sábado, 10 de maio de 2014

Tapioca: Alimento dos Deuses, e dos sergipanos também!



Tapioca: Alimento dos Deuses, e dos sergipanos também!.
Por Alonso Junior *

Caminhando pelas ruas de nossa cidade, deparei-me com uma senhora vendendo tapiocas, e como um bom moço de raízes nordestinas, resolvi comprar logo duas: um doce e uma salgada. Degustando daquele alimento precioso, que foi um dos componentes da comercialização de diversos indígenas, inclusive seu principal ingrediente serviu de base econômica para nosso Estado há anos atrás, pude cair na real e perceber que a tapioca tem toda uma história. A começar pelos indígenas, ela sempre esteve presente nas mesas dos brasileiros desde o processo de colonização do país. Contudo, a mandioca foi, e é, o pão do Brasil desde o tempo em que os colonizadores portugueses ainda não tinham chegado aqui. Nenhum alimento para os índios,era tão importante quanto a mandioca, e dela podia-se fazer bolos,mingau e paçoca. E agora ao longo do tempo, ela vem matando a fome de muita gente, e conquistando cada vez mais seu espaço não só na gastronomia sergipana, como na mundial.

Eu sempre digo que a tapioca tem gosto de nordeste, cheiro de terra, quem nunca provou de uma tapioca, não sabe o que lhe espera. A farinha e a água numa bacia se misturam, a massa vira tapioca, como se tivesse pressa, de receber o recheio de leite condensado, goiabada, doce de coco, chocolate, manteiga ou nata. Doce ou salgada, a tapioca chega à boca como se fosse um “beiju”. Que goma mais linda, que refeição dos deuses! Pois é!... A TAPIOCA É NOSSA!... DE NOSSA GENTE, DE NOSSO POVO! FAZ PARTE DE NOSSA HISTÓRIA SOCIAL, CULTURAL E ECONÔMICA!...

Geralmente aos domingos, passeando pela Orla de Atalaia, sempre vejo a comercialização de vários produtos destinados na maior parte, aos turistas, inclusive o da tapioca que também é um dos fatores que favorecem o aquecimento da economia sergipana gerando emprego e renda a muitas famílias. Do mais tradicional, ao mais exótico sabor, encontramos nessas barracas. Em vez simplesmente do básico à moda nordestina, a nossa redonda de goma passou a engolir recheios de presunto, mussarela e, pasme meus conterrâneos! Minha Nossa Senhora... Até de banana, doce de goiaba e leite condensado! Pois é: tapioca com Leite Moça. E o interessante, é que aos poucos nossa tapioca, vai virando uma espécie de “pizza nordestina” agradando ao paladar de todos que degustam de seu sabor.

Básica ou exótica, adicionada ao sorvete ou não, ela se solidifica cada dia que se passa como sinônimo de café da manha regional, de desjejum sertanejo virando uma espécie de coqueluche na gastronomia de nosso país. Ela é parte do regime alimentar nacional e uma iguaria versátil que conquista cada vez mais os amantes da boa comida regional. Salve, Salve tapioca! Você foi e sempre será muito bem vinda em nossas mesas por muitos e muitos anos futuros.

* Acadêmico do Curso de Historia da Universidade Tiradentes.

Fotos e texto reproduzidos do blog: vivasergipe.blogspot.com.br

Postagem originária da página do Facebook/MTéSERGIPE, de 8 de maio de 2014.

Quintino de Lacerda



Quintino de Lacerda (59 anos), Escravo e Político.

* Itabaiana, SE (08/06/1839)
+ Santos, SP (10/08/1898).

Foi um ex-escravo que tornou-se herói abolicionista. Nasceu escravo em 1839 na cidade serrana de Itabaiana, em Sergipe. Vendido para São Paulo, lá foi escravo de Antônio de Lacerda Franco.

Ganhou sua liberdade com a conquista da amizade de seu senhor, de quem herdou até o sobrenome, e adquiriu terras formando o maior quilombo conhecido no Brasil, situado em localidade onde hoje abriga o bairro Jabaquara, na cidade de Santos.

Sua popularidade na cidade propiciou-lhe o cargo de vereador da Câmara de Santos em 1895, chegando a exercer a presidência da casa. Foi reconhecido na luta pela liberdade dos negros em sua comunidade.

Morreu em 10 de agosto de 1898 vítima de um ataque cardíaco, deixando três filhos menores. Seu enterro foi acompanhado por um grande número de pessoas, um testemunho do reconhecimento de sua importância histórica. Recebeu várias homenagens e foi mandado erguer na cidade de Santos, monumentos ao coronel Quintino de Lacerda, patente outorgada pelo então presidente marechal Deodoro da Fonseca ao menino escravo dos engenhos de Sergipe, em Itabaiana.

Seu nome também foi lembrado em sua terra, onde denominaram uma artéria publica com seu nome no centro da cidade (Rua Quintino de Lacerda) e reconheceram-no pelo seu legislativo municipal, como Herói Negro de Itabaiana, considerando o 8 de Junho como o Dia Municipal de Luta da Consciência Negra em sua homenagem gravado em 20 de setembro de 2001.

Herói negro de Itabaiana

Líder do maior quilombo fora de Palmares

Primeiro vereador negro do Brasil

Recebeu a patente de Coronel postumamente do então presidente Marechal Deodoro da Fonseca

Fonte: Wikipédia e Projeto VIP

Fotos e texto reproduzidos do blog: famososquepartiram.com

Postagem originária da página do Facebook/Minha Terra é SERGIPE, de 8 de maio de 2014.

Ex-moradora de rua repete ato de amor e festeja o Dia das Mães



Fotos: Marcelo Freitas.

Do G1 SE - 09/05/2014.

Ex-moradora de rua repete ato de amor e festeja o Dia das Mães
Marta esperou três anos pela adoção de uma menina.
Também adotada, ela diz que a vida gira em torno da filha.

Antes de tirar a filha adotiva do abrigo com apenas 7 meses de idade, a ex-moradora de rua que hoje é professora universitária, Marta Batista, selou um pacto de amor com a risonha Marina Batista e agora celebra o Dia das Mães.

“Na sua nova casa tem passarinho, peixes e três cachorros, e um dos nossos lemas é que tudo pode faltar, menos o amor”, disse. Com a nova aliança a pequenina deixou pra trás uma história vivida com 42 crianças iguais a ela e passou a ganhar o colo definitivo de uma mãe que também foi adotada e vai comemorar neste domingo (11) o primeiro Dia das Mães da sua vida.

“Com ela, o sentido de tudo mudou. As coisas não se voltam mais para mim ou meu marido, mas para a melhor decisão na vida de Marina”, desabafa Marta uma das sensações em ser mãe.

Marta esperou por esse sentimento durante três anos, tempo que a justiça autorizou a adoção. “Lembro que estava em uma reunião de trabalho quando o telefone tocou. Ali mesmo eu senti que daria certo”, lembra.

