quarta-feira, 15 de outubro de 2014

Lauro Menezes e a Empresa que criou


Publicado originalmente no site do Jornal do Dia, em 28/09/2014.

Lauro Menezes e a Empresa que criou.
Por Luiz Eduardo Costa.

Lauro Menezes Silva era um jovem recém-casado quando resolveu trocar as atividades de pequeno pecuarista pelas de empresário do ramo dos transportes. Comprou, faz mais de 50 anos a Bomfim, uma empresa falida que tinha somente três velhas ¨marinetes¨. As pessoas que passavam de manhã bem cedo pelo trecho da avenida Barão de Maruim, entre Lagarto e Simão Dias, podiam ver Lauro cuidando das suas marinetes estacionadas na frente da sua casa. Trocava pneus, fazia consertos, e muitas vezes substituía os motoristas nas viagens ao interior pelas estradas de piçarra. Em pouco mais de 20 anos Lauro criou uma das maiores e mais sólidas empresas de transportes urbanos e interestaduais do país. A linha Aracaju-Salvador era uma referência de qualidade de serviço. Lauro entregou o comando total do conglomerado de empresas ao filho Laurinho, e ele se revelou um gestor dinâmico. Há cerca de 10 anos, porém, começaram a surgir problemas de caixa que não foram prontamente enfrentados, e instalou-se a crise. Laurinho deixou-se seduzir pela ambição política e tornou-se à revelia do pai, candidato a suplente de senador de Eduardo Amorim. Entusiasmou-se tanto com a idéia de tornar-se senador, com a hipótese vendida como certa de na próxima eleição Eduardo tornar-se governador de Sergipe, que perdeu o limite para os gastos, empenhou-se tanto na campanha que não teve tempo para dedicar-se às empresas, e então veio o colapso.

Lauro Menezes reassumiu o controle do grupo, renovou parte da frota de ônibus sucateada, mas não conseguiu evitar o desastre. Agora, aproximando-se dos 80 anos, Lauro Menezes, que sempre foi um exemplo de lisura e transparência nos seus negócios, assiste o desmonte do sólido grupo que criou. Sendo um homem digno, que sempre manteve intocada a sua reputação, empenha o patrimônio pessoal, das suas duas filhas e da esposa, para honrar débitos e tapar buracos pelos quais não foi responsável.

Ainda existem pessoas como Lauro Menezes que colocam o sentimento de honra pessoal acima de quaisquer circunstancias.

Texto reproduzido do site: jornaldodiase.com.br
Foto reproduzida do blog: magnopapagaio.blogspot

Postagem originária da página do Facebook/MTéSERGIPE, em 13 de outubro de 2014.

terça-feira, 14 de outubro de 2014

Carolina


Publicado originalmente no Facebook/Petrônio Gomes, em 20/05/2014.

Carolina.
Por Petrônio Gomes.

Houve uma época em minha existência em que a fascinação pelo automóvel consumia todas as minhas horas não úteis, isto é, as que deveriam ter sido empregadas em benefício de minha saúde – corporal e mental -, já deduzidas as que haviam sido sugadas pelo contrato de trabalho com o Banco do Brasil.

Aconteceu a partir do ano da graça de 1954, ao apresentar-me para tomar posse na terceira agência do Banco, onde ficaria até me aposentar. Eu tinha vinte e cinco anos, casado e com dois filhos. O nível de vida dos novos colegas suplantava o dos companheiros do Rio e de Niterói, onde eu havia começado. A Agência não contava senão com uns cinquenta funcionários, alguns deles amigos de infância. A maioria possuía grau superior ou se encaminhava para isto. Também a maior parte residia em casa própria e talvez a metade chegava para trabalhar de automóvel. Eram carros americanos, adquiridos de segunda mão, naturalmente, mas bem tratados, reluzentes e tentadores para quem, até o momento, só conhecia a bicicleta. Foi então que começou meu namoro.

A Agência do Banco ficava na Avenida Rio Branco, que, juntamente com a Ivo do Prado, formavam a “Rua da Frente” de todos os tempos. O prédio vizinho era ocupado pela administração e depósitos do ‘Trapiche Lima”. Estávamos no ocaso da navegação de cabotagem, e alguns navios ainda aportavam no local, inclusive o “Petrus”, que trouxe de Niterói nossa mudança. Recebíamos grande parte da fuligem, trazida pelo vento nas horas primeiras da tarde, que a jogava pelos basculantes superiores e se espalhavam sobre nossas carteiras.

Tínhamos quinze minutos de recreio, a partir das dezesseis horas, e muitos de nós trocavam o refresco de mangaba e o café com leite pelos comentários que se trocavam na calçada a respeito dos carros de cada um. Falava-se dos melhoramentos nos veículos, das peças que não se encontravam nas lojas, na cor da pintura a ser escolhida, em suma, de todos os assuntos concernentes à paixão pelas quatro rodas. Também eu troquei o refresco pelo bate-papo, fazendo planos para a aquisição futura, enquanto namorava os automóveis dos colegas felizardos.

Lembro-me dos “Chevrolets” 1948 de João Raulito, José Andrade e Hamilton Nogueira; do “Nash” de Helmann Lago, do “Pontiac” de Carlos Duarte, do “Ford” de João Motta. Não me ocorre à lembrança o nome de um pequeno automóvel que pertencia a Adalberto Moura, um dos meus favoritos.
É verdade que havia também os veículos humildes, pertencentes aos funcionários menos graduados e aos que também não podiam possuir veículo próprio, mas faziam das tripas coração para tê-lo.

Comecei a perder o sono, mas o meu dia, finalmente, chegou.
A oferta partiu de um amigo nosso, parente de minha mulher, Lacy Rocha: um “Chevrolet” 1941... pela metade! Explico-me: o carro havia sido batido e transformado em camioneta. Da metade até o pára-choque dianteiro, era um carro de passeio; da metade para trás, um utilitário, com tampa de ferro na traseira e tudo. Sobre essa tampa, gravada com tinta quase indelével, estava escrito um nome. Parece-me estar lendo esse nome agora, tamanho o meu contentamento de então: “CAROLINA”.

Desse dia em diante, todos os meus sábados haveriam de pertencer à “Carolina”. Os dias úteis seriam apenas tempo de ajuntar os problemas que seriam resolvidos na oficina de Eronides, um chapista dos melhores, doutor indiscutível em recuperação de carros com osteoporose múltipla.

Enquanto os colegas se preparavam para o futebol, eu arrastava o meu calhambeque até o galpão do “mestre” – tratamento conferido aos profissionais que lidavam com as deformações indesejáveis dos veículos cansados da vida, à custa de golpes de marreta e jatos de maçaricos incandescentes. Eu ficava de cócoras a um canto da oficina, esperando, pacientemente, minha vez, pois a clientela de Eronides era toda igual, isto é, de gente que tinha carro a pulso.

Quem me visse, naquelas tardes infindáveis de sábado, pensaria que eu estava a encorajar “Carolina”, pois as sessões de “fisioterapia” eram de cortar o coração. Lá para as dezoito e trinta, Eronides chegava, dizendo que tudo estava bem, como doutor que visita a sala de espera depois de uma terrível cirurgia. Eu pagava mais uma operação, sentava-me ao volante e voltava para casa com minha “Carolina”, sentindo-me um rei.

Pouco depois do café, caíamos no sono, ela e eu. No domingo, a felicidade de entrever o vulto de “Carolina”, de plantão, diante da porta! Adeus aos velhos ônibus da Avenida Hermes Fontes, às ruas cheias de lama no inverno. ‘Carolina’ foi se recuperando, levou mais de dois meses sem ir à oficina. Fiquei tão contente que comprei um toldo de nylon para ela, quatro calotas novas e um visor “Ray-ban” para o seu pára-brisa. Mandei forrar os bancos, aliás, o único banco, e comprei uma fechadura nova, além de um tapete.

