sábado, 8 de junho de 2013

Antônio Tavares



Postagem reproduzida do site Artesanatos de Sergipe.

Antônio Tavares

O que era para ser tempo livre virou obra de arte na vida de Antônio Tavares dos Santos, professor da rede estadual. Nascido em Aquidabã, interior de Sergipe, Antônio descobriu um dom nato para esculpir em madeira por volta dos 16 anos, quando fez parte de um curso de escultura. A venda de seus primeiros trabalhos deu confiança ao artista que lançou sua primeira exposição individual 2 anos depois.

As obras de Antônio têm como temática a arte sacra. Apesar da dificuldade em inovar imagens conhecidas como a de São Francisco, o artista busca sempre diferenciar suas peças através de pequenos detalhes. Esculpidas em cedro e amburana, as obras de Antônio já têm marcas registradas e são conhecidas em todo o país. Alguns de seus trabalhos podem ser vistos no Museu do Folclore do Rio de Janeiro. Em Aracaju, Antônio disponibiliza suas peças para venda na Galeria J. Inácio.

Hoje, aos 51 anos, é ainda com satisfação e prazer que Antônio faz suas esculturas. Mas o artista é categórico ao afirmar que dom e aperfeiçoamento andam juntos e, por isso, deseja ter mais tempo livre para evoluir suas criações. Apesar de ser conhecido como “Santeiro”, as obras de Antônio não são nenhum milagre. Elas são o resultado do talento e da dedicação de um homem à sua arte.

Fotos e texto reproduzidos do site: artesanatosdesergipe.com.br

Postagem originária da página do Facebook/MTéSERGIPE, em 7 de junho de 2013.

Beto Pezão



Publicado por Artesanatos de Sergipe

Beto Pezão

O nome curioso explica: pés gigantes são a marca registrada das esculturas do artista sergipano. Filho ilustre do município Santana do São Francisco, José Roberto Freitas nasceu em 1952 e morou na cidade natal até os 19 anos, quando se mudou para Aracaju.

Tendo crescido sob a influência artística do pai, que realizava diversas obras em argila, Beto Pezão já fazia suas primeiras peças com 6 anos de idade. Mas o estilo que deu origem ao seu nome surgiu anos mais tarde, em 1972, a partir de um imprevisto: a falta de equilíbrio das esculturas. A solução veio em um novo formato para os pés, maiores e desproporcionais ao corpo, mas ideais para manterem a escultura firme. A ideia foi logo rejeitada pelo seu pai, mas não demorou muito a ser aceita pelas pessoas e divulgada pela mídia como uma verdadeira obra de arte.

Com o seu trabalho, Beto Pezão busca representar figuras típicas da região Nordeste. Os sertanejos, os pescadores e os lavradores de argila expressam na tristeza dos seus rostos as adversidades da vida agreste. Segurando arados ou carregando cabaças, os pés enormes estão presentes em todas as situações, inclusive em algumas imagens sacras.

Traços fortes e detalhes marcantes. Não é à toa que as obras de Beto adquiriram fãs em todo o país. Um deles desenvolveu um curta-metragem de animação tendo como personagem principal o sertanejo de pés grandes. Mas a arte inigualável de Beto Pezão obtém repercussão não somente a nível nacional como também internacional. Sua primeira exposição no exterior foi a convite da Universidade Católica do Chile, país onde retornou para expor outras 5 vezes. Suas obras também são admiradas em Portugal. Mas, e as críticas? “Não me preocupam. Elas me ajudam a fazer um trabalho melhor”, afirma o artista.

Além de desenvolver peças sob encomenda, Beto Pezão vende obras em seu próprio ateliê, no bairro 18 do Forte, e na galeria J. Inácio, ambos localizados em Aracaju. Humilde, Beto não se vê como um ícone da cultura sergipana. Entretanto, o artista não consegue esconder a satisfação e a alegria por ter sua obra reconhecida: “o que é gratificante pra mim é apreciarem o meu trabalho”. Difícil não apreciar a originalidade de Beto Pezão. Sua arte se resume não somente ao grande tamanho dos pés mas também à grande beleza de suas famosas esculturas.

Fotos e texto reproduzidos do site: artesanatosdesergipe.com.br

Postagem originária da página do Facebook/MTéSERGIPE, em 7 de junho de 1013.

José Martins Ribeiro Nunes, o Zé Peixe (1927 - 2012)

José Martins Ribeiro Nunes, o Zé Peixe (1927 - 2012)

"José Martins Ribeiro Nunes, mais conhecido como Zé Peixe, nascido em Aracaju em 5 de janeiro de 1927, foi um prático brasileiro que se tornou uma figura lendária no estado devido ao seu modo incomum de exercer sua atividade. Foi agraciado com diversos prêmios e homenagens, e é lembrado como um dos sergipanos mais notórios de todos os tempos. Por muitos anos, Zé Peixe atuou como prático, conduzindo embarcações que entravam e saíam de Aracaju pelo Rio Sergipe. O inusitado, em sua tarefa, se devia ao fato de não necessitar de embarcação de apoio para transportá-lo até o navio". (Fonte: ASN).

“Um sergipano ilustre, um filho do povo. O amor pela natureza, a coragem pessoal, e paixão pelo mar marcaram a sua biografia. Todo o desenvolvimento de Sergipe, especialmente aquele trazido pela Petrobras, teve a participação de Zé Peixe. Era um grande prático do Porto de Sergipe. Era, talvez, o único prático que sabia, naquela época, conduzir os barcos da Petrobras, os navios e outras embarcações que adentravam o rio Sergipe”. (Governador Marcelo Deda).

Foto e texto reproduzidos do blog: falandonalata1.wordpress.com

Postagem originária da página do Facebook/MTéSERGIPE, em 7 de junho de 2013.

quinta-feira, 6 de junho de 2013

O Aparelho de Jenny


(Hoje nos despedimos de D, Jenny, mãe de Ilma Fontes, Esta crônica é pra ela).

O aparelho de Jenny

Pode-se dizer que ao golpe militar, nos anos 60, pegou-nos de calças na mão.
Era mesmo um jeans surrado, arrochado pelo cintão de couro cru com reluzente fivela que fardava os resistentes de então. Metidos nele e sobre tenros mocassins de pelica, marchávamos, pra cima e pra baixo, nesta Aracaju, a subverter a ordem unida dos milicos. Tratava-se de contrapor à burrice dos opressores a sabedoria dos nossos poetas, a ironia das nossas músicas, a arte que se derramava dos nossos mochilões pelas ruas. Formávamos então uma brigada psicodélica, temerosamente capaz de tudo no front da contravenção: eles que viessem nos impor urutus, ora, cabia-nos resistir com flores na cueca e perigosos argumentos.
Tinham-nos como explosivos e letais, os artistas.

Filhos de pais temerosos, um bando de desassombrados: Ilma Fontes, Marcos Mutti, Mara Lopes, Mário Jorge, Luiz Adelmo, Barrinhos, Joubert, Lu Spinelli, Zelita Correia, Alfredinho da Oxente, Augusto do 315, Augustinho Bezerra, Marinice, Alcides Melo, e mais meio mundo de gente cheia de atitude.

Mas tinha os poréns: onde se achar, onde comer, onde se reunir?
Quem iria quereer aquele bando de desgrenhados emporcalhando o sofá? Qual mãe zelosa vendo-nos cabeludos, unhas por fazer, suvaqueiras infames empestando o recinto, não empunharia a vassoura de piaçava e, como quem enxotasse sapos da varanda, “vade retro?”.

