sábado, 27 de abril de 2013

Oradores e Intelectuais


Publicado pela Infonet/Blog Luiz Antônio Bareto, em 04/06/2010.

Oradores e Intelectuais
De Fausto Cardoso a Marcelo Déda
Por Luiz Antônio Barreto.

Nos anais da cultura sergipana estão registros, ainda que a cada dia tendam a cair de importância, de homens de jornal e de tribuna com fôlego e preparo de intelectuais. Nomes que brilharam no final do século XIX, como Manoel dos Passos de Oliveira Teles, Prado Sampaio, ocupando as páginas dos diários, tratando de temas novos e de reflexões que iluminavam os caminhos abertos pela revolução cultural da Escola do Recife, sob a genial liderança de Tobias Barreto. Outros, pelas ruas, com suas vozes anunciadoras de novidades políticas e culturais. Durante as três ou quatro décadas do século XX os jornais estavam repletos de intelectuais jovens, afinados com as discussões do tempo, e já tocados pelo debate ideológico. Além dos que viraram o século, anota-se os nomes de Clodomir Silva, Mário Cabral, Omer Monte Alegre, João Passos Cabral, Maria Rita Soares de Andrade, os irmãos Walter e Aluysio Sampaio, João Nascimento, e de outros que animavam o mundo cultural da terra. Orlando Dantas, José Calasans, Gonçalo Rollemberg Leite, Manoel Cabral Machado, modernizaram ainda mais a imprensa, jornais e revistas que contaram, ainda, com outros grandes, que devem ser evocados e lembrados.

Além dos escritores e dos jornalistas, tão próximos pela fixação, para a posteridade, dos que escreveram, Sergipe guardou a memória das ruas, os encontros cívicos, as lutas políticas, nas palavras de oradores que tanto excitavam, quanto comoviam as platéias atentas. O que ficou nos guardados dos sergipanos, nas páginas dos jornais velhos, ou na lembrança colhida pelo testemunho, apontam para a consagração de jornalistas atentos e oradores vibrantes, enfeitiçando as massas, marcando-as com o sopro da genialidade convertida em expressões semânticas, muitas vezes aureoladas por gestos tocantes de emoção. No século XX, e já se pode incorporar a década quase vencida do século XXI, correram nas ruas sergipanas os nomes de Fausto Cardoso, Homero de Oliveira, Seixas Dória e Luiz Garcia, para citar quatro dos maiores oradores de todos os tempos, aos quais se deveria, de plena justiça, juntar o nome de Marcelo Deda, a sensação mais recente da arte da palavra em voz alta.
Fausto de Aguiar Cardoso (1864-1906) teve uma vida curta e de lutas, e morreu pregando a revolução e reverberando que “A liberdade só se prepara na história com o sangue dos homens, o cimento dos tempos. E se ela não é o preço de uma vitória, não é liberdade; será tolerância, favor, concessão, que podem ser cassados sem resistência que se revista do Poder. Não gera caracteres nem cria personalidade. Enerva, dissolve, abate, humilha, corrompe e transforma os povos em míseras sombras.” Seu assassinato, em nome de uma causa que uniu parte significativa do povo sergipano, consagrou o poeta, o advogado, o político e especialmente o orador, como revelam os registros gráficos da Câmara Federal.

Homero de Oliveira Ribeiro, de família laranjeirense, viveu 52 anos (1858- 1910), mas com intensa atividade: redigiu e dirigiu o Correio de Aracaju, escreveu e publicou poesias, foi deputado no início da República e apresentou um Projeto de Constituição estadual, foi magistrado e presidiu o Tribunal de Justiça de Sergipe. Mas, ao morrer, o que se ouviu entre os órfãos da sua palavra, o que mais se leu, foi que ele era o grande orador do seu tempo, era todo inspiração e sabia hipnotizar o público com seus discursos.

Luiz Garcia ( 1910-2001) foi homem de jornal, como foi orador político e também soubesse usar os parlatórios dos Tribunais para manifestar, com sua palavra comedida, formando frases de esmerada concisão, adornando com gestos e hábitos o teor dos seus discursos. Deputado Estadual, Deputado Federal, Governador do Estado, chegou a Academia Sergipana de Letras pela voz, mais do que pelos escritos, ainda que tivesse sido um notável jornalista, do mesmo Correio de Aracaju que abrigou em suas páginas Homero de Oliveira.

Seixas Dória, nascido em 1917, arrebatou o Brasil com sua palavra, sua voz trêmula, seus gestos largos, seu lenço branco, e sua coragem intimidadora. Pequeno no porte, gigante quando tinha diante de si, o microfone e o povo atento. Sendo o mais contemporâneo dos grandes oradores, Seixas Dória conduz, com sua vida longa, a consagração que conquistou com sua oratória espetacular. Aos 93 anos, ainda surpreende os desavisados e afaga o ardor dos que o ouviram falar, nos áureos tempos das lutas políticas, e conquista aplausos e admiração, pela magia que conserva, como um bem íntimo e ao mesmo tempo público, que marcou sua vida política. Seixas Dória também ingressou, pela palavra, na Academia Sergipana de Letras, ilustrando uma das Cadeiras do Sodalício das Letras e sobrevive como um símbolo, um monumento de Sergipe.

Ainda que a palavra concorra com o signo e que a comunicação tenha perdido o charme da palavra poética, inflamada, cheia de verdades duras, ainda existem os encantadores de multidões, aqueles cujas palavras e gestos fascinam, apaixonam. Marcelo Deda, de 50 anos recentemente feitos, é o nome do grande orador do presente, que elevou o tom cultural do discurso, incorporando nele as lições da história e as reflexões que tornam a palavra um instrumento definitivo de afirmação da inteligência. Sua primeira linguagem foi a do cinema, a palavra em imagem e movimento, mas depois veio a política e com ela a arte de falar fez o monge, na analogia possível, que consagra o orador e acentua a qualidade das suas participações. Os discursos de Marcelo Deda justificam, plenamente, a inclusão do seu nome na galeria dos maiores oradores de Sergipe. Assim como João Alves Filho fez com os seus livros, Marcelo Deda com seus discursos, entrevistas e outras falas, consagra um papel novo de governante.

Como no verso concreto, a Pa Lavra.

Foto e texto reproduzidos do site: infonet.com.br/luisantoniobarreto.

Na foto, Seixas Dória, quando deputado.

Postagem originária do Facebook/MTéSERGIPE, em 22 de abril de 2012.

As efemérides sergipanas de Epifânio Dória


Publicado pela Infonet/Blog Luiz Antônio Bareto, em 05/03/2010.

As efemérides sergipanas de Epifânio Dória
Por Luiz Antônio Barreto.

A cultura sergipana contou, no curso da história, com alguns autores que deram intensa e ampla contribuição na fixação da vida local, muito embora não tenham resistido ao tempo, muito menos ao descaso com a memória. Recortando-se apenas o tempo da República, anota-se o nome de Felisbelo Freire (1858-1916), que além da clínica médica, da militância política, legou aos pósteros uma História de Sergipe, uma História Territorial do Brasil (que inclui Sergipe) e uma História Constitucional da República, dentre outros livros referenciais. Outros nomes merecem destaque, como o de Francisco Carvalho Lima Júnior, o de Clodomir Silva, o de Manoel dos Passos de Oliveira Teles, pinçados dentre muitos que dedicaram tempo à pesquisa e aos estudos sergipanos.

Outro nome que também é uma referência é o de Epifânio Dória (1884-1976), o organizador de acervos, o gestor dos arquivos, o zelador perfeito da documentação sergipana. Sua biografia ilustre começa em Maroim, onde emprestou seu talento no Gabinete de Leitura daquela cidade, fundado em 1877. O circuito de atividades de Epifânio Dória inclui a Biblioteca Pública, que hoje leva seu nome, o Arquivo Público do Estado de Sergipe, a Loja Capitular Cotinguiba, a mais antiga instituição maçônica, ainda em funcionamento, e o Instituto Histórico e Geográfico de Sergipe, onde doou suas últimas forças, preservando o acervo e a prestação de serviços da Casa de Sergipe, que muito em breve celebrará seu Centenário.

Além do esforço pessoal, dos contatos protetores para as instituições nas quais servia, e da prestimosa atenção que dispensava aos leitores e pesquisadores, Epifânio Dória organizou uma vasta obra, que demarca a vida intelectual sergipana, desde sua participação, em 1925, na edição do Dicionário biobibliográfico sergipano, de Armindo Guaraná, ao lado de Prado Sampaio. Os jornais das cinco primeiras décadas do século XX estão repletos de artigos, comentários, correspondências, anotações de Epifânio Dória, tudo destinado a formar um repertório de conhecimento local, fazendo despontar fatos e pessoas que nem sempre conquistaram o justo lugar no panteão dos construtores da sergipanidade.

