sexta-feira, 13 de junho de 2014

Carvalho Déda no batente do jornal


Infonet - Blog Luíz A. Barreto - 05/12/2008.

Carvalho Déda no batente do jornal.
Por Luíz Antônio Barreto.

Foi em Simão Dias, em 8 de setembro de 1946, que apareceu um jornal de vida longa no interior, tendo no batente de sua redação e da ilustração, através de xilogravuras, José de Carvalho Déda.

Basta uma simples leitura, uma conferência no Catálogo dos jornais, revistas e outras publicações periódicas, organizado por Armindo Guaraná, comemorativo do Centenário da Imprensa no Brasil, publicado pela Revista do Instituto Histórico e Geográfico do Brasil, em 1908, para que tenha a mais exata idéia de como a imprensa floresceu em Sergipe. De 226 verbetes, cobrindo de 1832 a 1908, 140 indicavam jornais e revistas editadas em Aracaju, e 86 no interior, salientando-se que no interior os jornais eram: 36 de Estância, 16 de Laranjeiras, 10 de Maroim, 8 de Propriá e 7 de São Cristóvão. Os restantes 8 estavam distribuídos por Santo Amaro das Brotas, Neópolis, Rosário do Catete e Simão Dias.

Foi em Simão Dias, em 8 de setembro de 1946, que apareceu um jornal de vida longa no interior, tendo no batente de sua redação e da ilustração, através de xilogravuras, José de Carvalho Déda, advogado provisionado, político, intelectual, homem do seu tempo, com uma obra que serve de referência nos estudos da história e do folclore. Carvalho Déda encarnou o seu jornal, contando com uma colaboração constante do irmão Francino da Silveira Déda, e, mais tarde, do filho Carlos Alberto Déda, que viveu o cotidiano de A Semana e tornou-se, após a morte do pai, no curador de todo o acervo de 23 anos de sobrevivência.
Acostumado a redigir, Carvalho Déda fazia de tudo no seu semanário, inicialmente circulando no domingo e mais adiante saindo aos sábado, uma tribuna do povo de Simão Dias, sem contudo perder o contato com o Estado, com o País e com o mundo. Mesmo sem teletipos, telex, Internet e outras tecnologias, A Semana podia ser considerado um jornal moderno, com bom volume de informações, editado com graça, leveza e, ainda, com o humor predominante crítico do redator principal.

As atividades políticas de Carvalho Déda não impediram sua presença constante na redação do jornal. Sua experiência era tão reconhecida, que a UDN o convidou para redigir e dirigir o Correio de Aracaju, grande jornal sergipano, que contou em sua redação com Homero de Oliveira e com Edison Ribeiro, figuras que cuidaram do passado daquele prestigioso jornal. Carvalho Déda deu conta do recado e parecia fazer pouca diferença, entre editar e dirigir o Correio e a sua Semana.

A Semana teve, em seu tempo, a importância que teve A Razão, em Estância, O Laranjeirense e O Republicano, em Laranjeiras, e o Correio Sergipense, em São Cristóvão, que foi, sem dúvida, um dos melhores jornais de todo o século XIX. Quando os olhos dos pesquisadores forem lançados por todo o Estado, para formar um panorama da vida nas comunidades, tais jornais serão referências básicas, mantendo o tônus cultural animador da sociedade sergipana.

A Semana é uma escola, no sentido de que ela ensina a fazer jornal e a tratar as páginas dos jornais com a dignidade da boa notícia, do comentário justo, da denúncia e da cobrança necessários e acima das questões locais. Mais que isto, A Semana tem arte em suas páginas, seja pelas charges, caricaturas, ou seja pelas ilustrações que fizeram de Carvalho Déda um artista, que aliou no batente do jornal muitas qualidades requeridas pelo jornalismo. A reunião dos jornais, a começar pela coleção 1946/1947, em CD ROM permite aos contemporâneos solver, com prazer, esse belo exemplo de cidadania cultural deixado por Carvalho Déda em A Semana.

Para evocar Carvalho Déda, nos exatos 110 anos de nascimento e 40 anos de morte, o BANESE CARD e a FUNCAJU promovem, no dia 9 de dezembro, uma Exposição comemorativa, na Galeria de Artes Álvaro Santos, focalizando em 50 painéis o cidadão, o político, o intelectual, o jornalista e o xilógrafo. Na Exposição será lançada uma caixa com o título O Mundo de Carvalho Déda, reunindo 4 livros: Brefáias e Burundangas do Folclore Sergipano, que ganha 3ª edição, Simão Dias – Fragmentos de sua história, em 2ª edição, o romance inédito Formigas de asas e a coletânea Carvalho Déda Vida & Obra, com textos inéditos, correspondências, ilustrado com fotos e xilogravuras.

Vai na caixa, também, um DVD com a vida e a obra do fundador de A Semana, e um CD ROM com a coleção do semanário simãodiense, dos anos de 1946 e 1947, como parte de um projeto que digitalizará toda a coleção, até 1969.

Foto e texto reproduzidos do site: infonet.com.br/luisantoniobarreto/

Postagem originária da página do Facebook/MTéSERGIPE, de 10 de junho de 2014.

O Assassinato de Carlos Firpo

 Carlos Firpo discursa em solenidade no Hospital Santa Isabel, em 1958.

Nicola Mandarino.

Infonet - Blog Lúcio Prado - 29/02/2008.

O Assassinato de Carlos Firpo.
Abril de 2008 marca o cinquentenário do assassinato de Carlos Firpo, que foi Prefeito de Aracaju. Afinal, quem mandou matar o médico?

Por Lúcio Antônio Prado Dias.

“...não, não te lamentes não, que a pura verdade, virá depor! Deus, não esquece o coração, que sempre foi fiel, no amor” ( “Injustiçada”, de Antonio Garcia Filho).

Aracaju acordou sombria na manhã de 29 de abril de 1958, com nuvens cinzentas prenunciando chuva. Mas tempestade maior estava por vir. Estarrecida, a sociedade sergipana tomava conhecimento pela rádio, do assassinato do médico Carlos Firpo. Na madrugada, sua casa foi invadida por uma pessoa que, no quarto onde dormia, desferiu-lhe certeiras e vigorosas facadas no abdome que o levaram, minutos depois, à morte.

Naquela noite, Firpo estava sozinho. Milena, sua esposa, no momento do crime, encontrava-se no quarto ao lado, onde dormia ao lado das filhas Julieta e Maria das Graças. Milena, em depoimento à Polícia, disse que em razão de um resfriado prolongado de Maria das Graças, que dificultava o seu sono, vinha dormindo nos últimos dias, no quarto dela.

A família residia numa bela casa de andar localizada à rua Campos, que ainda hoje preserva o antigo estilo arquitetônico. Carlos, surpreendido no meio da noite, gritou pedindo socorro. O médico Aloísio Andrade, seu vizinho, ouviu os gritos e abrindo a janela de casa, ainda chegou a ver um vulto, correndo pela rua em direção ao rio. Rápido, foi à casa do amigo e deu-lhe o primeiro atendimento.

“ - Veja o que fizeram comigo, Aloísio...! “

“ - Que aconteceu, Carlos, quem fez isso?” perguntou-lhe, aflito.