‘Marina Bela’ como é chamada na escola pelos coleguinhas carrega uma história pequena, porem, assim como a mãe, de superação. “É uma criança leve. Brincalhona e apaixona por dança. Para ganhar um beijo dela basta olhar. É fácil ser mãe de Marina, para ela tudo tá bom”, descreve.

Passado.

Marta foi moradora de rua durante a infância, época também que presenciou a morte da mãe. Ela foi encontrada por um garoto de 17 anos que hoje é o seu pai adotivo, o Miguel José de Souza Filho.

Cresceu em um abrigo até completar o ensino médio e alguns cursos técnicos. Além de ter concluído a faculdade de Serviço Social e Psicologia e um Mestrado.

Foto e texto reproduzidos do site: g1.globo.com/se/sergipe

Postagem originária da página do Facebook/Minha Terra é SERGIPE, de 9 de maio de 2014.

terça-feira, 6 de maio de 2014

Josa ‘O Vaqueiro do Sertão’ está longe dos palcos

 Fotos: Leonardo Dias.


Josa ‘O Vaqueiro do Sertão’ está longe dos palcos.

Por Leonardo Dias/Portal Infonet

Foi com mais de 52 anos dedicados a apresentações nos palcos forrozeiros, que o sergipano José Gregório Ribeiro, popularmente conhecido como “Josa, o vaqueiro do Sertão” construiu a sua caminhada no forró. Fã declarado do rei do Baião, Luiz Gonzaga, Josa que completou no último dia 12 de março, 85 anos, deu uma parada na carreira musical após a descoberta de um Alzheimer. Durante entrevista, a filha do cantor, Joseane de Josa, falou sobre momentos marcantes da carreira musical do forrozeiro, que inclui conquistas, amores e vida pessoal.

De origem humilde e do interior de Sergipe, o filho de lavradores do Povoado Jacaré, em Simão Dias, município distante 100 km de Aracaju, se tornaria em pouco tempo, uma das grandes referências da música popular nordestina. Autor de mais de 300 composições no forró, Josa fez questão de retratar toda a realidade vivenciada em suas composições. “Ele era um montador de cavalo, adorava as lidas do gado, sempre ligado na natureza e com 10 anos já ouvia Luiz Gonzaga. Sempre que ia vender banana na feira livre de Simão Dias ele já ia ouvindo no auto falante achando o rei”, conta Joseane.

Aos 18 anos, Josa decidiu ir ao Rio de Janeiro para seguir carreira militar, mas um acidente mudou os seus planos e fez com que ele investisse na carreira musical. “Ele foi para o serviço militar e depois foi prestar concurso na Guanabara, antiga capital do país, no Rio de Janeiro, e aí concorreu com mil pessoas para a Polícia Militar (PM), passou em 3º lugar, e sempre ouvindo Luiz Gonzaga. E foi na PM que ele ingressou como sargento músico, mais era de clarinete. Só que como ele tinha uma dificuldade na arcaria dentária, o maxilar inferior cobria o superior, estava dando dificultando na sua atuação. Em 1959, ele estava domando um cavalo bravo, e acabou caindo do animal e fraturou a tíbia e o perônio do pé esquerdo. Com essa queda, ele amputou um dedo e se aposentou”.

Aposentado, Josa foi até uma loja de instrumentos musicais localizada rua Uruguaiana, no Centro do Rio de Janeiro (RJ), e comprou o seu primeiro acordeom. Com o novo instrumento, ele retornou a solo sergipano e passou a tocar forró por todo o Estado. Sempre usando o chapéu de couro, símbolo característico do Vaqueiro. “Painho comprou um acordeom que até hoje está com ele. Em Sergipe ele começou tudo que sabia de clarinete ao acordeom, e se tornou Josa, o vaqueiro do Sertão”.

Foi com inúmeras participações em programas de rádio da época, que Josa conquistou em pouco tempo o seu espaço, e acabou ganhando o seu próprio programa na Rádio Difusora, atual Rádio Aperipê AM. E foi por meio do programa intitulado ‘Nas sombras de uma Jaqueira’, título de canção carro chefe do cantor, que ele conheceu o Rei do Baião, Luiz Gonzaga. Um encontro marcado de histórias e emoções.

“Luiz Gonzaga o rei do Baião, estava hospedado em uma pousada em Caldas de Cipó, na Bahia, e a dona do local ouvia assiduamente todos os dias o programa de Josa no rádio. Então ele ouviu o programa e gostou e disse que queria conhecer esse caboclo. Em seguida telegrafou para painho, e veio conhecer ele aqui em Sergipe. Durante esse encontro, na época, quem estava no auge era o cantor Roberto Carlos, e eles se conheceram na rádio e acabaram se estendendo no horário do programa ao ponto que a rede desligou o sinal do programa de painho. Eles acharam isso um absurdo, e para saíram em manifesto pelas ruas de Aracaju, questionando porque cortaram o rei do baião Luiz Gonzaga para por o do Roberto Carlos. E olhe que era programa de auditório, painho e Luiz foram com a platéia fazer um protesto na frente do Palácio do Governo para questionar isso (risos)”.

LP’s.

O primeiro disco do sergipano foi um compacto simples, “Fazendo Zabumba”, que contou com a participação de Luiz Gonzaga. O forrozeiro gravou ainda um disco duplo; dois LP’s com 12 músicas cada, além de realizar várias participações em coletâneas no Estado de Sergipe.

No auge de sua carreira musical, ele fez várias tournées e chegou a se apresentar no programa de Abelardo Barbosa “Chacrinha” no Rio de Janeiro/RJ. Josa também teve suas composições regravadas por cantores respeitados no forró, a exemplo de Clemilda, Alcimar Monterio, Mestre Zinho do Acordeon, Erivaldo de Carira, Zé Américo, Jailson do Acordeon, dentre outros.

Relacionamentos.

A vida de Josa foi marcada por vários romances. Ele foi casado por duas vezes e tem nove filhos, sendo quatro fruto do primeiro relacionamento, e cinco do segundo.

Ele também se tornou amigo fiel da sergipana Maria Feliciana, no qual a criou desde os 16 anos. “Ele conheceu ela em um show na cidade de Amparo de São Francisco que painho conheceu uma menina nova que já tinha 2,25m. Ela se chamava Maria Feliciana e não ia a escola enclausurada devido ao seu tamanho pelo contexto daquela época de ficar como uma vitrine, e painho fez o convite ao pai dela para ela deslanchar no basquete, saindo do contexto e tentar uma outra forma de vida. Os pais de Maria deram a tutela a painho e eles vieram para Aracaju Ela me criou durante 8 anos, e painho teve uma temporada de 8 anos com ela”.

Doença.

Há 10 anos, um Acidente Vascular Cerebral (AVC) e um Alzheimer tiraram o vaqueiro dos palcos. “Hoje a doença tirou a fala dele, a marcha, e ele não fala mais. A última vez que ele foi aos palcos ele tava com 70 anos; Em nenhum momento eu senti a não aceitação de painho com a doença. Ele é um homem muito de Deus, falava sempre em religião, havia esse respeito, o temor ao senhor. Ele sempre dizia que o homem nasce, cresce, e se desenvolve. Ele entendia esses processos da natureza. – A vida é ilusão, porque tanto orgulho, se todos são abrolhos que se acabam no chão – dizia painho”.

