.
O Cine Vitória
"O Cine Vitória sempre com um bom filme. Lá assisti Os
Trapalhões pela primeira vez emocionado. Tinha dinheiro sobrando, nada me
faltava. Ó época boa..." (Araripe Coutinho).
Postagem originária da página do Facebook/MTéSERGIPE, de 20 de agosto de 2011.
segunda-feira, 21 de julho de 2014
Memória de Post do MTéSERGIPE, de 11/07/2014
Amaral Cavalcante.
No Dia do Meu Aniversário.
(Sim, toda mensagem de amor será bem vinda, mas hoje é um
dia em que eu tenho mesmo que trabalhar, e não há melhor comemoração que esta.
Para todos vocês um texto que refaço a cada ano, com grande respeitp ao tempo.
tempo que sempre me põe melhor)
Aos 68,
Acho que inicio as inquietações do meu aguardado ancionato.
Sempre quis ser o ancião da polis, coberto de tardias honras
e respeitosas comiserações, para poder transgredir, retomar semvergonha ao
tônus anterior que me alimentou a irresponsável juventude e que sempre me
conservou tão bonito.
KKK, serei um ancião inimputável, prometo-lhes!
Como seria espetacular minha entrada em cadeira de rodas
numa solenidade careta, gritando palavras de ordem. Como reagiriam os
bam-bam-bans da ordem estabelecida ao meu consentido surto de anarquia cidadã,
como me seria bom estar defendendo a vida das amebas, a inadequação dos
vocábulos descartados como um tição apagado no velho fogão da língua, as mais
belas palavras de amor temporariamente desusadas como um solerte amor,
inconsútil alumbramento, hei de te ter no coração remido, beijando-te a face
com imorredouro amor, queridos amores de antigas linguagens.
E se não é para ser assimm, que não seja, qual é o problema?
Aos sessenta e oito é uma boa hora de volver, aproveitar na
louça do banquete a gordura que ficou na cozinha da festa, o vinho que sobrou
em taças mal bebidas. Voltar à embriaguês para que os meus demônios se
realimentem dos restos que sobram e inda queiram me corromper.
O demônio da vaidade, cintilante e vesgo, morre em mim
deinanição. O da soberba não resistiu a tabula rasa da realidade e se
estuporou, empanzinado de estrelas. A inveja nunca dormiu comigo, só o cão da
luxúria, exuberante e belo, logrou vencer minha cidadela. Ele me cercou de
falanges lindas e ainda agora me promete grandes prazeres, quimeras que ainda
me incentivem ao gozo e à luxuria.
A luxúria é o meu demônio querido, cotidiano, ele mora aqui
na minha velha camarinha, um cão danado entre os meus lençóis.
Conto 68 anos e os meus demônios estão em completa
atividade.
Espero que os próximos anos me sejam ricos em saciedade, que
a madureza me traga conforto, além da proficuidade amorosa, o gozo do amor
confortável sem o prazer fugidio das conquistas fortuitas.
Cada dia me dedico mais a reencontrar, com mais cinismo e
muita abnegação, o centro das minhas convicções juvenis. Porque não? Ora!
Enquanto eu estiver buscando combater o alvoroço da minha inadequação etária
estarei reinventando um velho e rebelde ser onde acomodar a personalidade final
que busco, e busco, e juro que vou encontrar, ancha do prazer ignorante e da
saciedade que o deuses me prometeram.
Então, meus amigos, cuidem bem de mim.
O meus demônios são imortais e eu, poeta envelhecido no
deserto das palavras, pelo amor de vocês pretendo vencer a obsolescência e, de
qualquer modo, tornar imortal o que somos.
É o que me basta
Por enquanto, escolho arder no fogaréu da poesia.
Postagem originária da página do Facebook/MTéSERGIPE, de 11 de julho de 2014.
Memória de Post do MTéSERGIPE, de 25/02/2012
Amaral Cavalcante.
O membro explícito.
O Dr. Celso de Carvalho, herdeiro nobiliárquico do Barão de
Santa Rosa (de Simão Dias) e liderança do PSD, foi eleito vice pelo voto
popular, mas ascendeu ao cobiçado posto de governador de Sergipe por artimanhas
do golpe militar de 64 que destituiu o titular, o governador Seixas Dórea. Não
que Celso tivesse conspirado para tanto, mas acontece que o cavalo passou
selado e só lhe restou montá-lo. E o fez com tanta destreza que conduziu com
brandura e sabedoria as rédeas do Estado, em meio a tortuosos caminhos naqueles
tempos difíceis.
Levou para o palácio Olympio Campos, além da fleuma
conquistada como senhor feudal das elegâncias simãodienses sua bela esposa,
Bertildes de Carvalho , senhora de tradições oligárquicas que mantinha por aqui
o gosto pelo tailleur bem cortado com um fio de pérolas ao colo, pelo
chapeuzinho discreto sobre cachos curtos e bem alinhados, eventualmente por
luvas e sapatos meio-salto da cor do chapéu. Era a sobriedade fashion
universalizada por Jacqueline Kennedy, felizmente adotada pela nossa primeira
dama. D. Bertildes era, então, a imagem do poder contido na elegância de um
sorriso. Uma mulher e tanto.
Ocorre que as relações entre os governos estaduais e a
ditadura militar estavam incertas e complicadas, não se sabendo ainda como as
coisas deveriam ser conduzidas. Então, veio a Sergipe um importantíssimo membro
do Conselho Político da nova ordem, conversar com o novo governador.
