terça-feira, 9 de abril de 2013

Marilza Maynard Salgado de Carvalho


A Corte Especial do Superior Tribunal de Justiça (STJ) aprovou na última quarta-feira (19) a convocação de dois desembargadores de tribunais estaduais para compor a Terceira Seção. Jonny de Jesus Campos Marques, do Paraná, e MARILZA MAYNARD SALGADO DE CARVALHO, de Sergipe, irão integrar a Quinta Turma, especializada em direito penal.
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Natural de Laranjeiras-SE, bacharelou-se pela antiga Faculdade de Direito, hoje, Universidade Federal de Sergipe, onde lecionou Processo Civil e Prática Jurídica, sendo responsável pela Coordenadoria do Estágio de Prática Forense e Organização Judiciária do Departamento de Direito.

Atuou na Advocacia e foi Procuradora do extinto Instituto do Açúcar e do Álcool. Iniciou na Magistratura em 1º de dezembro de 1971, quando empossada Juíza de Direito da Comarca de Neópolis, vindo depois a exercer a judicatura em Simão Dias, Itabaiana, 4ª Vara Criminal e 9ª Vara Cível, estas duas últimas na Comarca de Aracaju. Em 26 de novembro de 1997, tomou parte do Colegiado do Tribunal de Justiça do Estado de Sergipe como Desembargadora, pelo critério de antigüidade.

Dirigiu a Escola Superior da Magistratura no biênio 1999/2001, quando desenvolveu atividades administrativas e intelectuais, como a que deu forma ao Curso de Preparação para Ingresso na Magistratura.

Eleita Corregedora-Geral da Justiça para o biênio 2001/2003, concentrou esforços na inovação tecnológica e na desburocratização do serviço público, o que fez surgir o projeto Correição Eletrônica, o que possibilitou a realizar o dobro de correições em relação ao número exigido por lei, com o máximo de precisão em análise processual.

A passagem pela Corregedoria legou 29 projetos implementados, entre os quais se notabilizou pelo pioneirismo o Todo Município com Justiça, aproximando 300 mil sergipanos do serviço jurisdicional com a implantação de Fóruns Distritais em 32 municípios.

Ao assumir a Presidência do Tribunal de Justiça, no biênio 2005-2007, pôde realizar os projetos idealizados ao longo de três décadas de Magistratura. Um deles conseguiu desvincular os feitos judiciais do suporte em papel, com a implantação do Juizado Virtual. Assim, os Juizados Cíveis de Aracaju passaram a processar e julgar seus feitos por meio do Processo Eletrônico, da petição inicial à sentença.

Em benefício da celeridade, criou a Central da Conciliação, o Diário da Justiça Eletrônico e pôs em prática vários Mutirões de Conciliação. Com o Programa Justiça Cidadã, ofereceu serviços essenciais à cidadania e, com o Todo Cidadão com Registro, instalou Cartórios de Registro Civil nas maternidades públicas de Aracaju.

Dotou cada funcionário do TJSE com um computador. Os Juízes de Comarcas com Distritos receberam um notebook para facilitar o trabalho no deslocamento entre os Fóruns da Comarca. Também foram entregues computadores portáteis aos Juízes dos Juizados Virtuais.

Colocou em prática o primeiro programa de televisão do Poder Judiciário no Estado, o Sergipe Justiça; desenvolveu o Programa Bem-Estar, destinado aos servidores e fez acontecer 97 obras de engenharia, entre construções e reformas de Fóruns, resultado da retomada e ampliação do Todo Município com Justiça.

Possui artigos publicados e vários Acórdãos de sua Relatoria constam da Revista dos Tribunais (RT) – São Paulo e do CD-ROM Juris Síntese – Millennium. Em 1998, publicou o livro “Prática Processual na Área Cível – Estrutura Organizacional Voltada Para a Racionalização da Justiça”.

Pós-graduada em Processo Civil, é também sócia honorária do Instituto Brasileiro de Direito de Família – IBDFAM. Atuou como Juíza Eleitoral por 20 anos consecutivos, vindo a integrar o TRE-SE como membro efetivo na classe de Juiz, por dois biênios. Foi Corregedora Regional Eleitoral e, ainda, membro da Turma Julgadora do antigo 1º Juizado de Pequenas Causas, Juíza Corregedora e membro da Comissão Nacional de Racionalização – CNR/AMB.

No período de 2007-2011, presidiu a 2ª Câmara Cível e, atualmente, preside as Câmaras Cíveis Reunidas do TJSE e é membro da Comissão Executiva do Colégio Permanente de Presidentes de Tribunais de Justiça do Brasil.

Foi empossada, em 16 de março de 2011, como Vice-Presidente e Corregedora do Tribunal Regional Eleitoral de Sergipe.

Fonte: Assessoria da Desa. Marilza Maynard (Atualizado em 17/02/11).

Postagem originária da página do Facebook/MTéSERGIPE, em 24 de setembro de 2012.

Hugo Costa: a arte de escrever e de viver



Publicado por Osmário Santos, em 2 de agosto de 2010.

Hugo Costa: a arte de escrever e de viver (I)
Por Osmário Santos

Mas quem vem para a delícia da página de hoje? Sim, o Hugo Costa, uma atração especial com muita saúde, com todo o seu toque, que vive hoje momentos maravilhosos, curtidos no seu bem montado apartamento, na beira da praia, com toda a proximidade do mar e conquistando o prazer da boa vida com um bom wísque, lendo Maquiável, descobrindo a idade, tomando banho de espuma com hidro-massagem no banheiro em tom preto e branco com várias plataformas.

Um Hugo que se preocupa com o verde, onde no seu canto, as plantas estão presentes. Um Hugo na intimidade que gosta de uma cama na cor vinho e branco, de concreto, larga e segura para não balançar nada, nem o seu humor. Um Hugo precavido com uma tremenda grade de proteção na porta principal do apartamento para evitar ladrões e sequestradores. Afinal, todo o cuidado é pouco para a sua pena, que dizem de ouro, e que já aprontou muitas histórias no jornalismo e na política em Sergipe.

Hoje, aquela pessoa observadora e apreciadora de uma boa feijoada política, que já fez mil coisas na sua vida jornalística, abre tudo para embalar a leitura de um dos importantes depoimentos para a nossa memória. Hugo é da época do antigo Repórter Esso, mas aqueles que tem rabo preso não se preocupe, Hugo Costa faz um estilo de respeito ao ser humano. Suas linhas jornalísticas venenosas não mataram ninguém e o seu antídoto é respeitar a privacidade das pessoas, coisa que não funciona no lado do cargo que a pessoa ocupa. Ele bem sabe dosar as coisas e quando contratado para efetuar trabalhos para os políticos sergipanos nas campanha eleitorais, sabe muito bem, que uma das maneiras decisivas de se findar um relacionamento é a que se apela para a memória.

Um autor desconhecido escreveu: “ O melhor homem é aquele que sabe um pouco de cada coisa, mas tudo sobre o seu trabalho”. Chegou o momento de passarmos para o nosso leitor quase tudo de Hugo Costa. Um trabalho que realizamos num clima arejado de ideias e de humor.

Início de conversa

Hugo Alves Costa é o nome do jornalista e advogado. “ Deixei de usar o Alves por comodismo. Quando comecei a escrever em jornal, assinava Hugo Costa e assim desapareceu o Alves, mas, oficialmente ele existe e está nos meus documentos”.

Nasceu de uma família pobre. “ Já nasci marcado; talvez pela sorte, porque minha mãe morreu no ano seguinte ao meu nascimento e o meu pai pouco tempo depois. Fui criado pelos meus avós. Cresci um pouco na adversidade, pois quando você cresce sem conhecer o seu pai e a sua mãe, sem ter visto nem fotografia, é uma espécie de castigo já na infância e não deixa de ser um trauma, que de certa forma eu convivo com ele até hoje. Só que eu procuro sublimar”.

Sendo criado pelos avós, aos 13 anos de idade, logo cedo toma conhecimento do outro lado da vida. “Foi a necessidade de conviver num mundo estranho com pessoas estranhas, quartos de pensão, casas de estudantes. Daí em diante, aprendi tudo na vida com a vivência. Logo senti uma força que atuava dentro de mim. Era uma força muito grande e nisso sabia que nunca deixaria de conseguir as coisas que iria tentar. Tenho o bom senso de não desejar as coisas absurdas. Confesso que até hoje consigo tudo que desejo”.