Reconhecimento.

Mesmo fora dos palcos, Josa é bastante lembrado pelos sergipanos. E teve o seu trabalho reconhecido em diversas premiações. “Em 1968, houve um encontro dos sanfoneiros aqui em Sergipe para escolher o melhor dos sanfoneiros, e painho recebeu o troféu da sociedade de reconhecimento no forró. Ele também teve a oportunidade de participar do 10º Fórum do Forró de Aracaju e de inclusive ter sido um dos homenageados; Foi homenageado ainda no Troféu Sanfona de Ouro, e de universidades particulares e instituições públicas”.

Josa, o vaqueiro do Sertão.

Mas o que Josa sempre procurou na sua vida, foi um cenário igual a sua música – Nas sombras da Jaqueira – e ele encontrou na cidade de Areia Branca, local que residiu por 38 anos. “Ele procurou um lugar que tivesse jaqueira para terminar seus dias e ele encontrou em Areia Branca, que é a propriedade dele, tudo o que dizia a sua música – Nas sombras da Jaqueira – e por 38 anos ele viveu lá, na cidade que ganhou o título de 3ª capital do forró no país. Com a doença, há dois anos ele está morando comigo aqui em Aracaju”.

Bastante emocionada, Joseane encerrou a entrevista falando do que o seu pai representa para a sua vida. “Para mim ele é o patrimônio cultural de Sergipe. Todos os colegas artistas têm muito respeito e amizade a ele, e eu entendo, sou filha suspeita para falar, mas eu entendo que é mérito, porque ele foi um cara que soube fazer a marca dele. Teve a moda do duplo sentido e ele não se corrompeu, e conseguiu se manter naquilo que ele defendia, e para mim ele é símbolo de força e coragem. Ele é um guerreiro e me mostra isso a cada dia nessa revolução de santidade. É o meu orgulho”, finaliza.

Imagem e texto reproduzidos do site: culturainterativa.com

Postagem originária da página do Facebook/Minha Terra é SERGIPE, de 5 de maio de 2014.

Nossos Grandes Pediatras

Dr, Machado de Souza.

                 Dr. Lauro Hora                              

Infonet - Blog Lúcio Prado - 29/09/2006.

Nossos Grandes Pediatras. 
Por Lúcio Antônio Prado Dias.

No momento em que o Governo de Estado anuncia a inauguração do Hospital Infantil “Dr.José Machado de Souza”, numa justa homenagem ao ilustre esculápio, nada mais oportuno que relembrar os vultos que marcaram o exercício da especialidade em nossas plagas.
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Dr.José Machado de Souza.

No momento em que o Governo de Estado anuncia a inauguração do Hospital Infantil “Dr.José Machado de Souza”, numa justa homenagem ao ilustre esculápio, nada mais oportuno que relembrar os vultos que marcaram o exercício da especialidade em nossas plagas. Nomes que marcaram a nossa história com lições de competência e humanismo, exemplos de integridade moral e modelo para várias gerações de médicos.

Relembro inicialmente de Augusto Leite. Não era pediatra e sim cirurgião consagrado, formado pela Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro e com especialização em Paris, isso na primeira década do século XX. Ao regressar a Aracaju, Augusto Leite iniciou seu trabalho no Hospital Santa Isabel realizando cirurgias delicadas, com êxito. Em 1926, com a inauguração do Hospital de Cirurgia, obra que conseguiu graças à promessa cumprida do Governador Graccho Cardoso, Augusto Leite passou a se interessar pelos problemas da criança sergipana e iniciou a implantação dos primeiros programas de puericultura, com a ajuda fundamental de um médico com larga visão humanista: Dr. Lauro Hora, que montou consultório em pediatria e coordenou durante muito tempo programas de assistência aos pequenos estudantes das escolas públicas. Lauro tinha uma formação inicial muito ligada à Saúde Pública e Higiene e aos poucos foi se dedicando à criança na sua total plenitude.

Surge então em 1937 aquele que passa a ser a grande referencia da pediatria sergipana: o Dr. José Machado de Souza. O Dr. Machado, como era mais conhecido nasceu em 22 de janeiro de 1912 em Aracaju, filho de Gervásio de Araújo Souza e D. Laura Machado Souza. Iniciou o curso médico na Faculdade de Medicina da Bahia em 1929, entretanto transferiu-se para a Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro, graduando-se em 26 de novembro de 1934. Fundador e presidente da Sociedade Médica de Sergipe e da Sociedade Sergipana de Pediatria. Foi vice Governador do Estado (1955 – 1959), Secretário Estadual de Saúde (1979 – 1982). Na sua administração foi implantado em Sergipe o HEMOSE (Centro de Hemoterapia). Foi ainda um dos fundadores e professor de Pediatria da Faculdade de Medicina de Sergipe, médico do INAMPS, Diretor do Hospital Infantil do Hospital de Cirurgia e do Hospital Santa Isabel, de 1937 a 1980.

Dr.Lauro Hora.

Figura de personalidade marcante, homem de princípios morais e éticos inabaláveis, Dr.Machado foi um divisor de águas na pediatria sergipana, para muitos o Pai da Pediatria sergipana. Sempre presente e atuante, foi o primeiro professor de pediatria da nossa Faculdade e com outros abnegados passaram a lecionar gratuitamente aos jovens estudantes de Medicina, formando uma multidão de seguidores e admiradores. Seu vozeirão, que aos mais desavisados parecia assustar, se comparava ao tamanho da bondade de seu coração.

Quando, ainda estudantes de Medicina, chegávamos ao pavilhão infantil do Hospital de Cirurgia, logo de manhã cedo para os primeiros estudos práticos, deparávamos com aquela figura descomunal, desproporcional para seus pequeninos pacientes, colocando suas grandes mãos em pequenos abdomes, muitos com baços e fígados enormes, em decorrência de verminoses e carências protéicas. Acordava cedo para estudar e em seguida começava a sua peregrinação para ver as criancinhas internadas.

Machado teve importante participação política em Sergipe, sendo Secretário de Saúde e Vice-Governador do Estado. Nas aulas que ministrava, ao discorrer sobre as conseqüências da esquistossomose, dos efeitos das anemias carênciais e da desnutrição que acometia as nossas crianças, deixava visivelmente transparecer sua inquietação e desconforto pelo estado de pobreza e fome de boa parte da população. Seu inconformismo com a situação, que às vezes se manifestava de forma contundente e outras com irreverência peculiar, talvez isso o tenha conduzido à participação na política.