O palácio Olympio Campos cuidou de recebê-lo com a pompa que
ele acreditava merecer. Deu-se um jantar no salão nobre do paço e, em
programada seqüência, o visitante desceria as escadarias para declarar à
imprensa contida no Hall, o que viera fazer por aqui. Ao chegar ao patamar da
escadaria ele parou, estufou o peito e esperou que cessassem os aplausos.
Foi então que se deu a desgraça.
Lá de baixo ouviu-se a voz poderosa do radialista Santos
Santana, funcionário da comunicação palaciana transmitindo o evento para os
ouvintes da Rádio Difusora:
- Neste momento o governador Celso de Carvalho está descendo
a escadaria do palácio com o...o... membro de fora!. (Deixara aonde o
papelzinho com o nome da autoridade?).
Eis que, voando baixo, o Dr. Marques Guimarães ,
cerimonialista e grande conhecedor dos rapapés palacianos, seqüestrou o
microfone das trêmulas mãos de Santana e passou a irradiar a cerimônia.
O “membro de fora“ empertigado lá no alto aceitou as
desculpas com um sorriso abaixo do zero grau. Já o nosso querido Santos Santana
saiu de fininho e foi afogar a vergonha pela sua involuntária contribuição
cívica á resistência democrática no Bhrama’s Bar .
Amaral Cavalcante.
Postagem originária da página do Facebook/MTéSERGIPE, de 25 de fevereiro de 2012.
Memória de Post do MTéSERGIPE, de 17/07/2014.
Amaral Cavalcante.
(Que me releve este respeitável grupo, tão apolíneo e bem
intencionado. mas este é um capítulo indelével da nossa história recente e,
como tal, merece ser contado. Infeizmente, se não for por mim, por quem o
será?).
De Bar em Bar:
Penetrando na Atlética
A noite começou daquelas. Dos degraus da catedral à Ponte do
Imperador andamos, mais ou menos, umas vinte andadas pra lá e pra cá, colocando
a cabeça em ordem.
- Vitório caiu! Os “home” fizeram um cerco na Praça da
Bandeira, deram baculejo em tudo. Só sobrou uma merrequinha com Mané Liamba.
- Mas eu tenho! Disse Harolno, catando no bolso uma berlota
entrouxada.
- Vamos matar esta coisa que a noite vai ser massa!
Ai já assumia Waltinho, mestre apertador como não havia
igual.
Éramos cinco, cada qual mais espalhafatoso. Eu mesmo, um
jardim suspenso em tamanco de tábua e coro cru, calça florida de cordãozinho na
cintura, bata de voal e farta bigodeira. Cabelo domado num rabo-de-cavalo,
finalizado num tufo crespo, duro de conter. Melhorzinho só Evandro, já bancário
do Banese, em gabardine e ban-lon. Popó, chinês e querendo mais, sobraçava a
sua providencial maleta farmacológica, onde havia de um tudo: desde o xarope
Romilar aos mais disputados comprimidos. Estávamos devidamente apetrechados.
Cruzávamos ene vezes a passarela da Sorveteria Iara com a
maior cara cínica, imbuídos na sagrada missão de descolar uma coisa - que a
noite ia ser massa!
E foi. Primeiro uma talagada de Pitu no Beco do Mijo,
depois, uma festa de arrombar: os 15 anos de Maria Odília na Associação Atlética
com a banda Los Guaranys e tudo de cima. O poréns é que só havia um convite, e
assim mesmo, afanado. Dirigido a Meyre Bareto, por artes e ofícios foi parar
nos pertences do seu mano Ismar.
Valeu pros cinco, depois de uma conversinha animada com o porteiro
Geraldão, ali no beco.
Geraldo, um avantajado negão conhecido pelas suas
malcriações eróticas, calhou que quedava a asa por um de nós. Ora! O que é que
tem? Por uma noite massa, até que valeu a pena! Quem foi o encarregado da
tramóia eu não digo, nem sob tortura.
Lá dentro, pura nata! Menininhas de longo e saltinhos
colegiais, não paravam quietas. Por qualquer motivo atravessavam o salão
arrufando os vastos panos em adeusinhos e pivôs. As mães, tilintando no peito
berloques de um conto e tanto, gritavam:
- Lucila, se aquieta menina!
Já os pais, dando graças a Deus pela mesa que conseguiram
alcançar, disfarçavam rogando praga:
- Tomara que escorregue e caia! Ou vinha, ou o mundo se
acabava!
E lá estávamos nós empreitando os garçons, flanando no baile
com a alegria peculiar dos penetras, comendo e bebendo sem gastar um puto. De
repente, já era meia noite! A orquestra atacou um Danúbio Azul e eis que
adentra o salão um bolo de três andares, com um beija-flor periclitando em
cima.
Se eu tivesse juízo terminaria aqui esta história, sem falar
de Rezende - o que de nós mais costumava aloprar. Não se sabe por que o rapaz
não podia misturar gererê com chocolate. Ficava assim meio leso, cheirando o
tempo como um perdigueiro e daí, era batata: lá vinha aprontação!
Rezende partiu para o bolo e atacou a primeira camada – um
quarto era dele e o resto, dizia o doido, seria nosso. Catei chão e não achei.
Waltinho, que explicava para o pai da debutante a cosmologia do Bhagavad Gitâ,
só se deu conta depois que anteparou um sopapo nas fuças. E os outros, eu só os
vi depois, já apertando outro fino debaixo de um frondoso oiti na Praça
Camerino, rindo, não me ocorre de que.
Foi uma noite massa!
Amaral Cavalcante – fevereiro/2009.
Postagem originária da página do Facebook/MTéSERGIPE, de 17 de julho de 2014.
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