A nova fase

De bem com a vida, morando no seu reino encantado, tem tempo para a vida em pleno gozo.
“Tenho pena das pessoas que não vivem como eu. Tenho pena das pessoas que vivem com os bolsos cheios de dinheiro, juntando cada vez mais como dizia o nosso poeta Vinícius de Morais na sua música Testamento: você que só ganha pra juntar, o que é que há? Você vai ver um dia em que fria você vai entrar. Por cima de uma laje. Embaixo a escuridão, é goro irmão”.

Hugo no seu grande estilo diz que viver é uma arte que requer inteligência. “Daí a minha
felicidade. Sou uma pessoa que não tenho inveja da vida de ninguém, pois a minha vida é a melhor que eu conheço”.

É carioca

Nasceu em 27 de novembro de 1934 no Rio de Janeiro, na Rua do Bispo, no bairro da Tijuca. Seus pais, sergipanos de Propriá: Filenila sua mãe, conhecida por Filé, tocava flauta e violino. Seu pai, José Alves Costa, sapateiro dos bons, era conhecido como Juca, o tocador de sax. Vem daí o seu gosto pela música.

Lembranças da infância em Própriá

Chega em Propriá aos dois anos de idade, indo morar no bairro Alto do Hospital, numa casa onde não tinha energia elétrica e entre duas que tinham. “Minha casa não tinha sanitário. Usávamos alguns penicos de noite e de dia cada um saía com seu penico e ia jogar no mato, pois, mato tinha até demais”.

Sua casa era localizada bem próxima a Lagoa das Pedrinhas, “aquela que dizem... quando um cara toma banho lá, sai falando fino, o que não aconteceu comigo. Falo até grosso demais”.
Além disso tudo, sua casa em seus momentos de infância era em plena zona do meretrício: “Nasci e cresci em redor das putas. De lado era casa de puta, enfrente era casa de puta, puta por todos os lados. Cabaré de Patú e de todos os cabarés eu era íntimo”.
Hugo diz que foi daí a origem do seu sentimento boêmio.” Toda vida deu um valor enorme as putas, pois via que eram pessoas humanas”.

Outra lembrança do seu tempo de criança: “Quando era garoto só existia em Propriá dois homossexuais: Louro e Luquinhas. Se qualquer um desses dois colocasse o pé na rua de dia, mesmo para comprar um pão na bodega ia preso. De ordem da polícia, só tinham autorização de andar à noite. Era uma discriminação terrível que existia em Propriá. Naquele tempo ninguém chamava de gay nem homossexual. Era veado mesmo ou marico”

Início de vida em Aracaju

Por não ter na cidade de Propriá curso ginasial, muda-se para Aracaju e vai ser aluno da professora Judite, matriculando-se no Colégio Jackson de Figueiredo e residindo num pensionato. “Meus companheiros de quarto: Gilvan Rocha e seus irmãos Hilton e Gilson Rocha. Hugo Costa lembra do seu tempo de pensionato com todo prazer, principalmente da parte da noite onde coisas aconteciam. “Eu e o Gilvan Rocha tínhamos uma mania. Veja que mania: Vizinho ao nosso quarto de moças e não vou dizer os nomes, pois são conhecidas. De noite a gente ficava esperando elas fazerem xixi para ouvir o som no urinou, pois ficávamos excitados com o som do xixi”. Quando Gilvan foi candidato a governador, Hugo lembrou o fato ao amigo. “Se você me encher a paciência eu conto a história do xixi”.

Depois de algum tempo resolve mudar de colégio e decide ser aluno do Atheneu. “Naquela época tinha de fazer concurso para entrar no ginásio. Me preparei para o exame recebendo aulas da professora dona Rute que ainda hoje existe e quando encontro com ela na rua, me beija muito”.

Seu primeiro emprego

“No primeiro ano que entrei no Atheneu, o meu professor de português era o José Olino de Lima Neto. O professor passou uma prova de redação com o título: São João no interior. Era a prova do meio do ano. Tínhamos essa prova no meio de junho e a do fim do ano. Quando eu voltei da das férias, disseram-me que o diretor queria falar comigo. Eu não conhecia o diretor, que era Joaquim Sobral. Fui ao seu gabinete com o Manuelzinho que era um bedel antigo. Quando cheguei lá Joaquim me perguntou: Menino de onde você é? Sou de Propriá. Quem é seu pai? Não tenho. Quem é sua mãe? Não tenho. Olha, o professor José Olino me disse que a sua prova foi a melhor do colégio inteiro que tem três mil alunos. Eu quero lhe dar um emprego. Você aceita?”
Com a carta de apresentação do professor Joaquim Vieira Sobral para Reinaldo Oliveira, do Diário Oficial, Hugo Costa depois de passar por um ditado, com o teste de verificação das suas qualidades, recebe o emprego de revisor. “Fui funcionário Público aos 14 anos. Não tinha idade para isso, pois teria de ter 18 anos”.

Sua entrada no Sergipe Jornal

Através de José Carlos Oliveira que escrevia sobre futebol, Hugo Costa é levado par ser revisor do Sergipe Jornal. Depois de um bom tempo de revisor, acontece a viagem do diretor do jornal. “O pai de Luiz Eduardo Costa que era o dono e diretor do jornal, além de ser advogado e promotor público, não me conhecia. Entrava e dava um bom dia. Necessitando ausentar-se do Brasil indo para um congresso na Argentina, Paulo Costa que escrevia uma coluna publicada na primeira página com o título: Não está certo, antes de viajar aprontou 15 colunas correspondentes aos dias de ausência. Passou mais tempo e o pessoal da redação passou a reprisar suas colunas. Ninguém ousaria fazer a coluna do diretor do jornal. Eu achei que estava reprisando demais e fiz meia dúzia delas, sem o chefe da oficina perceber que tinha feito. Ninguém notou isso e quando o Paulo Costa voltou, um dia foi lá saber quem tinha feito aquelas colunas. O gerente ficou todo se tremendo, dizendo que não sabia de nada. Terminou para mim que era quem guardava as colunas. Aí eu disse a verdade. Ele me disse que não acreditava e que eu não tinha cara de ter feito a coluna, e que alguém escreveu em meu lugar”.

Hugo Costa foi forçado a provar sua aventura de colunista escrevendo sobre três assuntos na presença de Paulo Costa num ambiente afastado do jornal, no escritório de representações que Paulo tinha com o nome de “A Carneiro”, instalado na Rua de Larajeiras. “Fiz os temas dados na hora. Ele leu e quando acabou me pediu para fosse com ele até o jornal e que deixaria de ser revisor e passaria a ser diretor. Fui diretor do jornal por 15 anos”.

Do grande amigo Paulo Costa

Hugo conta que daí por diante Paulo Costa passou a ser um grande amigo e foi quem incentivou a fazer o curso de Direito. “Quando fiz advocacia fui trabalhar em seu escritório. Paulo Costa foi o meu grande mestre no jornalismo a na advocacia. E ao contrário do que muita gente pensa não era meu parente”.
Matéria publicada no JC em 08/07/1990

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Hugo Costa: a arte de escrever e de viver (II)

Hugo comenta seus trabalhos
Por Osmário Santos

Eu sempre fui uma pessoa que procurei usar uma linguagem moderna. Termo chulo, não uso nem falando. Sempre procurei ser um estilista no texto, pois sou um leitor dos grandes autores.
Encontramos na mesa da sala, um livro de Maquiavel e perguntamos como estava a leitura. “Maquiavel, sempre... e quando chega o período de eleição a gente tem que fazer uma revisão. Por exemplo: Eu acho que Maquiavel deve ter sido o inspirador deste acórdão maquiavélico, Maquiavel sempre está presente no mundo político.

O político tem muito medo da imprensa escrita. A imprensa televisada, a notícia vai embora: o rádio esquece; o jornal, por ser documento, é temido. O candidato concorre a um cargo e vinte anos atrás ele deu um desfalque, foi envolvido num escândalo, vendeu, comprou calcinhas. A imprensa escrita apesar de atingir um menor número de pessoas, é um documento e tudo fica guardado. Sempre procurei fazer uma crítica e nunca, jamais, penetrei na vida íntima das pessoas. Sempre fiz no exercício do mandato, pois nós todos temos o direito de criticar uma pessoa que está lá porque fomos nós que colocamos.

Hugo e os seus famosos discursos

“Fiz discursos para muitos políticos, ocupantes de cargos e isso não é nada demais. É uma coisa que acontece em todas as partes do mundo. Eu sou redator de discursos e se fosse um governador iria contratar alguém para isso. Quando uma pessoa está num exercício de um cargo, cheio de agenda, de preocupações, não tem condições para escrever.