Dois outros nomes marcaram a pediatria sergipana com destaque e relevância, também professores e comprometidos com a causa da criança: Hyder Bezerra Gurgel e Paulo Freire de Carvalho. Dedicaram toda a sua vida ao atendimento pediátrico, montaram as primeiras clínicas especializadas em nossa cidade para atendimento da criança e deixaram também seguidores. Vários outros pediatras se sucederam ao longo dessa história de abnegação e atenção à saúde da criança. Nomes como João Cardoso do Nascimento, Sílvio Santana, Jacy Meireles, Bráulio Abreu, Josefina Maranhão, Maridélia Guedes, Iracema Carneiro Leão, Simone Matos, Byron Ramos, Marília Ramos, Magali Dias de Carvalho, Antonio Paixão, José Augusto Lisboa, Stela Santana, Luciano Franco, Ana e João Lima, Margarida Diniz(Margaridinha) e a geração dos mais novos, Ricardo Gurgel, Cristina Garcia, Glória Tereza, Ângela Marinho, Andréia Diniz e Evilásio Lima, este recentemente falecido de forma prematura.

É para estes e para todos os demais pediatras, que na labuta diária do trabalho, onde quer que estejam, na capital ou no interior, anonimamente, na maioria das vezes mal remunerados, mas todos imbuídos de uma nobre e dignificante missão, que é a de cuidar das nossas crianças, que presto essa homenagem.

Fotos e texto reproduzidos do site: infonet.com.br/lucioprado

Postagem originária da página do Facebook/Minha Terra é SERGIPE, 6 de maio de 2014.

Charles Henry




Publicado originalmente pelo site PGE-SE, em 21/02/2014.

Artista do Mês – Charles Henry

Nascido no dia 08 de outubro de 1967 na cidade de Alagoinhas – BA. Charles descobriu aos 07 anos de idade sua vocação para as artes plásticas, foi quando uma das professoras pediu para cada aluno desenhar em uma folha de papel em branco o que desejaria ganhar de presente de natal, então Charles se empenhou com tanto interesse pelo seu presente que fez a obra com tamanha perfeição que sua professora não acreditou no que viu, perguntou-lhe de onde havia copiado aquele desenho tão perfeito, e ele respondeu que tinha sido da sua própria mente não acreditando na história de Charles a professora o conduziu a diretoria da escola, pedindo que fizesse o desenho perante a direção da escola, e novamente ele o fez recebendo os parabéns de todos ali presentes.

Desse dia em diante seu interesse pelas artes foi cada vez maior. Em 1979 mudou-se para outro interior da Bahia chamado Pojuca ficando ainda mais próximo de Salvador lá ele fez amizades com pessoas voltadas ao mundo das artes. Tentou então sem êxito estudar na capital mas, por ser menor de idade, não poderia se deslocar do interior para capital. Aos 13 anos foi convidado pela Fundação José Carvalho onde Charles ingressava em seu primeiro emprego como Office-boy , e logo sendo instrutor de artes. Em 1983 seu pai ganhou a aposentadoria, e fez planos para obter uma vida melhor , então mudou-se para Aracaju, ja nesta capital Charles era recnhecido por muitos fazendo seus imensos paineis criados por ele mesmo a pedido de seus clientes donos de lojas e lanchonetes e etc.

Estudou nos colégios; Leandro Marciel , Atheneu Sergipense, Costa e Silva, Unificado e Visão. Nesse mesmo período trabalhava como diretor de arte em agência de propaganda, fez sua primeira exposição individual a convite do Shopping Riomar em 1990, participou de vários concursos nacionais ficando sempre em boa colocação, participou também de várias exposições coletivas nas galerias:Alvaro Santos, J. Inácio, Shopping Jardins: comemoração ao dia dos pais e Personalidades Sergipanas.

Fotos e texto reproduzidos do site: pge.se.gov.br/artista-do-mes

Postagem originária da página do Facebook/Minha Terra é SERGIPE, de 4 de maio de 2014.

Fábio Pamplona




Publicado originalmente pelo site PGE-SE, em 21/02/2014.

Artista do Mês – Fábio Pamplona.
Por Mário Britto.

Nascido no dia 19 de setembro de 1978, na cidade do Bom Jesus do Itabapoana/RJ, ainda criança, Fábio Pamplona tinha fascínio pelos livros de artes, em especial, pelos de fotografia. Encanta-se com os desenhos, as aquarelas e os óleos sobre tela feitos pela sua mãe. Desde que ganhou a primeira câmera, fez dela a sua companheira inseparável, mantendo-a sempre às mãos, pronto para entrar em ação. Em 1993, mudou-se com a família para Aracaju, onde estudou, aprimorou técnica e iniciou a sua carreira de fotógrafo. Em 1997, volta a Niterói e ingressa na Faculdade de Cinema da Universidade Federal Fluminense. Em 2005, retornou a Aracaju, e desde 2009, mora no Rio de Janeiro, onde concluiu o curso de Fotografia, na Faculdade de Fotografia da Universidade Estácio de Sá.

Atento às modernidades tecnológicas, atraído pelo belo e focado no universo fashion, em 1996 Fábio Pamplona realizou os primeiros trabalhos profissionais. Possuidor de um criterioso senso estético, fruto de muitos estudos e intercâmbio com outros fotógrafos, tem em seu portfólio importantes campanhas publicitárias no eixo Aracaju/Rio de Janeiro/São Paulo.

Influenciado por diferentes artistas de vários segmentos, como: Andy Warhol, Robert Mapplethorpe, Van Gogh, Picasso, Miró, René Magritte, Federico Fellini, Toulouse Lautrec, Madonna, Michael Jackson, Walt Disney, Richard Avedon, Ansel Addams, Sebastião Salgado, Pierre et Gilles, Akira Kurosawa e o sergipano Leonardo Alencar, Fábio Pamplona criou um estilo eclético e pontuado na admiração aos seus ídolos, em especial, David LaChapelle e Mario Testino.

Experiente na mistura de técnicas, Fábio Pamplona realiza um trabalho contemporâneo, no qual cores, texturas, ideias, conceitos, sensações e elementos geométricos se mesclam e se completam. Profissional requisitado por celebridades, vem fazendo trabalhos em diversas áreas. Além das fotos que constituem o seu acervo pessoal, formado ao longo de sua carreira, Fábio Pamplona possui obras em várias coleções particulares e em locais públicos, a exemplo da Biblioteca Pública Epifânio Dória e do restaurante Chateou Blanc, ambos em Aracaju.

Em 1996, participou de oficina de fotografia com a professora Eliane Velozo, promovida pela CULTART/PROEX/UFS, em Aracaju; em 1998, participou de curso de Linguagem Fotográfica, no Curso da Faculdade de Cinema da Universidade Federal Fluminense, em Niterói.

Entre as muitas exposições de que participou, destacam-se as coletivas realizadas: em 2001, no Espaço da Arte, na Sociedade Médica de Sergipe (SOMESE), em Aracaju; em 2006, no Cantinho da Arte da Unimed, em Aracaju; em 2012, no Shopping Boulevard, “Dentistas do Bem”, em São Gonçalo, no Rio de Janeiro; e, em 2013, “Poéticas Visuais”, com curadoria de Cláudia Lewinsohn, no Espaço Cultural Evandro Teixeira, no Rio de Janeiro.