“ - Não vi, estava escuro, não deu para enxergar. Acordei ferido!”, respondeu, esvaindo-se em sangue, com o abdome aberto, exteriorizando as alças intestinais, duas delas seccionadas.

“ - Leve-me para o hospital”, suplicou aos gritos, enquanto Aloísio presta-lhe os primeiros socorros.

Nesse momento, chegam outros amigos entre eles Canuto Garcia Moreno, cirurgião, que ajuda Aloísio nos cuidados ao ferido, colocando-lhe uma toalha umedecida sobre o abdome. Lourival Bomfim tenta acalmar Milena e as filhas, naquele momento completamente desnorteadas. A comoção é geral. Os médicos, por fim, atendem ao apelo de Firpo. Seguem às pressas para o Hospital de Cirurgia, mas ele não resiste aos graves ferimentos e morre no Centro Cirúrgico.

Carlos Firpo era Diretor do Hospital Santa Isabel desde 1949, onde operou uma completa transformação naquela instituição, obtendo o credenciamento do IAPI, o que aumentou consideravelmente a subvenção do nosocômio. Além disso, construiu a maternidade, implantou os serviços de RX e laboratório, lavanderia mecânica, edificou a clausura das Irmãs, o centro cirúrgico, estendendo todos os benefícios aos mais carentes, aos pobres indigentes. Carlos era também um militante político, udenista atuante e influente, ex-Prefeito de Aracaju, que lutava com afinco para ter o seu nome acolhido como vice-governador na chapa de Heribaldo Vieira. Entretanto, ambos não eram os preferidos da cúpula udenista, liderada por Leandro Maciel, governador de então. Mas Carlos lutava pela indicação. Era querido pela população, médico humanista de muito labor e coragem. No tempo da 2ª Grande Guerra, casara-se com Milena Napolioni Mandarino, moça muito bonita, de pele bem alva e modos requintados, filha de Nicola Mandarino.

Nicola era um imigrante italiano que em Sergipe prosperou e tornou-se homem de muitas posses. Morava numa bela casa situada à Praça Olímpio Campos, onde hoje é o Palácio Episcopal, no início da Rua Santa Luzia. A família adquiriu bens, entre eles uma propriedade no povoado Colégio, em Itaporanga, que possuía uma bela casa assobradada no alto da colina, com vista deslumbrante do leito do Rio Vaza-Barris. Milena, de hábitos recatados e de fina educação, estudava no Colégio do Salvador, sua família possuía muitos amigos e tinha um convívio social intenso. Entre os amigos da família, Afonso Ferreira Lima, mais conhecido por Afonsinho, vindo da Bahia para estudar em Aracaju e o médico Carlos Firpo, jovem inteligente e garboso. Milena e Carlos começam a namorar e durante o noivado e casamento, vem a Segunda Guerra Mundial. Afonsinho, como era mais conhecido, segue a carreira militar, tornando-se exímio piloto de avião, com a missão de patrulhar o litoral brasileiro. Já Carlos Firpo destaca-se na medicina, muito estimado pelos pacientes e com forte atuação política. A revolta que toma conta da população contra os imigrantes dos países da tríplice aliança, Alemanha, Itália e Japão, não poupa Nicola Mandarino, acusado injustamente de colaborar com o Eixo como espião do regime de Hitler e Mussolini. Da sua varanda do sobrado no povoado Colégio, ele supostamente transmitia informações para os submarinos alemães sobre a localização dos navios e cargueiros brasileiros que navegavam pelo nosso litoral. A população descontrolada clama por vingança, depois do torpedeamento e afundamento de navios no litoral de Sergipe. Na verdade, nunca ficou provado que Nicola Mandarino fosse espião. Um velho rádio receptor foi confundido com um transmissor e jogado pela janela. O enxoval de casamento de Milena também recebe o mesmo tratamento, sendo destruído pela população ensandecida. Definitivamente, Nicola não era um espião.

Casados, Carlos e Milena vão residir na casa da Rua Campos e é nessa casa que acontece o assassinato de Firpo, episódio que fica conhecido como o “Crime da Rua Campos”, com forte repercussão em Sergipe e em todo o país. Na época, Nicola residia na casa, com a filha, o genro e as netas. Nela ainda trabalhava e residia uma empregada doméstica, que depois seria testemunha importante no desenrolar do processo.

Em janeiro de 1955, quebrando uma longa tradição oligárquica, é empossado no Governo de Sergipe o engenheiro Leandro Maciel, da UDN, com forte apoio popular. Na véspera da sua posse, ocorrida no dia 31 de janeiro, trazendo autoridades e jornalistas de várias partes do país, pousava no aeroporto de Aracaju um avião da FAB pilotado pelo major Afonso Ferreira Lima, o Afonsinho, que na oportunidade reveria os amigos, entre eles, a família Mandarino. Carlos Firpo, nessa época, já era um médico muito estimado, havia sido Prefeito de Aracaju, dirigia o Hospital Santa Isabel e era prócer político destacado e amigo do vice-governador empossado, o também médico José Machado de Souza. Durante o governo de Leandro, Firpo ampliou a sua área de influência e passou a lutar bravamente pela sua indicação como vice-governador na chapa da situação nas eleições que aconteceriam em 1958.

O que se segue após o crime da rua Campos, é uma sucessão de equívocos e excessos policiais, com relatos de violência e mais assassinatos, com a população mobilizada e informada pela imprensa de todos os passos da investigação. Até o Lions Clube entra na investigação. A “sinistra trama passional”, de acordo com a versão policial, invade as páginas dos jornais de todo o país e monopoliza as atenções por muito tempo.

Dias depois do assassinato, um chofer de táxi de Aracaju procura a polícia e relata que teria conduzido a Paulo Afonso, no dia seguinte ao crime, dois indivíduos que lhe pagaram sem reclamar a importância de Cr$ 5.000,00. Segundo palavras do chofer, eles teriam presenciado o cortejo fúnebre de Carlos Firpo em direção ao Cemitério Santa Isabel, ficando impressionados com a multidão que o acompanhava e, comentando entre si, mostravam-se assustados com a repercussão do crime. Quando o táxi cruzou a divisa Sergipe-Bahia, um deles teria suspirado, aliviado: ”Dessa estamos livres”. A partir da pista, a polícia chegou aos suspeitos e deu ordem de prisão aos dois: José Euclides Timóteo de Lima e José Pereira dos Santos, mais conhecido como Pereirinha.

O conhecimento entre os dois vinha do tempo em que trabalharam juntos na CHESF. Timóteo havia sido demitido por se envolver em briga com colegas dentro da empresa e Pereirinha ainda trabalhava na hidroelétrica e para se ausentar do trabalho para a missão criminosa, teria alegado a necessidade de cuidar de um parente que se encontrava doente. Eles teriam chegado a Aracaju pelo menos uma semana antes do assassinato e prepararam com detalhes todos os passos do crime. Pressionado, Pereirinha confessou ter sido o autor do crime.

