sábado, 26 de março de 2016

Biografia de Luiz Carlos Fontes de Alencar



Biografia de Luiz Carlos Fontes de Alencar.

Luiz Carlos Fontes de Alencar, filho de Clodoaldo de Alencar e Eurydice Fontes de Alencar, nasceu no dia 31 de dezembro de 1933, no município de Estância, e bacharelou-se pela Faculdade de Direito do Recife, em 1958. Pela mesma instituição obteve o título de Doutor em Direito, em 1960. Concluiu também, em 1957, o curso de História oferecido pela Campanha de Aperfeiçoamento e Difusão do Ensino Secundário – CADES, em Aracaju; e, o Curso Superior de Guerra, da Escola Superior de Guerra, em 1980, no Rio de Janeiro. Luiz Carlos Fontes de Alencar iniciou o seu processo de escolarização no município de Itabaianinha, onde seu pai era tabelião e escrivão, como aluno do Colégio Serrano. Posteriormente foi residir em Alagoinhas, no Estado da Bahia, onde freqüentou o Ginásio Salesiano. Retornando a Sergipe, concluiu o ensino médio no Atheneu Sergipense, em 1953. Prestou concurso vestibular para a Faculdade de Direito de Sergipe, mas, no segundo ano transferiu-se para a cidade do Recife. Casado com Ilma Santos de Alencar constituiu uma família com quatro filhos: Luiz Carlos, Gisela, Moema e Daniela Santos de Alencar.

Fontes de Alencar exerceu a docência no ensino primário e no ensino superior. Quando atuava como Promotor Público na Comarca de Itabaiana foi professor de História e Fundamentos Sociais da Educação na Escola Rural Murilo Braga e depois diretor da mesma instituição de ensino. Na Universidade Federal de Sergipe, lecionou Direito Penal II, Processo Penal Militar, Processo Penal Especial, Processo Penal I e II e Teoria Geral do Processo. O seu ingresso no ensino superior ficou esclarecido em discurso que pronunciou no ano de 2004, no Superior Tribunal de Justiça:

Quando já estava na comarca de Maruim, bem próxima de Aracaju, ousei ingressar no magistério superior, na Faculdade de Direito de Sergipe. Poucos dias depois, o Diretor da Faculdade pediu-me um trabalho para a Revista da Instituição e, quando lho entreguei, disse-me ele: “Deixe aqui que vou ver se está digno da Revista” – o Diretor da Faculdade era o Prof. Gonçalo Rollemberg Leite, irmão da Desembargadora Clara Leite Rezende. E o estudo foi publicado no nº 13 da Revista da Faculdade.
O meu viver tem duas vertentes: a magistratura e o magistério superior.

Luiz Carlos Fontes de Alencar foi membro do Conselho Universitário (1972) e do Conselho do Ensino e da Pesquisa (1974), além de Vice-Reitor da Universidade Federal de Sergipe. Também atuou como Professor de Processo Penal I e II da Universidade de Brasília.

Paralelamente às suas atividades profissionais, manteve intensa atividade intelectual. Produziu e publicou vários trabalhos: Os Ratos (1955); Hábeas Corpus (1958); Da Competência Originária do Tribunal de Justiça em Hábeas Corpus (1968); Embargos no Processo Penal (1970); Discurso dos Bacharéis de Hoje (1974); Estudo Sobre a Situação dos Auxiliares de Ensino (1979); Princípios de Independência e Harmonia entre os Poderes e sua Realidade e Tendências (1980); Sonegação Fiscal – Aspectos Controvertidos (1997); Procedimentos em Matéria Processual e os Feitos da Competência Federal (1998); Constituição Federal de 1988 (1998); Processo e Procedimento: Execução Fiscal (1998); Foi Uma Hora Sem Igual (1999); Como se Prefacia Fora (1999); Preservamento da Informação Forense (2000). Neste texto, Fontes de Alencar, discutindo a preservação dos documentos do Poder Judiciário, revela as suas preocupações de historiador, área que recorrentemente recebeu a sua atenção de intelectual:

Destarte, uma maneira de preservar a informação jurídica – e volverei a falar acerca da frase informação jurídica – é depositar as escrituras públicas e os autos em arquivo.
Quando do Fórum Nacional sobre Arquivos do Poder Judiciário, promovido pelo Centro de Estudos Judiciários do Conselho da Justiça Federal, a Professora Maria Thétis Nunes, que tantos louvores merece por sua dedicação ao Magistério, bem como por seu bem sucedido trabalho de pesquisadora no campo da historiografia, apresentou relevante contribuição intitulada A importância dos Arquivos Judiciais para a preservação da Memória nacional.

Nesse período, foi intensa a produção intelectual do autor: Liberdade: teoria e lutas (2000); Rui e a Pós-Modernidade (2000). Rui Barbosa é autor recorrente nas reflexões de Fontes de Alencar. Neste estudo, ele sublinha que

A intemporalidade das lições de Rui Barbosa é facilmente verificável por quem se volte a estudar o quanto expôs em escritos de jornal; arrazoados forenses e conferências que pronunciou; nas orações parlamentares e judiciárias; nos discursos ao Povo. Enfim, pode-se dizer que a sua palavra chega ao remate do século XX avançando sobre a pós-modernidade.

O magistrado publicou também outros estudos: A Lição de Rui: Crime de Hermenêutica, a Hipérbole do Absurdo (2000); A Federação Brasileira e os Procedimentos em Matéria Processual (2001). Aqui, o autor manifestava as suas preocupações para com os desdobramentos processuais decorrentes da aplicação das normas emanadas pela Constituição Federal de 1988:

Veio a Constituição de 1988. E todos nós vivemos nos onze anos que nos separam do seu advento, o drama da reforma do Poder Judiciário. Tem Conselho, não tem Conselho, há situações tão esdrúxulas, como a proposta de um Conselho com um quadro um tanto extravagante, não obviamente pelas pessoas que eventualmente venham a integrá-lo, mas sob o aspecto institucional.

A produção bibliográfica de Fontes de Alencar inclui não apenas textos jurídicos, mas também ensaios de História e textos literários: Kalevala (2001); Crime de Hermenêutica (2001); Florestas e Diamantes (2001); Gratidão e Esperança (2002); Água do Camaragibe (2002); O Centenário do Tratado de Petrópolis (2003); Aqueles Dois Advogados (2003). Em alguns artigos, como neste último, o autor concilia os dois campos de estudo que mais o entusiasmam, o Direito e a História, para discutir a atuação de Rui Barbosa e Clóvis Bevilacqua:

Clóvis, o jusfilósofo, o criador do nosso primeiro Código Civil, por ter sido o privatista consagrado, operoso também se apresentou até no campo da Criminologia. (...) Curso de vida assaz diverso teve Rui Barbosa. Foi, sobretudo, o advogado, o pugnador do Direito, o instigador de Juízes, o combatente intimorato e intemerato.

No Superior Tribunal de Justiça, o magistrado dirigiu a Revista do STJ, sendo o idealizador da edição eletrônica do periódico, um marco na democratização do acesso às informações daquela Corte. Fontes de Alencar é, também, membro das seguintes instituições culturais: Instituto Histórico e Geográfico de Sergipe; Sociedade Brasileira de Direito Criminal; Academia Sergipana de Letras; Instituto dos Advogados do Brasil; e, Academia Brasiliense de Letras.

