sábado, 19 de janeiro de 2013

Aeroporto de Aracaju e Sua História

Foto reproduzida do site: infraton.blogdevoo.com

Sua história tem início no dia 30 de outubro de 1952, a pista com 1200 metros de comprimento e o amplo pátio de piçarra foi inaugurada com o pouso de um bimotor da Força Aérea Brasileira (FAB) conduzindo o engenheiro Raul Malheiros, Chefe do serviço de Engenharia da Segunda zona aérea. O avião da FAB passaria para a história como a primeira aeronave a descer no Aeroporto Santa Maria, porem, a operacionalização só começou em 1958, após a construção da estrada de acesso.

A inauguração oficial aconteceu em 19 de janeiro de 1958, quando um bimotor Supercover 440 da Real, procedente de Recife, trouxe o presidente Juscelino Kubitschek a Aracaju, marcando o início das operações do aeroporto.

Três anos depois, em 1961, começaram as obras para a primeira ampliação da pista de pouso e do terminal de passageiros, que em 6 de julho de 1962, o então governador Luiz Garcia do estado de Sergipe, inaugurava as obras de ampliação do Santa Maria. Aracaju contava agora com um dos mais modernos aeroportos do Nordeste para os padrões da época, dotado de uma nova pista pavimentada com 1.500 metros de extensão, pátio que comportava os aviões das empresas aéreas, um novo prédio que abrigava o terminal de passageiros (Terminal de Passageiros I), os balcões das companhias, salas de embarque e desembarque, restaurante, lanchonete, salas de controle de tráfego aéreo da FAB e do Departamento de Aviação Civil(DAC), sanitários, uma área de estacionamento de veículos (60 vagas), e uma nova via de acesso ao aeroporto.

Em fevereiro de 1975, o Aeroporto Santa Maria foi incorporado à administração da Empresa Brasileira de Infra-Estrutura Aeroportuária – Infraero, depois de passar treze anos vinculados ao DAC, do Ministério da Aeronáutica. Hugo Alencar Barbosa assume a superintendência empreendendo nos próximos quatro anos as primeiras reformas de transformação da estrutura operacional do aeroporto.

Um novo Terminal de Cargas Aéreas (TECA) é construído em 1976 numa área anexa ao aeroporto para atender ao crescente mercado de cargas aéreas. O TECA do Santa Maria é inaugurado com a presença do diretor Comercial da Infraero, coronel Jahul Pires de Castro Sobrinho, do Superintendente local, Hugo Barbosa e de várias autoridades. O moderno prédio do terminal era o vigésimo segundo de uma série de 23 terminais construídos pela Infraero em áreas anexas de todos os aeroportos brasileiros.

Entra em operação a Seção Contra Incêndios do aeroporto em 78, dotada de um efetivo de 40 homens do Corpo de Bombeiros com novas viaturas Pioneiro II, carros limpa pistas, alojamento, salas de administração, além de todo o equipamento necessário no combate ao fogo.

Ainda naquele ano é concluída a obra de ampliação de mais de 200 metros no comprimento da pista de pouso e decolagem, que assim para 1.700 metros de extensão.

A Infraero investe também na ampliação do pátio de manobras das aeronaves, em quatro helipontos e na pavimentação das pistas de acesso aos prédios da administração e do terminal de cargas.

As melhorias continuam com a construção da nova sede da Infraero em setembro de 1979. Com saída das salas da Infraero do saguão para um novo prédio na área externa, o terminal de passageiros do aeroporto passa a contar com banca de revista, lojas, agência bancária, postos telefônicos e de informações turísticas, além de maior espaço para circulação de pessoas.

Em 1984, o Santa Maria passa pela maior reforma ganhando uma nova fachada, cobertura em estrutura metálica. O saguão é ampliado de 600 para 1.800 metros quadrados, é instalada uma nova sala vip, salas de embarque e desembarque (com carrossel de bagagens) e vários outros itens que trouxeram mais conforto e segurança para todos. As novas instalações foram inauguradas pelo então governador João Alves Filho, presidente da Infraero, Rodopiano de Azevedo Barbalho e pelo superintendente José Wellington Moura, com a presença de várias autoridades, gerentes de companhias, empresários e o público em geral.

Em 1992, oito anos depois da grande reforma do terminal de passageiros surgiram novos entendimentos entre a Infraero, o Governo de Sergipe e o Ministério da aeronáutica para ampliação de 500 metros da pista para possibilitar o recebimento de aviões ainda maiores. Com isso a pista passaria de 1.700 para 2.200 metros (seu comprimento atual).

O Governo assumiu o desmonte do morro de Santa Maria, o impedimento maior para a execução da obra. Com este problema resolvido, a Infraero pode investir na duplicação da avenida de acesso ao aeroporto, em um novo estacionamento e na construção de um edifício anexo para o terminal de passageiros dos vôos internacionais. (Terminal de Passageiros II).

Em novembro de 93, as novas reformas foram entregues ao público pelo governador João Alves Filho e o ministro da Aeronáutica Lélio Viana Lobo.

O novo Complexo (atual Terminal de Passageiros - TPS III) substitui o antigo terminal de passageiros construído em 1962. Com a incorporação do Aeroporto à Infraero em 75, o acanhado prédio passou por reformas e foi se adaptando ao crescimento do tráfego aéreo que na década de 90 já atingia a média de 210 mil passageiros/ano.

As novas instalações possuem dois pavimentos com capacidade para atender 1 milhão de passageiros por ano.

Numa área de 10.600 metros quadrados funcionam 16 balcões de check-in automatizados, quatro salas de embarque e desembarque doméstico e internacional, elevador, sala vip, 28 lojas comerciais, espaço cultural, praça de alimentação, terraço panorâmico onde podem ser visualizadas as chegadas e partidas das aeronaves, área destinada à administração, salas da Polícia Federal e Alfândega, além de um amplo estacionamento para (201 vagas). O novo aeroporto dispõe de sistema informativo de vôos, equipamentos de segurança, como raio x para inspeção de bagagens, detectores de metais nas salas de embarque, balanças eletrônicas e esteiras automáticas para o transporte de bagagens.

Os espaços comerciais das 28 lojas estão distribuídos pelos dois pisos. No pavimento superior estão restaurante, lanchonete, pizzaria, delicatessen, jogos eletrônicos, cine-foto, salão de beleza, farmácia, agência de correios e posto telefônico. No térreo encontram-se banca de revistas, perfumaria, coffee-shop, agências de turismo, artesanato, importados, confecções, ótica, presentes e locadoras de veículos. Ainda no térreo estão lojas de passagens, caixas eletrônicos e balcão de informações turísticas.

O novo aeroporto foi inaugurado em setembro de 1998 pelo governador Albano Franco e o presidente da Infraero, brigadeiro Eduardo Bogalho Petengill.

Fonte: Infraero Aeroportos.
Reproduzida do site: infraero.gov.br

Postagem originária da página do Facebook/Minha Terra é SERGIPE, em 19 de Janeiro de 2013

sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

Milton Santos, O Vereador do Carrossel


MILTON SANTOS: O Vereador do Carrossel
Por Osmário Santos

Mílton Santos nasceu a 25 de novembro de 1915, em Siriri, Sergipe. Seus pais: José Maria de Souza, agricultor, e Eulina Mália Santos. Aos quatro anos de idade, chegou na capital de Sergipe para morar com sua tia Elvira Santos. Pela difícil situação financeira da família, teve uma infância marcada por sua saída do colégio por falta de recursos financeiros.

Dona Maroca, uma professora particular de muita fama e muita bondade, foi a professora que entrou com a marca definitiva na vida de Mílton, principalmente, pelo seu fervor católico. Estudou no Colégio Evangelino de Faro, onde concluiu o segundo ano do concurso primário. Quando estava animado para cursar o terceiro ano, o colégio foi vendido ao professor Zezinho Cardoso. Para Mílton, uma fase negra em sua vida.