Fui até Propriá com ela, numa viagem em que me acompanhou minha mulher e meu sogro. Na ladeira de Muribeca, pisei o pedal de freio e nem sinal. “Carolina” desceu aquela ladeira até o destino, ninguém sabe como. Felizmente havia uma corrente no Posto Policial de Propriá, onde ela estancou.
Contei tudo aos meus colegas, mas todos eles se mostraram solidários, aconselhando-me a não desistir, pois tudo aquilo era natural em qualquer carro.

Mas o Tempo não se detém por nada. A família foi crescendo e a margem consignável dos meus proventos foi diminuindo, a ponto de não me prometer mais garantia de socorro nas oficinas. Um colega, que se julgava entendido, chamou-me à parte para dizer-me que todos aqueles embelezamentos que eu havia feito no carro, de nada valeriam na hora da venda. E mais: disse que já estava na hora de vendê-la. Ele não sabia que eu havia feito tudo aquilo por amor.

Terminei vendendo “Carolina”, não me lembro a quem. Via-a, depois, diversas vezes, estacionada na rua de Itabaianinha. Eu passava para o outro lado da rua, só para não vê-la sob o sol causticante. Depois, ela sumiu de Aracaju. Um chofer de praça me contou que ela havia perdido o freio em uma das ladeiras de São Cristóvão, mas que já havia saído da oficina. Eu ouvia estas notícias como alguém que escuta notícias de um amigo ausente.

Muito tempo depois, no Mercado Municipal, avistei Carolina estacionada a um canto. Tinha a pintura descascada, sem a bela capota que eu lhe dera, e com apenas duas calotas, uma delas amassada. Estava com as molas arriadas por causa do peso que jogaram sobre ela: uma carga enorme de melancias.
Chorei, como estou chorando agora.

Texto e imagem reproduzidos do Facebook/Fan Page/Petrônio Gomes.

Postagem originária da página do Facebook/MTéSERGIPE, de 12 de outubro de 2014.

terça-feira, 7 de outubro de 2014

Cartaz do III FASC (1974)


Cartaz do III FASC (1974).

"O III Festival de São Cristóvão foi realizado entre os dias 20 e 22 de setembro de 1974. O cartaz elaborado por Carmem Barreto Lima conquistou o Prêmio Horácio Hora. A obra apresenta evolução do boi de Reisado na Praça São Francisco". (Thiago Fragata).

Imagem reproduzida do blog: thiagofragata.blogspot.com.br

Postagem originária da página do Facebook/MTéSERGIPE, de 4 de outubro de 2014.

Bricelets, as bolachinhas de São Crstóvão


Bricelets são bolachinhas delicadas como wafer com leve toque de limão, moldadas entre chapas quentes. Os segredos do preparo são guardados pelas freiras do Lar Imaculada Conceição, em São Cristóvão. A produção é pequena, avisa a irmã Silvia Corado do Amaral (foto). Melhor encomendar.

R. Erundino Prado, 32, Centro, São Cristóvão, (79) 3261-1235.

Texto e foto reproduzidos blogs.estadao.com.br

Postagem originária da página do Facebook/MTéSERGIPE, de 2 de outubro de 2014.

Relíquia ao Lixo


Publicado originalmente na página do Facebook/Petrônio Gomes.

Relíquia ao Lixo.
Por Petrônio Gomes.

Lembro-me, com tristeza, dos últimos anos de agonia da Associação Atlética de Sergipe: o grande salão de festas destruído pelos vândalos, suas paredes em ruínas, os velhos e queridos locais de todas as alegrias da juventude de outrora transformados em pontos lúgubres de abandono. Não consigo recompor as cenas que outros tempos nos legaram, quando tento remover pelo pensamento esses escombros.

Era a princesa da rua Vila Cristina, uma edificação até modesta diante do que verdadeiramente significava para as gerações sucessivas de associados. A sacada do pavimento superior, de onde os namorados vinham contemplar a rua, nos intervalos de cada festa, tinha menor altura do que a de qualquer apartamento do primeiro andar dos edifícios fronteiros, erguidos muito depois dela. Atravessou todas as fases que a nossa música popular manifestou através dos seus ídolos, muitos deles acolhidos com orgulho pela Associação.

Lembro-me de um dos seus presidentes, o Dr. Alberto Bragança, que era também uma das figuras ilustres de nossa sociedade, cuja memória está indissoluvelmente ligada à glória da Escola de Química de então. Ele tinha a Associação como um prolongamento do seu próprio lar, e ninguém se achava com direito de interrogar suas decisões a respeito do clube. Diriam hoje os liberalistas de plantão que ele era um “ditador”, mas eu refutaria, em sua defesa, que somente aqueles que amam podem ser severos e também queridos.

Cheguei a entrar para o seu elenco de associados, mas isto só aconteceu muitos anos depois, quando do meu regresso a Aracaju, por desejar abrir uma nova opção de recreio para os filhos adolescentes. A piscina, as quadras esportivas, o ambiente sempre alegre, o restaurante que não tinha portas, com suas mesas espalhadas a esmo, tudo era um convite permanente aos bons momentos que enfeitiçam as mentes dos jovens e dos adultos.

É verdade que Aracaju era outra cidade, como é verdade que envelhecemos talvez mais do que a Atlética. Nosso estado de espírito de agora não pode ser medido senão com o compasso impiedoso do relógio. Não é verdade que achamos graça hoje do que antes aplaudíamos? Assim como as canções que nos irmanavam, fomos aos poucos guardando essas lembranças naquele recanto sagrado, para mostrá-las apenas aos visitantes que solfejaram as mesmas notas.

Não é ocioso repetir: Aracaju era outra cidade. Eram outros os desejos dos moços, também outras as oportunidades. Tinha-se mais tempo para tudo, porque o tudo era muito menos do que agora se pretende. Quem duvidar, compare as melodias das músicas de agora com as daquela época, as letras das músicas e até o modo de dançar. Tanto se acha graça na maneira de dançar de outrora como se acha ridículo o modo atual para quem conheceu. O que mudou, então?

Nossa maneira de ver o mundo, nosso critério. O mesmo que está nos levando a depreciar o que deveríamos conservar, assim como reservamos as salas nos museus para mostrar às gerações futuras como éramos.

Aracaju está jogando fora suas relíquias, atirando-as no lixo do descaso. Um a um nossos cartões postais estão sendo rasgados impiedosamente e jogados na cesta dos papéis imprestáveis. Fica-se esperando pelo dinheiro que poderá chegar com qualquer “tombamento” oficial e deixar a responsabilidade com o poder federal. Mania velha dos governantes de todos os tempos.

Restou-nos apenas, dizer também adeus à Associação Atlética de Sergipe, uma agremiação que nada teve a ver com atletismo, mas que foi a alegria de várias gerações...

Texto e imagem reproduzidos do Facebook/Petrônio Gomes.

(imagem: sergipeemfotos.blogspot.com.br).

Postagem originária da página do Facebook/MTéSERGIPE, de 4 de outubro de 2014.

Noite no Calçadão da João Pessoa, em Aracaju

Photo by sintonnison.
Reproduzida do site: br.worldmapz.com/photo

Postagem originária do Facebook/MTéSERGIPE, de 29 de setembro de 2014.

sexta-feira, 3 de outubro de 2014

Acrísio Cruz.


Acrísio Cruz.
Por Luiz Antônio Barreto.