Pois era na casa de dona Jenny, mãe de Ilma Fontes, o nosso providencial aparelho. Mesa farta, sergipana, o belo cuscuz guarnecido - ora jabá, ora ovo estrelado em manteiga da terra - pra começar. O pão tostado na chapa, os biscoitinhos de fubá desmanchando na boca e a alva macaxeira com fiapos de lombo! Comer tão bem nos incitava à subversão, tramada sempre para depois do rango, que ninguém é de ferro!
Eu mesmo tinha sempre uma brilhante idéia para expor, providencialmente às oito horas da manhã ou senão às seis da tarde. À mesa, colherinha em riste, a fome derretendo impropérios sobre as rodelas de inhame, eu era o mais feroz cativista ... aliás, o mais bem servido comensal..

A casa de Dona Jenny, elegante modista de habilidades reconhecidas, assentava-se numa pedra de retidão: seu Aderbal, o marido, alto funcionário público federal , diretor vitalício (pensávamos) da Sunab, cuja retidão sempre nos impressionava, principalmente durante a Semana Santa, quando, invariavelmente, ele anunciava - respeitável e circunspeto nos noticiários da TV que não faltaria peixe de jeito nenhum, e que o preço do pescado seria controlado pela sua indiscutível autoridade. A moqueca estava salva!

Havia nele, dentro da casa que Jenny nos abria com o carinhoso humor de sergipana nata, Seu Aderbal, com sua autoridade bondosa e um pacífico desinteresse pelas novidades que infestavam o seu sofá. Era o mundo carburando ao lado e ele lá, com seus livros e seus jornais, poderosamente indiferente.

D. Jenny, sua amada e benfeitora dos nossos ideais, que se encarregasse de acolitar os sonhos libertários dos amigos da filha Ilma - criatura revolucionária, de predicados intelectuais que ainda agora inspira gerações.

Algum historiador, com maior fôlego que eu, que aborde com mais propriedade esses tempos e coloque o Aparelho de Jenny no merecido lugar que a História lhe deve.

Amaral Cavalcante.

Postagem originária da página do Facebook/MTéSERGIPE, em 5 de junho de 2013.

Projeto resgata memória dos 142 anos da Escola Normal




Publicado por virgulaonline.com, em 23 de Julho de 2012.

Projeto resgata memória dos 142 anos da Escola Normal.

Ação é desenvolvida pelo Governo de Sergipe, através da Secretaria de Estado da Educação (Seed), em parceria com a Universidade Tiradentes (Unit)

A Escola Normal foi fundada em 2 de fevereiro de 1874, oferecendo vagas somente para homens. As mulheres foram contempladas com as vagas a partir de 1877
Os 142 anos de história do Curso Normal de Sergipe serão digitalizados. O projeto “Memorial do Ierb: ação de preservação da memória da história escolar” é o responsável pela catalogação e digitalização de todo o acervo do curso, que funciona atualmente no Instituto de Educação Rui Barbosa. A ação é do Governo de Sergipe, através da Secretaria de Estado da Educação (Seed), em parceria com a Universidade Tiradentes (Unit).

De acordo com o secretário de Estado da Educação, Belivaldo Chagas, essa ação irá preservar o patrimônio e a história da educação pública sergipana. “Também vai facilitar o acesso à informação, que é de extrema relevância para a pesquisa e para o entendimento da história da educação em Sergipe”, afirmou.

Uma das coordenadoras do projeto, professora Kátia Carmo, explicou que atualmente estão sendo feitas a limpeza e a catalogação dos documentos. Após essa etapa, o acervo será digitalizado. “Como os documentos estavam muito deteriorados, transferimos todo o material para uma sala arejada e estamos fazendo a higienização, para depois elaborarmos um catálogo completo do acervo e fazer sua digitalização. O acervo remonta à história da educação em Sergipe e será um presente para os educadores e toda a sociedade”, disse a professora.

Por essa razão, a professora Cristiane Santana Lima, coordenadora do projeto pela Unit, não pensou duas vezes em se engajar nesse trabalho. “A Unit se preocupa muito com a memória do nosso estado, então abraçamos essa ideia e criamos um projeto de extensão com alunos bolsistas do curso de história”, explicou.

Com a participação desses alunos ela disse que vai poder fazer um trabalho mais ágil e eficiente. “Queremos deixar para gerações futuras a história do curso normal, que foi criado em 1870”, declarou a professora.

A professora Edwilma Araújo dos Santos, diretora do Ierb, relatou a importância dessa ação para o estado de Sergipe. “Esse projeto irá preservar a história da formação de professores no nosso estado e criar um memorial do curso normal e o museu do professor, salvaguardando móveis antigos, documentos e outras peças do acervo do Ierb”, revelou a diretora.

A coordenadora do projeto e professora, Kátia Carmo

Etapas do trabalho

Fazem parte também da coordenação do projeto as professoras Silvânia Santana Costa e Patrícia Francisca Matos Santos. A professora Patrícia informou que os trabalhos estão em fase de limpeza seca da documentação, organização e catalogação, empacotamento e elaboração do catálogo completo do acervo. “Após essa etapa, o acervo será totalmente digitalizado e serão criados o memorial do Instituto de Educação Ruy Barbosa e o museu do professor em Sergipe”, informou a professora.

Por isso, a estudante do curso de história e estagiária do projeto, Maria dos Prazeres Nunes, está empenhada em seu trabalho e honrada por contribuir para eternizar o acervo do IERB. “É um trabalho muito prazeroso que não deixa cair no esquecimento a história do curso normal e do Instituto de Educação Rui Barbosa. Fico feliz em fazer minha parte e dar minha contribuição”, afirmou a estagiária.

O Ierb

O curso normal foi criado em 1870, pelo presidente da província de Sergipe, Francisco Cardoso Júnior. Nesta época as aulas aconteciam no Colégio Atheneu Sergipense. A Escola Normal foi fundada em 2 de fevereiro de 1874, oferecendo vagas somente para homens. As mulheres foram contempladas com as vagas a partir de 1877. No ano de 1923 a escola recebeu a denominação de Escola Normal Ruy Barbosa, e somente em 1947 passou a ser denominada Instituto de Educação Ruy Barbosa. A escola funcionava no prédio onde hoje está instalado o Centro de Turismo.

Atualmente, o Ierb está com sua última turma do curso normal, composta por 236 alunos matriculados nos turnos da manhã e noite. O instituto irá funcionar com o curso profissionalizante técnico em secretaria escolar.

O curso normal foi criado em 1870, pelo presidente da província de Sergipe, Francisco Cardoso Júnior

Personalidades ilustres

Personalidades ilustres da sociedade sergipana lecionaram ou estudaram no Instituto de Educação Ruy Barbosa. Um exemplo é a professora Hermínia Caldas, presidente da Coordenação de Educação Moral e Cívica da Seed. “Ingressei no serviço público na escola normal onde lecionava latim, francês e português. O Ierb tem um valor inestimável para Sergipe, pois formou gerações de grandes professoras dedicadas a sua profissão e que contribuíram muito para a grandeza intelectual do nosso estado”, revelou a professora.

Para a professora Hermínia, a decisão do Governo de Sergipe de digitalizar o acervo da escola normal é fundamental para que as novas gerações possam conhecer a história da educação do estado, “possa pegar, tocar e perceber como a educação pública foi construída”.

Uma dessas profissionais que estudou no Ierb foi Maria Lígia Madureira Pina, escritora e membro da Academia Sergipana de Letras (ASL). Ela contou sua experiência como aluna e também como professora do Instituto. “Estudar na Escola Normal foi uma das experiências mais belas de minha vida. Era uma escola democrática que não discriminava ninguém e tinha um corpo docente brilhante. Acho uma ideia maravilhosa preservar o rico acervo da escola”, disse a professora.