Foi a possibilidade que eu tinha de estudar e perdi. O colégio cobrava, naquela ocasião, seis mil réis por mês. Quando passou para o colégio de José Alencar Cardoso, a mensalidade passou para dez mil réis. Seis mil réis já era um sacrifício para a minha mãe, então, fui forçado a deixar o colégio. Além do momento, um outro fato contribuiu para minha saída do colégio e abandono dos estudos. Fui obrigado o uso de farda. Deram o prazo para que nós tivéssemos a farda. Minha mãe não podia comprar. Tinha, naquela ocasião, audiência com o Manoel Dantas, presidente do Estado, hoje, governador. Tive a iniciativa de, no dia de audiência, pedir quatro metros de brim caque para fazer minha farda. Um desejo de continuar estudando no colégio e muito mais ainda de ir fardado. Achava lindo poder estudar como um soldado, já que a farda do colégio do professor Zezinho era assim, com quepe e perneira. Lamentavelmente, o presidente do Estado negou, dizendo que não tinha condições de atender o meu pedido.

Aos treze anos, tendo abandonado os estudos, foi ser aprendiz de gráfico, trabalhando no antigo Diário da Manhã, jornal que circulava em Aracaju e era dirigido por Francisco Leite Neto e Gonçalo Rollemberg. Depois de três anos de aprendizado, foi enfrentar seu primeiro emprego. Já tinha dezesseis anos quando entrou na Casa Ávila, em 1931, como tipógrafo. Já sustentava sua tia, sua mãe e sua avó.

Sua juventude foi de muito trabalho. Entrava pela noite nas horas extras para ganhar mais um pouco. Aos domingos, dava um tempinho para jogar pelada no Campo do Tobias, localizado na antiga Ilha das Cobras, hoje, onde funciona o Ceasa.

Casou-se em 1937. Logo após o casamento, os dois partiram para o Rio de Janeiro, onde o Mílton foi aventurar emprego de gráfico. Coisa fácil para um bom profissional. No ano de 1941, retornou a Aracaju já trazendo um filho a tiracolo. Mílton Santos obteve sucesso no Rio e voltou para lá, passando ainda dois anos. Em 1943, a saudade chegou, e Mílton voltou definitivamente para Aracaju, ingressando no quadro de funcionários da Imprensa Oficial.

José de Matos Teles foi o grande incentivador de seu ingresso na política sergipana. Mílton, com ele e mais alguns companheiros, como Flávio Diniz e José de Oliveira, fundaram, no ano de 1951, o Partido Social Trabalhista (PST). Na eleição de 1954 pelo PST, candidatou-se a uma vaga na Câmara Municipal. Acreditava nos amigos e no seu ideal político. Foi chegando devagar, dando impressão de que não queria nada e “beliscando” seus concorrentes. O nome Mílton Santos entrou na história política da cidade de Aracaju. Foi o vereador com vinte e oito anos de Câmara, sendo eleito sucessivamente em sete legislaturas. Do PST, com a extinção dos partidos, filiou-se à ARENA, encerrando sua carreira política no ano de 1983.

Uma coisa quase inacreditável. Nunca faltei a uma sessão legislativa durante 28 anos. Só uma vez me licenciei para tratamento de saúde. Nesse período, perdi duas sessões. Tenho boas lembranças da época em que exerci o mandato de vereador de Aracaju.

É testemunha de vários episódios. Alcançou o período da política rancorosa, das famosas brigas entre a UDN e PDS e, com tudo que sabe, daria para publicar alguns livros. Gosta de destacar sua conduta como vereador durante todo o tempo de mandato.

Nunca dei o direito de alguém dizer que contava com o meu voto. Porque somente aquilo que era de interesse da comunidade contava com o meu voto. Fui testado para ser comprado, não em escala tão elevada como chegou nos últimos tempos, mas uma vez ou outra, acontecia. Agora, eu nunca me vendi. Havia interesses até pela eleição de mesa, a mesma coisa que até hoje ainda está acontecendo. Você está vendo aí no Congresso Nacional, é toma lá e dá cá. Antigamente, diz a turma que corria grana mesmo. Como ninguém me ofereceu dinheiro, pois eles já sabiam quem era o Mílton Santos, diziam: ‘Esse não’. Lembro-me de quando havia os planos de arrumamento, para localizar as residências. Para aprovar determinado plano, o sujeito recebia determinado lote de terra. Por isso, eu fui autor de uma lei, obrigando a doação de área de cada lote para o município para a construção de creche, escola, posto de saúde e, assim, acabou o comércio dos lotes na Câmara de vereadores.

Foi presidente da Câmara somente uma vez no ano de 1961. Não foi o candidato do governo nem de oposição.

Havia uma briga entre PSD e UDN para resolver o impasse. Meu nome foi indicado e aceito por todos sem maiores problemas. É melhor não lembrar várias coisas que aconteceram na Câmara.

A ex-vereadora Carmelita afirmou que ia ao Plenário da Câmara armado de revólver. Na legislatura passada, o presidente da Câmara, José Félix, chegou a anunciar pela imprensa que um paletó de um político sempre esconde algum tipo de pistola.

Nunca usei arma na minha vida. Houve ocasião em que aconteceram brigas, mas não me envolvi. Nunca tive um assessor sequer, nem um funcionário à minha disposição. Elaborava meus projetos, meus requerimentos, rascunhava, dava-os a um funcionário da Câmara e ele datilografava. Hoje, um vereador possui assessores à vontade.

A Câmara possuía uma Kombi para apanhar os vereadores em suas respectivas casas, com motorista cedido pela prefeitura. Chegado o momento de a própria Câmara contratar seu motorista, os vereadores recusaram. Resultado: Mílton Santos, que era o presidente da Câmara, transformou a Kombi de passageiros numa ambulância e colocou à disposição do pronto socorro da Prefeitura de Aracaju.

Atendia aos eleitores com o salário de vereador. Durante os 28 anos, nunca pedi nada na prefeitura. Os eleitores que me procuravam, eu dava daquilo que recebia como vereador, pois achava que ganhava demais. Quando era gráfico ganhava muito pouco e como vereador foi uma grandeza.

Mílton Santos, o vereador do bairro Getúlio Vargas, em sua campanha por votos obteve sucesso e fez o maior bem quando adquiriu o Carrossel de Tobias, impedindo que ele fosse vendido para um outro Estado. A vida de Mílton está intimamente ligada ao carrossel de Tobias. Todos na cidade só conhecem o Mílton Santos como o vereador do carrossel.

A irresponsabilidade do poder público fez destruir o Carrossel de Tobias. Por onde andarão os restos do Carrossel de Tobias? O apito do carrossel só vai parar quando descobrirem os autores do bárbaro crime. Um crime que não foi ainda a julgamento e não ganhou manchetes de jornais pela falta do devido e obrigatório registro policial. Um patrimônio de caráter histórico e cultural que custou aos cofres do Estado de Sergipe, com o dinheiro do seu povo, ano de 1983, a pequena importância de quatro milhões de cruzeiros. Como pouco valor não é crime, mataram o sorriso das crianças que freqüentavam o carrossel de Tobias.

O saudoso mestre da poesia sergipana, Freire Ribeiro, escreveu:
O carrossel, ao longe, apita fino!...
Sinto, dentro em mim, uma saudade enorme do tempo de menino.
O carrossel ao lado onze apita fino!
Professor José Rodrigues, versejava:
“Em cada corcel
vai montado um menino
Hoje natal do Aracaju
É natal de folhinha sem
Aquela poesia de cidade singela”
E o Natal aos pés da Catedral que só tem no passado
tão passado,na saudade da gente,
o apito do carrossel de Juvenal.
Piuiii, restam esperanças?
Piuiii, vamos ou não enterrá-lo na praça da Matriz?
Piuiii...