Fiz para muitos governadores, prefeitos, deputados. Me lembro que certa vez eu fiz num mesmo dia dois discursos: um prefeito do interior queria homenagear o governador. Então ele pediu ao governador que conseguisse um discurso para ele. Aí eu fiz o discurso para o prefeito, elogiando o governador. Fiz o do governador agradecendo ao prefeito e fiz a reportagem sobre a inauguração para o jornal. Soltava o foguete e apanhava flecha.

A maior dificuldade, que Hugo encontrou na elaboração de um discurso, foi no atendimento a uma solicitação do seu dentista: “Um discurso para uma faculdade de Odontologia é um negócio muito complicado, em todo caso, você me arranja uns dois ou três livros de odontologia, tudo complicado dos livros. Então o reitor, que na época era o Dr. Aloísio Campos, quando ele terminou o discurso disse; “professor, eu sou reitor há vários anos e nunca ouvi um discurso tão bem feito igual ao seu”.

Nas campanhas políticas

“Na última campanha política, fiz todos os discursos de Seixas Dórea para aTV. Em princípio alguém poderia dizer que foi mentira, considerando que Seixas Dórea é sem a menor dúvida um dos maiores oradores políticos que Sergipe já conheceu até hoje. Seixas saía de casa às seis horas da manhã e voltava às duas horas, não tinha tempo para os seus discursos.

O lado do editorialista

“Eu já fiz muitos editoriais para serem publicados num determinado jornal, não vou dizer o nome pelo lado ético da coisa.

Um determinado jornal publica um editorial criticando duramente o governo. Aí o governador diz: “eu quero fazer a resposta, mas eu quero no mesmo local”. “Eu faço o editorial desmentindo o que o outro disse e sai no dia seguinte no mesmo lugar. Problema é da relação do governo. Não sou eu que vou ao jornal. Em Sergipe, o maior anunciante é o poder. Todas as empresas tiram o chapéu e não tem jeito para não tirar, pois nós não temos um mercado de publicidade para garantir o funcionamento da imprensa sem o poder público.

O Hugo e a academia de letras

“Uma vez fui convidado para entrar na Academia e o dono da vaga ainda estava vivo. Eu não aceitei por causa disso. O presidente da Academia foi me convidar com um grupo de acadêmicos, dizendo que eu era a arma que eles tinham encontrado para evitar a entrada das mulheres na Academia. Essa mulher que queria entrar na Academia e terminou entrando, era Núbia Marques. Hugo respondeu aos imortais; “Não quero concorrer. Primeiro sou a favor da entrada das mulheres. Segundo Núbia é uma grande escritora e merece entrar. Terceiro, e a vaga? “A vaga é de companheiro nosso, porém já está desenganado, ele morrerá dentro de poucos meses. Hugo Costa ficou indignado com o fato. “Achei um mau caratismo sem limites, alguém me convidar para ocupa a vaga de uma pessoa que ainda estava viva”.

O Hugo e as comendas

“Vou dizer o seguinte: tem um vereador, vou até dar o nome: Marcélio Bomfim. Há dois anos luta comigo, para me dar o título, pela Câmara de Vereadores, de cidadão de Aracaju. Me garante que o título sairia com unanimidade, só faltando os dados biográficos de minha vida. Eu acho muito esquisito para mim, receber títulos festivos. Uma coisa que não combina muito comigo”.

Como o Hugo enfrenta as pedradas

Não levo muito em consideração este assunto, porque eu não costumo cortejar a popularidade. Toda popularidade me parece artificial e fútil, além de passageira. Hoje você vê Maradona levando pedradas por todos os lados, só porque fez gols. Na minha área, eu sempre fiz gols, por isso é natural que receba pedradas. Como sempre fui uma pessoa que agitei e continuo agitando muitas coisas, esse tipo de pessoa causa descontentamento a algumas pessoas, e causa inveja a outras. Eu nunca na minha vida, amigo de políticos como eu sou, eu nunca ocupei um cargo, que não fosse por concurso. Para mim, nunca pedi nada. Não devo um centavo a bando nenhum, a cidadão nenhum. Não compro fiado a ninguém, tudo meu é de primeira. Só bebo whisky importado. Ballantines, só ando no luxo, pois eu gosto mesmo. Já contei que nasci na pobreza extrema. Hoje eu vivo às custas do meu trabalho. Não ganhei na loteria, não casei com moça rica, nunca recebi um centavo de nada que não possa comprovar. Nunca ocupei nenhum cargo público que eu tivesse verba na minha mão para desviar. Todo o meu dinheiro é resultado do trabalho. Eu sou aquele cara que sabe ganhar e sabe gastar. Como vivo bem, devo causar grandes transtornos e muita gente que quer e não pode.

Hugo fala do movimento cultural de Aracaju

“Vai muito mal. Sem dinheiro, nenhum movimento cultural vai pra frente. Não há verbas para isso. Estou sabendo que a RTA que é a emissora cultural do governo do Estado, não tem condições de fazer uma reportagem na rua sequer. Como é que o governo tem um programa cultural e não cuida de dotar a sua emissora de condições técnicas para acompanhar esse movimento cultural? Para documentar, instrumentalizar essa cultura, para tornar essa cultura accessível às pessoas através do maior recurso que existe modernamente no mundo, que é a televisão.

Hugo nunca pensou em epitáfio

Nunca pensei em epitáfio. Acho uma coisa muito drástica sabe? Nesse sentido, vou dizer uma coisa: sou uma pessoa que não penso em morte, pois penso que viverei eternamente...

Hugo, a solidão e os amores

Amor de número um é o que tenho pelos meus filhos. Nunca fui um solitário. Solitário é quem vive só. Eu moro só, que é diferente. Amor sempre existiu no mundo. Quando a pessoa perde a capacidade de amar, morreu também. Quanto ao problema de amor no sentido que se trata da relação homem/mulher, no meu entender sempre é uma coisa que requer reserva, requer discrição e requer uma proteção para que ele continue existindo.

Hugo e religião

Religião, não tenho. Eu fiz tudo para ser religioso. Fui criado no terrorismo da Igreja Católica. Quando fiz a primeira comunhão, a professora em Propriá, dona Rosinha dizia que se a gente tocasse com a língua na hóstia no céu da boca, a gente ia para o inferno. Para mim, o dia da minha primeira comunhão foi um dia de terror, pois fui para a Igreja com aquele medo e tudo que eu temia aconteceu. A hóstia grudou no céu da boca e eu tive de tirar ela com a língua.

Sou uma pessoa bíblica, tenho a Bíblia, leio a Bíblia. Acho o livro mais belo que se escreveu no mundo. Para mim o meu modelo, minha filosofia de vida, são os salmos, as conceituações bíblicas, pois até hoje, mais de 200 anos depois ninguém conseguiu escrever nada mais belo que o texto bíblico.

Hugo e o seu humor

Acho que sou um humorista nato. Se não tivesse seguido essas profissões que tenho, poderia ser humorista. Tenho uma capacidade de ver humor em tudo, até na tragédia.

Hugo compositor

Não existe, porque a composição musical requer uma elaboração. Não é só você de repente dizer que fez uma música, tem que burilar, de cuidar e uma consequência que é gravar, ser executada. Tem de ter uma dedicação total. Devo ter composto uma média de 200 músicas e hoje não me lembro de 20 e não tenho saudades. Nós vivemos numa região onde o compositor faz as músicas e elas se perdem e não acontece nada.

Hugo e seu projeto de vida

“Meu grande projeto, até hoje não consegui realizar. Eu acho que nasci para ser escritor e até hoje não consegui, mesmo porque, nesta altura dos acontecimentos, também não poderia fazer um projeto de escritor. Eu não poderia ser, pois no Brasil o escritor normalmente não consegue viver dos seus escritos. No Brasil só temos um escritor que vive de escrever que é Jorge Amado. Assim mesmo não é do direito autoral do livro. É da novela, do filme.

Hugo, o final da reportagem e a história do general

“Eu queria dizer, que gosto muito de repórteres inteligentes, como você. Gosto de coisas assim, informais como essa reportagem que está fazendo agora. Para mim, respondo a qualquer pergunta que me for feita. Só gosto de fazer entrevistas assim.