Ela se emocionou ao dizer que também lecionou no Ierb e que de aluna passou a ser colega de grandes professores. “Foi o meu primeiro emprego público e pude reencontrar os meus mestres que passaram a ser meus colegas. O Ierb foi o grande celeiro da intelectualidade feminina sergipana. Lá estudaram a primeira médica, a primeira dentista e a primeira farmacêutica de Sergipe”, revelou a professora Lígia Pina.

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Foto 1 - A Escola Normal foi fundada em 2 de fevereiro de 1874, oferecendo vagas somente para homens. As mulheres foram contempladas com as vagas a partir de 1877.

Foto 2 - A coordenadora do projeto e professora, Kátia Carmo.

Foto 3 - O curso normal foi criado em 1870, pelo presidente da província de Sergipe, Francisco Cardoso Júnior
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Fotos e texto reproduzidos do site:

virgulaonline.com/portal/index.php/ultimas-noticias/projeto-resgata-memoria-dos-142-anos-da-escola-normal/

Postagem originária da página do Facebook/MTéSERGIPE, em 6 de junho de 2013.

Pedrito Barreto


Quem é Pedrito Barreto?

Pedrito Barreto, ou Pedro Barreto de Andrade Filho, nasceu no Rio de Janeiro. Ainda criança veio para Aracaju, onde iniciou seus estudos. Em 1964 começou sua vida profissional no IAPM. No ano seguinte, convidado pelo governador Celso de Carvalho, assumiu o cargo de Controlador de Verbas do Palácio “Olímpio Campos”. Foi nomeado para o DER-Se. Em 1967 assumiu a Assessoria de Comunicação Social do Departamento Municipal de Turismo. No ano seguinte iniciou as atividades jornalísticas, convidado para escrever no Diário de Aracaju – Órgão dos Diários e Emissoras Associados. Paralelamente, apresentava um programa na Rádio Jornal.
Em 1971 foi para o Rio de Janeiro, onde concluiu o curso de Direito nas Faculdades Integradas Estácio de Sá, porém trabalhando no Escritório do Estado de Sergipe. Voltou para Aracaju em 1978, quando foi enquadrado no cargo de Assessor Jurídico do DER-Se, ocupando também os cargos de Chefe do Serviço Contencioso, Chefe da Assessoria Jurídica e Secretário Geral. No mesmo ano voltou às atividades na imprensa sergipana, atuando na Gazeta de Sergipe, Jornal da Cidade e Jornal de Sergipe, retornando depois à Gazeta de Sergipe e, posteriormente, assinando páginas do suplemento dominical do Cinform. Também comandou um programa na TV Jornal. Além da vida jornalística, ele assumiu os cargos de diretor da Galeria de Arte “Álvaro Santos”, Chefe do Cerimonial do Palácio “Inácio Barbosa”, Assessor da Presidência do CDL-Aracaju e Chefe do Cerimonial do Palácio do Governo e Tribunal de Justiça. Ele é aposentado do DER-Se como Procurador Autárquico.
Nesses últimos anos de vida jornalística ele criou o Prêmio Pedrito Barreto, homenageando personalidades sergipanas. E durante toda sua vida vem recebendo inúmeras homenagens, como títulos de cidadania aracajuana e cidadania sergipana, além de comendas e placas do Exército Brasileiro, Prefeitura de Aracaju, Secretaria de Estado da Cultura, Marinha do Brasil, Polícia Militar e Governo do Estado de Sergipe, entre várias outras.

Foto e texto reproduzidos do site: pedritobarreto.com.br

Postagem originária da página do Facebook/MTéSERGIPE, em 26 de maio de 2013.

domingo, 2 de junho de 2013

"Momentos de Uma Vida"



"Momentos de Uma Vida"

Memorial do Poder Judiciário de Sergipe abre exposição comemorativa do centenário de Antônio Xavier de Assis Júnior.

Com o objetivo de resgatar a memória dos magistrados que fizeram a história do Tribunal de Justiça de Sergipe, o Memorial do Poder Judiciário prestou uma singela homenagem ao centenário de nascimento do Desembargador Antônio Xavier de Assis Júnior. A exposição "Momentos de uma vida", que mostra detalhes da trajetória do magistrado, foi inaugurada na noite desta terça-feira, 18 de outubro, no Palácio Sílvio Romero, com a presença de magistrados, autoridades e da sociedade sergipana.

Ilustram a exposição fotografias, livros, cartas pessoais, documentos, diplomas e medalhas, como a Medalha de Mérito da Associação dos Magistrados de Sergipe - AMASE - e a Medalha de Ordem do Mérito Serigy - a mais alta condecoração do município de Aracaju, que leva o nome de um dos principais caciques da história sergipana. Emprestados pela família do desembargador, tais objetos buscam delinear alguns momentos importantes de sua vida.

Durante a abertura, o presidente do TJSE, José Alves Neto, sublinhou a importância de ações que estimem os feitos daqueles que serviram à sociedade sergipana. "O Poder Judiciário sergipano sente-se honrado em prestar essa homenagem ao saudoso magistrado e está de parabéns ao preservar, através do seu Memorial, a memória e o legado de tão importante indivíduo. São exposições como essa que permitem às novas gerações de sergipanos conhecer um pouco da sua história e dos seus brilhantes partícipes".

Emocionados, os familiares de Antônio Xavier de Assis Júnior agradeceram o tributo prestado pelo Poder Judiciário. "Recebemos essa homenagem com muito carinho. Papai dedicou mais tempo da vida à magistratura do que a qualquer outra coisa, foi algo que ele exerceu com verdadeiro amor, paixão e integridade. Nós só podemos ficar felizes e esperar que as novas gerações sigam esse exemplo", comentou o filho Carlos Pinna de Assis, conselheiro do Tribunal de Contas do Estado. O neto Carlos Pinna de Assis Júnior acrescenta: "O cultivo da memória daqueles que contribuíram, de certa forma, para o desenvolvimento do Estado, é algo que deve sempre ser motivo de elogios. Temos a certeza de que ele está feliz em ver a Casa onde ele tanto se dedicou, estar fortalecida e cultivando sua memória na data de hoje".

Para o curador da exposição, Rafael Santa Rosa Cerqueira, um dos objetivos do Memorial é resgatar a memória do Poder Judiciário, através de exposições sobre magistrados. "Eu diria que o Desembargador Antônio Xavier de Assis Júnior foi um magistrado de grandes feitos que galgou cada cargo. Então ele foi Desembargador, Corregedor, Presidente do Tribunal de Justiça, e na sua gestão como presidente entregou à sociedade, o Palácio Tobias Barreto". Para comemorar a exposição, o Memorial está distribuindo um DVD que traz dados relativos à vida familiar e profissional do magistrado, bem como fotos, informações sobre sua atuação na Maçonaria, discursos e dados sobre a construção do Palácio Tobias Barreto. Durante a exposição, o DVD será distribuído a todos os visitantes e estará disponível para reserva.

Trajetória

Antônio Xavier de Assis Júnior nasceu em 16 de fevereiro de 1911, na cidade de Aracaju. Em 1945, bacharelou-se em Ciências Jurídicas e Sociais pela Faculdade de Direito do Rio de Janeiro. Foi Pretor Substituto de Siriri e Rosário do Catete, Secretário Substituto do Tribunal de Relação, Juiz de Direito de São Cristóvão, Juiz de Direito da 1ª Vara Cível da Capital e da 4ª Vara Cível, da mesma cidade, professor na Faculdade de Ciências Econômicas de Sergipe e, como Desembargador, ocupou os cargos de Corregedor, Vice-Presidente e duas vezes Presidente do Tribunal de Justiça de Sergipe. Marcou sua gestão a construção do Palácio Tobias Barreto, atual sede do TJSE.