Durante as comemorações do Ano da França no Brasil, em 2009, realizou, em Aracaju/SE, as seguintes exposições: “Paris1`Q1 d´Amour”, no Shopping Jardins; a convite do Vice-Consulado da França em Sergipe: “Paris d´un Jour”, na Biblioteca Pública Epifânio Dória e “Paris de Toujours”, na Galeria J. Inácio, na Biblioteca Pública Epifânio Dória. Em setembro de 2013, participou da exposição coletiva “Coleção Mário Britto, um sentir sobre as Artes Visuais em Sergipe”, com curadoria de Mário Britto.

Fotos e texto reproduzidos do site: pge.se.gov.br/artista-do-mes

Postagem originária da página do Facebook/Minha Terra é SERGIPE, de 4 de maio de 2014.

Joubert Moraes




Publicado originalmente pelo site PGE-SE, em 01/03/2013.

Artista do Mês – Joubert Moraes
Por Mário Britto.

Nascimento: 13 de dezembro de 1947, em Propriá/SE.

Nascido no seio de uma família de artistas: o pai, poeta e escritor; a mãe, cantora e bordadeira, ambos apaixonados por música e literatura, não demorou para Joubert despertar-se para o universo artístico. Aos treze anos, já começava a esboçar os primeiros desenhos. Sua irmã Gêlda Maria era pintora e, desistindo do ofício, deu ao irmão mais novo todo o seu material de trabalho
.
Na adolescência, já imerso no meio das artes, Joubert começava a tomar conhecimento e gosto pela pintura. Tinha o hábito de visitar Galerias de Arte, comparecia a todas as exposições e frequentava, assiduamente, os ateliês dos mestres J. Inácio e Florival Santos.

Mais tarde, no final dos anos sessenta, impulsionado pelas mudanças dessa pujante e revolucionária década e em busca de aperfeiçoamento técnico, Joubert foi morar em Salvador/BA, onde fez o curso livre de arte, oferecido pela tradicional Escola de Belas Artes. Lá estudou com o renomado desenhista Juarez Paraíso, por quem tem uma grande admiração e confessa ter sido o artista que mais o influenciou.
Nessa mesma época, em Salvador, faz as primeiras excursões pela abstração, conhece o pintor russo Lev Smarscheviski e compartilha conhecimentos com os artistas Aleixo Belov, Luiz Jasmim, Tatty Moreno, Fernando Coelho.

De volta a Aracaju, em 1968, Joubert realiza a sua primeira exposição individual na Galeria de Arte Álvaro Santos. Foram trinta obras, com diversos temas, dentre eles marinhas, casarios, alagados, abstratos e figurativos.

Em meados dos anos 70, Joubert dirigiu o espetáculo teatral “Vôos Mitos Coloridos” dando início a mais um viés de seu talento artístico – a arte performance. Em 1975, realiza na Igreja do Solar do Unhão uma marcante exposição prestigiada pelos artistas e pela a elite da sociedade baiana. Registra, ainda, como momento de muita emoção em sua carreira, a pintura da Igreja matriz da cidade de São Francisco do Conde/BA.

O Festival de Artes de São Cristóvão – FASC – uma idealização da Universidade Federal de Sergipe, também foi palco para Joubert revelar o seu talento. Em 1976, por ocasião da quinta edição, ele revolucionou o importante encontro cultural expondo em uma igreja abandonada. Participaram dessa inusitada e inovadora exposição, denominada “Circo Mágico”, fotógrafos, músicos, poetas e dançarinos.
Nos anos oitenta, Joubert realiza, em Salvador/BA, outra exitosa Mostra no antigo Hotel Meridien, hoje Pestana. Nos idos de 1990, expõe em Aracaju, Salvador e Porto Alegre. Atualmente, Joubert participa, regularmente, de exposições individuais e/ou coletivas em diversas cidades brasileiras.

Artista premiado, recebeu o Prêmio Horácio Hora de Artes Plásticas. Em dezembro de 1984, ganhou o Prêmio J. Inácio, do Salão Nuarte, concedido pela Secretaria de Estado da Educação e Cultura, com uma escultura em parafina rósea denominada “Cor Nua”. Em 2006, Joubert realiza, sob encomenda, a monumental obra “Holoformas”, entregando-a, em dezembro do mesmo ano, à Galeria de Arte AMA, em Aracaju/SE.

As obras de Joubert estão espalhadas pelo Brasil e em vários países do mundo, como EUA, Peru, França, Portugal, Espanha, Senegal etc. Elas povoam residências, órgãos públicos, instituições privadas, prédios, museus, escolas, escritórios, mas, sobretudo, estão na memória e no coração do povo sergipano.

Para Joubert, o importante na obra não é a forma, a técnica ou a aparência visual final do trabalho, o que vale para o artista é a ideia, o conceito, o que ele quer dizer. E, como poucos, seja com um pincel, com os dedos ou com um lápis, com tintas ou notas musicais, ele sabe expressar-se – diz sabendo o que quer dizer -, porque transcende para a arte que faz toda a emoção que o domina.

Para o artista, o que importa é se expressar livremente, sem amarras ou regras. Arte e liberdade são partes de um mesmo todo, uma se alimenta da outra. É como o pavio, da cera; o pássaro, do canto; a boemia, da noite. Em quaisquer de suas formas de expressão, Joubert as faz com paixão e muita dedicação.

Vanguardista, Joubert está e, sempre esteve, à frente do seu tempo. Sua opulenta obra é individualizada, possui estilo próprio que o denuncia ao primeiro olhar. Ainda que preencha a bidimensionalidade da tela, Joubert sempre reserva ao observador um espaço extra para que ele se transponha para a obra, interaja com a arte e, de pronto, estabeleça um franco diálogo com ela, dando, afinal, à pintura um senso de tridimensionalidade.

Pessoas reais ou fictícias, camufladas entre nebulosas nuvens e esvoaçantes coqueiros; paisagens surrealistas, lembranças da suave brisa que sopra os coqueiros da Praia da Atalaia e as alvas dunas do Abaís e autorretratos, numa figuração metafísica, caracterizam a sua inconfundível arte pictórica.
Joubert tem uma relação completa e visceral com a arte, que a realiza com apurado gosto e aptidão. Toca violão com a mão direita, pinta com a esquerda, e, com ambas, faz as esculturas.

Assim, em razão da vocação variada para a arte, Joubert tem uma carreira rica e diversificada: pintura, desenho, escultura, música, cenografia, poesia, produção e direção de espetáculos e shows são, apenas, punhados da sua arte e partes de seu multifacetado talento.

Fotos e texto reproduzidos do site: pge.se.gov.br/artista-do-mes

Postagem originária da página do Facebook/Minha Terra é SERGIPE, de 4 de maio de 2014.

Florival Santos




Publicado originalmente pelo site PGE-SE, em 01/04/2013.

Artista do Mês – Florival Santos.

Nascimento: 16 de outubro de 1907, Propriá/SE
Falecimento: 26 de setembro de 1999, Aracaju/SE.