O Carrossel de Tobias era chamado de “A Grande Atração Americana do Século XIX”, tendo sido construído nos Estados Unidos da América no Norte. Chegou ao Brasil no fim do século passado e foi instalado na cidade de Recife, onde permaneceu por alguns anos. Passou pela cidade de Maceió, ficando ali até o ano de 1904, época em que chegou a Aracaju, constituindo-se na maior atração dos festejos natalinos que eram realizados na praça da matriz.

Em 1922, por ocasião dos festejos comemorativos do Centenário de Independência do Brasil, o Carrossel de Tobias foi a principal atração. “O boneco Tobias tocava realejo no seu carrossel, que rodava e corria, levando o coração da meninada de rodada em rodada na mais santa alegria” (Freire Ribeiro, poema do natal do Aracaju de outrora).

Em 1958, o Dr. Juvenal Menezes, sexto proprietário do Carrossel de Tobias, desejando desfazer-se do mesmo, manteve entendimentos com a direção do Parque Shangai, com sede em Recife, acertando a venda do carrossel para o Estado de Pernambuco. Já estava de malas prontas para partir de Sergipe, quando Mílton Santos, através de um amigo, recebeu a triste notícia.

Na festa do natal de 1958, meu amigo Jadiel de Brito Cortes colocou a mão no meu ombro e disse: “Mílton, venha aqui”. Chegou junto do carrossel e disse: “Está vendo? É o último ano que o carrossel fica aqui. Está vendido”.

Juvenal disse para Mílton que estava cansado e, ao mesmo tempo, chateado pela fiscalização municipal, que impedia o aumento dos preços dos ingressos. Achava que estava tendo prejuízo, estando assim, convicto a vender o carrossel. Mílton então resolveu fazer um acordo.

Sr. Juvenal, vamos fazer isso. O carrossel e o jogo de avião o senhor pede duzentos e cinqüenta mil cruzeiros. Pois bem, eu vou apresentar um projeto na câmara para que o município compre, a fim de que possa instalar um parque permanente para as crianças pobres de Aracaju. Vou apresentar o projeto para o município comprar por trezentos mil cruzeiros. Agora, vamos fazer uma coisa: se o projeto for aprovado, o senhor desiste da venda, se não, o senhor concretiza.

Juvenal mostrou para Mílton as propostas recebidas. Tinha um interessado de Alagoas, que ia vender um caminhão para comprar o carrossel. Um outro de Pernambuco que ia vender uma casa e tinha também uma proposta do Parque Shangai que ia depositar o dinheiro no banco da Lavoura.

Com o apoio dos vereadores, Mílton conseguiu aprovação pela Câmara para comprar o Carrossel de Tobias. Logo, o sr. Juvenal passou telegrama para os interessados comunicando desistência da venda. O carrossel foi desarmado com o fim dos festejos natalinos e o sr. Juvenal ficou aguardando o dinheiro da prefeitura, com lei aprovada e assinada pelo então prefeito Rosewel Menezes. Terminou o mandato do prefeito, entrou outro, Conrado de Araújo, e nada foi concretizado.

Conrado, logo ao assumir, disse para Mílton: “Meu irmãozinho, o dinheiro que eu tiver de comprar, vou comprar caminhões para o serviço da população”. Mílton, preocupado com o tradicional patrimônio, em sua luta de querer preservá-lo na terra, tratou logo de procurar pessoas de alto poder aquisitivo para impedir a saída do Carrossel de Tobias de Aracaju. A primeira pessoa procurada por Mílton respondeu: Se fosse uma coisa boa, o dono não queria vender. Foi para uma outra pessoa. “Por que você não compra?”

Foi com um empréstimo de um parente, Aroaldo Mendonça Santos, que Mílton Santos aceitou a luta e adquiriu o Carrossel do Tobias fazendo a seguinte proposta: sr. Juvenal, vou comprar o carrossel por trezentos mil cruzeiros. Assino três promissórias, uma de cento e cinqüenta, uma de cem e uma de cinqüenta. Se eu puder pagar, até o natal, os trezentos, eu pago; se não, a partir da segunda promissória pago juros.

Nos festejos natalinos do ano de 1969, Mílton Santos passou a ser o proprietário do carrossel e, ao fim deles, depois da festa de Reis, não devia mais ao sr. Juvenal. Confessa que sua investida na área de divertimentos foi mais por uma questão sentimental.

Comprei o carrossel para não deixar que ele saísse de Aracaju. No primeiro ano, fiz um ofício para todos os orfanatos de Aracaju, convidando as crianças para correrem no carrossel e assim foi durante todo o tempo em que fui proprietário. Além dos orfanatos, eu também distribuía bilhetes com a gurizada de Aracaju. Aconteceu, uma coisa interessante. No mês passado, eu estive na casa de uma amiga, quando ela me mostrou dois bilhetes de cortesia do carrossel.

Em maio de 1955, por ocasião dos preparativos para os festejos comemorativos do IV Centenário de Fundação da Cidade do Rio de Janeiro, dois empresários chegaram a Aracaju, com a incumbência de levar o carrossel para a então capital da República, com a condição de o mesmo ficar durante um ano na Cidade Maravilhosa. Apesar das propostas vantajosas apresentadas, as mesmas não foram aceitas pelo Mílton Santos para evitar que o Natal de Aracaju ficasse sem o tradicional Carrossel de Tobias.

A Empresa Cinematográfica Brasileira-Norte Americana Al Barteller, em dezembro de 1959, estava na Bahia para efetuar a filmagem de cenas para o filme Capitães de Areia, extraído do romance de Jorge Amado. Para Aracaju, enviou proposta, objetivando levar o Carrossel de Tobias para Salvador, a fim de efetivar a filmagem de roteiros da película a ser rodada. Propostas foram apresentadas, tendo sido recusadas pelo Mílton Santos, que não aceitava a ausência, nos festejos natalinos de Aracaju, do tradicional carrossel.

Decorridos cinco dias, chegou a Aracaju um emissário acompanhado de diretores da Empresa Cinematográfica, inclusive, de um americano. O diálogo foi feito com ajuda de um intérprete. Viemos buscar o Carrossel de Tobias para filmagens de cenas do filme Capitães de Areia que está sendo rodado em Salvador, por ser o único carrossel no gênero existente no mundo. Queremos começar a transportá-lo a partir de amanhã, pois não podemos perder tempo. Apesar de boas propostas, Mílton Santos recusou, pois, em dezembro e em janeiro, o carrossel não saía de Aracaju por dinheiro nenhum.

Em face à recusa, ficou acertado que a empresa “Al Barteller” traria toda equipe para Aracaju para efetuar a filmagem aqui, o que ocorreu cinco dias depois. Chegaram vários veículos trazendo toda aparelhagem destinada à realização da filmagem e dois ônibus com crianças, atores, diretores e produtores. Durante todo o dia e parte da noite, o Parque Teófilo Dantas, que foi o local das filmagens, viveu momentos inesquecíveis com o espetáculo inédito ali ocorrido, que atraiu, inclusive, a curiosidade de milhares de pessoas que para ali se dirigiram e ficaram até a madrugada, vendo o Carrossel de Tobias ser filmado por gente do cinema internacional, contando até com a presença da atriz Ronda Fleming.