De todos os trabalhos empoeirados, sem edição, Epifânio Dória deixou um, que pela sua contribuição merece destaque. Refiro aos artigos enfeixados no título geral de Efemérides sergipanas. Trata-se de artigos publicados em vários jornais, acrescidos de novas informações, anotados e algumas vezes refundidos, que constituem um corpus de excelência sobre Sergipe e os sergipanos. Não há nada igual. Por isto mesmo muitos dos pesquisadores atuais sonharam com a organização, a fixação dos textos e a publicação das Efemérides sergipanas. Havia, contudo, muito a enfrentar e superar, para dar forma e divulgação ao esforço gigantesco de Epifânio Dória.

Ana Maria Fonseca Medina, professora e pesquisadora, já formando alentada obra de referência com temática sergipana, a exemplo dos livros sobre a Ponte do Imperador, sobre Hermes-Fontes, a partir de cartas, sobre os desembargadores do Tribunal de Justiça, decidiu enfrentar o desafio de recolher, cotejar, organizar e publicar, em 2 volumes, a obra maestra de Epifânio Dória. Um trabalho hercúleo e audacioso, uma contribuição enorme e útil, que recupera para os contemporâneos uma obra de referência que corria o risco de permanecer inacessível às novas gerações de sergipanos.

Os dois volumes formam, na verdade, uma Seleta da imensa colaboração aos jornais, dada por Epifânio Dória. É certo que alguns artigos foram perdidos, juntamente com os jornais que os publicara. É possível, ainda, localizar versões de efemérides, que foram reescritas ou corrigidas, ou mesmo ampliadas pelo autor. Nada, contudo, tornará menor o esforço de Ana Maria Fonseca Medina, em organizar e editar a principal das obras de Epifânio Dória. A publicação, que seguiu o ordenamento cronológico, contou com o patrocínio do Governo do Estado, do BANESE e do BANESE CARD, e mereceu comentários de Ivan Valença, Luiz Eduardo Costa, Pedrinho dos Santos, Coronel José Garcez da Costa Dória, Tânia Menezes e do Governador Marcelo Deda, Prefácio de José Ibarê da Costa Dantas, Introdução da organizadora, cronologia, por José Francisco Menezes, e fortuna crítica reunindo opiniões de Urbano Neto, Ariosvaldo Figueiredo, Manoel Cabral Machado, Hugo Costa, José Augusto Garcez, Dilton Maynard e Arivaldo Silveira Fontes.

Uma obra, portanto, das entranhas da história e da cultura de Sergipe, para servir de lume ao conhecimento das atuais e das novas gerações dos sergipanos. Pelo seu caráter didático, tomara que chegue às escolas, de todos os níveis, onde é feita a formação do cidadão desta terra.

Foto e texto reproduzidos do site: infonet.com.br/luisantoniobarreto

Postagem originária da página do Facebook/MTéSERGIPE, em 22 de abril de 2013.

50 Anos da Empres Senhor do Bomfim (2010)


Publicado pela Infonet/Blog Luiz Antônio Barreto, em 26/02/2010.

50 Anos da Empres Senhor do Bomfim (2010).

Um relance do olhar em busca do passado fará erguer um totem de homenagens a figuras de empresários, com suas projeções, mas sem a garantia de que os seus empreendimentos sobreviveram em Sergipe.

Poucas empresas sergipanas dobraram 50 anos de existência, evoluindo, crescendo, procurando adaptar-se às exigências do tempo. Um relance do olhar em busca do passado fará erguer um totem de homenagens a figuras de empresários, com suas projeções, mas sem a garantia de que os seus empreendimentos sobreviveram em Sergipe. Os fundadores e administradores de A. Fonseca, Sabino Ribeiro, Bastos Coelho, José Alcides Leite, e centenas de empresários e empresas, desde os usineiros, beneficiadores de algodão, modernizadores do comércio, que fizeram a riqueza do Estado e a prosperidade do povo sergipano, são boas e exemplares evocações.

Os exemplos mais novos, dos irmãos Paes Mendonça e de João Carlos Paes Mendonça, Augusto do Prado Franco e seus filhos, de Oviêdo Teixeira e seus filhos, de Gentil Barbosa e de Noel Barbosa, de José Silva, João Alves, o pai e o Filho, e mais recentemente José Augusto Vieira, demonstram uma espécie de seletividade de capitais e investimentos, em parte decorrentes do potencial que a classe média sergipana tem acumulado como consumidora, com quantias generosas, mensais, para gastar. Inclui-se, nesse contexto, a presença da PETROBRÁS e de outros grandes agentes do processo do desenvolvimento, que oferecem garantia ao desempenho da classe média pujante e bem disposta.

No setor dos transportes a Empresa Senhor do Bomfim é o melhor exemplo e José Lauro Menezes Silva o melhor testemunho de trabalho. Tudo começou há 50 anos, quando Oviêdo Teixeira, pai de Gilza e sogro de José Lauro, teve a idéia de comprar três velhas marinetes (nome que era dado aos ônibus com bagageiro na parte superior externa) de propriedade de Marinho Tavares. Oviêdo Teixeira queria que a filha casada permanecesse em Aracaju, deixando de morar no município de Riachão do Dantas, na Fazenda Maxixe, de propriedade de Zeca Barbosa, pai de José Lauro. O negócio foi feito e de criador de gado José Lauro Menezes Silva, nascido em Lagarto, passou a organizar uma empresa – Firma Individual – para tocar a nova atividade: nascia a moderna Empresa Senhor do Bomfim, no dia 24 de fevereiro de 1960.

José Lauro Menezes Silva assumiu a empresa com a garra de quem tinha uma meta determinada, um objetivo seguro, uma disposição férrea para levar adiante um dos mais requeridos e, naquele tempo, complicados serviços. Sergipe e principalmente Aracaju guardavam memória dos vários tipos de transporte que serviram à população: barcos com viagens pelo rio Sergipe, atendendo aos portos de Laranjeiras, Maroim, Riachuelo, Santo Amaro das Brotas, secundados por Saveiros, que transportavam açúcar e outras mercadorias, e conduzia passageiros; bondes, à tração animal; trens, unindo Bahia e Sergipe e cortando Sergipe, do sul ao norte, com seus trilhos cortando as cidades, ao longo da rota. Dois trens Suburbanos ligavam Salgado e Capela a Aracaju, o que incluía passageiros de várias estações. Depois surgiram as marinetes, os bondes elétricos, os caminhões “pau de arara” que transportavam feirantes e outros viajantes, os carros de praça (táxis), os aviões, que desciam no leito do rio Sergipe e, mais tarde, pousavam no Campo de Aviação do Aero Clube de Sergipe. Por último surgiu o veículo utilitário Kombi, transportando passageiros entre o centro e os bairros da capital.

Foi diante de um quadro degradado dos transportes públicos, que José Lauro Menezes Silva preparou a Empresa Senhor do Bomfim para modernizar os serviços de transportes de passageiros, entre Aracaju e algumas cidades do interior, Aracaju e Salvador e outros destinos fora do Estado, até que em 1969 o então Prefeito José Aloísio de Campos abriu procedimento legal para exploração das linhas de transporte entre o centro de Aracaju e os bairros. Com a experiência do transporte intermunicipal e interestadual, a Bomfim ganhou a concorrência e deu início a uma nova era, comprando ônibus novos, confortáveis e seguros, superando o atraso que, por quase um século, marcou o serviço de transporte de passageiros em Sergipe.

Em 50 anos a Empresa Senhor do Bomfim multiplicou seus serviços, suas linhas, seus ônibus, tornando-se uma grande empresa, viajando em sete Estados, atendendo a diversos municípios do interior sergipano, com presença em Salvador, através da Barramar, e com serviços de turismo. Seus moderníssimos carros, que fazem a linha Aracaju-Salvador, em várias horários por dia, são carinhosamente conhecidos como “aviões da Bomfim”, o que sugere conforto, rapidez, segurança, e tudo o mais que é próprio das companhias aéreas.