Autodidata, ainda criança já revelava aptidão artística. Em 1927, com 20 anos, muda-se para Aracaju em busca de melhores condições, e, dois anos mais tarde, morou no Rio de Janeiro para seguir carreira militar.
Florival, assim como o irmão mais novo, o artista Álvaro Santos, nasceu às margens do Rio São Francisco, o que o levou, na juventude, a ser um exímio nadador.

Em grande parte de suas obras encontramos remanescências das memórias do “velho chico” com as suas canoas de proa com velas coloridas, os plantadores de arroz, os pescadores puxando redes de arrasto, os catadores de conchas, de siris e de massunins.

Em sua diversificada iconografia, retratou com muita precisão a fome dos retirantes, a dor dos flagelados e a miséria dos ribeirinhos que moram nas palafitas. Mesmo em um cenário de extrema pobreza, a sua obra se apresenta rica graças ao seu talento e a sua apurada técnica.

Sua obra “Retirantes” pertence ao acervo do Vaticano (Itália). Além desta, possui trabalhos em diversas instituições públicas, como o Museu de Histórico de Sergipe, na cidade São Cristóvão, o Instituto Histórico e Geográfico de Sergipe, o Instituto Dom Luciano Duarte, Tribunal de Justiça do Estado de Sergipe, Prefeitura Municipal de Aracaju, além de outros órgãos do Estado.

Pintou a tímida Aracaju da década de trinta, a antiga ponte da Atalaia, a praia Formosa, a rua da Frente, Carro Quebrado. Como acadêmico, imortalizou a sua obra retratando políticos e autoridades sergipanas, cujo acervo encontra-se no Instituto Histórico e Geográfico de Sergipe, e, em uma linguagem mais modernista, fez marinhas inspiradas em Propriá e a série Xangô, fases que merecem destaque em sua iconografia.

A sua casa, onde também exercia o seu ofício, era ponto de encontro dos amantes das artes, bem como dos consagrados artistas com os jovens aspirantes. Costumava trocar correspondências com Jordão de Oliveira e recebia Jenner Augusto sempre que ele seguia para Aracaju.

Realizou diversas exposições, ocorrendo a primeira individual em 1933, na Associação Comercial de Sergipe. Na década de 60, expôs individualmente no Rio de Janeiro, em São Paulo, em Salvador e em Brasília. De forma unânime, ganhou o concurso para a escolha do brasão de Aracaju, em 1955, por ocasião do centenário da cidade. Em 1966, assumiu o primeiro mandato de Diretor da Galeria de Arte Álvaro Santos, em Aracaju/SE.

Pelo conjunto de sua obra, recebeu diversas homenagens, a exemplo da “Medalha de Honra ao Mérito Inácio Joaquim Barbosa”, da Prefeitura de Aracaju. A Universidade Federal de Sergipe também o laureou dando o seu nome à galeria de arte do Centro de Cultura e Arte – Cultarte.

Fotos e texto reproduzidos do site: pge.se.gov.br/artista-do-mes

Postagem originária da página do Facebook/Minha Terra é SERGIPE, 4 de maio de 2014.

segunda-feira, 5 de maio de 2014

Jenner Augusto




Publicado originalmente pelo site PGE-SE, em 01/07/2013.

Artista do Mês – Jenner Augusto.
Por Mário Britto.

Natural de Aracaju, filho de Augusto Esteves da Silveira e Maria Catarina Mendes da Silveira, Jenner Augusto da Silveira, pintor, desenhista, escultor, cartazista, ilustrador e gravador nasceu no dia 11 de novembro de 1924 e faleceu no dia 03 de março de 2003, em Salvador/BA.

Com apenas seis meses de idade, Jenner ficou órfão de pai. A precoce ausência do genitor, a origem humilde e as adversidades de uma vida difícil não o desviaram de sua vocação, percebida, desde tenra idade, nos muitos desenhos e rabiscos escolares que fazia. Antes de fixar residência em Salvador, Jenner Augusto morou em Sergipe nas cidades de Rosário, São Cristóvão, Itabaianinha, Lagarto, Aracaju e Laranjeiras, onde copiou e recopiou inúmeras vezes os quadros do seu primeiro ídolo, Horário Hora.

Em 1945, realizou em Aracaju a sua primeira exposição. Em 1947, já mais entrosado no ambiente artístico da cidade, participou de algumas mostras coletivas e, finalmente, em 1948, após a realização de sua segunda exposição, substituiu os padrões acadêmicos pela perspectiva do modernismo.

Em 1949, morando em Aracaju, sob forte influência do modernista Portinari, seu segundo mestre, e motivado pelos movimentos de renovação das artes, pintou, graciosamente, as paredes do Cacique Chá com murais baseados em cenas históricas, no folclore e nos costumes de Sergipe. Esse trabalho é considerado como o marco da estética moderna em Sergipe.

Ainda em 1949, aconselhado por Portinari a estudar mais o desenho, transfere-se para a Bahia. Em oposição à Escola Acadêmica, participou do polêmico núcleo renovador da arte baiana, constituído por Mário Cravo Júnior, Carlos Bastos, Genaro de Carvalho, Rubem Valentim e Mirabeau Sampaio.
Inserido no forte movimento de renovação das artes, fez grandes amizades, a exemplo dos irmãos James e Jorge Amado, Raimundo Oliveira, Pancetti, Carybé, Mario Cravo Junior, Zé de Dome, Mirabeau Sampaio, Rubem Martins, Lênio Braga, Calazans Neto e Dorival Caymmi.

Artista atuante, em 1950 participou, pela primeira vez, do Salão Baiano de Belas Artes e da Mostra Novos Artistas Baianos, acontecimento considerado como marco inicial da arte moderna na Bahia. Em 1951, participou da 1ª Bienal de São Paulo e, em 1953, executou o painel “Evolução do Homem”, no Centro Educacional Carneiro Ribeiro, em Salvador. Nos anos 60 realizou uma importante exposição com trabalhos abstracionistas no Museu de Arte Moderna na Bahia – MAM/BA e, em 1965, realizou a sua primeira individual em São Paulo.
Em 1966, já consagrado no Brasil, Jenner Augusto inicia uma exitosa carreira internacional. Esteve, a convite do governo americano, nos Estados Unidos, para inaugurar a mostra “Baianos na Filadélfia”. Nos anos seguintes, sempre como convidado, participou de exposições coletivas na Itália, na Holanda, na Inglaterra, na Espanha e em Portugal. Fez, com grande sucesso, exposições individuais na França e na Bélgica, onde conhece Paul Delvaux. Na década de 90, Salvador recebeu uma galeria de arte em sua homenagem, chamada Espaço de Arte Jenner. Em 1995, foi comemorado na Bahia o cinquentenário de suas atividades artísticas. Em 2002, a Sociedade Semear lhe prestou justa homenagem, dando o seu nome à Galeria de Arte.

Em 2011, a Sociedade Semear realizou na Galeria Jenner Augusto, em Aracaju, uma exposição retrospectiva com o lançamento do livro “Jenner, Vida e Obra”, de Mário Britto e Zeca Fernandes; no ano seguinte, essa obra foi relançada, em Salvador, pela Catabas Empreendimentos Imobiliários, em comemoração aos vinte e cinco anos de fundação da construtora.