Acrísio Cruz, filho de Manoel Antonio da Cruz e de Maria Leopoldina da Cruz, nasceu em Laranjeiras (SE), em 31 de outubro de 1906, sob o célebre paroquiato do padre Filadelfo Jônatas de Oliveira. Cresceu em sua terra natal, estudando na escola Laranjeirense, da professora Zizinha Guimarães (Eufrozina Amélia Guimarães), uma das mais afamadas do Estado. Depois, escapando do surto de varíola que grassou na população laranjeirense, mudou-se para Aracaju, matriculando-se no Colégio Tobias Barreto, dirigido pelo professor José de Alencar Cardoso, dito Professor Zezinho.

Autodidata, enveredou pelos caminhos da educação, assumindo, aos 25 anos, a direção do Grupo Escolar General Siqueira, um dos mais antigos de Aracaju, construído pelo presidente do Estado José de Siqueira Menezes, à rua de Itabaiana, onde hoje está sediada a Polícia Militar, com seu Quartel central, passando, depois, para o Grupo Escolar Manoel Luiz, construído por Graccho Cardoso, na praça da Bandeira.

Estudioso da psicologia e das novas concepções pedagógicas, Acrísio Cruz apresenta-se na Segunda Reunião da Sociedade de Neurologia, Psiquiatria e Higiene Mental do Nordeste Brasileiro, realizada em Aracaju de 20 a 25 de outubro de 1940, com uma comunicação original, intitulada Personalidade infantil e escola, na qual mais do que mostrar atualização bibliográfica, discute um caso colhido na sua experiência como diretor do Grupo Escolar Manoel Luiz. Já em 1944, no número 2 da Revista de Aracaju, dá a conhecer aos sergipanos a Tese que apresentou no III Congresso de Neurobiologia, tratando de temática pedagógica, sob o título de Carência Lúdica e Escolaridade.

A carreira de administrador escolar e de técnico em educação, e suas reflexões pedagógicas, precedem a de professor de Língua Portuguesa, de Psicologia Infantil, de Pedagogia, e não impede sua presença no jornalismo sergipano, notadamente o jornalismo político, engajado partidariamente, muito menos na militância e no mandato por ela conquistado. Assim, além de Diretor de grupos escolares, Acrísio Cruz foi Assistente Técnico Geral do Departamento de Educação, em 1942, Técnico em Educação, em 1943, e por cinco vezes Diretor do Departamento de Educação, entre 1944, desde 11 de janeiro, data de sua primeira nomeação, até 1950, desde 9 de setembro quando foi nomeado pela última vez e até assumir, na Assembléia Legislativa do Estado, em 1951, seu mandato de deputado, eleito pela legenda do Partido Social Democrático.

Desenvolvendo intensa atividade laboral, Acrísio Cruz ocupou outros cargos, presidiu e integrou Comissões, representou o Estado junto a organismos nacionais e internacionais, e principalmente orientou e dirigiu os trabalhos do Departamento de Educação do Estado, durante o Governo de José Rollemberg Leite (1947-1951), que resultaram numa verdadeira revolução no ensino público primário, com a construção de mais de duas centenas de Escolas Rurais, da Escola Murilo Braga, de formação de professores, em Itabaiana, e da criação das duas primeiras escolas superiores – Química e Economia -, e ainda do apoio financeiro e material para a fundação de mais duas escolas, a de Direito e a de Filosofia. Acrísio Cruz colocou Sergipe, naquele período de Governo, como piloto das mais novas experiências pedagógicas, conduzidas no Ministério da Educação pelo professor Murilo Braga. A Escola Rural, por exemplo, juntava sala de aula, multi seriada, com a moradia da professora, em dois cômodos principais, enriquecidos com uma área entre eles, que servia para a recreação. Construída em pequeno terreno, a Escola permitia aos seus alunos um contato com a terra, a família da professora, pequenas plantações e animais de pequeno porte. A Escola Rural Murilo Braga, a primeira das escolas secundárias no interior do Estado, também representava uma novidade, que o correr do tempo desativou. Hoje o Colégio Murilo Braga, um dos maiores do Estado, cumpre seu papel de escola propedêutica, com os olhos lançados, anualmente, para o vestibular das universidades e faculdades. Deve-se, também, a Acrísio Cruz a construção de grupos escolares, na capital e no interior, democratizando o acesso das crianças e dos jovens à escola.

O prêmio pelo seu trabalho como Diretor do Departamento de Educação do Estado, cargo equivalente, hoje, a Secretaria de Estado da Educação, foi o mandato de deputado estadual, conquistado, em 1950, com 1855 votos, a maior votação entre os candidatos do seu partido, o PSD, a terceira entre todos os candidatos, de todos os partidos e coligações. Como deputado Acrísio Cruz teve a oportunidade de servir, política e tecnicamente, ao Governo de Arnaldo Rollemberg Garcez (1951-1955), inclusive como Secretário de Justiça, muito embora não tenha conseguido a reeleição para a Assembléia, na eleição de 1954. Com apenas 1427 votos, ficou na suplência. Nomeado para a COAP, depois SUNAB, órgão controlador de preços do Governo Federal, sabia que os novos tempos não eram favoráveis, afinal a UDN, liderada por Leandro Maciel, conquistava o Poder e se manteria no Palácio Olímpio Campos até 1963, quando Seixas Dória, retirado dos quadros udenistas e apoiado pela coligação PSD-PR, quebrou a seqüência que alternava Luiz Garcia e Leandro Maciel nas disputas ao Governo do Estado. Acrísio Cruz foi então, 1963, nomeado para compor o Conselho Estadual de Educação, figurando ao lado de outros notáveis professores, como Ofenísia Soares Freire e José Silvério Leite Fontes. Com o movimento militar de 1964 o governador Seixas Dória foi deposto e preso, e o Conselho Estadual de Educação sofreu intervenção.

Acrísio Cruz enfrentou com tranqüilidade o ostracismo político. Casado com Maria do Carmo Vieira Cruz, pai de Maria Luiza Cruz, Procuradora de Justiça e de Marta Vieira Cruz, professora, doutora da Universidade Federal de Sergipe. Graças ao casamento de sua filha Marta Vieira Cruz com Aerton Menezes Silva, Acrísio Cruz participou da administração da Rádio Liberdade de Sergipe, de propriedade de Albino Silva da Fonseca, como Diretor Comercial, entre 1966 e 1967. Terá sido a sua última atividade pública. Em 13 de setembro de 1969, aos 63 anos, morre em Aracaju. A Lei municipal 151, de 1970, dá a avenida I do Conjunto João Alves, o nome de Acrísio Cruz e o governador José Rollemberg Leite, no segundo Governo (1975-1979) ao construir uma escola, de 14 salas, na avenida Maranhão, presta homenagem ao amigo, correligionário e colaborador.

Fonte: Infonet

Texto e imagem reproduzidos do site: visitearacaju.com.br

Postagem originária da página do Facebook/GrupoMTéSERGIPE, de 2 de outubro de 2014.

Paulo Barreto de Menezes


Paulo Barreto de Menezes

Paulo Barreto de Menezes, aos 80 anos (em outubro de 2005), teve lembrada a sua passagem pelo Governo do Estado, numa publicação de iniciativa familiar – filhos e netos – despojada de qualquer avaliação política, mas que chama a atenção pela contribuição dada ao Estado, através de um acervo de obras públicas, ainda hoje significativas, como a duplicação da avenida Beira Mar, que liga a cidade ao balneário de Atalaia e que foi obra decisiva para a valorização da zona de praia, encostando Aracaju na margem do Poxim e, por conseqüência, do mítico Vaza-barris.