José Lauro Menezes Silva, que conta com a colaboração do filho Lauro Antonio Teixeira Menezes, na expansão e na direção empresarial, continua na luta diária e aos 74 anos, feitos na semana passada (17 de fevereiro), esbanja juventude, administra como se estivesse começando um novo negócio, e tem a consciência de que deu sua parcela de contribuição ao desenvolvimento de Sergipe e ao bem estar dos sergipanos. Por isto mesmo iguala-se aos maiores empresários do Estado, com uma biografia toda ela de trabalho e de exemplaridade para as novas gerações de empreendedores sergipanos.

Foto e texto reproduzidos do site: infonet.com.br/luisantoniobarreto

Postagem originária da página do Facebook/MTéSERGIPE, 22 de abril de 2013.

Juarez Conrado e seu interesse permanente na figura de Lampeão


Publicado pelo Portal Infonet em 29 de outubro de 2010.
Blog Luiz Antônio Barreto

Juarez Conrado e seu interesse permanente na figura de Lampeão
Por Luiz Antônio Barreto

Morreu em Aracaju, aos 79 anos, e foi sepultado terça-feira, dia 26, o jornalista e escritor baiano Juarez Conrado. Jornalista experiente e político promissor na Bahia, Juarez Conrado resolveu viver em Aracaju, onde chefiou o escritório que o jornal A Tarde montou na capital sergipana, para estreitar os laços entre os dois Estados. A parceria foi boa para os dois, de um lado o jornal circulava para um público próximo e interessado, do outro Sergipe conquistou espaço nas edições diárias e um Caderno especial, semanal.

Cordial, afável, Juarez Conrado de logo conquistou a simpatia e a atenção dos sergipanos, convivendo harmoniosamente com os colegas da imprensa, circulando sem embaraço entre políticos e administradores, ele prestou enorme serviço ao jornal no qual trabalhava e ajudou Sergipe a comunicar-se com o Brasil.

Desde que chegou e fixou residência em Sergipe, como Correspondente de A Tarde, da Bahia, que Juarez Conrado voltou-se para a pesquisa, a anotação e a reflexão sobre a vida e os fatos ligados a Virgulino Ferreira da Silva, o Capitão Lampeão. Textos cursos, reportagens, livros, enfim uma contribuição que abarca a oitiva de testemunhas, sobreviventes dos tempos de 30, que desembocaram no 28 de julho de 1938, quando uma volante, ajudada por coiteiros, riscou do mundo e da vida, na Gruta do Angico, território de Poço Redondo, o afamado bando e seu chefe.

Sergipe foi, durante muitos anos, o terreno preferido de Lampeão, para fazer seus negócios, empreender sua guerra particular com as forças policiais e as volantes. São muitos os testemunhos que atestam a relação de intimidade do cangaceiro com a terra e com certas figuras, ricas e pobres, que lhe serviam. Nem o Major médico Eronídes Ferreira de Carvalho, que foi Governador e Interventor Federal no Estado escapou nas suposições que estão, ainda correntes, no imaginário dos sergipanos.

Lampeão assaltos e mortes em Sergipe enfeixa uma visão geral dos fatos, pelos documentos, pelos jornais, pelo ouvir dizer dos testemunhos, o que poderá provocar novos debates. Lampeão não tem imagem unânime, nem aquela que o põe como anjo vingador, nem a que, ao contrário, execra sua figura como satânica. Ele é o que é, junção de suas circunstâncias, fosse para a propaganda do bem, fosse para o rótulo do mal. Na medida em que amplia o horizonte da pesquisa, da leitura, e se debruça sobre o material para retratar, amplamente, o seu personagem, Juarez Conrado lança um longo olhar sobre os fatos, o que pode implicar numa revisão de conceitos.

Aflora pelo interesse, a visão que o autor tem de 16 municípios sergipanos, das regiões mais secas, onde a comunicação parca facilitava o deslocamento de Lampeão e dos seus rapazes, criando raízes em Sergipe. Outros temas, como a vingança de Corisco, e tudo o que dela decorre, um olhar sobre a imprensa, visões que completam o trabalho de Juarez Conrado.

Doravante, a leitura estará ao alcance dos olhos e ouvidos, límpida como a água, ao alcance dos de hoje, que conhecem Lampeão pela iconografia. A bibliografia sobre o ciclo do cangaço ganha mais um título, construído no curso do tempo, após trabalho exaustivo de ausculta, de anotações, de concordâncias e divergências, sem os quais, aliás, não se amplia o conhecimento. Um personagem tão complexo como Virgulino Ferreira da Silva não cabe num livro só. É preciso conhecer suas justificativas e a dos que se dividiam em apoiadores e combatentes, como é preciso vê-lo na dimensão mítica de sua sobrevivência sábia, nas catingas sertanejas do nordeste brasileiro. E ainda falta compreendê-lo como personagem que anima a lúdica nordestina, com seu trajo e com tudo o que esteticamente o cerca.

Foto e texto reproduzidos do site: infonet.com.br/luisantoniobarreto

Foto: Assembléia Legislativa da Bahia.

Postagem originária da página do Facebook/MTéSERGIPE, em 23 de abril de 3013.


Infonet - Blog Luíz A. Barreto, publicado em 01/11/2005.

Causos de Itabaiana Grande.
Por Luiz Antônio Barreto.

Nas últimas décadas a população sergipana migrou do campo para as cidades, mas não alterou, completamente, seus modos de vida. Os apelos da tecnologia, a comunicação de massa, não tiraram do povo os hábitos da conversa, da prosa amiga, alimentada pelos comentários que fatos e pessoas inspiram e que entram, pela aceitação e pelo uso, no amplo repertório de “causos”, matéria recorrente das conversas dos bares, das barbearias, farmácias, pontos outros de encontro das pessoas.

Cada lugar de Sergipe tem homens e mulheres que guardam imensa quantidade de estórias, velhas e novas, com as quais enchem de entretenimento as rodas de ouvintes. Uns fixam, no papel, em texto leve, os “causos” que guardam na memória, como foi o caso de José Augusto Machado, que publicou o livro Causos de Itabaiana Grande (Aracaju: Gráfica e Editora Info Graphics, 2004), espécie de antologia das estórias que recolhe na sua terra. O livro tem capa de Belém, um dos mais ativos e consagrados desenhistas e ilustradores de Sergipe.

O professor Antonio Samarone faz a apresentação do autor e do livro, chamando a atenção para a psicologia dos serranos ou ceboleiros, a partir das façanhas de figuras itabaianenses, dos vários escalões da sociedade. São fatos curiosos, engraçados, que adornam os perfís dos personagens com os quais o povo estabelece certa empatia. Já o jornalista e também professor Luciano Correia sublinha, em texto da quarta capa, o tipo interiorano em sua afirmação lúdica, contribuindo para dar unidade ao corpo social da terra, destacando Itabaiana e sua população.

Itabaiana é mesmo pródiga no registro das manifestações críticas. Vladimir Souza Carvalho tem pesquisado desde o caxangá, música popular que funciona como paródia, geralmente de textos chistosos, até os apelidos, tendo Itabaiana como o recorte geográfico e os itabaianeses como os notáveis criadores de tais fatos culturais. Um encontro de serranos costuma ser rico de evocações, lembranças interessantes de “causos”, como se houvesse em Itabaiana uma atividade permanente, ligada a tais acontecimentos, com força suficiente para resistir a todas as mudanças comportamentais. Tal constatação dá crédito a uma identidade local, reverenciada, exaltada, como uma qualidade, um diferencial.

Itabaiana ganha mais um intérprete com José Augusto Machado. Seu livro reúne homens importantes, como o médico e político Dr. Itajahy, nascido em Lagarto, e o comerciante e político Euclides Paes Mendonça, natural da Serra do Machado, município de Ribeirópolis, mas que pela vivência acabaram como tipos itabaianenses, naquilo que identifica cada um com o cotidiano da cidade, que comporta um traço de humor inconfundível, alastrado em outros personagens, flagrados em situações embaraçosas, ou protagonizando as mais risonhas estórias.

Euclides Paes Mendonça se tornou, em Itabaiana, um personagem de muitas estórias, alcançando repercussão fora do município. Há um grande anedotário em torno do “Seu” Euclides, ainda repetido nas rodas amolecadas de Itabaiana e de Aracaju. José Augusto Machado conta a estória da TV, que Euclides teria mandado embrulhar um aparelho e um “canal”, e que circulava de modo diferente em Aracaju. A versão era que ao ser indagado sobre a existência, em Sergipe, de um canal para captar os sinais da televisão, Euclides teria respondido que tinha, era o Canal de Santa Maria, um córrego ligado ao rio Poxim. Outra estória de Euclides, no imaginário dos sergipanos, é da “Oitava”, música que ele procurava numa casa de discos, e que nem era a 8ª sinfonia, nem outro qualquer clássico, mas a Farinhada, baião que ficou famoso na voz de Ivon Cury e que começava com Oi, tava na peneira/ oi, tava peneirando/oi, tava no namoro/oi tava namorando, que Euclides juntava como“oitava.” Muitas outras estórias existem por aí, tendo Euclides Paes Mendonça como personagem.