Em 2012, foi realizada a exposição “Jenner, Cores de uma Vida”, no Centro Cultural do Banco do Brasil, em Brasília, com o lançamento de livro homônimo, também de autoria de Mário Britto e Zeca Fernandes.
Na sua pintura, cuja matéria-prima original é a sua alma, retratou o sertanejo, a seca, a enchente, cenários sergipanos e cenas da ensolarada e multifacetada Bahia. Compôs, ainda, com maestria ímpar, naturezas-mortas; camponeses e meninos de engenhos; retratos de amigos e familiares.

Inspirado no bairro pobre de Alagados, periferia de Salvador, Jenner fez uma pintura essencialmente social e de protesto, denunciando a vida inumana de seus moradores. Através desse importante momento em sua iconografia, iniciado em 1963, alertou a subvida dos seus habitantes, que, no dizer do poeta modernista Carlos Drummond de Andrade, nos Alagados: “morrem sem viver”.

Jenner Augusto não transferiu para a sua arte, como a maioria das pessoas de vida mais difícil faz, os seus desencantos e as suas amarguras, pelo contrário, preservou, por todo tempo, a sua alegria de viver. Em sua pintura, quando fazia, por exemplo, os seus coroinhas, se “encarnava” em um deles, e, regido pelas suas lembranças de menino em Sergipe, retratava-os, ora brincando de bola ou de peteca, ora empinando pipas ou andando de bicicleta, ora indo à praia para pescar ou fazer piquenique ou, ainda, indo ao campo para colher flores e frutas.

Na verdade, Jenner Augusto, em seu extraordinário processo criativo, pintou de tudo e, como disse Jorge Amado, que o conhecia como poucos, “pintou com as cores de sua terra”, e, por essa razão, “há em cada um de nós alguma coisa da luz, da emoção, da beleza que ele criou”.

Fotos e texto reproduzidos do site: pge.se.gov.br/artista-do-mes

Postagem originária da página do Facebook/Minha Terra é SERGIPE, de 4 de maio de 2014.

J. Inácio




Publicado originalmente pelo site PGE-SE, em 01/08/2013.

Artista do Mês – J. Inácio
Por Mário Britto.

José Inácio Alves de Oliveira nasceu no dia 11 de junho de 1911, no povoado Bolandeira, em Arauá/SE; e, faleceu no dia 1º de agosto de 2007, em Aracaju/SE. Pintor e caricaturista iniciou sua trajetória nas artes aos dezoito anos de idade, ao interpretar Judas em um auto encenado na Semana Santa, na Colina do Santo Antônio. Um ano depois, começou a sua carreira como pintor, tendo como seu primeiro mestre o pintor e matemático Quintino Marques. Trabalhou para jornais e revistas e, ainda, vendeu poemas nas ruas com o pseudônimo de Inácio Ventura.

Recebeu do Governo Augusto Maynard uma bolsa para estudar na tradicional Escola de Belas Artes, no Rio de Janeiro, ficando lá, apenas, pouco mais de um ano. Sua formação artística foi no laboratório da vida, na experiência vivida, nas dificuldades do dia a dia. Fez grande amizade com o mestre Jordão de Oliveira, seu professor em sua rápida passagem pela Escola de Belas Artes e grande incentivador. Dele, J.Inácio recebia ensinamentos, conselhos, material para pintura e guarida em sua casa, na Ilha do Governador.
Sua primeira exposição data de 1931, na antiga Biblioteca Pública de Aracaju. Em 1940, no Rio de Janeiro, realizou uma exposição individual no Liceu de Belas Artes. Ainda no Rio, no Salão de Artes Plásticas do Rio de Janeiro, logrou prêmios como a medalha de bronze, em 1943 e Menção Honrosa, em 1944.

J. Inácio é um dos mais queridos e populares artistas sergipanos, recebeu muitas homenagens em vida e continua a recebê-las após a sua morte. Em 1981, emprestou o seu nome para a Galeria de Arte da Biblioteca Pública Epifânio Dórea. Em 2004, em comemoração aos seus 93 anos, a Sociedade Semear realizou a mostra “Visitando J. Inácio”, com a participação de 21 artistas sergipanos, convidados pelo próprio J. Inácio, para elaboram uma releitura de sua rica obra.

Em 2010, J. Inácio foi festejado como patrono do 19º Salão dos Novos, promovido pela Galeria de Artes Álvaro Santos, com curadoria de Luiz Adelmo. Em 2011, em comemoração alusiva aos 100 anos de nascimento do pintor, o Tribunal de Contas do Estado de Sergipe, realizou uma exposição em sua homenagem, no Espaço Cultural Ministro Carlos Ayres Britto. Na ocasião foi relançado o livro “Vida e Obra de J. Inácio”, de autoria de Wagner Ribeiro. Em 2012, participou, – in memoriam – , da coletiva “Coleção Mário Britto”, edição especial Mostra Aracaju.

A pintura de J. Inácio passa por uma subliminar linguagem expressionista. A irreverência do artista, aliada à sua inquietude, fê-lo um artista singular, livre de conceitos, de estilos, de temas e de escolas. Suas obras, realizadas com pinceladas firmes, rápidas e certeiras têm um colorido muito exclusivo, são cores vibrantes e luminosas, com predominância dos verdes e amarelos.

Entre as suas maiores fontes de inspiração estavam as garças, as jaqueiras, as casas de farinha, os pântanos, as paisagens urbanas e rurais de diversos municípios sergipanos, retratos de amigos e personalidades. Suas bananeiras, objeto de desejo de todos os colecionadores, são o símbolo maior de sua iconografia.

A simpatia pessoal de J. Inácio, a sua forma simples e particular de ter vivido e os muitos galanteios que fazia às moças o tornaram uma figura icônica e amada em Sergipe. Com uma vida totalmente dedicada à arte, J. Inácio, o irmão mais novo do legendário Padre Pedro, encantou a todos com as suas pinturas, não sem razão, afirmou o jornalista e historiador Luiz Antônio Barreto, em seu rol das efemérides de 2011, “aplaudido pela crítica e pelo público, J. Inácio colocou as cores locais nas suas telas, estabelecendo uma identidade que marca a sua contribuição às artes em Sergipe”.

Fotos e texto reproduzidos do site: pge.se.gov.br/artista-do-mes

Postagem originária da página do Facebook/Minha Terra é SERGIPE, de 4 de maio de 2014.

Rosa Faria




Publicado originalmente pelo site PGE-SE, em 01/09/2013.

Artista do Mês – Rosa Faria.
Por Mário Britto.

Rosa Moreira Faria, professora, artista, pesquisadora, telegrafista, jornalista, taquígrafa e poeta, nasceu no dia 28 de abril de 1917, em Capela/SE e faleceu no dia 1º de maio de l997, em Aracaju/SE.

Descendente de portugueses, filha de pai artista, Rosa Faria, autodidata, desde tenra idade já manifestava vocação para as artes. Em sua terra natal, cursou o primário no grupo Escolar Coelho e Campos e o ginásio no Colégio Imaculada Conceição, onde recebeu o diploma de normalista. Em 1942, iniciou sua careira de professora no povoado de Boa Vista, em Capela/SE.