A idade venceu Mílton Santos que foi forçado a vender o Carrossel de Tobias. Recebeu propostas da Bahia, de Minas e, em 1983, vendeu ao governo de Sergipe por quatro milhões de cruzeiros. Recusou propostas de seis milhões, mas preferia vender para Sergipe por um preço menor. Hoje, a venda representa seu grande arrependimento, por terem acabado o seu querido carrossel. Mílton Santos lembra que advertiu a necessidade de uma boa cobertura para uma instalação permanente.

A minha era uma cobertura de lona, pois era somente para o período dos festejos natalinos, um mês e poucos dias. Sugeri a instalação no Parque Teófilo Dantas, mas nada adiantou. Foi instalado no Parque da Cidade e ficou guardado no depósito da Secretaria de Educação. Quando falaram que ia ser armado no Parque da Cidade, lá no Morro do Urubu, e eu tomei conhecimento, já estava com dois meses e meio que o carrossel estava abandonado ao relento. Eu tenho até fotografias que podem ser publicadas. Os cavalos eram de madeira, de pinho de riga, uma obra perfeita. Não há um carrossel como o de Tobias. Todos os carrosséis são diferentes. O movimento dele era de uma carruagem. Portanto constava de seus cavalos puxando uma carruagem. E o movimento dos cavalos era perfeito, trotando, acompanhando o movimento da rotação do motor.

Mílton informa que, por falta de manutenção e dos devidos cuidados, acabaram com o Carrossel de Tobias. Deixaram o motor sem óleo e sem nada.

Acho que hoje ainda existe um resto por lá. Tenho impressão de que não há uma maneira de restaurá-lo. Se continuaram do jeito que encontrei, pois os cavalos eram de pinho, já não há mais condições de recuperá-los. O principal do carrossel são os cavalos. Se estão perfeitos e se estão lá, não há problema. Se não me engano, numa formatura dessa aí, eu vi um cavalo desfilando na avenida Barão de Maruim.

No ano de 1937 foi ao altar. Começou a namorar sua esposa aos treze anos e quando ela tinha dezesseis, tomaram a decisão de uma vida a dois. Ele morava bem perto de sua casa e era irmã de um colega do time de futebol. Mílton e Anita Santos deram o sim no dia 20 de janeiro de 1937. Do casamento, cinco filhos: Valdir Santos, Vilder Santos, Nadja Santos, Vilmar Santos e Nadir Santos.

Matéria publicada no Jornal da Cidade em 01/07/1991.

Milton Santos foi vereador de 1955 até 1983
Foto: Divulgação/Reproduzida do site: g1.globo.com/se/sergipe

Postagem originária da página do Facebook/Minha Terra é SERGIPE, em 18 de janeiro de 2013.

Mais Carrossel do Seu Tobias em SERGIPE EM FOTOS.

quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

A Reforma do Mercado Municipal de Aracaju



Infonet - Blogs - Ana Libório - Publicado em 15.09.2010.

Café Pequeno- Recordar é Viver...
Por Ana Libório.

O desmonte da favela e a transferência dos feirantes para o novo prédio foi comparado à guerra de Kosovo(???). De nossa parte, proibidos de acompanhar o processo, acreditamos fazer um trabalho de arqueologia urbana redescobrindo um tesouro arquitetônico

Hoje, 15 de setembro, faz 10 anos da reinauguração dos Mercados Antônio Franco e Thales Ferraz. Quanto tempo se passou e, ainda assim, parece que foi ontem.

Lembro que numa das primeiras vezes que apresentamos o projeto, na Câmara Municipal de Aracaju, um dos vereadores falou que o projeto era lindo, porém um sonho. E foi mesmo.

Olhando para trás não acredito que aquilo tudo aconteceu. Era como se estivéssemos imbuídos de uma missão. E eu acreditava tanto na proposta que não tinha quem ou o quê me demovesse da ideia. Havia algo de messiânico...

Para quem não conhece o Antônio Franco, o Thales Ferraz e o Leite Neto eram os prédios que compunham o antigo mercado central de Aracaju. Três prédios, três estilos arquitetônicos: um eclético (1926), um neocolonial (1947) e o mais novo brutalista (aproximadamente 1980- foi demolido na obra), emaranhados numa intricada rede de barracas de madeira e bancas de alvenaria conformando uma favela que obstruía ruas, praças e calçadas.

A simbiose e continuidade espacial entre os três mercados e as barracas era tamanha que constituíam um só organismo. Por sua vez os prédios escuros, sem manutenção jogavam a feira na rua. Frutas e verduras eram vendidas no chão, sobre lonas no meio-fio enlameado, conhecido como feira da pedra.

As barracas de camelôs instaladas nas vias públicas obstruíam o trânsito e fecharam o comércio formal na área por anos a fio. Para se ter uma ideia do caos urbano existiam prédios de dois andares construídos no canteiro central das avenidas, margens do Rio Sergipe e no miolo dos mercados. Pesquisas estimavam um universo de 9.000 pessoas por dia.

Segundo amigos um verdadeiro “set de cinema”. E os dois prédios antigos, lindos, esquecidos, qual cinderela adormecidos e só vislumbrados, aqui e ali, por olhares sensíveis. Talvez por isso tenham sido preservados.

A oportunidade de concretização da obra se deu com a transferência do porto de Aracaju para Santo Amaro que nos permitiu reorganizar a feira com a construção do mercado novo, edificado a partir do reaproveitamento de antigos galpões portuários abandonados que foram incorporados ao complexo.

O desmonte da favela e a transferência dos feirantes para o novo prédio foi comparado à guerra de Kosovo(???). De nossa parte, proibidos de acompanhar o processo, acreditamos fazer um trabalho de arqueologia urbana redescobrindo um tesouro arquitetônico para a cidade que hoje se orgulha do seu patrimônio histórico.

Do início do processo até a conclusão da obra foram mais dez de anos de estudo, então podem fazer as contas. Arquitetura leva tempo!

Daquela época, além da certeza e entusiasmo, um temor da ideia não vigar, virar folclore. Mas como dizia o Raulzito:

“- Sonho que se sonha só, é só um sonho que se sonha só. Mas sonho que se sonha junto é realidade.”

Texto e fotos reproduzidas do site: infonet.com.br/analiborio

Postagem originária da página do Facebook/Minha Terra é SERGIPE, em 16 de Janeiro de 2013.

Homenagem ao Jornalista Orlando Dantas

Foto: acervo Paulo Roberto Dantas Brandão
Busto de Orlando Dantas na Praçinha em frente a Igreja no Conjunto que leva o seu nome.

Postagem originária da página do Facebook/Minha Terra é SERGIPE, em 16 de janeiro de 2013.

quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

Albino Silva da Fonseca (1909 - 1992)

Albino Silva da Fonseca

Nasceu em 05 de março de 1909, em Itabaiana, filho de Juvino Silva e Maria das Graças Silva da Fonseca. Desde cedo, iniciou sua vida empresarial, ajudando o Pai, fazendo o transporte de mercadorias para Aracaju. Mudou-se para Aracaju, e foi trabalhar no Mercado Municipal.
Como empresário, foi um grande inovador. Ingressou no setor de Panificações, com as Padarias Aymoré, CERES (a melhor de Aracaju), e Pirangy. Foi pioneiro em vários setores da economia sergipana. Fundou as primeiras Fábricas de Biscoito e de maçarão; foi proprietário da primeira Granja do estado, introduziu o uso do gás engarrafado em Sergipe, fundando a Sergipe Gás; da água mineral Itaperoá (atual Indaiá). Ao lado de Noel e Gentil Barbosa, de Mamede e Pedro Paes Mendonça; de Oviedo Teixeira, entre outros, Albino Silva da Fonseca formou a legião de comerciantes itabaianenses que engrandeceram a economia sergipana.
No campo da política, foi importante prócer da UDN, ao lado de Leandro Maciel. Exerceu os mandato de Deputado Estadual e Senador da República, como suplente de Heribaldo Vieira. Para enfrentar o Poder do PSD no Governo, que controlava a Rádio Difusora; Albino Silva montou a maior emissora do estado, com 10 mil Watts de potência, a famosa Rádio Liberdade, inaugurada em 07 de setembro de 1953. A nova emissora possuía auditório, estúdio de novela, como as grandes de uma Era do Rádio, e contratou astros da radiofonia nacional, como Walter Ouro (posteriormente da BBC), Santos Mendonça, Santos Santana, Carlito Melo, Raimundo Silva, o imbatível Silva Lima, e o seu famoso “Informativo Cinzano”.
Albino Silva da Fonseca, faleceu em 19 de junho de 1992, aos 83 anos.