Para mim a entrevista mais importante, foi a que fiz com o general Djenal Tavares de Queiroz. Todos os outros políticos quando eu ia entrevistar em rádio, televisão, eles queriam combinar antes as perguntas. Queriam evitar que falássemos deste assunto, daquele e daquele outro. Eu entendia, pois afinal de contas a gente tem de ser cordato com o entrevistado. No dia que fui entrevistá-lo, eu disse a ele: General, quais os assunto que o senhor não responde? “Respondo a qualquer um”. Fiz uma pergunta super drástica para ele, pois sabia que uma vez ele tinha mandado um jornalista engolir uma página de um jornal, por ter feito uma crítica a ele. Perguntei no ar. O jornalista era um doador de sangue, ele era conhecido por Movimento, aqui em Aracaju.

Só escrevia sobre esporte. Fez um artigo esportivo sobre o time do general e parece que não agradou o general. Aí o general, que era secretário de Segurança, mandou chamá-lo. E eu perguntei: é verdade, que o senhor o fez engolir o jornal: Ele engoliu, mas, não fui eu que fiz, foram os meus amigos”.

Tem uma piada que diz que o Movimento que era uma pessoa bem humorada, na hora de engolir a página do jornal, ele disse: “general, o artigo aqui desse lado eu fiz, mas do outro lado tem uma propaganda de um trator da Casa da Lavoura. Sou obrigado a engolir o trator também.

Texto reproduzido do site: usuarioweb.infonet.com.br/~osmario/

Foto de Hugo: reproduzida do site de Jorge Lins.

Foto de Hugo com Gwendolyn Thompson: reproduzida do
Facebook/MTéSERGIPE/Gwendolyn Thompson.

Postagem originária da página do Facebook/MTéSERGIPE, em 8 de abril de 2013.

Vem aí o Espaço Zé Peixe, no Antigo Hidroviário, em Aracaju

Foto: Maria Odília/Arquivo JC.

 Foto publicado pelo Jornal da Cidade.Net, em 24/08/2012, reportagem de Wilma Anjos

Publicado pelo Jornal da Cidade.Net, em 24/08/2012

Antigo Terminal Hidroviário será transformado em Espaço Zé Peixe

O novo espaço contará com um memorial e um monumento homenageando “Zé Peixe”, um terraço com espaço de contemplação com vista para o rio Sergipe, um café, um restaurante e espaço para lojas comerciais e serviços.

O governador Marcelo Déda discutiu com o secretário de Estado da Infraestrutura, Valmor Barbosa, os últimos detalhes do projeto que vai adequar as antigas instalações do Terminal Hidroviário, no Centro, para que o espaço seja transformado numa estrutura de atração turística homenageando o célebre prático José Martins Ribeiro Nunes, o “Zé Peixe”, falecido recentemente.

Com esta ação, o Governo do Estado oferecerá mais um equipamento turístico na região central de Aracaju, aliando-se a importantes pontos de atração como os mercados municipais, a Orla do bairro Industrial, o Palácio-Museu Olímpio Campos, e o Museu da Gente Sergipana.

“A Prefeitura Municipal de Aracaju está restaurando o antigo prédio da Alfândega (na praça General Valadão) e agora, com objetivo de valorizar a paisagem do rio Sergipe, estamos autorizando a construção do Espaço Zé Peixe”, afirmou o governador, ao destacar a importância de estruturar, do ponto de vista turístico, o Centro da capital.

Contemplação

O novo espaço contará com um memorial e um monumento homenageando “Zé Peixe”, um terraço com espaço de contemplação com vista para o rio Sergipe, um café, um restaurante e espaço para lojas comerciais e serviços.

“Este espaço preservará a memória e homenageará um dos heróis populares de Sergipe, o prático Zé Peixe, recentemente falecido. Zé Peixe foi um sergipano que teve uma relação quase que orgânica com o oceano e com o rio Sergipe. A sua coragem e o seu destemor somavam-se ao seu amor pela natureza”, enfatizou o governador.

A postura de Zé Peixe, ainda segundo Marcelo Déda, representava a coragem do sergipano e um símbolo do amor ao mar, ao rio e a natureza. “Nada mais adequado de que o antigo Hidroviário, colado às margens do rio Sergipe, eternizar a memória de Zé Peixe de forma criativa, arquitetonicamente atraente e culturalmente valorizada”, argumentou.

Ainda segundo o projeto, parte da área interna será decorada com obras de arte, fotografias e pertences que evoquem a memória de Zé Peixe, contando sua história às futuras gerações.

Texto e fotos reproduzidos do site: jornaldacidade.net

Postagem originária da página do Facebook/MTéSERGIPE, em 8 de abril de 2013.

Pascoal Nabuco


Publicado no site: osmario.com.br em 06/12/2004

Memória do Judiciário - Pascoal Nabuco.
Por Osmário Santos.

O desembargador Pascoal Nabuco é um predestinado. Sua carreira política, interrompida pelo movimento armado de 1964, quando ele era prefeito de Estância, não prejudicou sua biografia de homem público, cioso de suas responsabilidades diante da história. Advogado militante teve que recorrer à Justiça para enfrentar concursos e pretender, depois de aprovado, a nomeação. Promotor Público trabalhou em algumas Comarcas, antes de ser lotado em Aracaju e ascender a Procuradoria de Justiça. Deve-se a Pascoal Nabuco, por exemplo, a boa estrutura e os artigos constitucionais que permitem ao Ministério Público atuar com liberdade.

Pascoal Nabuco ocupou cargos públicos, como o de procurador geral do Estado, secretário de Estado da Casa Civil, antes de ser desembargador, e nesta condição ocupar a Corregedoria e a Presidência do Tribunal de Justiça do Estado de Sergipe e ter sido, por dois anos, presidente do Tribunal Regional Eleitoral, ocasião em que ampliou o Centro de Memorial Eleitoral - Cemel - criando pelo seu antecessor Antonio Góes, instalando-o em novo local com uma exposição histórica permanente seguida da publicação de número monográfico - 100 Anos de Eleições – da Revista do Tribunal Regional Eleitoral.

Na presidência do Tribunal de Justiça, o desembargador Pascoal Nabuco resolveu construir o prédio do Arquivo do Judiciário, no Centro Administrativo Governador Augusto Franco, junto ao Fórum Gumercindo Bessa, e recuperar a antiga sede do Tribunal de Relação, na praça Olímpio Campos, para instalar o Memorial do Poder Judiciário, casa de cultura para contar a história da Justiça em Sergipe servir de centro de pesquisas. As duas obras são da mais absoluta necessidade.

A primeira, como guardião de documentos que desde o século XVII registram demandas que tramitaram pelo aparelho judicial sergipano. O Arquivo foi inicialmente instalado e funcionou na avenida Visconde de Maracaju, junto ao edifício da Vara de Assistência Judiciária, depois foi mudado para a velha sede do Tribunal de Relação e agora, finalmente, vai para um lugar definitivo construído com as características que seu acervo e funcionamento requerem. O serviço, que sempre foi de grande qualidade, e que destacou o trabalho da professora Eugênia Andrade, diretora do Arquivo do Judiciário, tem tudo para ser ampliado e melhorado, atendendo aos que precisam consultar a documentação que o próprio equipamento salvou dos cartórios e do descaso.

O Arquivo do Judiciário carrega, em sua origem, esse mérito de evitar que parte dos documentos ligados ao Poder Judiciário desapareça, como desapareceram jornais, revistas, documentos, fotografias, objetos de grande valor cultural, empobrecendo a memória sergipana. A construção do novo prédio vai além das obras de engenharia, pois dota o majestoso edifício dos mobiliários e aparelhos necessários ao trabalho cotidiano de zelo com a documentação, protegendo-a para o futuro. O Arquivo Judiciário em prédio novo apresenta parte do seu trabalho de preservação e organização, editando um CD, reunindo documentos que facilitam a consulta. O Memorial está sendo montado em cinco salas: a do rés-do-chão, que combina informação com um ambiente descontraído de amostras temporárias, café, ponto de venda de discos, livros, CDs; as do andar térreo e as do primeiro andar que utilizando painéis, vitrines e outros móveis expõe, de forma didática, conta a história do Poder Judiciário do Estado de Sergipe.

Mais do que contar a história, o Memorial recorre aos vínculos permanentes dos integrantes da Justiça com os segmentos esclarecidos da sociedade, especialmente com a geração de pensadores do Direito, liderada por Tobias Barreto e composta, dentre outros, por Silvio Romero, Fausto Cardoso, Martinho Garcez, Gumercindo Bessa, Carvalho Neto, dentre outros que são homenageados no Memorial. As salas estarão repletas de outras figuras, retratadas no tempo, como os cinco primeiros desembargadores do Tribunal de Relação, criado pela Constituição de 18 de maio de 1892, - Gustavo Gabriel Coelho Sampaio, João Batista da Costa Carvalho, Guilherme de Souza Campos, Francisco Alves da Silveira Brito e José Sotero Vieira de Melo – e outros que elevaram as funções judicantes no Estado, como Gervásio Prata, Caldas Barreto, Hunald Cardoso, Teixeira Fontes, Octávio Gomes Cardoso, João Bosco de Andrade Lima, Waldemar Fortuna de Castro, dentre muitos mais, porque nos 112 anos de história o Tribunal contou com 77 desembargadores, considerando já a nomeação e posse da Dra. Célia Pinheiro na vaga do desembargador Barreto Prado, há pouco falecido.