José Augusto Machado cumpre com um papel fundamental, de dar voz aos fatos da sua terra, pondo em evidência o saber e o fazer locais, povoado de gente simples, de gente destacada, num rol que valoriza o modo de vida de Itabaiana, sempre chamada de Grande, repleta de peculiaridades, vivificada nas fendas calcáreas da Ribeira, no Pé do Veado, no Matapuã, no Rio das Pedras, no Poço das Moças, no ouro e na prata das minas da Serra, nas carrocerias de caminhão, verdadeiras obras de arte, no imenso número de motos e de caminhões, nas carnes assadas ao longo da pista, e agora nos “causos” que o escritor recorda, recria, e publica como contribuição ao imaginário local.

Além da leitura agradável dos Causos de Itabaiana Grande fica o exemplo de que a literatura local, as narrativas populares, são fontes inesgotáveis que revelam pessoas, gente, hábitos, espertezas, situações próximas. E que o exemplo seja forte para despertar outros autores, que contem outras histórias.

Fotos e texto reproduzidos do site: infonet.com.br/luisantoniobarreto

Postagem originária da página do Facebook/MTéSERGIPE, em 23 de abril de 2013.

quarta-feira, 24 de abril de 2013

Viana de Assis


Publicado em 25/06/2010, pelo Portal Infonet.
Blog de Luiz Antônio Barreto.

Viana de Assis
Um exemplo singular de cidadania
Por Luiz Antônio Barreto.

A morte costuma estimular a exaltação de pessoas, como uma espécie de justiça tardia, revisando as omissões ou opiniões anteriores. Com Viana de Assis não será diferente, pois vencerá o reconhecimento do mérito, destacando uma existência rica de embates e exemplar, uma cidadania que bem pode servir de modelo às novas gerações, quanto aos compromissos, formação política e ideológica, e uma militância conseqüente.

Nascido em Aracaju, em 12 de setembro de 1933, filho do comerciante Antonio Veriano de Assis e de Edith Viana de Assis, Antonio Fernandes Viana de Assis estudou no Grupo Escolar Manoel Luiz, no Salesiano e no Ateneu, onde integrou e presidiu o Grêmio Cultural Clodomir Silva, que naquele tempo ainda guardava o eco das causas abraçadas pelo seu fundador Joel Silveira. A política marcaria o caminho de Viana de Assis, bacharel pela Faculdade de Direito de Sergipe, na turma de 1957, guardando uma forte influência dos professores Renato Cantidiano e Armando Rollemberg, que o recrutaram para os quadros do PR – Partido Republicano.

Católico por convicção, atuou na AP – Ação Popular, enquanto advogava na área trabalhista, criando laços eleitorais com a massa de trabalhadores e suas famílias. Na sua banca de advogado repartia o trabalho com Jaime Araújo e Tertuliano Azevedo, que além de colegas e parceiros eram amigos. Trabalhou, como Assessor, na Prefeitura de Aracaju, na gestão do prefeito Roosevelt Cardoso de Menezes, antes de ser nomeado Delegado do INCRA em Própria, onde montou sua base de atuação política, liderando a coligação PSD – Partido Social Democrático e PR – Partido Republicano, candidatando-se e elegendo-se Deputado Estadual à Assembléia Legislativa, em 1958, cumprindo mandato que servia para colocar seu nome entre os grandes parlamentares que tiveram assento naquela Casa, sendo vice-líder de Manoel Cabral Machado, na oposição ao Governo udenista de Luiz Garcia. Em 1960 integrou o comando da campanha do general Teixeira Lott a presidente da República, na disputa com Jânio Quadros.

Na eleição seguinte, de 1962, participou ativamente do lançamento da candidatura de Seixas Dória ao Governo do Estado, como dissidente da UDN, apoiado pela Coligação PSD-PR, contra o retorno de Leandro Maciel, que usava o slogan “Ninguém se perde na volta.” Com a eleição de Seixas Dória o tom dos discursos ganhou força progressista e Viana de Assis, ao lado de Cleto Maia e de Baltazar Santos, continuava com sua pregação nacionalista, enquanto prepara sua candidatura a Prefeito de Aracaju, que o movimento militar de 1964 abortaria. O Governador Seixas Dória foi preso, deposto e levado para a ilha presídio de Fernando de Noronha. Os discursos da Assembléia eram, na grande maioria, de apoio aos militares, mas a voz de Viana de Assis não calou, nem mesmo quando teve seu mandato cassado e recebeu, imediatamente, voz de prisão. Suas palavras soaram como uma reação digna, um protesto veemente, um testemunho de coragem, quando o manto escuro do autoritarismo interrompia a democracia brasileira.

Passada a borrasca, Viana de Assis retoma sua banca de advogado, inicia projetos como empresário, porém mantendo acesa a chama da vida pública.

Em 1955, com o retorno das eleições diretas para Prefeito das Capitais, foi candidato a Vice-Prefeito de Aracaju, como companheiro de chapa de Jackson Barreto de Lima. A tranqüila eleição de Jackson Barreto encontrou pelo caminho da administração certos percalços que determinaram a intervenção na Prefeitura Municipal de Aracaju. Viana de Assis assumiu o restante do mandato e apesar do pouco tempo que teve deixou marcas de sua passagem pelo executivo municipal, simbolizada pela construção do Calçadão da Praia 13 de Julho, conhecido como Calçadão de Viana, que por projeto do vereador Helber Batalha Filho passará a ser formalmente denominado de Calçadão Viana de Assis.

Exerceu o cargo de Secretário da Indústria e Comércio, consolidando uma postura em defesa do turismo, muitas vezes aflorada em iniciativas particulares e públicas, como é exemplo o Hotel Beira Mar. E em 1986 candidatou-se a Senador, tendo antes do pleito pesquisas que apontavam a sua eleição. Dormiu eleito, acordou derrotado, perdendo por pouco mais de cinco mil votos para Francisco Rollemberg. Com ele, mas por outra coligação, também perdia Seixas Dória. Por fim, ganhou relevo na biografia de Viana de Assis sua presença no Rotary Club, como espaço de convivência fraterna. Governador do Distrito, Viana de Assis foi, na história de 75 anos, um dos mais abnegados rotarianos, um líder, um companheiro, que deixa lacuna na instituição.

Política, advocacia, empreendedorismo, cultura, turismo, civilidade marcaram a vida de Viana de Assis, que morreu aos 76 anos, segunda-feira, dia 21, deixando tristeza e saudade para a sua família – a mulher Yara, paulista sergipanizada, e os filhos, que são mais próximos -, e para os amigos e admiradores que sentirão a perda. E Sergipe ficará desfalcado da inteligência, do patriotismo, da cordialidade e do espírito público, sintonizado com os tempos renovados, de Viana de Assis.

Foto e texto reproduzidos pelo site: infonet.com.br/luisantoniobarreto

Postagem originária da página do Facebook/MTéSERGIPE, em 23 de abril de 2013.

terça-feira, 23 de abril de 2013

José Augusto (São Lucas) Barreto.


Publicação original em 25/07/2008 - Portal Infonet/Blog Luiz A. Barreto.

José Augusto (São Lucas) Barreto.
Por Luiz Antônio Barreto.

A biografia do médico José Augusto Barreto, que no último dia 16 de julho completou 80 anos, tem alguma coisa próxima com a vida de Lucas, o médico que seguiu a Paulo e de tal modo dedicou-se que o seu Evangelho bem poderia ser intitulado de Evangelho de Paulo. É que assim como Lucas, sírio da antiga Antioquia (cidade turca, antes de ser Síria, sede da primeira comunidade cristã, fora da Palestina) José Augusto Barreto teve, além de sua profissão, uma causa para viver, seu Hospital. Nascido no município de Nossa Senhora do Socorro, filho de José Barreto Góes e de Olga Soares Barreto, sobrinho de Jacomildes Barreto, chefe político udenista de Boquim, José Augusto Barreto estudou Medicina na Bahia, na velha Faculdade por onde passaram grandes médicos sergipanos, na cátedra, como Aranha Dantas e Dr. Cotias, na sala de aula, como Felisbelo Freire, José Rodrigues da Costa Dória, que governaram Sergipe com a República.