Antes de iniciar os seus estudos no curso de Direito, foi serventuário da Justiça, exercendo as atividades de Escrevente compromissado e Sub-oficial do Registro Civil no Cartório do Décimo Primeiro Ofício da Comarca de Aracaju. Ainda como estudante universitário foi membro do Ministério Público, atuando na Promotoria Pública de Itabaiana, a partir de março de 1955. Logo após a colação de grau exerceu a advocacia. Nesta última condição trabalhou como assistente jurídico do Departamento de Estradas de Rodagem do Estado de Sergipe, a partir de abril de 1959. Iniciou a sua carreira de magistrado em 1961, quando foi empossado Juiz de Direito de Primeira Entrância da Comarca de Tobias Barreto, após aprovação em concurso público. Em 2004, quando discursou agradecendo a medalha que lhe ofereceu o Superior Tribunal de Justiça pelos seus 50 anos como servidor público, Fontes de Alencar rememorou o início da sua carreira de magistrado em Tobias Barreto:

O decorrer desse meu tempo, que já não é pouco, Sr. Presidente, não deletou o momento em que comecei a magistratura, e a tela que me ocorre é a da chegada à cidade de Tobias Barreto, outrora Nossa Senhora Imperatriz dos Campos do Rio Real, para assumir a comarca. Era um fim de tarde, a comarca era distante da capital, e o Rio Real que eu conhecia era o rio da foz ou a foz do rio; depois de receber todos os seus afluentes e por ter o estuário tão amplo, deu-se-lhe o nome de Rio Real. Do lado esquerdo, o Estado de Sergipe, a Praia do Saco; à margem direita, o Mangue Seco, da terra do nosso querido Ministro Peçanha Martins. Mas o Rio Real que encontrei no sertão era um filete d’água, e somente nos dilúvios do verão tinha preenchido o seu leito pelas águas. Então, ali me demorei. Foi uma época de aprendizagem, e eu era bem jovem; passei a outras comarcas do Estado.

Foi removido para a Comarca de Maruim, em 1968, onde ficou jurisdizendo durante um ano, até ser promovido por merecimento para a Comarca de Segunda Entrância de Itabaianinha, em 1969, de onde foi removido para a Quarta Vara Cível da Comarca de Aracaju, em 1979. A sua carreira de magistrado foi marcada pela permanente preocupação com o trabalho dos juízes singulares e uma maior agilização nas práticas de distribuir a justiça. Em entrevista que concedeu no mês de setembro de 1999 para a Revista Mérito, ele esclareceu sua posição sobre o assunto:

A minha visão sobre a reforma, repetindo Euclides da Cunha, é que no Brasil há uma mania de se reformar a cumeeira. Aqui, sempre reforma-se a cúpula. O que deve ser mudado no Judiciário brasileiro, e rapidamente, para não sermos superados pelos fatos, é a base. É na base que precisamos mexer. Apenas para citar um fato inquestionável: precisamos aumentar o número de juizes no Brasil. E logo. Sabemos que o Superior Tribunal de Justiça e o Supremo Tribunal Federal julgam juntos, anualmente, uma média de 150 mil processos. É um número assustador mas que representa apenas 10% do que é julgado lá embaixo, na base, nas primeiras instâncias. Daí porque digo que a reforma precisa ser feita, prioritariamente, na base do Judiciário.

Como Juiz de Direito integrou a Comissão encarregada de elaborar o Projeto de Organização Judiciária do Estado de Sergipe (1975) e, uma vez aprovada a Lei, foi membro da Comissão de Organização Judiciária do Estado de Sergipe (1979) e dirigiu o Fórum da Comarca de Aracaju (1979). Exerceu por dois biênios (1972/74 – 1974/76) a condição de membro do Tribunal Regional Eleitoral de Sergipe. Enquanto atuava no Tribunal Regional Eleitoral integrou a Comissão que elaborou o Projeto de Regimento Interno da Instituição (1972) e foi por duas vezes Corregedor Regional Eleitoral (1972 e 1975).
A promoção para o cargo de Desembargador ocorreu com base no critério de merecimento, em 1979. Naquela ocasião manifestou as suas preocupações com a necessidade de reorganizar o Poder Judiciário:

A magnitude das funções do Poder Judiciário está a reclamar substancial reforma na sua estrutura organizacional, a que se deverão somar alterações das normas processuais, quer na esfera penal, quer no âmbito extrapenal, sem o que se terá um Poder frustrado e frustrante, o que seria de todo deplorável. Reforma que se ocupe não apenas dos colegiados superiores, mas, sobretudo, de sua estrutura de base responsável pelos serviços forenses, compreendendo o foro judicial e extrajudicial, pois é aí que a Justiça está mais perto do povo. É preciso que o benefício da Justiça gratuita, que a lei assegura aos necessitados, seja uma realidade. Os magistrados da 1ª instância, nada obstante a sua alta qualificação moral e intelectual, bem como aqueles competentes serventuários que os auxiliam, vivem e sofrem os horrores de uma sistemática ultrapassada, asfixiados todos por montanhas de papel.

Em 1981, ele foi eleito Corregedor Geral da Justiça. Quatro anos depois, assumiu a presidência do Tribunal de Justiça, cargo em que permaneceu até 1987.

Luiz Carlos Fontes de Alencar foi nomeado para o cargo de Ministro do Superior Tribunal de Justiça em 1989. Nessa condição foi membro da Comissão de Jurisprudência do STJ e Presidente da Quarta Turma do mesmo Tribunal (1993), além de integrar o Conselho de Justiça Federal e haver exercido a função de Coordenador-Geral da Justiça Federal.
Os seus méritos como magistrado e intelectual foram reconhecidos em diversas ocasiões. Ele recebeu a Comenda Cônego Teofanes de Barros, da Fundação Educacional do Baixo São Francisco, em Penedo, no Estado de Alagoas; a Medalha da Ordem do Mérito Serigy, no grau de Grande Oficial, concedida pela Prefeitura Municipal de Aracaju; O Título de Professor Honoris Causa da Universidade Cruz Alta, no Rio Grande do Sul; o Título de Cidadão Aracajuano, concedido pela Câmara Municipal de Aracaju (1984); a Medalha Mello Matos, da Associação Brasileira de Juízes e Curadores de Menores (1985); A Medalha Ministro Antônio de Souza Martins, da Associação dos Magistrados Piauienses (1985); a Medalha Francisco Xavier dos Reis Lisboa, do Tribunal de Justiça do Estado do Maranhão (1987); a Medalha do Mérito Judiciário, do Tribunal de Justiça do Estado de Maranhão (1993); a Medalha do Mérito Cultural da Magistratura, do Instituto dos Magistrados do Brasil; a Medalha João Ribeiro, da Academia Brasileira de Letras; a Medalha da Ordem do Mérito Militar, no grau de Comendador; a Medalha da Ordem do Mérito Judiciário, do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e Territórios, no grau de Grã Cruz (2002). Do Tribunal de Justiça do Estado de Sergipe recebeu o Colar do Mérito Judiciário.

O ministro encerrou a sua carreira como magistrado ao entrar no gozo da sua aposentadoria, em dezembro de 2003. Desde então, dedica-se à carreira literária. Também é colaborador do Jornal da Associação Nacional dos Escritores.

Fonte: Texto adaptado da série "Biografia dos Desembargadores do Tribunal de Justiça de Sergipe", coordenada por Luiz Antonio Barreto, autor da História do Poder Judiciário em Sergipe. Disponível em: Serigy.

Texto reproduzido do site: fontesdealencar.com

Foto reproduzida do site: nosrevista.com.br

Postagem originária do Facebook/GrupoMTéSERGIPE, de 24 de março de 2016.

José Calasans Brandão da Silva

 Infância, Aracaju, 1917.