Visto pelo volume e pela importância das obras, o governo Paulo Barreto de Menezes (1971-1975) foi dos mais pródigos, porque aproveitou todo o acesso do Estado aos governos militares – Médici e Geisel – para carrear recursos que foram substanciais e justificaram diversas outras obras. A construção da duplicação da estrada de Atalaia decorreu de empréstimo internacional, levando o governo a postar na resposta econômica, à época pouco convincente. Hoje, 30 anos depois, a obra pode ser vista como essencial e responsável pelo crescimento da cidade na direção sul, dando a Aracaju o mar, além do rio, o que já não era pouco.

Estradas, prédios públicos, escolas foram marcas registradas da administração de Paulo Barreto de Menezes, cujo perfil de técnico bem sucedido aflorou na gestão Lourival Baptista, quando teve a oportunidade de tocar obras como da construção do Estádio Estadual Lourival Baptista, o ‘Batistão’, que além da parte desportiva contava, então, com uma Escola de muitas salas de aula, depois desativada no local, para ressurgir, por sua iniciativa, na rua de Vila Cristina, com o nome de 8 de Julho, local que hoje serve de sede à Secretaria de Estado da Administração.

Estádio Estadual Lourival Baptista

Como diretor de obras de Lourival Baptista, Paulo Barreto mostrou serviço e ligou seu nome a prédios que estão ai, hoje, fazendo figura e servindo aos sergipanos, como o Edifício Estado de Sergipe, popularmente conhecido como Maria Feliciana, em homenagem à grandalhona que, pelo seu tamanho pouco comum, se transformou em artista de circo e de outros espetáculos.

Edifício Maria Feliciana

Uma obra, dentre tantas, merece citação especial e que valoriza o governo Paulo Barreto de Menezes: a construção do edifício da Biblioteca Pública Epiphânio Dória, inaugurado em 1974, quando o secretário da Educação e da Cultura era o médico e ex-reitor João Cardoso do Nascimento Júnior. Obra monumental de arquitetura e de engenharia, à altura das suas funções culturais.

A construção do novo prédio para abrigar os livros, que desde 1848 começaram a ser organizados para a leitura pública, serviu, ainda, para que o governo, na gestão seguinte, a do governador José Rollemberg Leite, aproveitasse o velho edifício, construído na década de 1930, para que fosse ocupado pelo Arquivo Público do Estado de Sergipe, até então sem local próprio para ser organizado.

Biblioteca Pública Epiphânio Dória

O governo Paulo Barreto de Menezes não foi apenas de obras, mas foi também sensível ao drama das estiagens prolongadas, que ciclicamente aterrorizavam as populações sertanejas. Foi com ele que se iniciou o programa de Adutoras, captando água no rio São Francisco e distribuindo pelos municípios secos. O programa de Adutoras, continuado até os dias atuais, tem sido a melhor intervenção hídrica, de convivência com a adversidade climática que, por séculos, marcou a região nordestina.

Ampliado e diversificado, de modo a atender melhor a quem precisa de água – gente, animais e terra – o programa estadual de Adutoras salvou Aracaju do colapso do abastecimento, através da construção da Adutora do São Francisco, pensada no governo José Rollemberg Leite e construída no governo Augusto Franco, como grande obra, captando água em Propriá, trazendo em tubulação especial por cerca de 90 quilômetros até a Estação de Tratamento e de lá distribuída para a maioria da população da capital sergipana.

Foi Paulo Barreto quem criou a Empresa Sergipana de Turismo (Emsetur), em 1972, como ferramenta de promoção turística, para atrair visitantes e vender as belezas naturais e a cultura do Estado. Muitas outras obras e providências adornam o perfil realizador do governante, visto no curso do tempo e no contexto da história. Paulo Barreto de Menezes teve seu nome pinçado, de uma lista de 8 nomes, quase todos políticos: Júlio Leite, Passos Porto, Augusto Franco, Raimundo Diniz, Djenal Queiroz, Murilo Dantas, e Manoel Conde Sobral, afora o seu, introduzido e defendido por Lourival Baptista.

O que pesou no julgamento do seu governo foi o fato da sua escolha, indireta, como um técnico e não diretamente, pelo voto popular, como político, numa fase de regime fechado, distante ainda dos bons ventos da abertura política e da anistia que reconciliou, de algum modo, o país. No seu período os governadores eram “Delegados da Revolução”, título que pareceu afrontar o país e a sociedade brasileira, que em 1974 impôs ao governo dos generais uma derrota homérica para a eleição do Senado, tendo Sergipe concorrido com a eleição do médico e professor Gilvan Rocha.

Tal fato levou à lei Falcão e à criação da figura do senador indireto, chamado de biônico, refreando a normalização da vida democrática. Sergipe foi agraciado com um mandato de senador, dado a Lourival Baptista, o que significava, claramente, que os sergipanos estavam divididos.

Fonte: Infonet

Texto e imagem reproduzidos do site: visitearacaju.com.br

Postagem originária da página do Facebook/GrupoMTéSERGIPE, de 3 de outubro de 2014.

Manoel Bomfim: o "professor de professores" sergipano¹


Publicado originalmente pelo Sergipe Cultura, em 14/08/2012.

Manoel Bomfim: o "professor de professores" sergipano¹
Por Antônio Wanderley de Melo Corrêa (2)

Manoel Bomfim foi um dos maiores intelectuais sergipanos de todos os tempos e um dos maiores do Brasil nas três primeiras décadas do século 20. Segundo um de seus biógrafos, o alagoano Ronaldo Conde Aguiar, o “esquecimento” de sua obra, profunda e volumosa, e de sua personalidade marcante, se deveram a algumas condições: a sua não aceitação em fazer parte dos 40 primeiros imortais da Academia Brasileira de Letras, convidado pelo fundador Machado de Assis; à sua crítica furiosa, radical (de raiz) e consistente às elites da República Velha; a não adesão do intelectual sergipano à Revolução de 1930, que para ele “não traz substituição de gentes, nem de programas, nem de processos”; não ter absolvido o Socialismo como teoria para sua obra nem para a sua militância, não obstante ter sido um simpatizante da Revolução Bolchevique de 1917. Sobre o Socialismo, Bomfim pontificou: “seria um sistema perfeito, se os homens fossem perfeitos”.

Este escrito é uma pequena contribuição para o (re) conhecimento sobre a vida e a obra do médico, psicólogo, escritor, pedagogo, professor, homem público, sociólogo e historiador sergipano, desconhecido da imensa maioria dos seus conterrâneos do presente.

Manoel José do Bomfim nasceu em Aracaju em oito de agosto de 1868, filho de um próspero comerciante da Rua da Aurora (atual Avenida Rio Branco) e proprietário do engenho Quiçamã (São Cristóvão): Paulino José do Bomfim e de Maria Joaquina do Bomfim. “Nezinho” foi o quarto dos 13 filhos do casal. Por volta dos 12 anos foi morar no engenho Quiçamã, ajudando o pai a administrar a propriedade. Aos 16 anos, comunicou aos genitores a sua intenção de sair de Sergipe para se tornar médico.

Em 1886, o jovem Manoel José, com apenas 18 anos, ingressou na Faculdade de Medicina da Bahia. Dois anos depois, transferiu-se para o Rio de Janeiro, onde conheceu o poeta Olavo Bilac, tornando-se seu amigo até a morte deste em 1918. A dupla Bomfim e Bilac iria, nos 30 anos seguintes, realizar vários projetos literários e educativos. Em 1890, com 22 anos, concluiu o curso de Medicina com a tese “Das Nephrites”.