Formado na turma de 1952, iniciou-se na clínica e logo tornou-se um clínico geral e cardiologista, tendo seu consultório do Ed. Aliança um dos locais mais freqüentados de Aracaju. Naquele mesmo local da rua Laranjeiras, e já com clientela certa, atendia Lauro Porto, especializado em otorrinolaringologia. Era também famosos os consultórios do Dr. Francisco Fonseca, tisiologista, que mantinha próximo o aparelho de Raio X, o do Dr. José Machado de Souza, de pediatria, o do Dr. Carlos Melo, médico de mulher, todos na rua João Pessoa, dentre muitos outros, espalhados pelas ruas centrais da cidade. Fora do centro foram poucos, naqueles anos de 1940/1950/1960, os exemplos: Armando Domingues, vindo da Bahia, que elegeu-se Deputado Estadual pelo Partido Comunista Brasileiro, e, bem mais tarde, Alexandre Menezes, procedente de Pernambuco, sergipanizado como professor.

Especializado em cardiologia pela Universidade de São Paulo, e na Associação Americana de Cardiologia, em pouco tempo José Augusto Barreto tornou-se médico da elite sergipana, responsável pelo ritmo cardíaco de homens e mulheres, referência que por volta de meio século marcou a história da medicina em Sergipe. Mesmo aqueles que buscavam tratamento fora do Estado e até fora do Brasil, tinham no acompanhamento do Dr. José Augusto Barreto uma esperança a mais para as suas aflições. Homem simples, educado para o diálogo, sabia que conquistara Aracaju com sua ciência, fazendo da sua casa na rua Campos um complemento do seu consultório, sempre aberta para atender a todos que buscassem o socorro de sua medicina.

Médico renomado, com agenda cheia todos os dias, parecia ter a última palavra nos diagnósticos. Professor, tinha consciência do quanto poderia abrir caminho para renovar a Medicina sergipana, como o fez. E tudo isto daria, com sobras, para que ele pudesse fazer mais nome, ganhar dinheiro, orientar a família, de médicos, e viver em viagens e congressos, atualizando a sua ciência. Mas, foi muito além da realização pessoal, sonhou com uma obra magnífica, de feição moderna, em toda a amplitude do termo, que deu a Aracaju uma condição diferenciada, no cômputo da história dos hospitais, notadamente os dois mais conhecidos: o Santa Isabel e o Cirurgia (Hospital das Clínicas Dr. Augusto Leite), que foram e ainda são equipamentos essenciais de saúde pública. O Hospital São Lucas, antes uma clínica, que atendia urgências, passou a ser, e por muitos anos tem sido, uma referência singular, que consagra a idéia e o altruísmo do seu fundador.

O Hospital São Lucas é um complexo de saúde que tem servido a Aracaju e a Sergipe com rara eficiência, oferecendo serviços especializados, muitos dos quais pioneiros, como os de transplantes, feitos pela equipe dos médicos Fernando Maynard e Ricardo Bragança, que elevaram a qualidade da Medicina praticada em Sergipe. O Hospital São Lucas é, assim, como um divisor de águas, que sem ofuscar o papel histórico que tiveram os velhos hospitais, atualizou os modos e as ofertas dos tratamentos, dos exames, das consultas, enfim criou um conceito diferenciado de trabalhar.

Dedicado à sua obra, mas sem abandonar a sala de aula, o estudo, a atualização, José Augusto Barreto colocou seu nome no alto da galeria dos grandes médicos e benfeitores, ao lado de Augusto Leite, Lourival Bonfim, Antonio Garcia Filho, Nestor Piva, José Hamilton Maciel, e outros que marcaram avanços significativos no cotidiano da Medicina em Sergipe, cada um com um papel especial, meritório na história da saúde pública no Estado. O São Lucas não é apenas um hospital, é uma grife, uma reunião de produtos, que não descuida dos estudos e atualizações, um centro de diagnóstico, uma Fundação, promovendo a qualificação permanente dos serviços, espalhados no bairro São José, o que serviu para transformar aquela área num endereço de clínicas, consultórios, laboratórios, e outros que funcionam para atender, com qualidade, a população sergipana.

Embora admirado e homenageado pelos poderes públicos, o Dr. José Augusto Soares Barreto continua credor do reconhecimento público, pela sua vida dedicada, há 56 anos, à Medicina, exercendo com sucesso a clínica geral e cardiológica, participando da formação dos jovens médicos, e realizando uma obra de investimentos e de modernização que ainda não tem similar no Estado de Sergipe. Certamente que com seu exemplo José Augusto Barreto acompanha o progresso de clínicas e hospitais, em várias especialidades, inspirados na mesma conduta, e que transformam Aracaju num centro de excelência médica, que nada fica a dever as grandes cidades e capitais do País.

José Augusto Soares Barreto: um médico, um empreendedor, um cidadão, que completa 80 anos coberto pela glória do seu trabalho, e pelo exemplo da sua consciência de líder. (2008).

Texto reproduzido do site: infonet.com.br/luisantoniobarreto
Foto reproduzida do site: saolucas-se.com.br

Postagem originária da página do Facebook/MTéSERGIPE, em 23 de abril de 2013.

sábado, 20 de abril de 2013

Robson dos Anjos, o pioneiro do turismo em Sergipe.



Publicado por Destaque Comunicação, em 27 de maio de 2007.

Robson dos Anjos, o pioneiro do turismo em Sergipe.

As lembranças das grandes viagens organizadas ao exterior são guardadas com muito saudosismo por Robson Alves dos Anjos. Funcionário da extinta empresa Aérea Panair durante vários anos, ele foi o pioneiro no turismo internacional em Sergipe.

Esta semana completou 50 anos em que ele levou o primeiro grupo de sergipanos para a terra do Tio Sam.

“A idéia dessa viagem para os Estados Unidos começou a se formar um ano antes, em 1956. Eu era funcionário da Panair do Brasil, mas precisava de apoio para organizar tal excursão. E que me deu foi Albino Silva, na época dono da Rádio Liberdade. E lá também encontrei o apoio de Silva Lima, que comandava o Informativo Cinzano e era um entusiasta a tudo que se referia aos Estados Unidos”, conta Robson. “Lá eu criei a Hora do Turismo, que começou a ir ao ar em abril de 1956, todos os dias às 17h30 da tarde”.

Os conhecimentos sobre a área de turismo eram poucos, mas Robson, apoiado por Albino Silva e Silva Lima, Robson do anjos tocava o programa diariamente, de segunda à sexta-feira. “No final de tarde, eu saia da Panair do Brasil e ia lá para a emissora, para falar sobre turismo. Eu não sabia muito, mas a gente começou, eu e o Silva Lima, um apaixonado pela cultura americana. Já no informativo Cinzano, ele chamava para a hora do turismo às 17h30 da tarde”.

A partir do programa na Rádio Liberdade, Robson dos anjos se empolgou para montar um grupo para ir aos Estados Unidos. Ele começou a fazer isso, a convidar e tentar convencer o pessoal para viajar para os Estados Unidos, em 1956, uma ano antes da excursão e bem antes de existir a Robson Turismo. “quem abriu a agência comigo foi Albano Franco, em 1976, quase 20 anos após a primeira viagem de sergipanos aos EUA”.

O grupo que foi aos Estados Unidos era formado pelo juiz de direito Humberto Diniz Sobral e os comerciantes José Prado Vasconcelos, Josias Passos, Manuel Santana e Manuel de Oliveira Martins. “O grupo era tão grande que no vai e vem das visitas, todos cabiam num cadilac”, brinca Robson Alves, relembrando que todos ficaram admirados em ver que o veículo era dotado de telefone. “Há 50 anos atrás eles já tinham essa tecnologia lá”.

O trecho nacional da viagem foi feito num avião Douglas DC-3, com capacidade para 21 passageiros, da Panair do Brasil, pousando nos Aeroportos de Maceió, Recife, Natal, Fortaleza, São Luís e Belém. O grupo chegou a Belém, depois de um dia inteiro de viagem, à meia-noite e embarcou duas horas depois com destino aos Estados Unidos, em vôo da Pan American Airlines, num avião Douglas DC-6b, com capacidade para 68 passageiros, com escalas em Porto of Spain e San José de Porto Rico.