De Timóteo, à custa de torturas que o levaram à morte, obtiveram uma confissão. Mesmo negando inicialmente qualquer envolvimento com o crime, quando acareado com Pereirinha, este confirmou a ação. Timóteo passou a ser brutalmente torturado e terminou citando dois nomes: Enock Pessoa de Carvalho, com quem teve um primeiro contato na Bahia e depois o Coronel Afonso Correia de Lima, o Afonsinho, que se encontrava na cidade dias antes do assassinato. Não resistindo à tortura, Timóteo veio a falecer na madrugada da terça-feira e o laudo médico-legista, assinado pelo Dr.Antonio Coutinho, dava como causa-mortis uma miocardite crônica (!).

Ao longo do tempo, ficou clara a intenção de conduzir as investigações para o que parecia mais óbvio: um crime passional. O que se seguiu posteriormente foram confissões forjadas pelos rigores da pressão e da tortura intelectual impostas a pessoas que trabalhavam na casa do casal e que culminaram com a prisão de Milena e Afonsinho, sob a acusação de terem encomendado o crime, pois estariam supostamente envolvidos em relações extraconjugais.

Paralelamente, outras versões corriam de boca-em-boca: poderia o crime ter motivações políticas? Quem estaria interessado na morte de Firpo, que insistia em ser candidato a vice-governador? Disputas políticas teria sido a causa do crime? O Jornal Última Hora, do Rio de Janeiro, através de uma série de longos artigos, passou a defender essa tese, chegando a insinuar possíveis beneficiários no assassinato. O Dr.Machado chegou a ser injustamente envolvido nesse episódio. A SOMESE, à época presidida por Canuto Garcia Moreno e a Associação Comercial de Sergipe, por outro médico, Gileno da Silveira Lima, promoveram um grandioso ato público de desagravo ao Dr.Machado, com um palanque armado em frente a sua casa, na Rua Pacatuba. Durante horas, uma multidão de admiradores, populares e políticos, incluindo o próprio Governador, prestou solidariedade ao grande pediatra, com discursos inflamados.

A sociedade sergipana, entretanto, estava dividida nas suas opiniões. Exigia a elucidação do crime, teria sido um crime político ou um crime passional? Um outro aspecto que não chegou a ser aprofundado pelas investigações dizia respeito a transações comerciais entre Nicola Mandarino e outras pessoas, inclusive o genro. Especulava-se que por causa das perseguições sofridas em função de sua origem italiana e do confisco determinado pelo Governo brasileiro no tempo da Guerra, Nicola teria transferido parte dos seus bens para terceiros. Este fato foi comentado pelo jornalista Luiz Eduardo Costa, um estudioso do assunto, em artigo publicado na imprensa, onde diz que o inquérito “não levou em conta o desaparecimento de documentos que estariam guardados cuidadosamente pelo Dr. Firpo”.

Dos personagens envolvidos nesse relato, Nicola Mandarino morreu na década de 60. Pereirinha, condenado a vinte e cinco anos de cadeia, cumpriu a pena e morreu na década de 90. Afonsinho morreu na década de 70 e Milena continua viva e reside em Salvador. Na época, eles chegaram a ser presos na Penitenciária de Aracaju, saindo apenas para prestar depoimentos. Por terem sido impronunciados pelo STF, nunca foram a júri popular. Enquanto estava detida, Milena recebeu o carinho e a solidariedade de muitas pessoas, que não acreditavam na sua participação no crime. O médico e intelectual Antonio Garcia chegou a compor a música “Injustiçada”, que foi gravada pela RCA Victor na voz de Alcides Gerardes, um cantor de projeção nacional, que fez grande sucesso na década de 50. “...Deus, não esquece o coração, que sempre foi fiel, no amor...Não, não te lamentes tanto agora, que sobre a noite da calúnia, ressurgirá a aurora...”

O fato é que, passados 50 anos, o assassinato de Carlos Firpo ainda é um mistério a desafiar a imaginação das pessoas.

Fontes:

1. Wynne, J.Pires.Livro:História de Sergipe, vol.2.Rio de Janeiro:Editora Pongetti, 1973.
2. Figueiredo, Ariosvaldo.Livro:História Política de Sergipe.Aracaju.
3. Impressos: coleção do Jornal Última Hora, diversas edições.1958.
4. Impressos: artigo publicado na imprensa pelo jornalista Luiz Eduardo Costa, em 2006.
5. Impressos: diversas edições dos jornais O Nordeste, Folha Popular, Correio de Aracaju, A Cruzada e o Diário de Sergipe, 1958.
6. Documentos: acervo da Biblioteca particular do médico Petrônio Gomes.
7. Depoimento pessoal do Dr. Antonio Garcia Filho, em 1994.

Fotos e texto reproduzidos do site: infonet.com.br/lucioprado

Postagem originária da página do Facebook/MTéSERGIPE, de 10 de junho de 2014.

quinta-feira, 12 de junho de 2014

Carro de Praça



Publicado originalmente na página do Facebook/Petrônio Gomes.

Carro de Praça.
Por Petrônio Gomes.

Era só sair da Agência Central do Banco do Brasil, levantar um braço e Orlando me respondia lá da praça. Dois minutos depois, eu entrava no seu “Chevette” e nem precisava dizer-lhe onde morava.
Com seus setenta e poucos anos e sempre feliz com a vida, Orlando talvez tenha sido um dos últimos remanescentes dos profissionais do ramo em Aracaju, nos doces anos em que a cidade adormecia antes das vinte e duas horas.

Invariavelmente ele me perguntava como eu ia de saúde e logo depois, começávamos a recordar velhas histórias de sua profissão...

Como aquela de “Carrinho”, que, surpreendido por um violento aguaceiro no largo onde hoje se ergue o edifício do INAMPS, na Praça João XXIII, sentiu que o fogo do seu automóvel havia apagado. Quando alguns rapazes se aproximaram oferecendo ajuda para empurrar o veículo, não pensaram que estavam afrontando o orgulho de um velho conhecedor: “Não vão empurrar coisa nenhuma, isso é um Ford!”
E era mesmo, embora houvesse sido fabricado em 1941, durante o esforço de guerra. Qualquer pingo que caísse em certo objeto que ficava junto ao motor, era o suficiente para que o carro estancasse imediatamente.

Lá pelos anos quarenta, Aracaju tinha cerca de seiscentos mil habitantes a menos, o bastante para bocejar logo após a conversa fiada na calçada, depois do cuscuz vespertino. O transporte coletivo cabia aos bondes, logo depois substituídos pelas “marinetes”, pequenos ônibus com capacidade reduzida e que perdiam o fôlego quando aparecia uma ladeira qualquer.

O bonde, entretanto, terá sido o mais racional e mais econômico veículo de transporte coletivo das cidades, além de mais poético, certamente. Nunca se ouviu falar de alguém atropelado por um bonde, mesmo porque ele fazia mais barulho do que se imagina. Havia passageiros nos estribos, sim, mas só aos domingos, quando todos queriam chegar a tempo para o cinema de Juca Barreto, sessão das quinze horas, a famosa “matinée do perfume”...

Para o cinema ou para qualquer ponto da cidade, tendo pressa o cidadão e estando vestido convenientemente, o certo mesmo era chamar um carro de praça. Mas por que este nome?
Táxi é nome importado e não quer dizer coisa alguma para o cidadão comum. Muito mais lógico era o nome alusivo ao verdadeiro fim do veículo, isto é, um automóvel à disposição do público e que ficava estacionado na praça. Para chamá-lo, a cidade inteira conhecia o número do telefone: 131. Tirava-se o fone do gancho, girava-se a manivela umas quinze vezes e ouvia-se uma suave resposta do outro lado, o mesmo alô de todas as épocas. O usuário perguntava então: “É do Centro?”