 Formatura, 1937.

 Com Lúcia Margarida, josé e Maria Madalena, 1952.

Professor, 1950.
Créditos - Pierre Verger.

"Eu gosto muito de pesquisar, mas gosto, sobretudo,
de criar condições para que outros pesquisem". (José Calasans).

José Calasans Brandão da Silva nasceu na Cidade de Aracaju, Sergipe, em 14 de julho de 1915. Era uma quarta-feira. Naquele dia as primeiras páginas dos jornais homenageavam a Tomada da Bastilha, incluída durante o Governo Provisório no nosso calendário de feriados nacionais, e traziam as últimas notícias da guerra na Europa.

José Calasans viveu "um tempo de muita história". Desde cedo se interessou pelos acontecimentos políticos da época - como o Levante do Forte de Copacabana, em 1922, e as revoltas do 28º Batalhão de Caçadores em Aracaju nos anos de 1924 e 1926 - mas quem lhe sedimentou o gosto pelos estudos históricos foi Clodomir Silva, seu professor de português no Atheneu Sergipense e importante pesquisador do folclore e da história de Sergipe. Esta convivência com o mestre também despertou no jovem estudante o interesse pela oralidade que mais tarde lhe colocaria entre os pioneiros na historiografia brasileira.

Em 1933, com o desejo de ser professor de História, Calasans deixou a terra natal e foi estudar na Faculdade Livre de Direito da Bahia. Na época, era um dos líderes da Juventude Integralista e lutou pela criação de um núcleo de Cultura Espiritualista, projeto que provocou conflitos na Faculdade. Pouco tempo depois, conforme declarou em depoimento, abandonaria as ideias propagadas por Plínio Salgado.

Concluído o curso de Direito, em 1937, José Calasans voltou para Aracaju e dedicou-se ao magistério e estudos históricos, desenvolvendo pesquisas sobre os motivos que levaram à mudança da capital sergipana, antes estabelecida em São Cristovão. Na ocasião, compilou versos populares sobre o tema para fazer um cancioneiro político-popular. Do seu interesse pela poética das ruas, surgiriam os primeiros estudos sobre os aspectos folclores da cachaça que levariam à publicação do livro "Cachaça Moça Branca". Ainda em Sergipe, trabalhou no Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional/IPHAN, então dirigido por Rodrigo de Mello Franco, e iniciou o levantamento dos monumentos históricos sergipanos que, mais tarde, seriam tombados pela instituição.

Poucos anos depois, Calasans voltou para Salvador, onde retomou o magistério e dirigiu o Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial/SENAC. Na época, também desenvolveu pesquisas sobre a Revolução de 30, mantendo vasta correspondência com revoltosos, e prestou concurso de Livre Docência na Faculdade de Filosofia da Universidade Federal da Bahia, apresentando a tese "O Ciclo Folclórico do Bom Jesus Conselheiro, Contribuição ao Estudo da Campanha de Canudos".

Com esse trabalho, José Calasans iniciou a sua dedicação ao tema que abraçaria por toda a vida. Ainda jovem, tinha sido estimulado pelas pesquisas de oralidade quando frequentou vários locais de Aracaju em busca de versos populares sobre o folclore sergipano. Nas suas andanças, ouvira quadrinhas sobre o coronel Moreira César e a Guerra de Canudos. Alguns anos depois, em 1947, se impressionou com o episódio ao ler na revista "O Cruzeiro" uma reportagem rememorando o cinquentenário do conflito e apresentando depoimentos de sobreviventes colhidos na Canudos reconstruída sobre os escombros da cidadela conselheirista1. Depois dessa leitura, decidiu conhecer o cenário da guerra com o objetivo de colher informações para a tese que apresentaria à Faculdade de Filosofia em 1950.

Com o "Ciclo Folclórico do Bom Jesus Conselheiro", José Calasans trouxe para os meios acadêmicos a voz dos vencidos. À ela dedicou inúmeros estudos e pesquisas, libertando-a, como ele próprio anotou, "da gaiola de ouro de Os sertões", numa referência ao livro de Euclydes da Cunha que, durante muito tempo, centralizou os estudos sobre Antônio Conselheiro e a Guerra de Canudos.

O Professor José Calasans Brandão da Silva faleceu na Cidade do Salvador no dia 28 de maio de 2001. Era casado com Lúcia Margarida Maciel da Silva e tiveram dois filhos: José, falecido precocemente, e Maria Madalena. O seu acervo, fruto das suas investigações sobre o tema, está disponível para pesquisas no Núcleo Sertão do Centro de Estudos Baianos da Universidade Federal da Bahia, criado em 1983, depois de generosa doação do Mestre.

1 A reportagem , escrita por Odorico Tavares e fotografada
por Pierre Verger, foi publicada na edição de 19 de julho de 1947.

Texto e imagens reproduzidos do site: josecalasans.com/biografia.

Postagem originária do Facebook/GrupoMTéSERGIPE, de 23 de março de 2016.

Aracaju – 161 anos: uma prosa sobre a capital sergipana

Murillo Melins.
Foto: Tíffany Tavares.

Publicado originalmente no site do CAU/SE*, em 17/03/2016.

Aniversário de Aracaju – 161 anos: uma prosa sobre a capital sergipana.
Por Tíffany Tavares.

“Com as mãos no bolso eu o aguardo ansiosa. Os passos vagarosos, entretanto firmes ornamentam a entrada do Museu da Gente Sergipana. Em minha direção, ele caminha com sorriso nos olhos e orgulhoso de seus 88 anos de pura lucidez. Cumprimenta-me com sua mão direita, para e diz: – É você é?, Indaga ao perceber que sou a mulher que sempre o cumprimenta nas festas da cidade, das antigas gerações (Risos). Do meu nome complicado, não sabia, e não me relacionou à mesma mulher do telefone, que agendou uma breve prosa curiosa sobre uma de nossas paixões: Aracaju”.

A capital sergipana Aracaju, completa nesta quinta-feira, 17 de março, seus 161 anos. A sua história está fortemente relacionada à da cidade de São Cristóvão, pois era esta a antiga capital da Capitania de Sergipe, atual estado de Sergipe. Foi a partir da decisão de mudança da cidade que abrigaria a capital provincial que Aracaju pode existir e cresceu.

Fundada em 1855, foi a primeira capital planejada de um estado brasileiro; seu formato remete a um tabuleiro de xadrez. Todas as ruas foram projetadas geometricamente, como um tabuleiro de xadrez, para desembocarem no rio Sergipe. Até então, as cidades existentes antes do século XVII adaptavam-se às respectivas condições topográficas naturais, estabelecendo uma irregularidade no panorama urbano. O engenheiro Pirro contrapôs essa irregularidade e Aracaju foi, no Brasil, um dos primeiros exemplos de tal tendência geométrica.

E como presente aos aracajuanos, a assessoria de imprensa do Conselho de Arquitetura e Urbanismo de Sergipe (CAU/SE) teve uma breve conversa com o pesquisador, escritor e memorialista Murillo Melins.

Mas quem é ele?

Murilo Mellins nasceu em Neópolis antiga Vila Nova em 22 de outubro de 1928, filho do saudoso Mario Mellins que dentre outras coisas foi intendente de Neópolis (antiga Vila Nova) uma pessoa simples, de um grande conhecimento dos fatos que marcaram a historia da capital. Alguns chamam de memorialista, outros de pesquisador, outros de guardião da historia de Sergipe, sempre puxando das lembranças a memória política e cultura da nossa gente.