“Chegamos aos Estados Unidos no sábado de Aleluia, no finalzinho da tarde. E foi uma sensação para os sergipanos, ver o avião descer em Nova Iorque. À noite, começamos as nossas visitas pela Boate Copacabana, de Carmem Miranda”. Na memória de Robson ficou guardada todo o luxo do local e o jantar farto que degustaram. “A gente via velhinhos dançando no meio do salão. Comemos e bebemos bem e a conta, naquela época, de todo o grupo, ficou em US$ 87”.

Foram 21 dias percorrendo as cidades de Nova Iorque, Albany, Buffalo, Niagara Falls, Detroit, Chicago, Miami e Washington D.C.. Os sergipanos visitaram, além de museus, monumentos e pontos históricos, a indústria e comércio americanos, a exemplo da fábrica da General Motors, em Detroit, e do Matadouro Central de Chicago. “Lá eles abatem de tudo, carneiro, porco, boi...e depois já sai tudo embalado, por parte. Eles, em 1957, já tinham uma capacidade de armazenamento de cinco anos”.

Mas uma visita em especial ficou na memória de todos. Foi a que fizeram ao Tesouro Nacional, onde assistiram à fabricação de dólares. “Foi realmente algo impressionante. Todos nós saímos de lá com uma moeda de um dólar. Pelo que eu sei, ela hoje vale cerca de US$ 500. eu nunca escutei falar que um sergipano, um brasileiro ou presidente daqui, estivesse entrado naquela casa e o nosso grupo entrou, porque levou o nome de comerciantes e industriais sergipanos para os Estado Unidos pela primeira vez”.

Robson dos Anjos relembra que, a maior importância dessa viagem foi a propagação do nome de Sergipe, na mente de todos os contatos mantidos nos Estados Unidos. “Era freqüente a gente falar no nome de Sergipe e os americanos misturarem com Argentina, Buenos Aires e São Paulo. A gente tinha que fazer sempre toda uma explicação geográfica sobre o nosso Estado e país de origem”, recorda.

Rumo à Europa

No ano seguinte à vigem aos EUA, um novo grupo foi formado, desta vez com nove pessoas, que saíram de Aracaju com destino a Europa. “Passamos 45 dias percorrendo todos aqueles países, cada um com suas belezas. Foi uma apoteose, uma coisa louca. Não tem que faça hoje mais uma excursão desta. Foram 45 dias, muito dos quais num microônibus de luxo.

“Saímos de Aracaju no dia 1º de maio de 1958. Essa visita começou por Portugal, onde fomos até Fátima e estivemos também em cassinos”, relata Robson dos Anjos. De lá, o grupo seguiu para Madri, e também visitou várias cidades do interior espanhol. O próximo ponto de parada foi o sul da França, onde os sergipanos conheceram a Riviera Francesa. “A cidade que eu mais gostei de visitar foi São Francisco de Assis. É um espetáculo. É uma área tão bonita. A cidade fica no alto e você vê o céu se unir com a terra; é uma visão linda”.

Itália, França, Suíça...Dentre tantos outros países europeus. Cada um com suas belezas, atrativos e particularidades únicos. “O grupo se encantou muito com a beleza de Nápoli, na Itália”, comenta Robson. “Foi tudo realmente fantástico. Hoje é difícil formar um grupo assim para viajar. Muitas pessoas preferem fazer seus próprios roteiros, com mais um ou dois amigos”.

Em Paris, uma noitada também passa pelos famosos cabarés da cidade, a exemplo do famoso Moulin Rouge. “Estive lá com a minha mulher e também fomos conhecer o Palácio de Versailles, onde o guia turístico fez questão de mostrar o quarto onde Maria Antonieta Recebia os amantes. Lá eles entravam e saíam sem serem percebidos, por uma passagem secreta”.

Foram tantas as viagens ao exterior, que Robson dos Anjos já perdeu a conta. “Não sou rico hoje porque eu viajei muito”. Apesar dos quase 86 anos de idade, este sergipano natural de Santa Rosa de Lima, ainda programa viagens que pretende realizar. “Ainda quero voltar em Fátima, em Portugal, e fazer outro cruzeiro marítimo. É uma viagem fantástica”.

Da Panair a Robson Turismo

Robson Alves do Anjos iniciou o trabalho na Panair do Brasil em 9 de março de 1944, no Aeroporto Santos Dumont (RJ), como despachante da Panair do Brasil. Em abril de 1946, viajou para Aracaju, a serviço da empresa, onde passou 30 dias. Em junho de 46, foi transferido para trabalhar em Aracaju como gerente de Aeroporto da Panair.

Com o crescimento da aviação no mundo após a 2ª Guerra Mundial, ele foi convocado, juntamente com vários colegas, para trabalhar no Galeão. “Nesse tempo, a Panair desenvolvia a todo vapor suas linhas para a Europa com os aviões Constellations. Com mais experiência, fui nomeado gerente de aeroporto para trabalhar em Aracaju, onde trabalhei até 1958. Nossa operação aérea era no Aeroporto do Aribê - hoje, Aeroclube”

A trajetória como funcionário da Panair prosseguiu até 1965, quando a Ditadura faliu a Panair. “De lá fui para a Varig, onde passei cinco anos até completar meu tempo de aposentadoria e depois eu voltei para Sergipe”.

Depois disso, ele trabalhou para duas agências, a Luck, que em 1970 levou um grupo de 30 passageiros para a Europa, e também para uma agência de Salvador. “Depois disso fiquei como free-lancer em Aracaju, ainda cheguei a trabalhar três anos na Varig aqui, mas depois deixei, porque era melhor trabalhar como free-lancer do que como funcionário da empresa aérea”.

A partir daí, em 1976 surgiu a Robson Turismo. “O povo de Aracaju não acreditava, naquela época, que pudesse comprar a passagem na agência de viagem, pelo mesmo preço que no balcão das empresas de viação área e tinha a mesma garantia de reserva”.

Ele relembra ainda que, naqueles tempos, as agências não chegavam a vender 25% no total de passagens aéreas. “Hoje é ao contrário. As agências são quem vender e as empresas, olhe lá, se vender 25%”.

Reportagem de Alexandra Brito
Fotos: Maria Odília.

Texto e fotos reproduzido do site: destaquenoticias.com.br

Postagem originária da página do Facebook/MTéSERGIPE, em 20 de abril de 2013.

quarta-feira, 17 de abril de 2013

Antonio Carlos Viana: "Leio desde que me alcanço"


Publicado pelo Balaio de Notícias - Edição 145.
Aracaju, 27 de março a 17 de abril de 2011

"Leio desde que me alcanço"
O escritor Antonio Carlos Viana e a experiência da leitura
Por Paulo Lima.

Em sua juventude, Antonio Carlos Viana abriu mão de uma vida estável como professor para se dedicar à literatura. Na época, recém-casado e vivendo no Rio de Janeiro, se desfez de tudo que tinha - do fusquinha e até da máquina de escrever. Comprou uma carrocinha e foi vender cachorro-quente. Estava determinado a se tornar escritor. A atitude, que pareceu insana aos olhos da família, deu seus primeiros resultados. Depois de algumas tentativas, ele conseguiu publicar seu primeiro livro, o Brincar de manja, de 1974. A boa recepção crítica o encorajou a seguir em frente.

Em 1981 veio a segunda obra, Em pleno castigo. Seguiram-se mais três livros, todos publicados ou reeditados pela Editora Cia. das Letras: O meio do mundo e outros contos (1999), Aberto está o inferno (2004) e o mais recente Cine privê, de 2009. No ano 2000, Viana teve um de seus contos incluídos pela Editora Objetiva na antologia Os cem melhores contos brasileiros do século, gênero ao qual dedicou toda a sua produção literária e no qual é reconhecido como um mestre.

A vida de escritor o levou a viver em diferentes lugares. Viana morou em Porto Alegre – lá fez mestrado em literatura - e na França, onde cursou um doutorado. Durante vinte anos foi professor do curso de Letras da Universidade Federal de Sergipe. Como tradutor, verteu romances e outras obras para o português. É um dos tradutores do recém-lançado Não há silêncio que não termine (Cia. das Letras), livro da colombiana Ingrid Betancourt sobre sua experiência como prisioneira das Farcs. Ano passado, Viana foi agraciado com um prêmio da Associação Paulista de Críticos de Arte, por seu livro Cine Privê, considerado o melhor de contos de 2009. Na entrevista a seguir, concedida por e-mail, Viana fala de sua relação com os livros e a leitura.