O ano de 1891 foi significativo para Bomfim. Foi nomeado médico da Secretaria de Polícia do Rio de Janeiro e casou-se com Natividade Aurora de Oliveira. No ano seguinte, foi promovido a tenente-cirurgião da Brigada Militar (atual Polícia Militar) da capital federal de então. Naquele período escreveu seus primeiros artigos para a imprensa, atividade a qual realizou por quase toda a vida.

Em 1894, com 26 anos, Bomfim perdeu seu pai Paulino José e, meses depois, sua filha Maria de três anos, durante uma epidemia de tifo. Desiludido com a Medicina abandonou a profissão.

No ano de 1897 foi nomeado diretor-geral do Pedagogium, uma instituição federal criada por Benjamim Constant para a profissionalização e o aperfeiçoamento de professores públicos e particulares. Ao mesmo tempo lecionava a disciplina Instrução Moral e Cívica na Escola Normal, de formação de professores do Curso Primário, do Rio de Janeiro. Ainda lecionou nesta instituição as disciplinas Pedagogia e Psicologia Aplicada à Educação. No ano seguinte, foi nomeado o diretor da Instrução Pública (cargo equivalente ao de secretário de educação na atualidade) do Distrito Federal. No Pedagogium, Bomfim instalou o primeiro Laboratório de Psicologia Experimental do Brasil.

Por ter se tornado um homem público no campo da educação, ter escrito vários livros para o trabalho educativo, ser formador de professores e um defensor incansável da instrução sistemática para todos os brasileiros, se autodenominava um “professor de professores”. E o foi até os seus últimos dias. No seu derradeiro livro tratou da educação brasileira, como informaremos adiante.

Nos anos seguintes publicou, em parceria com Olavo Bilac, Livro de Composição para o Curso Complementar das Escolas Primárias (1899) e Livro de Leitura para o Curso Complementar das Escolas Primárias (1901).

No biênio 1902/1903 estudou Psicologia em Paris, com bolsa do Governo Federal.

Após ser solicitado por jornalistas parisienses para que escrevesse um artigo sobre a América Latina e o Brasil (em 1903), Bomfim escreveu um livro: América Latina Males de Origem, o seu primeiro título histórico-sociológico, publicado em 1905, tendo o autor a idade de 37 anos.

América Latina foi um livro original, contrário à visão preconceituosa que os europeus tinham dos latino-americanos, associando a mestiçagem a uma suposta inferioridade física, intelectual e moral. Visão esta, aceita e reproduzida por muitos intelectuais brasileiros de então. Apesar da boa aceitação, o livro foi criticado e desqualificado violentamente por Silvio Romero, conterrâneo de Bomfim. Romero era um dos maiores representantes das teorias racistas de superioridade da “raça” ariana ou germânica diante das “raças” mestiças locais. Para ele, os mestiços eram “uma sub-raça brasileira cruzada”. Darcy Ribeiro (ver fontes) adjetivou América Latina como “um livro extraordinário”.

Naquele mesmo ano (1905), junto com Luis Bartolomeu e Renato de Castro, fundou a revista infantil O Tico-Tico. A primeira revista em quadrinhos semanal e colorida do Brasil. Foi um sucesso desde a sua primeira edição. Foi publicada por quase 57 anos, até fevereiro de 1962, totalizando 2097 edições, divertindo e educando várias gerações de brasileiros.

Em 1906, Bomfim propôs ao prefeito do Rio de Janeiro, Pereira Passos, a idéia da composição de um hino à Bandeira Nacional. O projeto foi concretizado, o Hino à Bandeira, Letra de Olavo Bilac e música de Francisco Braga, espalhou-se pelo Brasil e foi oficializado pela República em 19 de novembro daquele ano.

Na legislatura 1907/1908, Bomfim foi eleito deputado federal, formando com Felisbelo Freire, Gilberto Amado e Silvio Romero uma “prestigiosa bancada sergipana”. Naquele período, além de parlamentar, exerceu outra vez o cargo de chefe da Instrução Pública do Distrito Federal (Rio de Janeiro).

Em março de 1908, o deputado federal Manoel Bomfim chegou a Aracaju com a família, Natividade e seu filho Aníbal. Veio visitar sua mãe e irmãos, reunir-se com políticos correligionários da capital e do interior, agradecer os votos que o elegeram e reorganizar os negócios da família, entre eles a venda do engenho Quiçamã, em função da crise da produção açucareira que atingia o estado. Em 14 de fevereiro de 1909, após a derrota pleiteando a reeleição, Bomfim e família embarcaram no navio Satélite de volta ao Rio de Janeiro. Não mais voltaria a Sergipe.

Em 1910, aos 42 anos, publicou, em parceria com Bilac, o livro de leitura escolar Através do Brasil, que foi lido por diversas gerações de brasileiros nos bancos escolares ao longo do século 20, tendo 66 edições até 1965. Um marco na literatura escolar brasileira. Da geração dos nossos avós para trás, todas as crianças brasileiras que foram à escola, aperfeiçoaram a leitura se deliciando com as aventuras dos garotos Carlos, Alfredo e Juvêncio de Através do Brasil.

Em 1911, o “professor de professores” reassumiu a direção do Pedagogium, ficando até 1919, quando foi extinto. Por 19 anos dirigiu aquela instituição.

Em 1915, em plena Primeira Guerra Mundial, Bomfim escreveu dois artigos no Jornal do Comércio (do Rio de Janeiro) intitulados A Obra do Germanismo, nos quais criticou os interesses geopolíticos da Alemanha e a responsabilidade daquele país em deflagrar o conflito. Transformou os artigos em um livreto e destinou o rendimento da venda da publicação à Cruz Vermelha da Bélgica, país invadido brutalmente pelo exército alemão. Ao final da guerra, em 22 de novembro de 1918, foi condecorado pelo rei Alberto I da Bélgica com a Ordem Leopoldo.

Outras publicações de Bomfim: Lições de Pedagogia: Teoria e Prática de Educação (1915); Noções de Psicologia Escolar (1916); Primeiras Saudades (1919); A Cartilha, Lições e Leituras, Crianças e Homens, Livro dos Mestres: com Aplicações à Linguagem do Ensino Primário (1922); Estudo do Símbolo no Pensamento e na linguagem (1923); O Método dos Testes (1928) em parceria com Ofélia e Narbal Fontes.

Foi redator de várias revistas e colaborou com alguns dos maiores jornais da época: Notícia, Tribuna, Jornal do Comércio e Paiz.

Entre os muitos amigos ilustres do “professor de professores” sergipano, destacaram-se: Olavo Bilac, Alcindo Guanabara, Aluísio Azevedo, Arthur Azevedo, Paula Nei, Luis Murat, Pardal Mallet, Guimarães Passos, Raul Pompéia, Humberto de Campos, Gilberto Amado, Coelho Neto, Pinheiro Machado, Graça Aranha, Juracy Camargo e Medeiros de Albuquerque.

Não obstante possuir uma mente brilhante e enorme capacidade de trabalho, Bomfim era uma personalidade de temperamento forte, teimoso, intransigente, rigoroso no julgamento, inclusive consigo mesmo. Como a contradição é uma marca do espírito humano, ele teve fama de sedutor e de ter relacionamentos paralelos ao casamento com a companheira de toda a vida: Natividade Aurora.

No ano de 1926, começou a ter problemas com a saúde. Em 1928, descobriu que estava com câncer na próstata. Percebendo que lhe restava pouco tempo de vida, dedicou-se corajosamente a escrever. Iniciava-se ali a fase mais brilhante de sua carreira de escritor. Entre 1928 e 1932, os últimos lustros de sua vida, o pedagogo sergipano escreveu a trilogia histórico-sociológica que o consagrou, além de mais um título sobre educação. Não queria morrer sem deixar prontas as obras sobre o Brasil que tanto amava.