O presidente Pascoal Nabuco sabe o quanto é difícil preservar o Poder Judiciário e sabe, mais ainda, o quanto significa as lições da história. Neste momento nacional, quando de fora para dentro se forma uma opinião pública que patrulha o judiciário, e toma corpo a exigência de uma reforma imediata, construir um Arquivo e instalar um Memorial é uma atitude política, que deveria ser comum a todos os Estados brasileiros. Porque os dois equipamentos recuperam e guardam, expõem e colocam em uso público a história do Poder Judiciário em Sergipe, fonte indispensável ao testemunho público de um compromisso que, neste Estado, se firmou com o Direito e com os valores democráticos.

A experiência que o tempo fez acumular, no enfrentamento de desafios que a circunstância da história impôs, dá ao desembargador Pascoal Nabuco uma consciência pedagógica do seu papel e da sua contribuição ao Estado e ao povo de Sergipe. Nesta semana, perante seus colegas presidentes dos Tribunais de todos os Estados brasileiros, o Arquivo Público e o Memorial do Poder Judiciário serão vistos como instrumentos pedagógicos, destinados a guardar para o futuro a história do Judiciário, que é, em certa medida, uma história da própria sociedade, com suas demandas, interesses, nos embates do cotidiano sergipano.

Texto: reproduzido do site http://osmario.com.br/
Foto: reproduzida do blog jcruzsantos.blogspot.com.br

Postagem originária da página do Facebook/MTéSERGIPE. em 8 de abril de 2013.

Lucas Aribé, O Jovem que Elimina Barreiras da Acessibilidade


Publicado no site do Jornal da Cidade.Net em 01/04/2013

Lucas Aribé, o jovem que elimina barreiras da acessibilidade
Por Osmário Santos

Lucas Aribé Alves nasceu em 21 de maio de 1986, na capital sergipana, Aracaju. É filho de Sinval Aribé Alves e Ana de Fátima Aribé Alves. Seu pai Sinval tem 63 anos, engenheiro agrônomo, trabalha na Companhia de Desenvolvimento e Recursos Hídricos (Cohidro). “Meu pai é um cidadão bastante alegre, otimista, dedicado e carinhoso. Herdei dele a capacidade de sempre encontrar soluções para os desafios da vida”, ressalta.


Fotos: Álbum de Família

Sua mãe, 60 anos, é formada em administração e hoje aposentada, preside o Instituto Lucas e Mariana Aribé de Acessibilidade para a Inclusão Social de Pessoas com Deficiência - Iluminar. “A instituição foi idealizada por mim e pela minha saudosa e inesquecível irmã Mariana Aribé Alves”.

Sua mãe foi funcionária pública e sempre ajudou o marido na condução, educação e preparação dos filhos para o futuro. “O que mais admiro nela é a disposição permanente em ajudar as pessoas, principalmente os familiares”, explica Lucas acrescentando que herdou dela, a vontade de lutar por um mundo melhor e o poder de percepção de que a vida é algo mais do que os nossos olhos veem.

Lucas Aribé relembra saudoso de sua infância de brincadeiras com carrinhos, bonecos, a arte de desenhar e tocar instrumentos musicais. “Eu também gostava de imitar figuras da comunicação social e da política”, confessa ele.
O menino Lucas iniciou seus estudos em 1989, no colégio Pueripax. “Minha primeira professora chamava-se Ivone. No ano seguinte, comecei a aprender a ler e escrever em Braille, com a professora Julia Cruz e delas tenho excelentes lembranças”, diz.

Aribé conta ainda que se lembra muito bem de grandes colegas, professores e acontecimentos que marcaram sua passagem pelo Pueripax. “Aprendi a respeitar a pátria, o meio ambiente, a lutar pela paz, a competir sem rivalidade e, acima de tudo, a amar ao próximo”.

No colégio Pueripax estudou até a quarta série ginasial e posteriormente ingressou na Nossa Escola, onde concluiu o ensino fundamental. “Lembro-me perfeitamente do ‘minuto de silêncio’ que todos os alunos respeitavam após o recreio”. Lucas participou de várias competições esportivas e artísticas na escola. “Já joguei basquete, xadrez e futebol de salão”. Em seguida, fez o ensino médio no colégio Master, de 2002 a 2004, onde conheceu excelentes professores, grandes amigos e suas primeiras paixões.

O gosto de Lucas Aribé pelo jornalismo surgiu desde a infância. “Sempre gostei de ler e escrever, de entrevistar pessoas, simular locuções e transmissões esportivas, etc. Minha preferência passou a ser o jornalismo esportivo desde 1994, após a conquista do Tetra Mundial pela Seleção Brasileira de Futebol”, ressalta.

No ano de 2004, passou no Vestibular para o curso de Jornalismo na Universidade Tiradentes e para o curso de Letras Português na Universidade Federal de Sergipe - UFS.

Já em 2007, iniciou o Curso Técnico em Radialismo no Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (Senac), até 2008, ano em que concluiu também a graduação em Jornalismo na Unit. “Fui aluno de grandes profissionais da comunicação, como Barroso Guimarães, Rinaldo Machado, Messias Carvalho, Alberto Matos, dentre outros”.

Do seu primeiro estágio, Lucas conta que por pouco tempo esteve na Delegacia Regional do Trabalho. Mas em 2006 começou a lecionar informática na Associação dos Deficientes Visuais de Sergipe (Adevise), e em 2007 iniciou sua carreira de radialista, como comentarista esportivo na Rádio Educadora de Frei Paulo, na qual permaneceu até o ano de 2010.

“Consegui meu primeiro emprego em 2009, quando fui assessor geral de Programas e Projetos da Divisão de Educação Especial - Dieesp/Seed e permaneci até o ano passado, 2012”, relata orgulhoso.
Lucas Aribé trabalhou também na Assessoria de Comunicação da Unit durante um ano e quatro meses e atualmente é professor do curso técnico em Radialismo do Senac.

Livro vem por aí...

Com relação a livros, Lucas afirma que logo em breve quer publicar um livro. Só não revelou o assunto. Mas declara que já publicou um capítulo no livro Educação Inclusiva e Deficiência Visual, uma coletânea de dez estudos realizados sobre a temática, lançado no ano passado. A obra foi a primeira do Estado a trazer versão digital acessível, além do modo convencional.

Política

O gosto pela política vem desde pequeno. Lucas Aribé expõe que sempre participou de discussões, manifestações, palestras e congressos sobre inclusão social em todos os seus aspectos, muitas vezes até como representante. Em 2008, decidiu ampliar seu trabalho e atuação e concorreu, pela primeira vez, ao cargo de Vereador de Aracaju. Obteve 2.324 votos, ficando na segunda suplência. “Participei apenas de duas eleições: uma em 2008 e outra em 2012”, diz.

Nos seus três primeiros meses de mandato, Lucas Aribé tem trazido novidades e informações sobre as conquistas e desafios das pessoas com deficiência. O Projeto de Lei 23/2013, de sua autoria, está na Comissão de Justiça da Câmara Municipal de Aracaju. Esta propositura dispõe sobre normas de acessibilidade para Aracaju. “Também já fizemos indicações visando a fiscalização e o cumprimento de algumas leis que garantem oportunidades às pessoas com deficiência. Além disso, tenho ampliado minha atuação, buscando sempre melhorias para nosso povo. O que mais me preocupa é com relação ao transporte público, trânsito, preconceito racial, direitos do consumidor”, finaliza o vereador.

“Tive o reconhecimento e apoio do meu partido, o PSB, mas sem dúvida, o principal auxílio que tive e ainda tenho sempre é de Deus”. Lucas relata ainda que na última eleição de 2012 contoucom a ajuda da família, dos amigos, colegas de trabalho, amigos de infância.

Dos momentos de glória e sonhos

“Não tenho como destacar um apenas...Tive diversos momentos marcantes durante esses quase 27 anos de vida”, declara com risos.