Só poderia ser, pois todos os telefones eram ligados à Central, de onde as duas telefonistas completavam a chamada, quando não faltava energia. Minutos depois, ouvia-se uma buzina na porta. O chofer descia, abria a porta traseira e recebia o distinto passageiro, uma cena romântica que atualmente estão querendo revitalizar com o nome de “atendimento personalizado”.

Os carros, quase todos de procedência norteamericana, tinham tapetes felpudos nos dois espaços entre os assentos. Eram robustos veículos de chaparia maciça e brilhavam mais do que mesa envernizada. Os pneus dos carros mais paparicados tinham faixas brancas, sempre esfregadas pelos proprietários nas horas de folga.

Os motoristas mais conhecidos eram contratados para longas viagens, como Recife, pois medo de avião nunca saiu de moda. Mas as estradas eram empiçarradas e precárias, assim como as nossas ruas, que eram quase todas pavimentadas com paralelepípedos.

Justamente por causa de tais condições, os profissionais do volante eram mais cuidadosos, olhavam de outro modo o público. A indústria automobilística nacional ainda não existia e os consertos eram feitos nas oficinas para tudo. Quanto mais cuidado, melhor. Hoje, quase não se conserta coisa alguma, trocam-se peças.

E quase todos os motoristas profissionais de Aracaju viviam dignamente, possuíam suas residências confortáveis e educaram seus filhos, como qualquer cidadão de profissão liberal. Como em nossa cidade, naquele tempo, os automóveis particulares se contavam pelos dedos, conhecíamos muitas pessoas pelos carros que passavam.

Orlando nunca teve o dissabor de ver seu automóvel batido e nunca foi chamado à atenção por qualquer passageiro. Em conversa com seus colegas mais jovens, ele gostava de aconselhar a todos o valor da cortesia, do amor à profissão.

Quando chamo um táxi atualmente, fico a comparar o tratamento que recebíamos no passado, quando as ruas não eram asfaltadas e o táxi era apenas... um carro de praça.

(Imagens: aracajuantigga.blogspot.com).

Fotos e texto reproduzidos do Facebook/Fan Page/Petrônio Gomes.

Postagem originária da página do Facebook/MTéSERGIPE. de 10 de junho de 2014.

terça-feira, 10 de junho de 2014

Homenagem a Irineu Fontes


Irineu Fontes o Cirineu da Televisão Sergipana.
Por Neu Fontes.

No início da década de 60, Irineu Fontes, então representante de rádios e radiolas, viaja a São Paulo e vê de perto a revolução que a televisão causa na vida da cidade e das pessoas.

Ao retornar a Aracaju, Irineu conversa com o prefeito da capital na época, Godofredo Diniz, que fica entusiasmado com o que ouve e libera uma verba para a compra de antena. Começa a nascer o embrião da televisão em Sergipe.

A antena repetidora é, então, montada no morro do urubu, zona norte da cidade. O poder irradiante é pequeno e o sinal que chega, da TV Jornal do Comércio, de Recife, em Pernambuco, não era dos melhores. Mas é suficiente para encantar os poucos privilegiados que possuem um aparelho de TV comprado na loja a Curvelo.

Foto e texto reproduzidos do Facebook/Neu Fontes.

Postagem originária da página do Facebook/MTéSERGIPE, de 10 de junho de 2014.

segunda-feira, 9 de junho de 2014

Jordão de Oliveira




Publicado originalmente no site pge.se.gov.br

Jordão Eduardo de Oliveira Nunes, pintor, professor, poeta e escritor.
Por Mário Britto.

Nascimento: no dia 13 de outubro de 1900, em Aracaju/SE
Falecimento: no dia 08 de abril de 1980, Rio de Janeiro/RJ.

De origem humilde, descobre-se artista em Aracaju, onde iniciou os primeiros estudos e fez os primeiros desenhos em crayon, sob a influência do mestre Quintino Marques, realizando nesse período sua primeira exposição individual. Mudou-se para Recife e, posteriormente, em 1921, para o Rio de Janeiro, onde viveu até o seu falecimento.

No Rio de Janeiro, estudou na Escola Nacional de Belas Artes, com mestres do quilate de Batista da Costa, Lucílio Albuquerque e Rodolfo Chamberland, tornando-se, em 1930, docente de pintura e catedrático de modelo-vivo na respeitável instituição. Foi um dos professores mais queridos da ENBA. Em 1937, assumiu a presidência da Sociedade de Belas Artes.

De 1924 a 1978, participou de diversas exposições pelo país e no exterior, a exemplo dos salões de arte de Rosário de Santa Fé, na Argentina e da Feira Internacional de Nova Iorque, nos Estados Unidos.
Jordão de Oliveira foi presença de destaque nos Salões Nacionais de Belas Artes, promovidos pela Escola de Belas Artes do Rio de Janeiro, nos quais conquistou, entre outros: em 1933, o prêmio de “Viagem ao Exterior”, o mais cobiçado deles e em 1938, a Medalha de Ouro. Em 1944, foi júri do Salão Estadual de São Paulo e do Salão Nacional de Belas Artes.

Suas obras estão espalhadas em importantes espaços, entre tantos, destacamos: o Nacional de Belas Artes, o Palácio do Catete, a Santa Casa de Misericórdia do Rio de Janeiro e a Ordem Terceira da Candelária, todos no Rio de Janeiro/RJ; o Palácio do Rio Negro e o Museu Imperial, em Petrópolis/RJ; o Palácio do Ingá e o Museu Antônio Parreiras, em Niterói/RJ; a Pinacoteca do Estado de São Paulo/SP e, ainda: os Ministérios da Aeronáutica e da Agricultura; as Faculdades de Medicina e Odontologia da Universidade do Brasil e a Faculdade Nacional de Direito.

Hoje, grande parte de suas obras se encontra na pinacoteca que recebeu seu nome, no Instituto Histórico e Geográfico de Sergipe – IHGS, em Aracaju/SE. Em 1978, Jordão de Oliveira realizou sua última exposição individual, na Galeria Horácio Hora, em Aracaju/SE, sob a Curadoria de Luiz Adelmo. Em 2012, participou, in memorian, da coletiva “Coleção Mário Britto”, edição especial Mostra Aracaju/SE.

Em Sergipe, o hall de entrada do Museu-Palácio Olímpio Campos abriga dois importantes painéis encomendados durante o Governo Leandro Maciel (1955-1959) e desenvolvidos na década de sessenta, no Governo de Luiz Garcia. Neles, Jordão retrata elementos da base econômica de desenvolvimento do Estado. Em 1980, foi inaugurada a Galeria Jordão de Oliveira na biblioteca da Universidade Federal de Sergipe, São Cristóvão/SE.