Sofreu terrivelmente com a doença evoluindo para a metástase. Foi internado várias vezes e sofreu, nada mais nada menos que, 14 cirurgias. Vivia a maior parte do tempo deitado, sentindo dores atrozes por não aceitar sedativos, debilitado ao extremo. Mesmo assim, não abandonava a máquina de escrever.

Num esforço heróico, escreveu e publicou O Brasil na América (1929) com mais de 400 páginas; O Brasil na História (1930) com quase 600 páginas; e O Brasil Nação (1931), este último em dois volumes.
Com as forças físicas praticamente anuladas, produziu seu último trabalho Cultura e Educação do Povo Brasileiro prostrado no seu catre de dor e de idéias, ditando ao teatrólogo Juracy Camargo (autor da peça Deus lhe Pague). O livro foi publicado postumamente em 1933 e premiado pela Academia Brasileira de Letras.

Finalmente, na noite de 21 de abril (Dia de Tiradentes, o mártir da Independência) de 1932, Manoel José do Bomfim deu seu último suspiro. Tinha 64 anos. No dia seguinte, 22 de abril (Dia oficial do achamento do Brasil), o cortejo fúnebre saiu do bairro de Santa Teresa em direção ao Cemitério São João Batista. O sepultamento aconteceu no final daquela tarde nublada, bem simbolizando a tristeza dos familiares e amigos do “professor de professores” sergipano. Até o presidente da República, Getúlio Vargas, enviou representante.

Os biógrafos e estudiosos da obra de Bomfim são praticamente unânimes em afirmarem que o seu esquecimento não foi por mera obra do acaso ou por simples displicência da memória coletiva. Por ter sido um homem à frente de seu tempo, foi rejeitado e amaldiçoado pelas elites conservadoras e atrasadas da República Velha oligárquica e repressora.

Pela profundidade, originalidade, amplitude e atualidade de sua obra, em função das idéias antiimperialistas, anti-racistas, democráticas, de educação pública generalizada, por criticar os pífios investimentos governamentais em educação, por propor uma escola sem castigos físicos e humilhantes e com uma educação humanizante e prazerosa, além do “desmesurado amor pelo Brasil”, nas últimas décadas vêm ocorrendo o redescobrimento de Manoel Bomfim. Diversos intelectuais vêm se debruçando sobre os escritos do sociólogo sergipano. Um número significativo de teses e artigos são produzidos por historiadores, sociólogos, geógrafos, psicólogos e pedagogos nas universidades e institutos de pesquisa. Editoras do porte da Topbooks e da Companhia das Letras reeditaram vários de seus trabalhos, inclusive uma caudalosa biografia do “professor de professores” com 560 páginas (AGUIAR, 2000).

Vários intelectuais sergipanos vêm citando, analisando e tendo como referência teórica a obra grandiosa do conterrâneo aqui biografado. Eis alguns deles: Ivo do Prado, Ariosvaldo Figueiredo, Maria Thétis Nunes, Terezinha Oliva, Marta Cruz, José Vieira da Cruz e Antônio Bittencourt.

Em 2010, a deputada estadual Ana Lúcia fez uma propositura solicitando a transformação do prédio onde nasceu e viveu por 12 anos o “professor de professores” em um “Memorial Educador Manoel Bomfim”. O imóvel é situado na Avenida Rio Branco (A “Rua da Frente”, antiga “Rua da Aurora”) próximo à Praça Fausto Cardoso em Aracaju, onde abrigou o antigo jornal Diário de Aracaju e a Rádio Jornal AM. O objetivo do Memorial é preservar e tornar reviva a história da educação em Sergipe.

Para concluir, pequenos fragmentos do pensamento de Bomfim sobre dois temas atualíssimos: o meio ambiente e a democracia, numa época na qual quase ninguém se importava com a devastação da natureza, enquanto a democracia no Brasil oligárquico era uma palavra sem muito sentido.

“A natureza é inesgotável, com a condição, porém, de que a estudemos, e que alcancemos aproveitá-la e explorá-la, sem que a inutilizemos. (...) pensem, então, nas ferozes devastações dos nossos bosques e matas, tão úteis à vida; pensem no que se tem perdido, da uberdade do nosso solo, nos incêndios bárbaros que a ignorância da nossa lavoura acende todos os dias, desde quatro séculos, por sobre milhares de léguas quadradas de terras, que, férteis e virgens ontem, (...), estão hoje convertidas em campos ásperos, agrestes, nus, que só muito trabalho e muita ciência poderão restituir à cultura”. (in América Latina: Males de Origem, 1905).

“A democracia, voz da maioria, converteu-se em regime de exploração da maioria trabalhadora, (...). Senhora dele [o capital], uma minoria pode subordinar o aparelho democrático aos interesses capitalistas e, arrimada nos direitos patrimoniais, pessoais, exige a garantias dos privilégios de fato em que está montada, privilégios que significam justamente o sacrifício do grande número”. (in O Brasil Nação, 1931).

1 – Artigo publicado no Jornal do Dia, Aracaju: 08 e 09 ago 2012. P. 04.

2 - Licenciado em História pela UFS, professor das redes públicas estadual (SEED) e municipal de Aracaju (SEMED) e co-autor do livro didático Sergipe Nosso Estado.

FONTES:
AGUIAR, Ronaldo Conde. O Rebelde Esquecido: Tempo, Vida e Obra de Manoel Bomfim. Rio de Janeiro: Topbooks, 2000.
BILAC, Olavo. BOMFIM, Manoel. Através do Brasil: Prática da Língua Portuguesa. Coleção Retratos do Brasil. São Paulo: Companhia das Letras, 2000.
BOMFIM, Manoel. América Latina: Males de Origem (Prefácios de Darcy Ribeiro, Franklin de Oliveira e Azevedo Amaral). 4ª edição. Rio de Janeiro: Topbooks, 1993.
BOMFIM, Manoel. O Brasil Nação: Realidade da Soberania Brasileira (Prefácios de Wilson Martins e Ronaldo Conde Aguiar). 2ª edição. Rio de Janeiro: Topbooks, 1996.
BOMFIM, Manoel. O Brasil na América: Caracterização da Formação Brasileira (Prefácio de Maria Thétis Nunes). 2ª edição. Rio de Janeiro: Topbooks, 1997.
CRUZ, Jose Vieira da; BITTENCOURT JUNIOR, Antonio (Organizadores). Manoel Bomfim e a América Latina. Aracaju: Editora Diário Oficial, 2010.
SANGALLI, Adriana. Prédio do Antigo Diário de Aracaju Pode se Tornar Memorial Manoel Bomfim. Agência de Notícias da Assembléia Legislativa de Sergipe (Internet). 10 fev. 2011.
SANTANA, Sonia Cristina Pimentel de. Manoel Bomfim: Resgate de um Educador Comprometido com a Causa da Instrução Pública Brasileira. Boletim Informativo. Ano IV. Nº VIII. São Cristóvão: UFS/Departamento de Ciências Sociais/NPSE, agosto a dezembro de 1999.

Texto reproduzidos do blog: sergipecultura.blogspot.com.br
Foto reproduzida do site: cliopsyche.uerj.br/arquivo

Postagem originária da página do Facebook/GrupoMTéSERGIPE, de 2 de outubro de 2014.

quinta-feira, 2 de outubro de 2014

Detalhes de antigo casarão na rua Estância, em Aracaju

Foto reproduzida do blog: jorgescruzehistoria.blogspot.com.br

Postagem originária da página do Facebook/GrupoMTéSERGIPE, de 28 de setembro de 2014.