“Sonho sempre em poder contribuir, de alguma forma, para o crescimento de nossa cidade, buscando medidas que promovam a acessibilidade e a igualdade de oportunidades entre todos os cidadãos”, sintetiza.

Seu amor e suas paixões

O jornalista e vereador declara que tem oito anos e quatro meses de convivência com a psicóloga Ana Raquel Santos. “Minha grande e magnífica noiva. Sou também apaixonado pela minha profissão, por música, futebol, minha cidade, Aracaju, e pela vida principalmente”, pontua lembrando que sente muita saudade da presença física da irmã Mariana, que faleceu em 4 de março de 2012. “Ela sempre será uma parte de mim, assim como era a pouca visão que eu tinha até julho de 2010. Te amo, Mari”, conclui nostálgico.

Lucas Aribé Alves finaliza a entrevista com uma mensagem: tratar diferente o diferente é oportunizar com igualdade. “Obrigado, povo aracajuano, por me permitir ser o seu representante. Lutarei sempre por uma Aracaju sem barreiras”.

Texto e foto reproduzidos do site: jornaldacidade.net/osmario

Foto: Álbum de Família

Postagem originária da página do Facebook/MTéSERGIPE, em 8 de abril de 2013.

domingo, 7 de abril de 2013

Sílvio Romero


Sílvio Romero nasceu em Lagarto no dia 21 de abril de 1851. Filho de André Ramos Romero e Dona Maria Joaquina Vasconcelos da Silveira Ramos Romero, fez os preparatórios, no Rio de Janeiro nos anos de 1863 a 1867, no antigo Colégio Ateneu Fluminense. Cursou Direito na tradicional Faculdade de Direito do Recife, colando grau de bacharel em 12 de novembro de 1873.

Em 1874, foi nomeado Promotor Público da cidade de Estância/SE. Em 1875, requereu a defesa de tese, mas devido a um incidente com um dos professores não a procedeu. Foi professor do Colégio Pedro II, do Rio de Janeiro e um dos fundadores e professor de Filosofia do Direito da Faculdade Livre de Ciências Jurídicas e Sociais do Rio de Janeiro. Ingressou na política, no Governo de Campos Sales, sendo eleito Deputado Provincial e Federal por Sergipe. No último mandato, foi um dos relatores do Código Civil. Foi nomeado Juiz Municipal e de Órfãos em Parati, Rio de Janeiro e exerceu essa judicatura até 1879.

Escritor, folclorista, historiador, crítico literário, jornalista, poeta, foi sócio-fundador da Academia Brasileira de Letras. Era membro do Instituto Histórico e Geográfico do Brasil, da Academia Baiana de Letras, da Academia Pernambucana de Letras, sócio honorário do Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo e do Centro Comercial do Porto, sócio-correspondente da Academia de Ciências de Lisboa, do Instituto Histórico e Geográfico de Sergipe, do Instituto Histórico e Geográfico de Minas, do Grêmio Literário de Campinas.

Representou o Brasil em várias conferências européias e foi agraciado pelo Rei Dom Carlos de Portugal com a Comenda de São Tiago. Seu nome denomina ruas, praças, colégios, prédios públicos e medalhas culturais em todo o Brasil".

Foto e texto reproduzidos do site do Memorial do Tribunal de Justica de Sergipe.

Fonte: site tjse.jus.br

Postagem originária da página do Facebook/MTéSERGIPE, datada de 5 de julho de 2012.

quinta-feira, 4 de abril de 2013

Oratório Festivo "São João Bosco", O "Oratório de Bebé"


Fragmentos da Nossa História e Missão em Aracaju.
"Uma História de Amor" 1989 - 2009.

Outras comunidades de Sergipe Lagarto e Riachuelo

Uma história de amor pelo Brasil!


O Oratório Festivo "São João Bosco", conhecido como "Oratório de Bebé", foi fundado em 1914, por Genésia Fontes (Mãezinha Bebé), e tem como objetivo abrigar, amparar e educar crianças e adolescentes do sexo feminino, órfãs principalmente de mãe, na faixa etária de 04 a 08 anos, idade exigida para internar, podendo permanecer até os 18 anos, recebendo formação espiritual e moral e preparação para a vida; estudo fundamental e cursos profissionalizantes: corte e costura, bordados, formação do lar. etc. Muitas se formaram, algumas foram adotadas e outras retornaram às famílias de origem, já em melhores condições.

A vinda das Irmãs Ministras dos Enfermos para o Oratório de Bebé, em Aracaju-SE, deu-se em 16 de março de 1952, acolhendo a proposta do então Arcebispo de Aracaju, D. Fernando Gomes, para assumir o Oratório, uma instituição para crianças carentes e órfãs da capital sergipana.

A chegada das Irmãs foi de muita alegria para D. Bebé, pois ela já estava se sentindo cansada pela idade e queria que a sua querida Obra continuasse e que as crianças não sofressem a sua ausência. A abertura dessa nova frente de missão foi acolhida pelas Irmãs, como um dom da Providência, já que neste local disporiam também de uma área física adequada para a formação das candidatas à vida religiosa. E D. Bebé sentia-se feliz por as Irmãs acolherem as jovens que se apresentavam para receber a formação para se tornarem Ministras dos Enfermos e darem continuidade à sua querida Obra, o cuidado das orfãzinhas.

No dia 23 de março de 1953, estando presentes a Revda. Superiora Geral, Ir. Eletta Perfetti, e a Secretária, Ir. Antonieta Pasquelli, ingressaram as primeiras jovens brasileiras no Noviciado.

Já então o Oratório possuía uma escola com cerca de 100 alunas, sendo aproximadamente 40 em regime de internato e as demais, em regime de externato. A escola funcionava exclusivamente com professoras voluntárias; já então existia o "Oratório Festivo" aos domingos com cerca de 400 crianças vindas das redondezas, quando era promovida muita diversão, jogos, brincadeiras e as aulas de catequese e preparação para a vida. Tudo se realizava através do voluntariado.

Em 1960, morre a querida Mãezinha Bebé.

Para as crianças, começa uma nova história, mas o desvelo e o carinho das Irmãs as reanimava a retomar a caminhada, na alegria de serem crianças, na esperança de um futuro melhor.

Na capital sergipana, além do cuidado das crianças, as Irmãs prestam serviço a doentes pobres em suas casas. Por alguns anos desenvolveram atividades pastorais junto às prostitutas; a comunidade assume outras pastorais: a coordenação da Pastoral da Criança desde que esta iniciou no estado de Sergipe e a Pastoral da Saúde.

As jovens continuavam se apresentando para a formação religiosa. A comunidade havia crescido. Nesse período da história, fez-se necessário nomear uma representante da Superiora Geral no Brasil. Na década de 1960, foi então nomeada a Ir. Valéria Bertolini com o título de Comissária.

A partir da década de 1980, todos os orfanatos já não recebiam apenas crianças órfãs, passando a acolher crianças carentes e em situação de risco e vulnerabilidade, recebendo orientações diretas do Juizado da Infância e da Juventude; não mais orfanato e, sim, ABRIGO.

Mais tarde, com o aumento do número de Irmãs e o surgimento de outras comunidades, foi erigida a Pró-Província Brasileira, sendo nomeada 1ª Pró-Provincial a Ir. Gesualda Ghedini. Houve então a transferência do Noviciado de Aracaju para o Rio Grande Sul. Anos depois, o Brasil se torna Província Brasileira, tendo como 1ª Provincial a Ir. Rosa Lazzari, em 2002.

Em 1998, deu-se a abertura ao ano jubilar – 50 anos de presença das Irmãs Ministras dos Enfermos na Província Brasileira Maria Domingas, com o "slogan" "A VIDA PELA VIDA". Em Aracaju, na véspera da festa de abertura do ano jubilar, ocorreu o triste acontecimento "a vida pela vida" com o derramamento de sangue da nossa querida Provincial, Ir. Elisabete Cavalli, atropelada por um carro, bem em frente ao Hospital Cirurgia, próximo ao Oratório, onde, no dia seguinte, seria realizada a grande celebração de abertura do ano jubilar, no Salão "Bebé Eventos", e seria também a abertura do Curso de Animação e Revitalização da Vida Religiosa (CACREV) da Pró-Província. Com grande pesar e com a presença de muita gente, quatro bispos, sacerdotes, religiosas, Irmãs da Congregação, alguns familiares da falecida, crianças, amigos e autoridades, neste mesmo local de festa, foi celebrada a Missa de corpo presente da Ir. Elisabete, marcando com o selo do seu sangue essa data jubilar da nossa Província.