************

Como foi sua experiência de leitura? Quando ela se inicia? De que forma?

Antonio Carlos Viana - Leio desde que me alcanço. Como minha família não tinha dinheiro para comprar livros, me contentava em ler os textos dos livros escolares, os de português, especialmente. Também lia os jornais em que a carne-seca vinha embrulhada. Abria-os sobre o chão de tijolos e lia. Quando ganhei meu primeiro livro por ter sido o primeiro do ano na escola, foi como se tivesse ganhado o melhor presente do mundo. Foi uma edição das fábulas de Esopo, bem ilustradas e fáceis de entender. Tempos depois descobri num baú do sítio onde morava uma antologia de Carlos de Laet e li tudo. Nunca esqueci de um excerto de "A última corrida dos touros de Salvaterra". Descoberta maior e definitiva foi O tempo e o vento, de Érico Veríssimo. Foi esta a porta de entrada para a leitura de grandes romances e nunca mais parei. Como se vê, cheguei à leitura sem ninguém me mandar, por isso não acredito em leituras obrigatórias.

Como é sua rotina de leitura hoje?

A.C.V. - Hoje leio muito, muito mesmo, sem parar. Dependendo do livro, leio-o num só dia. Isso já me aconteceu várias vezes, sobretudo com os últimos livros de Philip Roth, que considero o melhor escritor da atualidade. Leio todo tipo de livro. Mas hoje me atenho mais aos autores que estão aparecendo, e são muitos. Gosto de ver os caminhos que a nossa literatura está trilhando.

Você foi professor universitário. Como era a relação de seus alunos com os livros?

A.C.V. - O ensino universitário ainda não colocou a leitura como prazer, sobretudo, claro, os cursos de letras. Aquelas leituras que a gente pede que o aluno faça trabalhos não contam. Acho que poucos alunos saem dali com o gosto verdadeiro pela leitura, tendo-a como algo que devemos fazer diariamente. Acho que os cursos de letras deviam ter uma hora na semana que fosse para ler simplesmente por prazer, leitura desinteressada, em que os alunos falassem livremente, sem se preocupar com teorias. Sei que é importante o ensino da teoria literária, mas colocá-la à frente da leitura, subjugando-a, tira o prazer de ler. Ela deve ajudar a esclarecer o texto, não pode ser uma camisa de força.

Você cursou seu doutorado na França. Que comparação faz entre a realidade da leitura naquele país e no Brasil?

A.C.V. - Uma das coisas que mais me impressionavam na França era entrar no metrô e sempre ver várias pessoas lendo. Isso também acontecia, e ainda acontece, nos parques, nos cafés, nas filas de espera. Havia na televisão programas dedicados aos livros que eram campeões de audiência. Todo mundo ficava mobilizado pelos comentários do apresentador, pela entrevistas dos autores. Já por aqui, programa sobre literatura é traço, como se diz.

Em sua opinião, o que pode ser feito para melhorar os índices de leitura no Brasil?

A.C.V. - Não adianta só abrir bibliotecas e encher as prateleiras de livros. O que precisamos mesmo é de professores bem formados, capazes de insuflar no aluno o gosto pelos livros. Sabemos, no entanto, que a formação do professor no Brasil é precária. Poucos compram livros. Muitos preferem as cópias porque são mais baratas. Assim não criam uma história, não têm uma estante para olhar de vez em quando e ver que livros fizeram parte de seu itinerário e prosseguir em sua busca de mais saber. Como os professores ganham muito mal, nem têm coragem de entrar numa livraria, porque sabem que não poderão comprar os livros desejados. Não vejo como o brasileiro ser levado à leitura sem professores que tenham uma sólida formação literária.

Qual sua opinião sobre o livro eletrônico? Você acredita que ele pode determinar o fim do livro tradicional?

A.C.V. - Sou da opinião que quem lê vai continuar lendo em qualquer suporte. Quem não gosta de ler vai continuar do mesmo jeito, seja o livro de papel ou o eletrônico. A leitura da internet é multifacetada, não concentra a atenção num só alvo. O meio em si provoca uma agitação no leitor que não o deixa se concentrar. Eu mesmo acho difícil ficar olhando para uma tela por mais de meia hora. O livro de papel deve continuar existindo ao lado do e-book, com a vantagem de não sumir de uma hora para outra de nossos olhos.

Foto e texto reproduzidos dos site: balaiodenoticias.com.br

Postagem originária da página do Facebook/MTéSERGIPE, em 7 de abril de 2013.

Histórico do Monsenhor Carvalho

 




Publicado pelo Portal Infonet em 24/11/2006.

Histórico do Monsenhor Carvalho
Por Luiz Antônio Barreto.

José Carvalho de Souza nasceu no dia 24 de novembro de 1926, em Lagarto, a 76km de Aracaju. Sua mãe, Maria Carvalho de Sousa, que já havia perdido a primeira filha ainda bebê, morreu de parto e ele ficou sob os cuidados de sua avó, Joana Rosa do Amor Divino. Somente aos 18 anos, José foi descobrir sua vocação sacerdotal, e ao contar para a família foi desacreditado.

“Você não gosta de estudar, não persevera em nada, não tem vergonha de dizer que deseja ser padre não?”, dizia sua avó, sem prever o futuro brilhante do neto. No entanto, seguro de sua decisão, ele ingressa no Seminário Diocesano 'S. Coração de Jesus', em Aracaju, para fazer o Curso Secundário, em 1946.

Contudo, somente em 1956, já com 30 anos, foi ordenado padre, logo após ter seu segundo curso superior reconhecido. O Padre Carvalho foi ordenado por D. Fernando Gomes, o 2º Bispo de Aracaju, contrariando todas as previsões de sua avó. A partir daí o padre inicia sua carreira brilhante de dedicação à educação e ao sacerdócio.

Com somente um ano de ordenamento, no dia 12 de março de 1957, é nomeado reitor do Seminário Arquidiocesano e capelão da Igreja S. Coração de Jesus, em Aracaju. Neste mesmo ano, D. Fernando Gomes é transferido para a Arquidiocese de Goiânia e, em seu lugar, assume D. José Vicente Távora.

Quando o Seminário começa a viver grandes dificuldades financeiras, o jovem reitor mostra sua visão empreendedora e funda um educandário para conseguir recursos. O educandário deu tão certo que, em 1959, durante um Encontro de Diretores de Estabelecimentos de Ensino Secundário, realizado no Sesc, em que foi convidado a participar, Dr. Otílio Muniz, inspetor seccional do ensino secundário em Sergipe, propõe-lhe a idéia de fundar um ginásio, no mesmo prédio onde funcionava o seminário.

Apesar de estar autorizado a funcionar desde 7 de dezembro e registrado no MEC sob o nº 3125, o Ginásio Diocesano só começa a funcionar no dia 1º de março de 1960. O sonho torna-se realidade: o Ginásio Diocesano 'S.Coração de Jesus' inicia suas atividades na Praça Camerino, 181, em Aracaju, atendendo apenas a alunos do sexo masculino.

Para que os alunos não saíssem do colégio ao concluírem o curso ginasial, o Padre Carvalho decide transformar o Ginásio em Colégio, e em 1963 o Ginásio Diocesano passa a ser o Colégio Arquidiocesano 'S.Coração de Jesus', oferecendo à comunidade todos os ciclos de ensino.

Vendo o pequeno colégio crescer numa sede que não tinha condições de se expandir, ele consegue recursos da Alemanha e inicia uma grande reforma no velho prédio do Seminário. No dia 16 de outubro de 1966 ele inaugura o novo bloco de dois andares, com saída para a rua Senador Rollemberg. No térreo e no 1º andar constam sete salas de aula e no 2º andar, o dormitório dos seminaristas. No dia seguinte, o Colégio Arquidiocesano é transferido da Praça Camerino, passando a funcionar na rua Dom José Tomaz, 194, onde está até hoje.

Em 1968 o padre é nomeado Conselheiro do Conselho Estadual de Educação pelo governador do Estado, Lourival Baptista. No ano seguinte mais uma conquista. É eleito presidente da Associação Católica de Sergipe. Em meados de 1975 é nomeado Cônego Catedrático do Cabido Metropolitano da Arquidiocese de Aracaju, pelo arcebispo de Aracaju, Dom Luciano José Cabral Duarte.

Dom Luciano no ano seguinte nomeou o Padre Carvalho o Diretor-Presidente da Rádio Cultura de Sergipe, o que lhe deu condições de ser eleito presidente da Associação de Rádios, Televisão e Jornais do Estado de Sergipe (ASSERT). Isso mostra a estreita relação que existia entre os dois clérigos.