Postagem originada da página do Facebook/Minha Terra é SERGIPE, em 16 de janeiro de 2013.

segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

Prédio Histórico do Antigo Presídio de Aracaju

Fachada atual do prédio onde funcionou o Presídio de Aracaju. Foto: Portal Infonet


Prédio do antigo presídio resiste ao tempo
Por Bruno Antunes.

Hoje o antigo presídio abriga a sede da Escola de Gestão Penitenciária (EGESP) que promete capacitar todos os agentes penitenciários do Estado.

Inaugurado na tarde do dia 12 de outubro de 1926, o Presídio de Aracaju, localizado no bairro América, começou a ser construído três anos antes, no governo de Graccho Cardoso. O projeto foi do jovem e distinto engenheiro Dr. Arthur Araújo, tendo sua pedra fundamental batida no dia 05 de outubro de 1923. Segundo o pesquisador e historiador Luiz Antonio Barreto, a construção chamada de Penitenciária Modelo, pelo então governado,r foi idealizada pelo imigrante italiano Hugo Bozzi, que também construiu o prédio da procuradoria do Estado, a primeira construção de concreto armado em Sergipe.
Ainda segundo Luiz Antônio dois nomes de destaque passaram pela direção da penitenciária: Antônio Manoel de carvalho Neto, que foi deputado federal e é considerado um dos pioneiros em direito penitenciário do Brasil, e Francisco Leite Neto, que também foi diretor do presídio, além de deputado e senador da república.

“O prédio parecia representar algumas idéias científicas sobre o homem delinqüente abordadas no livro do italiano Lombroso. Foi em plena efervescência na mudança tanto do sistema penitenciário, quanto na internação dos doentes mentais no país. O importante não é apenas a arquitetura, mas o compromisso com o sistema penitenciário, a idéia na época era de recuperar o preso para a sociedade”, relata o historiador.
O prédio era considerado um dos presídios mais modernos do paí,s com a arquitetura de influência da época renascentista italiana. Porém, com o passar dos anos, a estrutura ficou muitos tempo sem passar por uma reforma até ser considerado ultrapassado. De alguns anos para cá aconteceram diversas fugas, tanto que a penitenciária passou a ser chama de ‘Queijo Suíço’ por conta dos inúmeros túneis que os internos faziam para escapar do local. O presídio foi desativado e demolido em junho de 2007, mas a fachada do prédio foi mantida por ser tombada pela subsecretaria de Patrimônio Histórico e Cultural.

Na época da desativação, foram necessárias duas transferências dos presos, uma no dia 26 de janeiro e a outra no início de fevereiro, quando foram retirados 220 detentos. Foi feita uma divisão de acordo com o regime em que as pessoas eram condenadas. Os de regime provisório foram para o Copecam, já para quem cumpria regime semi-aberto o destino foi a penitenciária de Areia Branca; os condenados em regime fechado foram para os Presídios de Tobias Barreto e Nossa Senhora da Glória.
Segundo o diretor do Departamento do Sistema Penitenciário (Desipe) Manuel Lúcio, a capacidade do presídio era de 180 presos, mas na época da desativação ele comportava 480 condenados. “Houve épocas, inclusive, emque haviam mais de 800 presos lá. É algo impensável na realidade do Estado hoje. Para se ter idéia, nas paredes das celas ainda tinha aqueles ganchos em que se deixava o pessoal algemado, coisa da época medieval”, revela.

Desde a demolição a área passou por reformas. Em frente a entrada da antiga penitenciária foi construída a praça da liberdade. Já a parte interna do prédio hoje abriga na parte térrea a sede da Escola de Gestão Penitenciária (Egesp). No andar superior fica a corregedoria da Secretaria de Justiça. Toda a parte que abrigava as celas foi demolida e o terreno que ainda está descampado vai abrigar a estrutura de aulas páaticas e alojamento da Egesp.

A escola vai capacitar cerca de 150 novos agentes penitenciários do sistema prisional por mês. Serão construídos ainda quadra poliesportiva, pista de atletismo, stand de tiro, alojamento para os guardas que vem do interior fazer curso ficarem alojados, academia e auditório. Até o final do ano toda essa parte da estrutura deve ficar pronta.

Maria Edvânia falou que todos os agentes prisionais do Estado serão capacitados
De acordo com a diretora da EGESP, Maria Edvânia Fagundes, a escola oferta em cursos de capacitação voltados especificamente para os agentes penitenciários e profissionais de áreas afins que desenvolvem atividades no sistema prisional.
“Promovemos cursos como direção defensiva ou orientação em várias outras áreas como qualidade de vida, educação sexual e educação no trânsito. Os agentes penitenciários aprendem como atuar no sistema penitenciário de maneira geral, como lidar com a família do preso, como fazer o atendimento ao público. Além disso, tem de curso de defesa pessoal e de tiro”, explana.

Sistema prisional

Agentes em curso promovido pela Escola de Gestão Penitenciária
Atualmente existem 3200 presos em todo o Estado. Com a ampliação das vagas nos últimos anos, a qualidade prisional melhorou sensivelmente. Com base em dados fornecidos pelo diretor do Desipe, o presídio do bairro Santa Maria abriga 476 presos e o cadeião de Socorro abriga mais de 170 presos.
“Essas duas unidades não estão superlotadas e trabalham dentro da sua capacidade, os presos tem toda a assistência que é prevista na lei de execuções penais, chegando ao ponto dos internos chegarem lá viciados em crack e saírem tratados. Uma equipe de psicólogos, psiquiatras, enfermeiros, dentista e terapeuta ocupacional ajudam na recuperação do detento”, conta Manuel Lúcio.

Atualmente a necessidade em Sergipe é de ampliar o número de vagas em relação aos presos provisórios. “Isso já está sendo feito com a construção do novo cadeião de Estância, que vai comportar 240 presos e deve ficar pronto nos próximos meses”, disse Lúcio.

Foto e texto reproduzidos do site: infonet.com.br
Publicação da Infonet - Cidade - Especial, em: 20/07/2010


Postagem originária da página do Facebook/Minha Terra é SERGIPE, em 13 de janeiro de 2013.

sábado, 12 de janeiro de 2013

Mercado Central de Aracaju

Personagens cheios de histórias dão vida aos mercados centrais de Aracaju.

Por Stephanie Matos. *

Os mercados centrais de Aracaju transbordam cultura popular o ano inteiro. Do cordel as ervas, do repente a macaxeira. Repletos de cheiros, gostos e personagens, eles são o ponto de encontro para uns e ganha pão para outros. Com a capacidade de reunir música, culinária, artesanato e literatura, e misturar cores, saberes e sabores, os mercados são peças importantes para manutenção da cultura sergipana.

Localizados no centro histórico de Aracaju, os mercados Antônio Franco e Thales Ferraz, foram construídos na década de noventa e passaram por um processo de revitalização no ano de 2000, desde então, atraem sergipanos e turistas. O mercado Antônio Franco, reserva uma diversidade de produtos artesanais vindos de todo o estado, além das comidas típicas, da literatura de cordel e das ervas medicinais. Já no mercado Thales Ferraz é possível encontrar produtos tipicamente nordestinos, como doces, manteiga de sertão e tapioca.