Como escritor, Jordão de Oliveira publicou três livros: em 1975, “Caminhos Perdidos” (memórias); em 1976, “A Cor das Coisas (poemas) e, em 1980, “Delta”(poemas). Comentando seu livro de estréia, o romancista baiano Jorge Amado, em carta enviada ao poeta-pintor diz o seguinte: “(…) Tudo é bonito em seu livro, como em sua pintura. Há páginas que são obras-primas como a Carta de Mamãe no capítulo 44. Que livro mais bonito seu Jordão! Não importa o rótulo, de memória ou romance é a presença de um homem de verdadeira grandeza”.

Depois de sua morte, em 1982, através da Lei nº 365/82, a Rua Bojuru, na Ilha do Governador, na qual o pintor residiu por muitos anos, passou a ser chamada Rua Jordão de Oliveira.

A obra de Jordão revela beleza e sintonizada harmonia entre inspiração e técnica acadêmica. De sua paleta, não saem cores vivas, porque é na densidade dos tons ocres e escuros que ele encontra a luminosidade vista em suas deslumbrantes paisagens. Retratista, em sua iconografia encontramos pessoas comuns, mas, sobretudo, personalidades importantes. Sobre a obra se Jordão de Oliveira, escreveu no Dicionário Brasileiro de Artista, o respeitado crítico de Artes Walmir Ayala: “Seu colorido discreto completa na sua obra o equilíbrio das massas e as sutilezas de luz e sombra. Sem demonstrar preferências por um único gênero, consegue interpretar seus modelos com semelhança e sem amaneiramentos de forma e suas paisagens reproduzem aspectos de horizonte amplo, de perspectiva bem compreendida.”

Fotos e texto reproduzidos do site: pge.se.gov.br

Postagem originária da página do Facebook/MTéSERGIPE, de 8 de junho de 2014.

Joel Dantas




Publicado originalmente no site pge.se.gov.br

Joel Dantas
Por Mário Britto.

Joel Ferreira Dantas, pintor, desenhista e ilustrador, nasceu às margens do Rio São Francisco, no alto sertão baiano, no dia 17 de julho de 1950, em Pilão Arcado/BA. Com quatro anos de idade veio com os pais, residir no Povoado Marcação, município de Rosário do Catete/SE. Transferiu-se com a família para Aracaju, quando tinha cerca de oito anos de idade, cidade onde estudou e se formou em Licenciatura em Geografia, em 1978. Em Aracaju, iniciou-se no universo artístico e consolidou a sua carreira artística, razão pela qual se considera artista sergipano. Em 2008, concluiu o curso de pós-graduação em Artes Visuais, latu sensu, na Universidade Federal de Sergipe.

Desde criança já era manifesta a sua vocação para o desenho. Em 1958, surgem os seus primeiros trabalhos. Eram desenhos feitos em pedaços de papel, nas paredes e nas calçadas. Em 1966, participou da primeira exposição coletiva, só com jovens artistas, na Galeria de Arte Álvaro Santos, em Aracaju/SE, patrocinada pela JOVREU. Artista sergipano que se destaca pela sua marcante produção voltada para os aspectos culturais de sua terra, notadamente, as celebrações multifacetadas do “ciclo junino”.

Entre as coletivas, destacamos: XIII Salão Nacional de Artes Plásticas de Aracaju (Cultart/Coarvis/Proex/UFS), em 1998; “Aracaju: Paisagens e Personagens”, em 2005; “Sem Fronteiras”, em 2006, em Feira de Santana/BA; “Petrobras Fertilizando o Brasil”, na Galeria Jenner Augusto, em Aracaju/SE; “Exposição Aquarela”, no Espaço Cultural Oviedo Teixeira e “III Mostra Experimental de Artes visuais da Universidade Federal de Sergipe”, ambas em 2007; “Arte que banha o Nordeste”, no Museu do Palácio dos Bandeirantes, em São Paulo/SP e “Petrobras Fertilizando o Brasil”, no Rio de Janeiro/RJ, essas em 2008 e “Coleção Mário Britto”, edição especial Mostra Aracaju, em 2012. Em 2011, realizou o Painel cerâmico “Uma chama que não se apaga”, no Museu Da Gente Sergipana, em Aracaju/SE.
Em 1999 e 2004, respectivamente, ganhou o 2º e 1º lugares nas Gincanas de Pintura do 28º Batalhão de Caçadores do Exército Brasileiro. Em 2004, fez a ilustração da capa do livro “Ópera do Silêncio”, de Carlos Ayres Britto, fazendo, também, o texto de orelha, “O Emblema”, da contracapa de fundo do referido livro.

Em 2007, foi homenageado pela construtora Norcon, que atribuiu seu nome artístico a uma unidade predial do Condomínio Aquarela. Nesse mesmo ano, logrou o 1º lugar na categoria pintura, na III Mostra Experimental de Artes Visuais da Universidade Federal de Sergipe – UFS. Focado na propagação da arte como instrumento educacional e de formação cultural, Joel Dantas tem realizado, frequentemente, palestras e exposições em escolas particulares e públicas.

Sua pintura, essencialmente de cunho regionalista, retrata o cotidiano e os costumes do sertanejo, cenas rurais e urbanas, os vaqueiros e as caboclas, os tocadores de pífanos e zabumbas; manifestações folclóricas e festas populares, notadamente, as do ciclo junino, da pirotecnia, dos bacamarteiros, dos lançadores de “espadas” e “busca-pés”, das bandas de pífano, das danças e quadrilhas, lambe-sujos, caboclinhos, São Gonçalo, etc. Fazem parte, ainda, de sua rica produção artística, retratos a óleo e a grafite.

Segundo o próprio Joel, sua motivação e também inspiração para pintar quadros estão em grande parte relacionada às lembranças da infância, no então povoado Marcação, o qual, hoje, município, é oficialmente chamado de General Maynard: “foi em Marcação que despertei para o gosto de brincar de queimar fogos, e nas outras tradições dos folguedos de Sergipe. Porém, o interesse pelo desenho e pela pintura só me ocorreu quando vim para Aracaju, aos oito anos de vida“.

Fotos e texto reproduzidos do site: pge.se.gov.br

Postagem originária da página do Facebook/MTéSERGIPE, de 8 de junho de 2014.

sábado, 7 de junho de 2014

A Grande Dama


A Grande Dama. 
Por Petrônio Gomes.

Quando o saudoso Padre Pedro ainda estava entre nós, frequentávamos a capela do Hospital Santa Izabel para a missa aos domingos, e quase sempre tínhamos o prazer de levá-lo de volta para casa, mas era preciso esperar até que ele visitasse os doentes. Ele não gostava que nos levantássemos repetidas vezes durante a missa, e o trecho do Evangelho era quase sempre o mesmo que ele tinha decorado. Entretanto, emanava de seus gestos e de suas palavras aquela pureza que a todos cativava.

Depois, soubemos que também no Hospital de Cirurgia poderíamos continuar cumprindo nosso dever de batizados e para lá transferimos nossa visita, dessa vez nas tardes de sábado. Há qualquer coisa diferente entre as pequeninas capelas dos hospitais e os templos da cidade que habitualmente frequentamos.Talvez seja pelo fato de estarem elas no próprio recinto dos nosocômios, onde reina a dor e mais se fala em esperança.
Dos fiéis, entretanto, o maior número consiste de visitantes ou dos moradores próximos, geralmente pertencentes à faixa etária que prefere cada vez mais a quietude, como nós, naturalmente.