"A VIDA PELA VIDA"

Gratidão... Saudade!...

Obrigada, Ir. Elisabete, pela sua vida simples, alegre, humilde e corajosa, doada à Igreja e à Congregação e plenamente doada nestes últimos cinco anos como pastora desta nossa Pró-Província brasileira. Você é uma das pioneiras. Você cumpriu a sua missão. Você tinha o dom de cativar as pessoas pelo seu sorriso e sua sinceridade. Sinto saudades de você, da nossa convivência como coirmã, quando trabalhamos juntas por tanto tempo! Mas o Senhor a levou para junto de Si, para ser mais uma flor a embelezar o jardim do Céu!

"Vida pela Vida" é o slogan do ano jubilar. Você deu a sua vida na missão como pastora, num momento muito especial, derramando o seu sangue até a última gota... Que o seu sangue derramado, querida Ir. Elisabete, seja semente que vai brotar e gerar vida, vida nova, em nossos corações, neste ano de graça e que você participe no Céu do abraço do PAI. Interceda por nós ao PAI, por mim, pela nossa querida Congregação e pela sua e nossa amada Pró-Província brasileira. Ir. Elisabete, obrigada por tudo e para sempre!> (escreveu a Ir. Georgina Barboza)

Logo após o falecimento da Ir. Elisabete, a Vice-Provincial, Ir. Rosa Lazzari, assumiu interinamente a direção da Pró-Província. No ano de 1993, foi nomeada a 1ª Superiora Delegada do Nordeste, na pessoa da Ir. Beatriz de Marco, estabelecendo-se a sede em Aracaju-SE. De 1996 a 1999, Ir. Teresa Salvagni assumiu a Delegação, estabelecendo sede em Feira de Santana - BA.

No ano de 1999, realizou-se o Vº "CACREV" na casa de férias da ATALAIA, com a participação das 14 Irmãs mais vividas da Pró-Província brasileira, assessorado pela Ir. Teresa Salvagni e pela Ir. Celite Frare; esse encontro de 20 dias culminou com um retiro espiritual de oito dias, orientado pela Ir. Angélica. Mil graças! Ainda no mesmo ano, foi celebrada no Oratório, com grande ênfase, a festa dos 50 anos da chegada das primeiras Irmãs italianas a terras brasileiras. Por essa ocasião, registramos a visita inédita de 03 Irmãs do Conselho Geral: Ir. Terezinha Panarotto (italiana), Ir. Pierangela Giambelli (italiana) e Ir. Lucia Lan (Taiwan).

No ano 2000, a Ir. Marisa Inêz Mosena veio para Aracaju, assumindo a missão de Superiora da Delegação e também como presidente do Oratório Festivo "São João Bosco", dando grande impulso à formação permanente das Irmãs nessa região do Nordeste. No mesmo ano foi celebrada com grande entusiasmo a passagem dos 40 anos do falecimento da querida "Mãezinha Bebé". Houve um tríduo preparatório, quando foram colocados pontos significativos da vida e virtudes de D. Bebé. No dia da festa, estavam presentes muitos convidados: parentes, amigos e benfeitores da Obra, colégios e instituições, alunas e ex-alunas do Oratório, religiosas (os), autoridades civis e militares, funcionários, professoras, pensionistas, Família Maria Domingas, diversos corais, etc. com a participação das crianças internas, filhinhas prediletas da "Mãezinha Bebé", com suas apresentações de coreografias e balé clássico. A família Fontes, familiares de Mãezinha Bebé, se fez presente com cerca de 40 pessoas.

Em 2002, celebramos os 50 anos da chegada das Irmãs em Aracaju, mais especificamente no "ORATÓRIO DE BEBÉ". A celebração do dia 16 de março foi precedida por um tríduo de preparação, bem participado por amigos, benfeitores, alguns políticos, representantes do Governo estadual e municipal, Família Maria Domingas, colégios e escolas públicas, povo em geral e com a participação de diversos corais. E não faltou a participação da Banda do Corpo de Bombeiros de Aracaju.

A Celebração eucarística foi presidida por Dom Mário Sivieri, amigo e benfeitor de longa data do Oratório e das Irmãs, com a presença de outros sacerdotes, religiosos e religiosas. Nesta Celebração houve a apresentação do coral "Canarinhos de Aracaju", com a participação de algumas das nossas meninas abrigadas. Tudo foi um canto de louvor e ação de graças a Deus, pela grande dádiva da nossa Congregação.

Ainda em 2002, todas as Irmãs da Delegação Regional do Nordeste, Sergipe e Bahia tiveram o Encontro de Formação Permanente, com a Ir. Meire Elizabeth abordando o tema do Eneagrama; houve também o Capítulo Geral, com a reeleição da Superiora Geral, Ir. Tomasina Gheduzzi, e renomeação da Superiora Regional, Ir. Marisa Inêz Mosena.

Em 2003, tivemos a visita da Superiora Geral, Ir. Tomasina, e da Secretária, Ir. Teresa Salvagni.

Em 2004, foi realizada a festa dos 90 anos de Fundação do nosso querido ORATÓRIO, comemorada no dia 15 de agosto, precedida por uma preparação com vários temas em torno da vida e missão de Genésia Fontes e a missão das Irmãs até o momento atual. Após a celebração, houve confraternização, agradecimentos e a linda apresentação de balé clássico das meninas internas. A Celebração eucarística foi presidida pelo Pe. Jerônimo Peixoto, pároco da Catedral Metropolitana. Durante todos os dias de comemorações, houve a presença e participação de Rádios e TVs e de diversos corais.

Nossos grandes parceiros por esta ocasião foram: O BANESE (Banco do Estado de Sergipe), assumindo a pintura externa de todo o prédio do Oratório, e a ENSURBE, embelezando os nossos jardins. Houve ainda muitas outras parcerias na programação e preparação da festa. Por tudo, a nossa eterna gratidão a Deus e aos nossos colaboradores.

Em 2005, aconteceu o falecimento do nosso querido Santo Padre, o Papa João Paulo II, e a eleição do novo Papa, Bento XVI. Neste ano, celebramos também, com grande alegria, as Bodas de Ouro, 50 anos de consagração das 02 Irmãs pioneiras do Nordeste: Ir. Auxiliadora Ferreira Santos e Ir. Gema Santos Silva.

No ano de 2006, foram realizadas diversas reformas na casa, como também na parte da escola, para melhor atender à demanda dos projetos da Instituição. Como vinha acontecendo já em outros anos, contamos com diversas parcerias: Juizado da Infância e da Juventude, Ministério Público, instituições e abrigos, Irmãs Paulinas, Instituto dos Canarinhos de Aracaju, Universidade Tiradentes - UNIT, Universidade Federal de Sergipe - UFS, Faculdade Amadeus - FAMA, salesianos, carmelitas, Secretaria de Estado da Inclusão, Assistência e do Desenvolvimento Social - SEIDS, Secretaria Municipal de Assistência Social e Cidadania - SEMASC, Secretaria de Educação do Estado, Tribunal de Justiça do Estado de Sergipe - TJ, Conselhos Tutelares do Município e do Interior.

Além disso, somaram forças com as Irmãs estagiários de universidades das áreas de Serviço Social, Pedagogia e Psicologia; contamos ainda com o serviço de voluntários: médico pediatra, dentista, assistente social, advogado, professoras para reforço escolar, artesanato (biscuit), balé e teatro infanto-juvenil. Desenvolvemos projetos com a participação e parceria de GOLFINHO (Corpo de Bombeiros), Ciranda de Luz (MP), Jovens Talentos Cientistas (URFS), Eleitor do Futuro (SESI), Flauta e Cidadania (TIM) e Canto Coral e Cidadania (Canarinhos de Aracaju).

No ano de 2007, tivemos a visita do Santo Padre o Papa Bento XVI ao Brasil, bem como a visita e a despedida da nossa Superiora Geral, Ir. Tomasina Gheduzzi.

Em 2008, excepcionalmente no mês de maio, celebrando o 140º ano da morte da nossa Mãe Fundadora, Maria Domenica Brun Barbantini, realizou-se, em Roma - Itália, na sede da Congregação, o XXXIII Capítulo Geral Eletivo quando, para nossa alegria, foi eleita a primeira Irmã brasileira como Superiora Geral da Congregação, Ir. Juliana Fracasso.