E atrás de cada balcão, há um personagem, uma história de vida construída com o suor do trabalho, que tem no amor pelo mercado, sua característica mais marcante. São pessoas simples, alegres e falantes. Gente com cara de gente, sabe? Gente de coragem, que leva a vida com otimismo e força de vontade, tem orgulho de ser quem é, e sente prazer em contar sua história.

Quem passa pelo mercado e conversa com esses personagens se encanta, e assim como eu, guarda na memória um pouco de cada rosto, cada voz e cada sorriso. Hoje, eu divido com vocês, as minhas lembranças sobre o Seu careca, João Firmino e Zé Américo. Três figuras preciosas que dão vida e alegria ao Antônio Franco.

O popular Careca

Batizado de José Freire de Oliveira, seu Careca, como é popularmente conhecido no Antônio Franco, é uma das principais atrações do lugar. Mas quem o vê na rua, com seus óculos fundo de garrafa, bermudas folgadas e camisa de botão, não faz ideia de quem ele é. E assim, passando despercebido em meio à multidão, ele caminha até o mercado onde trabalha há mais de sessenta anos. Lá, abre sua barraca e se transforma na figura mais conhecida do lugar: O popular Careca. “Esse é o homem mais famoso daqui”, disse outro vendedor ao passar pela banca de seu Careca.

Quem passa por sua barraca não deixa de parar por alguns minutos, seja pra bater papo com seu Careca ou pedir informação. “Trabalho aqui desde pequeno. Com treze anos eu era empregado numa barraca que vendia manteiga e quando fiquei moço montei meu próprio negócio. Então, todo mundo aqui me conhece e eu também conheço cada um que trabalha nesse mercado”, explica ele. Com 62 anos dedicados aos mercados de Aracaju, seu Careca, conta com aconteceu o processo de revitalização dos mercados municipais. “Eu lembro que na época da reforma, mais ou menos em 1997, eu trabalhava no Thales Ferraz e com a mudança, vim para o Antônio Franco. A grande modificação ficou na parte da organização, por exemplo, tudo que hoje é vendido lá no Albano Franco, como carne e verdura, era comercializado aqui”, conta seu Careca.

A barraca do Careca é repleta de artesanato vindo de todos os cantos do Estado. Peças que garantem o sustento da sua família e tantas outras. “Criei meus quatro filhos com o dinheiro das vendas. Minha mulher está sempre aqui comigo e hoje meu filho mais velho vem pelo menos duas vezes por semana me ajudar”, disse ele.

Trabalhar durante tanto tempo no mesmo lugar acaba criando vínculos, seu Careca, sabe bem disso, e fala sobre o seu amor pelo mercado. “Conheci minha mulher aqui, o pai dela era dono de uma barraca no Thales Ferraz. Namoramos, casamos e criamos nossos filhos entre a casa e o mercado. Por isso, para mim não há outro lugar. Pretendo ficar aqui até quando a saúde deixar”, afirma.

O cordel de Firmino

Logo depois da passarela das Flores, que liga o mercado Thales Ferraz ao Antônio Franco, uma banca colorida de histórias chama atenção de quem passa. Lá, de sandália de couro no pé e versos na ponta da língua, está João Firmino Cabral, o maior cordelista do Estado.

Os olhos curiosos de Firmino percorrem cada linha do cordel e sua voz grave dá sentimento as mais diversas histórias. Apaixonado pela literatura de cordel e dono de uma sabedoria que dispensa diplomas, ele afirma: “Na minha banca ninguém tem prejuízo, porque ler não é prejuízo. Ler é cultura”. Há 56 anos produzindo e vendendo cordéis, seu Firmino, é outro personagem marcante e uma das figuras mais procuradas do Antônio Franco. Amante das palavras e com talento nato para poesia, ele encanta sergipanos e turistas com suas histórias. E na barraca “Box do Cordel“ tem de tudo. Do heroísmo a política e das festas populares aos milagres, para agradar todos os tipos de fregueses.

Nascido em Itabaiana, interior de Sergipe, Firmino conta que seu interesse pela literatura surgiu ainda na infância. “Aprendi a ler com o cordel. Eu comprava os folhetos de cordel e lia várias vezes até aprender. E na adolescência escrevi o meu primeiro cordel, chamado “As bravuras de Miguel, o valente sem igual”, afirma.

O amor de Firmino é tão grande que mesmo aos 72 anos, ele permanece de segunda a sábado, das 08h30 às 16h30 em sua banca. Lá ele expõe sua obra, vende os mais variados cordéis e livros, lê e todo simpático, conversa com quem passa e conta os “causos” do dia a dia aos amigos que param em sua banca. Com 50 trabalhos publicados, o cordelista, vê no cordel a razão de sua vida. “Eu nasci para isso, minha vida é o cordel, não sei fazer outra coisa. E não basta querer ser cordelista. Esse dom não se compra, se recebe de Deus. Felizmente eu fui escolhido por ele”, disse João.

A cozinha de Zé Américo

Quem visita o mercado Antônio Franco também pode desfrutar do melhor da culinária sergipana, comer o arribação no restaurante Recanto do Agresteiro, e de quebra bater um papo com Zé Américo do Campo do Brito. O melhor cozinheiro-sanfoneiro de Sergipe. Com mais de dez anos de mercado, faz comida por prazer e música por diversão.

Conversador, Zé Américo, passa de mesa em mesa, cumprimenta os clientes e não deixa de perguntar se a comida está agradando. Fala sobre tudo, em especial, sobre a cultura sergipana, seu assunto favorito. “Falta sergipanidade, o povo de sergipano não se interessa pelo que é da terra. Quem mais deveria apreciar a cultura desse lugar somos nós, sergipanos, mas infelizmente, os turistas mostram mais interesse. Sergipe precisa aprender a valorizar nossa cultura, pois temos uma história grandiosa, digna de destaque”, justifica Zé Américo.

Apaixonado pelo mercado, ele afirma que não pensa em levar seu restaurante para outro lugar. “Meu lugar é no mercado, aqui me sinto bem, tenho meus amigos e clientes fiéis, não tenho porque mudar. Daqui eu só saio morto”, explica. E amor dele pelo por aquele lugar vai além. “Se a prefeitura autorizasse, eu construía uma casa em cima do restaurante. Só para poder ficar por aqui o tempo todo”, diz Zé Américo com um sorriso no rosto.

Zé Américo recebe diariamente os mais diversos clientes, das pessoas que trabalham aos redores do mercado, até artistas e políticos. Seu famoso cardápio conquistou os sergipanos e turistas, e já foi destaque nos programas nacionais: “Mais você” (Rede Globo), “Vitrine Brasil’ (TV Brasil) e “Globo Rural”(Rede Globo). Em 2009, Zé Américo do Campo do Brito foi a capa da revista “Roteiros do Brasil’, distribuída pelo Ministério de Turismo. Conquista essa, que lhe rendeu a visita de personalidades como Regina Casé, Padre Zezinho, Dominguinhos e Gilberto Gil.

Texto reproduzido do site: et7ra.com.br

Foto reproduzida do Portal Infonet
Site: infonet.com.br/cidade/

Postagem originária da página do Facebook/Minha Terra é SERGIPE, em 8 de Janeiro de 2013.

O Cordelista João Firmino Cabral

Cordéis espalhados na Banca de João Firmino Cabral é uma alegria para os olhos dos visitantes

Por: Priscila Silva

Falar da cultura sergipana é englobar diversos fatores num único povo. Danças, lendas, músicas, comidas típicas, roupas e em especifico a literatura do cordel. Esta que é um tipo de poesia de origem popular, que no seu inicio foi difundida oralmente para depois aparecer em folhetos dependurados em cordas ou cordéis, vindo daí a origem do nome cordel, que vem lá de Portugal, que tinha a tradição de pendurar folhetos em barbantes.