Pascoal Maynard


Primo e amigo Pascoal Maynard, sentindo falta de suas publicações as quintas feiras:

"Gravando para o "Expressão" desta sexta, dia ..., às 19 horas e reprise no sábado, .... às 14 horas, pela TV Aperipê".

Mas é só por um tempo, logo, logo você estará de volta e com MUITA SAÚDE e disposição.

Postagem originária da página do Facebook/GrupoMTéSERGIPE, de 27 de setembro de 2014.

José, Conceição e Marta, na Praia, em Aracaju

Quê Beleza! Gostei muito de ver isso.
"Zé do Cartório", Conceição e uma de suas filhas, a Marta,
curtindo um dia de Sol na Praia da Sarney, em Aracaju/SE.
Fotos reproduzidas do Facebook/Marta Garcez.

Postagem originária da página do Facebook/GrupoMTéSERGIPE, de 27 de setembro de 2014.

Lucilo da Costa Pinto


Publicado originalmente no site Jornal da Cidade.Net, em 30/09/2013.

No registro dos 100 anos de nascimento de Lucilo da Costa Pinto
Por Osmário Santos.

Lucilo da Costa Pinto nasceu a 23 de setembro de 1913, em Olinda, Pernambuco. É filho de Ricardo José da Costa Pinto e Alice Barreto da Costa Pinto.

Estudou Medicina em Recife e casou já doutorando com Célia Albuquerque. Por problemas políticos, vivendo a época da ditadura de Vargas, já formado, sentia a constante presença da polícia na sua vida. Meu pai tinha consultório na rua da Aurora. Fui para lá, eu recém-formado e a polícia estava na porta me vigiando. Ia para casa e a polícia na esquina.

Não foi possível sua presença na formatura junto ao grupo de colegas de turma, nem pôde fazer parte do quadro. Recebeu o diploma na secretaria da faculdade, tempos depois, pois estava preso na época. Abandonou sua terra, fugindo das perseguições do Interventor Federal em Pernambuco, Agamenon Magalhães. Percebendo que ia levar uma vida insustentável, sem poder fazer nada, aceitou o convite do professor Joaquim Sobral, que mandou a Recife um emissário para procurar um professor de Química. Chegou em Aracaju em 1939.

Tendo oito filhos do seu casamento com Célia Albuquerque da Costa Pinto, já falecida, trouxe na época, além da bagagem, a mulher e três filhos: Rosa, Carlos e Marcos Túlio, recém-nascido. Como precisava sair urgentemente de Pernambuco, ficou muito satisfeito com o emprego de professor do Atheneu, recebendo 165.000 réis. Depois passaram para 300.000 réis, melhoraram. Foi nomeado professor de Química e ensinava pré-Engenharia e pré-Medicina Química. Era a presença no Atheneu de um professor do mais alto gabarito. Chegou a ensinar diversas matérias. Ensinei Química no Colégio Tobias Barreto e no antigo Colégio das Freiras. Como professor do segundo grau, Costa Pinto lembra fatos importantes da sua vida.

Meu concurso em 1945 foi uma coisa que me marcou profundamente. Fui enfrentar a banca examinadora para catedrático do Atheneu. Como estávamos na época da guerra, a luz era cortada. Eu escrevi minha tese com dois candeeiros de querosene. Não tive dinheiro para imprimir e mimeografei. Tinha que dar dez volumes ao Atheneu e dinheiro que é bom nada... Então, o professor Acrísio Cruz me disse: ‘Olha! Eu trabalho numa secretaria que tem um mimeógrafo. Você que mimeografar?’ Fiz 50 exemplares do meu trabalho intitulado ‘Contribuição ao Estudo da Fisiologia do Timo’ (uma glândula de secreção interna). Foram oito meses de pesquisa para garantir meu ingresso no concurso e enfrentar a temida banca julgadora.

Costa Pinto lembra dos professores que enfrentou na banca: Oscar Nascimento, que foi um dos maiores didatas de Sergipe; professor Alfredo Montes, Dr. Clóvis Conceição e Dr. Garcia Moreno.

Da época do seu contato com os alunos do Atheneu, lembra um episódio que envolveu a polícia e os estudantes. Houve uma das greves feitas pelos alunos e eu, com o meu espírito de político, fiquei do lado dos meninos. Era Interventor Federal o general Maynard Gomes, que mandou cercar o Atheneu pela cavalaria da polícia. Eu achei uma afronta fazer isso com os estudantes secundaristas que estavam liderados pelo Tertuliano Azevedo, hoje figura política de atuação em Sergipe.

O Tertuliano estava à frente da estudantada, quando percebi que os investigadores já estavam pulando o muro do Atheneu de revólver na mão. Eu, então, saí com o professor Abdias e fomos ao palácio fazer o nosso protesto ao Interventor. Ele nos atendeu e nos disse que não tinha autorizado. Mandou chamar o chefe da polícia e ordenou a retirada da cavalaria imediatamente. Voltei com o professor Abdias e prometemos que iríamos trabalhar para acabar a manifestação. No Atheneu, o professor Abdias fez uma preleção e tudo foi resolvido a contento. Isso foi para mim um fato histórico e marcante na minha vida.

Em 1941, montou o seu consultório. Subloquei um consultório com o Dr. Garcia Moreno no edifício defronte dos Correios e Telégrafos. No prédio, havia alguns consultórios, o de Dr. Manoel Cardoso, dentista recém-formado; Dr. Paulo Faro, também recém-formado, Dr. Garcia Moreno e o meu.

Costa Pinto já tinha dois anos em Aracaju e trabalhava, até então, somente como professor do Atheneu. Seu ingresso na Medicina em Sergipe foi de suma importância, pois Aracaju já necessitava de um especialista em Urologia. Não havia urologista com curso de especialidade em Aracaju. Passei dezessete anos sem ter concorrente e não tenho um tostão ganho em Medicina. Costa Pinto diz isso, sem nenhuma queixa.

A Medicina, naquela época, era, na verdade, uma supremacia de sacerdócio. Um ganha pão. O dinheiro era secundário. O exemplo do Dr. Augusto Leite, o fundador da Medicina em Sergipe. Foi um grande cirurgião e morreu pobre. Não tinha nada. Tinha uma aposentadoria do Hospital Cirurgia que dava um conto de réis por mês. Ele tinha bens de família, mas ganho em Medicina, nada! Tinha uma conta financeira ridícula e quase todos os médicos, como o D. Juliano Simões, morreram pobre. Fez uma casinha, depois de não sei quantos anos de especialidade. Em geral, os médicos que tinham posses eram os que tinham heranças; já eram ricos. Mas os que se formaram pobres, morreram pobres. Eram um sacerdócio, mesmo!

Uma medicina onde inicialmente o médico atendia ao paciente, para depois receber o seu honorário e, quando podia receber... Um paciente chegava e dizia: “Olha, doutor, eu quero saber a sua conta, pois o dinheirinho que trouxe só deu para pagar o hospital. O seu depois mando”. Quanto pagou de hospital? “Paguei um conto e quinhentos”. Depois você me manda quinhentos mil réis... Olha que era um bom dinheiro pois sustentava a família com trezentos mil réis. E quando recebia? Mas o lado do médico humanista tinha sua compensação: recebia muitos presentes, principalmente os famosos capões do interior, bons...

Era uma maneira de o paciente manifestar a sua gratidão dentro de suas posses. Era muito melhor assim, a gente se sentia muito mais confortado e realizado, quando tratava um pobre e um mês, dois, um ano depois, vinha com um capão de presente. A gente não ganhava o dinheiro, mas recebia uma gratidão eterna. Eu conheço, hoje, gente em Aracaju que operei há quarenta anos atrás e, quando me encontra na rua, é uma festa.