Fotos e texto reproduzidos do site: tjse.jus.br/memorial/exposicoes

Fotos: Francisco Moreira.

Postagem originária da página do Facebook/MTéSERGIPE, em 2 de Junho de 2013.

Memórias de um Ginásio de Ouro


Publicado pelo Portal Infonet em 09/05/2013.

Professora lança livro sobre o Colégio de Aplicação
O lançamento ocorreu no dia 9 de maio de 2013, no hall da reitoria da UFS.

Livro: "Memórias de um Ginásio de Ouro" da professora Martha Suzana Cabral Nunes.

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"(...) O livro é o resultado de dois anos [entre 2006 e 2008] de pesquisa de mestrado da professora e busca resgatar a história da instituição ao analisar as origens e a consolidação do Ginásio de Aplicação, atual Colégio de Aplicação (Codap) que completa 54 anos de existência em 2013. O estudo compreende a história da instituição que vai dos anos de 1959 até 1968, enfatizando a criação do colégio até o momento em que ele passa a pertencer a Universidade Federal.

O título "Memórias de um Ginásio de Ouro" surgiu após a conversa da escritora com pessoas que vivenciaram o período ao qual eles definem como 'de ouro’. “Eu enquanto aluna do colégio eu tinha sempre um depoimento de alguém que dizia que o colégio de aplicação sempre foi um colégio de ouro e dessa forma ficou marcado em mim. Ao fazer a investigação e esses depoimento que eu ouvia, me fez buscar conhecer um pouco mais desse período e me fez fazer o resgate da história, com fontes variadas e daí surgiu o título”, informa.

A obra é destinada a pesquisadores, historiadores, educadores e aos próprios alunos que estudam atualmente na instituição e que tem interesse em conhecer a memória do Colégio de Aplicação no período de 59 a 68. “O livro é interessante por trazer a tona uma história que muitas vezes a pessoa desconhece, por outro lado, para quem faz pesquisa na história da educação é sempre bom ter esse tipo de referências, voltadas para estudos nessa formação de pesquisa. O ginásio teve uma serie de atividades desenvolvidas que estimulavam os alunos e que culminaram com essa percepção das pessoas que vivenciaram aquela época e afirmam ser uma época áurea”, diz.

Um fato marcante e curioso narrado pela escritora Martha Suzana foi a descoberta da existência da criação da Academia de Letras de Jovens Escritores que contou com a participação de alunos do Colégio de Aplicação. “Foi a partir de encontros de alunos que foi criado a Academia de Jovens Escritores. Isso foi um dos grandes achados da pesquisa. A gente não encontrou registros da academia em si, nem documentos, mas tanto nos depoimentos quanto no jornal ‘A Cruzada’ a gente descobriu que ela existiu, os alunos foram empossados numa solenidade pomposa, com a presença de autoridades da época e da figura de Dom Luciano Cabral Duarte que era o diretor da faculdade de filosofia e o responsável pelo Ginásio. Na verdade o que a gente descobriu durante a pesquisa é que eram vários encontros na casa de professores, onde os alunos se encontravam para discutir textos e até declamar poesias. Era um grupo muito ativo, só que de adolescentes e na pesquisa a gente pode resgatar essa memória. Eles também eram destaque no grêmio estudantil. Então tudo isso, faz com que os ex-alunos se recordem daquela época como tempos de ouro’, garante Martha Suzana". (Reportagem de: Aisla Vasconcelos).

Fotos e texto reproduzidos do site: infonet.com.br/cultura.

A professora Martha Suzana lança o livro 'Memórias de um Ginásio de Ouro'

Fotos: Portal Infonet

Postagem originária da página do Facebook/MTéSERGIPE, em 2 de Junho de 2013.

sábado, 1 de junho de 2013

Aracaju é Fonte de Inspiração para Artistas Locais




Publicado em 24 de março de 2010.

Aracaju é fonte de inspiração para artistas locais
Por Talita Moraes (estagiária)

Aracaju, com suas caras, suas manifestações, seu cotidiano, edificações e seu sotaque, tem sido constantemente fonte de inspiração para os artistas locais. Músicos, dançarinos, escritores e artistas plásticos já retrataram por diversas vezes a capital sergipana, definindo a cidade das mais diversas formas, sempre com paixão, poesia e perspicácia.

Nascido em Propriá, Tintiliano começou desde criança a pintar. Ajudando sua avó - uma índia - a pintar as cerâmicas que eram produzidas por ela, descobriu sua vocação para a pintura. Veio morar em Aracaju há 20 anos e logo que chegou começou a reproduzir a cidade em suas telas.

Para Tintiliano, arte é emoção, e os artistas locais cumprem a função de emocionar sua gente, em um processo de identificação. O artista é o que povo é. "Quando minha arte não emocionar mais o povo, minha arte vai acabar. Eu não vou pintar nem para mim, nem para minha família", disse Tintiliano.

O pintor não acredita em uma arte visceral, em uma arte pura, na qual o artista, isoladamente, cria sua arte. Segundo ele, o meio externo influencia diretamente na produção do artista. Tendo sua obra inspirada, principalmente, na cidade de Aracaju, Tintiliano retrata o dia-a-dia: a pessoa se abaixando para jogar lixo, a criança correndo, a mãe passeando com a filha, as pessoas comprando alguma coisa na feira.

Música

Quando perguntado sobre por que cantar as coisas de sua terra, o cantor e compositor Paulo Lobo explica que para cantar coisas universais é preciso, antes, cantar as coisas da própria aldeia. O pitoresco, o cotidiano, as pessoas que fazem parte da identidade local. "Não cantá-los é perder a personalidade do povo aracajuano", diz.

Paulo Lobo lançou dois discos com canções que falam da cidade: Ruas de Ará e Cajueiro dos Papagaios. A maioria das músicas é inspirada em Aracaju, em personagens locais, como Maria Feliciana, e situações variadas, como os antigos natais nos parques aracajuanos.

Dança

O espetáculo Filhos de Ará foi pensado e criado pelo bailarino Bosco Torres. Sentindo uma lacuna no cenário aracajuano em relação a produções coreográficas sobre a própria cidade, Bosco montou um espetáculo de dança que representa a população e suas manifestações cotidianas.

O espetáculo tem uma linguagem popular, não se enquadrando em nenhum tipo de dança conhecido. Ele destaca as riquezas naturais e os diversos traços da população. Representando o mar, aparece a dança dos pescadores; no rio, é a vez da dança das lavadeiras. A trilha sonora é especial e as coreografias são executadas por 15 bailarinos.


Fotos e texto reproduzidos do blog: aracajuqualidadevida.blogspot

Postagem originária da página do Facebook/MTéSERGIPE, em 01 de Junho de 2013.

quinta-feira, 30 de maio de 2013

"As Três Cores da Saudade". Por Lilian Rocha


As Três Cores da Saudade *
Por Lilian Rocha.