O cônego Carvalho teve uma parte de seu trabalho reconhecida nacionalmente em 1998, quando foi nomeado membro titular da Academia Brasileira de Arte, Cultura e História de São Paulo. E em 2002, sua denominação muda de novo. É nomeado monsenhor pelo Papa João Paulo II, por solicitação de Dom José Palmeira Lessa, Arcebispo de Aracaju.

No dia 14 de novembro de 2006 lançou seu primeiro livro, intitulado 'Presença Participativa da Igreja Católica na História dos 150 anos de Aracaju'.

Fotos e texto reproduzido do site: infonet.com.br/

Postagem originária da página do Facebook/MTéSERGIPE, em 8 de abril de 2013.

Ronaldo Gomes de Oliveira, CAÃ, filho do artista J.Inácio.


Ronaldo Gomes de Oliveira, CAÃ, filho do artista J.Inácio.

Dentro de uma família de pai andarilho, em 1953, nasceu Ronaldo Gomes de Oliveira, carioca fora da gema, como brincam alguns colegas. E somente nascera no Rio de Janeiro, ainda assim no estado, pois cidade natal lhe fora a pacata, graciosa e interiorana Nova Iguaçu daquele tempo. Clima ensolarado, cidade calma, pouco condizente com a inquietação mental de seu pai, porém agradável a família e útil, pois naquela década, Nova Iguaçu era uma cidadezinha com fluxo rodoviário tranqüilo, o qual permitia José Inácio, pai de Caã, trabalhar com pinturas em telas, assim como produzir caricaturas para particulares, na grande Rio.

Passados seis anos, sua família aumentou, nasceu seu único irmão Roberto Gomes de Oliveira. Irreverente, apaixonado por música popular brasileira e valsinha, assim como pela arte pictórica. Segundo Caã e suas irmãs Railda e Ruth, “uma intoxicação química abreviou a vida deste irmão que, certamente viria a ser mais um expoente na arte pictórica de Sergipe. ” Também é correto afirmar que antes de tudo, foi um companheiro marcante durante a puberdade de Caã. Foi com ele que a artista se declarou estar apaixonado pela primeira vez e descreveu como foi seu primeiro beijo com a sua primeira namoradinha.

Em 1960, com quatro filhos, Nova Iguaçu se modernizando e a esfera trabalhista no Rio ficando conturbada pelos maus presságios sócio-políticos, José Inácio, muda-se com sua família para Salvador. Neste ano, Caã ganha mais uma irmã: Ruth, a caçula do casal “José Inácio e Dona Núbia”. Mas ao mesmo tempo, Belizana, sua irmã mais velha, fica no Rio de Janeiro e vai aos poucos tendo independência da família e resolve permanecer definitivamente naquela cidade, onde reside até os dias de hoje.

Em 1961, novamente sua família se muda, destino: Salgado, Estado de Sergipe.

Para melhor comodidade e tentar conciliar lar e atividades pictóricas do pai, no final de 1962, Caã fixa residência, com seus familiares, em Aracaju.

Ronaldo adorava pintar o cotidiano, as ruelas próximas de sua residência e principalmente, pessoas e ônibus em movimento, os saudosos chorões amarelos. Mais devida a aversão da hipótese de um filho vir a ser pintor, José Inácio insistia em menosprezar o talento já nato de Caã, além de mencionar várias vezes que todas as crianças rabiscavam aquelas figuras o que o impedia de lidar com materiais mais adequados à registrarem a qualidade de seus feitos. Mesmo assim, chamaram à atenção do artista plástico Raimundo Vieira, o amigo que se tornou o forte incentivador profissional de Caã.

Ainda no fervilhar da adolescência, a vida subtrai de Caã grande dose de afeto, meiguice e carinhos advindos de sua mãe que falece em 1968. Em suas descobertas e auto-afirmações à época, decide experimentar cada vez mais suas potencialidades artísticas, assim como crendo que estas já lhe serviriam como o ganho principal para o seu sustento, uma vez que era sua mãe que o deixava mais protegido, já que ela era a responsável pelo equilíbrio das finanças domésticas.

Eis que em 1972 decide ir morar sozinho na Atalaia Nova, lugar onde se sentiu em total liberdade em produzir experimentos artísticos que o satisfazia; o lugar onde o artista começa a assinar Caã em suas telas. Ronaldo que pronunciara já nascer pintando, se descobre Caã, nome escolhido por ele, atribuindo amar a natureza e a paz que se proporciona estar diretamente com ela, e a vontade de fixar as cores destas emoções em alguns lugares. Detalhe este muito bem experimentado pela tribo indígena dos Caãs, que usam lamas e areias para projetar em pinturas momentâneas em pedras e em seus corpos, às margens do rio. Pinturas que flagram o vôo de pássaros, o pôr-do-sol, o brilho do sol sobre os cabelos dos índios...

Em 1973, numa temporada de veraneio, conhece mestre e artista plástico Eurico Luiz, muito importante quanto à inclusão do nome artístico Caã no domínio público.

Foto e texto reproduzidos do site: caa.art.br/caa.htm

Postagem originária da página do Facebook/MTéSERGIPE, em 8 de abril de 2013.

terça-feira, 16 de abril de 2013

Exposição - “Marés: Um Olhar sobre Zé Peixe” na Galeria do Sesc

 Rita Peixe, irmã de Zé Peixe, em visita a exposição.


Publicado pelo site sesc-se, em 12/04/13

“Marés: Um Olhar sobre Zé Peixe” na Galeria do Sesc
Por Thaís Guedes (Estagiária)

Com o propósito de resgatar a memória sobre a história que existe por trás do mito, o Sesc apresentou na noite da ultima quinta-feira, 11, a exposição “Marés: Um olhar sobre Zé Peixe”, na Galeria de Arte da Unidade Centro. A mostra tem a produção e curadoria do Trotamundos Coletivo, grupo formado por Alejandro Zambrana, Ana Lira, Arnon Gonçalves e Marcelinho Hora, que desde 2010 vem realizando projetos e fomentando discursões na área da produção fotográfica.

Zé Peixe foi o prático mais conhecido e admirado pelos sergipanos. Ele auxiliava os comandantes a conduzirem as embarcações na entrada e saída dos portos. O que fez do prático uma figura rara foi a maneira como desempenhou seu papel. Ele buscava o navio a nado, enquanto outros profissionais tinham o auxilio de barcos de apoio. E, quando tirava o navio do porto, ao invés de voltar ao barco, ele saltava no mar, realizando todo o percurso a nado, com braçadas ritmadas e sem movimentar as pernas. Realizou inúmeras grandezas, salvou a vida de muitas pessoas, fazendo com que a população sergipana o personificasse como um verdadeiro super-herói. Mas o que cativou e faz com que ele permaneça uma lenda, é a humildade, dignidade e simpatia.

Composta de 34 fotografias, quatro áudios e desenhos do próprio homenageado, a mostra recebeu a visita da irmã de Zé Peixe, Rita (que também ganhou o apelido “Peixe”). Visivelmente emocionada, ela contou histórias sobre seu irmão, sobre a forte relação que possuíam e agradeceu por manterem vivas as lembranças do seu “herói”, como ela mesma o descreve.

O projeto utiliza estímulos visuais, sonoros e textuais para aguçar memórias relacionadas ao prático, além de expor registros indiretos da sua interferência na sociedade sergipana. “A história dele como prático é fascinante. O que mais chama a atenção é a simplicidade e sua relação com a natureza. Ele sempre trazia esses valores, e é isso que buscamos apresentar durante essa exposição”, afirma o fotografo e curador da mostra, Alejandro Zambrana.

De acordo com os organizadores, a exposição é apenas a primeira etapa do projeto “Marés”, denominada Liberdade e Encontro. Liberdade por conter o resultado da percepção dos integrantes acerca da figura Zé Peixe, e Encontro, por reunir ligações afetivas do prático. A segunda fase, chamada Maresia e Ressaca, terá início dia 08 de maio.

A primeira fase da exposição está aberta a visitação do público até dia 26 de abril, das 10h às 19h, na Galeria de Arte do Sesc, localizada à Rua Dom José Thomaz, 235, São José, Aracaju/SE.

Texto e fotos reproduzidos do site: www.sesc-se.com.br/

Fotos: Maria Odília

Postagem originária da página do Facebook/MTéSERGIPE, em 13 de abril de 2013.