Não se compara as condições de um centro cirúrgico do passado com as de hoje. Hoje, a medicina dispõe de aparelhos sofisticados de anestesia, mas a gente tinha um tal aparelho ombretano, uma máscara pesadíssima que colocava no rosto do paciente. Não tinha balão de oxigênio, não tinha nada. Quando o doente ficava um pouco arroxeado com pouco oxigênio, o anestesista suspendia o aparelho para o doente respirar o ar atmosférico.

O Dr. Costa Pinto conta um dos momentos cruciais em sua profissão. Eu operei a próstata do pai de um colega meu. Foi a maior próstata que tirei no Estado de Sergipe, enorme. Aplicamos todos os recursos disponíveis da Medicina. Então, o doente começou a perder sangue, e tome sangue, tome sangue e a pressão baixando e a coisa ficou séria. Ao meu lado estava o Dr. José Augusto Barreto, cardiologista, recém-formado, que atendeu o meu convite para transfusão, e o cirurgião Fernando Sampaio, já falecido. Uma equipe boa, que formei para me ajudar nessa operação. Lutamos de nove horas da manhã até às três horas da madrugada do dia seguinte. Como o doente estava como morto, eu então cheguei junto da irmã Clara e disse: “Irmã, eu estou cansado e vou deixar o atestado de óbito assinado”. Ela então disse: “Doutor, o senhor quer se antecipar a Deus? Se o homem não morrer, doutor?” Para mim, foi uma lição. Fui para casa. Naquele tempo, morava na rua Siriri. Sete horas da manhã o meu enfermeiro, o Moreira, bateu à porta. Quando abri, estava o enfermeiro e o filho mais velho do paciente, que era bancário do Banco do Brasil e os dois rindo. Eu disse: O que foi que houve? Meu pai mandou chamar. Quer saber se pode tomar um mingau.

A política já estava presente em sua vida, pois seu pai era político. Quando chegou em Aracaju, já trouxe a carta de apresentação de um amigo de Recife que conhecia Walter Franco, irmão do Dr. Augusto Franco.

Tinha um banco aqui na rua da Frente, o Banco Indústria e Comércio. O Walter Franco, o Zezé Franco, os três irmãos, se não me engano. Então, fui ao banco, apresentar a carta. Por coincidência, no momento, estava no banco o Dr. Leandro Maciel. Quando entreguei a carta ao Walter, depois de ler, ele disse: ‘Leandro, aqui está um pernambucano, médico, veio para ensinar no Atheneu’. Pois bem, o Dr. Leandro logo fez o convite para eu ir a sua casa. Como o homem era o chefe político de oposição do Estado, eu fiquei com ele até a Revolução de 1964 que acabou com os partidos.

Foram mais de vinte anos com a UDN. Costa Pinto conseguiu uma suplência na Assembléia Legislativa e, por alguns meses, chegou a ser deputado estadual. Foi candidato a prefeito da capital pela UDN e perdeu para Godofredo Diniz.

Sendo contra a ditadura, ingressou no MDB. Foi um dos seus fundadores em Sergipe com ficha de inscrição de número nove. Foi vereador de Aracaju pelo partido por nove anos e meio. Participou de memoráveis campanhas e resolveu deixar a política. Acabou a ditadura e eu, então, não queria mais saber de política. Afastei-me de tudo, pois sempre fiz política por idealismo e não com interesse.

Um dos comícios mais interessantes foi o realizado em Propriá. Certa feita em Propriá, num comício, o povo estava de braços cruzados. O povo de lá é duro para comício. Falaram onze oradores. Um amigo, que era contrário, da ARENA, disse-me: “Muitos discursos e o povo sem bater palmas. Eu não falei ainda. Costa, eu reconheço que você é um bom orador popular, mas vou apostar uma garrafa de whisky como você não arranca as palmas do povo de Propriá”. E eu apostei. Saí e fui para casa onde estava hospedado. Lá, tinha na parede uma espada. Perguntei à filha do dono da casa de quem era a espada. Foi do meu avô que era Guarda Nacional. Pedi a espada e uma toalha de banho e prometi trazer logo de volta. Quando subi no caminhão que era o palanque, Oviêdo me disse: “que armada Costa Pinto está aprontando? O que é esse negócio enrolado na toalha?” Eu, calado. Quando chegou a minha vez, uma hora da manhã, para encerrar o comício, o locutor Jaime Araújo passou o microfone. Pedi para ele segurá-lo, peguei a espada e apontei para o povo e gritei: Eis o símbolo da revolução que nos tortura. Foi um delírio.

Costa Pinto atuou na Educação, na Medicina e na Política, além de trabalhar na Igreja Católica. Chegou a ser o orador, em nome do clero sergipano, para saudar o bispo D. Fernando Gomes na sua chegada, para tomar posse na Diocese de Aracaju. É um pai de grande dedicação aos filhos, netos e bisnetos.

Sou um homem realizado. Até com os meus fracassos. Caio, levanto-me, vou adiante. Não deixo de comprar uma coisa para guardar dinheiro. Não sou daquele tipo de pessoa que vê um queijo, tem vontade de comer e guarda o dinheiro. Quem guarda com fome, o rato come, não é?

Texto e Imagem reproduzidos do site: jornaldacidade.net/osmario

Postagem originária da página do Facebook/GrupoMTéSERGIPE, de 28 de setembro de 2014.

8 de Julho - Emancipação Política de Sergipe.



O Povo enche o peito de orgulho e grita, Sou Sergipano!

8 de Julho - Emancipação Política de Sergipe.

A emancipação ocorreu no dia 8 de julho de 1820, onde Sergipe ficou independente da Bahia. Foi um momento marcante da história do estado porque a partir desta data começou a autonomia política, econômica e cultural.

Também começou a surgir a sergipanidade e o pensamento sobre qual é a característica do sergipano. Os elementos da nossa cultura começam a ser valorizados a partir da nossa emancipação.

Sergipe comemora sua emancipação política do estado da Bahia pelo decreto de Dom João VI, constituindo-se unidade da nação.

Imagem: Secult
Reproduzida do site: imprensa1.com.br
Texto reproduzido do site Do G1 SE.

Postagem originária da página do Facebook/GrupoMTéSERGIPE, de 29/09/2014.

Estátua de Francisco Camerino



Publicado originalmente na Linha do Tempo/Facebook/Ademar Queiroz.

A Praça Camerino, no Centro de Aracaju, recebeu a estátua do homenageado, Francisco Camerino. Natural de Estância (SE), nasceu em 1841 e morreu em 1866, aos 25 anos, na Guerra do Paraguai. Camerino era o voluntário paisano, que desde a adolescência pensava em defender o Brasil. Estava na Bahia quando eclodiu a guerra do Paraguai, levando-o a alistar-se e a participar do conflito, morrendo vítima de ferimentos em batalha. Ficou na alma do povo brasileiro, essencialmente romântica, o gesto heróico daquele voluntário que, ferido gravemente e recusando tomar o clorofórmio, recita no momento extremo, ao ter os seus braços amputados, estes singelos versos de sua autoria e que bem definem a sua bravura e a sua indomável coragem:

"E ou morre o homem na lida.
feliz, coberto de glória;
ou surge o homem com vida,
mostrando em cada ferida
o hino de uma vitória."

Para a sua glória, era bastante que ele tivesse sido soldado voluntário na campanha do Paraguai, mas é que acima do soldado cumpridor do seu dever, ele era poeta e foi por causa da sua poesia que o seu nome ficou ligado à História da Pátria.

Texto e imagem reproduzidos do Facebook/Ademar Queiroz.


Postagem originária da página do Facebook/GrupoMTéSERGIPE, de 01/10/2014.