Logo, nos habituamos com o celebrante oficial, que na ocasião era o simpático Padre César, dos Salesianos. Depois da Missa, nós nos cumprimentávamos silenciosamente e nos dispersávamos. Mas desejo aqui tornar público o meu respeitoso cumprimento a uma senhora que também frequentava essa mesma capela e nunca deixou de desejar-me um bom dia com um simples olhar. Era uma dessas pessoas que suscitavam de nós uma reverência, logo à primeira vista. Refiro-me à dona Maria Virgínia Leite Franco, digníssima viúva do ex-governador do estado, Dr. Augusto do Prado Franco, e creio não haver necessidade de mais nada acrescentar.

Por ocasião de nossas bodas de ouro, recebemos dela um presente, um livro de meditações que já li e reli várias vezes e que se encontra junto aos que não tenho vontade de me desfazer jamais.

Vi pela televisão a dolorosa cena em que dona Maria Virgínia contemplava a face do seu filho Antônio Carlos, durante a longa vigília. Depois, o sepultamento e, por último, a missa em sufrágio da sua alma. O mesmo drama em três atos, como se um capítulo de nossa vida fosse para sempre arrancado do livro e escrito em um compêndio separado.

Mas dona Maria Virgínia não tinha o seu pensamento apenas naquele momento. César também estaria presente na sala, diante dos seus olhos lacrimados, o outro filho que se fora no ano anterior. E preso ao leito, o esposo, dr. Augusto, com quem já não tinha condições de dividir a dor imensa...

Certa vez, conversando com minha mãe a respeito desses dramas que parecem preferir mais as mulheres para vergastar e maltratar, ela me disse que muitas mulheres lhes pareciam aquelas “fortes do Evangelho”, mas nem por um instante lembrou que ela própria era um desses exemplos de fortaleza cristã, pois também sobreviveu à perda de dois filhos. Por sinal, o nome de minha mãe era Judite.

Foi com pesar que ouvimos a notícia do falecimento desta grande dama, a quem tive a honra de conhecer, assim como também ao Dr. Augusto, de quem tenho uma fotografia de grande importância para mim, por ocasião de um dos dias marcantes da minha vida.

A todos os familiares, nossas sinceras condolências, e a ela, que a todos abençoava com o olhar, o adeus de quem também muitas vezes lhe pediu em silêncio a sua bênção de mãe...

Postagem originária da página do Facebook/MTéSERGIPE, de 6 de Junho de 2014.

sexta-feira, 6 de junho de 2014

Faculdade Pio Décimo e sua História



Faculdade Pio Décimo e sua História.

1954.

A história da PIO DÉCIMO começa no dia 29 de maio de 1954, data da fundação do Ginásio Pio Décimo pelo Professor Joaquim Soares Lima, mais tarde transferido para os senhores Jamisson de Amaral e o Coronel Victor que dirigiram o Ginásio até a data que foi adquirido pelo professor José Sebastião que preocupou-se com a formação de um corpo docente que o dignificasse . No início com autorização do MEC, passou a oferecer o curso técnico em contabilidade.


1967.

Em 17 de agosto do ano de 1967 o Professor José Sebastião dos Santos adquire o Ginásio que se encontrava em circunstância de decomposição, material, pedagógica e social. Matriculados 89 anos alunos dos quais 29 foram expulsos a bem da disciplina e ética. Enfrentando com coragem e fé, o Professor utilizou o método do “corpo a corpo” e levou o Ginásio para o desfile do sete de setembro com 319 alunos naquele mesmo ano. Mais tarde o Ginásio foi transformado em Colégio através da Resolução nº 01 do Conselho Estadual de Educação passando a oferecer o Curso Pedagógico e outros nas áreas de administração e comércio.


2014.

Sempre enfrentando obstáculos, todos superados pela fé, reivindica ao MEC os Cursos superiores de Licenciatura em Pedagogia e Bacharel em Direito, conseguindo o Curso de Licenciatura em Pedagogia.Torna-se então a primeira Faculdade privada do Estado de Sergipe. Surge aí, a Associação de Ensino e Cultura “PIO DÉCIMO”.

A Faculdade Pio Décimo constitui-se hoje de três Campi, dez Cursos de Graduação, Hospital Veterinário e Fazenda Escola.

Texto e fotos reproduzidos do site: piodecimo.com.br/historia

Postagem originária da página do Facebook/MTéSERGIPE, de 5 de junho de 2014.

Morre Maria Virginia Leite Franco, aos 97 anos

05/06/2014.

Morre Maria Virginia Leite Franco, aos 97 anos.
Por: JornladaCidade.Net

Morreu no inicio da manhã desta quinta-feira (05), aos 97 anos, D. Maria Virginia Leite Franco, mãe do ex-governador Albano do Prado Franco e do empresário Valter Franco.

Foto reproduzida do site: destaquenoticias.com.br


Dona Virgínia.

A matriarca da família Franco, Dona Virgínia Leite Franco 97 anos, quase todos dedicados à sua família e aos que a cercam. Casada com o ex-governador Augusto Franco (já falecido) e mãe de nove filhos, dos quais dois já morreram, essa mulher de fibra nunca se furtou a ajudar ao próximo, tendo sempre uma palavra amiga para os que a procuram.

Dona Virgínia Leite Franco sempre foi uma pessoa muito reservada, não gostando de exibição pública ou de ser muito “badalada”, nem mesmo quando esteve como primeira dama do Estado.

Filha do político e maior médico humanitário que Sergipe já conheceu, Augusto César Leite e de Amélia Rollemberg da Cruz Leite, foi um dos sete filhos do casal. Estudou no Rio de Janeiro e casou-se com Augusto Franco no dia 31 de janeiro de 1940, aos 22 anos de idade. De uma união muito estável e feliz, teve nove filhos, 26 netos e 11 bisnetos. Os mais íntimos sempre disseram que além de um espírito de luz, Maria Virgínia Leite Franco é uma mulher prendada e com muita aptidão para a música...

Fonte: destaquenoticias.com.br
Foto: sitedobareta.com.br

Postagem originária da página do Facebook/Minha Terra é SERGIPE, de 05/06/2014.


segunda-feira, 2 de junho de 2014

Antônio Garcia Filho (1916 - 1999)


ANTONIO GARCIA FILHO (1916 - 1999).

Se vivo fosse, Antônio Garcia Filho estaria completando 98 anos de idade. Médico humanista, fundador da Faculdade de Medicina e do Centro de Reabilitação Ninota Garcia, Garcia foi um visionário e um homem à frente do seu tempo.

Destacou-se, além da Medicina, nas áreas da cultura e da arte. Compositor, poeta, escritor. Fundou também o Museu Histórico de Sergipe em São Cristóvão. Presidiu a Sociedade Médica de Sergipe. Professor Emérito da UFS, da qual foi Pró-Reitor de Extensão.

Presidiu o Conselho Estadual de Cultura e criou, com Luiz Antônio Barreto, o Encontro Cultural de Laranjeiras. Membro fundador da Academia Sergipana de Medicina. Foi presidente da Academia Sergipana de Letras, criando o Movimento de Apoio Cultural - MAC, que hoje leva o seu nome. Vereador em Aracaju pelo PSB. Foi diretor da Fundação Joaquim Nabuco em Sergipe.