Verde, vermelho e branco. Eram essas as cores da Associação Atlética, um dos maiores clubes de Aracaju nos meus tempos de menina. Ficava na rua Vila Cristina, entre a praça Camerino e a Rua Senador Rollemberg. Além da Associação Atlética, outros clubes também disputavam as atenções dos aracajuanos, como por exemplo, o Iate Club e a Associação Atlética Banco do Brasil (AABB), que por muito tempo funcionou na Rua Riachuelo, lugar onde hoje é ocupado por uma agência do Banco do Brasil.
Naquele tempo, era muito difícil entrar num clube. Difícil e caro. Era preciso ser sócio e para ser sócio, era necessário apresentar uma proposta de admissão, que era cuidadosamente analisada pela Diretoria. Aprovada a proposta, o ‘candidato a sócio’ tinha que pagar uma elevada quantia, chamada ‘joia’, que equivalia, aproximadamente, a 20 vezes o valor da mensalidade em vigor e que, por sua vez, era dividida em inúmeras prestações...
Mas parece que todo esse sacrifício valia a pena, pois uma carteirinha de sócio abria as portas para o mundo encantado dos clubes, ou seja, o sócio e seus dependentes tinham direito à piscina, lanchonete, quadra de tênis, campo de futebol, festas, bailes de carnaval... Tudo naquele tempo acontecia nos clubes! Por isso, todo mundo queria ser sócio de um clube. Até eu.
Meu pai era bancário e consequentemente, logo virou sócio da AABB. Mas como o acesso a este clube era restrito aos funcionários do Banco do Brasil, ele sentiu necessidade de se associar a outro. E escolheu o Iate.
Portanto, nunca fui sócia de verdade da Associação Atlética, mas usufruí de todas as vantagens de um associado, graças a meu tio Afrânio Bastos, que era sócio e morava pertinho de lá, na rua Senador Rollemberg. E meu tio honrava o título de sócio, pois era um verdadeiro atleta. Nadava, remava, jogava, entendia de todos os esportes.
E de tanto gostar de esportes, um dia ele cismou que tínhamos de aprender a nadar, eu e Márcia, a filha dele, minha prima e amiga inseparável. E foi assim que entrei, pela primeira vez, na piscina da Associação Atlética, para aprender a nadar com ele. A piscina era gigantesca, uma piscina olímpica, na verdade, com blocos, raias e um trampolim enorme. Ele não sabe, mas nunca consegui aprender a nadar de verdade, pois sempre achei muito difícil administrar, de uma só vez, braços, pernas, respiração e não sei mais o quê... Mas graças a ele, perdi o medo de piscina e mesmo sem técnica, consigo ir de uma ponta a outra e sentir, dentro d´água, o mesmo prazer de todos os grandes nadadores...
Além da piscina, o clube tinha quadra de tênis, quadra de futebol, sauna e um grande salão de bailes que ficava no andar superior da sede. Para chegarmos ao salão, subíamos por uma escada bastante curiosa, que começava reta e depois se abria para os dois lados, em formato circular.
Em 1972, a Associação Atlética também viria a ser palco de uma das lembranças mais marcantes da minha vida. Ali, logo na entrada e sentados no chão, assistimos a um show de uma banda quase desconhecida ainda, formada por um monte de baianos cabeludos e uma única mulher, dona de uma voz doce e meiga que dançava freneticamente no palco, exibindo uma barriga enorme, de quase 9 meses de gravidez. Foi assim, cercada pelos muros da minha Associação Atlética, que fui apresentada aos “Novos Baianos”...
E entrou por uma perna de pato e saiu pela de pinto...
O clube fechou as portas e durante alguns anos ficou agonizando em meio ao mato que cresceu ao redor, à espera, talvez, de um príncipe que a libertasse do seu abandono, tal como acontece nos contos de fada...
Mas o príncipe, mais uma vez, não veio. Como também não apareceu para libertar o Colégio N.S. de Lourdes, nem o Cine Rio Branco, nem a casa de dr. Augusto Leite, nem a casa dos Vila Nova, nem tampouco o Hotel Parque dos Coqueiros. Todos foram sumariamente destruídos. E junto com eles, foram-se, também, mais algumas páginas da história de Aracaju...
Não resisti hoje e entrei no que um dia foi a Associação Atlética. De pé, encontrei apenas um resto do que foi uma arquibancada, 3 blocos de onde os nadadores se preparavam para cair na piscina, uma parede da sauna, a cobertura da boite Catavento e uma escada intacta que hoje não leva mais a lugar nenhum. Uma escada pintada de verde, vermelho e branco, as três cores com as quais escolhi pintar minha saudade de hoje... (Lilian Rocha – 28.05.13).

Fotos e texto reproduzidos da página do Facebook do
Grupo "RECORDANDO", postagem de Austeclino Rocha *

Postagem originária da página do Facebook/MTéSERGIPE, em 30 de maio de 2013.

terça-feira, 28 de maio de 2013

São João em Sergipe e sua História


São João em Sergipe e sua História
Por Marcos Paulo Carvalho Lima*

Sabe-se que Patrimônio Cultural é todo tipo de manifestação que representa um povo, de uma comunidade, que são reconhecidas através da sua referência cultural e histórica. Chamadas de festa caipira ou de quadrilha matuta, as quadrilhas juninas também estão inseridas no contexto que nos traz a concepção de Patrimônio Imaterial. Entendemos que a quadrilha junina tem esse referencial de expressivo valor para os brasileiros, principalmente aos nordestinos. Em Sergipe a maioria delas foram fundadas há cerca de quarenta anos, sendo a Século XX uma das mais antigas, fundada em 1964, e outras com destaque não só na região, mas também em nível nacional como é o caso da Unidos Em Asa Branca, oriunda do Conjunto Leite Neto, em Aracaju/Se.

Teve vários nomes de 1980 até o seu registro em cartório em 09 de maio de 1986, sendo José Elói Filho, junto com outros amigos, responsável pela fundação do grupo. Desde sua fundação tem participado de todos os concursos de Quadrilhas Juninas realizados na Capital, sido campeã por várias vezes, ou sendo classificadas entre as 04 primeiras. Já se apresentou no programa da Hebe Camargo no SBT e já fez apresentações em vários estados como Bahia, Alagoas, Pernambuco, Paraíba, Ceará, São Paulo, Brasília etc. Entretanto, podendo um grupo ser
reconhecido como Patrimônio Imaterial, por sua representatividade cultural e referência histórica.

Pesquisas revelam que desde o século XIX, a quadrilha já era dançada no Brasil. Não há uma grande preocupação sobre a preservação no que se refere a conservação dessa cultura tradicional (quadrilhas juninas) como um todo, porque é uma tradição fortíssima, pouco provável seu fim, e sim o distanciamento cada vez mais de sua originalidade, lembrando que a sociedade está em constante mudança. Já foi feito um trabalho de pesquisa com as quadrilhas em nosso Estado, para a sistematização de ação para apoio às quadrilhas, feita através de ficha de inscrição e visita de fiscalização aos locais dos ensaios. (Dados obtidos por intermédio da publicação São João é Coisa Nossa, Série Memória – Volume: II – Aracaju/SE, 1990).

Hoje existem quadrilhas estilizadas que se apresentam como uma nova forma de expressão junina. São grupos de danças que se organizam com formato diferente de quadrilha tradicional e, com coreografia própria. Os passos ensaiados e marcados previamente com um corpo de balé, executam números criados exclusivamente para determinadas músicas. Também apresentam diversos personagens, conhecidos popularmente: o cangaceiro Lampião, Maria Bonita, o cigano, a espanhola, etc. (São João em Sergipe. Aracaju, 1990). Em algumas cidades de Sergipe são realizados grandes campeonatos de quadrilhas, com prêmios e regulamentos rígidos que visam manter a tradição. (São João em Sergipe. Aracaju, 1990).

São João, Bairro Santo Antônio, em Aracaju/SE, relatado pela professora antropóloga Eufrásia Cristina da Universidade Federal de Sergipe, durante a sua palestra na I Semana de Educação Patrimonial organizado pelos alunos e professores do Curso de História. A professora Eufrásia cita também sobre a perda das coreografias tradicionais, por conta das mudanças que ocorre na sociedade, novos repertórios sobre o homem urbano com novas representações durante as apresentações, perdendo um pouco da essência tradicionalíssima do caipira com os dentes pintados de preto como estivessem podres, etc. Comenta também pela necessidade de algumas quadrilhas sergipanas necessitarem de apoio para a sua continuidade. É uma das preocupações, se perderem por falta de incentivo, como subsídios para a manutenção da mesma.