Trabalhou na Prefeitura Municipal de Aracaju, em algumas funções dos Correios, e atualmente com sua vida pacata de aposentado, vai escrevendo, contando e cantando a história sergipana nos seus livros de memória.

Com romantismo descreve com maestria, Aracaju das décadas de 40 e 50. O amigo e historiador Luis Antônio Barreto, quando em vida, dizia, “Mellins tem com Aracaju uma intimidade cumpliciada, como poucos, e ambos, o escritor e a cidade, guardam de cada um muitos segredos”.

O memorialista nos recebeu com simplicidade e fidalguia no Café da Gente, no Museu da Gente Sergipana, na tarde do dia 15 de março. Em uma prosa informal, viajamos por uma nostálgica Aracaju, que só ele rememora com riqueza de detalhes.

“Eu sou das margens do São Francisco, vivi em Neópolis até os seis anos de idade. Da minha casa via o rio caudaloso, majestoso, despoluído e quando fui morar em Boquim eu olhava na janela e via a movimentação das máquinas, os ferroviários com as lanternas iluminando as ruas, os desvios. Nessa noite não dormi, empolgado com aquela dinâmica, pensando no Rio São Francisco, nos trens de ferro. Tudo aquilo era novo e me apaixonei”, relembrou Melins.

Ele afirma que ao chegar a Aracaju, já tinha essa memória de Neópolis e Boquim, para sua surpresa foi recebido pelas belezas do Rio Sergipe, pelos os trens de ferro e os bondinhos. “Aracaju era cidade calma, provinciana de 60 mil habitantes, ordeira, não havia violência, o único barulho que ouvíamos era o das águas do mar ou do rio”, descreve.

De acordo com o memorialista Murillo Melins, Aracaju teve sua origem no Bairro Industrial. “Como era uma colônia de pescadores, não há sentido afirmar que a capital nasceu na Colina do Santo Antônio, e sim na beira do mar”, resume.

“Aracaju cresceu muito até os anos 50 a 60 era uma cidade de 70 mil habitantes e hoje tem mais de 600 mil. Era visível o quadrado de Pirro, limitando-se na Avenida Coelho e Campos ao norte, a região do Clube do Cotinguiba ao sul, a rua da frente ao leste e a Rua Estância, no Oeste”, conta.

As retretas, as feirinhas de natal com quermesse, o São João com as fogueiras nas ruas, o estalar dos fogos…são lembranças que acompanham o historiador até os dias de hoje. “Depois fui crescendo e passei a frequentar a biblioteca pública, a ler muito, ir aos bares da época, comecei a conviver com filósofos, com poetas, personalidades e artistas. Todos nos conhecíamos, as famílias conheciam umas as outras. Aracaju é minha paixão”, declara.

Murillo Melins confessa que começou a escrever sobre Aracaju, porque segundo ele, a memória da capital estava acabando, apenas Mário Cabral fazia isso em 1940 e de lá pra cá, ninguém escreveu especificamente sobre nossa capital. “Percebi que a nossa história estava sendo esquecida. Daí pensei: Não vou deixá-la morrer”, finaliza.

Livros de Murillo Melins

Em 2007, lançou seu primeiro livro ‘Aracaju romântica que vi e vivi’, hoje na sua 4ª edição. O livro é um precioso e apaixonado relato repleto de histórias sobre figuras populares, festas, ‘causos’ políticos e a evolução da capital sergipana nas décadas de 40 e 50.

Em dezembro de 2015, Melins lançou o seu novo livro de memórias “Aracaju Pitoresco e Lendário”. Uma compilação de crônicas que ele publicou nos jornais ao longo dos anos. Contém histórias que ocorreram no início do século XX, como a chegada da energia elétrica, do bonde e do calçamento da cidade, mas também relata a polêmica da transferência da capital de São Cristóvão para Aracaju, fato ocorrido em 1855.

*CAUSE - Conselho de Arquitetura e Urbanismo de Sergipe.

Texto e imagem reproduzidos do site: cause.org.br

Postagem originária do Facebook/GrupoMTéSERGIPE, de 23 de março de 2016.

terça-feira, 23 de fevereiro de 2016

Uma noite de brilho para Garcia Moreno



Infonet > Blog Lúcio Prado > 19/02/2016.

Uma noite de brilho para Garcia Moreno.

Garcia Moreno ficará radiante porque o primeiro “Café com Letras” da Sobrames em 2016 vai propiciar um momento singular para a boa palavra, com depoimentos memoráveis, que por certo relembrarão, com reverência e alegria, a sua vida e a sua obra. Serão três pronunciamentos oficiais mais os que poderão (deverão) surgir, de forma espontânea, a partir do momento em que, na condição de presidente da sessão e numa atitude temerária para alguns, franquear a palavra.

Para os que pensam que tantos pronunciamentos tornarão a reunião cansativa, cometem engano desmedido. Isso porque vamos falar de Garcia Moreno, festejado por muitos, como fez certa vez o notável poeta Airton Teles Barreto, no poema Mestres dos Mestres: “Na medicina dos que são maiores, todos tem vez na formação do mestre. O ser normal, o pobre, o rico e o louco. Mestre maior da medicina humana, nós nos lembramos de você assim: cultura enorme, inteligência alvor, raio de luz levando vida às palmas, remédio heroico ao ser aflito, mestre do corpo, professor das almas...”

A sessão do “Café com Letras”, promovido pela Sociedade Brasileira de Médicos Escritores e que tenho a honra de presidir em Sergipe, vai acontecer em 25 de fevereiro próximo, às 18h30, na Sociedade Médica de Sergipe, na Rua Guilhermino Rezende, 426 Bairro São José. Estão todos os meus (poucos) leitores convidados.

O saudoso médico, professor e escritor João Baptista Perez Garcia Moreno nasceu em Laranjeiras em 12 de dezembro de 1010 e faleceu 65 anos depois, em 22 de outubro de 1976. No seu sepultamento, na cidade natal, Luiz Antonio Barreto, um dos oradores e representando o Instituto Histórico e Geográfico de Sergipe, do qual Garcia foi presidente, assim se expressou: "Mais uma vez, interferimos no tempo do viver, para falar da morte. De repente eis que a surpresa salta aos olhos, assalta a alma, roubando um amigo, um mestre, um homem bom. O dia enruga as suas claridades e a paisagem da cidade perde a graça. Volta à terra de Laranjeiras aquele que em vida foi chamado João Batista Perez Garcia Moreno, descendente do notável padre Daltro, do Lagarto. E Laranjeiras triste, com seu casario enlutado pela derrota do tempo, deixa abrir seu chão pródigo para em silêncio guardar o corpo sem vida, do seu filho ilustre".

Para Francisco Rollemberg, que será um dos oradores oficiais da sessão, Garcia Moreno “foi um escritor e cronista vigoroso, homem da terra que nunca abandonou e que dela se ocupou inteiramente, telúrico da cabeça aos pés...”

Já o professor José Augusto Barreto, que ocupa atualmente a Cadeira 17 ( que tem como patrono Garcia Moreno), da Academia Sergipana Medicina, na sessão que celebrou o Centenário do Nascimento do saudoso mestre, vaticinou: “ A Faculdade de Medicina foi o acontecimento mais importante da Medicina de Sergipe e teve em dois “garcias”, curiosamente, suas maiores representações: Garcia, o Moreno, como um dos idealizadores da escola médica no início da década de 50 e o outro Garcia, o Antonio, como seu fundador de fato, no início dos anos sessenta”.