A foto registra "óleo sobre tela" de Florival Santos, de 1961, e que faz parte do acervo do Museu Histórico de Sergipe, em São Cristóvão.

A UFS denominou recentemente o Campus da Saúde de Lagarto com o seu nome e a Academia Sergipana de Medicina o homenageou com uma herma em bronze que está colocada na Campus da Saúde Dr. João Cardoso do Nascimento Junior, em Aracaju (Hospital Universitário).

Postagem originária da página do Facebook/MTéSERGIPE, de 30 de maio de 2014.

Professor Ariquitiba Lobão

Meu professor de matemática querido - Ariquitiba Lobão ...
quanta saudade". (Ticiana Vasco).

Postagem originária da página do Facebook/MTéSERGIPE, de  18 de maio de 2012.

sexta-feira, 30 de maio de 2014

Postal de Sempre

Foto reproduzida do blog: aracajuantigga.blogspot.com

 Foto reproduzida do blog: misscheck-in.com.

Publicado originalmente no Facebook/Fan Page/Petrônio Gomes.

Postal de Sempre.
Por Petrônio Gomes.

A primeira visão de uma cidadezinha brasileira para quem viaja por terra é quase sempre a cruz de uma igreja construída sobre um monte. Se a aproximação acontecer à noite e se coincidir com uma festa religiosa local, será um bálsamo para os olhos cansados do viajante a festa de luzes que despontará na escuridão. Quantas vezes não terei sentido esse afago de boas vindas no espírito, principalmente em terras de Minas Gerais! O Brasil foi feito assim, com muito sacrifício escondido, muita coragem encabulada e muita devoção teimosa.

Aracaju também nasceu sobre uma colina de brinquedo, em redor de um templo, a única eminência da cidade plana que se estenderia mais tarde, para além do alcance dos olhos. Trazido pela lembrança dos meus anos de calças curtas, estou aqui no topo da ladeira, junto à igreja. Seria desnecessário um mirante onde me encontro, já pela pequena elevação do terreno, já pela visão prejudicada em virtude do paredão de edifícios que vemos ao longe. Mas dentro de minhas calças curtas, neste mesmo lugar, eu percorria grande parte de Aracaju e avistava até as águas do rio...

A rua João Pessoa ainda não havia perdido metade do seu território, isto é, continuava com o mesmo nome até à Estação Ferroviária. Como assim? A Estação da Leste ficava onde foi construído o Mercado hortifrutigranjeiro, começo da Avenida Coelho e Campos. Exatamente na esquina, havia um sinal luminoso para o bonde que ia para Santo Antônio. Ao chegar aqui, o bonde entrava à esquerda, até alcançar a avenida João Ribeiro, passando pela casa comercial de Nicola Mandarino. Depois, seguia até o sopé da ladeira, onde fazia a volta e se dirigia para a rua Japaratuba (hoje, João Pessoa). Ele nunca teve apetite para subir a ladeira, e se tivesse, não havia trilhos.

Pois é. Aos domingos, cerca de três e meia da tarde, eu tomava o bonde do Santo Antônio com minha avó, que pertencia à Ordem Terceira de São Francisco. Todos lá em casa diziam que era eu quem levava minha avó, mas a verdade é que ela me conduzia, talvez para que minha ausência fosse melhor aproveitada por quem desejava descansar.

A outra lembrança da colina é a do cinema São Francisco, cujo imóvel ainda lá se encontra. Parece-me que pertencia à Irmandade de São Francisco, uma particularidade que nunca interessou aos meninos de oito a dez anos, cuja ambição domingueira estava resumida na matinée, com filmes de pancadaria e balas de hortelã.

Santo Antônio foi, por dezenas de anos, o retrato da zona norte da cidade, assim como a Atalaia ainda é a embaixadora da zona sul. Quando os meus colegas de estudo foram, em grande parte, para Salvador, morriam de rir quando voltavam para passar as férias, admirados consigo mesmos por terem um dia achado enorme a ladeira do Santo Antônio. E não vai muito longe o tempo em que o exame de qualidade da potência de um automóvel consistia em vencer a ladeira do Santo Antônio na segunda marcha...

Dentro do pouco espaço de que disponho em minha sala de trabalho, arranjei dois lugares na parede onde pendurei dois quadros: um deles, uma fotografia da Ponte do Imperador, obtida no começo de uma manhã, com a rua deserta; a outra foto é da Igrejinha do Santo Antônio, de onde eu descortinava a Aracaju de minha infância, ambas tiradas por meu amigo Lineu.

Mas a foto da Igreja do Santo Antônio continua sendo o meu postal de sempre.

Fotos e texto reproduzidos aqui do: Facebook/Fan Page/Petrônio Gomes.

Postagem originária da página do Facebook/MTéSERGIPE, de 29 de maio de 2014.

quinta-feira, 29 de maio de 2014

José Bezerra


José Bezerra. 
Por Antônio Samarone.

Sexta-feira, 30 de maio, a Academia Itabaianense de Letras dará pose a Antonio Amorosa, na cadeira que tem como Patrono o ator, mágico, cantor e palhaço José Bezerra. Aluno de Procópio Ferreira, montou um circo, e saiu pelo interior levando a arte circense e a novidade do teatro. O famoso Circo e Teatro José Bezerra, o Palácio de lona verde.

Depois do espetáculo, vinha o DRAMA, nome de uma pequena peça teatral comandada por José Bezerra. Itabaiana parava esperando a hora do Drama, num tempo sem televisão e sem novelas.

Nunca esqueci a apresentação do monólogo, escrito por Pedro Bloch, "As Mãos de Eurídice", dificílimo, tarefa para os grandes atores, brilhantemente representados por José Bezerra.

O monólogo narra as desventuras do escritor Gumercindo, que decide abandonar a família e fugir com Eurídice, uma jovem bela e ambiciosa. Os dois vão para Mar del Plata, na Argentina. Ele a cobre de jóias e presentes caros, e ela, por sua vez, torra a fortuna do amante em cassinos, acabando por levá-lo à ruína financeira.

Como mágico, a maior façanha de José Bezerra era a colocação de uma mulher no espaço, solta, sem nenhum fio escondido. Eu enchia os bolsos de limões, na crença que chupando-se limão, eu poderia desvendar os segredos da mágica. O limão cortava os poderes do feiticeiro.

Depois de Zé Bezerra, Circo para mim perdeu a graça, parecem muito previsíveis.

Foto e texto reproduzidos do Facebook/Antônio Samarone.

Postagem originária da página do Facebook/MTéSERGIPE, de 27 de maio de 2014.

terça-feira, 27 de maio de 2014

Cauê sofre, mas goza!


(Relato interessante enviado ao governador Marcelo Déda sobre a posse de Carlos Cauê na Secom/Gov, em 2009).

Cauê sofre, mas goza!

Metido numa gravata cor-de-rosa (o terno cinza em riscos de giz complementava o traje) o poeta Cauê resistia aos tapinhas nas costas. De longe se ouvia o ronronar do gozo, afinal, estava-se a demonstrar ao vencedor da justa o privilégio de surrar-lhe as costas, o rito que lhe confirmava a condição de herói daquela solenidade. Ele gosta.