Para tanto, enfatizo a importância de se valorizar essa cultura através de reconhecimento pelo poder público. Para a Cidade de Aracaju no que se refere ao patrimônio cultural imaterial como formas de expressão, vejo que as quadrilhas juninas é um referencial forte, por isso, servindo de representação como cultura identitária. Então, é uma grande razão para uma pesquisa através de inventario para as quadrilhas, que servirá como mapeamento, diagnóstico e posteriormente se fazer um estudo apontando um ou mais grupos para um reconhecimento da sociedade e oficialmente pela Prefeitura de Aracaju, dentro dos procedimentos técnicos para que se obtenha o título de Patrimônio Cultural Imaterial. Daí surge à necessidade de um diálogo com a sociedade, para que possa esclarecer o que leva uma cultura a ser contemplada e qual a razão para que uma ou outra receba esse tipo de homenagem
assim, perpetuando cada vez mais, colaborando para a manutenção da cultura popular tradicional da sociedade aracajuana e contribuindo para a memória do Estado de Sergipe.

*Graduando em História pela UFS e Assessor Técnico da Coordenação de Preservação da Subsecretaria de Estado do Patrimônio Histórico e Cultural

Texto e foto reproduzidos do blog: canalr5blog.blogspot.com.br

Fotos Edson Araujo.

Postagem originária da página do Facebook/MTéSERGIPE, em 4 de março de 2013.

Cordelteca João Firmino Cabral completa dez anos (2013)

Publicado pelo Portal Infonet, em 27/05/2013.

Cordelteca João Firmino Cabral completa dez anos
Cordelteca é um setor da Biblioteca Pública Clodomir Silva

Há dez anos a cultura e o resgate popular vêm sendo trabalhados através da cordelteca, setor da Biblioteca Pública Clodomir Silva, unidade vinculada à Secretaria Especial de Cultura (SEC/Funcaju). Primeira Biblioteca de Cordel do Brasil, a cordelteca homenageia o saudoso João Firmino Cabral, natural do município de Itabaiana.

De acordo com a diretora da Clodomir Silva, Fátima Góes. "O ambiente da biblioteca tem características da literatura de cordel e a escolha do nome deve-se à carreira de sucesso do primeiro cordelista sergipano a levar o nosso cordel para fora do estado, João Firmino Cabral".

O Nordeste brasileiro herdou a literatura de cordel, que nasceu na terra de Pedro Álvares Cabral, um dos vestígios deixados pela colonização portuguesa. É um gênero popular escrito na forma rimada, originado em relatos orais e depois impressos em folhetos com figuras desenhadas em xilogravuras e expostos para vendas penduradas em barbantes, o que deu origem ao nome cordel.

Segundo o cordelista sergipano Ronaldo Dória, as rimas e métricas nascem a qualquer hora e o dom de brincar com as palavras vêm desde a infância. "Desde pequeno fazia poemas e poesias, mas nunca tive coragem de mostrar. Os temas surgem a partir de uma história, de um sonho, de uma reportagem na TV e assim vai, estou sempre com papel e caneta. Me dediquei mais ao cordel quando me aposentei, há 12 anos, e agora possuo 155 histórias contadas em cordel", comenta.

Sarau Poético

A Cordelteca João Firmino Cabral é palco do Sarau Poético que reúne grandes autores ou cordelistas para recitarem versos de forma cantada acompanhados de suas violas. "Destinamos esse encontro para conversar sobre cultura, música e arte. Momento especial para a comunidade e estudante aprenderem sobre cordel", completa a diretora Fátima Goés.

O trabalho educacional é intenso, professores e coordenadores de escolas levam o livreto para a sala de aula com o objetivo de trabalhar temas transversais através dos poemas rimados. "A biblioteca recebe diariamente docentes de diversos bairros em busca de inserir no cotidiano de seus alunos temas como geografia, cultura popular, histórias que são encontrados nos livretos e esse espaço é de fácil acesso e está aqui para toda a população", justifica a coordenadora de eventos, Maria José.

"Digo com muito orgulho que fui aluno de João Firmino. Se hoje visito as escolas levando a cultura local para crianças e adolescentes é porque aprendi tudo que sei sobre literatura de cordel com ele, que levava meus versos para analisar em casa e no outro dia me explicava", afirma Ronaldo Dória.

Cordelteca

A Cordelteca João Firmino Cabral abriga mais de 500 livretos de cordelistas nacionais e locais, de variados temas. A Biblioteca Clodomir Silva foi eternizada na literatura de cordel através da homenagem feita pelo também sergipano Chiquinho Além Mar.

"Hoje a cordelteca possui títulos escritos por de 36 cordelistas sergipanos, mas aqui também há obras de autores de outros estados. Você encontra nomes como Enoque Araújo, Gilmar Santana Ferreira, Zé Antônio e de mulheres que fizeram e fazem história com as rimas, a exemplo de Antônia Amorosa, Izabel Nascimento, Salete, entre outras", ressalta Fátima Góes.

João Firmino

Patrono da primeira cordelteca do país, João Firmino Cabral despertou para a Literatura de Cordel ainda na adolescência, quando pedia à irmã para ler os livretos comprados na feira de Itabaiana, município de Sergipe. Seguiu os passos do poeta e mestre, Manoel D'Almeida Filho, produzindo o seu primeiro livreto sobre as profecias de Padre Cícero, aos 17 anos.

Em 2002, João Firmino recebeu da Prefeitura Municipal de Aracaju (PMA) a medalha de Mérito Cultural Serigy. Ao falecer, em fevereiro deste ano, João Firmino deixou a banca que tinha instalada no Mercado Municipal Antônio Franco, no Centro de Aracaju, e deixou vaga a cadeira de número 36, da Academia Brasileira de Literatura de Cordel (ABLC), que ocupava desde 2008.

Fonte: AAN

Foto e texto reproduzidos do site: infonet.com.br/cultura

Cordel é um gênero literário popular escrito na forma rimada e expostos à venda pendurado em barbantes.

Foto: Ascom/Funcaju.

Postagem originária da página do Facebook/MTéSERGIPE, em 28 de maio de 2013.

segunda-feira, 27 de maio de 2013

Depoimento Sobre a Sociedade de Cultura Artística de Sergipe


Sobre a Sociedade de Cultura Artística de Sergipe

Depoimento de Amaral Cavalcante, ex Secretário Executivo da Entidade

Observação inicial:
O presente relato não deverá ser tido como um documento acabado, nem deverá ser incorporado a nenhuma pesquisa sobre a Sociedade de Cultura Artística de Sergipe sem um trabalho criterioso de comprovação e datação dos fatos nele contidos. Trata-se de uma descrição de fatos memoriais alinhados empiricamente, carecendo-lhes o necessário rigor científico e metodológico. Como pretendo escrever mais sobre o tema, solicito aos amigos que me corrijam os lapsos e subsidiem-me com fatos e detalhes não lembrados aqui.

Fundação e objetivos

Fundada em 1951 por um grupo de intelectuais sergipanos, entre eles o Dr. Felte Bezerra e o jovem político José Carlos Teixeira, a Sociedade de Cultura Artística de Sergipe – SCAS - seguiu o modelo consagrado por entidades congêneres existentes em outras unidades da federação, dedicadas ao fomento e difusão da cultura artística e ao apoio à circulação de concertos musicais e espetáculos de arte cênica em todo o país. A nossa Sociedade de Cultura Artística resulta de uma campanha empreendida por intelectuais, comerciantes e políticos locais, visando angariar fundos para a aquisição de um piano de qualidade, destinado ao uso de músicos concertistas que, eventualmente, nos visitassem. A mobilização social sagrou-se vitoriosa, não apenas possibilitando a aquisição de um piano ½ cauda, da prestigiosa marca Stainwey, quer foi instalado no auditório do Instituto Histórico e Geográfico de Sergipe, como pela oportunidade de associar cidadãos a um empreendimento cultural mantido por doações financeiras e pagamento de mensalidades, a SCAS.