Ainda na solenidade que celebrou o Centenário de Garcia Moreno, em 2010, aconteceram depoimentos emocionados da filha dele, Cândida Garcia Moreno Pontes, que reside em João Pessoa, do neto João Baptista Perez Garcia Moreno, filho de Cândida e que exerce a magistratura em Salvador, da jovem Beatriz do Nascimento Garcia Moreno, bisneta, além do pronunciamento do professor “Emérito” Odilon Cabral Machado, biógrafo refinado do autor de “Cajueiro dos Papagaios”, “Letras Vencidas” e “Doce Província”.

No ano que registra o 40º aniversário de seu falecimento, a Sobrames relembra a figura desse grande semeador da cultura em nosso Estado, realizando essa extraordinária sessão “Café com Letras”, com as participações dos médicos José Hamilton Maciel Silva, representando a Academia Sergipana de Medicina e Francisco Guimarães Rollemberg, representando a Academia Sergipana de Letras, além da professora Patricia Souza, doutoranda em educação pela UFS.

Texto e imagem reproduzidos do site: infonet.com.br/lucioprado

Postagem originária do Facebook/GrupoMTéSERGIPE, de 22 de fevereiro de 2016.

A vida do desembargador Aloísio Abreu



Publicado originalmente no site do Jornal da Cidade, em 08/10/2012.

MEMÓRIAS DE SERGIPE.

A vida do desembargador Aloísio Abreu.
Por Osmário Santos.

Aloísio de Abreu Lima nasceu na cidade de Capela/SE, a 15 de dezembro de 1931. Seus pais: Eduardo de Abreu Lima e Maria José Lima.

O Sr. Eduardo foi um pequeno proprietário rural que manteve, com muito sacrifício, a pequena fazenda Carvões, em Capela, local onde Aloísio nasceu. Dele, o filho herdou a humildade, o esforço de vencer na vida e a coragem para educar os filhos Eduardo de Abreu Lima (falecido), Maria Helena Abreu e Aloísio.

De sua mãe, só tem a dizer que foi uma extraordinária mulher e que, mesmo sendo uma mulher da roça, fez tudo para proporcionar uma digna educação pelos filhos.

Ela morreu e não teve a felicidade de ter visto, em seus momentos finais de vida, meu irmão Eduardo, mas teve a felicidade de me ver como desembargador e a felicidade de minha presença no exercício do Governo do Estado, embora provisoriamente. Ela teve toda esta felicidade. Ela viu a minha trajetória de vida. Acredito que ela morreu feliz por isso.

Uma infância repleta de estudos, pois, logo aos cinco anos de idade, foi para Capela para o período de alfabetização com a professora Adelina. Com mais um tempo, passou a estudar no grupo da rede estadual de sua cidade natal. Desse tempo, Aloísio tem lembranças de um menino pobre que não teve condições para o lazer, mas se contentou com o amor de seus pais. Não esquece de dizer que também fez parte da Cruzada Eucarística, um envolvimento religioso, que o fez fixar na mente a idéia de ser padre. “Fiquei muito entusiasmado e fiquei muito religioso”.

Como na época não existia o curso ginasial em Capela, veio para Aracaju como aluno interno do Colégio Jackson de Figueiredo, onde concluiu o curso primário. Fez admissão para o Colégio Estadual, sendo bem sucedido, mas continuou morando no Jackson, mesmo estudando no Atheneu. Do tempo de aluno do Atheneu, faz questão de destacar os grandes mestres que teve: Manoel Cabral Machado, professor Cajueiro, José Olino, José Augusto da Rocha Lima, Ofenísia Freire. “O Atheneu era uma academia”. Fez parte do Grêmio Estudantil Clodomir Silva e também brigou contra o ensino do canto orfeônico.

“Não tolerava e até hoje não entendo de canto orfeônico. Nós tivemos um congresso estudantil e eu defendi uma tese no Instituto Histórico contra o canto orfeônico, pedindo que fosse retirado do currículo. Consegui muitos adeptos e também muitas críticas. Inclusive a professora Nilza, uma professora culta, chegou a dizer que eu era um menino ignorante. Na verdade, tudo que fazia dava certo no futuro”. O canto orfeônico desapareceu do currículo escolar tempos depois.

O pensamento de fazer Direito nasceu quando ainda era criança. Tudo começou quando viu, pela primeira vez, o desembargador Joel Aguiar fazendo discurso. “Aquilo me emocionava e disse para mim mesmo: um dia eu vou ser como o Dr. Joel. Ele foi a minha primeira fonte de inspiração no Direito.”

Fez o primeiro e o segundo ano do curso clássico no Atheneu. O início do terceiro fez na cidade de Salvador, no Colégio Estadual da Bahia. No tempo em que tomou a decisão para estudar fora, já se preparando para o vestibular, ainda não estava em funcionamento a Faculdade de Direito de Sergipe. Pela necessidade de aliviar os custos financeiros do pai por essa permanência fora de casa, conseguiu morada no Colégio Ypiranga e trabalho pelo dia como bedel do próprio colégio.

Digo com muito orgulho que já fui bedel e isso me conferiu responsabilidade muito cedo. Houve ocasiões que tive de ocupar a turma com lições, por conta da falta de professores.

Quando estava no segundo semestre do terceiro ano colegial, constatou que existiam 200 candidatos para 50 vagas para o curso de Direito em Salvador. Como já estava funcionando a Faculdade de Direito em Aracaju, já entrando no segundo ano, com poucos candidatos para o vestibular, resolveu vir para Aracaju e por aqui concluiu o terceiro ano no Tobias Barreto e, mais ainda, conseguiu vaga para trabalhar como bedel pelo dia com direito a dormida no colégio. “Nasci com a tendência de ser bedel.”

Feito vestibular explodiu de alegria ao saber que passara em segundo lugar, juntamente com Darcilo Costa. Com satisfação, diz que teve como professores, Cabral Machado, Gonçalo Rollemberg, Garcia Moreno, João de Araujo Monteiro – o querido Monteirinho – Olavo Leite, Renato Cantidiano, Armando Rollemberg, Enok Santiago, Hunald Santa Flor Cardoso. “Tive grandes mestres”.

Participou do centro acadêmico como vice-presidente da diretoria comandada por Adroaldo Campos. Na campanha eleitoral de Leandro Maciel, fundou o comitê estudantil e fica como presidente. “Era um udenista violento. Não vou negar a ninguém a vida inteira”. Fez discurso por toda cidade de Aracaju, viajou pelas cidades do interior e até chegou a levar até a fazenda do pai o candidato Leandro Maciel.

Dessa convivência, a promessa de que seria aproveitado foi cumprida por Leandro com a vitória da UDN. Treze dias depois que o novo governador assumiu o governo, estava nomeado promotor-substituto da cidade de Nossa Senhora das Dores.

Já estava terminando o terceiro ano quando foi nomeado. Revela que até antes de o governador assumir o poder, não existiam critérios para a nomeação de promotores-substitutos e muitos deles eram comerciantes, políticos, fazendeiros, pessoas ligadas à comunidade, porém sem nenhuma ligação com a área jurídica.

Leandro, segundo Aloisio, acabou com esse processo de escolha e passou a aproveitar o estudante de Direito. Aloísio e Epaminondas – hoje, desembargador – foram os dois primeiros promotores-substitutos nomeados em Sergipe.

Logo depois de mim, foram Jorge Mesquita, Alencar, Adroaldo Campos. Porque todos nós participávamos da campanha de Leandro Maciel. Tenho a satisfação de dizer isso, e dizer como reconhecimento e gratidão ao meu passado.