No ano de l946, mudou de sua terra natal para Aracaju/SE e, em 1950, mudou-se para o Rio de Janeiro/RJ, onde fez curso de artes plásticas no Departamento Nacional do Serviço de Aprendizagem Industrial e de Extensão Universitária Sobre Psicologia do Adolescente na Universidade do Brasil. Em l952, fez curso de desenho para ensino. Em l953, ministrou, em Petrolina/PE, curso Nacional Para Jovens de Artes Aplicadas. Em 1956, concluiu curso didático pela Faculdade Católica de Filosofia de Sergipe.

Em 1955, Rosa Faria foi laureada com o primeiro lugar em concurso realizado pela Prefeitura de Aracaju em comemoração ao Centenário de cidade. Admirada pelo povo sergipano em razão do seu relevante trabalho na preservação de nossa história, recebeu diversas comendas e medalhas, como Honra ao Mérito, da Prefeitura de Aracaju, Medalha Amiga da Marinha, Medalha Amiga do Exército, Mérito Serigy, nos graus de Cavaleiro e Comendador e o Título de Cidadã Aracajuana, concedido pela Câmara Municipal de Aracaju.

Membro fundadora da Associação Sergipana de Imprensa, Rosa Faria presenteou a entidade com uma importante coleção de pinturas óleo sobre tela e sobre madeira. Poeta, pesquisadora e escritora, constam, ainda, em seu curriculum, as seguintes publicações: em 1947, a biografia de Dom José Thomaz Gomes da Silva, em forma de calendário; em 1948, Sinopse Biográfica do Monsenhor Carlos Costa e, em 1995, o álbum histórico, composto por 122 placas de cerâmicas, intitulado: “Sergipe Passo a Passo pela sua História”. É autora das comendas “Gumercindo Bessa”, feita para o Tribunal de Contas e a “Tobias Barreto”, para a Procuradoria da Justiça.

Em 17 de março de l968, foi fundado o “Museu de Arte e História Rosa Faria” para albergar a sua obra composta por pinturas em azulejos, em porcelanas, em pratos, alguns bordados com fio de ouro e óleo sobre tela e sobre madeira que retratam, através de pesquisa de documentos, em fatos e fotos a história de Sergipe.

Desde l997, após a morte de Rosa Faria, o acervo do museu foi transferido para o Memorial de Sergipe, pertencente à Universidade Tiradentes-UNIT, em Aracaju/SE. Pelo seu legado à cultura, à arte e à história de Sergipe, declarou o magnífico reitor da Universidade Tiradentes, Professor Jouberto Uchoa: “Rosa Faria dedicou toda a sua vida a preservar a memória do Estado, essa pessoa, que era de uma situação econômica e financeira pequena, deixou e renunciou aos prazeres, para que a história de Sergipe ficasse registrada e marcada por esse monumento que nós temos aqui”.

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Postagem originária da página do Facebook/Minha Terra é SERGIPE, de 4 de maio de 2014.

Anete Sobral




Publicado originalmente pelo site PGE-SE, em 21/02/2014.

Artista do Mês – Anete Sobral.
Por Mário Britto.

Maria Anete Sobral de Faria, pintora, nasceu no dia 22 de novembro de 1925, em Frei Paulo/SE e faleceu no dia 16 de janeiro de 2009, em Aracaju/SE.

Autodidata, desde criança já manifestava tendência para as artes plásticas. Ao se transferir para Aracaju, estudou no Colégio Nossa Senhora de Lourdes, onde cursou o magistério e, depois, na Escola Normal Ruy Barbosa, o pedagógico. É desse tempo do colégio das freiras, de origem francesa, que Anete Sobral teve as primeiras aulas de pintura e realizou os seus primeiros trabalhos artísticos para presentear as suas amigas.
Após alguns anos sem pintar, em 1971, com o apoio de seu esposo Efren de Faria Lima, retorna à pintura e já no ano seguinte participa de uma coletiva de pintores sergipanos, produzida por João de Barros, no Conservatório de Música, em Aracaju.

Anete Sobral participou de diversas exposições coletivas e individuais em inúmeras cidades do Brasil, ganhou prêmios e foi referendada pela crítica especializada. Realizou as seguintes exposições: em 1972, “Sergipe Barroco”, em São Paulo; em 1974, no Clube do Congresso, em Brasília; em 1982, na Galeria de Arte J. Inácio, em Aracaju; em 1986, no Centro de Criatividade Gov. João Alves Filho, em Aracaju; e, 2003, no Espaço Cultural da Assembleia Legislativa de Sergipe.

Em 1986, participou da exposição coletiva de inauguração da Galeria de Arte Florival Santos, no Centro de Cultura e Arte – CULTART, em Aracaju. A artista tem obra em países como a Suíça, França, Alemanha e Colômbia.

Laureada artista, Anete Sobral recebeu alguns prêmios, entre eles, em 1976, menção honrosa no I Salão Atalaia de Pintura e a Medalha de Bronze na segunda edição desse mesmo Salão. Em 2006, recebeu a medalha de bronze na segunda edição do Salão Cataguases, em Minas Gerais. Uma grande realização da artista foi a sua classificação, com todos os trabalhos que submeteu à seleção, para o Salão de Olinda em Pernambuco, bastante concorrido à época.

Em 2010, a Galeria de Arte Álvaro Santos fez uma homenagem póstuma à artista realizando uma exposição individual com curadoria de Luiz Adelmo, intitulada “Anete Sobral: Visão Urbana e Cultural”. Por ocasião dessa mostra, escreveu a historiadora Aglaé d’Ávila Fontes, “Ninguém melhor do que ela fez o passado virar presente, registrando as cores e formas de nossa cultura popular. Traço firme e forte, embora suave nas nuances e sugestões do imaginário. Entre a fé, o cortejo, a festa e as brincadeiras populares, sua arte se aninhou plena de afeto, generosa na arte, como nas amizades”.

Sua obra aborda a realidade histórica e cultural de onde viveu, destacando a rica arquitetura colonial como os seus seculares casarões e igrejas; os folguedos, cenas do cotidiano das cidades do interior sergipano, notadamente, o folclore e as festas populares. Religiosa, temas sacros, como as procissões, também são recorrentes em sua iconografia. Sua pintura é marcada por um desenho leve e por cores primárias e vibrantes. Costumava dizer que “pintar sempre foi o que mais eu quis, e quando pude fazer, não tinha nenhuma intenção de vender, mostrar, expor, eu queria simplesmente pintar, para mim”.

Em setembro de 2013, Anete Sobral participou da exposição coletiva “Um sentir sobre as Artes Visuis em Sergipe”, com curadoria de Mário Britto, realizada na Galeria Jenner Augusto, em Aracaju.

Fotos e texto reproduzidos do site: pge.se.gov.br/artista-do-mes

Postagem originária da página do Facebook/Minha Terra é SERGIPE, de 4 de maio de 2014.