Àquele tempo, não havia na estrutura do serviço público, nos níveis municipal, estadual ou federal, algum órgão dedicado exclusivamente á Cultura, havendo apenas nos organogramas das secretarias estaduais e do ministério da Educação um departamento de Cultura sem dotação orçamentária própria e em condições precárias de funcionamento. As Sociedades de Cultura Artística proliferaram como solução encontrada pela sociedade brasileira para estabelecer um circuito de espetáculos com roteiro nacional integrado e custos diluídos, bem como para viabilizar uma melhor interação da ação cultural entre os Estados.

Aracaju no roteiro

Graças aos relacionamentos políticos e contatos pessoais do Dr. José Carlos Teixeira na capital federal, o Rio de Janeiro, a cidade de Aracaju passou, pouco a pouco, a ser incluída no roteiro de grande companhias em circulação pelo país, geralmente patrocinado pelo Gabinete Civil da Presidência da República - os nacionais, e pelo Ministério das Relações Exteriores- os estrangeiros que nos visitavam amiúde, por conta de convênios de cooperação cultural firmados entre o Brasil e outras nações.
Deste modo o Estado de Sergipe passaria a ser a “porta de entrada” dessas companhias internacionais, talvez pela nossa localização geográfica e, certamente, pela recepção calorosa com casa cheia e produção impecável, predicados que a SCAS de Aracaju foi tornando famosos. As crônicas da época descrevem os saraus musicais e os espetáculos da Cultura Artística como eventos de visível bom gosto, oportunidade em que a sociedade sergipana, desde a classe média aos mais abastados se encontrava na elegante plateia do Teatro Atheneu, com seus melhores trajes e outros refinamentos.

São desse período áureo alguns espetáculos memoráveis como o recital dos Meninos Cantores de Viena, o ator Paulo Autran com a Opereta “O Burguês Fidalgo”, de Molière, recitais com várias orquestras e concertistas europeus e de grandes companhias brasileiras de teatro, como as de Ítala Nandi, Cleide Yáconis e Procópio Ferreira. Com esta última a SCAS manteve uma relação mais estreita, vez que “emprestou” por toda uma temporada o cenógrafo sergipano Nestor Braz, funcionário da entidade, que excursionou por um bom tempo com a companhia teatral de Procópio Ferreira, considerado um ícone imortal do teatro brasileiro.

A construção da sede

Ainda em consequência de gestões do Dr. José Carlos Teixeira, agora eleito deputado federal, o Ministério da Educação e da Cultura destinou verbas federais para a construção de um Teatro em Aracaju, a ser administrado pela SCAS. Como a entidade não possuía um terreno condizente e não dispunha de recursos financeiros para adquiri-lo e na iminência de ter que devolver a verba, a diretoria resolveu apelar para a Construtora Norcon que disponibilizou um terreno da sua propriedade, na esquina da Rua São Cristóvão com a Avenida Ivo do Prado, de dimensões insuficientes para a instalação de um Teatro, mas suficiente para a construção de uma sede para a SCAS. A Norcon foi, então, encarregada da obra e construiu um prédio de salas comerciais com cinco andares e uma loja térrea com mezanino. As salas do Edifício SCAS, erigido no coração do centro comercial de Aracaju com designer moderno e elevador, passaram a ser alugadas por profissionais e empresas, passando a ser a fonte mantenedora da entidade, mais lucrativa que as mensalidades dos associados.
Tempos depois, os aluguéis constantemente renovados sem os devidos reajustes contratuais condizentes com a localização do imóvel e com os efeitos da inflação, foram se tornando irrisórios, mal dando para cobrir despesas com manutenção e folha salarial dos funcionários. Acresce a essa dificuldade o encarecimento na contratação de espetáculos de boa qualidade artística, a maioria deles dando preferência às vantagens comerciais oferecidas por ricas praças interioranas no eixo Rio/São Paulo, por facilidades comerciais de translado e produção. Esse quadro ainda perdura, tornando quase impeditiva a vinda de grandes espetáculos de reconhecido valor artístico, às capitais nordestinas.

Principais gestões:

José Carlos Teixeira
Depois do Professor Felte Bezerra, assumiu o Dr. José Carlos Teixeira, cuja gestão se constitui no tempo áureo da SCAS, lembrado com saudade por quantos o acompanharam. Foi o tempo das grandes companhias nacionais e internacionais, quando a cidade Aracaju era tida com um importante polo de difusão da cultura artística, roteiro obrigatório para artistas nacionais e estrangeiros em excussão pelo país. Nessa gestão a SCAS concedeu uma bolsa de estudos ao maestro Genaro Plech, para aperfeiçoamento dos seus estudos musicais na Europa.

Professor João Costa
Sucedeu-lhe o Professor João Costa que permaneceu no cargo por um longo período. Ele, além de continuar a excelente programação de espetáculos, geriu a construção do edifício sede, publicou obras literárias, patrocinou cursos de teatro minitrados por figuras relevantes no cenário teatral da época e criou o TECA – Grupo de Teatro da Cultura Artística, sem dúvida o melhor grupo teatral jamais atuante em Sergipe. Dele fizeram parte figuras como Alencar Filho, Tereza Prado, Aglaé D’Ávila Fontes, Ilma Fontes e outros.
O TECA montou, sob a direção de João Costa, espetáculos de rebuscada carpintaria teatral como “Chuva” de Colton e C.Randolph, “Dias Felizes” de Puget, “Armadilha para um Homem Só” de Robert Thomas, “O Pedido de casamento” de Thecov, “Natal na Praça” de Henri Ghéon e o “Boi e o Burro a Caminho de Belém” de Maria Clara Machado. Da sua autoria João Costa montou, sob o patrocínio da SCAS, “Três de Dez de Mil Novecentos e Tanto”, “ Um Milhão” - a partir de um conto de Maupassant, “A Dança do Ouro” e, finalmente, “Recital sem Opus” que conquistou os prêmios de Melhor Espetáculo e Melhor Direção em Festival de Teatro realizado na Paraíba e o de Melhor Espetáculo no Festival Nacional de Teatro Amador realizado no Rio de Janeiro pelo célebre mecenas, o embaixador Carlos Magno. A peça, um libelo às liberdades políticas encenada em plena ditadura militar, tinha no elenco Luiz Antonio Barreto, João Gama, Prof. Joaquim, Orlando Vieira e Chico Varella. A SCAS também enviou ao referido Festival a peça infantil “A Volta do Camaleão Alface”, de Maria Clara Machado, para duas apresentações de rua em Copacabana, fora da competição, tendo no elenco Lânia Duarte, Amaral Cavalcante, João de Barros e Wellington Mangueira.