Chegando ao mercado central de Aracaju, atravessa-se um corredor de flores, que irá acabar na Praça João Firmino Cabral, e lá, está o poeta do povo com sua simplicidade e atenção em meio a cordéis, visitas de amigos, turistas e passantes num ambiente acolhedor e familiar, como se fosse a sala de sua própria casa. Firmino é um senhor de olhar curioso, que traz na “ponta da língua” um cordel para falar, onde quem pára na sua banca ouve com atenção o que é lhe dito.

Ele é o João Firmino Cabral, 68 anos e com muito amor ao que faz confessa que tem 52 anos de cordel. “Estou completando 52 anos de poeta, comecei a escrever cordel aos meus 16 anos.” A vida do poeta não foi somente de letras e rimas. Na infância, o ilustre itabainense, ajudava a sua mãe Dona Cecília da Conceição, na tarefa de fazer panelas de barro. “Comecei o trabalho cedo, carregando lenha para a minha mãe fazer panelas de barro. Aos 14 comecei a ler cordeis, por causa da minha mãe que comprava para eu ler. E foi através do cordel que aprendi a ler e escrever”.

Quando perguntado qual cordel ele mais gosta, de maneira simples como seu próprio jeito humilde de ser, diz gostar de todos. “Meus cordéis são como meus filhos, eu gosto de todos. Desde o meu primeiro que eu escrevi em 1956 até os mais atuais sobre a dengue e o caso Pipita. Mas tenho um carinho por “Heróis do destino” e “A coragem de uma vaqueiro em defesa de um amor”

O cordelista é referência de pesquisa para estudantes de todas as séries, inclusive das crianças do interior, como é o caso do Colégio Imaculada Conceição da cidade de Capela, onde os alunos da 4 série vieram conhecer o ícone da cultura sergipana. “Gostei muito do João Firmino, ele escreve poemas legais, eu comprei três livrinhos, o monstro sem alma, corruptos do Brasil e As peripécias de João Grilo” , disse contente a estudante Calyane Gomes, 11.

O que deixa João Firmino Cabral orgulhoso do que faz, não é somente as constantes visitas de curiosos, estudantes e pesquisadores mas também a difusão do cordel em todo território brasileiro. “A literatura de cordel está mais divulgada porque já tem em vários estados e muitas pessoas vêm para minha banca conhecer o que é cordel”.

Como forma de retribuição, o cordelista assume a cadeira de número 23 na Academia Brasileira de Literatura de Cordel (ABLC). “Este ano vou fazer parte de uma das cadeiras. Em junho estarei seguindo para o Rio de Janeiro, tomar posse, aliás essa cadeira já pertencia a um ancestral meu, Manuel de Almeida Filho. Isto é bondade do povo, é uma alegria pra mim, porque eu sou o segundo poeta sergipano, teve o Gimar Santana , que é meu discipulo, ele foi o primeiro e eu fiquei honrado. Ele dizia nos jornais e revistas que a cadeira não era para ele e sim para mim e eu sempre falava a ele que um dia iria chegar a minha vez ”, lembra.

Proseando

O poeta nunca imaginou escrever algo diferente de cordel. “Nunca escrevi nada além do cordel a não ser uma cronicazinha com a minha língua matuta, prefiro ficar nesse estilo”. A respeito da procura dos leitores de cordel, Firmino se entristece quando reconhece a falta de interesse da população do interior.“Eu recebo as escolas. E infelizmente o público que lê menos é o povo do interior de Sergipe. Os interiores de outros estados estão sempre por aqui, Alagoas, Pernambuco e Bahia” e ainda acrescenta “O sergipano, estudante que tem uma formação, ele continua admirando a cultura, o cordel, a rima. Já o interiorano acha que o cordel é algo do passado, o povo gosta é de bandas musicais, gosta de lapada na rachada e chupa que é de uva”.

A banca de Firmino é bastante movimentada, de criança a poetas consagrados, um deles é o poeta Ronaldo Dória Dantas que chega à banca sem economizar elogios ao amigo. “Já virou vício estar aqui, meu dia só começa depois que eu passo por aqui para pedir a benção ao meu mestre que me incentivou a escrever e a ser o poeta que sou hoje” e também para Dória a cultura é pouco apreciada pelo público sergipano.

Já o poeta e pesquisador Clenaldo que também é amigo de longa data, não dispensa sua visita diária ao João. “Eu brinco com ele dizendo que ele é um poço de qualidades e ele como sempre, com seu jeito humilde e modesto, me retribuiu com os mesmos elogios” e também considera Firmino um irmão, porque quando ele mais precisou, estava presente. “Quando para mim já não havia mais nenhum um sopro de esperança de vida e a medicina já havia me dado como perdido busquei nos amigos a força e o positivismo para dar voltas e ressurgir das cinzas como uma fênix. Curei-me de um câncer do pulmão, que os médicos diziam que eu tinha apenas 5% de chance de sobreviver e agradeço a este meu amigo-irmão que tanto me deu forças para que eu não desistisse de lutar pela vida”, relembra o amigo e emocionado Firmino com os olhos rasos d’água o abraça, disfarçando, adianta “Estou atrasado, hoje vou dar uma entrevista a Valadão na Tv Caju”. Este é o nosso João Firmino Cabral.
  
Foto e texto reproduzidos do blog: ventoseversos.blogspot
De: Priscila Silva.

Postagem originária da página do Facebook/Minha Terra é SERGIPE, em 7 de janeiro/2013.

sexta-feira, 4 de janeiro de 2013

Prédio que serviu de Paço Imperial



Um argelino em Aracaju
O comerciante José Narboni.
Por Luiz Antônio Barreto

Nos primeiros tempos de Aracaju como capital da Província de Sergipe, em 1855, José Narboni fazia investimentos mobiliários, atendendo ao presidente Inácio Barbosa que então exortava os capitalistas, como os barões de Maroim e de Própria e o Capitão José Teixeira da Cunha, a que construíssem casas para atender, na venda ou no aluguel, aos funcionários públicos que seriam removidos, compulsoriamente, de São Cristóvão. Nascido em 4 de abril de 1806, José Narboni já estava em Sergipe, provavelmente em Maroim, antes da mudança da capital. Em 1860 era Vice cônsul da França e do Uruguai e nesta condição integrou a Comissão de Recebimento do Imperador Pedro II, em janeiro daquele ano. No dia 12 de janeiro de 1860 felicitou, com Horácio Urpia, que era Vice Cônsul de Portugal, e vestindo as suas vestes oficiais ofereceu-se para servir de Porta Bandeira na Guarda de Honra do Palácio e ali permaneceu no seu posto de honra.
José Narboni tinha vendido, como registra da Mensagem de 2 de julho de 1856, a mobília do Palácio Provisório (prédio da praça Fausto Cardoso, esquina com avenida Rio Branco, adaptado para ser o Paço Imperial, que depois abrigou uma repartição federal, a Delegacia Fiscal). Quem comprou o mobiliário foi o presidente Salvador Correia de Sá e Benevides, que substituiu Inácio Barbosa, morto meses depois da mudança da capital. O jornalista e professor Luiz Álvares dos Santos, ao escrever sobre a viagem imperial a Sergipe, anota que “a mobília é singela, mas muito elegante de mogno, a Luiz XV, contendo um piano da mesma madeira. No centro da sala uma mesa em forma de elipse com pedra de mármore branco”, seguindo na descrição de tudo o que havia no Paço Imperial.