Registramos que, também na nossa comunidade de Aracaju, no dia 22 de maio, foi celebrada a Santa Missa festiva, numa grande ação de graças, em homenagem aos 140 anos da morte da Beata Maria Domingas, com a participação do povo, amigos, benfeitores, Família Maria Domingas, Irmãs, crianças, pensionistas e pessoas próximas à nossa missão. Em seguida, houve confraternização com a Família Maria Domingas e alguns outros amigos, marcando este tão importante dia para toda a nossa Congregação.

Muito marcante para nós foi também, no dia 16 de agosto, a morte de Mons. Hermenegildo de Castorano, em São Gonçalo dos Campos - BA, nosso grande amigo, orientador e pai espiritual das primeiras Irmãs aqui chegadas da Itália. A ele, a nossa eterna gratidão. Chegando ao ano 2009, o ORATÓRIO está em crescimento no cuidado e formação das crianças e adolescentes; neste ano, houve mudança de Superiora da Comunidade, novas assistentes para as crianças, equipe de voluntários para desenvolverem projetos com alunos universitários da UNIT, FAMA, TJ e outros.

No mês de janeiro, celebramos o jubileu de ouro de consagração religiosa de 04 Irmãs do 4º grupo das primogênitas da Província: Ir. Bernadete Vasco Pereira, Ir. Maristela Oliveira, Ir. Donata Santana Matos e Ir. Arlinda Roberto Santos. Essas foram as primeiras vocações surgidas do Oratório Festivo, e foi no Oratório que fizeram sua 1ª experiência, a formação inicial e a 1ª profissão religiosa.

Recebemos também, no mês de março, o casal italiano Sacco Vincenzo e Silipo Anna, que adotaram a nossa menina interna Isiane e seu irmãozinho Kauan.

O projeto "Menina Flor" que está sendo desenvolvido neste ano, contempla as seguintes oficinas: Balé, biscuit, cidadania e ludicidade, reciclagem de papel e fantoche. Além disso, contamos também com a parceria da UNIT (Universidade) com um projeto de psicopedagogia para desenvolver a leitura, a relação e a cidadania e o reforço escolar com professoras da FAMA.

Para a nossa alegria, neste ano, houve nomeação da nova superiora da Comunidade, Ir. Nelsira Lazzarotto. Aconteceu também a Sagração Episcopal do nosso orientador espiritual, Frei João José Costa, da Ordem dos carmelitas. Algumas Irmãs da nossa comunidade foram prestigiá-lo na sua ordenação, na cidade de Lagarto-SE. Em nível de Igreja, continuamos participando dos Encontros da CRB Regional e Núcleo dos Religiosos, assistência religiosa às crianças na Catequese, Encontros da Diocese, entre outros.

São muitos os desafios em nível sociopolítico e econômico do nosso país: a fome, a miséria, as drogas, violências de toda espécie, das quais muitas de nossas crianças são vítimas. Vivemos, cada dia, na insegurança do amanhã para a nossa instituição, sobretudo na parte econômica. Contudo, sem perder a confiança e a esperança de que Deus é a "Força Maior", continuamos a nossa luta no dia a dia, acolhendo, educando e formando para a vida as crianças que chegam até nós e que são dons que Deus nos confia.

Queremos expressar aqui, a nossa eterna gratidão às Irmãs italianas, pioneiras desta Obra, a todas as Irmãs que aqui deixaram a sua marca de ternura e desvelo pelas nossas crianças, nossas Madres Gerais e Provinciais que, ao longo desses anos, enviam e apoiam a missão de cada Irmã; àquelas que atuaram, algumas já na casa do PAI, e às que atualmente aqui se encontram. Aos nossos queridos amigos e benfeitores, entre os quais queremos destacar o Fr. Donat Kestel (Alemanha) e o Sr. George Passos Lima; funcionários, voluntários, assistentes sociais, psicólogos e tantas outras pessoas que, no anonimato, nos ajudam a exercer a nossa missão com coragem e confiança, apesar dos desafios e contradições, como diz a nossa Mãe Fundadora: "As obras de Deus não estão isentas de sofrimentos e contradições".

"A Providência nos dará meios de fazer florescer uma obra que tanto agrada a Deus e que, com o prodígio de sua misericórdia, tem sustentado e feito crescer". (M.D.)

A nossa gratidão ao Deus da Vida, por tantas graças e dons recebidos!

"Uma esperança celeste sustenta o nosso coração"

Texto e foto reproduzidos do site ministrasdosenfermos.com.br

Postagem originária da página do Facebook/MTéSERGIPE, em 28 de março de 2013.

Memorial do Poder Judiciário de Sergipe


Histórico do Prédio *

O prédio onde abriga o Memorial do Poder Judiciário de Sergipe é atualmente denominado Palácio Sílvio Romero, uma homenagem ao ilustríssimo e talentoso jurista sergipano. Situado na esquina da Praça Olímpio Campos com a Rua Itaporanga no Centro da capital sergipana, seu erguimento teve inicio em meados de 1892, na gestão do Presidente do Estado José Calazans.

Inaugurado em 1895 pelo Presidente do Estado Oliveira Valadão, para servir de sede do Tribunal de Relação, foi para a época uma obra vultosa, pois sua imponente fachada, até hoje, é de causar admiração. O professor Fernando Porto qualifica este monumento como “estilo eclético tardio”.
De acordo com Porto, externamente destaca-se, à maneira do Palácio Imperial em Petrópolis, a repetição regular de pilastras e janelas, com arco pleno inserido em suas bandeiras. Grades de ferro importadas da Inglaterra, desenhadas em estilo art-nouveau, postas no batente de cada janela, são outros elementos dignos de atenção. Seu conjunto arquitetônico é da linha neoclássica, expressado, dentre outros elementos, por possuir platibanda cheia com figuras de louça nos cantos.
Internamente o Palácio dispõe de quatro salas, duas no pavimento térreo e outras duas no pavimento superior; e o rés-do-chão, um vão único no subsolo, onde, ao ser rebaixado em 2004, foram encontrados antigos trilhos, possivelmente de uma companhia que possuía uma pequena locomotiva, com a qual fornecia materiais para aterro e construção, na concepção do pesquisador e escritor Luiz Antônio Barreto.

O antigo sobrado serviu de sede do Tribunal de Relação desde sua inauguração até 1930, quando, o então Presidente do Estado, Manoel Corrêa Dantas entregou aos Desembargadores uma nova sede na mesma praça. Transferida a sede, o prédio chegou a abrigar a Chefatura de Polícia, o Serviço de Água e Esgotos de Sergipe, o Instituto Histórico e Geográfico de Sergipe, a Academia Sergipana de Letras, o Instituto de Música de Sergipe, o Juizado de Menores, o Fórum Desembargador Vasconcelos e o Arquivo do Poder Judiciário.
Em 02 de Dezembro de 2004, após reforma e restauração projetada pelo arquiteto baiano Itamar Baptista, o Palácio Sílvio Romero foi reinaugurado e nele instalado o MEMORIAL DO PODER JUDICIÁRIO DE SERGIPE, na gestão do Presidente do Tribunal de Justiça de Sergipe, Des. Manuel Pascoal Nabuco d'Ávila. O trabalho conceitual do Memorial é de autoria de Luiz Antônio Barreto.

Instituído para agrupar e exibir documentos textuais, iconográficos, sonoros, bibliográficos referentes à história do Judiciário Sergipano, esta “Casa de Memória” conta com as quatro salas do palácio e mais o rés-do-chão como espaço expositivo. As salas foram nomeadas de forma a homenagear os cinco primeiros magistrados que compuseram o quadro de Desembargadores quando foi criado o Tribunal de Relação de Sergipe pelo Decreto nº 40, de 26 de dezembro de 1892.
Portanto a maior sala do andar térreo é nomeada de Sala Des. João Batista da Costa Carvalho; a segunda no mesmo pavimento é nomeada Sala Des. Francisco Alves da Silveira Brito. No andar superior a maior sala é nomeada Sala Des. Guilherme de Souza Campos, e o segundo compartimento é a Sala Des. José Sotero Vieira de Melo; o rés-do-chão é nomeado Sala Des. Gustavo Gabriel Coelho Sampaio.
Aberto ao público, atraindo não apenas visitas do meio estudantil, o Memorial do Poder Judiciário de Sergipe além de mostrar uma exposição permanente alusiva aos distintos períodos da história sergipana e do panorama do Judiciário de Sergipe, oferece exposições de curta duração e outros eventos culturais.

* Este texto teve como referência a obra História do Poder Judiciário em Sergipe, de Luiz Antônio Barreto.

- Foto e texto reproduzidos do site: tjse.jus.br/memorial/

Postagem originária da página do Facebook/MTéSERGIPE, em  3 de abril de 2013.