João Augusto Gama
João Costa foi sucedido pelo Dr. João Augusto Gama que recebeu da diretoria a missão de levantar a entidade que se encontrava desativada e já sem associados pagantes. Foi na coordenação da campanha para angariar novos sócios que eu ingressei na SCAS como remunerado, sendo, depois, incorporado ao seu quadro funcional no cargo de Secretário Executivo. A Campanha logrou êxito, conseguindo inscrever 1.500 novos associados e as atividades culturais da SCAS renasceram com a mesma pujança dos primeiros anos. Os espetáculos de artes cênicas, agora patrocinados pela Funarte vinham mensalmente e a nova direção da SCAS incluiu a musica popular de boa tradição em sua grade de programação, diversificando a oferta e atraindo novas plateias. Também foi criado um programa permanente de exibição de filmes clássicos sob a orientação do crítico Ivan Valença, além de concursos literários com a publicação dos vencedores e a edição de revista apresentando a obra de poetas locais como Mário Jorge e Clodoaldo de Alencar, ilustrada por artistas plásticos locais.
Outra grande contribuição da gestão João Gama à cultura local foi a contratação do Ator Bemvindo Sequeira para ministrar em Aracaju um curso de Teatro Livre com a duração de três meses e que resultou na criação do Teatro de Rua da SCAS, pioneiro na modalidade, que inspirou a criação de outros grupos como o Imbuaça, ainda hoje em atividade com brilhante e premiada carreira.

Luiz Antonio Teixeira
A gestão do Dr. Luiz Antonio Teixeira deu continuidade, por algum tempo, à programação implantada na gestão anterior, mas devido às dificuldades financeiras passou a copatrocinar espetáculos com bilheteria paga, reservando aos associados a aquisição de ingressos com 50% de abatimento. Também intensificou a cocessão de patrocínio financeiro da entidade à montagem de shows e espetáculos locais. Na sua gestão o prédio da SCAS foi alvo de uma criteriosa reforma e os contratos de locação começaram a ser refeitos com a devida majoração. Durante a gestão Luiz Teixeira deixei secretaria da entidade, continuando a servi-la, por algum tempo, no Conselho Fiscal.

Aracaju, 05/maio/2013

Amaral Cavalcante.

Postagem originária da página do Facebook/MTéSERGIPE, em 26 de maio de 2013.

sexta-feira, 24 de maio de 2013

Foi-se Embora!


Foi-se embora!

Passou um engenho de rapadura, um carcará pousado na cerca. A vaquinha de ar pensativo regurgitando capim. O olho abestalhado de quem sabe de tudo, mas nem tai. Um alvoroço de preás chispa invisível na beira do mato. O calango também sustou danado, esperando imóvel no pé de mulungu, só o olho rodando o mundo em volta - que calango não tem pressa. É capaz de ficar assim, só o olho rodando, até a próxima trovoada.

Viu no mar de capim o vento assanhando as nhampupés. Uma cotia ali debaixo do pé de araçá. Na encosta, casinhas em ponto de cruz, as chaminés fumegando o café no oceano verdão do pasto.

Tudo ficando pra traz que ele estava indo embora, em cima de um caminhão!

Queria sair de si, dos corredores da casa onde os fantasmas brincavam de esconde-esconde. Queria ficar longe das besteiras sem serventia nos alfarrábios da família.

Juntou sua coleção de sinos, seu farnel de auroras, pendurou no peito o seu farnel de valentias e decidiu partir. Queria ser um coletor de sonhos trepidantes, o resto da vida engolindo estrada na carroceria de um caminhão.

Então, chegou detardinha.

O sol rajava em aquarelas sanguíneas. Traços surreais reinventavam a paisagem em impossíveis croquis. Um mourão se alongando como minarete, loooongo, se espreguiçando na estrada. Mais longe, uma pedra derramava ouro sobre um filete de água. O velho dicurizeiro impedindo a passagem, estendido em sombra e veracidade no chão da rodagem. Passou. Passou um mandacaru rezando agoniado, que as coisas de Deus iam se envultando. A paisagem pedia silêncio.

O cruzeiro na serra já se incendiava, um carneiro dourado acomodado aos seus pés. Na sombra da mata um bordado de nuvens céleres, acenava. Ovelhinhas e ogros tristes procuravam repouso, era chegada a hora!

Detardinha, o sono grená dos passarinhos peja os umbuzeiros dessa paz restrita às criaturas de Deus, quando o por do sol pinta dourado a vida e silencia o clamor das coisas. Então, o pé de jaca também já vai dormir que debaixo dele uma vaca malhada lambe a cria e recomenda em sussurro: - Bezeeeerro, vamos dorrrrmir.

Só ele inda corria na moldura da noite, indo-se embora na carroceria de um caminhão.

Bateu uma dorzinha não sei onde, que nem dor direito era. Era uma tristeza banal sem pé nem cabeça, a falta de não sei o que lhe incomodando. Falta de ar não era que ele engolia o vento veloz, a natureza lhe invadindo o nariz em lufadas e cheiros. Ar, novos ares lhe gastando a vida, o peito inflando em possibilidades. Não viesse ninguém dormir nos seus cabelos que o alvoroço ali era tanto... Escancarava a boca engolindo as alfaias da noite e, corajoso ainda, guardava o sopro do mundo a lhe invadir o peito.

Mas escureceu de vez. A dor fininha muito doida pinicando! Onde dormiria ele, cadê seus lençóis, as quenturas do quarto, uma moringa esfriando no peitoril da janela? Onde a certeza dos pés ao chão, a vida jabá nos becos da vida, as vielas confortáveis da cidade? A dor virou saudade.

Para que ele desce aqui!


Amaral Cavalcante.

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(Comentário de Marcelo Déda sobre a crônica "Foi-se embora", postada aqui.)

Maravilha, homem!

Mereceria estar em qualquer antologia de histórias curtas, sejam contos ou crônicas. Prosa porreta, grávida a não poder mais de poesia, que lhe escorre dos parágrafos e pontos e vírgulas... Tá pronta. Carece apenas de uma espanadinha sutil, como aquelas que se dá nos biscuits de porcelana inglesa das avós só para espantar uma poeirinha, mas sem mexer na disposição solene com que foram postos na mesa da sala em atitude de aguardar eternidade.

Tonho Viana certo dia lhe falou em "interesse geral", "universalismos" que o texto exigiria para exibir-se em livro. Você pensou e piscou: ninguém zomba mais da academia e reserva a ela tanto temor quanto você? Pois toma aí! Quem tá nesse caminhão? Amaral? Não, nós todos - encostos vivos montados na sua literatura para viajar e comer a poeira dos sonhos que você sonhou por nós, bandido! É a fuga de casa, poetizada e reinterpretada pela sua experiência de vida e de literatura.
O mundo rural da minha Simão Dias, replicando nos seus singulares predicamentos, os campos de todo o mundo: "Oh! A vaca é a mesma que eu vi num quadro do Van Gogh..." O mundo é a sua aldeia e só a compreendendo na sua particularidade mais extrema é que você será capaz de cantar o universo.

É a vontade do novo, da aventura, do desenlace. É um rito de passagem que não se completa, atocaiado pela saudade matreira do bem-bom: lençolzinho cheiroso, cama macia, cuscuz com leite no café-da-manhã, beijo de mãe na testa, olhar de soslaio do pai conferindo a cria. É o medo da saudade, tantas vezes maior do que ela.
E os cheiros... sua memória tem motor proustiano; é movida a milhões de cheiros trazidos por milhões de ventos e brisas que inventam perfumes e emprenham nuvens que você cataloga num tratado universal das tardes.

Na madrugada mineira, sóbrio e acordado num hotel de Belzonte sou arrebatado pela beleza do seu texto, pela universalidade do seu tema, pela arte com que você entretece sentimentos e os mistura ao concreto da vida. E com Humor. Humor com H maiúsculo, surpreendente, inesperado, filosófico.

Emocionei-me, eis tudo. E isso vale mais que uma missa, vale uma missão. A missão do artista, do poeta, do artesão de memórias. Maravilha.

Marcelo Déda.

Postagem originária da página do Facebook/MTéSERGIPE, em  22 de maio de 2013.