José Narboni manteve-se no comércio de Aracaju e teve participação na fundação da Loja Cotinguiba, em 1872, iniciando-se em 10 de novembro daquele ano. Entre 1859 e 1875 Narboni ajuizou ações, principalmente de cobranças, contra comerciantes com negócios em Aracaju. Uma, de 7 de maio de 1875, é requerendo a falência da Casa Comercial de Luiz José Ramos, pela falta de pagamento de várias letras, sendo devedor de Narboni e de outros credores. Outras, de 10 de fevereiro de 1860, cobrando uma dívida de Bento José Pereira, como fiador (ao ser inventariado, Bento José Pereira tinha casa de morar, em terreno próprio, casa de farinha e seus pertences, quinhão de terras no sítio Porto Grande, casa na cidade de Aracaju cercada de salinas no apicum da Manteiga, com coalhadores, tanques e armazém e, ainda, dívidas passivas). Outros casos foram: Processo Crime, datada de 15 de fevereiro de 1876, no qual Narboni, como queixoso, acusa Zifirino Alves Dias Torres de superfaturamento de um escravo que deveria ser entregie a alguns negociantes do Rio de Janeiro; Ação Comercial de 24 de julho de 1860, na qual o autor (Narboni) requer o pagamento da quantia que lhe deve o negociante de gêneros alimentícios Adolfo Beck (alemão nascido em Hamburgo em 1 de janeiro de 1832, Despachante Geral da Alfândega de Aracaju, que morreu em Aracaju em 4 de maio de 1896).

Ao morrer, ostentando o título honorífico de Comendador da Rosa, José Narboni teve seus bens inventariados, em 13 de novembro de 1876, por Fortunata Narboni de Figueiredo. Eis a lista dos bens: “ Comenda da Rosa, salvas de prata, talheres de prata, relógio de ouro e cadeia de ouro, relógio de prata, bancos, cadeiras, cadeira de balanço, escrivania, bancas de jacarandá, sofá, mesa, cômoda, cofre de ferro, quatro escravos, casa na rua Aurora (atual avenida Rio Branco), casa na rua São Cristóvão, terreno na rua Japaratuba (atual João Pessoa), posse de terra no Mosqueiro, com casa de morar, vacas, éguas,, potros, dívidas ativas e passivas.” Pela lista de bens de José Narboni é possível traçar o perfil de um capitalista da segunda metade do século XIX, ligado ao comércio da Província de Sergipe. Outros estrangeiros exerceram atividades empresariais em Aracaju e noutras cidades sergipanas, como Maroim, Estância, Laranjeiras, constituindo famílias, angariando espaço na vida econômica da Província.

Dezenas de estrangeiros participaram da fundação e entraram para a Maçonaria, o que faz supor que a loja maçônica era uma espécie de “embaixada” para os que aportavam em Aracaju, procedente de vários destinos. José Narboni, que integrou o primeiro grupo de estrangeiros na Loja Cotinguiba, é um exemplo de adaptação à vida sergipana. Uns constituíram família, e continuaram residindo em Sergipe, outros voltaram para o lugar de origem ou mudaram para outras cidades.

Foto e texto reproduzidos do site: infonet.com.br

Postagem originária da página do Facebook/Minha Terra é SERGIPE, em 30 de dezembro/2012.

José Calasans foi governador de Sergipe entre 1892-1894

José Calasans foi governador de Sergipe entre 1892-1894 e por mais dois curtos períodos
 (20/10 a 04/11/1930 e de 10 a 16/11/1930).

Sergipe ensaiava os passos na República recém-proclamada, quando José Calasans assumiu pela primeira vez o comando do Estado, em maio de 1892. Este governador, que tem o seu nome gravado na história política de Sergipe e que teve outras duas passagens pelo então Palácio Provincial (hoje Palácio-Museu Olímpio Campos)...

O nome do ex-governador está ligado a um personagem da literatura e história de Sergipe, Sílvio Romero, que liderou um grupo de republicanos que depôs José Calasans no dia 11 de setembro de 1894..."

Fonte: historiadora e professora Lenalda Andrade Santos
Foto e texto reproduzidos do site: casacivil.se.gov.br

Postagem originária da página do Facebook/Minha Terra é SERGIPE, em 30 de dezembro/2012.

quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

Thales Ferraz


Thales Ferraz

Criador e mantenedor do Parque Sergipe Industrial, o maior e mais diversificado complexo de lazer da capital sergipana.

Aracaju perdeu, em 1927, Thales Ferraz, engenheiro têxtil formado em Manchester, na Inglaterra, por muitos anos diretor das fábricas Sergipe Industrial, criador e mantenedor do Parque Sergipe Industrial, o maior e mais diversificado complexo de lazer da capital sergipana.

Em 1919, depois de viajar pelos Estados Unidos em busca de idéias para as relações como os operários da fábrica, Thales Ferraz desenhou e instalou o Parque, com mesas e cadeiras alcochoadas para uso dos trabalhadores e suas famílias, oferecendo cinema, espetáculos de teatro, de música, ampliando o convívio social nos bailes, nos piqueniques, excursões, enquanto garantia serviços médicos, odontológicos, farmacêuticos, educacionais aos filhos dos operários. Creche, escolas e farmácia existiam ao lado dos clubes desportivos, formados como pessoal da própria fábrica.

Mais do que um visionário, que introduziu férias e reajustou salários de acordo como o padrão digno de sobrevivência. Thales Ferraz foi um benemérito da cidade, contribuindo para a construção do Hospital de Cirurgia e para outros equipamentos, e socorrendo os pobres das cercanias da fábrica.

Ao morrer, em 1927, Thales Ferraz foi levado nos braços do povo até o Cemitério dos Cambuís, onde desejou ser enterrado, em cova rasa. Solteiro, Thales Ferraz deixou muitas "viúvas", as quais auxiliava mensalmente com certa importância em dinheiro, entregue em envelopes, como pagava aos trabalhadores. A morte de Thales Ferraz não interrompeu o funcionamento do Parque Sergipe Industrial, que continuou até a década de 50 sob a direção de Carlos Cruz, formado em Comércio, em Genebra, na Suíça.

Fonte: Serigy - A história de um povo
Fotos e texto reproduzidos do site: onordeste.com

Postagem original na página do Facebook/Minha Terra é SERGIPE, em 1 de Janeiro de 2013.

Alexandre Gomes de Meneses Neto

Alexandre Gomes de Meneses Neto 


Nasceu em 8 de julho de 1926, em Pernambuco, sendo seus pais Alcindo Soares Meneses e Alice da Costa Meneses. Diplomou-se pela Faculdade de Medicina do Recife, em 8 de dezembro de 1952. Realizou cursos de especialização e estágios, sobre doenças parasitárias e endemias rurais. Sócio da Sociedade Brasileira de Higiene, da Sociedade de Higiene de Pernambuco, da Associação Médica Brasileira e Ex-presidente da Sociedade de Medicina de Sergipe. Exerceu cargos de chefia na área de endemias rurais e doenças parasitárias em Pernambuco, Paraíba e Sergipe.

Neste último estado da federação, dirigiu o Serviço de Combate ao Tracoma e coordenou a Campanha Nacional contra a Varíola. É Professor Titular de Parasitologia da Unversidade Federal de Sergipe, Membro Emérito da Academia de Medicina de Sergipe e autor de trabalhos científicos e de pesquisa, notadamente sobre tracoma, varíola e esquistossomose.



Fonte Bibliográfica: Batista e Silva, Henrique – História da Medicina em Sergipe. Aracaju, 2007.

Foto e texto reproduzidos do blog medicosilustresdabahia.blogspot


Postagem original na página do Facebook/Minha Terra é SERGIPE, em 1 de janeiro de 2013.