Formado em Direito, nunca exerceu advocacia. Ao término do curso, pela abertura de concurso para juiz, se inscreveu e foi aprovado. Nomeado para Dores, passou dez anos, chegando ao total de 12 anos de trabalho naquela cidade. Trabalhou em Riachuelo por um ano por pedido de remoção. Promovido para a Comarca de Lagarto, atuou como juiz por dois anos. Desse tempo, sente-se feliz em recordar o prêmio que recebeu do Boletim do Nordeste – órgão noticioso da área jurídica na região – como Melhor Juiz Cívil do Nordeste, outorgando-lhe a Medalha do Mérito Judicial.

Em Aracaju, como juiz da Vara Civil, passou dez anos. Também, teve seu trabalho reconhecido pela Ordem dos Advogados, que lhe concedeu voto de louvor pelo desempenho na Terceira Vara da Comarca de Aracaju. Os Diários Associados, através do Diário de Aracaju, colocou Aloísio como o uiz do ano de 1972.

Confessa que nunca teve volúpia para chegar ao Tribunal de Justiça como desembargador. Tinha conhecimento que existia muita gente à sua frente e, por isso, não tinha nenhuma preocupação. Com morte de Mário Lobão em acidente, com a aposentadoria de Lauro Pacheco para ser secretário de Segurança Pública e com a aposentadoria de Luiz Garcez, tomou posse.

O Dr. Luiz Garcez resolveu, muito jovem, se aposentar. Minha vaga veio em decorrência da aposentadoria precoce de Luiz Garcez. Desencantou-se do Tribunal, resolveu cuidar do seu patrimônio – um homem rico. Como preferiu cuidar de suas fazendas, abriu a minha vaga.

No Tribunal, exerceu a Corregedoria-Geral de Justiça e chegou a exercer a presidência. Dessa passagem, relata que inaugurou alguns fóruns e abriu espaço para a Informática, sendo o responsável por sua implantação no Tribunal de Justiça. Chama atenção que, desde a presença do desembargador Alencar, todos os desembargadores que passaram pela presidência do Tribunal de Justiça fizeram relevantes obras dando uma nova feição do Poder Judiciário em nosso Estado.

Agora, a desembargadora Clara bateu o recorde. Foi quem mais trabalhou. Por sinal, ela inaugurou na sexta-feira, o Fórum de Aracaju. Foi uma inspiração minha. Fui eu que consegui o terreno e fiz o projeto. Graças a Deus, a Dra. Clara fez a execução da obra. Quando ela assumiu o Tribunal já pegou o terreno e o projeto pagos. Ela teve determinação e executou a obra.

Da sua volta ao comando do Tribunal como vice-presidente ao lado do desembargador Epaminondas Silva de Andrade Lima, tem toda satisfação, justamente por trabalhar com um colega, nomeando no mesmo tempo em que ele foi nomeado como promotor-substituto. “É um rapaz altamente competente e criterioso. Eu acredito muito na sua administração”. No Tribunal Eleitoral, passou por dois biênios como juiz e mais dois anos, 95/ 96, como presidente.

Sente-se realizado por ter conseguido, no seu Estado, elevados cargos.

Considero que as coisas me chegaram por obstinação. Dentro de meio século, dois desembargadores exerceram o Governo do Estado. Tive no governo do Estado por duas vezes. A primeira, por 17 dias e, a segunda, por sete dias. De qualquer maneira, foi registrado. Fui um plantonista, mas fui um plantonista que marquei minha presença no governo de Sergipe, no exercício pleno. A história está aí para dizer.

Casou com Maria Isabel Santana de Abreu, promotora da Infância e da Juventude e desse casamento quatro filhos: Alba Germana Santana de Abreu, psicóloga; Marlon Sérgio, engenheiro e bacharel, exerce hoje a função de tabelião-registrador; Ricardo Múcio, presidente do Tribunal do Júri; e Aloísio de Abreu Filho, engenheiro e empresário. É avô de nove netos.

Texto e imagem reproduzidos do site: jornaldacidade.net/osmario-leitura

Postagem originária do Facebook/GrupoMTéSERGIPE, de 21 de fevereiro de 2016.

Orlando Vieira



Orlando Vieira viveu em sergipe na sua infância, natural de Capela - SE. Deu início a sua trajetória de ator no Teatro de belas Artes em Recife.

Consagrado pelas participaçoes em cinema, teatro e televisão, Orlando Vieira se apresenta como icone das artes cênicas de Sergipe.

Texto e imagem reproduzidos do site: abdse.org.br

Postagem originária do Facebook/GrupoMTéSERGIPE, de 21 de fevereiro de 2016.

Homenagem a 'Rainha do Forró' Clemilda (1936 - 2014)





Homenagem a 'Rainha do Forró' Clemilda (1936 - 2014).

(...) Apesar de alagoana, a forrozeira que é considerada 'Rainha do Forró' se consagrou como um dos maiores ícones da música sergipana com 50 anos de carreira, gravação de 40 discos e seis CDs. Ela tem dois discos de ouro e dois de platina.

Em 1985, Clemilda ficou conhecida nacionalmente após o sucesso ‘Prenda o Tadeu’. Nesse mesmo ano ganhou o primeiro Disco de Ouro e em 1987, e o segundo prêmio veio com o LP ‘Forró Cheiroso’, mais conhecido como ‘Talco no Salão’.

Nascida em 1936 no interior de Alagoas, Clemilda foi para o Rio de Janeiro aos 20 anos de idade e lá começou a frequentar programas de rádio, o que despertou o interesse dela pela música. O timbre inconfundível lembra a voz do nordestino nas cantorias populares.

Em 1965 a forrozeira conseguiu espaço para cantar em um programa de rádio onde conheceu Gerson Filho, tocador de fole de oito baixos e também alagoano, com quem se casou e teve dois filhos, que lhe deram cinco netos. Clemilda fez shows por várias partes do país, mas ao ver em Sergipe o sucesso do disco ‘Rodêro Novo’ ela acabou fixando moradia no estado.

Clemilda fez várias participações em discos do marido, mas somente em 1967 lançou carreira solo e se consolidou como ícone da música nordestina. Ela participou ainda de vários programas da Rede Globo como o Cassino do Chacrinha e apresentou por mais de 35 anos o programa Forró no Asfalto em uma rádio pública de Aracaju.

Fonte: Marina Fontenele
e Joelma Gonçalves
Do G1 SE.

Fotos reproduzidas do site: aquiacola.net

Postagem originária do Facebook/GrupoMTéSERGIPE, de 21 de fevereiro de 2016.

Clodoaldo de Alencar Filho



Clodoaldo de Alencar Filho

Devemos ao Prof. Clodoaldo de Alencar Filho, o nosso Alencarzinho, não somente a introdução da ação cultural em programas institucionais do poder público, em Sergipe, como também a criação de projetos pioneiros na área, num tempo em que destinar recursos públicos para a Cultura era uma novidade administrativa com pouco crédito entre os administradores locais.

Na gestão do prefeito Godofredo Diniz , Alencar convenceu o prefeito a mandar construir a nossa primeira Galeria de Artes oficial, a Álvaro Santos, liderando um grupo de artistas locais onde estavam, entre outros, os pintores Otaviano Canuto, Florival Santos e Leonardo Alencar, além do arquiteto Rubens Chaves.

Depois, na administração Aloísio de Campos -1976 a 1980- incentivou a criação e foi o primeiro diretor do Departamento de Cultura e Turismo municipal, que me parece ter sido a primeira instituição pública, em Sergipe, a cuidar, especificamente, desses assuntos.Nessa gestão a municipalidade construiiu o Bar Meu Refúgio onde o proprietário Gerson servia um inusitado cardápio de caças e carne de animais como giboias e tatús,oferta hoje condenadas pela correção, mas, naquele tempo, uma estripólia capaz de atrair turistas..