A turba aos brados gritava agora, sim, ao repasto! E empunhava as armas – microfones, gravadores, canetas bic em azáfama criativa, exclamações de júbilo e grandes fachos de luz televisiva, como se fora o céu que se abrira em pautas.

Você dirá: e era tanto? Era! Era um Discovery armado na savana do poder de lente atenta às feras despertas, pronta a flagrar do mais fero felino ao diáfano ruflar de um beija-flor. Lá esteve a nossa fauna e a nossa flora também se abriu em ohs! Você precisava ver.

Vi depois, cá do fundo e através de cangotes barbeados, o nosso amigo emocionar-se em discurso escorreito, cumprindo o bom-tom conveniente, mas mensageiro: abrir-se, transparecer, retomar com elegância e respeito o trato do governo com a imprensa, com os jornalistas, com os veículos, e aproveitar o mérito do excelente trabalho da antecessora para iniciar “um novo ciclo no governo Deda”. Foi o que eu entendi e digo mais: era o que queríamos ouvir.

Lá dentro nas terceiras filas daquele auditório diminuto, Rosalvo Alexandre instalou o seu potente diafragma - um serviço de som considerável. Palmas em grandes decibéis, assentimentos de cabeça, quase júbilo. Ele foi o que eu queria ser naquela ocasião, um propagandista das nossas gerações, desde os incontidos gestos ufanistas à confiança nos acertos do seu governo, tão importantes para a transformação deste sergipinho num estado capaz de honrar sua descendência.

Mas saí antes do beija-mão. Minha velhice já não suporta filas heterogenias de conversas pueris, tão rituais. Vai que eu ficasse entre um vendedor de rodapés e o tio de uma chefe de gabinete pretendente á nomeação, prócer político importante, mas ridículo, com o seu mau hálito velhusco de boca acostumada a engolir benesses oficiais. Ou de alguém que me chame de Amaralzinho, depois de tanta gordura social que acumulei na cintura e das brigas cruéis que ganhei, modéstia a parte, para ser um cidadão respeitável. São-me difíceis estas coisas mais ou menos comuns aos nossos tempos, sei não, isto é lá jeito de envelhecer, estes incômodos morais que eu relevo, esta dificuldades burocráticas funcionais em que eu ainda ando metido...

Quanto à Galdino que também emocionou a plateia com o seu discurso, devo confessar: não gostava dela, mas hoje já gosto. Foi um traço de modernidade a gestão dela na Secom e dela se precisa muito mais. Se na Cultura ela for tão saneadora quanto foi na Secom, seja a mudança bem vinda. A administração cultural precisa decolar e isto ela sabe fazer. Só temo que ela desconheça os nós da cultura e queira começar agora, de novo, o que já se está cansado de fazer. Acho que Gilberto Gil é um bom caminho. Coloco-me, por seu intermédio, à disposição dela. Sem cargo, sinto-me à vontade para contribuir.

Mas foi. A posse de Cauê foi massa. Reclamei a falta do seu discurso, reclamei sim, discurso certamente tão amoroso e lúcido, tão capaz de poesia e convencimento que nos faria um bem bem maior explicando-nos porque Cauê e o quanto você, governador Marcelo Déda, está comprometido com essa opção.

É este o relato, amigo governador.

20/ maio/2009
Amaral Cavalcante.

Postagem originária da página do Facebook/Minha Terra é SERGIPE, de 26 de maio de 2014.

A saudosa "Soverteria Cinelândia"


A saudosa "Soverteria Cinelândia", que ficava localizada na Rua Itabaianinha, vizinha ao Instituro Histórico Geográfico de Sergipe, em Aracaju/SE.

Imagem reproduzida de postagem feita no Facebook, na Fan Page/Aracaju antiga, de foto compartilha de Indianara Melo Mota.

Postagem originária da página do Facebook/Minha Terra é SERGIPE, de 26 de maio de 2014.

segunda-feira, 26 de maio de 2014

Interatividade


Interatividade.
Por Petrônio Gomes.

Ele é bem mais moço do que eu, muito mais alto e perigosamente mais forte. Começou por debochar de tudo quando eu dizia, depois partiu para a agressão verbal irreproduzível. Chegou ao ponto em que eu já não conseguia fazer de conta que não estava ouvindo, como vovó me ensinou. Respondi-lhe à altura com o pior adjetivo que me apareceu na cabeça e que apliquei à sua querida mamãe. Ele ficou vermelho de repente e começou a embaralhar as palavras. As veias do seu pescoço aumentaram de volume e ele se levantou, cravando em mim olhos que já saíam das órbitas.

Pensei rápido: "Se eu cravar as unhas no seu pescoço por mais de um minuto , faltará oxigênio em seu cérebro e ganharei a partida." Saltei da cadeira e ataquei!

Caí, então da cama. Bati com a última costela esquerda na ponta da mesinha de cabeceira, derrubei a lâmpada com o cotovelo e amassei a caixa dos óculos, ao mesmo tempo em que ouvi o grito angustiado de minha mulher chamando por Nossa Senhora.

Pior do que a briga do sonho foi o trabalho de voltar para a cama. Depois do primeiro exame que fiz na partes atingidas, descobri que não havia fraturas, a não ser no amor próprio. Eu ainda segurava a caixa dos óculos destroçada. No sonho, ela fizera o papel do pescoço do meu contendor.

Com o passar do tempo, fui confessando aos filhos e aos mais íntimos o motivo da mancha roxa na barriga. Seguiram-se as necessárias aplicações de respiração profunda. O esforço que fiz para encontrar uma posição digna ainda no chão foi juntar-se às dores mais antigas, provenientes das diversas afecções do arcabouço e que constituem o ornamento natural da soma dos invernos acumulados.

Pois é. De algum tempo para esta data, como se diz nos ofícios de requerimento, venho tomando parte integrante nos sonhos, notadamente nos pesadelos em que minha vida costuma ser ameaçada, muitas vezes sem qualquer motivo. Em outros casos, quebro o silêncio da noite com uma gargalhada sinistra e acordo molhado de suor. Certa vez, agarrei um travesseiro e quase o esganei, pois ele era simplesmente o gato que tentava comer o passarinho.

Temo pela segurança da minha querida consorte, naturalmente. Ela sabe que tudo que faço pelo seu bem, mas existe o perigo de que ela se encontre no meio do combate. Tive um amigo que também era vítima desses sonhos interativos. Todas as noites ele e a esposa cumpriam um verdadeiro ritual de preparativos de auto-defesa antes dos agradáveis votos conjugais de boas-noites.

Outro modo que dizem surtir efeito favorável é o hábito de pegar no sono com um bom pensamento, mas o trabalho de se procurar um deles é extenuante. Os programas de televisão também devem ser evitados sumariamente, com especialidade aqueles que nos fazem desejar uma troca de nacionalidade.

De qualquer modo, minha mesinha de cabeceira fica desde então longe da cama, há travesseiros pelo chão e todos os objetos que podem ferir a integridade física são trancados em outro ambiente. Da mesma maneira como os remédios são guardados fora do alcance das crianças.

Postagem originária da página do Facebook/Minha Terra é SERGIPE, de 6 de maio de 2013.