A Galeria Álvaro Santos tornou-se o espaço cultural mais prestigiado da cidade onde interagiam os artistas plásticos e a nata social potencialmente compradora, inaugurando o mercado de artes em Aracaju. Nos anos 1970/1980 era na Àlvaro Santos, também, onde se reuniam os resistentes à ditadura militar, uma espécie de aparelho boêmio onde se tramavam desde a queda do regime aos amores fortuitos que resultaram em casamentos, como o de Mario Jorge com Marinice e Joao Gama com Aparecida Gama, além de romances tórridos como o de Luiz Antonio Barreto com a bela Zènia que largou um senador pelo bardo Luiz e sua poesia revolucionária.

Na Universidade Federal de Sergipe, onde chegou a ocupar o cargo de Reitor,. Alencarzinho e a Madre Albertina criaram o Festival de Artes de São Cristóvão que ainda pode ser considerado o maior evento cultural realizado em Sergipe, algo grandioso para o amadurecimento da produção artística sergipana e cujos efeitos ainda influenciam a cultura local.

Pois bem! Este relato movido pela gratidão pessoal à atenção que sempre me prestou o Prof.Alencar, mantendo-me como um seu colaborador assalariado em vários cargos que ocupou, pode carecer de exatidão histórica e, certamente, não alcança a dimensão enorme do homenageado, mas poderá servir para que não nos esqueçamos dos seus feitos.

Amaral Cavalcante- 02/2016.

Postagem originária do Facebook/GrupoMTéSERGIPE, de 14 de fevereiro de 2016.

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2016

Sepultado o ex-governador de SE., Paulo Barreto Menezes



Fotos: Marcos Borges.


Publicado originalmente no site da PMA, em 15/02/2016.

Prefeito presta a última homenagem ao ex-governador de Sergipe Paulo Barreto Menezes

Faleceu, na segunda-feira, 15, aos 90 anos, o ex-governador do estado de Sergipe, Paulo Barreto Menezes. O corpo foi sepultado às 17h, no cemitério Colina da saudade, onde amigos, familiares e autoridades puderam prestar a última homenagem. Entre os homens públicos presente estava o Prefeito João Alves, que fez questão de prestar condolências aos familiares e amigos do ex-governador de Sergipe. Paulo Barreto Menezes estava internado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) onde se tratava de forte infecção nos pulmões, mas não resistiu.

O Prefeito João Alves afirma que Paulo Barreto foi um dos maiores e melhores homens públicos que já conheceu. “Um homem que primava pela dignidade, pela seriedade e pelo amor ao nosso estado. Ele fez uma grande obra enquanto governador e foi um excelente engenheiro. Eu fui estagiário dele no DER, quando eu estudava engenharia. Ele me deu a oportunidade de aprender muito, ele era um homem raro. Neste momento em que vemos a classe política se degradando, ele fica nas nossas memórias como um exemplo a ser seguido”, assevera o prefeito João Alves Filho.

Jorge Bonfim Menezes filho de Paulo Barreto Menezes estava bastante emocionado pela perda do pai,mas fez questão de lembrar que o seu pai sempre dizia que a base do ser humano era a família. “Meu pai sempre fazia questão de nos lembrar que a melhor coisa do mundo é a família e a segunda é ter amigos. Como homem público ele sempre teve grande preocupação com a coisa pública. Todos os políticos de Sergipe mereciam um homem como o meu pai. Nunca desde pequeno, nunca ouvi ninguém falar alguma coisa que manchasse a honra do meu pai. Sempre ouvi que ele era um homem do bem e que era um exemplo”, lembra.

Carlos Rodrigues, ex-secretário de justiça, diz que trabalhou durante quatro anos com Paulo Barreto e que, como homem público, ele tinha compromisso com o povo. “Homem que tinha a obrigação de subir as escadas do palácio para executar as obras do povo e principalmente para as classes mais necessitadas. Ele foi meu amigo, meu chefe e meu líder. Nessa hora de muita tristeza só posso deixar o meu abraço carinho para os seus familiares e amigos”, afirmou

História

Paulo Barreto Menezes ocupou diversos cargos públicos. Ele foi Diretor de Obras no governo de Lourival Baptista, sendo responsável por grandes construções. Dirigiu a antiga Escola Técnica Federal de Aracaju. Exerceu o cargo de governador do Estado de Sergipe, por eleição indireta, de 15 de março de 1971 a 15 de março de 1975.

Durante o seu mandato foi construída a Biblioteca Pública Epiphâneo Dórea, inaugurada no ano de 1974. Paulo Barreto foi homenageado com o seu nome na rodovia que liga a praia 13 de julho (em Aracaju) à Atalaia, também conhecida como avenida Beira Mar e num conjunto residencial na zona oeste da capital sergipana.

Texto e imagens reproduzidos do site: aracaju.se.gov.br

Postagem originária do Facebook/GrupoMTéSERGIPE, de 15 de fevereiro de 2016.

Morre o ex-governador de Sergipe, Paulo Barreto de Menezes



Publicado originalmente no site do Jornal da Cidade, em 15/02/2016.

Morre o ex-governador de Sergipe, Paulo Barreto de Menezes.

O corpo do ex-governador será sepultado às 17 horas desta segunda, no cemitério Colina da Saúde, em Aracaju.

Por: JornaldaCidade.Net

Morreu na manhã desta segunda-feira (15), o ex-governador de Sergipe, Paulo Barreto de Menezes, aos 90 anos.

Segundo o filho, Jorge Bomfim, ele estava internado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) de um hospital particular da capital sergipana, onde realizava o tratamento de uma infecção pulmonar, mas não resistiu a uma parada cardíaca e faleceu por voltada das 10h.

Ainda de acordo com o filho do ex-governador, o velório deve ser iniciado por voltada das 13h30, no Cemitério Colina da Saudade, em Aracaju, onde o sepultamento está previsto para acontecer a partir das 17h.

Natural do município de Riachuelo, Paulo Barreto de Menezes nasceu no dia 9 de outubro de 1.925 e foi governador de Sergipe de 15 de março de 1971 a 15 de março de 1975. Ele dirigiu a antiga Escola Técnica Federal - CEFET - e ocupou a Direção de Obras no governo Lourival Baptista. Durante o seu mandato foi construída a Biblioteca Pública Epiphâneo Dórea, inaugurada no ano de 1974.

Texto reproduzido do site: jornaldacidade.net

Postagem originária do Facebook/GrupoMTéSERGIPE, de 15 de fevereiro de 2016.

Ranulpho Prata

Personalidade Lagartense, 4 de abril de 2011.

Ranulpho Prata.
Por Rusel Barroso.

Médico, jornalista, romancista e autor de contos literários, nasceu em Lagarto (SE), em 4 de maio de 1896, e faleceu em Santos (SP), em 24 de dezembro 1942.

Iniciou seus estudos em Sergipe e transferiu-se para Bahia, onde concluiu o curso secundário e ingressou na Faculdade de Medicina de Salvador, vindo a se formar em 1920, no Rio de Janeiro, pela Faculdade de Medicina da Universidade do Rio de Janeiro. Clinicou em Aracaju, onde organizou um gabinete radiológico, no governo de Graccho Cardoso.

Sua paixão pelas letras deu-se a partir de experiências vividas em consultório médico com seus pacientes, cujos impulsos causados por lágrimas e sofrimentos inspiraram seus romances e contos admiráveis.

Ranulpho Hora Prata casou-se com a Prof.ª Maria da Gloria Brandão Prata. O filho Paulo nasceu em Mirassol, SP, em 28 de janeiro de 1924, herdeiro do perfil humanístico do pai, marcante em sua formação e em sua vida. Dois meses depois, mudavam-se para Santos, no litoral paulista, onde fixaram residência. Em 1927, Dr. Ranulpho inscreveu-se no corpo clínico da Santa Casa da Misericórdia de Santos, ficando encarregado pelo Gabinete de Raios X e Eletricidade Médica. Além de pioneiro na incipiente radiologia brasileira, ficou também conhecido pelos seus romances “O triunfo” (1918), “Dentro da vida” (1922), “O lírio na torrente” (1925) e “Navios iluminados” (1937), além dos contos “A longa estrada” (1925) e um estudo sobre Lampião (1934). Retratando a vida na comunidade portuária santista em sua época, “Navios Iluminados” é uma importante contribuição à literatura social, objeto de pesquisas acadêmicas. Seu vocabulário real e expressivo foi responsável por suas grandes obras, que marcaram a impetuosidade de seus trabalhos literários e que lhe rendera boas amizades, a exemplo do laço fraterno que mantinha por Lima Barreto, seu amigo inseparável na literatura.

Em breve descrição, traçada na coletânea de cartas de Lima Barreto, lê-se que Ranulpho Prata “formou entre os melhores amigos do romancista, na última fase da sua vida”. Em setembro de 1918, Lima Barreto registraria como haviam se conhecido. Ranulpho Prata o procurara com um exemplar de seu primeiro romance, O triunfo, lançado naquele mesmo ano.

Lima Barreto se referiu ao episódio na primeira frase da crítica ao livro, publicada em 28 de setembro, no periódico ABC: “O senhor Ranulfo [sic] Prata teve a bondade e a gentileza de me oferecer um exemplar de seu livro de estreia – O Triunfo”. Em 1940, dois anos antes de morrer, na véspera do Natal de 24 de dezembro de 1942, em depoimento a Silveira Peixoto, Ranulpho Prata fala do início daquela amizade:

“Lima Barreto elogiou o livrinho e foi visitar-me no Hospital do Exército, onde eu era interno. A visita desse mulato genial deu-me grande alegria. Sentados num dos bancos do jardim, o Lima, meio tocado, como sempre, mas perfeitamente lúcido, claro, brilhante mesmo, queria saber com segurança se a Angelina do romance era realmente bonita como eu a pintara. Todos os ficcionistas, dizia-me ele, com ironia, têm a mania de fazer belas as raparigas das cidades pequenas. Nos lugarejos por onde eu andara nunca vira nenhuma… Eram todas feias, grosseiras, desalinhadas… E eu garanti que a minha Angelina era, positivamente, encantadora, capaz de virar cabeças sólidas de gente de grandes cidades.”

Ranulpho Prata publicou: O triunfo, 1918; Dentro da vida, 1922; O lírio na torrente, 1925; A longa estrada (contos), 1925. No ano seguinte, lançou Renascença das letras na França. Em 1933, voltou a escrever e publicou Sofrimento, seguido de Lampião (1934) e Navios iluminados (1937).

Texto e imagem reproduzidos do site: lagartonet.com

Postagem originária do Facebook/GrupoMTéSERGIPE, de 15 de fevereiro de 2016.

terça-feira, 16 de fevereiro de 2016

Félix Mendes completaria hoje 72 anos de idade (14/02/2016)





Publicado originalmente no Facebook/Luduvice José, em 14/02/2016.

Félix Mendes completaria hoje 72 anos de idade.  
Por Luduvice José.

Madrugada de 13 de abril de 2013. O toque monocórdico do telefone fixo percorreu a sala da minha casa, chegando-me até o quarto onde ainda dormia. Despertou-me causando apreensão pelo inusitado da hora, por ser um sábado, quando geralmente as pessoas esticam no leito um pouco mais.

Atendi e do outro lado a voz chorosa de Mirabel Mendes Rodrigues foi direta: - Félix fez a passagem. Traduzindo, Félix Mendes, meu amigo/irmão desencarnara, ou como comumente dizem, falecera.
Não soube o que dizer. Pois ficava entre o desenlace de uma pessoa querida, amiga, sincera, séria, objetiva, corretíssima, ou com a situação aflitiva de sua devotada irmã me informando sobre o óbito.

Decodifiquei o fato e me encontrei com o inevitável e já previsível: o Félix ter deixado de viver do lado de cá, com pouco mais de um ano num leito, após ser necessário o internamento hospitalar em razão de cuidados especializados em função de ser portador de Esclerose Lateral Amiotrófica, detectada no Rio de Janeiro, onde dividia residência em Copacabana com a querida irmã. A sua vinda a Aracaju foi pedido dele à irmã, acrescentando que desejaria ser sepultado na capital sergipana.

Hoje, 14 de fevereiro de 2016, Félix Mendes, caso estivesse nesta dimensão, completaria 72 anos de idade. Trata-se de um artista plástico consagrado, nascido em Estância, Sergipe, que muito fez pelas artes plásticas sergipanas na razão direta que valorizava o próprio trabalho, tendo realizado exposições no eixo Rio-São Paulo e em alguns países da América do Sul, sempre com boa cobertura da mídia. Notabilizou-se como o primeiro sergipano a divulgar nacionalmente os Festejos Juninos de Estância, tendo promovido no bairro de Copacabana uma amostragem do Barco de Fogo e da Guerra de Espadas, merecendo divulgação plena em todas as redes de jornais, rádio e televisão, tornando-se desta forma o pioneiro em colocar Sergipe em destacada posição, com reflexos para o turismo sergipano. Na oportunidade, Félix Mendes exercia o cargo de Secretário Municipal de Cultura de Estância, sua terra natal, durante a primeira administração do Prefeito Carlos Magno, tendo destacada atuação em torna Estância destaque nos Festejos juninos de Sergipe, atuando fortemente na preservação dos grupos folclóricos estancianos.

Como artista plástico se caracterizou como Naif (também conhecido como primitivo). Todavia um Naif consciente, pois revelava conhecimento de composição, perspectiva, luz, incluindo domínio tonal, fugindo da característica fauve (uso de cores diretamente do tubo, sem misturas de matizes), tendo deixado um legado de murais em agências do Banco do Nordeste do Brasil em algumas capitais brasileiras, incluindo Aracaju, além de ter telas suas espalhadas por diversos países, onde mereceram considerações críticas elogiosas.

Esta é minha homenagem singela a um grande amigo esperando que Sergipe faça justiça a quem muto dedicou sua vida honrando este Estado como ativista estudantil, como artista plástico, como incentivador do folclore e como cidadão probo e respeitado por posições em defesa da liberdade em todos os níveis.

Muitos artistas sergipanos ligados à música junina, o reverenciam enfaticamente pelo apoio, pois foi o idealizador e Promotor do Forrozão da Rua de Siriri, evento público e aberto, que contou com diversas edições, sempre no mês de julho, que representava tornar a música junina autêntica, mais apreciada e executada pelas emissoras de rádio, como se fosse uma espécie de ressaca junina que reunia todos os anos milhares de pessoas durante alguns dias, na rua de Siriri, onde Félix Mantinha casa em Aracaju.

Parabéns meu amigo!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

Texto e imagens reproduzidos do Facebook/Luduvice José.

Postagem originária do Facebook/GrupoMTéSERGIPE, de 14 de fevereiro de 2016.